A apresentar mensagens correspondentes à consulta Avenida 24 de Julho ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta Avenida 24 de Julho ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Rua da Sociedade Farmacêutica

Designação atribuída por Deliberação Camarária de 31 de Janeiro de 1901 em razão dos valiosos erviços prestados pela Sociedade de Farmacêutica Lusitana. Fundada em 24 de Julho de 1835 [extinta em 1935] na botica do Hospital de São José em Lisboa, constitui mais um passo na longa história da Farmácia em Portugal. Segundo a Ordem dos Farmacêuticos, os primeiros boticários remontarão ao século XIII, tendo o primeiro diploma especificamente no âmbito da profissão farmacêutica em Portugal sido redigido em 1338.
Este arruamento te início na Rua Bernardim Ribeiro e termina na Avenida Duque de Loulé.

Rua da Sociedade Farmacêutica |1967-03|
Antiga Rua nº 4 do Bairro Camões
Augusto Fernandes, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Rua do Instituto Dona Amélia

Antigo "arruamento sem nome que começa na Avenida 24 de Julho e finda na Rua da Ribeira Nova, entre o Mercado 24 de Julho e o edifício da A.N.T." fundada pela Rainha Dona Amélia de Orleães e Bragança em Junho de 1899.

A Comissão de Toponímia, no dia 22 de Maio de 1946, realizou uma visita a alguns arruamentos da cidade, a fim de estudar a respectiva nomenclatura, no decurso da qual foi resolvido propor “que o arruamento sem nome que começa na Avenida Vinte e Quatro de Julho e finda na Rua da Ribeira Nova, entre o Mercado vinte e quatro de Julho e o edifício da Assistência Nacional aos Tuberculosos, tenha a denominação de Rua do Instituto Dona Amélia”.

Rua do Instituto Dona Amélia |post. 1910|
À esq. notam-se os prédios na Rua e Praça da Ribeira Nova e na R. dos Remolares com parte do edifício da Assistência Nacional aos Tuberculosos à dir..
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

O topónimo Rua do Instituto Dona Amélia foi oficializado pela Câmara Municipal de Lisboa através de Edital de 18/12/1947. [1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Rua do Instituto Dona Amélia |1960|
Perspectiva tirada da Rua da Ribeira Nova observando-se à dir. o actual Mercado 24 de
Julho rendo defronte o antigo edifício da extinta A.N.T..

Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Avenida de 24 de Julho: apeadeiro de Santos

Pela Avenida de 24 de Julho, bem-talhada, correm os veículos em paralelo com o comboio da linha de Cascais. Oficinas, estaleiros, o mercado do antigo Aterro, fábricas, com seus canos altos bordam a margem do Tejo que de ali se avista. [Martins: 1945]

Depois saiu para a luz ofuscante do meio-dia e encaminhou-se para o comboio. Comprou um bilhete para a Parede e perguntou quanto tempo demorava. O empregado respondeu que demorava pouco e ele sentiu-se satisfeito. Era o comboio da linha do Estoril, e levava sobretudo pessoas em férias. Pereira sentou-se do lado esquerdo do comboio porque tinha vontade de ver o mar. [Tabucchi: 1938]

Avenida Vinte e Quatro de Julho |c. 1900|
Comboio a vapor no apeadeiro de Santos
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Avenida 24 de Julho: o «Aterro»

O Aterro da Boa Vista iniciou-se em 1855 e foi uma das maiores obras públicas portuguesas desse século. Consistiu na ligação do Cais do Sodré a Alcântara através da Av. 24 de Julho, conquistando, para isso, terrenos ao rio. A zona era uma enseada de atracação de embarcações delimitada por um caminho à beira-rio, onde é actualmente a Rua da Boavista.

Avenida 24 de Julho |c. 1900|
Carro de bois na zona do Aterro da Boa Vista — na zona da Ribeira Nova — carregando carvão.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B. Situava-se o Aterro, que corresponde à actual Avenida 24 de Julho, perto do Ramalhete dos Maias de Eça de Queiros, Aterro porque era a parte aterrada do rio Tejo por volta de 1858. Foi aqui que Carlos da Maia salvou de um garrotilho a ilha de um brasileiro, ganhando «a sua primeira libra, a primeira que pelo seu trabalho ganhava um homem da sua família».

