Friday, 18 September 2015

Chiado

E porquê «Chiado»?  — Questiona o olisipógrafo Norberto de Araújo.
Querem uns que a designação proviesse do poeta António Ribeiro, o «Chiado», que por aqui vadiaria, e outros opinam que, na inversa, foi o fazedor de autos que tomou o nome da Rua. A ser assim, como adveio ao troço fundo desta serventia o dístico oral de Chiado, visto que não foi o poetastro quem lha deu? 

Rua Garrett, antiga do Chiado [entre 1886 e 1889]
Fotógrafo não identificado, in AML

Matos Sequeira, seguindo Alberto Pimentel, lembra que, aí por 1560, aqui defronte da porta dos actuais Armazéns do Chiado, deante da esquina da Rua do Carmo de hoje, existia uma adega ou estalagem de um Gaspar Dias, por alcunha «O Chiado». Pouco mais de vinte anos depois o sítio era nomeado com aquele ressonante sinal oral, devido ao taverneiro quinhentista. E, a ser assim, o frade dos autos nada tem como o nome do sítio: Chiado não seria alcunha de António Ribeiro, mas apelido, pois o frade era alentejano, e no Alentejo havia muitos Chiados, em nome de família. [...] só em em 1856 tudo isto passou a ser Rua do Chiado  — ou Chiado  — , para em 1880 o nome cair oficialmente e passar então a ser, como hoje, Rua Garrett.  

Rua Garrett, antiga do Chiado [1897]
M. Goulart, New Bedford, Col. do autor

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, pp. 91-92, 1939.

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