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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Avenida António Augusto de Aguiar e Rua Filipe Folque

Esta rua homenageia Filipe Folque (1800-1874), doutorado em Matemática desde 1826 e que nesse mesmo ano foi nomeado ajudante do director das obras do Mondego, e no seguinte, ajudante do Observatório da Universidade de Coimbra. A partir de 1840 foi lente de Astronomia e Geodesia na Escola Politécnica de Lisboa e professor de matemática dos filhos da rainha D. Maria II.

Avenida António Augusto de Aguiar e Rua Filipe Folque [1959]
Dístico atribuído em 1902; Palacete Bensaúde [demolido]
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Depois, entre 1844 e 1870, Filipe Folque foi Director-geral dos Trabalhos Geodésicos do Reino e assim dirigiu entre 1856 e 1858 um levantamento topográfico de Lisboa (a Carta topographica da cidade de Lisboa, editada em 1878) e publicou diversos estudos como «Colecção de Tábuas para facilitar vários cálculos astronómicos e geodésicos» (1865) ou «Rapport sur les travaux géodésiques du Portugal et sur l’état actuel de ces mêmes travaux pour être présenté à la Comission Permanente de la Confèrence Internationale» (1868). (cm-lisboa.pt)

Rua Filipe Folque e Avenida António Augusto de Aguiar [1959]
Palacete Bensaúde [demolido]
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Rua Tomás Ribeiro esquina com a Rua Filipe Folque

Tomemos pela Rua Tomaz Ribeiro (antiga do Sacramento), e que, como a das Picôas, foi anterior à urbanização do fim do século. Ainda, à esquerda, se lhe notam nalgumas pitorescas casas reminiscências do tempo velho.» [Araújo: XIV, 1939]

Por edital da C.M.L. de 1907, a antiga Rua do Sacramento, que era a continuação da Estr. da Cruz do Tabuado, indo da Rua Gomes Freire, que começava na esquina da Largo do Chafariz de Andaluz e findava no Largo de São Sebastião da Pedreira, passou a denominar-se Rua Tomás Ribeiro.
Filipe de Sousa Folque (1800-1874) foi um aristocrata, político, militar e matemático português. Topónimo atribuído em 1902.

Rua Tomás Ribeiro esquina com a Rua Filipe Folque |1961|
Na direcção de S. Sebastião da Pedreira
Augusto de Jesus 
Fernandes, in Lisboa de Antigamente

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Praça Dom João da Câmara que foi Largo de Camões

Foi neste arruamento próximo do Teatro D. Maria II que a edilidade decidiu perpetuar como Praça, o nome do dramaturgo D. João da Câmara, com a legenda «Figura Gloriosa do Teatro Português, 1852–1908», embora o edital de 1924 tenha por lapso mencionado Largo e, durante décadas, se tenha mantido a duplicação de referências, ora como Largo ora como Praça.

Praça Dom João da Câmara [Início do séc. XX]
Antigo
Largo de Camões;

Confluência da Rua 1º de Dezembro, Praça D. Pedro IV e Largo do Regedor.
Estação do Rossio; Hotel Avenida Palace
Alexandre Cunha, in Lisboa de Antigamente

Dom João Gonçalves Zarco da Câmara (1852-1908), alfacinha do nascimento à morte, viveu no Palácio Ribeira Grande, à Junqueira, (vide artigo anterior) e embora fosse engenheiro dos caminhos-de-ferro dedicou-se à escrita, sobretudo a de teatro, tendo-se estreado em 1876 no teatro D. Maria com a comédia «Ao Pé do fogão». Como seus êxitos maiores destacam-se as operetas «O burro do Sr. Alcaide» (1891) e «Cocó, reineta e facada» (1893), bem como as peças «Bernarda no Olimpo» (1874), «Meia-Noite» (1890), «D. Afonso VI» (1890), «Alcácer Quibir» (1891), «Os Velhos» (1893), «A Toutinegra Real» (1894), «O Amigo das mulheres» (1896), «Triste Viuvinha» (1897), «Rosa Enjeitada» (1901) e «Ali-babá» (1904). Dom João da Câmara publicou também poemas, romances e contos para além da sua colaboração na revista «O Occidente» e de ensinar Arte de Representar no Conservatório de Lisboa.[cm-lisboa.pt]


Praça Dom João da Câmara [Início do séc. XX] 
Antigo Largo de Camões;
Confluência da Rua 1º de Dezembro, Praça D. Pedro IV e Largo do Regedor
Café Suisso; Teatro D. Maria; Castelo São Jorge; Café da Gare; Praça Dom Pedro IV
Alexandre Cunha, in Lisboa de Antigamente