Avenida 24 de Julho |c. 192-|
Greve dos carroceiro junto a Santos.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

domingo, 24 de agosto de 2025

Trapeiros: da Avenida 24 de Julho à Alameda D. Afonso Henriques

No geral os trapeiros são indivíduos sem história, marginais à maneira antiga, embora suas vidas pudessem fornecer material para romancear. Vivendo com a indiferença de todos, farrapos humanos nostalgicamente envolvidos em farrapos, acomodam-se em qualquer vão de escada, esquecidos do mundo. 

Trapeiros na Avenida 24 de Julho |1921-1925|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Legenda da foto no arquivo: "Estado em que se encontra Lisboa. Lixo"

Incapazes de reagir contra o destino que lhes fora adverso, o trapeiro é um indivíduo imune contra a doença e o vício da cidade, uma vez que revolvendo-lhe o lixo continua satisfeito por lá encontrar os argumentos do seu próprio destino. Repousa tranquilamente em qualquer banco de jardim, pedindo apenas que o deixem em paz, porque a sua liberdade vale mais do que todas as obrigações da lei.
(DINIS, Calderon, Tipos e Factos da Lisboa do meu tempo (1900-1974), p. 270, 1986).

Aldeia dos Trapeiros, nas proximidades da Alameda D. Afonso Henriques |1945-03-29|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 14 de março de 2025

Rua António Pedro

Faço saber que em sessão da CML do dia 24/12/1893 que a nova rua em começo de construção parallela à Rua de Arroyos e avenida dos Anjos, e situada entre estas, 1º bairro, seja denominada Rua António Pedro, ficando assim legalisada a denominação que sempre lhe tem sido dada. 
[Conde do Restello, do Conselho de Sua Magestade vice-presidente da Camara Munipal de Lisboa, etc]

António Pedro Sousa Nasceu em Lisboa a 15 de Maio de 1834. Começou a sua carreira tão gloriosa aos 17 anos n'um pequeno teatro que houve na Calçada do Cascão (Alfama) representando na comedia «Depois da meia noute». Morreu a 23 de Julho de 1889. Órfão de pai desde os 12 anos começou a ganhar a vida na oficina de uma fabricante de pentes mas aos 17 anos começou a representar em pequenos teatros particulares. Como actor profissional estreou-se em 13 de Dezembro de 1857 no antigo Teatro do Campo Grande, nas comédias «O Magnetismo», «Leite de Burras», «Os Dois Papalvos» e «Os Abstractos». Integrou quatro digressões ao Brasil e alcançou fama como intérprete de figuras cómicas bem como, no final da carreira, em papéis dramáticos.

Rua António Pedro |post. 1930|
Actor — 1834-1889
Traseiras da Sociedade Central de Cervejas (SCC)
Antiga Rua paralela à Rua de Arroios e Avenida dos Anjos (actual Alm. Reis) e situada entre elas. 
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

domingo, 9 de março de 2025

Avenida Dom Carlos I que foi «das Cortes»

Avenida rasgada em 1889 com a denominação Avenida das Cortes atribuída em 1918. Antiga Avenida do Presidente Wilson (até 1948), antes Rua Dom Carlos I, antes Rua Duque de Terceira (1866), antes Rua dos Ferreiros a Esperança, antes Rua dos Ferreiros a Santa Catarina) e Travessa Nova da Esperança.

Avenida Dom Carlos I |c. 1900|
Troço entre a Rua do Merca-Tudo e a Calçada Marquês Abrantes (dir.) 
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Carlos Fernando Luís Maria Victor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon e Saxe-Coburgo-Gota, foi o penúltimo Rei de Portugal. Nasceu em Lisboa, no Palácio da Ajuda, a 28 de Setembro de 1863, e morreu na mesma cidade, no Terreiro do Paço, a 1 de Fevereiro de 1908. Era filho de D. Luís I e de D. Maria Pia de Sabóia.
O seu reinado vai de 19 de Outubro de 1889 até 1 de Fevereiro de 1908 e é caracterizado por constantes crises políticas e consequente insatisfação popular.
No seu reinado deram-se também as revoltas no ultramar, desde a Guiné a Timor.
D. Carlos distinguiu-se como pintor de talento e cientista, especialmente na oceanografia.
Estabeleceu uma profunda amizade com Alberto I, do Mónaco, igualmente apaixonado pelas coisas do mar. Como consequência desta “aliança” nasceu o Aquário Vasco da Gama, que pretendia, em Portugal, desempenhar um papel semelhante ao do Museu Oceanográfico do Mónaco.

