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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Igreja de S. Francisco de Paula

E chegámos à Igreja conventual de São Francisco de Paula, agora considerada, no seu todo, monumento nacional. Foi aqui o convento dos Religiosos Mínimos de S. Francisco de Paula, fundado em 1719 por Fr. Ascenso Vaquero, um leigo andaluz, e engrandecido. em 1753, por assistência de D. Mariana Vitória, Rainha, mulher de D. José I, cuja igreja quási totalmente se lhe deve. O Terramoto em pouco ou nada danificou Convento e templo. Quando da extinção das Ordens já os frades mínimos aqui não estavam desde 24 de Julho do ano anterior; a igreja não foi profanada, mas a casa conventual, nova quási em folha, foi vendida a particulares.
A fachada de S. Francisco de Paula, como vês, tem elegância e certa imponência decorativa; é obra do arquitecto Inácio Oliveira Bernardes, sendo as formosas torres devidas a Diogo Azzolini. Duas portas laterais conduzem por uma escada dupla, coberta e já integrada no edifício, até ao adro no qual se abre a porta da igreja; nos patins superiores da escadaria há dois nichos por banda, vazios, coroados por ática.

Igreja de São Francisco de Paula |c. 1860|
Rua Presidente Arriaga¹
Amédée de Lemaire-Ternante, 
in Lisboa de Antigamente

O interior, forrado de ricos materiais, contém o túmulo da rainha, mulher de Dom José. O túmulo da rainha Dona Mariana Vitória, esculpido por Machado de Castro e existente na igreja, está classificado como Monumento Nacional.

Túmulo da rainha Dona Mariana Vitória

Nota(s):
¹ «Igreja de São Francisco de Paula» e não «Igreja de S. Paulo» como refere o arquivista do CPF. Infelizmente os dislates não se ficam por aqui, prossegue o dito cujo: «Nesta fotografia não estava ainda aberta a Rua Direita de S. Paulo ou a Travessa de S. Paulo. É possível ver as pessoas na varanda da casa ao lado, bem como um carro de bois à entrada da mesma». E o tuga paga ao incompetente funcionário e não bufa!
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII pp. 57-58, 1938.
monumentos.pt.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Rua e Igreja de S. Francisco de Paula (actualizado)

«A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança da rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela casa do Ramalhete ou simplesmente o Ramalhete.»
(in Eça de Queirós, Os Maias, 1888)

Rua Presidente Arriaga |ant. 1908|
Dístico de 1920, antiga Rua de São Francisco de Paula e antes Rua Direita de São Francisco.
Fotógrafo não identificado, 
in Lisboa de Antigamente

A Igreja de São Francisco de Paula foi fundada em 1719 e construída, na sua feição actual, em 1753 por Inácio de Oliveira Bernardes. A fachada é rematada por duas fortes torres. O interior, forrado de ricos materiais, contém o túmulo da rainha, mulher de Dom José. O túmulo da rainha Dona Mariana Vitória, esculpido por Machado de castro e existente na igreja, está classificado como Monumento Nacional.

Rua Presidente Arriaga |1959|
Dístico de 1920.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Convento de S. João de Deus

As traseiras desta Casa conventual de poucas tradições lisboetas — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , são mais bonitas do que a frontaria, pelas sobreposições de acaso, panorama do claustro combinado com a arquitectura geral, um pouco confusa, e com pormenores decorativos que de todo não se perdem à distância. O Convento debruçava-se sobre o rio.¹


Convento de S. João de Deus [c. 1939]
Rua Presidente Arriaga, 9-13. Panorâmica tirada da Avenida 24 de Julho.
O Terramoto pouco dano fez ao Convento, que foi extinto em 1834. A Igreja conservou-se durante alguns anos, mas foi sacrificada às exigências de edifício publico. [Araújo: 1938]
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Situado na Rua das Janelas Verdes [hoje Presidente Arriaga] ao lado do palácio que foi do Conde de Óbidos, e mesmo em frente ao vistoso convento de S. Francisco de Paula, encontra-se o que foi a antiga casa dos religiosos Hospitaleiros de S. João de Deus, Ordem instituída entre nós em 1617. 
Primitivamente, foi nesse local que se edificou, em 1581, o primeiro convento da Congregação de S. Filipe de Néri, dos Carmelitas Descalços, que naquele tempo era um sítio afastado da cidade, com boas vistas para o rio.

