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Friday, 29 January 2016

Lago do Parque Eduardo VII

O Parque-no seu inicio e no primitivo sonho paisagista, assim podemos dizer-data da penúltima década do século passado (1885), e seu primeiro nome, caído em esquecimento, foi o de Parque da Liberdade. (ARAÚJO, 1939)


Denominado Parque da Liberdade, foi rebaptizado, por deliberação da C.M.L., em sessão realizada a 13 de Abril de 1903, por ocasião da visita a Lisboa do Rei de Inglaterra, Eduardo VII.
Em 1887, Ressano Garcia, engenheiro da Câmara Municipal de Lisboa , propõe um concurso internacional de ideias, visando o arranjo paisagístico do local.

Lago do Parque Eduardo VII [1933] 
Ao fundo, a Rua Artilharia 1
 Festas da Semana dos Inválidos do Comércio.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Dos vinte e nove projectos concorrentes, em reunião de Câmara, a 5 de Fevereiro de 1895, a unanimidade da votação recaiu sobre o projecto apresentado por Henri Lusseau, projecto esse com uma estrutura de cariz romântico, traçando alguns lagos, implantando o «belveder», de acordo com a morfologia do terreno e a construção de um Palácio de Exposições e Festas.

Lago do Parque Eduardo VII [1932]
Ao fundo, o monumento ao Marquês de Pombal em construção
Regatas no lago do parque Eduardo VII, durante as festas dos vendedores de jornais

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O Parque era, na altura, cenário de feiras, de exposições e de divertimentos e, em 1929, constrói-se um grande lago, na zona pensada por Lusseau, a sul do actual Clube VII e junto dos portões de entrada.
(jf-avenidasnovas.pt)

Lago do Parque Eduardo VII [1940]
Ao fundo, a Rua Castilho

Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 7 January 2018

A «Torrinha», a Vale de Pereiro

Também a «estampa antiga» do sítio do Parque [Eduardo VII] — recorda-nos o olisipógrafo Norberto de Araújo — foi desfigurada com o desaparecimento da «Torrinha», uma curiosa vivenda octogonal (Quinta da Torrinha, que deu nome à Estrada), situada um pouco acima do actual lago, e demolida em Abril de 1916.¹


Mereceu a Torrinha — com o seu andar «feito à romana», em forma de mirante — larga referência de Matos Sequeira em «Depois do Terramoto» onde o mestre olisipógrafo fixou algumas efemérides da dita casa «seguramente do século XVIII [1764?]», descrevendo-a como «a célebre Torrinha» que, «por tanto tempo, alindou com o seu ar um tanto ou quanto misterioso, aquele local.»
Esculápio em O Século  de 21 de Abril do ano último [1916] — prossegue o mesmo autor —, fez, como extremado amigo da cidade, o seguinte episódio ao pobre torreão setecentista do dr. José de Sousa Monteiro:
Vetusto monumento  de  fé republicana de outras eras, anda o camartelo municipal a derruí-la, para dar «seguimento ao parque Eduardo  VII,  que já se desenha «esplendoroso ao cimo da Avenida, coroando a rotunda «e o lugar onde, para as calendas gregas, se há-de erguer «a tão falada estátua ao Marquês de Pombal. O leitor amante das antiguidades de Lisboa que vá vê-la nos «seus derradeiros momentos, a célebre Torrinha onde se faziam dantes os comícios republicanos e onde os janízaros da municipal se fartaram de espadeirar o «povo e os propagandistas da ideia nova. Faz pena ver «a Torrinha a cair aos bocados, em holocausto ao progresso e ao aformoseamento da plástica citadina!

Dão-te a morte; coitadinha,
E tu morres fria e calma
Torrinha que eras  Torrinha,
Do teatro da minha alma.

A Torrinha [1888]
Parque Eduardo VII, antigo Parque da Liberdade, antes Vale de Pereiro
Legenda da foto: «Exposição Pecuária Nacional em 1888»
Augusto Bobone,in Lisboa de Antigamente

Os lisboetas das gerações mais novas, quando olham para a vasta área ajardinada e arborizada do Parque Eduardo VII, com a sua grande tira de relva ao centro, a Estufa Fria e os trechos arborizados que circundam lagos com cisnes em torno dos quais as crianças brincam sob o olhar das mães ou das nurses, o Pavilhão dos Desportos e ainda a Avenida Sidónio Pais, flanqueada de prédios de luxo, dificilmente podem imaginar o conjunto rústico de quintas e terras de semeadura, olivais e velhos casarões de tipo arrabaldino que se estendiam entre a Rua de Artilharia Um e o caminho de Andaluz até São Sebastião da Pedreira.

