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terça-feira, 22 de setembro de 2015

O último chalet da Avenida Cinco de Outubro

Em 1908, o jornal «O Século» e a sua revista «Ilustração Portuguesa» — uma das publicações de maior tiragem da época — , além de outros brindes anuais distribuídos por meio de concurso, oferecia aos seus leitores a possibilidade de ganharem um magnífico chalet na Avenida António Maria de Avelar (hoje Av. Cinco de Outubro) construído com todas as condições do conforto «moderno».

Avenida Cinco de Outubro, 113A-113D |1937|
Gaveto com a Avenida Elias Garcia, 90-90A
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

A vasta equipa de detectives de «Lisboa de Antigamente» pôs-se em campo e foi investigar, conseguindo descobrir no arquivo fotografias que, embora não identificadas como sendo deste chalet, mostram a fase de construção do mesmo, assim como, a evolução da envolvente e do edificado ao longo dos anos nesta avenida.

Avenida Cinco de Outubro, 113A-113D |1908|
Gaveto com a Avenida Elias Garcia, 90-90A
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Avenida Cinco de Outubro, 113A-113D |1908|
Gaveto com a Avenida Elias Garcia, 90-90A
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Só não conseguimos identificar o nome do felizardo que alcançou tão fabuloso prémio. Lembramos que esta zona de Lisboa, muito afastada do centro da capital, era à época constituída maioritariamente por algumas fábricas (tijolo, panificação, etc.), casas rústicas. hortas e terras de semeadura, como aliás pode ser comprovado por fotografias de igual período e já aqui publicadas. Demolido em meados do século passado.

Avenida Cinco de Outubro, 113A-113D |post. 1909|
Gaveto com a Avenida Elias Garcia, 90-90A
Paulo Guedes,
in Lisboa de Antigamente

sábado, 20 de agosto de 2016

Mercado Geral de Gados

As acomodações deste mercado podem recolher 1000 bois, 2000 ovelhas, carneiros e cabras, 500 porcos e 200 cavalos.


Em 1888 é fundado — entre as actuais avenidas Cinco de Outubro e da República — o Mercado Geral de Gados. Foi construído por uma sociedade particular de José Maria Pereira de Lima e António Vitor Reis e Sousa, em acordo com a Câmara Municipal de Lisboa. O risco foi do arq.º Parente da Silva, e sofreu modificado pelo arq.º Machado Faria e Melo. Depois de desactivado em 1952, foi, implantado neste local o recinto da  Feira Popular.
 
Mercado Geral de Gados [c. 1950]
O Mercado Geral de Gados foi instalado nos terrenos existentes entre o Campo Pequeno e o Campo Grande [entre as avenidas Cinco de Outubro e da República], numa área de 200 metros de largura por 100 metros de comprimento.

Mário de Oliveira, , in Lisboa de Antigamente

Em 1888, a Câmara de Lisboa rectificou a concessão, que anteriormente fizera, para a construção e exploração de um mercado permanente de gado, constituindo-se a Companhia do Mercado Geral de Gados, para a venda e exposição de toda a qualidade de animais úteis à vida doméstica,devendo os introdutores de gado pagar determinadas quotas, por cabeça, e tendo-se estabelecido que todo o o gado destinado ao consumo da cidade recebesse naquele mercado o primeiro exame de sanidade.
O Mercado Geral de Gados foi instalado nos terrenos existentes entre o Campo Pequeno e o Campo Grande [entre as avenidas Cinco de Outubro e da República], numa área de 200 metros de largura por 100 metros de comprimento. Na frente principal, três largos portões de ferro, formados por pilares de cantaria, ligam para os lados com duas cortinas de grades, no limite das quais há outros dois portões. Seguem-se de cada lado dois pavilhões, de dois pavimentos, destinados a secretarias, e a eles se ligam outras duas construções só de pavimento térreo para abrigo do gado caprino, lanígero e ovídeo. Nos ângulos desta frente erguem-se dois frontispícios semelhantes à frontaria dos pavilhões.

Mercado Geral de Gados [Inicio séc XX]
Avenida da República, antiga Ressano Garcia
O edifício onde se concluem as transacções, denominado Bolsa, está no meio do Mercado, constando de dois octógonos, circunscrito e inscrito paralelamente, e coroado por grande cúpula com seu lanternim.

Paulo Guedes,
in Lisboa de Antigamente

Dos lados norte e sul são as abegoarias do gado bovino. Do lado ocidental fecham o mercado construções semelhantes à da frente principal, tendo ao centro uma grande cavalariça. O edifício onde se concluem as transacções, denominado Bolsa, está no meio do Mercado, constando de dois octógonos, circunscrito e inscrito paralelamente, e coroado por grande cúpula com seu lanternim; o octógono exterior tem um raio de 20 metros e o octógono interior um raio de 14 metros; a altura máxima desta construção é de 31 metros.