Convento de S. João de Deus
O claustro, que se vê do rio, é rasgado na frente, tendo, pois, três lados apenas, o do fundo com onze arcarias de volta perfeita e os outros com seis em cada. [Araújo: 1938]
Maqueta de Lisboa antes do Terramoto de 1755, pormenor, in Museu de Lisboa

O casario em que se edificou o convento pertencera a Francisco de Távora e a sua mulher, D. Mécia Ribeiro, que por volta de 1604 o venderam ao Dr. António Mascarenhas (Deão da Capela Real, doutor em Teologia e deputado da Mesa da Consciência e Ordens), que resolveu instituir um convento dessa invocação, com hospital acoplado.
Deu-se, pois, a sua fundação em 1629, contendo amplas instalações, grande claustro voltado para o rio e bonitas guarnições azulejadas.
Por morte de Deão fundador em 1637, viria a ser concluído posteriormente pelos religiosos.
Uma vez extintas as Ordens Religiosas em 1834, nele estiveram instalados primeiramente o Quartel da Brigada Real da Marinha, extinta com a revolução de Belém, em 1835. Depois, o Tribunal da Corte. Seguiu-se o Quartel de Infantaria n.° 2, culminando nos nossos dias, e a partir de 1919, com a Guarda Nacional Republicana, servindo o antigo claustro de parada do quartel

Convento de S. João de Deus, Enquadramento urbano [1857]
Rua Presidente Arriaga, 9-13 antiga Rua Direita de São Francisco de Paula
Legenda:  a Vermelho o claustro; a
Verde a delimitação do convento e cerca extintos em 1834. Carta topográfica de Filipe Folque, 1857, in Lisboa de Antigamente
(clicar para ampliar)

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, pp. 59-60, 1938.
² CAEIRO, Baltazar Mexia de Matos, Os conventos de Lisboa,  p. 120, 1989.

domingo, 18 de junho de 2017

Bairro das Janelas Verdes

Um momento caminharam em silêncio. Depois, na Rua das Janelas Verdes, o Alencar quis refrescar. Entraram numa pequena venda, onde a mancha amarela de um candeeiro de petróleo destacava numa penumbra de subterrâneo, alumiando o zinco húmido do balcão, garrafas nas prateleiras, e o vulto triste da patroa com um lenço amarrado nos queixos. (QUEIROZ,  Eça de, Os Maias, 1888)


Falar da Rua das Janelas Verdes é também falar da Lisboa Queirosiana — e da casa dos Maias: «A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela casa do Ramalhete ou simplesmente o Ramalhete

Rua do Sacramento, a Alcântara Rua Presidente Arriaga [ant. 1901]
Quartel da Guarda Municipal de Lisboa depois Guarda Republicana: Carro do «Salazar»
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Campos Matos, em Imagens do Portugal Queirosiano, Lisboa, 1876, livro de reconhecida importância sobre o tema, assinala: «Quanto ao Ramalhete, sabemos que fica às Janelas Verdes, cerca da Rua de S. Francisco de Paula [hoje Rua Presidente Arriaga], embora se atribua ao solar do conde de Sabugosa, em Santo Amaro, a sua fonte de inspiração».