Esta artéria era o Largo de Camões, já assim denominado em 1858 no Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque.
Há quem suponha que este Camões é o nosso épico Luiz de Camões. Errada suposição. João Paulo Freire  — jornalista, poeta, ensaísta, novelista — esclarece o motivo das trocas e baldrocas com este topónimo:
O Camões do Rossio nada tem que ver com o Camões das Duas Igrejas [actual Praça de Luís de Camões]. Este é o épico. Aquele é apenas o seu homónimo por antonomásia — Caetano José da Silva Souto Mayor, poeta epigramático, muito espirituoso, e que foi corregedor da corte de D. João V, juiz do Crime do Bairro da Mouraria, e corregedor do Bairro do Rossio, onde morava, pois residiu sempre no prédio onde mais tarde se construiu o actual que é ocupado pela Brasileira. A Câmara do tempo, querendo perpetuar-lhe a memória e galardoar-lhe os serviços teve a péssima ideia de dar ao Largo que resultou das construções e rectificações de 1840 o nome que os condiscípulos de Caetano José lhe haviam aplicado nos bons tempos de Coimbra, e a vereação que já no nosso tempo mudou o nome para D. João da Câmara, supondo que este Camões era o das Duas Igrejas, foi igualmente estúpida porque o célebre Corregedor merecia bem que o seu nome figurasse no pequenino Largo que foi quasi que ideia sua, entusiasmo seu e seu prazer.
Assim é que estava certo e ficava bem, mas para isto era preciso que quem fez a mudança soubesse primeiramente quem era o Camões que tinha dado nome ao Largo. Porque foi desta ignorância primária que partiu aquela asneira de palmatória.
(FREIRE, João Paulo, Lisboa do meu tempo e do passado, Lisboa, 1931-1939)

Atlas da Carta Topográfica de Lisboa, sob orientação de Filipe Folque, [1858]
Assinalado a vermelho, o largo de Camões, hoje Praça Dom João da Câmara
in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Ruas Latino Coelho, 49-59 e Filipe Folque, 25

Exemplo expressivo de prédio de rendimento do início do séc. XX, em lote de gaveto; fachada cuidada, com barras de azulejo Arte Nova e cobertura de mansarda à francesa.
No Edital de 29 de Novembro de 1902 a Comissão Administrativa do Município, resolveu: “Que a nova via, entre a rua Fontes Pereira de Mello e o largo de S. Sebastião da Pedreira, tenha a denominação de Rua Latino Coelho”.

Ruas Latino Coelho, 49-59 e Filipe Folque, 25 [c. 1960-70]
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

José Maria Latino Coelho nasceu em Lisboa, em 29 de Novembro de 1825 e faleceu em Sintra, no dia 29 de Julho de 1891.
Foi aluno da Escola Politécnica, passou à do Exército, onde concluiu o curso de Engenharia Militar. Assentou praça em 14 de Novembro de 1843, em Infantaria 6, tendo atingido o posto de General de Brigada, em 19 de Setembro de 1888. Muito novo ainda, foi lente substituto de Mineralogia e Geologia, na Escola Politécnica, Deputado em várias legislaturas pelo partido Regenerador, Par do Reino e Ministro da Marinha e do Ultramar, de Julho de 1868 a Agosto de 1869 e filiou-se depois no Partido Republicano.
Foi secretário perpétuo da Academia das Ciências e muitas das suas produções literárias foram publicadas em vida, outras postumamente, para além de publicar numerosos artigos na imprensa do seu tempo, particularmente nos jornais A Semana, de que foi um dos fundadores e no A Emancipação.(cm-lisboa.pt)

domingo, 23 de março de 2025

Rua e Chafariz de São Sebastião da Pedreira

A velha Rua de S. Sebastião — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , tradicional estrada de Lisboa seiscentista, é um topónimo que advém da existência no local do templo, chamado da Pedreira (primeiro ermida, depois igreja, dedicado ao mártir S. Sebastião) que assim se denominava em virtude do sítio ser conhecido por tal afloramento.

Rua (e Chafariz) de São Sebastião da Pedreira |c. 1951!
O viaduto permite a ligação da Avenida António Augusto de Aguiar com a Rua Filipe Folque, que lhe passa superiormente.
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Ora eis-nos sob o Viaduto da Rua Filipe Folque adornado com a Nau de São Vicente; atrás, escondido pelo camião, encontramos o Chafariz de São Sebastião da Pedreira mandado construir em 1787, risco do arq. Francisco António Ferreira Cangalhas ou de Reinaldo Manuel dos Santos, então arquitecto das Águas Livres; nele começou a correr água em Agosto de 1791.==

Rua (e Chafariz) de São Sebastião da Pedreira |1961|
Recebia água a partir da Galeria de Sant'Ana.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

N.B. É um chafariz de planta rectangular simples em cantaria de calcário lioz, desenvolvendo-se em dois níveis, com escadas laterais de acesso.. As armas reais, localizadas sob o remate do corpo central do espaldar, encimadas por uma coroa fechada e, na base, duas bicas circulares, que vertem para tanque rectangular.
____________________________________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 64, 1939
FLORES, Alexandre M. e CANHÃO, Carlos, Chafarizes de Lisboa, Lisboa, Edições INAPA, 1999.

domingo, 16 de junho de 2019

Chafarizes de Sant'Ana

Este Largo do Mastro é que foi o sítio exacto do «Campo do Curral» — recorda-nos o insigne olisipógrafo Norberto de Araújo. Mas é preciso não perderes de vista que essa cortina — o muro paredão que sustenta o jardim do Campo dos Mártires da Pátria — não existia sequer até hà cem anos [c. 1838]. Desde o Convento de Sant'Ana até ao Paço da Rainha (isto é: desde o Instituto Bacteriológico até à Escola do Exército), o pavimento, em encosta, era todo um, com mal pronunciada ondulação de terreno.


