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Tuesday, 19 January 2016

Praça de Touros do Campo Pequeno

O olisipógrafo Norberto de Araújo caracteriza da seguinte forma este emblemático monumento da capital:
 «É uma Praça bonita, decorativa, com suas cúpulas, janelas rasgadas, e a sua patina de tijolo mouro.[2]
A Praça do Campo Pequeno, no gosto árabe peninsular, não é um padrão — é uma reconstituição. Salvaguarda de costumes. Ela grita, exulta, guisalha, estoira foguetes, soa clarins, estridula fanfarras, por todas aquelas que a precederam: as arenas de Xabregas, de Belém, da Junqueira, do Rossio, do Terreiro do Paço; as praças do Salitre, do Campo de Santana, do Campo Pequeno velho. As touradas resistem.  
 
A Praça do Campo Pequeno é o torreão das pitorescas evocações alfacinhas, o testemunho de um pequeno elo que ligou a realeza, a nobreza e o povo na mesma exaltação de garbosidade e de valentia, do brio e do sangue escaldante da nossa gente. Lisboa sem uma praça de touros coxeava nas tradições.» [1]

Praça de Touros do Campo Pequeno [c. 1940]
Judah Benoliel, 
in Lisboa de Antigamente

«Este sítio do Campo Pequeno, que desde há séculos foi logradouro público, vasto eirado arrabaldino, no qual se realizavam exercícios militares, por vezes paradas, e feiras improvisadas, teve também praça de touros (século XVIII) por pouco tempo, rudimentar, de madeira, é claro, e que não dá crónica suficiente na história da tauromaquia, não passando de um episódio. De resto, em Lisboa «brincou-se aos touros» em todos os sítios, do oriente a ocidente, onde havia terreno livre; quatro tábuas, e estava pronta uma praça. [2]

Praça de Touros do Campo Pequeno [post. 1892]
Regimento de infantaria em exercícios

Chaves Cruz, 
in Lisboa de Antigamente

São de 1741 as primeiras referências à realização de corridas de touros na zona do Campo Pequeno. Aqui foi inicialmente construída uma praça de Madeira, mas como tinha pouca capacidade começaram também a aparecer outras praças em diferentes pontos da cidade. 

Praça de Touros do Campo Pequeno [c.1892]
Francesco Rocchini, 
in Lisboa de Antigamente

Foi então cedido, pelo Município de Lisboa, um terreno baldio na zona do Campo Pequeno onde, já no século XVIII, se tinham efectuado corridas de toiros. As obras de construção da Praça iniciaram-se no principio de 1891 tendo sido projectada pelo arquitecto António José Dias da Silva (1848-1912) e, em 18 de Agosto de 1892 a Praça de Toiros do Campo Pequeno - com a presença da Família Real - abriu as suas portas com uma gala, com pompa e a circunstância adaptada à exigência deste momento alto para a cidade de Lisboa. Actuaram os cavaleiros Fernando Tinoco e Fernando d'Oliveira com touros de Infante da Câmara. Desde então a sua monumentalidade e beleza são emblemas da cidade de Lisboa.

Praça de Touros do Campo Pequeno  [post. 1892]
Chaves Cruz, 
in Lisboa de Antigamente

Este notável edifício foi concebido em estilo neo-árabe pelo arquitecto António José Dias da Silva. Tem uma estrutura circular toda em tijolo, com 4 cúpulas bolbosas de inspiração turca. O redondel tinha 80 m. de diâmetro, coberto com areia, vedado por uma cerca em madeira separada das bancadas por um corredor; estas estão dispostas em círculo, divididas em catorze talhões com 4000 lugares, e duas bancadas superior de cinco filas com estrutura de ferro, tendo, respectivamente, 2100 e 860 lugares. 

Praça de Touros do Campo Pequeno  [c. 1951]
António Passaporte, 
in Lisboa de Antigamente

São encimadas por camarotes e galerias, tendo capacidade para 8438 espectadores que se distribuíam pelas duas ordens dos 165 camarotes e galerias. Encerrada ao público em Junho de 2000, devido ao seu avançado estado de degradação, foi objecto de obras de remodelação, segundo projecto do arq. José Bruschy, com a colaboração dos arquitectos Pedro Fidalgo, Filomena Vicente, Lourenço Vicente, João Goes Ferreira e Gonçalo Teixeira, concluídas em 2006. 

Fotografia aérea da Praça de Touros do Campo Pequeno e arredores [c. 1940]
Judah Benoliel, 
in Lisboa de Antigamente

N.B. O Campo Pequeno foi inaugurado com um espectáculo de Filipe La Féria a 16 de Maio de 2006 e a 18 do mesmo mês com uma corrida de touros tradicional. Actualmente, o Campo Pequeno acumula a sua valência inicial, como praça de touros, com a de sala de espectáculos multiusos com capacidade para: 8770 pessoas., integrada num centro de lazer, que conta também com uma moderna galeria comercial e um parque de estacionamento subterrâneo.
__________________________________________
[1] ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, p. 83, 1943.
[2] ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 68, 1939.