Rua das Janelas Verdes [entre 1901 e 1908]
Cruzamento das ruas de São João da Mata e de Santos-O-Velho vendo-se o Palácio Murça.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Aqui quási defronte da Igreja de S. Francisco de Paula — relembra Norberto de Araújo — se ergue o conjunto de edifícios, onde estão desde 1919 instalados uma companhia da Guarda Republicana e o Comando do Batalhão. (...) Depois de 1834 — em que esta casa deixou de ser o Convento de S. João de Deus — instalaram-se nela o Quartel de Marinha, e mais tarde o Tribunal da Corte.

Visita do Rei Dom Manuel II, a guarda de honra formada na Rua das Janelas Verdes Rua Presidente Arriaga [1908]
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, p. 59, 1939.

domingo, 19 de maio de 2019

Palácio de D. Braz da Silveira ou do Marquês das Minas

Agora vejamos para último elemento dêste passo — escreve Norberto de Araújo —, êsse velho Palácio da esquina da Travessa de D. Braz serventia rectificada há três anos [vd. N.B.], e com frente ao ângulo poente do jardim [9 de Abril]: é representativo da época de seiscentos, e tem ainda qualquer cousa de Lisboa velha.


Foi pertença de D. Brás da Silveira, da casa e família dos Marqueses das Minas; mais tarde, no século passado [XIX], veio à posse dos Viscondes de Tojal, aos quais, após um interregno em que pertenceu ao capitalista Quaresma, voltou à posse, que subsiste.
Estão nele instalados [em 1938] vários serviços públicos, da Direcção Geral dos Impostos, e em parte tem habitado, de há longos anos, o diplomata conselheiro Dr. Arenas de Lima.
Os altos deste palácio e dos prédios vizinhos, numa amálgama de planos, oferecem desde o alto do edifício novo do Museu [de Arte Antiga] curiosas perspectivas.
E agora te digo, Dilecto: e se descançássemos uns momentos?

Palácio de D. Braz da Silveira ou do Marquês das Minas [entre 1902 e 1908]
Rua Presidente Arriaga, 2-6, tornejando para a Travessa de D. Braz, n.º 1-7 e Rua do Olival, 21 
Observe-se a originalidade das chaminés, entretanto 
apeadas, quando foram acrescentadas as trapeiras.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

A cobertura do palácio foi bastante alterada por diversos usos. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de 2 águas, rasgadas por trapeiras. Possui dois corpos distintos: um na Rua Presidente Arriaga [antiga de S. Francisco de Paula (até 1920)], de dois pisos (onde se localiza o piso nobre) evidenciando traços da origem seiscentista, outro na Travessa de D. Braz, de quatro pisos, com características posteriores. Edifício ritmado por 13 janelas de sacada com guardas em ferro forjado, no piso nobre, ao longo da fachada marcada pela sucessão de 13 trapeiras (inicialmente era composto por 6 chaminés). 
O acesso ao interior é feito através de um átrio com tecto em estuque decorativo. No interior encontram-se azulejos de figura avulsa, do 2º quartel do séc. 18, na escadaria principal e azulejaria pombalina nos pisos superiores (antigos estúdios de gravação); sala no piso nobre com tecto setecentista em estuque estilo "rocaille" e azulejaria pombalina do 2º período; tecto brasonado na entrada, com armas dos Sousa do Prado e coroa de Marquês.

Palácio de D. Braz da Silveira ou do Marquês das Minas [1938]
Um aspecto do velho Palácio do Marquês das Minas, do lado da Travessa de D. Braz, às Janelas Verdes.  — Observe-se a originalidade dos telhados e das chaminés
Desenho de Martins Barata, in Peregrinações em Lisboa

