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Sunday, 3 January 2016

O galo da Torre da Ajuda (Antiga Capela da Ajuda)

O sítio de Lisboa, mais alto e empoleirado para ver o mar — é a Ajuda.
O galo da Torre é a própria Ajuda que canta, desdenhosa de Belém, a quem não perdoa os Jerónimos e o velho Baluarte do Restelo. O galo marca um ingénuo orgulho do povo bairrista. Aquela Torre, isolada, é, na sua gracilidade e também na sua humildade de monumento, a sentinela vigilante de um Palácio que foi Paço, sucessor de Paços reais improvisados depois do Terramoto, mole arquitectónica que se mostra a toda a Lisboa, com soberano desprezo pelas outras grandiosidades de vinte metros. O galo é o alerta de voz da Torre; quando seus sinos repicaram pela primeira vez na manhã de 29 de Abril de 1793, o galo cantou -có-ró-có, e ouviu-se no cais de Belém, que é o que era preciso. Manuel Caetano de Sousa, o artista que a concebeu, para sineira de uma patriarcal rejubilou. Foi-se embora a antiga paroquial de que ela parecia fazer parte. A Capela Real sumiu-se. Mas a Torre ficou.

Torre sineira da Capela Real da Ajuda (Torre do Galo ou Torre da Ajuda) [1939]
Largo da Torre; Calçada do Mirante à Ajuda, antes Rua do Mirante, situa-se num ponto alto da zona circundante do Palácio da Ajuda.
A Torre Sineira ou Torre do Galo, como também é chamada, é o único elemento que subsiste da primitiva Patriarcal e Capela Real da Ajuda, cuja magnificência se perdeu pela sua difícil conservação, visto ser construída em madeira.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O sítio da Ajuda tem uma lenda, que é a história feita em poesia. Possuir um sítio uma lenda é ter sido baptizado, com o povo por padrinho. Foi assim: no século de quatrocentos isto era um campo silvestre; um pastorinho trazia o gado atrás de si, e uma flauta. Entrou numa gruta e deu com uma imagem da Virgem. Correu a nova; a Virgem obrava prodígios. Quem a ela recorresse era ajudado. E Nossa Senhora da Ajuda logo teve uma ermidinha, e por ela se fez uma romaria, se compôs um sítio, se alargou uma freguesia, se construiu um bairro.

Torre sineira da Capela Real da Ajuda (Torre do Galo ou Torre da Ajuda) [1939] 
Calçada do Mirante à Ajuda, antes Rua do Mirante, situa-se num ponto alto da zona circundante do Palácio da Ajuda.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Torre sineira da Capela Real da Ajuda (Torre do Galo ou Torre da Ajuda) [1939] 
Calçada do Mirante à Ajuda, antes Rua do Mirante, situa-se num ponto alto da zona circundante do Palácio da Ajuda.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
 
O palácio [da Ajuda] imponente, rico de semblante, de beleza arquitectural, de perspectiva — a despeito de estar inacabado — só surgiu em 1802, mas veio por acréscimo, pois a Ajuda estava feita. E ela quer ser apenas a Torre, com o seu galo, símbolo do povo, descendente, sem o saber, do pastorinho do século XV.¹

Torre sineira da Capela Real da Ajuda (Torre do Galo ou Torre da Ajuda) [c. 1950] 
Largo da Torre; Neste Largo viveu grande parte da sua vida o escritor
Alexandre Herculano (1810-1877) .

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
 
A torre era o único elemento em cantaria, destacando-se as faces do primeiro registo com molduras salientes e a janela que surge no topo das mesmas, cuja moldura se liga ao friso superior, que a separa do registo central, cujos mostradores dos relógios são gravados na cantaria e são rematados por cornija alteada e angular, suportada por pingentes. A zona mais exuberante é a que envolve as sineiras, flanqueadas por pilastras toscanas e rematadas por invulgar frontão contracurvado interrompido, com os símbolos da Patriarcal. A cobertura é original, formando duplo bolbo, o inferior rasgado por óculos, sendo coroada por enorme esfera e galo de bronze.
Subsistindo à demolição da Capela Real da Ajuda em 1843, a Torre encontra-se integrada na Zona Circundante do Palácio Nacional da Ajuda, que está classificada como Imóvel de Interesse Público.¹

Torre da Ajuda e Palácio Nacional da Ajuda [1967] 
Alto da Ajuda com vista sobre o Tejo e sua ponte.
Artur Inácio Bastos, in Lisboa de Antigamente
 
Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Legendas em Lisboa, pp. 58-59, 1943.
² monumentos.pt.

Sunday, 25 September 2016

Palácio Nacional da Ajuda: o palácio inacabado (actualizado)

Ora bem, Dilecto. Chegámos ao Palácio da Ajuda, monumento nacional, enorme casarão que de quási toda a Lisboa se avista presentemente reduzido a Museu, mas que não está aberto ao público. 


