quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Estação do Rossio

Acordei um pouco antes do meio-dia, quase a chegar a Lisboa. Era impossível pensar em almoçar e mal tive tempo de me aproveitar rapidamente do meu gabinete de toilette e do belo equipamento da minha mala de crocodilo. Não voltei a ver o professor Kuckuck na confusão da descida, nem na praça em frente do edifício da estação, de inspiração mourisca, onde segui o carregador até uma tipóia descoberta

Esta Estação Central da C. P. foi começada a construir em 1887, e assenta em terrenos que foram, do lado sul e poente, do Duque do Cadaval; derrubaram-se uns prédios que aqui existiam, com feitio lisboeta rudimentar, e pôs-se de pé o edifício decorativo que vemos.

Estação do Rossio, em construção [c. 1888]
Largo D. João da Câmara; Largo do Duque de Cadaval; Calçada do Carmo

Panorâmica tirada do Jardim de S. Pedro de Alcântara

Huber Vaffier, tin BNF

Estação do Rossio, em construção [c. 1889]
Largo D. João da Câmara; Largo do Duque de Cadaval; Calçada do Carmo

Fotógrafo não identificado

O arquitecto dêste edifício — cuja fachada é um pastiche dos monumentos manuelinos, na variante dos pórticos em ferradura — foi José Luiz Monteiro [1848-1942], veneranda relíquia da arte, professor aposentado, e que conta hoje [em 1939] 83 anos; o engenheiro assistente foi Cândido Xavier Cordeiro.
No último pavimento superior abre-se o vestíbulo, que conduz à gare. pequena para o movimento de uma estação central, terminus de linha internacional. 
Enquanto se construía a Estação, ia-se perfurando o túnel, que tem 2.610 metros, trabalho de engenharia dirigido pelo francês Bartissol, e dado de arrematação, por troços, a vários engenheiros, e cuja obra começou em Abril de 1887; fizeram-se aberturas em vários pontos do trajecto, pelas quais a perfuração se fêz em partes, verificando-se a junção das galerias em 24 de Maio de 1888

Estação do Rossio, em construção [c. 1889]
Largo D. João da Câmara; Largo do Duque de Cadaval; Calçada do Carmo

Fotógrafo não identificado


O túnel foi inaugurado em 11 de Junho de 1890, mas já em 8 de Abril de 1889 pelas 6 da tarde chegava ao Rossio a primeira máquina, com um vagon, vinda de Campolide, ou seja do sítio famoso da Rabicha.

Estação do Rossio [1927]
Largo D. João da Câmara; Largo do Duque de Cadaval; Calçada do Carmo

Legenda: «Os operários procedendo a obras de reparação da estação do Rossio», in Arquivo do Jornal O Século

Bibliografia
(MANN, Thomas (1875-1955). As Confissões de Félix Krull. [1895])
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 84)

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