N.B. O homenageado Dom Brás, da íngreme ruela, é Dom Brás Baltasar da Silveira, nascido a 3 de Fevereiro de 1674. Foi Senhor de S. Cosmado, na comarca de Lamego, Comendador de Ranhados, e teve as Comendas de seu pai, D. Luís Baltasar da Silveira, casado com Dona Luísa Bernarda de Lima, filha das 2." núpcias do 1.° Marquês das Minas, D. Francisco de Sousa, décimo neto de Afonso III, de Portugal.Dom Brás consorciou-se com Dona Joana Inês Vicência de Meneses, filha de Aleixo de Sousa da Silva, 2.° Conde de Santiago. Os linhagistas tecem loas a Dom Brás, que acompanhou seu avô, o Marquês das Minas, até à Catalunha, ficando prisioneiro em Almanza. Regressado a Portugal, foi Mestre de Campo e General dos Exércitos, e governou as armas da Beira.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, pp. 61-62, 1938.
monumentos.pt.
SANTOS,Domingos Maurício Gomes, Brotéria, p. 206, 1952.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Jardim Nove de Abril que foi das Albertas

É um dos mais belos logradouros da cidade, miradouro natural, do qual se desdobra do panorama do rio, do porto, seus cais, e oficinas do Aterro [actual Av. 24 de Julho], e, à distância, dos montes da outra margem.

Actualmente conhecido por Jardim 9 de Abril, é conhecido também por Albertas ou Jardim da Rocha do Conde de Óbidos. Situa-se na antiga Cerca do Convento das Albertas (Convento das Freiras Carmelitas), de onde advém o primeiro nome, estando assente sobre a Rocha do Conde de Óbidos, de onde deriva a segunda denominação em homenagem às tropas portuguesas que participaram na 1ª Guerra Mundial e que a 9 de Abril de 1918 sofreram o embate de uma grande ofensiva lançada pelos alemães sobre as linhas aliadas, incidindo todo o esforço inicial sobre o sector português. Foi o começo da chamada Batalha de La Lys.

Jardim 9 de Abril que foi das Albertas |c. 194-|
Rua Presidente Arriaga, antiga de São Francisco de Paula, antes Rua Direita de São Francisco; Rio Tejo
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Contiguo ao Museu de Arte Antiga, para a banda de O., ficava o convento das Albertas, de freiras carmelitas descalças, fund. em 1584 pelo arquiduque Alberto. Na pequena cerca do convento se fez o Jardim das Albertas — lê-se no Guia de Portugal de 1924 — , assentando sobre a chamada Rocha do conde de Óbidos, um dos mais afamados miradouros citadinos, com tamareiras, uma Washingtonia [vd. 3º imagem], etc., e cujo panorama para a branca casaria de Almada e as águas azuis do Tejo, é um dos mais belos da cidade. Desse terrapleno ajardinado desce-se para o Aterro por duas bem lançadas escadarias vestidas de trepadeiras. Em frente do jardim, onde se acha hoje uma repartição de finanças, o palácio que foi de D. Braz da Silveira e depois dos marqueses de Minas (belos azulejos). Do outro lado do jardim, para O., o palácio brasonado que pertenceu aos Mascarenhas, conde de Óbidos, e onde estão hoje vários serviços da Cruz Vermelha.

Jardim 9 de Abril que foi das Albertas |c. 194-|
Rua Presidente Arriaga; Porto de Lisboa
Amadeu Ferrariin Lisboa de Antigamente
 
Com a construção do anexo poente do Museu de Arte Antiga (arqº Guilherme Rebelo de Andrade) em  1939/40, o desenho paisagístico do antigo Jardim foi bastante alterado.

Jardim 9 de Abril que foi das Albertas |1939-11|
Rua Presidente Arriaga - 1º Presidente da República 1840-1917
Washingtonia e Museu de Arte Antiga, fachada poente.
Eduardo Portugalin Lisboa de Antigamente

Bibliografia
PROENÇA, Raul, Guia de Portugal, Generalidades: Lisboa e arredores, 1924.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, p. 61 1939.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Nova Companhia Nacional de Moagem

Teve eco na imprensa a inauguração de uma nova fábrica destinada à produção de todos os tipos de bolachas, biscoitos e massas alimentícias os quais «até aqui havia necessidade de importar». Pertencente à Nova Companhia Nacional de Moagem a nova Fábrica de Bolachas e Massas Alimentícias localizava-se, na Avenida 24 de Julho (antes Rua 24 de Julho e antes Aterro da Bôa Vista) e a sua construção esteve a cargo do construtor civil Zacarias Gomes de Lima.