O nome de Ajuda deriva da pequena Ermida desta invocação, erecta no século de quatrocentos no alto da Ajuda, e à qual andou ligada uma graciosa lenda: um pastor que por aqui trazia seu gado entrou em certa ocasião numa gruta entre fragas que caracterizava o lugar, e viu nela uma imagem da Virgem, que logo — e porque auxiliava os que a ela recorriam — ficou sendo a Senhora «da Ajuda», construindo-se defronte a Ermida. (...)
Aí estão as origens do nome e da humilde póvoa quinhentista.

Palácio da Ajuda, fachada  [1866]
Largo da Ajuda; ao centro, a Torre da Ajuda ou «do Galo»
Francesco Rocchini, in Lisboa de Antigamente

A planta do Palácio da Ajuda é do risco do italiano Francisco Xavier Fabri e do português José da Costa e Silva, mais tarde alterada por Manuel Caetano de Sousa, havendo as obras principiado formalmente em 1802, tempo de D. João, príncipe regente, depois D. João VI. Pararam as obras em Novembro de 1807, e recomeçaram anos depois para paralisarem de novo em 1833, mas o Palácio, na sua grande ala logo construída começou a ser habitado em 1826, após a morte de D. João VI. No fim da monarquia era residência privativa da Rainha D. Maria Pia e do Infante D. Afonso.

Palácio da Ajuda, fachada  [c. 1900]
Largo da Ajuda
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Ora, Dilecto, não vamos «viajar» pelo grande palácio, que, a-pesar-de inacabado, é o maior do país. A fachada que vês, em cujas extremas se elevam êsses torreões, coroados por troféus, é uma das quatro que a grande mole quadrada deveria ter. É elegante esse corpo central, com três janelões sobre os três pórticos, guarnecidos de colunas dóricas.

Palácio da Ajuda, fachada poente  [1900]
Perspectiva tirada da Calçada da Ajuda sobre oa fachada poente com projecto arquitectónico que prevê a sua conclusão (remate) até 2018.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
 
O interior do Palácio da Ajuda — entregue à Repartição do Património Nacional — só pode ser visitado com autorização especial. 
Sumariamente, e de cor, te forneço alguns elementos. Mas já te aviso: sem guia perder-te-ás aqui dentro.

 

Entra-se pela Sala dos Archeiros (2ª ft abaixo), à nossa esquerda, contigua à Sala do Porteiro da Cana. Logo encontraremos a Sala do Dossel, depois chamada da Audiência, e mais tarde da Espera (3ª ft.). Nesta Sala há tapeçarias feitas sobre cartões de Goya, algumas estátuas, de relativo mérito, e um tecto de Volkmar Machado.
Logo a Sala dos Cães, com algumas peças de arte, entre as quais um D. Sebastião, escultura de Simões de Almeida. Outra Sala do Despacho [vd. 4ª imagem] apresenta inúmeros exemplares de cerâmica, mobiliário e tapeçarias. Continuar-se então uma série de saletas, e logo a Sala de Música (5ª ft), o antigo quarto de D. Luiz, a Sala Azul, na qual se admiram três quadros de Silva Porto: «Carro de Bois», «À porta da locanda», e uma paisagem. As Salas de Mármore, de Saxe (6ª ft), e logo as Salas Verde e a Vermelha dão prolongamento a este desfile de aposentos palacianos, que termina no Quarto de D.Maria Pia (7ª ft), e onde esta Rainha dormiu o seu último sono em Portugal. 


Fotografia aérea de Lisboa na zona do Palácio da Ajuda [c. 1950]
Torre da Ajuda
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Como o artigo já vai longo, decidimos inserir aqui a chamada «quebra de página», caso queira continuar a ler e visualizar imagens das dependências deste palácio clique em «ler mais [read more]»

Friday, 25 October 2019

Calçada da Ajuda

A Calçada da Ajuda é uma comprida e íngreme artéria que outrora vencia a passagem de uma ribeira quase seca no Verão denominada Ribeira dos Gafos. Esta Calçada tem cerca de um quilómetro de extensão contando desde o Museu dos Coches até ao muro do Jardim Botânico, onde existiu um marco, pouco acima do respectivo portão com as iniciais CMB (Câmara Municipal de Belém), uma das poucas recordações desse Concelho que após a sua extinção persistiram na freguesia da Ajuda.
Antes do Terramoto de 1755, após o qual a via foi aberta, o sítio era despovoado e nele se cultivavam oliveiras, pomares, vinhas e trigo. Ao lado de prédios que ainda conservam varandas de sacada e varadins de ferro forjado, estabeleceram-se aqui numerosos quartéis