 

Avenida Dom Carlos I |c. 1900|
Troço entre a Calçada Marquês Abrantes e a Rua do Cais do Tojo (dir.).
Nota(s): A Antiga Fábrica de Gessos Raul Ennes Ramos supõe-se que estivesse relacionada com os estucadores de Afife (Viana do Castelo), bem conhecidos pela sua hábil mestria.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

 

Foi também um excelente agricultor, tendo tornado rentáveis as seculares propriedades da Casa de Bragança, produzindo vinho, azeite, cortiça, entre outros produtos, tendo também organizado uma excelente ganadaria e incentivado à preservação dos prestigiados cavalos de Alter.
Grande apreciador das tecnologias que começavam a surgir no início do século XX, instalou a luz eléctrica no Palácio das Necessidades e fez planos para a electrificação das ruas de Lisboa.
Ficou conhecido pelo cognome de O Diplomata devido às múltiplas visitas que fez pela Europa.
Foi numa das suas viagens à Europa que conheceu a sua futura esposa, a princesa francesa D. Amélia de Orleães. Após um curto noivado, vêm a casar, em Lisboa, na Igreja de S. Domingos, a 22 de Maio de 1886. (in mosteirobatalha-pt)

 

Avenida Dom Carlos I |c. 1930|
Troço entre a Rua do Cais do Tojo e a Rua Dom Luís I (ao fundo) na direcção da Av. 24 de Julho.
Nota(s): Fábrica de gessos Serafim Ramos.
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 7 de março de 2025

Lojas de Antanho: F. H. D' Oliveira & C.ª (fund. 1895)

Por delib. da Câmara de 09/09/1878 e edital de 13 do mesmo mês e ano, foi dada a denominação de Rua 24 de Julho à parte do aterro ocidental construída no prolongamento daquela Rua, que começando na praça de D. Luís terminava no caneiro de Alcântara.

«F. H. D' Oliveira & C.ª (Irmão)» Casa fundada em 1895, loja de madeiras e materiais de construção e cantaria.
Madeiras nacionaes e eetrangeiros. Cantarias lagedoe e cascõcs. Fábticas de cal, ladrilhos. mosaicos, polvora e exploração de pedreiras no AIvito - Aleantara e Paço d'Arcos. Exportação para Africa,Bratzil eIlhas.  Escrpitório, Rua Vinte e Quatro de Julho,. 632.

Lojas de Antanho: F. H. D' Oliveira & C.ª  fund. 1895  |c. 1909|
Antiga Rua Vinte e Quatro de Julho, 630-632, a
ctualmente Avenida 24 de Julho, 150-152.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Em 2 de Janeiro de 1931 muda de ramo de negócio com a inauguração de um novo stand como representante dos automóveis "De Soto" e camiões "Fargo".

Avenida 24 de Julho |1965|
Enquadramento do edifico n.º 150-152 junto ao cruzamento com a Av. Infante Santo; "Hotel Residencial Infante Santo" inaugurado em 1957, propriedade da firma F. H. D' Oliveira.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

domingo, 29 de dezembro de 2024

Avenida Fontes com a Rua Camilo

Como estes dois últimos nomes são enormes! Mas parece que em certa época presidiu à denominação das ruas esse critério dos nomes grandes: Avenida de Fontes Pereira de Melo, Rua de Camilo Castelo Branco, etc. Pois não poderia dizer-se Avenida de Fontes e Rua de Camilo? Ou teme alguém que se confundem os nomes do estadista e do escritor com o de qualquer merceeiro?! [A.P. 1914]

A Avenida Fontes Pereira de Melo integra-se no projecto de crescimento da Cidade para Norte, aprovado em 1888, plano intitulado: "Avenida das Picoas ao Campo Grande" da autoria do Engenheiro Ressano Garcia. As terraplanagens iniciam-se cerca de 1897. 

Avenida Fontes Pereira de Melo com a Rua Camilo Castelo Branco |ant. 1940|
Palacete Sabrosa; Praça Marquês de Pombal
Kurt Pinto in Lisboa de Antigamente

O Palacete Sabrosa impressionava pela área da sua implantação distribuída por um quarteirão inteiro: Rotunda do Marquês, Avenida Fontes Pereira de Melo, Rua Camilo Castelo Branco e Avenida Duque de Loulé. Perfilava-se a residência no gaveto do Marquês com a Fontes Pereira de Melo com duas fachadas extensas, mas a principal projectava-se nesta avenida ou, como se dizia na altura, gozava de vista para o Parque. Foi demolido por volta de 1940. [Monterroso: 2002]