Adossado ao muro paredão que sustenta o jardim do Campo dos Mártires da Pátria encontramos o Chafariz do Campo de Santana virado ao Largo do Mastro. O muro é em cantaria de granito aparente, em aparelho isódomo e está fronteiro a pequena faixa de passeio público, pavimentado a calçada, a qual confina com um parque de estacionamento.
Chafariz simplista de planta rectangular, construído em 1887, autor desconhecido, assente em plataforma de dois degraus em cantaria de calcário lioz e vermelho. É executado em cantaria de calcário lioz, composto por espaldar rectilíneo, encimado por recortes lobulados e, ao centro, pequeno espaldar contracurvado, onde surgem as armas municipais, emolduradas por painel circular e a data «1887». Cada um dos lóbulos, com molduras múltiplas circulares, possui uma bica em chumbo, rodeada por pétalas de flores, que vertia para tanque rectangular, de perfil galbado, assente em pequeno rodapé rectilíneo, com bordos boleados; o interior encontra-se tripartido por blocos de cantaria, capeados a cimento, com escoamento metálico. No espaldar e no bordo do tanque surgem vestígios das antigas réguas de apoio ao vasilhame. No lado esquerdo, surge um vão de verga recta e moldura simples, protegido por porta metálica, pintada de verde, de acesso à caixa de água.
Monumento Nacional desde 2002.

Chafariz de Santa Ana [1944]
Largo do Mastro
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Nas imediações, situa-se um segundo chafariz, denominado Chafariz do Largo do Mastro. [vd. 2ª foto]
Este chafariz foi inaugurado em 1848, em Belém, no sítio do Chão Salgado, por iniciativa camarária, com projecto do arq. Malaquias Ferreira Leal. Na sua construção foram utilizados elementos escultóricos do Chafariz do Campo de Santana [vd. N.B.], que nunca chegou a ser construído, nomeadamente 4 golfinhos da autoria do escultor Alexandre Gomes. Por ocasião da Exposição do Mundo Português, em 1940, o chafariz foi retirado do local original e mais tarde, em 1947, reutilizado no Largo do Mastro, ao Campo de Santana. Chafariz elegante, de boa cantaria, em forma de obelisco, que apresenta uma urna de curvas reentrantes e de 4 faces, das quais emerge, respectivamente, um golfinho com a função de bica. A rematar este núcleo decorativo eleva-se uma alta pirâmide hexagonal, estriada, cintada por faixa lisa a um terço de altura, coroada por uma pinha.

Chafariz do Largo do Mastro [1947]
Largo do Mastro
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

N.B. Quanto ao novo e esplendoroso Chafariz de Santa Anna — que viria substituir o chafariz "interino" que ali existia — , diz-nos a Memória de Velloso de Andrade, que o projecto foi abandonado por razões desconhecidas:
"Esse Chafariz, se se fizesse conforme o risco approvado, era de tamanha architectura, que devia conter as quatro figuras que estiveram no Lago do Passeio Público; o Tejo, e o Douro, que ainda existem no dito Passeio; os quatro Golfinhos, que se acham no Chafariz de Belém, e as quatro Carrancas, que serviram para o Chafariz d'Alcântara; como tudo se mostra no dito risco. As figuras acima ditas, foram feitas pelo Portuguez Alexandre Gomes, por 3:746$246 réis, incluindo 706$S46 réis, importe das seis pedras postas no telheiro ao Campo de Santa Anna, aonde as ditas figuras foram feitas; pelas quaes um Lord Inglez offerecia doze mil cruzados.[...]

Chafariz de Santa Ana [finais do  séc. XIX]
Campo dos Mártires da Pátria
Foi demolido em finais do séc. XIX aquando da construção do Jardim dos Campos dos Mártires da Pátria vulgo Campo de Santana; a dir. nota-se uma clarabóia do Aqueduto e, ao fundo, vê-se o prédio sito nos Campo dos Mártires da Pátria, 96, erguido em 1854 e que ainda lá está.
Autor não identificado, in Lisboa de Antigamente

Este chafariz n.º 6 situava-se a norte do Campo de Santa Anna (Campo dos Mártires da Pátria) sobre a antiga Carreira dos Cavallos, hoje Rua de Gomes Freire, conforme atesta o levantamento topográfico realizado em 1858 por Filipe Folque [vd. carta topográfica]. Em 1838 "foi reformado, pondo-se-lhe em frente um semicírculo de columnellos, cujo espaço foi calçado de novo". 
Em 1851, o Chafariz do Campo de Santa Anna (chafariz n.º 6) tinha 4 bicas, 2 tanques, 5 companhias de aguadeiros, 5 capatazes e cabos, 165 aguadeiros e 2 ligeiros. Os sobejos foram concedidos ao Hospital de S. José, por Ordem de 23 de Maio de 1792. Abastecia, por volta de 1850, o antigo Hospital de Rilhafoles (hoje Miguel Bombarda) e o Asilo de Mendicidade (hoje Hospital dos Capuchos). 