Na cerimónia de inauguração, em 20 de ]unho de 1910, estiveram presentes o chefe de Estado, El-Rei D. Manuel, vários ministros, a imprensa, representantes das principais colectividades industriais, comerciais e agrícolas do País, e representantes de todas as classes sociais e do alto funcionalismo.

Edifício da Fábrica de Bolachas e Massas Alimentícias da Nova Companhia Nacional de Moagem |c. 1910|
Avenida 24 de Quatro do Julho, entre a Rocha do Conde de Óbidos e a Avenida Infante Santo
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A Nova Companhia Nacional de Moagem, de acordo com a revista O Occidente — o primeiro estabelecimento fabril do País em 1910 — agrupava um conjunto de dezassete fábricas, de «capital social e nacional de 4 914 9005000 de réis» Esta revista considerou a abertura da nova fábrica uma grande manifestação de iniciativa particular, em benefício do progresso e da riqueza pública em Portugal, um «acontecimento de maior importância como tudo quanto é grande e belo, onde o capitalismo e a inteligência se completam realizando o verdadeiro progresso que resulta desta feliz combinação»

Edifício da Fábrica de Moagem da Nova Companhia Nacional de Moagem |1910|
Avenida 24 de Quatro do Julho, entre a Avenida Infante Santo e a  Rocha do Conde de Óbidos
in O Occidente

A Nova Companhia Nacional de Moagem detinha o oitavo lugar (em capital) no complexo comercial e industrial da metrópole em 1910, e o quinto lugar sete anos mais tarde. Com a implantação da República, esta companhia estará na origem da criação, em 1919, do poderoso cartel da Companhia Industrial de Portugal e Colónias.

Enquadramento dos edifícios da Fábrica de Moagem (1) e da Fábrica de Bolachas e Massas Alimentícias (2) da Nova Companhia Nacional de Moagem |1934|
Avenida 24 de Quatro do Julho; ao centro, entre as duas fábricas, vislumbra-se a Igreja São Francisco de Paula
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

 Legenda no arquivo: «A esquadra inglesa, à sua chegada a Lisboa»

Bibliografia
O Século, 18 de Junho de 1910.
O Occidente, 30 de Julho de 1910.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Palácio Valença-Vimioso

Chamado anteriormente de Campo de Alvalade e depois Campo 28 de Maio, este sítio foi escolhido, durante séculos, para a edificação de solares nobres.


Traduzindo uma arquitectura civil maneirista, este palácio, possivelmente do séc. XVII, foi objecto de remodelações no séc. XVIII e XIX. Classificado como Imóvel de Interesse Público é um edifício de planta quadrada, caracterizado pela horizontalidade dos seus volumes simples e pela sobriedade das suas linhas. Inserido numa vasta cerca, hoje espaço ajardinado,onde outrora se realizaram concorridas touradas, desenvolve-se em cave e 2 pisos, surgindo delimitado lateralmente por cunhais de cantaria e rematado por cornija, que suporta um beiral saliente.

Palácio Valença-Vimioso (ou palácio do conde de Vimioso) [1940]
Campo Grande, 398; Alameda das Linhas de Torres, 1
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

As suas entradas, localizadas a Este e a Oeste, desembocam num pátio e caracterizam-se, respectivamente, por uma porta inscrita em arco abatido com aduela e por outra porta coroada por entablamento. As fachadas rasgam-se em fileiras ritmadas de janelas, destacando-se as do andar nobre, de sacada,que apresentam cimalha e guardas de ferro.
No interior são de realçar os silhares de azulejos polícromos seiscentistas e as pinturas parietais de gosto neoclássico. De referir ainda que o Cruzeiro das Laranjeiras, classificado como Monumento Nacional, está localizado no seu pátio.

