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domingo, 13 de abril de 2025

Sítio de Alvalade: o Pequeno e o Grande

A Estr. de Jerabrigam ia, pois, ao Campo de Alvalade onde, à beira do caminho, surgiram duas povoações distintas, denominadas do Campo, sendo a maior o Campo Grande, e a menor o Campo Pequeno. Grande e Pequeno não são alusivos a campos distintos, mas a póvoas distintas em que uma era maior que a outra, e ambas no mesmo campo.

Quase todos os dicionários de Língua Portuguesa trazem o artigo «alvalade» a que dão o sentido de «campo ou pátio murado». A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, além dessa acepção, que não sei onde se foi arranjar, dá ainda mais esta: «Estrado ou tablado erguido do chão e destinado a permitir que dele se veia (sic) solenidade ou espectáculo». Traz como abonação um passo do El-Rei Seleuco de Camões, que é, na íntegra, como segue: «Mas tornando ao que importa, vossas mercês he necessario que se cheguem hus para os outros, para darem lugar aos outros senhores que hào de vir, que doutra maneira, se todo o corro se ha de gastar em palanques, será bom mandar fazer outro alualade....» , p. 83 da admirável edição do prof. Marques Braga.¹

 

Fotografia aérea do bairro de Alvalade e jardim do Campo Grande |c. 1953|
O Campo Grande tem este topónimo fixado através da publicação do Edital municipal de 19 de Janeiro, de 1916, que assim juntou as Ruas Oriental e Ocidental num único topónimo.
Abreu Nunes, in Lisboa de Antigamente
Fotografia aérea do Campo Grande |1955|
Em 1869, durante o reinado de D. Luís I, arranca a construção do lago principal, para agradar às esposas e famílias dos amantes de cavalos. Nascem os passeios românticos de barco a remos, frequentados por nobres e realeza. 
Mário Oliveira, in Lisboa de Antigamente

Julgo que o passo é bem claro: Alvalade não quer dizer nada do que se lhe atribui na Enciclopédia! Naquelas palavras a que oferece tal acepção é palanque. Camões pretendeu muito simplesmente dizer na sua o seguinte: se porventura os espectadores não se apertassem, quando se verificasse a chegada dos retardatários, para que todos ali coubessem, seria necessário mandar lá construir outro Alvalade, mas o Alvalade topónimo, o Alvalade sítio correspondente ao actual Campo Grande, naquela época fora do perímetro da Capital. Como esta designação moderna ainda o indica, a superfície dos terrenos desse local era extensa, de tal maneira que por vezes até lá se reuniam tropas para manobras. Alvalade, portanto, no citado passo camoniano tem de ser entendido, repita--se, como nome de sítio e não como nome comum, embora, por comparação, Camões o utilizasse, dada a referida extensão do local, para exprimir as ideias de «espaço vasto», «terreno extenso». Trata-se de topónimo já atestável em 933, não o de Lisboa, mas outro «in territorio conimbriense» («...de uilla de albalat per suos terminos», idem, p . 25), etc. A sua origem está no árabe al-balâT, «parte chata ou «plana», «prato chato», «chão», daí «terreno plano, planície».²


Campo Grande, antigo Campo 28 de Maio |séc. XIX|
O Lumiar tinha garantidas as suas carreiras, tomando os passageiros os veículos na Rua do Ouro, 265, por um tostão; pagavam-se quatro vinténs ate ao Campo Grande. (Martans, 1947)
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Campo Grande, antigo Campo 28 de Maio |1910|
Em 1816 alberga as primeiras corridas de cavalos, sendo que hoje em dia os concursos hípicos são realizados nas proximidades do jardim, por trás do Museu da Cidade (Palácio Pimenta).
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Campo Grande, antigo Campo 28 de Maio |1909-06-06|
Concurso de raça bovina no Campo Grande promovido pela Real Associação Central de Agricultura.
Nota(s): A Feira do Campo Grande (ou das Nozes, séc. XVI) remonta ao tempo de Dona Maria I. Foi transferida para o Lumiar em 1902, tendo estado posteriormente no Campo Pequeno e voltado novamente ao Campo Grande. Em 1932, regressa de novo ao Lumiar até à sua extinção.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