Calçada da Ajuda [1971]
Esquina com a Tv. de Paulo Martins, topónimo atribuído por deliberação camarária de 21 de Setembro de 1916. Paulo Martins exerceu o cargo de reposteiro da Casa Real e foi dono do edifício onde, nas águas-furtadas nasceu Simão Botelho, o protagonista de «Amor de Perdição»
Nuno Barros da Silveira, in Lisboa de Antigamente

A Calçada da Ajuda deu passagem ao séquito da Família Real aquando do seu embarque para o Brasil, aos círios de Nossa Senhora do Cabo e à procissão do Senhor dos Passos de Belém que ia até à Patriarcal da Ajuda. E grandes ornamentações nela se fizeram aquando da celebração, em 1886, do casamento do Príncipe Real D. Carlos com a Princesa D. Maria Amélia de Orleães. Ao longo de dois séculos e meio de existência, a Calçada da Ajuda foi assim palco de cortejos reais, procissões e desfiles militares.

Calçada da Ajuda [1967]
Augusto Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Tal como no Largo e na Travessa, a deliberação camarária de 21 de Setembro de 1916 e o Edital de dia 26 do mesmo mês, oficializou os topónimos tradicionais do local que perpetuam o nome do sítio: Ajuda. [cm-lisboa.pt]

Alto da Ajuda, cruzamento da Calçada da Ajuda com Rua dos Marcos, Rua do Mirante, à Ajuda com a Rua das Açucenas [1939]
Ao fundo observa-se o Arco (já demolido) que servia de ligação entre o Palácio e o Jardim Botânico pela zona onde hoje é a GNR. Destinava-se ao passeio da rainha.
Eduardo Portugal in Lisboa de Antigamente

Friday, 4 August 2017

Chafariz do Largo da Paz

Segundo Norberto de Araújo  o nome de Ajuda deriva da pequena Ermida desta invocação, erecta no século de quatrocentos no alto da Ajuda, e à qual andou ligada uma graciosa lenda: um pastor que por aqui trazia seu gado entrou em certa ocasião numa gruta entre fragas que caracterizava o lugar, e viu nela uma imagem da Virgem, que logo — e porque auxiliava os que a ela recorriam — ficou sendo a Senhora «da Ajuda», construindo-se defronte a Ermida.


Sabe-se que por volta de 1762-63, a freguesia da Ajuda deixou de ser considerada suburbana e estava incluída nos limites da cidade com 5 principais arruamentos: Calçada que vai de Alcântara para a Ajuda, Travessa da Estopa, Calçada de Nossa Senhora da Ajuda, Rua das Mercês e Rua da Paz.

Chafariz do Largo da Paz |1932-08-08|
Largo da Paz
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Legenda das imagens no arquivo: «As bilhas e as vasilhas que se colocam em bicha nas proximidades do chafariz, por motivo da falta de água»

Chafariz em cantaria de calcário lioz, de planta circular, assente em plataforma circular, com um degrau no lado S., vencendo o desnível do terreno. No centro desta, surge o chafariz, composto por tanque circular, com base e bordo saliente, pouco profundo e consolidado por gatos de ferro. No interior, uma pequena base, saliente na zona superior, onde assenta plinto paralelepipédico, capeado e encimado por dado, de onde evolui um obelisco piramidal, coroado por base galbada que sustenta alcachofra. 

Chafariz do Largo da Paz |1932-08-08|
Largo da Paz
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Legenda das imagens no arquivo: «Após a chegada da água, o povo rodeando um chafariz»

No plinto, surgem quatro chapas metálicas circulares, que tapam as primitivas bicas, mantendo, no lado N., uma torneira de inox e duas réguas de ferro para apoio do vasilhame. O dado onde assenta o obelisco, apresenta as faces almofadadas, com os ângulos côncavos, onde surgem inscrições pintadas a preto: no lado N., "CMB 1859"; no lado E., "BICA DO POVO"; no lado O., "POVO" e, no lado S., "CAMARA MUNICIPAL DE BELEM 1859". A envolver o tanque, surge um escoadouro.

Chafariz do Largo da Paz |1932-08-08|
Largo da Paz
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Legenda das imagens no arquivo: «Bicha, próxima de um chafariz, à espera que haja água»


Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, p. 94, 1939.
Junta De Freguesia Ajuda.
monumentos.pt.

Friday, 24 November 2023

Estr. para Caselas, pelo Caramão da Ajuda

Na Planta da Cidade de 1908, de Júlio Silva Pinto e Alberto de Sá Correia, o arruamento é designado por Estr. de Caselas, tal como o vamos também encontrar no «Guia das Ruas de Lisboa» de 1941, editado pela Tipografia Gonçalves da Rua da Misericórdia.
Já depois, o Decreto-Lei nº 42142 de 1959 que regista a nova divisão administrativa da cidade de Lisboa, designa-a como «eixo do futuro traçado da Estrada do Caramão».