Palácio Valença-Vimioso, pátio [1966]
Campo Grande, 398; Alameda das Linhas de Torres, 1
Ao fundo do pátio nota-se o Cruzeiro das Laranjeiras, classificado como Monumento Nacional.

Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

N.B. A bravura e destreza do 2.º Marquês de Valença e 13.º Conde de Vimioso, D. Francisco de Paula de Portugal e Castro — o fidalgo toureiro, hábil cavaleiro e distinto na arte de lidar com os toiros — ficaram célebres. Personagem conservado na memória popular através de canções e especialmente do famoso Fado do Conde de Vimioso, (e a sua ligação amorosa com «A Severa»), foi uma figura marcante na Lisboa do seu tempo.
Em 1837, depois da Carta de Lei de D. Maria II, toureou em público pela primeira vez, dando algumas corridas de novilhos no pátio do seu palácio do Campo Grande.
Refira-se que A quinta era muito maior do que é hoje, o campo de futebol onde estiveram instalados primeiramente o Sporting e depois o Benfica, foi construído em terrenos que pertenciam ao Palácio.

Palácio Valença-Vimioso (ou palácio do conde de Vimioso) [1933]
Campo Grande, 398; Alameda das Linhas de Torres, 1; Corrida de motos.
Fotógrafo não identificado,
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
Grande enciclopédia portuguesa e brasileira, 1936.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Assentamento de linhas de tracção eléctrica: Alcântara

A 5 de Junho de 1897 foi assinado um contrato entre a Câmara Municipal de Lisboa e a CARRIS para substituir o sistema de tracção animal por um sistema de tracção eléctrica por condutores aéreos.
No ano de 1900, iniciaram-se os trabalhos de modificação e assentamento de linhas, de instalação da rede aérea e de construção na zona de Santos da Central Eléctrica Geradora destinada a fornecer energia para o novo sistema de tracção. A 31 de Agosto de 1901 foi inaugurado o serviço de eléctricos.

Rua Prior do Crato, 134 |c. 1900|
Assentamento de linhas de tracção eléctrica.
Nota(s): local da foto não está identificado no arquivo da Carris.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Rua Presidente Arriaga, 124 |c. 1900|
Assentamento de linhas de tracção eléctrica.
À esq. nota-se a Igreja de São Francisco de Paula e, bem ao fundo à dir., vislumbra-se o Convento de S. João de Deus (GNR).
Nota(s): local da foto não está identificado no arquivo da Carris.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

domingo, 25 de junho de 2023

Profissões de Antanho: vendedoras ambulantes de queijo saloio

Vinham pela tarde as raparigas dos queijinhos e dos requeijões, aqueles acomodados em forminhas de zinco dispostos em tabuleiro também de zinco, tapados com uma toalha e no cabaz que lhes servia de suporte traziam, em cestinhos, os requeijões a transbordar pelas malhas da palha. Era à hora da merenda e o pregão alertava a canalha miúda que regressava da escola.
Algumas também vendiam azeitonas que transportavam num tarro de cortiça.
Quase sempre eram moçoilas saloias apregoando com graça, no sotaque da sua linguagem cantada, maneira de forrar uns tostões com as sobras do leite das suas vacas. Nem todas as tardes apareciam, pois aproveitariam os dias em que as galeras traziam as lavadeiras.

— Quem quer requeijões e queijinhos frescos?