No século XX, Alvalade, até então topónimo não oficial, foi oficializado pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Álvaro Salvação Barreto ao determinar “[…] que o aglomerado habitacional que se está erguendo a sul da Avenida Alferes Malheiro [actual Av. Brasil], à beira do Campo 28 de Maio [hoje Campo Grande] tenha a denominação de Sítio de Alvalade.” (3 de Março de 1948). O moderno Bairro de Alvalade foi projectado por Faria da Costa, em 1940/1945, desenvolveu-se a partir da ideia de subunidades de vizinhança com espaços de comércio local, de educação, e de recreio, deixando as grandes vias para a circulação automóvel, que cruzava o bairro.

Praça de Alvalade |195-|
Cruzamento das Avenidas de Roma e da Igreja
Naqueles terrenos baldios, ao centro, encontra-se hoje o Centro Comercial de Alvalade.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A Praça de Alvalade foi criada aquando da construção do Bairro de Alvalade (c. 1950), tendo inicialmente adoptado a designação de Largo Frei Luís de Sousa. Contudo, quando foi erigida no seu centro a estátua de Santo António em 1972, evitaram-se as confusões, dando-lhe então a actual designação e alterando a designação do Largo de Alvalade para Largo Frei Luís de Sousa.³
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Bibliografia
¹ SAA, Mário, As Grandes Vias da Lusitania: O Itinerário de Antonino Pio. Lisboa, 1957-1967.
² JOSÉ PEDRO MACHADO - Factos, Pessoas e Livros: comentários através dos tempos, vol. V. Lisboa: Livraria Portugal, 2006.
³ jornaldapraceta.pt.

domingo, 21 de maio de 2017

Chafariz(es) do Campo Grande

Ora agora se abre o Campo Grande — desde 1937 denominado Campo 28 de Maio [até 1948]. Era por ai fora o famoso Campo ou Campos de Alvalade, cuja história remonta ao século XIII.

 
Foi o Campo de Alvalade, pelo decorrer dos séculos, sitio escolhido para edificação de solares nobres arrabaldinos, e algumas vezes destinado a concentração de exércitos; os têrços que D. Sebastião arrastou a Alcácer Quibir por aqui se exercitaram. [...] A plantação do Parque. do Campo Grande deve-se a D. Rodrigo de Sousa Coutinho, Ministro de D. Maria I. [Araújo: 1939]
 
Campo Grande, lado oriental [c. 1941]
Ao centro, o Chafariz do Campo Grande
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O primeiro chafariz [vd. 2ª imagem] que existiu no Campo Grande terá sido construído entre 1813-1816. Sérgio Veloso de Andrade, em «Memória sobre chafarizes, bicas, fontes, e poços públicos de Lisboa, Belém, e muitos logares do termo» refere um chafariz no Campo Grande que, segundo afirma, pertencia ao sistema inaugurado em 1816, do qual também fazia parte o Chafariz das Mouras, na Alameda das Linhas de Torres, provavelmente da autoria do arquitecto José Therésio Michelotti. 
Conforme descreve, a água que abastecia os dois provinha do “Sítio das Mouras” e escasseava frequentemente, obrigando a obras adicionais para procura de novos mananciais. Veloso de Andrade não dá contudo indicações suficientes para uma localização mais precisa do chafariz do Campo Grande. Contudo, conjugando esta descrição com o referido projecto, é possível supor que aí estará indicado o que viria a ser o primeiro chafariz que existiu no Campo Grande e a linha do respectivo canal de abastecimento. Luis Gonzaga Pereira (1796-1868) inclui, na colecção de desenhos de chafarizes de Lisboa que efectua entre 1820 e 1840, um com a legenda “Nº 28. Chafaris do Campo Grande”. Logicamente, este será o chafariz a que se refere Veloso de Andrade, até porque consta no desenho uma lápide no seu espaldar onde está inscrito “REAL OBRA DE AGOA LIVRE ANNO D 1816”, o que concorda com o que Veloso de Andrade afirma acerca do seu ano de inauguração. Este autor também representa, no cimo deste chafariz, a estátua de uma figura humana masculina de barba, empunhando um tridente, com uma coroa na cabeça e um panejamento envolvendo parte do corpo.
Nas notas que acrescentou no final da sua obra em Dezembro de 1851, Veloso de Andrade refere que este chafariz estava em vias de ser demolido, para ser substituído por um novo, alimentado por outra água, proveniente da mesma nascente do Chafariz de Entrecampos, cuja inauguração foi nesse mesmo ano. Este autor afirma também que “O Neptuno, que se achava no sobredito Chafariz, (e já tinha servido no antigo Chafariz do Rocio) foi d'ali deslocado, para hir servir de remate no Chafariz d'Alcantara”[Andrade, 1851].