A Torrinha, poente [1888]
Parque Eduardo VII, antigo Parque da Liberdade, antes Vale de Pereiro
Legenda da foto: «Exposição Pecuária Nacional em 1888»
Augusto Bobone, in Lisboa de Antigamente

Dentre essas casas edificadas nas várias quintarolas chamava as atenções a «Torrinha» não por grandiosa ou de magnificente porte ou estilo, mas pela particularidade de ter, como parte destacada, a flanco dumas casitas modestas uma torre octogonal, rasgada de janelas em dois pisos acima do rés-do-chão, coberta por um telhado em forma de pirâmide também octogonal e toda ela pintada de cor-de-rosa, constituindo um traço fisionómico muito característico de paisagem olisiponense.²

A Torrinha [entre 1885 e 1916]
Parque Eduardo VII, antigo Parque da Liberdade, antes Vale de Pereiro
Ao fundo à esq. vê-se a Cadeia Penitenciária de Lisboa
Fotógrafo não identificado, in Photographias de Lisboa, Marina Tavares Dias

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 48, 1939.
² Olisipo: boletim do Grupo "Amigos de Lisboa.", Volumes 21-23. 1958.

Saturday, 18 February 2017

A Feira de Agosto no Parque Eduardo Vll

Noutros tempos, quando havia comício ou festa — a feira d'Agosto, encantos meus! —, as poucas árvores ramalhudas, centenárias (que é feito delas?) ficavam pretas de garotos como pardalada. E havia picnics pelas raras sombras.


Nos terrenos do que seria o Parque Eduardo VII, assim denominado após a visita do monarca inglês em 1903«um belo espaço da natureza, com altos e baixos, velhas árvores, arbustos, ervaçal e mato», realizava-se, em Agosto, uma Feira. Raul Proença mostra-nos o parque, «ainda em construção, já com alguns lindos lagos», que embora «poucas curiosidades» ofereça, constitui «um cantinho de natureza luxuriante e pródiga». 

Vista aérea sobre o Parque Eduardo VII [c. 1934]
Feira de Agosto
Av. da Fontes Pereira de Melo; Praça do Marquês de Pombal: Rua Castilho; Av. António Augusto de Aguiar
Pinheiro Corrêa,in Lisboa de Antigamente

Era, para Aquilino, ainda antes de ser baptizado de Eduardo VII, esse «belo espaço da natureza», para onde ia sempre que lhe apetecia «um mimo rural». Datam de 1887 os primeiros projectos para o parque, então designado por Parque da Liberdade, sendo o Engenheiro Ressano Garcia o responsável pela proposta de abertura do concurso internacional, do qual sai aprovado o projecto do arquitecto paisagista Henri Lusseau.

Feira de Agosto, entrada  [Início séc. XX]
Praça do Marquês de Pombal Avenida da Fontes Pereira de Melo (Palacete Sabrosa)
Alexandre Cunha, in Lisboa de Antigamente
Feira de Agosto  [1911]
Praça do Marquês de Pombal Avenida da Fontes Pereira de Melo (Palacete Sabrosa)
Artur Benarus, in Lisboa de Antigamente
Feira de Agosto  [1911]
Praça do Marquês de Pombal Avenida da Fontes Pereira de Melo (Palacete Sabrosa)
Artur Benarus, in Lisboa de Antigamente

A vida alfacinha — relembra-nos Norberto de Araújo —, ingénua e pitoresca, essa teve no Parque um pouco de desafogo, com a episódica «Feira de Agôsto», que funcionava quando se proclamou a República; nela existiram os teatrinhos «Maria Vitória» e «Júlia Mendes» — nomes de duas actrizes populares, de mal fadado destino —, e se manteve a tradição das barracas das farturas e da Maria Botas, que vinham das velhas feiras de Belém e de Alcântara. Também a «estampa antiga» do sítio do Parque foi Parque foi desfigurada com o desaparecimento da «Torrinha», uma curiosa vivenda octogonal (Quinta da Torrinha, que deu nome à Estrada), situada um pouco acima do actual lago, e demolida em Abril de 1916.

Feira de Agosto, entrada [1910]
Teatro Júlia Mendes
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Feira de Agosto, entrada  [entre 1901 e 1910]
À esquerda a «vivenda octogonal» da Quinta da Torrinha
Autor desconhecido, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
MIGUÉIS, José Rodrigues. «Da Mania das Grandezas», in As Harmonias do Canelão.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, 1939.
JANEIRO, Maria João, Lisboa: histórias e memórias.

