Queimada (travessa da) primeira á esquerda no largo de S. Roque, indo da rua larga de S. Roque e finda na rua d' Atalaya, freguezia da Encarnação 2 a 68 e 1 a 45. [Velloso: 1869]
Durante muito tempo supôs-se que a designação «da Queimada» derivava da circunstância de, na altura do cerco de Lisboa por D. João I de Castela, em tempo do Mestre de Aviz, aqui fazerem os sitiantes suas queimadas, que corresponderiam a sinais para as suas hostes, situadas por aí fora até Santos. A muralha fernandina passava em S. Roque [Lg. Trindade Coelho]; isto por aqui seria uma espécie de fronteira alta dente de cubelos da Porta do Condestável, que então assim se não chamaria ainda (entrada da Calçada do Duque — escadinhas). Era uma explicação conjecturada e forçada mesmo. Mais verosimilmente se atribui tal designação ao facto de uma tal Ana Queimada possuir neste sítio, ou próximo, no meado do séc. XVI (precisamente 1563), uns terrenos que tomou de aforamento aos frades da Trindade. Esta explicação provém do Mestre Vieira da Silva, que já em 1902 desta particularidade informava o insigne Júlio de Castilho.
[ARAÚJO: Norberto de, Peregrinações em Lisboa - vol. VI, p. 17, 1938]
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| Travessa da Queimada |c. 192-| À esq. adivinha-se a R. da Barroca e, encimando a foto, a R. da Atalaia (Bairro Alto). Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente |
A rua da Atalaya, próxima à da Barroca, é o ponto culminante do Bairro Alto — recorda o insigne Júlio de Castilho na sua, Lisboa Antiga. Todas as travessas que da rua larga de S. Roque [hoje «da Misericórdia»] a veem demandar sobem não pouco até a Atalaya. Esta circunstância de elevação é atendível, se a casarmos com o nome da rua. Tudo leva a crer que, na porfiosa guerra que precedeu e seguiu a eleição do mestre [de Aviz], uma boa parte do arraial dos castelhanos por ali estanciasse, e n'aquelle alto houvesse postado, como em crista de muito alcance, os olhos curiosos de alguma atalaya a espreitar a muralha e as duas importantes portas ocidentais, para dar aviso aos cercadores.
[CASTILHO, Júlio de, Lisboa Antiga: O bairro alto de Lisboa 1879]
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| Travessa da Queimada |c. 1905| Embocadura da Travessa. que foi Rua, mas também Travessa dos Poiais, vista do Largo da Trindade Coelho que foi de «São Roque» como evidencia o dístico municipal no cunhal do prédio de gaveto hoje integrado na R. de São Pedro de Alcântara junto da Igreja de São Roque. Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente |


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