Estr. para Caselas, pelo Caramão da Ajuda |1942|
Cemitério da Ajuda visto da Rua das Açucenas; à esq., a Calçada do Galvão.
A denominação deste arruamento foi oscilando ao longo do século XX entre a Estr. de Caselas e a Estr. do Caramão.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

N.B. A Rua da Açucenas era a antiga Estrada do Cemitério que começava na Calçada do Mirante à Ajuda e terminava no Cemitério da Ajuda. Este cemitério foi mandado construir por iniciativa da Rainha D. Maria I (1787) para servir os criados da Casa Real e os pobres das freguesias da Ajuda e Belém.

Wednesday, 12 December 2018

Teatro Luís de Camões (Belém-Clube)

Na calçada da Ajuda foi construído, a expensas de um commerciante de apellido Assucar, um theatrinho elegante e bem regular, que foi inaugurado a 10 de junho de 1880, a fim de festejar o tricentenario do grande epico. Tomou o theatro o nome de Luiz de Camões. O espectaculo de inauguração foi desempenhado pela companhia Soares.


É um teatrinho elegante que dispõe bem á primeira impressão — lê-se em Divagando: impressões de teatro — , amplo, com uma ordem de confortáveis camarotes, espaçosa plateia, transformável, sendo necessário, em sala de baile. Decorado com certo gosto a branco e ouro, vêem-se no tecto algumas figuras de mitológica alegoria artisticamente pintadas a óleo. Possui um palco desafogado e próprio para representações movimentadas e pena é que esteja situado tão longe do centro da cidade, o que nos privou de assistir ao final da récita. Representou-se a espirituosa comedia «Seguro de vida», do saudoso escritor Gervasio Lobato, e a «Arte de Montes», adaptação de Ernesto Rodrigues, que muito agradaram [...] Casa cheia, destacando-se, nos camarotes e plateia, algumas figuras femininas pela beleza física, artísticos penteados e lindas toilettes, cuja policromia dava à sala um tom alegre garrido. 

Uma notícia de um jornal referia que Joaquim Maria Nunes [comerciante do bairro da Ajuda e primeiro proprietário] vai construir em Belém «um elegante teatro com lotação para 1000 pessoas», que «tomará o nome de Luís de Camões e será inaugurado no dia 10 de Junho próximo». No frontão, os bustos de Camões, Garrett e Castilho. (O Comércio do Porto n.° 277, de 27/V1880)
Através de outra fonte, faz-se saber que será distribuído «no Teatro, a expensas do mesmo Sr. Nunes, um bodo a 55 pobres da freguesia de Santa Maria de Belém, número de anos que viveu Luís de Camões». (DN, n.° 5129, de 17/V18880)

Calçada da Ajuda, 76-80 |1937|
Teatro Luís de Camões (Belém Clube) vendo-se no frontão, os bustos de Camões, Garrett e Castilho. A fachada é de um revivalismo neo-clássico, e apresenta a ideia de um só piso.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O Belém-Clube é um “teatrinho” à italiana. De uma forma simplificada, pode dizer-se que o teatro à italiana se compõe por uma sala destinada aos espectadores, com os respectivos e diferenciados lugares, e a caixa de palco, ao fundo desta daquela. O teatro à italiana foi introduzido em Portugal no século XVIII, durante o reinado de D. João V e de D. José, período em que gosto pelo género lírico se tornara na moda europeia a seguir.
Pequeno teatro de gosto neoclássico tardio, inaugurado em 10 de Junho de 1880, por ocasião do tricentenário da morte do poeta. O projecto é da autoria do arquitecto(?) João da Cunha Açúcar. A partir de 1911 albergou o histórico Belém-Clube. Não existem muitas notícias sobre o que se passou após a inauguração do teatro, e até ao arrendamento à colectividade Belém Clube, em 1911, embora seja possível que não tenha tido o sucesso ou a rentabilidade desejada pela família Nunes.

Calçada da Ajuda, 76-80 |1964|
Ao centro, o antigo Teatro Luís de Camões (Belém Clube) inaugurado em 1880, quando do centenário camoniano. A entrada principal é iluminada por dois grandes lanternões. Junto à entrada, está um painel decorativo de azulejo com os seguintes dizeres: Belém Clube / Antigo Teatro Luiz de Camões / Fundado em 3-3-1889.
Augusto Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Encerrado ao público pela Inspecção Geral de Actividades Culturais por razões de segurança, em 2012 foi aberto um concurso para arquitectos com experiência de teatros, caso de Manuel Graça Dias e Egas José Vieira, autores do projecto do actual Teatro de Almada, que foram escolhidos para conceber o projecto de reabilitação. Na fachada tudo se manterá como no projecto original. Nas pesquisas foi encontrada uma foto original que deixou perceber que o edifício era de cor mais escura, um vermelho escuro tijolo.