Local do Chafariz do Campo de Santa Anna em 1858
Levantamento topográfico de Lisboa sob a orientação de Filipe Folque, 1858 (excerto)
A vermelho está assinalado o chafariz e o Aqueduto que levava a água ao Chafariz do Campo de Santa Anna; a azul, a antiga Carreira dos Cavallos, hoje Rua de Gomes freire.
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, pp. 61, 1938.
VELOSO DE ANDRADE, José Sérgio , Memória sobre Chafarizes, Bicas, Fontes e Poços Públicos de Lisboa, Belém e muitos lugares do Termo., 1851.
cm-lisboa.pt.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Convento de S. João de Deus

As traseiras desta Casa conventual de poucas tradições lisboetas — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , são mais bonitas do que a frontaria, pelas sobreposições de acaso, panorama do claustro combinado com a arquitectura geral, um pouco confusa, e com pormenores decorativos que de todo não se perdem à distância. O Convento debruçava-se sobre o rio.¹


Convento de S. João de Deus [c. 1939]
Rua Presidente Arriaga, 9-13. Panorâmica tirada da Avenida 24 de Julho.
O Terramoto pouco dano fez ao Convento, que foi extinto em 1834. A Igreja conservou-se durante alguns anos, mas foi sacrificada às exigências de edifício publico. [Araújo: 1938]
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Situado na Rua das Janelas Verdes [hoje Presidente Arriaga] ao lado do palácio que foi do Conde de Óbidos, e mesmo em frente ao vistoso convento de S. Francisco de Paula, encontra-se o que foi a antiga casa dos religiosos Hospitaleiros de S. João de Deus, Ordem instituída entre nós em 1617. 
Primitivamente, foi nesse local que se edificou, em 1581, o primeiro convento da Congregação de S. Filipe de Néri, dos Carmelitas Descalços, que naquele tempo era um sítio afastado da cidade, com boas vistas para o rio.

Convento de S. João de Deus
O claustro, que se vê do rio, é rasgado na frente, tendo, pois, três lados apenas, o do fundo com onze arcarias de volta perfeita e os outros com seis em cada. [Araújo: 1938]
Maqueta de Lisboa antes do Terramoto de 1755, pormenor, in Museu de Lisboa

O casario em que se edificou o convento pertencera a Francisco de Távora e a sua mulher, D. Mécia Ribeiro, que por volta de 1604 o venderam ao Dr. António Mascarenhas (Deão da Capela Real, doutor em Teologia e deputado da Mesa da Consciência e Ordens), que resolveu instituir um convento dessa invocação, com hospital acoplado.
Deu-se, pois, a sua fundação em 1629, contendo amplas instalações, grande claustro voltado para o rio e bonitas guarnições azulejadas.
Por morte de Deão fundador em 1637, viria a ser concluído posteriormente pelos religiosos.
Uma vez extintas as Ordens Religiosas em 1834, nele estiveram instalados primeiramente o Quartel da Brigada Real da Marinha, extinta com a revolução de Belém, em 1835. Depois, o Tribunal da Corte. Seguiu-se o Quartel de Infantaria n.° 2, culminando nos nossos dias, e a partir de 1919, com a Guarda Nacional Republicana, servindo o antigo claustro de parada do quartel.²

Convento de S. João de Deus, Enquadramento urbano [1857]
Rua Presidente Arriaga, 9-13 antiga Rua Direita de São Francisco de Paula
Legenda:  a Vermelho o claustro; a
Verde a delimitação do convento e cerca extintos em 1834. Carta topográfica de Filipe Folque, 1857, in Lisboa de Antigamente
(clicar para ampliar)

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, pp. 59-60, 1938.
² CAEIRO, Baltazar Mexia de Matos, Os conventos de Lisboa,  p. 120, 1989.

domingo, 1 de janeiro de 2023

Travessa da Horta Navia

Eis a Alcântara do fim de seiscentos. Como mais notável, a celebrada Quinta da Horta Navia, de que hoje subsiste uma reminiscência numa travessa, junto aos terrenos da Estação de Alcântara-Terra, e que leva da Rua Maria Pia à Rua da Fábrica da Pólvora, por uma espécie de atalho.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, p. 12, 1939)

Travessa da Horta Navia |1944|
Estação de Alcântara-Terra
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Esta artéria que nasce frente ao n.º 34 da Rua Maria Pia, paralela à linha férrea é uma memória do sítio da Horta Navia cuja primeira menção data do tempo de D. Afonso II (1211–1223) no rol das propriedades que a Ordem de Santiago possuía.
Nos séculos XVI e XVII já aparecem descrições que dão conta do local ser uma horta que atraía os lisboetas nas horas e ócio e é aceitável supor que no início do século XIX o topónimo se expandiu nas terras que da margem esquerda da Ribeira de Alcântara subiam para montante.
Como Travessa da Horta Navia a primeira referência aparece na planta da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque, de 1856.