Friday, 2 March 2018

Palácio e Parque José Maria Eugénio

O antigo Palácio José Maria Eugénio [de Almeida] situa-se entre o Largo de S. Sebastião da Pe­dreira, o começo da Estrada Palhavã [actual Rua Dr. Nicolau Bettencourt], a Rua Marquês de Sá da Bandeira e a Avenida Duque de Ávila, sobre a qual se estende o recente muro do jardim, com seus portões e guaritas soerguidas. As fachadas mantêm-se como em 1860, época da reedificação.


No primeiro quartel do século XVIII este sitio de S. Sebastião da Pedreira, onde viria a ser edificado o palácio ainda hoje denominado «de José Maria Eugénio» — tradição oral mais pró­xima — era quase completamente rústico, com uma ou outra casa a animar as imediações da igreja de S. João da Pedreira. Fazia-se por aqui caminho para Palhavã, onde já se erguia desde há muito o Palácio dos Condes de Sarzedas. O arquitecto francês Fernando Larre, que servira D. João V, cobiçou o local e fez nele erguer, cerca de 1780, um palácio, sólido e amplo, que não sofreu grande dano pelo Terramoto. Do primeiro Larre passou a propriedade, que desfrutava de uma larga área arborizada, para um filho, e deste para o neto do fundador, Fernando Larre Garcez Lobo Palha e Almeida, que foi Provedor dos Armazéns, cargo que andava na sua família, e extinto em 1798 (o actual Largo de S. Sebastião da Pedreira chamava-se então «do Provedor dos Armazéns»). Morreu o terceiro Larre em 1797, e o palácio continuou na posse de seus descendentes, no mesmo aspecto primitivo, mas interiormente muito, beneficiado. Haviam trabalhado nas decorações o famoso estucador João Grossi, o continuador, deste, Félix Salla, e os ornamentistas Biel e Gomassa

Panorâmica sobre S. Sebatião da Pedreira [c. 1900]
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Legenda:

1 - Palácio e Parque José Maria Eugénio [ou Palácio Vilalva]; 2 - Largo de S. Sebastião da Pe­dreira; 3 - Palácio Sá da Bandeira; 4 - Praça de Touros do Campo Pequeno

Em 1860 a propriedade veio às mãos de José Maria Eugénio de Almeida, opulento capitalista, um dos sócios do «real contrato do tabaco, sabão e pólvora» e foi este homem quem promoveu a reedificação e ampliação do palácio, no estado em que hoje sensivelmente se encontra, obra levada a efeito pelo arquitecto decorador Cinatti. Com o aproveitamento da área arborizada construiu-se o Parque José Maria Eugénio [ou de Santa Gertrudes], então mais dilatado, fronteiro aos jardins posteriores do palácio, os quais se estendiam até ao eixo da Avenida Duque de Ávila do nosso século [séc. XX] então estrada estreita com sua porta da circunvalação. O escultor Calmeis trabalhou nas emoldurações exteriores da frontaria. 
O Parque [de Santa Gertrudes], rodeado inteiramente de muros ameados, tornou-se uma das curiosidades de Lisboa, e nele esteve instalado o Jardim Zoológico de 1890 a 1909 [vd. 2ª imagem].

Planta do Jardim Zoológico D’Acclimação de Lisboa [1883]
Entre 1883-1895 instalou-se no Parque de Santa Gertrudes o Jardim Zoológico e d’ Acclimação de Lisboa, in Lisboa de Antigamente

O Palácio dos Larres [vd. carta abaixo à esq.] perdeu o aspecto setecentista e tornou-se um belo edifício, mais burguês do que nobre, embora se houvessem aproveitado as ricas decorações interiores, à base de estuque em preciosos relevos. O filho e sucessor de José Maria Eugénio, Carlos Maria Eugénio de Almeida, pre­tendeu valorizar a propriedade iniciando a construção de uns anexos, em tipo inglês de castelo, destinados a cocheiras e aposentadorias, os quais não se concluíram e ainda hoje se mostram em pitoresco aspecto sobre a Estrada de Palhavã
Carlos Maria Eugénio casara com D. Maria do Patrocínio de Barros Lima, e do casal os únicos dois filhos, Condes de Vilalva e de Arge, não sobreviveram a sua mãe, falecendo, respec­tivamente, em 1987 e 1989. Por morte, em 1940, da viúva de Carlos Maria Eugénio, sucedeu no senhorio da propriedade, já então reduzida na parte do Parque, por expropriações municipais, o engenheiro agrónomo, Vasco Maria Eugénio de Almeida, 2.° Conde de Vilalva, filho do primeiro do titulo. 