Calçada da Ajuda, 76-80 |1964|
Teatro Luís de Camões (Belém Clube) vendo-se no frontão, os bustos de Camões, Garrett e Castilho. Nas das duas portas laterais, está inscrita a data 10 de Junho de 188080, ena principal as iniciais J.M.N. nome do e  primeiro proprietário.
Augusto Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Chama-se agora LU.CA e é um espaço pensado em exclusivo para as crianças e o público jovem. A inauguração aconteceu no dia 1 de Junho de 2017.
_______________________________________
Bibliografia
BASTOS, Sousa, Diccionario do theatro portuguez, 1908.
SILVA, Rolando da, Divagando: impressões de teatro, 1925.
CABRAL, Alexandre, Notas Oitocentistas, vol. I, 1980.
RIBEIRO, Mário de Sampayo, A Calçada da Ajuda, Lisboa, 1940.

Friday, 5 January 2018

Pavilhão de Exposições da Tapada da Ajuda

Integrado no conjunto da Tapada da Ajuda, que está classificado como Imóvel de Interesse Público, este edifício foi construído, para a 3ª Exposição Agrícola, inaugurada em 4 de Maio de 1884, segundo projecto do arq. Luís Caetano Pedro de Ávila, inspirado no desaparecido Palácio do Trocadero, em Paris. Primeira obra de referência da arquitectura do ferro e vidro, é composto por três pavilhões de cúpulas hemisféricas, ligadas por duas galerias curvilíneas. Restaurado por altura do seu centenário, em 1984, o Pavilhão de Exposições foi restituído ao património da cidade, sendo actualmente espaço para a realização de eventos sociais e culturais. [cm-lisboa.pt] 

Pavilhão de Exposições da Tapada da Ajuda [1947]
Calçada da Tapada
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Monday, 28 September 2015

Chafariz da Boa Hora

Os frades agostinhos do Convento da Boa Hora recebiam por ordem régia duas penas de água das minas da Sacota e da Torre do Relógio em terrenos das Quintas Reais. Em 28 de Maio de 1834 foram extintas as ordens religiosas masculinas e a Junta da Paróquia da Ajuda tentou aproveitar essa água para a construção de uma fonte pública, solicitando em petição tal benesse à rainha D. Maria II.

Rua Nova do Calhariz (à Ajuda) |séc. XIX/XX|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Obteve autorização régia, mas enfrentou-se o problema de o convento ter sido repartido entre o regimento de Infantaria n.º 17 e o arrendatário António Mota, que tinha em sua posse parte da antiga cerca, tendo por contrato cedido as águas às lavadeiras. 
O chafariz acabou por ser construído, sendo inaugurado no dia de aniversário da rainha, em 4 de Abril de 1838. Contudo, o regimento de Infantaria abusava no consumo na altura das secas, ficando o chafariz sem água. Para obviar esta situação o arquitecto régio Possidónio da Silva propôs em 1850, que o dito regimento nas épocas de seca, permitisse ao público usar a antiga bica conventual.

Rua Nova do Calhariz (à Ajuda)  |1966|
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 14 July 2019

Os Fiéis de Deus

Em 1902, o olisipógrafo Júlio de Castilho, adiantava a razão da origem deste curioso topónimo do seguinte modo: «A travessa dos Fieis de Deus, essa é toda mística. Tira talvez origem de um antigo uso, que o Elucidário de Viterbo nos denúncia: montes de pedras soltas arrojadas a uma e uma pelos passageiros nas encruzilhadas, ao pé de alguma Cruz que ali houvesse, e em honra dela; resto de hábitos pagãos transformados pelo Cristianismo. Parecia aquilo um modo de provar que os fieis não esqueciam o seu Deus, pois erguiam, a pouco e pouco, junto ao símbolo da Preempção, aqueles rudes calcários, comemorativos do alcantilado teatro da Paixão de Cristo.
A tais acervos de cascalho chamava o povo «Fiéis de Deus», pela fidelidade dos obscuros e incógnitos autores. E é para notar que a ermida de Nossa Senhora da Ajuda dos Fieis de Deus, que se acha ainda hoje no seu lugar primitivo, foi edificada numa encruzilhada de dois caminhos; a actual Travessa dos Fiéis de Deus, e a actual Rua dos Caetanos.