Estação de Alcântara-Terra |1928|
Em segundo plano pode ver-se parte do casario da Travessa da Horta Navia; mais acima
nota-se a Rua Maria Pia e no alto o Cemitério dos Prazeres.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Ermida da Cruz das Almas

Pois estamos outra vez na Cruz das Almas. 
O sítio da Cruz das Almas — diz Gustavo de Matos Sequeira — aparece-nos pela primeira vez citado em 1719, no registo de óbito de uma Inez, filha de Manuel de Sequeira e de Catarina Maria, feito na freguesia de São José. Noutros, em 1730 e 1732, surge- nos a designação ao «Canto das Almas». A não ser que a referência seja a outro local — à «Cruz de Santa Marta» talvez — temos que assentar que esta denominação topográfica só se fixou muito mais tarde, tanto mais que a «cruz do Padrão» não pertencia à paróquia de São José. O que é certo, também, é que em 1731, o bispo de Lamego D. Nuno Alvares Pereira de Melo faleceu à «Cruz das Almas» em 8 de Março deste ano, e já se sabe que os Cadavais tinham aqui casa e propriedades rústicas e que foi um Cadaval o fundador da ermida de que já vamos falar. [...] ¹

Ermida da Cruz das Almas |c. 1940|
Rua de Campolide
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

A Ermida que aqui vês — recorda-nos, por seu turno, Norberto de Araújo — pequeno prédio que se segue, já na Rua de Campolide, à esquina da Rua das Amoreiras, foi fundada em 1756 por D. Nuno Álvares Pereira de Melo, 3º Duque do Cadaval, e um dos dezóito filhos ilegítimos que êste Duque teve. Os Cadavais tinham aqui perto uma casa sua, junto do Palácio Anadia, mas já na Rua do Portal de S. João dos Bemcasados, isto é: na, depois, das Amoreiras.
A Ermida foi dedicada à Imaculada Conceição Maria Santíssima, como estás lendo, em inscrição gravada na verga do portal. 

Ermida da Cruz das Almas |1945|
Rua de Campolide, à esquina da Rua das Amoreiras
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Esta Ermida da Cruz das Almas interiormente possue um belo silhar de azulejos do Rato, policromo, um teto estucado e pintado, e, no altar-mór, um Cristo, de marfim, e algumas imagens (S. Domingos e Santa Tereza) além de um retábulo de N. Senhora da Conceição.²

Sítio da Cruz das Almas |1857|
Vermelho: Ermida da Cruz das Almas
Azul: troço da antiga Rua das Amoreiras, que corresponde actualmente à Rua Prof. Sousa da Câmara
Laranja: Rua de Campolide (antiga Estr. de Campo Lide

Verde: Rua do Arco do Carvalhão
Levantamento da Planta de Lisboa (excerto), 1857 por  Filipe Folque, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Depois do terramoto: subsídios para a história dos bairros ocidentais de Lisboa, Volumes 3-4, p. 489, 1967.
² ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 81-82, 1939.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Palácio Sabugosa

O Palácio Sabugosa [antes S. Lourenço] situa-se na Rua Primeiro de Maio (antiga Rua de S. Joaquim, ao Calvário), n.ºˢ 120-124. A sua aparência é vulgar, notando-se a fachada forrada de azulejos, do tipo do século XVII. Os S. Lourenços (César de Menezes, descendentes de Vasco Fernandes César) possuiram uma vasta área de chãos neste sítio terminal do Calvário; foi em 'terrenos seus que se rasgou a Rua Luiz de Camões, essa grande artéria do fim do século — avenida de Santo Amaro.

 
No interior do Palácio Sabugosa as reminiscências seiscentistas estão representadas por alguns panos de azulejo, em regra deslocados do sítio primitivo, por alguns tectos de masseira no andar superior, e por outros pequenos pormenores, que os restauros quase encobriram.


Palácio Sabugosa |c. 1950|
Rua Primeiro de Maio, 112-124
Antiga de São Joaquim, ao Calvário, antes Rua direita do Calvário
Frontaria (séc. XVIII) e fachada lateral do Palácio Sabugosa, em Santo Amaro,  vendo-se a porta que conduzia à «Quinta Cesárea»; anota-se: o Andar  nobre, com seis janelas, de sacada, com  grades de varões, e  coroada de cornija.
Horácio Novais,in Lisboa de Antigamente
Palácio Sabugosa |1965|
Rua Primeiro de Maio, 112-124
Antiga de São Joaquim, ao Calvário, antes Rua direita do Calvário
Frontaria (séc. XVIII) e fachada lateral do Palácio Sabugosa, em Santo Amaro; anota-se:  o Andar térreo, com quatro janelas de pei­toril,  centradas por dois portões triviais, de acesso.
Armando Serôdio ,in Lisboa de Antigamente

 