 

Rua Camilo Castelo Branco no sentido Avenida Fontes Pereira de Melo |195-|
Perspectiva tomada da Av. Duque de Loulé onde existe, desde 1950, o Monumento a Camilo Castelo Branco [vd. imagem abaixo].
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

O topónimo «Rua Camilo Castelo Branco» presta tributo ao insigne Romancista (1825-1890) e foi atribuído por deliberação camarária de 24 Julho de 1890 — logo no mês seguinte ao seu falecimento — , ao arruamento que ligava a Rua Alexandre Herculano à então Rua Fontes (a partir de 1902, Avenida Fontes Pereira de Melo).

Camilo Castelo Branco (1825-1890) foi um dos maiores escritores portugueses do século XIX. "Amor de Perdição" foi sua novela mais importante. Suas novelas passionais fazem do escritor o representante típico do Ultra Romantismo em Portugal. Foi um dos primeiros escritores portugueses a viver exclusivamente do que escrevia. Recebeu o título de Visconde concedido pelo rei de Portugal, D. Luís I. [+ info]

Monumento a Camilo Castelo Branco |196-|
Perspectiva tomada da Av. Duque de Loulé com a Rua Camilo Castelo Branco (esq.) onde existe desde 25 de Outubro de 1950 a estátua do escritor — obra do escultor António Duarte.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Panorâmica da Estrela tomada do zimbório da Basílica da Estrela

Do majestoso zimbório da Basílica da Estrela — a que se pode ascender depois de galgados mais de 200 degraus — o panorama de que ali se desfruta é dos mais belos de lisboa. 

Se da maioria dos pontos altos de lisboa se avista a parte antiga da cidade — recorda o Guia de Portugal (1924) —  o que aqui domina inteiramente no conjunto é a  cidade moderna. O espectáculo torna-se por isso mais claro e mais alegre, variado ainda pela abundância de pequenos bosques e jardins, desdobrados como numa grinalda. Logo a O. a tapada da Ajuda, hoje já muito rarefeita, e a mole enorme do palácio; mais para cá a mancha verde do parque das Necessidades, e a seguir a parada sombria dos ciprestes dos Prazeres. Ao longe desdobra-se o espinhaço de Monsanto, e mais além e a NO. as alturas de Sintra. Para o N. abrange-se a cidade nova, e logo em baixo repousa o olhar a frondosa espessura do Jardim da Estrela, continuada ao fundo com os belos ciprestes do cemitério dos Ingleses. A E. avista-se o Castelo, a torre de S. Vicente e mais abaixo as da Sé, um pouco perdidas na massa escura dos telhados. Ao S. abre-se enfim, maravilhosa de luz e de amplidão, a enseada do Tejo, a melo da qual se ergue o pontal de Cacilhas, avançando no rio como a proa duma nau.

Panorâmica da Estrela tomada do zimbório da Basílica da Estrela |entre 1926 e 1936|
Vêem-se os terrenos onde virá a ser rasgada a Avenida Infante Santo nas décadas de 1940/50, o Hospital da Estrela, antigo Convento do Sagrado Coração de Jesus, um trecho do Aqueduto das Aguas Livres [demolido], uma nesga do Tejo e a Outra Banda.
António Passaporte,  in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Conforme o Edital de 13 de Maio de 1949 «o arruamento em construção, que ligará a Avenida 24 de Julho à Estrela, compreende parte da Rua Tenente Valadim, desde o término da curva do prédio do Estado (Instituto Maternal); parte da Travessa dos Brunos prédios nºs 22 e 24 e, ainda, a Rua da Torre da Pólvora» passou a ser a Avenida Infante Santo.

Obras para abertura da Avenida Infante Santo |1949|
Junto ao Hospital Militar Principal, à Estrela
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