Parque José Maria Eugénio [1909]
[Santa Gertrudes]
Planta Topográfica de Lisboa, de Silva Pinto

in Lisboa de Antigamente

Quinta do Provedor dos Armazéns [1801]
Carta Topographica de Lisboa de José D. Fava
in LdA















 
Em começo de 1946 o Estado adquiriu àquele bisneto do reedificador, para o Ministério da Guerra, o palácio que fora dos Larres, provedores dos armazéns, e de José Maria Eugénio de Almeida, nome este que perdura. Realizaram-se então no edifício largas obras de beneficiação, adaptação e de nova distribuição de salas, com construção dos anexos, dentro do grande jardim posterior, e de um muro sobre a Avenida Duque de Ávila, com ângulos adorna.dos de elegantes guaritas de vigia. Estes transformações foram dirigidas pelos arquitecto António Quinina e engenheiros João de Deus Pimentel e Filipe Ribeiro

Panorâmica sobre  Parque José Maria Eugénio  [c. 1900]
No ano de 1868 inicia-se a construção das cocheiras (ao centro) do Palácio Vilalva, segundo um projeto de Cinnati
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O edifício foi destinado a Quartel General do Governo Militar de Lisboa, havendo sido inau­gurado em 28 de Agosto de 1948, mas já dias antes militarizado, depois de, em 28 de Maio desse. ano, no salão nobre se haver efectuado uma grande reumião de oficiais superiores do Exército. 
Quanto ao que resta do formoso Parque José Maria Eugénio — onde nos últimos anos se tem realizado a «Feira Popular» — ele é ainda propriedade do Conde de Vilalva. 

Nota(s): Pode o estimado leitor ver mais imagens e pormenores deste Palácio e Parque José Maria Eugénio na nossa página de Facebook.
_________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, fasc. VIII. 1950.
Gulbenkian.pt.

Thursday, 22 May 2025

Panorâmica tirada do Parque sobre a Avenida da Liberdade

O Parque — no seu início e no primitivo sonho paisagista, assim podemos dizer — data da penúltima década do século passado (1885), e seu primeiro nome, caído em esquecimento, foi o de Parque da Liberdade.

Era então tudo isto por aqui terreno de mau cultivo, ou nenhum, terras que ocupavam a poente za zona de Vale Pereiro — recorda Mestre Araújo, a quem vamos sempre seguindo — , quási todas pertencentes no século XVIII aos padres da Congregação do Oratório (de S. Felipe Nery), e a ocidente e a norte restos de quintas das Lages, de Galvão Castelo Branco, dos Pachecos Malheiros, e do Poceiro. Estes tratos de terrenos há muito que se haviam desmembrado das designações e possuidores setecentistas; a mais importante zona, vastíssima, era a do Casal do Monte Almeida, de Carlos Maria Eugénio de Almeida, com o qual a Câmara manteve demoradas demandas, que duraram de 1894 a 1930.
 
Panorâmica tirada do Parque sobre a Avenida da Liberdade |c. 1900|
Rio Tejo
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Municipalizados, em parte, os terrenos destinados ao Parque, começou a Câmara (1888) a pensar a sério no ajardinamento e aformoseamento paisagista do seu Parque, abrindo um concurso internacional entre arquitectos especializados, cujos três prémios foram ganhos por franceses; o projecto classificado em primeiro lugar (Henry Lusseau) não pôde ter execução, como não a pode ter o projecto Forestier, de 1926, nem sabemos se o terá o de Luiz Cristino da Silva, de 1932, que inclui uma entrada monumental.

O Parque — denominado de Eduardo VII depois da visita que este Rei de Inglaterra fez a Lisboa em 1903 — logo que foi proclamada a República mereceu às vereações cuidados especiais, em bons propósitos que a carência de um plano definido, ou a falta de verbas, nunca deixaram coroar de êxito.

Panorâmica tirada do Parque sobre a Avenida da Liberdade |c. 1954|
Castelo de S. Jorge; Monumento ao Marquês de Pombal (1934); Rio Tejo
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 24 June 2015

Parque Mayer: — Vai um tirinho, freguês?!