O Palácio Sabugosa ou dos Césares, em Santo Amaro [vale recordar que Eça leu parte de Os Maias ao Conde de Sabugosa, precisamente neste palácio — protótipo do Ramalhete], remonta ao século XVI, no seu núcleo primitivo. Foi fundado por Luís César, segundo deste nome e apelido, que, como seus avós, foi do Conselho de El-Rei, Guarda-mór das Naus da Índia, Provedor dos Armazéns nos Reinos e Senhorios de Portugal, Alcaide-mór de Alenquer. Foi o primeiro administrador do Morgado dos Césares, insti­tuído na primeira metade do século XVI, por seu pai Vasco Fernandes César.
Luís César de Menezes, cativo da batalha de Alcácer-Quibir, foi um dos oitenta fidalgos res­gatados na carta régia de 10 de Outubro de 1678. Nos anos de 1583 e 1584, Luís César adquiriu várias propriedades, de algumas das quais já era senhor directo. Mas na escritura celebrada pelo tabelião de Lisboa, João Rodrigues Jacome, em 5 de Outubro de 1588 diz-se «Luís César comprou huma casa junto das suas de sua vivenda de S. Amaro» que confrontava pelo Sul com caminho de Lisboa para Belém. No quadrante de um relógio de sol existente nos jardins do palácio lê-se a data de 1605. O palácio ou vivenda de campo — qualificação que mais lhe quadraria — era, porém, quer no sem­blante, quer no interior e disposição, diferente do que veio a ser no século XVIII depois de obras de ampliação e beneficiação levadas a efeito em 1728 por Vasco Fernandes César de Menezes, quinto neto do fundador do palácio, em meados do século XVI [...].

Rua Primeiro de Maio, extracto da Carta topográfica de Filipe Folque, 1857
Legenda:  a Azul a Rua Primeiro de Maio, antiga de São Joaquim, ao Calvário, antes Rua direita do Calvário; a Vermelho o actual Palácio Sabugosa e jardins; a Laranja terrenos da antiga «Quinta Cesárea»

(clicar para ampliar)

Eis por que a vasta propriedade que se estendia à ilharga da quinta dos Césares até ao Alto de S. Amaro, e que havia sido adquirida em 1580, se chamou «Casal do Conde de S. Lourenço» em homenagem à aliança dos Césares com os Condes de S. Lourenço, família muito antiga que precedia de Pedro Pires, rico homem do século Xll, onde entroncaram os Sabugosas.
E de crer que a «Quinta Cesária» — assim foi chamada — fosse anterior à construção da primitiva casa de campo, ou palácio, pois os Césares eram possuidores de largos tratos de terrenos rústicos; quanto à casa seiscentista era um pouco mais recuada, em relação ao alinhamento que o 1º Conde de Sabugosa lhe deu, e servida por um largo portão que não é, evidentemente, o que hoje se abre na fachada principal. [...]
A «Quinta Cesária», que se dilatava para Poente até quase à Ermida de Santo Amaro, e, para Norte, até à zona onde veio a ser construído em 1904 o Palacete Valflor, foi em grande parte retalhada e alienada, para urbanismo local, pelo 3.º Marquês de Sabugosa, alguns anos antes da sua morte (1897); a Rua Luís de Camões foi, no final do século passado [XIX], aberta em terrenos da quinta.
O filho do 3.º Marquês, António Maria Vasco de Melo Silva César e Meneses, 9.º Conde de Sabugosa e 11.º Conde de S. Lourenço — o escritor e académico ilustre, mordomo-mór da Casa Real — promoveu depois de 1898 grandes obras de restauro e transformação no palácio de seus maiores, podendo dizer-se que a actual casa de Santo Amaro, à parte o semblante exterior, é outra em relação ao que teria tido mesmo no século XVIII. Foi o Conde de Sabugosa, ele próprio, o orien­tador artístico dos restauros e transformações, nas quais avultou a construção da biblioteca-livraria, ocupando o espaço de um antigo pátio, contíguo ao jardim: nas decorações trabalharam um artista Anunciação (que não Tomás da Anunciação) e Leandro Braga, mestre entalhador.

O  brasão de  armas dos Sabugosas tem sido alterado no  decorrer das idades; o do último Conde, e que prevalece, é  encimado pela coroa de duque com o símbolo dos Césares, esquartelado das armas dos Lencastres (armas de  Portugal com filete em  contrabanda), dos  Césares (seis  fustas), dos Melo (seis arruelas) e dos Vieiras (seis vieiras), centrado pelo escudo com leão rompante dos Silvas

Nota:  Como o artigo já vai longo, decidimos inserir aqui a chamada «quebra de página», caso queira continuar a ler a descrição de algumas das salas do Palácio Sabugosa clique em «ler mais [read more]».

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Rua do Arco do Cego que foi Estr.