domingo, 9 de junho de 2024

Avenida do Brasil: Hospital Júlio de Matos

A construção do então chamado «Novo Manicómio de Lisboa ou do Campo Grande», ficou em grande parte a dever-se ao entusiasmo e influência do psiquiatra Júlio de Matos (1856-1922) - que acabou justamente por dar o nome ao hospital, tendo sido considerado um dos melhores da Europa, na época da sua inauguração em 1942.
A edificação, em Lisboa, de um hospital psiquiátrico moderno, capaz de satisfazer as necessidades de assistência, do ensino e da investigação científica foi possível graças ao grande prestígio de Júlio de Matos junto dos primeiros governantes do regime republicano e ao valor testamentário do empresário António Hygino Salgado d’Araújo, falecido em 24 de Junho de 1911.
Em Testamento, de 16 de Abril de 1910, este benemérito legou prédios, urbanos e rústicos. O valor destes legados foi avaliado, ao tempo, em cerca de cento e quarenta contos de réis, verba destinada à construção, na cerca de Rilhafoles, de um Pavilhão (cujo custeio foi calculado em cerca de vinte contos de réis) destinado à observação de doentes mentais, antes da sua admissão definitiva no Hospital.
Contrariamente  ao  que  se  tem  veiculado,  António Hygino Salgado d’Araújo  nunca  esteve hospitalizado no Manicómio Bombarda. (Rilhafoles).

Vista panorâmica dos edifícios e da Avenida do Brasil |c. 1942|
A Avenida do Brasil foi anteriormente designada como Avenida do Parque (1906) e Avenida Alferes Malheiro (até 1948), o revoltoso esquecido do 31 de Janeiro de 1891.
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Em concordância com o seu pensamento e o dos arquitectos Leonel Gaia e Carlos Chambers Ramos, o tipo de hospital escolhido foi o de pavilhões (em número de 33), de côr rosa, dispostos de forma funcional numa área de 14,5 hectares. Nestes, os doentes seriam agrupados em pequenas unidades de 8 a 10 doentes, para evitar a influência de uns sobre os outros. Numa área de 22 hectares, a ornamentação arbórea foi cuidadosamente planeada, graças à inclusão, entre 1942 e 1943, numa vasta equipa técnica, de um arquitecto paisagista, Prof. Caldeira Cabral e de um engenheiro agrónomo e silvicultor, Prof. Azevedo Gomes.

Avenida do Brasil: Hospital Júlio de Matos |1944|
Júlio de Matos terá adquirido (…) uma parte substancial dos terrenos (…)
[ao preço de] três tostões o metro quadrado (…).
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Panorâmica sobre o Hospital Júlio de Matos |191-|
A construção compreende o período de 1914, Julho. O início da primeira fase de construção, Julho de 1914 (a 1932), foi marcado pelo eclodir da Primeira Guerra Mundial, na qual Portugal esteve envolvido a partir de 1916. Este facto contribuiu para que o ritmo das obras e a qualidade da construção decaíssem.
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

A primeira fase de construção compreende o período de 1914, Julho, a 1932. Tem como Presidente, da Comissão, o professor Júlio de Matos e, como vogais, o engenheiro D. Luís de Melo Correia, e, o arquitecto Leonel Gaia.
A segunda fase, compreende o período de 1933 a 1942. Tem como Presidente da Comissão, o professor Sobral Cid, sucessor de Júlio de Matos, o neurologista Almeida Dias, o arquitecto Carlos Chambers Ramos, o engenheiro Leote Tavares e o coronel Ricardo Amaral, representante da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.
Aqui se realizaram algumas cirurgias de lobotomia pré-frontal no seguimento do trabalho do Nobel professor Egas Moniz. O hospital é um projecto muito ambicioso no sentido do melhoramento das condições da medicina psiquiátrica em Portugal.

Fotografia aérea de Alvalade |195-|
Vermelho: Hospital Júlio de Matos
Verde: Av. Gago Coutinho
Azul: Avenida do Brasil antiga Alferes Malheiro
Amarelo: Av. D. Rodrigo da Cunha
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente
 
Bibliografia
chpl.min-saude.pt
trienaldelisboa.com

domingo, 26 de maio de 2024

Ruas Cascais e do Cais de Alcântara

Da Rua Fradesso da Silveira para o sul, até à Avenida da Índia, sobre o caneiro de Alcântara e do lado ocidental do mesmo — diz o eng.º Vieira da Silva — , passa uma rua que faz seguimento à de João de Oliveira Miguens, a qual tinha o mesmo nome que eia, que foi mudado em 1917 para Rua Cascais.
É obscura a origem da Rua Cascais, embora se possa aventar a hipótese de este topónimo se dever à proximidade à linha ferroviária para Cascais.
Do, meio da Rua Cascais para o rio, com as obras do Porto de Lisboa, foram conquistados mais terrenos, onde se implantaram vários edifícios e estruturas, entre os quais, as vias férreas da Estação de Alcântara-Mar e a doca de Santo Amaro.¹ Este topónimo foi atribuído por Edital municipal de 21/01/1889 e recorde-se que nesse mesmo ano, a 30 de Setembro, foi inaugurado o ramal de Cascais, com início em Pedrouços e ligação a Lisboa por barco. No ano seguinte, com terrenos ganhos ao rio Tejo, o referido ramal chegou a Alcântara, fazendo ligação à linha de Cintura e permitindo o acesso à estação do Rossio até em 1895 se concluir a ligação ao Cais do Sodré.