Barraca de tiro ao alvo no Parque Mayer


Situado junto à Avenida da Liberdade, do lado ocidental, entre a Rua do Salitre e a Praça da Alegria, este recinto viveu o seu apogeu entre as décadas de 30 e de 70 do séc. XX. Começou por funcionar com divertimentos como barracas «dos tirinhos», carrinhos de choque, carrosséis de feira, “roleta diabólica” e a "cadeira eléctrica", atracções várias, como o circo do El Dorado, e combates de boxe e luta-livre.
Deste modo, o Parque Mayer rapidamente se tornou um recinto de convívio e de feira ao ar livre, onde não faltavam restaurantes, bares, cabarets, retiros e tascas, atraindo um público aficionado. 

Barraca de tiro ao alvo no Parque Mayer |c. 1940|
Ferreira da Cunha, 
in Lisboa de Antigamente

Uma noite encontram-se na Avenida e foram ate ao Parque Mayer em amena conversa. Deambularam pelo recinto. Pararam junto das barracas de tiro ao alvo, distraídos com a exuberância de gestos e de palavras com que as empregadas disputavam umas às outras a atenção dos possíveis atiradores, dos frequentadores ociosos, em busca de emoções baratas. [Crespo: 1971]

Barraca de tiro ao alvo no Parque Mayer |1943-05|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Em 1932, por sugestão de Leitão de Barros, realizou-se aí o primeiro desfile de grupos representantes dos bairros lisboetas que, posteriormente, dará origem às Marchas Populares.

Barraca de tiro ao alvo no Parque Mayer |1930-05|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 25 September 2022

Panorâmica sobre o Parque Eduardo VII e Rua Engenheiro Canto Resende

Era a 2ª transversal do Parque Eduardo VII, que liga a Avenida António Augusto de Aguiar à Avenida Sidónio Pais. Este topónimo resultou da aceitação de um pedido do Sindicato Nacional dos Engenheiros-Geógrafos, formulado por ofício datado de 18.09.1953 para ser atribuído «o nome do engenheiro-geógrafo Artur do Canto Resende — mártir da Pátria durante a ocupação japonesa de Timor —, a um arruamento da capital».

Panorâmica sobre o Parque Eduardo VII e Rua Engenheiro Canto Resende [c. 1960] 
O arruamento situado a norte do Parque Eduardo VII, entre a Avenida Sidónio Pais e a Rua Castilho. passou a ser designado Alameda Cardeal Cerejeira pelo edital de 14/04/1982.
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente
 
Artur do Canto e Castro Resende (1897-1945), licenciou-se em Matemática e em Engenharia Geográfica e foi para Timor em 1937 como membro da missão de estudos chefiada pelo coronel Jorge Castilho, local onde mais tarde veio a ser presidente da Câmara Municipal de Dili, pelo que quando os japoneses invadiram Timor foi deportado para Alor onde veio a falecer devido a grandes privações e foi assim considerado um das maiores figuras da resistência contra os japoneses.
Foi também adjunto da missão de demarcação da fronteira do sul de Angola com a União Sul-Africana (1930), da missão de revisão da fronteira entre os territórios da Companhia de Moçambique a Rodésia do Sul (1932). Foi condecorado com a Ordem Militar da Torre e Espada. [cm-lisboa.pt]

Alameda Cardeal Cerejeira [c. 1952] 
Ao fundo nota-se a Avenida Sidónio Pais com a Rua Engenheiro  Canto Resende
Em 1982, a Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa deu parecer favorável à consagração do Cardeal Cerejeira no arruamento situado a norte do Parque Eduardo VII, por considerar «que mantém plena actualidade a ideia de se construir uma catedral no alto do Parque Eduardo VII, a Comissão é de parecer que o nome do Cardeal Cerejeira – percursor dessa ideia – fique perpetuado num arruamento das imediações».
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 8 July 2015

Pavilhão Portuguez, Parque Mayer

A casa de espectáculos Pavilhão Portuguez,  de Artur Aires, foi fundada cerca de 1922, idealizado por Luíz Galhardo (Teatro Variedades, 1924/, mentor da sociedade que edificou este recinto no início dos “loucos anos 20”. Tinha a particularidade de oferecer cinema ao ar livre (Cinema Parque) a preços populares. 

Pavilhão Portuguez, Parque Mayer, 1925
Travessa do Salitre
Estúdio de fotografia Lusitan, in Lisboa de Antigamente

PAVILHÃO PORTUGUEZ
PARQUE MAYER
 
O melhor espectáculo de cinema e variedades ao ar livre Hoje — Exibição do filme sensacional «Uma aventura em Paris», e a super produção «Uma família ambulante». — No palco numeros sensacionaes de bailados . Amanhã A comedia de aventuras «Por causa de uma menina»

Pavilhão Portuguez, Parque Mayer, cinema ao ar livre (Cinema Parque) 1927
Travessa do Salitre
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Tuesday, 20 October 2015

As 15 voltas ao Parque Eduardo VII

As 15 voltas ao Parque Eduardo VII encerravam a III Volta a Portugal em automóvel, a 16 de Julho de 1934. A prova era organizada pelo jornal «O Volante», patrocinada pelo Automóvel Club de Portugal.
 