Sunday, 9 May 2021

Largo Dr. Afonso Pena, actual Campo Pequeno

Do Largo Afonso Pena, pelo nascente, saem as Avenidas recentes de Sacadura Cabral e Óscar Monteiro Torres, que são atravessadas pelas transversais Ruas Capitão Ramires, David de Sousa e Augusto Gil, A Avenida de Berna [actual João XXI] será prolongada até à futura Avenida de Roma. [Araujo: 1939]

 
O sítio do Campo Pequeno no início do século XVI era um logradouro público, espaço a descoberto na periferia da cidade, no qual se realizavam exercícios militares, por vezes paradas e feiras improvisadas (onde se treinou o exército de D. Sebastião antes de ir para Alcácer-Quibir). Teve também, no século XVIII, uma Praça de Touros provisória.

Largo Dr. Afonso Pena, actual Campo Pequeno [1939]
Campo Pequeno com a Rua do Arco do Cego; anterior ao prolongamento da Avenida João XXI — entre o Campo Pequeno e a Av. de Roma— concluído na por volta de 1950; Palácio Galveias. Actualmente, temos, à esq., o Hotel Alif e, à dir., o edifício da Caixa Geral de Depósitos.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Em 18 de Agosto de 1892 foi inaugurada a Praça de Touros definitiva, arquitectada por António José Dias da Silva. No Campo Pequeno existe também um edifício seiscentista de arquitectura civil portuguesa, o Palácio Galveias. [cm-lisboa.pt]

Largo Dr. Afonso Pena, actual Campo Pequeno [1965]
Campo Pequeno com a Rua do Arco do Cego; anterior ao prolongamento da Avenida João XXI — entre o Campo Pequeno e a Av. de Roma— concluído na por volta de 1950; Palácio Galveias. Actualmente, temos, à esq., o Hotel Alif e, à dir., o edifício da Caixa Geral de Depósitos.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 13 April 2025

Sítio de Alvalade: o Pequeno e o Grande

A Estr. de Jerabrigam ia, pois, ao Campo de Alvalade onde, à beira do caminho, surgiram duas povoações distintas, denominadas do Campo, sendo a maior o Campo Grande, e a menor o Campo Pequeno. Grande e Pequeno não são alusivos a campos distintos, mas a póvoas distintas em que uma era maior que a outra, e ambas no mesmo campo.

Quase todos os dicionários de Língua Portuguesa trazem o artigo «alvalade» a que dão o sentido de «campo ou pátio murado». A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, além dessa acepção, que não sei onde se foi arranjar, dá ainda mais esta: «Estrado ou tablado erguido do chão e destinado a permitir que dele se veia (sic) solenidade ou espectáculo». Traz como abonação um passo do El-Rei Seleuco de Camões, que é, na íntegra, como segue: «Mas tornando ao que importa, vossas mercês he necessario que se cheguem hus para os outros, para darem lugar aos outros senhores que hào de vir, que doutra maneira, se todo o corro se ha de gastar em palanques, será bom mandar fazer outro alualade....» , p. 83 da admirável edição do prof. Marques Braga.¹

 

Fotografia aérea do bairro de Alvalade e jardim do Campo Grande |c. 1953|
O Campo Grande tem este topónimo fixado através da publicação do Edital municipal de 19 de Janeiro, de 1916, que assim juntou as Ruas Oriental e Ocidental num único topónimo.
Abreu Nunes, in Lisboa de Antigamente
Fotografia aérea do Campo Grande |1955|
Em 1869, durante o reinado de D. Luís I, arranca a construção do lago principal, para agradar às esposas e famílias dos amantes de cavalos. Nascem os passeios românticos de barco a remos, frequentados por nobres e realeza. 
Mário Oliveira, in Lisboa de Antigamente

Julgo que o passo é bem claro: Alvalade não quer dizer nada do que se lhe atribui na Enciclopédia! Naquelas palavras a que oferece tal acepção é palanque. Camões pretendeu muito simplesmente dizer na sua o seguinte: se porventura os espectadores não se apertassem, quando se verificasse a chegada dos retardatários, para que todos ali coubessem, seria necessário mandar lá construir outro Alvalade, mas o Alvalade topónimo, o Alvalade sítio correspondente ao actual Campo Grande, naquela época fora do perímetro da Capital. Como esta designação moderna ainda o indica, a superfície dos terrenos desse local era extensa, de tal maneira que por vezes até lá se reuniam tropas para manobras. Alvalade, portanto, no citado passo camoniano tem de ser entendido, repita--se, como nome de sítio e não como nome comum, embora, por comparação, Camões o utilizasse, dada a referida extensão do local, para exprimir as ideias de «espaço vasto», «terreno extenso». Trata-se de topónimo já atestável em 933, não o de Lisboa, mas outro «in territorio conimbriense» («...de uilla de albalat per suos terminos», idem, p . 25), etc. A sua origem está no árabe al-balâT, «parte chata ou «plana», «prato chato», «chão», daí «terreno plano, planície».²