Rua Cascais (em cima) e Rua do Cais de Alcântara |1940-08|
Troço compreendido entre a Rua Fradesso da Silveira e a margem do Tejo.  Rua João de Oliveira Miguens; ao fundo nota-se o Cemitério dos Prazeres.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Nos terrenos conquistados ao Tejo acham-se abertas muitas vias públicas, das quais a mais importante é a Avenida da India, começada a construir há muitos anos, sendo o último troço a concluir-se o que vai desde a Avenida 24 de Julho até à actual Rua do Cais de Alcântara a que primeiro foi dado o nome de Rua 14 de Maio.¹
O Edital da época informa o seguinte:
  1. Considerando que a esta Câmara Municipal têm chegado numerosos pedidos de entidades oficiais e particulares, para que se modifiquem determinadas denominações toponímicas da Capital;
  2. Considerando a vantagem de regressar, em certos casos, às antigas denominações, e a justiça de homenagear algumas figuras e entidades nacionais merecedoras da nossa consagração (…)
  3. Que à Rua 14 de Maio – que não tem nenhum passado histórico – , passe a designar-se Rua do Cais de Alcântara. 
Final da Rua Cais de Alcântara e da Rua Cascais com a Av. da IndiaAv. da India |1940-08|
Na confluência destas artérias foi erguido o Viaduto de Alcântara inaugurado em 1972.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ Olisipo: boletim do Grupo «Amigos de Lisboa»,  A Ponte de Alcântara e suas circunvizinhanças: notícia histórica, por A. Vieira da Silva, 1942.

domingo, 21 de abril de 2024

Hotel Aviz (Palacete Silva Graça)

Já agora, anotemos o luxuoso Hotel Aviz, que se contém no quarteirão que segue para Sul — sugere o ilustre Norberto de Araújo.

Foi aqui o palacete que o director de «O Século», José Joaquim da Silva Graça, fez levantar em 1904 (desenhado para habitação pelo arq.º Ventura Terra), para sua moradia particular. Em 1919 José Rugeroni, genro de Silva Graça, adquiriu este palacete ao mesmo tempo que comprava «O Século»; em 1931 decidiu José Rugeroni converter o palacete, com seus jardins e anexos, num hotel de luxo.
O edifício foi então radicalmente transformado, segundo a orientação do seu proprietário, com o qual colaborou o arquitecto Vasco Regaleira. 
O Hotel, cujo levantamento só foi possível com o auxilio financeiro da Caixa Geral de Depósitos, foi inaugurado em 24 de Outubro de 1933.


Hotel Aviz (Palacete Silva Graça) |c. 1960|
Av. Cinco de Outubro com a Av. Fontes Pereira de Melo
Na fachada destaque para a enorme águia de asas abertas.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
Hotel Aviz (Palacete Silva Graça) |c. 1960|
 O palacete do antigo jornalista Silva Graça situava-se entre as ruas de Tomás Ribeiro,
Viriato, Latino Coelho e Avenida de Fontes Pereira de Melo.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

O Hotel está recamado de arte na construção e decoração de sentido histórico no seu ambiente; é possível que pareça pretensioso, mas resultou bem o risco, até pela solução de vários problemas, nos quais a intenção e o bom gosto se poderiam chocar.

Um «hall» vistoso introduz num salão «Renascença» — grande vestíbulo — no qual se vê, à direita, um fogão, tipo de lareira portuguesa, com ricas colunas de madeira lavrada, peça que adveio da Vila de Santo António, à Junqueira, que pertenceu aos Burnays; sobre ele se colocou um brasão da Casa de Aviz. Do lado oposta vê-se um belo armário « Renascença», exemplar seiscentista que estava no Convento das Trinas; anota aquela formosa porta monumental ao fundo, e a balaustrada de ferrageria portuguesa antiga, peça que pertenceu à capela do Convento de Sacavém. Evidentemente todos estes exemplares beneficiaram de restauro. As sobreportas ostentam as armas e as divisas dos infantes da Ínclita Geração.