Chafariz do Campo Grande (ou N.º 28) [1821]
Demolido em 1851

Desenho aguarelado, Luiz Gonzaga Pereira

Demolido o primeiro, será o segundo chafariz, que ao sobreviver até à década de 1940, ainda foi a tempo de ser fotografado, nas suas duas frentes, por Eduardo Portugal. Tendo por base a planta de Silva Pinto de 1907, (e o Google Street View) é possível localizar o chafariz defronte do actual impasse entre os nºs 286-B e 292 (actual Rua José Santa Camarão).

Chafariz do Campo Grande, frente Este [séc. XIX]
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Chafariz do Campo Grande, frente Oeste [c. 1941]
A casa de pasto (no nº. 272), atrás à direita, ainda lá está, ajudando à localização exacta do antigo chafariz.

Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 65, 1939.
rossio.estudos de lisboa n.º 02, CML, 2013.
monumentos.pt.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Hipódromo do Campo Grande: antigo campo do «Jockey Club» (actualizado)

As primeiras corridas de cavalos em Portugal ocorrem em Évora e datam de 1868. Em 1875, o Clube Equestre, fundado em 1873, muda o nome para Jockey Club. Em 1881, fazem-se as primeiras corridas nas Alamedas do Campo Grande, mas o entusiasmo popular é fraco. Dois anos depois extingue-se o Jockey Club. A «Sociedade Promotora de Apuramento de Raças Cavalares», que arrematara os bens do Jockey Club, ainda realiza algumas corridas, mas o público revela-se desinteressado.» (infopedia.pt)

Fotografia aérea da zona da Portela de Sacavém e pistas do Aeroporto em construção; em baixo, o Hipódromo do Campo Grande |c. 1942|
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Numa das suas crónicas, Ramalho Ortigão, com a sua habitual ironia e tom mordaz, descrevia assim o ambiente das corridas de cavalos no século XIX:
As «corridas» do Campo Grande — Extraordinário sucesso de dandysmo!
Não assistimos, mas lemos que esteve o high-life, o famoso high-life, com o qual temos sempre o infortúnio de nos desencontrar. Estamos todavia daqui a vê-lo, a imaginá-lo, rico, elegante, belo, no Campo Grande, em volta o lago — o high-life...

Hipódromo do Campo Grande  Antigo campo do «Jockey Club» |1933-01-05|
Festa da Cavalaria organizada pelo jornal O Século, no hipódromo,
Ao fundo, onde se vê o casario,  passa hoje a Avenida Gen. Norton de Matos vulgo 2ª Circular.
Fotógrafo não identificado
, in Lisboa de Antigamente
Hipódromo do Campo Grande  Antigo campo do «Jockey Club» |1933-01-05|
Situado no lado ocidental do Campo Grande (actual Cidade Universitária), funcionou como hipódromo e recinto para eventos comemorativos, chegando até a ser considerado o sítio ideal para a localização do novo Aeroporto de Lisboa; perspectiva para Sul.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A aristocracia nos seus landeaux, com enormes cocheiros gordos, de barrigas de pernas phenomenaes e bizarras. A alta finança em carruagens de posta com os senhores na almofada, e os creados, recamados de galões de ouro, dentro da berlinda, immoveis, empoados, descobertos, com os tricornes na mão.
Os diplomatas, nédios, sorrindo na doce bestialidade espirituosa de quem sente no paladar os succos perfumados de uma aza de codorniz truffada, repimpados em daumonts, com uma carvajal nos beiços e uma marta zibelina debaixo dos pés.