Campo Grande, antigo Campo 28 de Maio |séc. XIX|
O Lumiar tinha garantidas as suas carreiras, tomando os passageiros os veículos na Rua do Ouro, 265, por um tostão; pagavam-se quatro vinténs ate ao Campo Grande. (Martans, 1947)
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Campo Grande, antigo Campo 28 de Maio |1910|
Em 1816 alberga as primeiras corridas de cavalos, sendo que hoje em dia os concursos hípicos são realizados nas proximidades do jardim, por trás do Museu da Cidade (Palácio Pimenta).
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Campo Grande, antigo Campo 28 de Maio |1909-06-06|
Concurso de raça bovina no Campo Grande promovido pela Real Associação Central de Agricultura.
Nota(s): A Feira do Campo Grande (ou das Nozes, séc. XVI) remonta ao tempo de Dona Maria I. Foi transferida para o Lumiar em 1902, tendo estado posteriormente no Campo Pequeno e voltado novamente ao Campo Grande. Em 1932, regressa de novo ao Lumiar até à sua extinção.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

No século XX, Alvalade, até então topónimo não oficial, foi oficializado pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Álvaro Salvação Barreto ao determinar “[…] que o aglomerado habitacional que se está erguendo a sul da Avenida Alferes Malheiro [actual Av. Brasil], à beira do Campo 28 de Maio [hoje Campo Grande] tenha a denominação de Sítio de Alvalade.” (3 de Março de 1948). O moderno Bairro de Alvalade foi projectado por Faria da Costa, em 1940/1945, desenvolveu-se a partir da ideia de subunidades de vizinhança com espaços de comércio local, de educação, e de recreio, deixando as grandes vias para a circulação automóvel, que cruzava o bairro.

Praça de Alvalade |195-|
Cruzamento das Avenidas de Roma e da Igreja
Naqueles terrenos baldios, ao centro, encontra-se hoje o Centro Comercial de Alvalade.
 Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A Praça de Alvalade foi criada aquando da construção do Bairro de Alvalade (c. 1950), tendo inicialmente adoptado a designação de Largo Frei Luís de Sousa. Contudo, quando foi erigida no seu centro a estátua de Santo António em 1972, evitaram-se as confusões, dando-lhe então a actual designação e alterando a designação do Largo de Alvalade para Largo Frei Luís de Sousa.³
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Bibliografia
¹ SAA, Mário, As Grandes Vias da Lusitania: O Itinerário de Antonino Pio. Lisboa, 1957-1967.
² JOSÉ PEDRO MACHADO - Factos, Pessoas e Livros: comentários através dos tempos, vol. V. Lisboa: Livraria Portugal, 2006.
³ jornaldapraceta.pt.

Wednesday, 10 May 2017

Estação de Metro do Campo Pequeno

A estação do Campo Pequeno é uma das onze estações pertencentes à 1ª fase do 1º escalão da construção da rede do Metropolitano de Lisboa, abriu ao público em 1959 quando da inauguração da rede. Em termos arquitectónicos e artísticos seguiu o programa então adoptado para todas as estações desse escalão, o projecto arquitectónico é da autoria do arq.º Falcão e Cunha e o revestimento de azulejos da autoria da pintora Maria Keil.
Para esta estação, o revestimento de azulejos criado por Maria Keil é constituído por uma malha de linhas oblíquas brancas ou ocres que se entrecruzam sobre um fundo azul claro, definindo um padrão que lembra uma estrutura cristalina. Aqui e além, alguns dos elementos deste padrão são coloridos a ocre ou a branco e preto, ganhando volume, destacando-se assim do plano de fundo.

Avenida da República [196-]
Entrada da estação do Metro junto ao cruzamento da Avenida de Berna 
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Em 1994 foi totalmente remodelada com projecto arquitectónico dos arq.º Duarte Nuno Simões e arq.º Nuno Simões. Para a animação plástica foi convidado o escultor Francisco Simões que seguiu uma linha temática decorrente do historial do local onde a estação se insere.
O local da estação é uma zona de Lisboa onde até durante a primeira metade do século se dava a entrada na cidade das populações das zonas rurais que a envolvem, e que vinham à cidade vender os seus produtos.
Francisco Simões com este seu trabalho vai homenagear estas figuras típicas. Escolheu como matéria prima os inúmeros e belíssimos mármores portugueses, lioz, de Pêro Pinheiro, azulino, de Maceira, encarnadão e amarelo de Negrais, rosa de Vila Viçosa, ruivina de Estremoz, brechas de Tavira, negro de Mem Martins, verde de Viana do Alentejo, cinzento de Trigaches e azul da Bahia no Brasil e ainda pedras semi-preciosas, como ágata e onix.
Nas plataformas podemos apreciar painéis alusivos à Festa Brava, construídos a partir de um minucioso trabalho de embutidos de diversos mármores, os painéis dos átrios das bilheteiras seguem a mesma temática mas são gravados.

Avenida da República [entre 1955 e 1959]
Obras da estação do Metro do Campo Pequeno junto ao cruzamento da Avenida de Berna.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
Metropolitano de Lisboa, E.P.E..