Entre o Campo Pequeno e Arroios existiu um arco de pedra, — e esse arco, chamado, não se sabe porquê «Arco do Cego» deu o seu nome a esse troço de estrada que, nos subúrbios da Lisboa setecentista, ia do largo ou terreiro de S. Jorge até ao Palácio Galveias. [Araújo: 1939]

Rua do Arco do Cego |1961|
Junto ao jardim sito na Rua Costa Goodolfim.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Enquanto topónimo, o Arco do Cego surge na cartografia de Filipe Folque, em 1858, como Estr. do Arco do Cego,

Rua do Arco do Cego |1966-03|
Prédios (ainda existentes) defronte do edifício-sede da CGD.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

sábado, 23 de janeiro de 2016

Palácio dos Duques de Cadaval

No extremo noroeste do Rossio existiam até c. 1880, o palácio, jardins e terrenos da Casa de Cadaval, dentro de um grande pátio na Rua do Príncipe (actual Rua 1º de Dezembro). Depois do Terramoto de 1755, em que foi completamente arrasado, foi reconstruido, ficando com a frente para a Rua do Príncipe (cf. 1ª foto), e a fachada principal voltada ao sul, para o Pátio do Duque (cf. 2ª foto), ou do Duque de Cadaval (v. Carta Topográfica). Foi demolido em 1880 para permitir a construção da estação do caminho de ferro do Rossio e do seu anexo, destinado originariamente a hospedaria e botequim.

Palácio dos Duques de Cadaval, Rua do Príncipe, actual Rua 1º de Dezembro [ant. 1880]
Estúdio Horácio Novais in Lisboa de Antigamente
Palácio dos Duques de Cadaval, Rua do Príncipe, fachada virada a Norte, actual Largo Duque de Cadaval [ant. 1880]
Estúdio Horácio Novais in Lisboa de Antigamente
Palácio dos Duques de Cadaval, Rua do Príncipe, fachada virada a Norte, actual Largo Duque de Cadaval [ant. 1880]
Estúdio Horácio Novais in Lisboa de Antigamente
Atlas da Carta Topográfica nº 36 de Lisboa de Filipe Folque, 1858, [fragnento]
Legenda:
- Vermelho: terrenos do palácio, jardins virados a Norte
- Azul: fachada principal voltada a Sul, para o Pátio do Duque, ou do Duque de Cadaval
- Verde: frente para a Rua do Príncipe (v. 1ª foto)

domingo, 18 de abril de 2021

Rua da Glória e Palácio dos Condes de Lumiares

Foi nesta zona, contida entre as artérias de designação «Glória», com frente à Avenida de hoje, que se elevou até há meio século o Palácio dos Condes de Lumiares.


O lindo nome de «Glória», vizinho do de «Alegria», a ocidente da Avenida da «Liberdade» — trilogia invocativa que, quisesse Deus, fosse o símbolo desta cidade que tantas vezes a si próprio se nega, através dos seus homens bons — ; o nome de Glória, digo, adveio ao sítio de uma Ermida que existiu na esquina da Rua e Travessa da Glória, instituída em 1574 por Fernão Pais.

Rua da Glória, Sul  [c. 1900]
À esq. notam-se as traseiras do Palácio dos Condes de Lumiares e, ao fundo, a Calçada da Glória.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Junto à Ermida havia umas casas e terrenos, que pelo andar dos tempos, e pelo cruzamento de famílias, passaram dos descendentes de Fernão Pais, numa parte senão no todo, e sucessivamente, à Condessa de Ayres, Condes da Castanheira, Comendadores de Fronteira e, finalmente, Condes de Lumiares.
Depois da Terramoto os Lumiares tinham aqui seu palácio, com frente ao Passeio Público, guarnecido de jardim, até à Calçada da Glória, prolongando-se pelas traseiras à Rua da Glória. Nele se incluía a Capela. Em 1865 o Palácio ardeu, mas foi reconstruido. No último quartel do século passado [XIX] os Lumiares desfizeram-se das propriedades e chãos, e ergueram-se então os prédios sólidos que por aí vemos.

 
 
Rua da Glória, N. [c. 1900]
Junto à Rua de Santo António da Glória e, ao fundo, a Praça da Alegria
Machado & Souza, in LdA
 
 
 
 
Rua da Glória [c. 1900]
Junto à Travessa da Glória
Machado & Souza, in LdA



A Capela foi demolida; há uns quinze anos [c. 1924], numas obras levadas a efeito num estabelecimento da Travessa, encontraram-se dela vestígios. 
Enfim, Dilecto, da «Glória» ficou o nome em quatro artérias. Não se perdeu tudo.

Localização do Palácio dos Condes de Lumiares [1857]
Delimitado pelas artérias de designação «Glória» — rua, travessa e Calçada — e pela Rua Ocidental do Passeio Público, actual Avenida da Liberdade.
Excerto de Carta topográfica de Filipe Folque, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 26, 1939.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Largo do Tabelião

Este Largo que se configura quase como uma travessa entre a Rua Martim Vaz e a Calçada de Sant'ana aparece referido na planta nº 36 do Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque, de 1858. Data do reinado de D. Afonso II (1211- 1223) o primeiro notário público, denominado na época e até ao final do século XIX como tabelião, termo que só foi alterado por Decreto de 14 de Setembro de 1900. Em Lisboa, havia pelo menos um tabelião desde 1257 e João Brandão contabiliza 18 no ano de 1552 pelo que não será descabida a suposição deste topónimo ter origem na existência de um tabelião no local.