Mercado Geral de Gados [1944]
Avenida Cinco de Outubro; Ramal da linha de cintura para o Mercado Geral de Gados em Entrecampos;ao fundo, a actual Av. das Forças Armadas

Eduardo Portugal,
in Lisboa de Antigamente

 O espaço de 6 metros, que há entre os dois octógonos, é dividido em gabinetes para uso dos corretores ou negociantes de gado. Há ainda telheiros para exposições e uma enfermaria para tratamento dos animais que ali adoeçam.As acomodações deste mercado podem recolher 1000 bois, 2000 ovelhas, carneiros e cabras, 500 porcos e 200 cavalos. Pelo desenvolvimento que têm tomado os mercados de Lisboa se pode também aquilatar o aumento da sua população nos últimos cem anos. [1]

Mercado Geral de Gados [ant. 1952]
Gado pastando no recinto do Mercado Geral de Gados; ao fundo, a Avenida Cinco de Outubro.

Judah Benoliel,
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
1 MESQUITA, Alfredo, Lisboa: Perspectivas & Realidades, p. 583, 1903.

domingo, 11 de abril de 2021

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa

A Casa-Museu Anastácio Gonçalves (antiga casa-atelier de José Malhoa) situada na Avenida Cinco de Outubro, 6-8,  obteve o Prémio Valmor de 1905. Classificada Imóvel de Interesse Público pelo Dec. 28/82 de 26 de Fevereiro. Abre ao público em 1980.


Edifício projectado pelo arquitecto Norte Júnior em 1904, foi seu construtor Frederico Ribeiro, "o constructor da primeira casa de artista que fizesse em Lisboa". Dominado pela linguagem ecléctica em voga, sobressai, no entanto, o gosto pelo neo-românico. Edificada para residência e atelier do pintor José Malhoa, foi adquirida em 1932 pelo médico oftalmologista Dr. Anastácio Gonçalves (1889-1965), que a doou ao Estado, sendo mais tarde adaptada a casa-museu e recebendo obras de ampliação em 1996 sob projecto dos arquitectos Frederico e Pedro George, anexando uma moradia contígua também da autoria de Norte Júnior [vd. 2ª imagem]. 

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa, Prémio Valmor de 1905 [1905]
Para os autores da A Construção Moderna o edifício encontra-se “entre essas raras manifestações de arte que hão de servir de padrão de estimulo à Lisboa estética do futuro (...)”. [A Construção Moderna, ano VI, n.º 1, Fevereiro de 1905]
Avenida Cinco de Outubro com a Rua Pinheiro Chagas (esq.)
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Edifício com dois pisos e cave, sobressai o espaço correspondente ao ateliê, denunciado exteriormente por um janelão e uma clarabóia de iluminação zenital. Identificam-se três corpos: o central, avançando a fachada principal; sobre o lado esquerdo, um corpo recuado com escada e alpendre protegendo a porta de entrada; e, do lado direito, um núcleo praticamente autónomo pertencendo à zona da sala de jantar. Sublinhando a separação dos pisos, percorre o edifício um friso de azulejos em azul com elementos vegetalistas da autoria de Jorge Pinto, interpretações livres dos desenhos de Malhoa e António Ramalho, transpostos para pintura a fresco por Eloy Amaral. As esculturas das fachadas são de António Augusto Costa Mota.

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa, Prémio Valmor de 1905 [1908]
Moradia contígua à Casa-Museu Doutor Anastácio Gonçalves, também assinada por Norte Júnior, anexada ao edifício principal, em 1987; antiga Casa António Pinto da Fonseca Mota (1908). 
Rua Pinheiro Chagas, 2-6
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

O grande janelão de sacada, correspondente ao atelier, é encimado por frontão onde se exibe a inscrição «PRO ARTE». Sobressaem ainda dois vitrais na sala de jantar e na sala anexa ao atelier. Merece menção a serralharia artística com elementos arte nova, destacando-se o portão principal em forma de borboleta, com desenho do arquitecto e execução de Vicente Esteves.
As janelas que se abrem no vão do arco dessa fachada, com as pedras de peito das laterais de forma curva, sugerem que todo o conjunto está confinado a um círculo. O gradeamento das varandas, em ferro, segue a tendência Arte Nova.

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa, Prémio Valmor de 1905 [1908]
Núcleo praticamente autónomo, do lado direito,  pertencendo à zona da sala de jantar.
Avenida Cinco de Outubro, 6-8
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

N.B. A Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves é um espaço museológico da cidade de Lisboa onde se expõe o acervo reunido pelo médico coleccionador António Anastácio Gonçalves. O conjunto de cerca de 3.000 obras de arte compõe-se por três grandes núcleos: pintura portuguesa dos séculos XIX e XX, porcelana chinesa e mobiliário português e estrangeiro. Existem ainda importantes núcleos de ourivesaria civil e sacra, pintura europeia, escultura portuguesa, cerâmica europeia, têxteis, numismática, medalhística, vidros e relógios de bolso de fabrico suíço e francês. Para além das obras reunidas pelo coleccionador, a Casa-Museu encerra ainda um significativo espólio documental e um conjunto de desenhos, aguarelas e pequenos artefactos pertencentes ao espólio do pintor Silva Porto.