Friday, 15 January 2016

Palácio Távora-Galveias

À esquina da Rua do Arco do Cego — diz Norberto de Araújo — levanta-se um interessantíssimo espécime seiscentista de arquitectura civil portuguesa: o Palácio Galveias. Estão nele instalados o Arquivo, Biblioteca e Museu Municipais.
Delicia-te, Dilecto, na contemplação do portal nobre, até há oito anos armoriado dos Melo e Castros, cujo brasão foi substituído em 1930 pelo das armas da Cidade.

Palácio Távora-Galveias |c. 1915|
Campo Pequeno
José Artur Bárcia, in Lisboa de Antigamente
 
O Palácio Galveias, que possuía uma vasta quinta anexa, desaparecida na urbanização dos últimos trinta anos, pertencia no século XVII aos Távoras. O Palácio com seu logradoiro, foi confiscado em 1759, e passou a novo dono, e no princípio do século passado (1801) ia à praça por dívidas à Fazenda; adquiriu-o D. João de Almeida de Melo e Castro, mais tarde 5.° Conde das Galveias, do qual transitou em 1814 para seu irmão D. Francisco, 6.º Conde, continuando na posse dos Galveias, até que uma sobrinha que o herdou, já no final do século passado, o vendeu ao capitalista Braz Simões.

Palácio Távora-Galveias |1928|
Campo Pequeno
Fotógrafo não identificado,in Lisboa de Antigamente

O Palácio caiu então em abandono de nobreza, e tornou-se, como tantos palácios no coração de Lisboa, um albergue de desvalidos. Não passava de um pardieiro, quando em Março de 1927 se começou a pensar na sua expropriação, com vistas aos seus terrenos da formosa e, então, abandonada quinta, chãos indispensáveis pana o remate oriental das Avenidas Barbosa du Bocage e Elias Garcia, o edifício seria destinado a tribunais e conservatórias. 

Palácio Távora-Galveias, portal principal |c. 1940|
O portal, de feição heráldica, detém uma traça maneirista, sendo ladeado por duas colunas sobre plintos com anéis envolventes. No entablamento, evidencia-se um friso dórico, dispondo ao centro o escudo heráldico de Lisboa (1930), que substituiu o brasão da família Melo e Castro. O remate das colunas relevado, dispõe de cada lado uma pequena peça de artilharia de pedra, presumivelmente evocativas da participação dos Távoras nas guerras da Restauração
António Castelo Branco. iin Lisboa de Antigamente


Em Janeiro de 1928 a Câmara acordou negociações com os proprietários deste resíduo rústico-urbano seiscentista, e que eram os sócios da firma Simões & Simões (Braz Simões, o homem que fundou o Bairro do seu nome a nascente de Almirante Reis).  Em 1929 estava assente que o Palácio, que muitas e quási radicais obras teria de sofrer, seria sede de Arquivo, Biblioteca e Museu. Foi o vogal da Comissão Administrativa da Câmara Municipal, comandante Quirino da Fonseca, o animador e realizador da ideia. E restaurou-se o Palácio, beneficiando de pintura e decorações, mais ou menos felizes; o jardim, trecho do antigo, foi organizado em parque-museu.==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI,V, pp. 69-70, 1939)

Palácio Távora-Galveias, jardim |c. 1939|
Jardim virado à Rua do Arco do Cego e Avenida Barbosa Du Bocage

Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

N.B. Em 5 de Julho de 1931, pelas 18.00 horas, era inaugurada no Campo Pequeno (antigo Largo Dr. Afonso Pena) a nova Biblioteca Central, numa cerimónia solene, com a presença do Presidente da República, Óscar Carmona, ministros, e outros altos dignitários. Juntamente com a Biblioteca, era inaugurado no mesmo espaço o Museu Municipal, com secções numismática e oriental.

Sunday, 16 June 2019

Chafarizes de Sant'Ana

Este Largo do Mastro é que foi o sítio exacto do «Campo do Curral» — recorda-nos o insigne olisipógrafo Norberto de Araújo. Mas é preciso não perderes de vista que essa cortina — o muro paredão que sustenta o jardim do Campo dos Mártires da Pátria — não existia sequer até hà cem anos [c. 1838]. Desde o Convento de Sant'Ana até ao Paço da Rainha (isto é: desde o Instituto Bacteriológico até à Escola do Exército), o pavimento, em encosta, era todo um, com mal pronunciada ondulação de terreno.