Largo do Tabelião |1903|
Cruzamento com a Calçada de Sant'ana e Travessa do Convento da Encarnação (ao fundo). 
O nome deriva da existência no local do Convento da Encarnação.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Largo das Fontainhas, a Alcântara

Esta artéria sita na confluência das Ruas das Fontainhas, Rua Fradesso da Silveira, Rua da Cozinha Económica, Rua Teixeira Júnior, Rua Rodrigues Faria e Largo do Calvário foi fixada na memória da cidade em data que se desconhece embora seja certo que já vem referida no Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque de 1857. Sabe-se também que em 1890 foram expropriados barracões para facilitar o trânsito público no Largo das Fontainhas e na Rua Fradesso da Silveira.
Como Fontainha é a denominação para uma fonte pequena, supõe-se que o topónimo advenha da presença fontes no local. [cm-lisboa.pt]

Largo das Fontainhas |1966|
Largo Calvário e Rua José Dias Coelho
João Goulart, in Lisboa de Antigamente

sábado, 29 de outubro de 2016

Chafariz do Cais do Tojo (ou da Boa-Vista)

Este Chafariz n.º 8 — de arquitectura peculiar — recebia água directamente do Aqueduto das Águas Livres, tinha 3 bicas e pela retaguarda um grande tanque de lavar roupa que foi demolido em 1836. Ao presente [1851] faz frente ao Norte, mas já está determinado mudar as bicas para correrem da parte do Sul. Os sobejos vão para o tanque de Lavadeiras da Rua Nova do Caes do Tojo. Em 1851 tinha 2 Companhias de Aguadeiros, 2 Cabos e Capatazes, 66 Aguadeiros e 1 Ligeiro. 
Terá sido demolido no último quartel do século XIX porquanto já não aparece referenciado nas plantas topográficas da cidade a partir de 1876-79.1

Chafariz Cais do Tojo  (ou da Boa-Vista)  [1858]
Travessa do Cais do Tojo 
(Tv. que entesta na Calçada do Marquês de Abrantes/Largo do Conde Barão)
Amédée de Lemaire-Ternante, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): Imagem não identificada no arquivo(cpf)

Os topónimos Rua do Cais do Tojo e Travessa do Cais do Tojo foram atribuídos pela Câmara Municipal de Lisboa através de edital de 8 de Junho de 1889, o qual contemplou perto de sessenta arruamentos a que foram alterados os topónimos “com vista à sua simplificação e também à sua diferenciação de outros idênticos existentes em outras partes da cidade”. Estes arruamentos eram a antiga Rua Nova do Cais do Tojo e a Travessa Nova do Cais do Tojo.

Localização do Chafariz do Cais do Tojo [1856]
Legenda (clicar para ampliar):
Vermelho:
Chafariz do Cais do Tojo na Tv. do Chafariz do Caes do Tojo (actual Tv. do Cais do Tojo)
Verde:
Tanque das Lavadeiras da Rua Nova do Caes do Tojo (actual Rua Cais do Tojo a Amarelo)
Verde/Azul:
Calçada do Marquês de Abrantes/Largo do Conde Barão
Levantamento [fragmento] topográfico de Filipe Folque,
in Lisboa de Antigamente

Existe no Arquivo Municipal Histórico documentação datada de 1778 relacionada com a cobrança do “donativo” pela Mesa do Cais do Tojo da Boavista. O “donativo” era um imposto municipal sobre os rendimentos, criado por resolução régia de 21 de Março de 1766 e que começou a ser cobrado pelo edital municipal de 2 de Novembro de 1769.

Largo do Conde Barão com a Travessa do Cais do Tojo [1893]
Recanto onde se encontrava o Chafariz do Cais do Tojo (ou da Boa-Vista
Severino de Avellar,
in Lisboa de Antigamente

Os cais sempre fizeram parte da paisagem ribeirinha de Lisboa. Os topónimos dos mais antigos estão geralmente associados aos produtos que aí aportavam, caso do Cais do Tojo ou do Cais do Carvão, que já aparece mencionado no Sumário de Lisboa de 1551.
O tojo, planta arbustiva da família das leguminosas, era usado como cama para o gado, estrume ou combustível.
Em 1821, o posto da 4.ª Companhia de Infantaria da Guarda Real da Polícia, situado no Cais do Tojo, sofreu um grande incêndio. Também no local existiu em tempos o chafariz que aqui observamos, muito frequentado por aguadeiros e populares. [2]

Chafariz do Cais do Tojo [ant. 1836]
(Ainda com a presença do tanque de lavar roupa que foi demolido em 1836)
Desenho de Luís Gonzaga Pereira (1796-1868), in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
1 ANDRADE, Velloso, Memoria sobre chafarizes, bicas, fontes, e poços públicos de Lisboa, Belem e muitos logares do termo, 1851.
2 cm-lisboa.pt.
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