Hotel Aviz (Palacete Silva Graça) |c. 1960|
 Vestíbulo no qual se vê, à direita, um fogão, tipo de lareira portuguesa e balaustrada de ferrageria portuguesa antiga.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
Hotel Aviz (Palacete Silva Graça) |c. 1960|
 Salão «Renascença».
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

A Sala de Leitura, com mobiliário de estilo alentejanos, o «bar», no qual se notam baixos relevos históricos de Diogo de Macedo, e um sentido original no mobiliário, os terraços decorados com azulejos de tipo hispano- -árabe - definem já o « carácter e a fisionomia do Hotel.
As dependências e quartos, no primeiro pavimento, designam-se por «Suites», ou melhor — por correntezas — , que tomaram os nomes dos reis e príncipes da Casa de Aviz: D. João I, D. Filipa de Lencastre, D. Duarte, D. Pedro «Regente», Infante D. Henrique, Infante Santo e Infante D. João. As guarnições interiores dos aposentos são ricas, como arte aplicada. 
A Sala de Jantar situa-se no primeiro pavimento, abrindo dos jardins; há que destacar nela um grande painel de azulejos (Leopoldo Batistini) que reproduz uma das tapeçarias portuguesas de Pastraña (Espanha), além de outras decorações artísticas, de sentido histórico e etnográfico.
 
Como viste, o Hotel Aviz não está mal; este, e o Palace do Bussaco, constituem os dois únicos espécimes de hotel de luxo em Portugal.¹

Palacete Silva Graça depois Hotel Aviz  |c. 1905|
Perspectiva tirada do cruzamento da Av. Cinco de Outubro com a Rua Pinheiro Chagas na direcção da Av. Fontes Pereira de Melo. Do lado esq. nota-se o muro da Casa-Museu Doutor Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Palacete Silva Graça depois Hotel Aviz |c. 1908|
Perspectiva sobre os jardins do Palacete Silva Graça vendo-se a Av. Cinco de Outubro à dir. e a Rua Viriato à à esq...
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. O quarto número 72, com uma casa de banho extraordinária, ficou conhecido pelo Quarto Eva Perón; noutras épocas recebeu também Cecil B. DeMille. Além destes, passaram por lá Mastroianni, Sinatra, Ava Gardner, Maria Callas e outros. Calouste Gulbenkian viveu e morreu neste Hotel.
Durante a Grande Guerra também espiões alemães foram frequentemente instalados no Aviz, como o famoso Dusko Popov, e membros de famílias reais, como Humberto II de Itália, o futuro rei Juan Carlos de Espanha e o ex-rei da Roménia, Carol. Este último tinha abdicado do trono romeno sob pressão alemã, em 1940. Como estava sempre a ser seguido por membros da Gestapo durante a sua estadia no Aviz, nunca deixou o hotel antes de se mudar para a Casa Mar e Sol, no Estoril.
O Hotel Aviz foi também o local do lendário jantar do duque de Windsor − antigo rei Eduardo VIII de Inglaterra − e da sua esposa Wallis Simpson. O jantar teve lugar a 30 de Julho de 1940, no dia anterior à sua partida a bordo do Excalibur para as Bahamas, onde lhe foi atribuído o cargo de governador por Winston Churchill. Os serviços secretos alemães planeavam raptar o duque, que simpatizava fortemente com a Alemanha nazi, nessa mesma noite. Mas os serviços secretos britânicos descobriram a Operação Willi e a trama nazi falhou.²
Demolido em 1962 erguem.se no seu lugar o “Edifício Aviz e o “Hotel Sheraton”.
_________________________________________________________________
Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 81-82, 1939.
² LANGENS, Joke, Lisboa em 10 Histórias, 2022.

sexta-feira, 8 de março de 2024

Avenida 24 de Julho com o Beco da Galharda

O Beco da Galharda — designação de toponímia não oficial — , perpendicular à Avenida 24 de Julho, tem início entre os seus n.ꟹ 68 e 74, dá acesso ao estacionamento existente no logradouro dos edifícios 74 a 76 e termina frente ao n.º 70, e estabelece a ligação com o Pátio do Pinzaleiro.