Adossado ao muro paredão que sustenta o jardim do Campo dos Mártires da Pátria encontramos o Chafariz do Campo de Santana virado ao Largo do Mastro. O muro é em cantaria de granito aparente, em aparelho isódomo e está fronteiro a pequena faixa de passeio público, pavimentado a calçada, a qual confina com um parque de estacionamento.
Chafariz simplista de planta rectangular, construído em 1887, autor desconhecido, assente em plataforma de dois degraus em cantaria de calcário lioz e vermelho. É executado em cantaria de calcário lioz, composto por espaldar rectilíneo, encimado por recortes lobulados e, ao centro, pequeno espaldar contracurvado, onde surgem as armas municipais, emolduradas por painel circular e a data «1887». Cada um dos lóbulos, com molduras múltiplas circulares, possui uma bica em chumbo, rodeada por pétalas de flores, que vertia para tanque rectangular, de perfil galbado, assente em pequeno rodapé rectilíneo, com bordos boleados; o interior encontra-se tripartido por blocos de cantaria, capeados a cimento, com escoamento metálico. No espaldar e no bordo do tanque surgem vestígios das antigas réguas de apoio ao vasilhame. No lado esquerdo, surge um vão de verga recta e moldura simples, protegido por porta metálica, pintada de verde, de acesso à caixa de água.
Monumento Nacional desde 2002.

Chafariz de Santa Ana [1944]
Largo do Mastro
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Nas imediações, situa-se um segundo chafariz, denominado Chafariz do Largo do Mastro. [vd. 2ª foto]
Este chafariz foi inaugurado em 1848, em Belém, no sítio do Chão Salgado, por iniciativa camarária, com projecto do arq. Malaquias Ferreira Leal. Na sua construção foram utilizados elementos escultóricos do Chafariz do Campo de Santana [vd. N.B.], que nunca chegou a ser construído, nomeadamente 4 golfinhos da autoria do escultor Alexandre Gomes. Por ocasião da Exposição do Mundo Português, em 1940, o chafariz foi retirado do local original e mais tarde, em 1947, reutilizado no Largo do Mastro, ao Campo de Santana. Chafariz elegante, de boa cantaria, em forma de obelisco, que apresenta uma urna de curvas reentrantes e de 4 faces, das quais emerge, respectivamente, um golfinho com a função de bica. A rematar este núcleo decorativo eleva-se uma alta pirâmide hexagonal, estriada, cintada por faixa lisa a um terço de altura, coroada por uma pinha.

Chafariz do Largo do Mastro [1947]
Largo do Mastro
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

N.B. Quanto ao novo e esplendoroso Chafariz de Santa Anna — que viria substituir o chafariz "interino" que ali existia — , diz-nos a Memória de Velloso de Andrade, que o projecto foi abandonado por razões desconhecidas:
"Esse Chafariz, se se fizesse conforme o risco approvado, era de tamanha architectura, que devia conter as quatro figuras que estiveram no Lago do Passeio Público; o Tejo, e o Douro, que ainda existem no dito Passeio; os quatro Golfinhos, que se acham no Chafariz de Belém, e as quatro Carrancas, que serviram para o Chafariz d'Alcântara; como tudo se mostra no dito risco. As figuras acima ditas, foram feitas pelo Portuguez Alexandre Gomes, por 3:746$246 réis, incluindo 706$S46 réis, importe das seis pedras postas no telheiro ao Campo de Santa Anna, aonde as ditas figuras foram feitas; pelas quaes um Lord Inglez offerecia doze mil cruzados.[...]

Chafariz de Santa Ana [finais do  séc. XIX]
Campo dos Mártires da Pátria
Foi demolido em finais do séc. XIX aquando da construção do Jardim dos Campos dos Mártires da Pátria vulgo Campo de Santana; a dir. nota-se uma clarabóia do Aqueduto e, ao fundo, vê-se o prédio sito nos Campo dos Mártires da Pátria, 96, erguido em 1854 e que ainda lá está.
Autor não identificado, in Lisboa de Antigamente

Este chafariz n.º 6 situava-se a norte do Campo de Santa Anna (Campo dos Mártires da Pátria) sobre a antiga Carreira dos Cavallos, hoje Rua de Gomes Freire, conforme atesta o levantamento topográfico realizado em 1858 por Filipe Folque [vd. carta topográfica]Em 1838 "foi reformado, pondo-se-lhe em frente um semicírculo de columnellos, cujo espaço foi calçado de novo"
Em 1851, o Chafariz do Campo de Santa Anna (chafariz n.º 6) tinha 4 bicas, 2 tanques, 5 companhias de aguadeiros, 5 capatazes e cabos, 165 aguadeiros e 2 ligeiros. Os sobejos foram concedidos ao Hospital de S. José, por Ordem de 23 de Maio de 1792. Abastecia, por volta de 1850, o antigo Hospital de Rilhafoles (hoje Miguel Bombarda) e o Asilo de Mendicidade (hoje Hospital dos Capuchos). 

Local do Chafariz do Campo de Santa Anna em 1858
Levantamento topográfico de Lisboa sob a orientação de Filipe Folque, 1858 (excerto)
A vermelho está assinalado o chafariz e o Aqueduto que levava a água ao Chafariz do Campo de Santa Anna; a azul, a antiga Carreira dos Cavallos, hoje Rua de Gomes freire.
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, pp. 61, 1938.
VELOSO DE ANDRADE, José Sérgio , Memória sobre Chafarizes, Bicas, Fontes e Poços Públicos de Lisboa, Belém e muitos lugares do Termo., 1851.
cm-lisboa.pt.