Parque Eduardo VII [1934]
Ao fundo o Pavilhão dos Desportos, depois Pavilhão Carlos Lopes.

 

Este pavilhão de feira foi construído em 1931 e inaugurado em 1932, no topo da encosta Este do Parque Eduardo VII, por ocasião da Exposição Industrial Portuguesa que aí teve lugar, segundo um projecto que os arquitectos Carlos e Guilherme Rebelo de Andrade haviam elaborado para a Exposição Internacional do Rio de Janeiro em 1922. Posteriormente foi adaptado para instalações e actividades desportivas tomando a designação de Pavilhão dos Desportos, nome que viria a ser alterado para Pavilhão Carlos Lopes, no ano de 1984, em homenagem ao atleta que, pela primeira vez na história do desporto português, conquistou uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos.

Pavilhão dos Desportos, depois Pavilhão Carlos Lopes [1958]
Parque Eduardo VII

 Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 26 April 2020

Lago do Parque Eduardo VII

A Avenida tinha os seus coretos onde aos domingos tocavam as bandas, a Rotunda tinha os tapumes de metro e meio para a futura estátua do Marquês e o Parque de Eduardo VII era um terreiro escalvado que servia para tudo, como os campos da feira das terras da província. Havia revoluções, o primeiro golpe estratégico era conseguir ocupar a Rotunda. Abriam-se trincheiras, colocavam-se peças e começavam a bombardear da Rotunda. Nos intervalos das escaramuças políticas, o alfacinha pegava no farnel e no garrafão e ia arejar para a Rotunda.

Lago do Parque Eduardo VII |1931|
Ao fundo destaca-se o monumento ao Marquês de Pombal em construção.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
 
Aparecia uma companhia de circo com montanha russa e fantoches, acampava na Rotunda. (...). Quando o futebol ensaiou os primeiros passos, ainda não se adivinhava o futuro do empolgante e glorioso desporto, o campo de futebol instalou-se na Rotunda. Como se isto não chegasse, a Câmara resolveu um dia favorecer a cidade com um lago [1929] com barquinhos.. 

Lago do Parque Eduardo VII |1931|
Ao fundo destaca-se o monumento ao Marquês de Pombal em construção.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Na Rotunda caía Lisboa em pesoComia-se um petisco e dava-se um passeio nas águas mansas já que a ida até Cacilhas era um prazer muito experimentado.
(AMARO, José, Cartas de um moinho saloio, p. 161, 1974) 

Lago do Parque Eduardo VII |c. 1940|
Ao fundo destaca-se o monumento ao Marquês de Pombal inaugurado em 1934.
Álvaro Torres (postal fotográfico), in Lisboa de Antigamente

Sunday, 1 April 2018

Chalet e Jardim da Condessa d'Edla

De vez em quando aparecia um bocado da serra, com a sua muralha de ameias correndo sobre as penedias, ou via-se o castelo da Pena, solitário, lá no alto.¹


Na segunda metade do século XIX, D. Fernando II e a sua futura segunda mulher, Elise Hensler, Condessa d’Edla, criaram no Parque da Pena um Chalet e um Jardim de carácter privado e sensibilidade romântica, espaço de refúgio e recreio do casal. Localizado de forma estratégica a poente do Palácio da Pena, o edifício segue o modelo dos Chalets Alpinos, então em voga na Europa. Da ecléctica decoração sobressaem as pinturas murais, os estuques, os azulejos e o uso exaustivo da cortiça como elemento ornamental. No exterior, o jardim que envolve o Chalet reúne vegetação autóctone e espécies botânicas provenientes dos quatro cantos do mundo, conformando uma paisagem exótica em que se destacam a Feteira da Condessa, o Jardim da Joina, o Caramanchão e os lagos

Chalet e Jardim da Condessa d'Edla [1869]
No alto da serra -se o Palácio da Pena

J. Laurent, in Lisboa de Antigamente

Entre 1864 e 1869 foi construído o denominado Chalet da Condessa d’Edla e desenvolvida uma forte intervenção paisagista na área envolvente. Influenciados pelo espírito romântico da época, D. Fernando e Elise Hensler, futura Condessa d’Edla, idealizaram uma das zonas mais idílicas e pitorescas dentro de aquele que é considerado o maior e mais emblemático parque romântico alguma vez concebido em Portugal.
O Chalet é um pequeno edifício de forte carga cénica, caracterizado no exterior pela marcação horizontal da pintura do reboco exterior, a simular pranchas de madeira, e pela cortiça que reveste balaústres, perfila beirados, emoldura vãos e finge trepadeiras.
A proximidade de um grupo de pedras de granito monumentais, inserido no jardim, e as vistas para o vale, o mar, o Palácio da Pena, o Castelo dos Mouros e a Cruz Alta, acentuam o dramatismo, quer da construção, quer do conjunto paisagístico.