Hipódromo do Campo Grande  Antigo campo do «Jockey Club» |1928|
«Aeroplanos no campo do Jockey Club, ao Campo Grande, onde se pretende estabelecer o aeroporto de Lisboa»
Ao fundo, onde se vê o casario,  passa hoje a Avenida Gen. Norton de Matos vulgo 2ª Circular.
Fotógrafo não identificado
, in Lisboa de Antigamente

Respira-se entre as árvores um ar impregnado de fina perfumaria, como n'um salão.
Não se inscreveram no Derby lisbonense os Hamilton, nem os Lagrange, nem os Rothschild, nem os Mouchy, nem os Dudley Stuart. Inscreveram-se apenas, com os seus trens, o João Russo e o Chico Perfeito, cocheiros da praça. Alea jacta est! O Russo venceu o Chico com a distancia do comprimento de uma pileca. Hurrah!_
Tal é o perfil das «corridas»; tal é o high-life.==
(ORTIGÃO, Ramalho, As Farpas, pp. 165-168, 1888)

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Palacete do Campo Grande

Palacete neo-manuelino sito no gaveto da então Rua Ocidental do Campo Grande tornejando para a antiga Estr. de Malpique (hoje R. Dr. João Soares). Palacete de africanistas construído c. 1923 já riscado por um amador da família - João Maria Gomes, veterinário de profissão 36. Caricatura de caricatura, o manuelino terminava o seu papel, num gosto comicamente degradado, viria a ser demolido em 1948 para construção de prédios de rendimento, alguns deles propriedade da família Soares que por aqui já tinham erigido o Colégio Moderno. (França, A Arte em Portugal no Século XX (1911- 1961))

Palacete do Campo Grande |c. 1923|
Campo Grande esquina com a Rua Dr. João Soares (1974) antiga de Malpique (1956) e antes Estr. de Malpique.
Chamado anteriormente de Campo de Alvalade, Campo 28 de Maio anteriormente Rua Ocidental do Campo Grande, este sítio foi escolhido, durante séculos, para a edificação de solares nobres.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

N.B. Pastor de Macedo, no vol. IV da Lisboa de Lés a Lés, p. 11, quando se refere à Estr. de Malpique, escreve Freguesia do Campo Grande: — Tirou o nome de uma quinta que já existia em 1675 no sítio da Palma de Cima [ao Campo Grande] e que se denominava de Malpica. Em 1714 pertencia a Manuel de Moura Delgado, casado com D. Inez Josefa de Lima e ali lhes nasceu uma filha que foi baptizada com o nome de Teresa, na paroquial do Campo Grande em 18 de Fevereiro. Esta mesma quinta, segundo supomos, denominava-se em 1867 quinta dos Ameixiais de Santa Rita de Malpique e em 1898 simplesmente de Santa Rita de Malpique . Pela transcrição que fazemos deste lançamento prova-se a existência da designação de Ameixiais (actual Colégio Moderno) já em 1539 e no lançamento n.º 132 a do nome Malpique.§

Palacete do Campo Grande |c. 1919|
Campo Grande esquina com a Rua Dr. João Soares (1974) antiga de Malpique (1956) e antes Estr. de Malpique.
Planta com a indicação do terreno municipal e projecto da casa a vermelho vendido a João Maria Gomes, devido ao alinhamento da rua Ocidental do Campo Grande a verde. A planta inclui a Estr. de Malpique a Laranja. Era propriedade do conde de Caria 1919.

domingo, 1 de maio de 2022

Campo Grande: «Casa Camelo»

Para NO. estende-se então o maior parque da Cidade, o Campo 28 de Maio ou Campo Grande. Chamado antigamente Campo de Alvalade, é logradouro público da cidade desde o séc. XVI. Os terços que D. Sebastião arrastou a Alcácer Quibir por aqui se exercitaram. O parque foi começado a plantar nos tempos de D. Maria I. Tem 1.300 m. de comprimento por 200 de largura.