Sunday, 7 August 2022

Panorâmica sobre o Campo Grande

Foi D. Maria I que, em 1792, começou por discutir o projecto de um jardim nos campos de Alvalade, com a finalidade de criar uma zona arborizada que incluísse um circuito para corridas de cavalos. Quase dez anos mais tarde, em 1801, é o seu filho, o príncipe regente D. João, que ordena a D. Rodrigo de Sousa Coutinho, Conde de Linhares, que planeie a execução dos jardins que vão do Campo Grande ao Campo Pequeno..
 
Campo Grande, antigo Campo 28 de Maio |c. 1934|
Do Palácio Valença-Vimioso e do Restaurante (churrasqueira) do Campo Grande (em baixo ao centro), do Palácio Pimenta (dir. baixa) e do Hipódromo, pelo luxuriante Jardim do Campo Grande e pela Avenida da República, até ao rio Tejo.
Pinheiro Correia, in Lisboa de Antigamente

Começou-se pela plantação de um extenso e variado arvoredo, ao estilo romântico, que inclui pinheiros, eucaliptos, amoreiras de papel, figueiras e pimenteiras. Em 1816, a conclusão da pista de corridas permite o início das corridas de cavalos.

Lago no Jardim do Campo Grande |190-|
Este lago, com a sua ilhota ao centro, com o seu pequeno botequim, com os barquinhos a remos, constituía uma diversão popular do alfacinha, que aos domingos alarga o seu passeio pelas avenidas novas, até a copada e extensa alameda, tão predilecta da alta aristocracia como das classes burguesas e trabalhadoras.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Para agradar às esposas e famílias dos amantes de cavalos, a construção do lago principal do Campo Grande arranca em 1869, durante o reinado de D. Luís I. Nascem os passeios românticos de barco a remos. A abertura de um botequim no meio do lago para venda de bebidas, em 1900, torna a zona ainda mais aprazível. Instalado numa ilha acessível apenas por uma ponte de madeira, o estabelecimento permitia relaxar bebendo refrescos, enquanto se discutia os assuntos do dia. Um cenário de lazer idílico para quem tinha tempo e dinheiro.

Campo Grande e Avenida da República |195-|
Rotunda de Entrecampos e antigo Mercado Geral de Gados e zonas circundantes até ao rio Tejo.
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

Tuesday, 13 October 2015

Praça de touros do Campo de Sant'Ana

No sítio onde assenta a Escola [Médica, actual Faculdade de Ciências Médicas] existiu a Praça de Touros do Campo de Sant'Ana, de tradições na vida alfacinha, com a sua aura fidalga e popular a um tempo. Foi aquela Praça inaugurada em 3 de Julho de 1831 — recorda-nos Norberto de Araújo — tempos do Senhor D. Miguel, que assistiu à «festa», sendo corridos dezasseis touros das manadas reais; à noite, com motivo no acontecimento tauromáquico, houve «luminárias» e «fogo de vistas». A Praça do Campo de Sant'Ana era pequena e quase toda de madeira, sem o tipo clássico dos redondéis hispano-árabes, uma arena muito para «brinco de touros», mas que fez as delícias dos nossos avós.

Vista da cidade tirada do Largo de Nª. Sª. do Monte para o lado do hospital do Desterro e Campo de Sant'Ana [ant. 1888/1891]
A Praça de touros do Campo de Sant'Ana é o edifício mais escuro e arredondado que se pode ver em cima à esquerda; em baixo, à direita, o Hospital do Desterro na Rua Nova do Desterro; ao fundo, correndo entre muros, a Avenida Dona Amélia (1903) e antes Avenida dos Anjos (1895), ainda antes Avenida no prolongamento da Rua da Palma até à Estrada da Circunvalação, e desde 1910, Avenida Almirante Reis.
Estúdio Novais, in Lisboa de Antigamente


Além de corridas de touros, realizaram-se nesta Praça espectáculos de circo e ascensões aeronáuticas — lê-se num Guia do Viajante publicado em 1863. Esta distracção popular, com quanto não abone a civilização dos amadores do divertimento, não produz ordinariamente aspecto repugnante de mortes, e dilacerações de membros, porque as armas dos touros são previamente impossibilitadas de poder furar, e não é permitida a matança dos touros, nem o suplicio das garrochas de fogo [ferro farpado], como noutro tempo. Há geralmente, grande concorrência ao espectáculo.
Preços: — Trincheiras à sombra 500 réis, ao sol 240 réis. — Camarotes de 1.ª ordem de 3$000 a 6$000 réis, — Camarotes de 2.ª ordem de 1$800 a 3$600 réis. Estes preços variam conforme as empresas.
(SULLEMAN, François , Novissimo guia do viajante em Lisboa e seus suburbios, 1863)
 

Vista parcial de Lisboa tirada do Castelo S. Jorge  [c. 1870]
Panorâmica de Lisboa tirada da Sra do Monte
Destacam-se na imagem a Praça de touros do Campo de Sant'Ana, o Hospital de S. José e a Igreja da Pena na Cç. de Sant'Ana.
Francesco Rocchini (1822-1895), in Lisboa de Antigamente