Chalet e Jardim da Condessa d'Edla [1869]
No alto da serra vê-se o Palácio da Pena

J. Laurent, in Lisboa de Antigamente

O Jardim integra uma colorida zona formal com camélias, rododendros e azáleas, e uma exótica intervenção na paisagem – composta por mais de duzentas espécies botânicas e repleta de recantos, caminhos, bancos e miradouros – que permite um passeio entre o Chalet e o Palácio da Pena. Os elementos ornamentais e de fruição da ambiência, presentes de forma quase inesperada, integram-se neste percurso ao longo da descida até à Feteira da Condessa. O vale situado a nascente foi o local escolhido para a criação da Feteira, primeira colecção de fetos no Parque da Pena, de que são especial exemplo os fetos arbóreos da Austrália e Nova Zelândia.
Adjacentes ao Jardim da Condessa encontram-se as estruturas da Quinta da Pena, que inclui a Abegoaria, novas cavalariças e um espaço para as charretes que realizam passeios no Parque da Pena.²
______________
Bibliografia
¹ QUEIROZ, Eça de,  Os Maias, p. 190, 1888.
² parquesdesintra.pt.

Wednesday, 19 June 2019

Uma montanha-russa no Parque Eduardo VII

A Avenida [da Liberdade] tinha os seus coretos onde aos domingos tocavam as bandas, a Rotunda tinha os tapumes de metro e meio para a futura estátua do Marquês e o Parque de Eduardo VII era um terreiro escalvado que servia para tudo, como os campos da feira das terras da província. 
Havia revoluções, o primeiro golpe estratégico era conseguir ocupar a Rotunda. Abriam-se trincheiras, colocavam-se peças e começavam a bombardear da Rotunda. Nos intervalos das escaramuças políticas, o alfacinha pegava no farnel e no garrafão e ia arejar para a Rotunda. Aparecia uma companhia de circo com montanha russa e fantoches, acampava na Rotunda. O grande Luna-Park foi a delícia dos lisboetas. [...] 
Na Rotunda caía Lisboa em peso. Comia-se um petisco e dava-se um passeio nas águas mansas já que a ida até Cacilhas era um prazer muito experimentado.

Parque Eduardo VII [193-]
A montanha-russa do Luna-Park — quando funcionou pela primeira vez — junto à Avenida António Augusto de Aguiar.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
AMARO, José, Cartas de um moinho saloio, p. 161, 1974.

Wednesday, 30 December 2015

Estr. de Benfica, ou de Palhavã

Estr. de Benfica, ou de Palhavã, como se pode constatar na placa toponímica no muro do Parque José Maria Eugénio, hoje Fundação Calouste Gulbenkian na Rua Doutor Nicolau de Bettencourt, que era um troço da Estr. de Benfica, compreendido entre o Largo de S. Sebastião da Pedreira e a Praça de Espanha.

Estr. de Benfica, ou de Palhavã [1946]
Actual Rua Doutor Nicolau de Bettencourt, junto à Gulbenkian [Inundações de 1946]

Ferreira da Cunha,
in Lisboa de Antigamente
Estr. de Benfica, ou de Palhavã [1946]
Actual Rua Doutor Nicolau de Bettencourt; 
Av. António Augusto de Aguiar e Palácio Palhavã. Os muros do parque José Maria Eugénio (dir.) que foram demolidos para prolongamento da Praça de Espanha.
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

De acordo com a entrada BENFICA (Sítio de ), no Dicionário de História de Lisboa (Lisboa: Carlos Quintas & Associados - Consultores, Lda., 1994), « Benfica surge como aldeia desde o séc. XIII, em redor da igreja primitiva de N. S. do Amparo. Próximo do actual Sete Rios, instalaram-se em 1399 os dominicanos, nos paços reais doados pelo Rei D. João I. Havia, assim, como que dois pólos na freguesia de Benfica e, para distinguir a zona dos paços reais e depois do convento dominicano, esta vai surgir referida como Benfica-a-Nova, ou Benfica de Baixo. O crescente povoamento da região ao longo dos tempos deu origem ao aparecimento de novos lugares: Calhariz no séc. XIV, Cruz da Pedra no séc. XVI e, entre estes dois pontos da espinha dorsal que era a Estrada de Benfica, surgiram mais tarde outros núcleos». (cml-lisboa.pt)