Travessa dos Fiéis de Deus [1930] 
Perspectiva tomada da Rua de O Século
[Ermida (de Nossa Senhora da Ajuda) dos Fiéis de Deus]

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Os «fiéis de Deus» eram pedrinhas — afirma por seu turno Norberto de Araújo. Pedrinhas de piedade. Não chegavam a ser uma lágrima. Queriam ser um Padre-Nosso. Quando era justiçado um homem, não o enterravam no adro sacrossanto das igrejas. A lei punha-o fora do seio de Deus. Abriam-lhe a cova numa encruzilhada. Os que passavam atiravam-lhe uma pedra e uma oração pelo «fiel de Deus». Eis o costume caritativo de há muitos séculos.
E aí está a única ermida do Bairro Alto, neste buliçoso sítio onde muitas outras existiram, e que esqueceram. Aí fica ela ao cabo do enfiamento de uma pitoresca travessa, ainda de casinhas cor-de-rosa, de fundo setecentista, perto das Salgadeiras, da Espera, das Mercês, da Trombeta. 

 Ermida (de Nossa Senhora da Ajuda) dos Fiéis de Deus] [1945] 
Travessa dos Fiéis de Deus, 111; Rua dos Caetanos
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Data a Ermida de 1551, dedicada por um Afonso Brás às Almas do Purgatório. É pequena e pobre, com um arzinho de ingenuidade antiga. Nela habitou um dos cinco homens que, na cidade, tinham o ofício de recolher as crianças perdidas das mães: também foi um refúgio, os Fiéis de Deus.
Na Ermidinha entravam muitas vezes os calafates da Boavista, os brigões da Espera, os fidalgos de Soure, os frades eruditos de S. Caetano, as colarejas da Atalaia. Agora não entra quase ninguém. [...]
É simplesmente a pedrinha anónima, distraída, humilde dos Fiéis de Deus.
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Bibliografia
CASTILHO, Júlio de, Lisboa antiga, Vol, 1, p. 102, 1902.
ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, pp. 202-203, 1943.

Friday, 20 June 2025

Rua de Dom Vasco

Este topónimo já aparece — como "Calçada" — nalgumas cartas topográficas, em 1892, e em antigos escritos a propósito do combate aos incêndios citadinos, em que os sinos das igrejas indicavam, pelo número de badaladas, a freguesia do incêndio, e que aqui transcrevemos: «No ano de 1862, davam-se 33 badaladas na igreja da Boa Hora, em Ajuda, com o posto da guarda na Calçada de Dom Vasco».
(CRUZ (Francisco Inácio dos Santos).— memoria sobre os differentes meios de atalhar os incêndios..., 1850)

A carreira nº 18 — Praça do Comércio-Ajuda — foi inaugurada em 1927.
Perspectiva tomada da Tv. da Boa Hora à Ajuda.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B.  Dom Vasco Manuel de Figueiredo Cabral da Câmara) (1766-1830). Em 1805 recebeu o título de conde de Belmonte. Foi porteiro-mor da Casa Real, Fidalgo da Casa Real, morgado de Ota, de Belmonte e de Santo André, pertenceu ao conselho de D. João VI, foi gentil-homem da sua câmara, presidente da Junta da Administração do Tabaco e deputado da Junta dos Três Estados do Reino.

Sunday, 6 June 2021

Rua Tomás da Anunciação, 153

O pintor Tomás da Anunciação, que se destacou sobretudo pela pintura paisagista e de animais, está desde o ano seguinte à sua morte perpetuado numa rua de Campo de Ourique, até aí denominada Rua nº 3 dos terrenos da antiga parada de Campo de Ourique.

Tomás José da Anunciação (1818–1879) nasceu na Ajuda e, iniciou a sua carreira como desenhador de estampas no Museu de História Natural do Palácio da Ajuda para, a partir dos 19 anos, frequentar a Real Academia de Belas-Artes de Lisboa, instalada no Convento de S. Francisco, onde a partir de 1852 se tornou professor da nova cadeira de Pintura de Paisagem, Animais e Produtos Naturais. Em 1857, com o seu quadro Vista de Penha de França, assumiu as funções de professor catedrático e, a partir de 1878, tornou-se Director da Academia. Distinguiu-se como pintor paisagista e animalista, sendo de realçar na sua obra de mais de 500 quadros, alguns títulos como O sendeiro (1856), Vitelo (1873), Perdidos do Rebanho, Ovelhas e Borregos e Rebanho Passando Um Riacho. Refira-se ainda que foram seus alunos José Malhoa e Silva Porto, bem como que deu aulas de pintura à Rainha D. Maria Pia. [cm-lisboa.pt]

Rua Tomás da Anunciação, 153 [191-]
Junto à Rua de Campo de Ourique
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto não está identificado no abandalhado amL

Sunday, 3 April 2016

Igreja da Memória e chafariz da Memória

Também conhecida por Igreja de Nossa Senhora do Livramento e de S. José, a Igreja da Memória foi mandada construir por D. José I como agradecimento por ter escapado ao atentado sofrido em 1758. Para falarmos da Igreja da Memória temos de recuar até 3 de Setembro de 1758, quando o rei D. José I saiu do Palácio dos Condes da Calheta, após uma noite com a sua amante, Teresa de Távora, e sofreu um atentado. O facto de ir na carruagem de Pedro Teixeira — com o qual o Duque de Aveiro tinha um diferendo — deixa dúvidas que a intenção fosse um regicídio, mas foi a desculpa perfeita para se iniciar o processo contra os Távoras e a expulsão dos jesuítas de Portugal.