Campo Grande, 394-396  |1941|
«Casa Camelo», demolida nos idos de 1960/70 para a abertura da Avenida Gen. Norton de Matos.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Tendo sofrido, durante muitos anos, toda a espécie de vicissitudes, ao ponto de apresentar, em alguns locais, um aspecto pouco brilhante, esta grande zona foi restaurada (1946) segundo projecto do arquitecto Keil do Amaral, que, com o precioso auxílio dos serviços camarários de jardinagem, corrigiu arruamentos, abriu novas pracetas e construiu airosas edificações utilitárias entre o frondoso arvoredo também reconstituído, conseguindo que o novo Campo Grande recuperasse um aspecto de grande beleza pois as suas espécies vegetais são preciosas, devendo salientar-se as palmeiras gigantes ao N. do parque [vd. 3.ª imagem].
(in Grande enciclopédia portuguesa e brasileira, 1936)

Campo Grande |1907|
Zona N. do Campo Grande com a Alameda Linhas de Torres junto ao Palácio Valença-Vimioso; ao fundo a «Casa Camelo», demolida nos idos de 1960/70 para a abertura da Avenida Gen. Norton de Matos (2ª Circular); 1.º raide hípico promovido pela 'Ilustração Portuguesa", automóvel de 'O Século' em que segue o sr. Hogan Teves, delegado da 'Ilustração Portuguesa'.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): local não identificado no abandalhado amL.

Só na década de quarenta do século XX, por edital de 23/12/1948, (...) voltou a denominar-se como Campo Grande, designação que se manteve até à actualidade.

Campo Grande  |190-|
Passeando entre as  palmeiras gigantes.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Campos de Futebol de Antanho: antigo Estádio do Sporting Clube de Portugal

O primeiro campo do Sporting Clube de Portugal foi inaugurado em 8 de Maio de 1906, no nº 73 da Alameda do Lumiar (atualmente Alameda das Linhas Torres), num local conhecido como Sítio ou Quinta das Mouras. Os terrenos foram doados pelo Visconde de Alvalade, atendendo ao desejo do neto, José Alvalade, de fundar um novo clube após a cisão do Campo Grande Football Club. A doação incluiu também um edifício na mesma Alameda, que serviu como a primeira sede do S.C.P..
No ano seguinte, a 4 de julho de 1907, ocorreu uma remodelação que melhorou bastante as condições desportivas: além de um segundo campo de futebol, passou a contar também com uma pista de atletismo.

Antigo Estádio do Sporting Clube de Portugal |c. 1917|
Designado Estádio do Lumiar ou Stadium de Lisboa.
Em segundo plano, ao centro, a «Villa Sousa» sita na Alameda das Linhas de Torres, 22. Campo Grande.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Antigo Estádio do Sporting Clube de Portugal |c. 1917|
Exercícios de ginástica no antigo estádio do Sporting Clube de Portugal.
Ao fundo, na zona N. do Campo Grande e da dir. para a esq,, veem-se as traseiras do o Restaurante do Campo Grande e do Palácio Valência-Vimioso. A esq. obervam-se alguns dos edifícios na 
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

O Sporting Clube de Portugal. deixou o Sítio das Mouras e, em 1917, mudou-se para o número 412 do Campo Grande, data em que foi inaugurado. com a designação de Stadium de Lisboa, também conhecido como Estádio do Lumiar. [sporting.pt]