Rua Doutor Nicolau de Bettencourt, antiga Estr. de Benfica, ou de Palhavã [1957]
À direita, o muro do parque da Fundação Calouste Gulbenkian; ao fundo, a Praça de Espanha.
Judah Benoliel,
in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 30 March 2016

Avenida António Augusto de Aguiar

Vamos, Dilecto — convida Norberto de Araújo — , dar volta pelo lado exterior nascente do Parque, subindo o primeiro lanço de Fontes Pereira de Melo, e tomando logo por António Augusto de Aguiar, Avenidas delineadas em 1899, que com lentidão se foram edificando por dez anos adiante.
(
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 51, 1939)

Avenida António Augusto de Aguiar [c. 1910]
Cruzamento junto do actual C. C. El Corte Inglés, em direcção à Av. Fontes Pereira de Melo (ao fundo): à esquerda a Rua Augusto dos Santos que leva ao sítio de S. Sebastião da Pedreira e a Travessa de S. Sebastião da Pedreira; à direita a futura Rua Eng. Canto Resende e acesso ao Parque da Liberdade, hoje Parque Eduardo VII.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

António Augusto de Aguiar (1838-1887) professor, investigador e político português. Formado em Ciências Naturais e Química pela Escola Politécnica, em 1860, passou a leccionar, um ano depois, nessa mesma escola, a disciplina de Química Mineral. Foi reitor em 1871.
Iniciou a sua actividade política em 1875. Foi eleito deputado em 1879... e par do reino em 1884. Fez parte do ministério presidido por Fontes, onde se dedicou especialmente ao ensino industrial. Foi ainda presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa, vogal do Conselho Superior das Alfândegas e grão-mestre da Maçonaria Portuguesa. (cm-lisboa.pt)

Avenida António Augusto de Aguiar  [c. 1960]
Antiga Rua António Augusto de Aguiar, até 1902
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 1 May 2022

Campo Grande: «Casa Camelo»

Para NO. estende-se então o maior parque da Cidade, o Campo 28 de Maio ou Campo Grande. Chamado antigamente Campo de Alvalade, é logradouro público da cidade desde o séc. XVI. Os terços que D. Sebastião arrastou a Alcácer Quibir por aqui se exercitaram. O parque foi começado a plantar nos tempos de D. Maria I. Tem 1.300 m. de comprimento por 200 de largura.

Campo Grande, 394-396  |1941|
«Casa Camelo», demolida nos idos de 1960/70 para a abertura da Avenida Gen. Norton de Matos.
Eduardo Portugalin Lisboa de Antigamente

Tendo sofrido, durante muitos anos, toda a espécie de vicissitudes, ao ponto de apresentar, em alguns locais, um aspecto pouco brilhante, esta grande zona foi restaurada (1946) segundo projecto do arquitecto Keil do Amaral, que, com o precioso auxílio dos serviços camarários de jardinagem, corrigiu arruamentos, abriu novas pracetas e construiu airosas edificações utilitárias entre o frondoso arvoredo também reconstituído, conseguindo que o novo Campo Grande recuperasse um aspecto de grande beleza pois as suas espécies vegetais são preciosas, devendo salientar-se as palmeiras gigantes ao N. do parque [vd. 3.ª imagem].
(in Grande enciclopédia portuguesa e brasileira, 1936)

Campo Grande |1907|
Zona N. do Campo Grande com a Alameda Linhas de Torres junto ao Palácio Valença-Vimioso; ao fundo a «Casa Camelo», demolida nos idos de 1960/70 para a abertura da Avenida Gen. Norton de Matos (2ª Circular); 1.º raide hípico promovido pela 'Ilustração Portuguesa", automóvel de 'O Século' em que segue o sr. Hogan Teves, delegado da 'Ilustração Portuguesa'.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): local não identificado no abandalhado amL.

Só na década de quarenta do século XX, por edital de 23/12/1948, (...) voltou a denominar-se como Campo Grande, designação que se manteve até à actualidade.

Campo Grande  |190-|
Passeando entre as  palmeiras gigantes.
Paulo Guedesin Lisboa de Antigamente

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