Até 1915 uma «maquette» desta Praça encontrava-se no Club Tauromáquico, ao Chiado; foi por essa época destruída num assalto político àquele Club, e dela resta, apenas, a memória numa fotografia feita um pouco antes pelo Sr. J. A. Barcia. A Praça do Campo de Sant'Ana, que sucedera á do Salitre, esta inaugurada em 4 de Junho de 1790, foi demolida em 1891¹, para dar lugar à do Campo Pequeno, inaugurada em 18 de Agosto de 1892.==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, p 33, 1938)

A Maquette da Praça de Touros do Campo de Sant'Ana encontrava-se no Club Tauromáquico, ao Chiado [ant. 1915]
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

¹ Outros autores referem o ano de 1888 como data de demolição, na sequência de uma vistoria que interditou o edifício por questões de segurança relacionadas com a má conservação do mesmo.

Praça de touros do Campo de Sant'Ana, com os touros ao centro da mesma [ant. 1888/1891]
Espólio Cassiano Branco, in Lisboa de Antigamente

Thursday, 26 November 2015

Campo Grande, 376

Em 1838, nos edifícios da, agora, «Universidade Lusófona», é inaugurada a «Lusitânia», também conhecida por «Fábrica de Lanifícios do Campo Grande», criada por Aniceto Ventura Rodrigues.

A «Lusitânia», empresa de cardação, fiação, tecidos e acabamentos, nasce assim em plena revolução industrial. Em 1848 já era uma das maiores fábricas de Lisboa, precursora da mecanização na indústria de lanifícios em Portugal, possuía uma máquina a vapor de 24 cavalos, empregava mais de 150 funcionários e dava trabalho a mais de 450 operários fora da fábrica, o que a colocava entre as 50 maiores empresas do país, em número de trabalhadores. 
Desactivada na década de 1920. Nos anos 30 os edifícios foram convertidos em instalações militares. Em 1995-96, a Universidade Lusófona começa a leccionar no edifício
 
Feira de gado no antigo Campo 28 de Maio [c. 1914]
Igreja dos Santos Reis Mago
Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House
(local não identificado pelo fotógrafo)

A Feira-mercado do Campo Grande que, no século XIX, chegou a ser um acontecimento importante na vida de Lisboa, era, ao contrário da maior parte das outras feiras, de fundação relativamente recente, criada, por autorização camarária datada de 1778. A Feira do gado que lhe andava ligada realizava-se na faixa oriental, entre a Igreja dos Santos Reis Magos e a Fábrica de Tecidos Lusitânia. Nela eram transaccionados bois, cabras, cavalos, jumentos, carneiros e gado suíno. Foi transferida para o Lumiar em 1902, transitando depois para o Campo Pequeno, voltando novamente ao Campo Grande. Em 1932, foi de novo para o Lumiar até à data da sua extinção.

Feira de gado no antigo Campo 28 de Maio [c. 1914]
Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House
(local não identificado pelo fotógrafo)
Feira de gado no antigo Campo 28 de Maio [c. 1914]
Lusitânia», também conhecida por «Fábrica de Lanifícios do Campo Grande».
Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House
(local não identificado pelo fotógrafo)

Sunday, 19 May 2024

Campo dos Mártires da Pátria que foi de Sant'Ana e do Curral

E agora dilecto nesta quietação urbanista podes adivinhar — diz Norberto de Araújo — , se quiseres fazer um pequeno esforço, um «Rossio» popular, que foi em velhos tempos cômoro de moinhos de vento, eirado de rezes votadas ao sacrifício; depois, jornada de passeio, mercado, hortas e feira; praça de toiros, com esperas de gado, guizalhadas, alarde de batedores, alarido, cenas de boémia e guitarradas; campo de procissões, ponto de romarias a Sant'Ana, em paradas da devoção popular exteriorizada; logradouro de cavaleiros e fidalgos, na volta da Carreira dos Cavalos [actual Rua Gomes Freire]; desfile de seges, de tipóias, de carruagens de estadão, passagem fortuita de cortejos de embaixadas à Bemposta; passo obrigatório da população arrabaldina até [a]o Rossio pela lomba da Calçada Velha [Cç. de Sant'Ana]; estendal de velharias, de curiosidades, de bagatelas de vida em almoeda; e — campo de martírio, pois aqui foram enforcados os companheiros de Gomes Freire de Andrade, implicados ou suspeitos da conspiração contra o marechal Beresford.

Campo dos Mártires da Pátria |1933|
Denominado "de Sant'Ana" devido à existência, desde 1561, de um Convento do mesmo nome. Ao fundo corre a Rua Gomes Freire.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Isto foi o Campo de Sant'Ana.
Desde 12 de Novembro de 1880  11 de Julho de 1879, passou a chamar-se Campo dos Mártires da Pátria, designação que perdura no dístico municipal, mas que não entrou na auditiva popular.