Panorâmica sobre o Campo Grande e Lumiar |c. 1947|
Antigos campos do SLB — [1940-70] Campo Grande, em baixo — e do SCP — Stadium de Lisboa ou do Lumiar [1914] em obras — depois primitivo Estádio José de Alvalade [1947].
No topo N. do Campo Grande destaca-se o Palácio Valência-Vimioso que torneja para a Alameda das Linhas de Torres (dir.) e o Restaurante do Campo Grande. Na esq. baixa nota.se o Palácio Pimenta (Museu de Lisboa). 
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Jardim do Campo Grande: Chalet das Cannas

O «chalet das Cannas» constituía uma das referências mais importantes da paisagem romântica do jardim do Campo Grande em finais do século XIX (1888). Localizava-se no lado ocidental do Passeio, junto ao Palácio Pimenta. Autêntica obra de arte romântica, decorado com bambus e cortiça, era motivo de espanto e admiração de todos os visitantes.
Esta obra, da autoria de António Cordeiro Feio, que foi administrador do parque do Campo Grande, era considerada na época um «modelo de bom gosto e perfeição.»  
(in Manuel Rui dos Santos, O Campo Grande)
 
Jardim do Campo Grande: Chalet das Cannas [1905]
Jardim do Campo Grande: Chalet das Cannas [c. 1900]

«(…) os jardins [do Campo Grande] com o seu microscópico museu, mais conhecido pelo Chalet das Cannas (…).
«Tudo ali é perfeito e digno da mais detida inspecção.
«Desde as portas bordadas a lasulite, que deixam penetrar nesta mansão rendilhada, habitada sem dúvida por hariolos e fadas, os indecisos vapores violáceos e argênteos das correntes vivas que alimentam vários aquários, onde peixes exóticos e indígenas se misturam e ostentam formas esquisitas e fantásticas, até às tépidas transparências das janelas ogivais, com enfeites de plantas campestres, coando apenas a luz tão intensa do exterior. (…)


Chalet das Cannas [1939]
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Tudo isto realçado ainda pela riqueza duma ornamentação que não obedece a modelos, que não segue escolas, nem copia estilos, formada de delgados juncos, vimes e variadas espécies de bambus e cannas vulgares.» (in O Tiro Civil, Lisboa, 1 Abr.il de 1903, pp.3-4)
Demolido em meados do séc. XX.

 
 
 
 
 
 
Jardim do Campo Grande: Interior do Chalet das Cannas]
At the extreme end of the Campo Grande to the left of the broad way there is a charming little garden which serves as a frame to a fanciful toy house, called the Chalet das Cannas, the whole of the vestibule, tiny rooms, staircase, articles of furniture being made entirely of cork and cane. With these two materials the fancy architect has made pillars, arches and porticoes in the Manueline style. The structure — in its way a little work of art — is worth seeing as a curiosity alone.
(in Lisbon & Cintra; with some account of other cities and historical sites in Portugal, Inchbold, A; Inchbold, Stanley, 1907)

domingo, 7 de agosto de 2022

Panorâmicas sobre o Campo Grande (actualizado)

Foi D. Maria I que, em 1792, começou por discutir o projecto de um jardim nos campos de Alvalade, com a finalidade de criar uma zona arborizada que incluísse um circuito para corridas de cavalos. Quase dez anos mais tarde, em 1801, é o seu filho, o príncipe regente D. João, que ordena a D. Rodrigo de Sousa Coutinho, Conde de Linhares, que planeie a execução dos jardins que vão do Campo Grande ao Campo Pequeno..
 
Campo Grande, antigo Campo 28 de Maio |c. 1934|
Do Palácio Valença-Vimioso e do Restaurante (churrasqueira) do Campo Grande (em baixo ao centro), do Palácio Pimenta (dir. baixa) e do Hipódromo, pelo luxuriante Jardim do Campo Grande e pela Avenida da República, até ao rio Tejo.
Pinheiro Correia, in Lisboa de Antigamente

Começou-se pela plantação de um extenso e variado arvoredo, ao estilo romântico, que inclui pinheiros, eucaliptos, amoreiras de papel, figueiras e pimenteiras. Em 1816, a conclusão da pista de corridas permite o início das corridas de cavalos.