Igreja da Memória [1866]
Largo da Memória
Francesco Rocchini, in Lisboa de Antigamente

Por se ter salvo, o rei promete erguer uma igreja dedicada a Nossa Senhora do Livramento e a primeira pedra é colocada a 3 de Setembro de 1760, ficando a cargo do arquitecto e cenógrafo italiano Giovanni Carlo Bibienna. Com a sua morte, são abandonadas algumas ideias do projecto original, como as três colunas com três santos que ficariam na fachada principal. Mateus Vicente de Oliveira assume os trabalhos e é o responsável pelo piso superior, introduzindo as varandas em madeira de cerejeira e pau Brasil. O chão de mármore cor-de-rosa é proveniente de Vila Viçosa, os altares são do século XVIII e os castiçais e o sacrário são em ouro. O painel no altar-mor é da autoria de Pedro Alexandrino e representa o rei a agradecer a Nossa Senhora do Livramento, entregando-lhe o seu ceptro. Depois da morte do monarca, a construção da igreja perdeu certo sentido e foram muitas as demoras até que estivesse concluída. Em 1923 foram para aqui transladados os restos mortais do Marquês de Pombal.(documentaromundo.com; patrimoniocultural.pt)

Igreja da Memória e chafariz da Memória [c.1950]
Largo da Memória; Calçada do Galvão
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

O Chafariz da Memória é uma obra do arquitecto régio Possidónio da Silva, de traço simples sobre uma base quadrada e obelisco central. Na Ajuda existia uma fonte no Palácio das Secretárias, sito na Calçada da Ajuda, onde se abasteciam os habitantes da zona. Aquando da vinda do pai do rei a Lisboa, a rainha D. Maria II ordenou a execução de obras no palácio, transformando-o em residência do seu sogro, o Duque Fernando da Saxónia-Coburgo-Gotha. A Vedoria da Casa Real negociou com a Câmara o aproveitamento das antigas bicas no Pátio das Vacas e na Memória para a construção de um novo chafariz. A Vedoria cedeu a cantaria que sobrou das obras do Palácio de Belém e encarregou o arquitecto régio Possidónio da Silva do encanamento das águas para a Calçada do Galvão. O Chafariz da Memória foi inaugurado em 13 de Junho de 1850. Os seus sobejos iam para a Quinta Real. Orçou a obra deste chafariz em 1 040$161 réis. (monumentos.pt)

Friday, 20 July 2018

Chafariz (do Largo) do Rio Seco

Construído em 1821, conjuntamente com o Chafariz da Junqueira e em ambos se gastaram 40.527$236 réis. Tinha junto um bom tanque de lavadeiras com quarenta palmos em quadrado e dois palmos e meio de alto. A sua nascente era numa pedreira próxima. Esta nascente secava sempre no mês de Junho até às primeiras chuvas. Depois rebentava de novo, mas a sua água trazia muito lixo, palha e estrume durante dois ou três dias e depois ficava muito limpa e cristalina até o mês de Junho seguinte.

Sítio do Rio Seco [190-]
Ao centro observa-se o chafariz. tanque de lavadeiras e o leito do Rio Seco. Pouco depois o rio foi aterrado para arruamentos — actualmente Rua Dom João de Castro e Rua e Largo do Rio Seco. 
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente 
Chafariz do Rio Seco [1953]
Largo do Rio Seco
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente 

O topónimo Rio Seco deriva de o local ter sido em tempos um rio, como se pode ler neste artigo publicado em 1945 no boletim do Grupo «Amigos de Lisboa»: [...] Vamos encontrar para além do Juncal [Junqueira] uma ponte sob a qual deslizava lentamente  um ribeiro e que desaguava no Tejo. Essa ponte ligava o sitio de Belém com o de Alcântara ou antes Santo Amaro. O rio, com o andar do tempo, secou, daí o nome ao sitio de Rio Sêco
Este rio, que hoje está desde certo ponto transformado num simples cano abobadado, vem da Serra do Monsanto, atravessa a Calçada da Boa-Hora, segue depois entre os muros das quintas do Almargem e de Diogo de Mendonça Côrte Real (modernamente denominada das Águias ou da Condessa da Junqueira), atravessa, por baixo a rua da Junqueira e a Cordoaria, e vai, por fim, desaguar no Tejo.==