E lá iam, cachopas garridas, bate que bate, rua abaixo, rua acima, vendendo os tão apetecidos queijinhos entalados e frescos nas formas de zinco. Naquele tempo ninguém se queixava de salmonelas.¹

Vendedoras ambulantes de queijo fresco |c. 1900|
Cruzamento da Travessa da Palmeira com a Rua da Palmeira
O arruamento Rua da Palmeira, que já consta do Atlas da Carta Topográfica de Lisboa datado de 1857. Como refere Mestre Castilho, este topónimo “palmeira inscreve-se numa antiga tradição popular de designar topónimos indo buscar a sua identidade às disposições dos terrenos ou do local, às circunstâncias naturais, à fauna ou à flora. Outros exemplos desta tradição na freguesia das Mercês são a Travessa do Jasmim e a Rua das Parreiras.
Fotografo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Palmeira (Travessa da) — Nela, e no tempo em que ainda se chamava Travessa de S. Francisco de Paula (até 1859), freguesia das Mercês, e n.º 23 de então, num quarto do 1.º andar, onde habitava desde muitos anos, faleceu após longa e dolorosa enfermidade, sofrida com filosófica e cristã resignação, o aplicado e estudioso filólogo Pedro José de Figueiredo, autor, entre outras, da obra que tem por título Retratos dos Varões e Donas de Portugal.²

Vendedoras ambulantes de queijo fresco |c. 1900|
Rua de S. Bento, 160
Fotografo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): a data e o local da foto não estão identificados no abandalhado amL.

Bibliografia
¹ DINIS, Calderon, Tipos e factos da Lisboa do meu tempo: 1970-1974, 1986.
² BRITO, Gomes de, Ruas de Lisboa. Notas para a história das vias públicas, 1935.

domingo, 10 de abril de 2022

Rua da Torre da Pólvora

[1804Torre da Pólvora: é a ultima à direita, descendo pela Calçada da Pampulha, vindo da Igreja de S. Francisco de Paula, e vai terminar aos Armazéns da Pólvora
[1864Torre da Pólvora (largo da)  fica na fim da rua da Torre da Pólvora, indo da calçada da Pampulha e finda na travessa do chafariz das Terras, freguesia de Santos. Está n'este largo o presidio denominado da Cova da Moura, actualmente serve de quartel para infantaria.
[1924] Fronteira à R. do Tenente Valadim, a rua da Torre da Pólvora, que vai dar à Cova da Moira, ao fundo da qual fica o quartel onde se acha instalado o 1.º grupo de companhias de administração militar. 

A designação de Torre da Pólvora nesta serventia — recorda Norberto de Araújo — nasce da circunstância de, no fundo da rua, ter sido construída, de 1670 a 1696, uma torre, depósito ou paiol de pólvora defendida por seu guarda fogo, num recinto relativamente largo.

Rua da Torre da Pólvora |1939|
Desaparecida para dar lugar à Avenida Infante Santo
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

O casarão foi depois presídio (1843), já há muito o depósito de pólvora havia desaparecido do local. Mais tarde, nas casas anexas reconstruídas e ampliadas, instalou-se o regimento de Infantaria n.° 7; ainda depois, em 1899, vários serviços de Administração Militar, e em 1928 uma Companhia de Trem Hipomóvel. É este o bairrista quartel da Cova da Moura. [...]

Panorâmica sobre o Quartel da Cova da Moura |c. 1947|
Demolido para dar lugar à Avenida Infante Santo
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

A abertura da Avenida Infante Santo vai implicar a sua destruição em finais da década de 1949. Conforme o Edital de 13 de Maio de 1949 «o arruamento em construção, que ligará a Avenida 24 de Julho à Estrela, compreende parte da Rua Tenente Valadim, desde o término da curva do prédio do Estado (Instituto Maternal); parte da Travessa dos Brunos prédios nºs 22 e 24 e, ainda, a Rua da Torre da Pólvora» passou a ser a Avenida Infante Santo.

Panorâmica sobre a Avenida Infante Santo |c. 1959|
A abertura da Avenida Infante Santo vai implicar a destruição da Rua da Torre da Pólvora.
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, p. 56, 1938.
COSTA, António José Pereira da - A Fábrica e a Torre da Pólvora, 2017.