Lago no Jardim do Campo Grande |190-|
Este lago, com a sua ilhota ao centro, com o seu pequeno botequim, com os barquinhos a remos, constituía uma diversão popular do alfacinha, que aos domingos alarga o seu passeio pelas avenidas novas, até a copada e extensa alameda, tão predilecta da alta aristocracia como das classes burguesas e trabalhadoras.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Para agradar às esposas e famílias dos amantes de cavalos, a construção do lago principal do Campo Grande arranca em 1869, durante o reinado de D. Luís I. Nascem os passeios românticos de barco a remos. A abertura de um botequim no meio do lago para venda de bebidas, em 1900, torna a zona ainda mais aprazível. Instalado numa ilha acessível apenas por uma ponte de madeira, o estabelecimento permitia relaxar bebendo refrescos, enquanto se discutia os assuntos do dia. Um cenário de lazer idílico para quem tinha tempo e dinheiro.

Campo Grande (S→N) |post. 1903|
Perspectiva tomada da Rotunda de Entrecampos) antiga Praça Mouzinho de Albuquerque).
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Corrida de automóveis e motos no Campo Grande

«Conheces, Dilecto, o Campo Grande; longe de ser um Parque moderno, atractivo, de configuração paisagista ajustada à sua extensão (1.200 metros de comprido por 200 de largo), é contudo dos mais aprazíveis locais de Lisboa, mal tratado sem dúvida, mas simpático assim mesmo.»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 65)

Campo Grande  [1933]
 Corrida de automóveis (categoria "Sport")
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Chamado anteriormente de Campo de Alvalade e depois Campo 28 de Maio, este sítio foi escolhido, durante séculos, para a edificação de solares nobres e algumas vezes destinado a concentração de tropas, como as que D. Sebastião levou para Alcácer Quibir. O arvoredo que transformou o Campo Grande num dos parques mais aprazíveis de Lisboa foi mandado plantar no reinado de D. Maria I.

Campo Grande (Entrecampos)  [c. 1910]
Corrida de automóveis organizada pela Fiat.
 Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Corridas de cavalos, de automóveis e motos, concursos de gado, constituíam alguns dos atractivos ao tempo da antiga Feira do Campo Grande, extinta cerca de 1932 aquando da sua transferência para o Lumiar.

Campo Grande  [1933]
 Corrida de motos; ao fundo observa-se o Palácio Valença-Vimioso
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Capela da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Campo Grande

O edifício remonta ao século XVIII, com reconstrução posterior ao terramoto de 1755. Existia aqui uma ermida dedicada a São Caetano dos Clérigos de Nossa Senhora da Divina Providência. No século XIX já pertencia aos irmãos da Ordem Terceira de S. Francisco que aqui tinham um hospício que deve ter sido encerrado em 1834. Actualmente, no edifício anexo à capela, funciona o Lar Santa Clara, fundado em 1936.

Capela da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Campo Grande |193-|
Campo Grande, 362
Também conhecida como Ermida do Santíssimo Coração de Maria do Campo Grande
Eduardo Portugal, i n Lisboa de Antigamente
Capela da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Campo Grande |1941| 
Campo Grande, 362
Também conhecida como Ermida do Santíssimo Coração de Maria do Campo Grande
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente


Bibliografia
forbis.pt.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Campo Grande, 376

Em 1838, nos edifícios da, agora, «Universidade Lusófona», é inaugurada a «Lusitânia», também conhecida por «Fábrica de Lanifícios do Campo Grande», criada por Aniceto Ventura Rodrigues.