Campo dos Mártires da Pátria [finais do  séc. XIX]
Topo norte junto ao antigo Chafariz de Sant'Ana. Ao fundo nota-se a estreita embocadura da Rua Gomes Freire (antiga 
Carreira dos Cavalos) antes do alargamento e rectificação daquela artéria por volta da década de 1940.
Autor não identificado, in Lisboa de Antigamente

«Campo do Curral» lhe chamavam do seu começo. porque afastado, mais pelo isolamento do que pela distância, do Rossio verdadeiro de Valverde (o Rossio de hoje) — aqui, ou melhor: ali onde é o Largo do Mastro, onde se faziam as matanças de gado para o abastecimento da cidade quinhentista,
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, pp. 36-37, 1938)

Campo dos Mártires da Pátria |c. 1910|
Antigo do Curral; Campo dos Mártires da Pátria (desde 1879); Rua de Santo António dos Capuchos (dir.); ao fundo nota-se a "torre" do Palácio Silva Amado e a Rua do Instituto Bacteriológico.
Lima, Alberto Carlos, in Lisboa de Antigamente

Saturday, 20 August 2016

Mercado Geral de Gados

As acomodações deste mercado podem recolher 1000 bois, 2000 ovelhas, carneiros e cabras, 500 porcos e 200 cavalos.


Em 1888 é fundadoentre as actuais avenidas Cinco de Outubro e da Repúblicao Mercado Geral de Gados. Foi construído por uma sociedade particular de José Maria Pereira de Lima e António Vitor Reis e Sousa, em acordo com a Câmara Municipal de Lisboa. O risco foi do arq.º Parente da Silva, e sofreu modificado pelo arq.º Machado Faria e Melo. Depois de desactivado em 1952, foi, implantado neste local o recinto da  Feira Popular.
 
Mercado Geral de Gados [c. 1950]
O Mercado Geral de Gados foi instalado nos terrenos existentes entre o Campo Pequeno e o Campo Grande [entre as avenidas Cinco de Outubro e da República], numa área de 200 metros de largura por 100 metros de comprimento.

Mário de Oliveira, , in Lisboa de Antigamente

Em 1888, a Câmara de Lisboa rectificou a concessão, que anteriormente fizera, para a construção e exploração de um mercado permanente de gado, constituindo-se a Companhia do Mercado Geral de Gados, para a venda e exposição de toda a qualidade de animais úteis à vida doméstica,devendo os introdutores de gado pagar determinadas quotas, por cabeça, e tendo-se estabelecido que todo o o gado destinado ao consumo da cidade recebesse naquele mercado o primeiro exame de sanidade.
O Mercado Geral de Gados foi instalado nos terrenos existentes entre o Campo Pequeno e o Campo Grande [entre as avenidas Cinco de Outubro e da República], numa área de 200 metros de largura por 100 metros de comprimento. Na frente principal, três largos portões de ferro, formados por pilares de cantaria, ligam para os lados com duas cortinas de grades, no limite das quais há outros dois portões. Seguem-se de cada lado dois pavilhões, de dois pavimentos, destinados a secretarias, e a eles se ligam outras duas construções só de pavimento térreo para abrigo do gado caprino, lanígero e ovídeo. Nos ângulos desta frente erguem-se dois frontispícios semelhantes à frontaria dos pavilhões.

Mercado Geral de Gados [Inicio séc XX]
Avenida da República, antiga Ressano Garcia
O edifício onde se concluem as transacções, denominado Bolsa, está no meio do Mercado, constando de dois octógonos, circunscrito e inscrito paralelamente, e coroado por grande cúpula com seu lanternim.

Paulo Guedes,
in Lisboa de Antigamente

Dos lados norte e sul são as abegoarias do gado bovino. Do lado ocidental fecham o mercado construções semelhantes à da frente principal, tendo ao centro uma grande cavalariça. O edifício onde se concluem as transacções, denominado Bolsa, está no meio do Mercado, constando de dois octógonos, circunscrito e inscrito paralelamente, e coroado por grande cúpula com seu lanternim; o octógono exterior tem um raio de 20 metros e o octógono interior um raio de 14 metros; a altura máxima desta construção é de 31 metros.

Mercado Geral de Gados [1944]
Avenida Cinco de Outubro; Ramal da linha de cintura para o Mercado Geral de Gados em Entrecampos;ao fundo, a actual Av. das Forças Armadas

Eduardo Portugal,
in Lisboa de Antigamente

 O espaço de 6 metros, que há entre os dois octógonos, é dividido em gabinetes para uso dos corretores ou negociantes de gado. Há ainda telheiros para exposições e uma enfermaria para tratamento dos animais que ali adoeçam.As acomodações deste mercado podem recolher 1000 bois, 2000 ovelhas, carneiros e cabras, 500 porcos e 200 cavalos. Pelo desenvolvimento que têm tomado os mercados de Lisboa se pode também aquilatar o aumento da sua população nos últimos cem anos. [1]

Mercado Geral de Gados [ant. 1952]
Gado pastando no recinto do Mercado Geral de Gados; ao fundo, a Avenida Cinco de Outubro.

Judah Benoliel,
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
1 MESQUITA, Alfredo, Lisboa: Perspectivas & Realidades, p. 583, 1903.

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