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Travessa e Rua da Palmeira

Palmeira (Travessa da) Sendo que a  origem do topónimo Rua das Palmeiras é incerta este foi atribuído por Edital do Governo Civil de 1 de Setembro de 1859, ao arruamento até aí designado por Travessa de S. Francisco de Paula por ter estado ligada a uma das Congregações que se estabeleceram em Lisboa, especificamente nas proximidades da actual Rua das Janelas Verdes. Brito: 1935
 
Os portugueses gostam muito de verdura, e chegam a comê-la crua — dizia Pimentel na sua Vida de Lisboa — com o nome de salada; há muitas ruas com o nome de árvores, tais como Carvalho, Figueira, Palmeira, Parreiras, mas o que menos se encontra nessas ruas são justamente as árvores de que tomaram a denominação[Pimentel,Alberto (1849-1925)Vida de Lisboa, 1900)]

Travessa da Palmeira |c. 1935|
Cruzamento com a Rua de São Marçal e Tv. Santa Teresa vendo-se ao fundo as "Torres da Estrela". 
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): local da foto não está identificado no arquivo FCG

Palmeira (Rua da) O topónimo deste arruamento já consta do Atlas da Carta Topográfica de Lisboa dirigido por Filipe Folque, datado de 1857, foi sujeito à apreciação e aprovação da Comissão de Toponímia, a qual, desde a sua formação em 1943 até 1945, tomou a seu cargo a oficialização da toponímia em uso de centenas de arruamentos, entre os quais este se incluiu.
[1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Rua da Palmeira, 26 [1964-05]
O topónimo «palmeira» insere-se na antiga tradição popular de denominar os arruamentos a partir das disposições dos terrenos ou dos locais, às suas circunstâncias naturais, à sua fauna ou flora.
 
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Calçada da Pampulha

[...] eis-nos no sitio da Pampulha — para o qual a Lapa é uma criança — e que remonta ao século XVI. (...) A Calçada da Pampulha — diz Norberto Araújohoje é a continuação da Rua do Presidente Arriaga, nome que depois de 1917 foi dado à Rua de S. Francisco Paula. Em verdade, oficializada, a Pampulha não tem mais que duzentos metros, mas a designação extravasa, possui ressonância bairrista além do limite municipal do dístico.
«Pampulha» porquê? Não o sei eu, nem os mestres que têm. até agora, escrito acerca das origens dos nomes das ruas de Lisboa. Julgo, porém, que problema não é insolúvel, e creio até que estará para breve o desvendar deste mistério toponímico.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, pp. 55-56, 1938)

Calçada da Pampulha [ant. 1939]
Cruzamento com a Rua Tenente Valadim; anterior à construção do viaduto sobre a Avenida Infante Santo, em 1949 (vd. 2ª foto)
Eduardo Portugal, in in Lisboa de Antigamente

Em relação à etimologia da palavra «Pampulha», José Pedro Machado no seu Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa (1984) avançou a hipótese de a origem estar em «pão da Apúlia» (pan no português arcaico), indicando o local onde era recebido o trigo vindo da Apúlia italiana.
Gomes de Brito refere que «Pampulha» já surge num Assento da Vereação de 1636: «Nas travessas que há do Corpo Santo até á Pampulha». Em 1786, na Relação Universal figura este arruamento ora como Rua Fresca da Pampulha, ora como Rua Direita da Pampulha. E como Calçada da Pampulha aparece primeiro no Itinerário lisbonense de 1818 e no Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque, de 1857. No entanto, num documento de 1875 ainda é referida a denominação genérica da zona, numa planta da Praia da Pampulha.

Calçada da Pampulha [c. 1949]
Construção do viaduto sobre a Avenida Infante Santo no cruzamento com a Rua Tenente Valadim
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente
 
Refira-se ainda que a Fábrica de Bolachas da Pampulha, a primeira fábrica de bolachas em Portugal, fundada por Eduardo Costa na década de 1870, referenciava a sua localização entre a Pampulha e a Rua 24 de Julho (hoje Avenida 24 de Julho). [cm-lisboa.pt]

Publicidade da Fábrica de Bolachas da Pampulha em 1907
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