A «Lusitânia», empresa de cardação, fiação, tecidos e acabamentos, nasce assim em plena revolução industrial. Em 1848 já era uma das maiores fábricas de Lisboa, precursora da mecanização na indústria de lanifícios em Portugal, possuía uma máquina a vapor de 24 cavalos, empregava mais de 150 funcionários e dava trabalho a mais de 450 operários fora da fábrica, o que a colocava entre as 50 maiores empresas do país, em número de trabalhadores. 
Desactivada na década de 1920. Nos anos 30 os edifícios foram convertidos em instalações militares. Em 1995-96, a Universidade Lusófona começa a leccionar no edifício
 
Feira de gado no antigo Campo 28 de Maio [c. 1914]
Igreja dos Santos Reis Mago
Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House
(local não identificado pelo fotógrafo)

A Feira-mercado do Campo Grande que, no século XIX, chegou a ser um acontecimento importante na vida de Lisboa, era, ao contrário da maior parte das outras feiras, de fundação relativamente recente, criada, por autorização camarária datada de 1778. A Feira do gado que lhe andava ligada realizava-se na faixa oriental, entre a Igreja dos Santos Reis Magos e a Fábrica de Tecidos Lusitânia. Nela eram transaccionados bois, cabras, cavalos, jumentos, carneiros e gado suíno. Foi transferida para o Lumiar em 1902, transitando depois para o Campo Pequeno, voltando novamente ao Campo Grande. Em 1932, foi de novo para o Lumiar até à data da sua extinção.

Feira de gado no antigo Campo 28 de Maio [c. 1914]
Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House
(local não identificado pelo fotógrafo)
Feira de gado no antigo Campo 28 de Maio [c. 1914]
Lusitânia», também conhecida por «Fábrica de Lanifícios do Campo Grande».
Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House
(local não identificado pelo fotógrafo)

domingo, 17 de janeiro de 2016

Campo Grande, 78, esquina da Avenida da Igreja, 65

Chamado anteriormente de Campo de Alvalade, Campo 28 de Maio anteriormente Rua Ocidental do Campo Grande, este sítio foi escolhido, durante séculos, para a edificação de solares nobres e algumas vezes destinado a concentração de tropas, como as que D. Sebastião levou para Alcácer Quibir. O arvoredo que transformou o Campo Grande num dos parques mais aprazíveis de Lisboa foi mandado plantar no reinado de D. Maria I.
Só na década de quarenta do século XX, por edital de 23/12/1948, (...) voltou a denominar-se como Campo Grande, designação que se manteve até à actualidade.[cm-lisboa.pt]

Campo Grande, 78, esquina da Avenida da Igreja, 65 [c. 1958]
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Avenida das Forças Armadas, 2 com Campo Grande, 1

Edifício de re rendimento de gosto Arte Nova na na então Avenida dos Estados Unidos da América [hoje Av. Forças Armadas, 2], com o Campo Grande.
Era a antiga Avenida Joaquim Larcher, antes Rua nº 6, antes Av. 28 de Maio, no troço a poente da Praça Mouzinho de Albuquerque, hoje Campo Grande, antes Campo 28 de Maio.

Avenida das Forças Armadas, 2 com Campo Grande, 1 |c. 1930|
Edifício do inciso do séc. XX no gaveto com a Avenida das Forças Armadas (antiga 28 de Maio denominação atribuída por edital de 23/12/1948, antes troço/prolongamento da Avenida dos Estados Unidos da América a poente da Praça Mouzinho de Albuquerque (Rotunda de Entrecampos). Demolido.
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

O 1º Edital de Toponímia da Câmara Municipal de Lisboa após o 25 de Abril, o Edital nº 161/74 de 30 de Dezembro de 1974, instituiu a Avenida das Forças Armadas em homenagem ao Movimento dos Capitães, ao MFA que despoletou o 25 de Abril de 1974.
[1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Campo Grande, 1 com a Av. das Forças Armadas, 2 |196-|
Edifício do inicio do séc. XX (já demolido) no gaveto com a Avenida das Forças
Armadas (antiga 28 de Maio)denominação atribuída por edital de 23/12/1948,
antes troço/prolongamento da Avenida dos Estados Unidos da América a poente
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

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