Largo do Rio Seco [1939]
Perspectiva tomada da Rua Aliança Operária
Ao fundo à esq., o Palácio da Ajuda; ao centro, a torre sineira da Capela de Nossa Senhora da Ajuda/Torre do Galo.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente 
Lavadouro do Rio Seco [196-]
Largo do Rio Seco
Vasco Gouveia de Figueiredo, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ANDRADE, José Sérgio Velloso de, Memoria sobre chafarizes, bicas, fontes, e poços públicos de Lisboa, 1851.
Olisipo: boletim do Grupo «Amigos de Lisboa», 1945.

Monday, 1 February 2021

Ermida de Nosso Senhor do Cruzeiro

A pequena capela de Nosso Senhor do Cruzeiro, na rua do mesmo nome, terá sido erguida durante o reinado de D. Maria I, possivelmente a par das obras de construção do Palácio Nacional da Ajuda, quando a região ainda era um descampado. Poderia destinar-se a substituir uma antiga ermida, que algumas tradições dizem ter sido edificada no século XVI para albergar uma imagem de Nossa Senhora da Ajuda, invocação da Virgem cultivada pelos marinheiros no lugar do Restelo, e que teria aparecido a um pastor nesse descampado. Uma outra lenda conta que a ermida primitiva guardaria o cruzeiro resultante de um voto feito a Nosso Senhor pelo marinheiro Gaspar Manso, nas vésperas de uma viagem, hoje recolhido no Museu Arqueológico do Carmo. O cruzeiro porta a inscrição:

«GASPAR MANSO PATRAO MOR ME POS 1609»

Ermida de Nosso Senhor do Cruzeiro  |ant. 1939|
Rua do Cruzeiro, 90-94
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O pequeno templo possui uma tipologia arquitectónica estilisticamente incaracterística, e é desprovido de elementos decorativos de relevo. A fachada principal compõe-se unicamente de um portal em arco de volta perfeita com bandeira concheada, terminando em empena triangular encimada por cruz com fogaréus barrocos nos extremos. A planta é irregular, e no interior, com nave coberta por abóbada de berço, conservam-se dois modestos altares.
Foi destino de muitos devotos locais, com uma festa anual celebrada pelo menos até 1901, no domingo de Pentecostes. Abandonada durante muito tempo, encontra-se actualmente recuperada, e integrada na propriedade onde foi construído um lar de idosos, o Lar de São José. [IGESPAR]

Friday, 7 July 2017

Museu Nacional dos Coches Reaes

O edifício do Museu dos Coches, desintegrado do palácio, do qual fez parte, é também uma construção do começo do século actual, ampliado para Norte, sobre a Calçada da Ajuda, nos últimos meses de 1942 e em 1943.


O Museu reúne uma colecção de viaturas de gala e passeio dos séculos XVII a XIX, única no mundo. O seu espólio inclui: coches, berlindas, carruagens, seges, liteiras, carrinhos de passeio e carrinhos de crianças. Completam a colecção, arreios de tiro e cavalaria, acessórios de viatura, fardamentos, instrumentos musicais, um núcleo de armaria e uma colecção de retratos a óleo dos monarcas da Dinastia de Bragança

Museu Nacional dos Coches |c. 1909|
Praça Afonso de Albuquerque
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Anexo ao Palácio [de Belém] — recorda-nos Norberto de Araújo —, temos o Museu Nacional dos Coches, superior aos seus similares, o Trianon, de Versailles, e o de Madrid. Também merece duas palavras, antes de o visitarmos, o que não pudemos fazer ao Palácio. Onde está o Museu dos Coches foi, primitivamente, o Picadeiro do Paço de Belém, mandado construir por D. José, mas cuja obra, do risco de Jacomo Azzolini, só se concluiu em tempo de D. João VI.

Museu Nacional dos Coches [post. 1901]
Praça Afonso de Albuquerque esquina com a Cç. da Ajuda
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Foi a Rainha D. Amélia quem, em 1905, teve a iniciativa de construir o Museu dos Coches, a despeito da relutância de D. Carlos, em consentir a destruição do Picadeiro, um dos melhores da Europa; o Rei acabou por deferir a pretensão da Rainha, e logo o estribeiro-menor, coronel Alfredo de Albuquerque, se lançou à realização da obra.
A Rainha tinha razão; se o Picadeiro era, no seu género, cousa de manter-se e admirar-se, o Museu vale infinitamente muito mais.

Museu Nacional dos Coches |c. 1950|
Praça Afonso de Albuquerque
António Castelo Branco,  in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Monumentos históricos, p. 154, 1944.
idem, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, p. 71, 1939.
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