Paralelo a este  Beco da Galharda «corre o estreito Beco da Galheta (ou da Calheta) — quem dá por ele? — no qual se rasgam, para norte, umas escadinhas, sob passadiços, deixando uma nota pobre de pitoresco. Na segunda metade do século passado, tudo isto por aqui fora eram «tercenas», e que talvez, em rigor, não valessem aquela designação. Não admira, pois, que neste Beco da Galheta [e no da Galharda] se continuem, em série, armazéns encerrados, gradeados, negros — disto que já ninguém lembra o que foi um dia». [...]
É tudo a orla «marginal «velha» do começo do século passado, muito antes do aterramento do areal, quando o mar batia no paredão das tercenas, e por aqui cheirava a maresia, e a cereais quentes pelo repouso nos porões». [Araujo: 1939]

Avenida 24 de Julho (68 -74) com o Beco da Galharda |1912|
Cem anos depois, a fachada do edifício à esquerda — que faz gaveto com o Beco da Galharda — foi recuperada e ainda está de pé, assim como, a fachada do prédio ao centro e na imagem seguinte, por trás do gradeamento que se pode ver mais à direita.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

As ovarinas (peixeiras) formam com seus pais, maridos e irmãos a mais curiosa população desta cidade, repara Maria Rattazzi (c. 179); população inteiramente à parte e com carácter e feição própria. São esses rudes operários do mar que fornecem peixe à capital do país; os homens embarcam para ir pescá-lo, as mulheres percorrem para vendê-lo as ruas da cidade, levando à cabeça uma canastra de fundo chato, equilibrada com graça e habilidade.
É original a sua maneira de trajar: na cabeça usam um chapéu redondo de feltro preto, de grandes abas reviradas; no peito um lenço de cor; acima da cintura uma larga faixa de lã, que dá várias voltas à roda do corpo; saias curtas só até ao meio da perna; pernas e pés descalços.
[Maria Rattazzi ( 1833-1902 ) . Portugal de Relance . [c . 1879)]

Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.
{Cesário Verde (1855-1886, O sentimento dum ocidental, 1880]

Avenida 24 de Julho (68 -74) com o Beco da Galharda |c. 1930|
Ao fundo nota-se a fachada do edifício — que faz gaveto com o Beco da Galharda — aqui ocupado por uma fábrica de chocolates.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

domingo, 14 de janeiro de 2024

Avenida Vinte e Quatro de Julho: velhas inundações, novíssimo Mercado

O novo Mercado da Avenida 24 de Julho ou Mercado da Ribeira Nova, como também ficou conhecido, foi projectado pelo engº Ressano Garcia. Tinha 10 mil metros quadrados de área coberta e foi inaugurado em 1 de Janeiro de 1882. Em 1893 foi parcialmente destruído por um incêndio e acabou por ser demolido em 1926.
A reconstrução, ficou a cargo do arqº João Piloto e ficou concluída em 1930, com a instalação da cúpula com um lanternim.
Os lisboetas ficaram tão espantados ao verem uma cúpula num mercado decorado com frescos com motivos hortícolas pintados pelo italiano Gabriel Constanti que lhe chamavam a «Mesquita do Nabo».

Avenida Vinte e Quatro de Julho |1929-12-05|
Antiga Rua 24 de Julho e antes Aterro da Boavist
a
|Praça Dom Luís I; Mercado da Ribeira
.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Avenida Vinte e Quatro de Julho |1932-12-09|
Antiga Rua 24 de Julho e antes Aterro da Boavist
a
Mercado da Ribeira em fase final de construç
ão.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Na sessão da C.M.L. de 10/02/1862 foi apresentada uma proposta no sentido de que no Aterro da Boavista no terreno confinante, pelo norte com a Casa da Moeda, pelo sul com o Tejo, pelo nascente com o Forte de São Paulo e pelo poente com a Rua 24 de Julho, se formasse uma Praça e que a mesma tivesse a denominação de Praça Dom Luís I. O topónimo Praça de Dom Luís I foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa após Deliberação Camarária de 10/02/1862.
A Comissão Consultiva Municipal de Toponímia, na sua reunião de 19/01/1950, propôs alterar os nomes da Praça Dom Luís I e da Rua Dom Luís I, para Praça e Rua Marquês de Sá da Bandeira, em virtude de existir na praça um monumento ao ilustre fidalgo. Esta alteração nunca se efectivou e o marquês foi homenageado na toponímia, mas nas freguesias de Nossa Senhora de Fátima e São Sebastião da Pedreira.

Avenida Vinte e Quatro de Julho |1932-09-21|
Antiga Rua 24 de Julho e antes Aterro da Boavist
a
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Avenida Vinte e Quatro de Julho |1929-12-05|
Antiga Rua 24 de Julho e antes Aterro da Boavist
a
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Web Analytics