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa, Prémio Valmor de 1905 [191-]
Foi descrita em 1909 como uma “(...) casa artística, o ninho feliz de um grande e genial artista. (...) Quer se analyse em conjuncto, quer em detalhe, a casa do sr. Malhôa é uma casa artística em toda a accepção da palavra, e, considerada irreprehensível sob todos os pontos de vista”. [A Arquitectura Portuguesa, Lisboa, Fevereiro de 1909]
Avenida Cinco de Outubro com a Rua Pinheiro Chagas vendo-se a moradia contígua erguida em 1908 (esq.)
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ALMEIDA, Álvaro Duarte de, Portugal património: Lisboa, 2007.
ACCIAIUOLI, Margarida, Casas com escritos: uma história de habitação em Lisboa, 2015.

domingo, 28 de janeiro de 2024

Avenida da República: antigo Viaduto de Entrecampos

Segundo afirma Norberto de Araújo («Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 63-64») «A linha férrea foi aqui assente em 1890, e inaugurada a 11 de Junho; este viaduto e o da Avenida Cinco de Outubro, são posteriores, e do nosso século. Devo dizer-te, porém, que já em 1873 (inaugurada em 1 de Outubro), corria aqui uma linha pelo sistema Larmanjat, que pouco tempo durou.»

Avenida da República |1934-04-19|
Antigo Viaduto de Entrecampos, lado N.; em cima, à esquerda, um apeadeiro(?) do lado do Campo Pequeno; à direita, o edifício da Avenida da República, 97-97C.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Avenida da República sob Linha Férrea de Cintura de Lisboa junto à Rua de Entrecampos |1926-06-17|
Ao fundo nota-se a antiga Estação ferroviário e a passagem de nível de Entrecampos.  Até 1950, do lado do Campo Pequeno e da Avenida Cinco de Outubro [vd. última imagem], o trânsito automóvel e pedonal, processava-se através de pequenos túneis sob a Avenida da República.
Legenda no arquivo: «As estações de caminhos-de-ferro tomadas militarmente durante o Golpe de Estado de 1926»
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Assim, em 17 de Novembro de 1950, foi inaugurada a passagem inferior da Av. da República, depois de removidas as terras do antigo aterro ferroviário, resolvendo deste modo um problema que se arrastava desde a construção da Av. Ressano Garcia (hoje Av. República) no início do século XX.
 
Avenida da República,  lado S. |1944-04|
Túneis sob o antigo Viaduto de Entrecampos.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Avenida Cinco de Outubro,  lado S.  junto ao Mercado Geral de Gados depois Feira Popular |1944-04|
Túnel sob o antigo Viaduto de Entrecampos. Á dir. nota.se a torre da Igreja de N. S. de Fátima sita na Av. de Berna.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Avenida Cinco de Outubro

Cinco de Outubro, data da implantação da República no ano de 1910, foi fixada pela edilidade lisboeta logo no seu primeiro Edital de toponímia, um mês após a implantação da República, em 5 de Novembro de 1910.
Até aí esta artéria designava-se Rua António Maria de Avelar, por deliberação camarária de 12 de Agosto de 1897, tendo passado a Avenida, por deliberação camarária de 4 de Dezembro de 1902, homenageando um engenheiro (1854–1912) e funcionário da Câmara de Lisboa desde 1879, ligado ao plano das Avenidas Novas já que substituiu por longos períodos o director-geral das Obras Municipais, Ressano Garcia. A proposta para ser alterada para Avenida Cinco de Outubro partiu do vereador Nunes Loureiro na reunião de câmara de 6 de Outubro de 1910 e foi aprovada por aclamação. [cm-lisboa]

Avenida Cinco de Outubro, 81 |1955-06-28|
Esquina com a Av. Miguel Bombarda. O prédio mais alto, ao fundo, com o número de policia 63, no gaveto com a Av. João Crisóstomo, ainda lá está. 
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): mais uma imagem erradamente catalogada no abandalhado aml como «Avenida Conde de Valbom»

domingo, 13 de dezembro de 2020

Avenida Cinco de Outubro, 9-11

Edifício do séc. XX exibindo azulejos de desenho Arte Nova com motivos florais em policromia, tendo ao centro figura de mulher com estrela por cima da cabeça. Painéis com 9 azulejos na máxima altura que decoram o nível das entradas do edifício.
Neste edifício está instalado o "Hotel Zenit Lisboa"

Avenida Cinco de Outubro [post. 1930]
Prédio que torneja a Rua Pinheiro Chagas 
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Cinco de Outubro, data da implantação da República no ano de 1910, foi fixada pela edilidade lisboeta logo no seu primeiro Edital de toponímia, um mês após a implantação da República, em 5 de Novembro de 1910.
Até aí esta artéria designava-se Rua António Maria de Avelar, por deliberação camarária de 12 de Agosto de 1897, tendo passado a Avenida, por deliberação camarária de 4 de Dezembro de 1902, homenageando um engenheiro (1854–27.10.1912) e funcionário da Câmara de Lisboa desde 1879, ligado ao plano das Avenidas Novas já que substituiu por longos períodos o director-geral das Obras Municipais, Ressano Garcia. A proposta para ser alterada para Avenida Cinco de Outubro partiu do vereador Nunes Loureiro na reunião de câmara de 6 de Outubro de 1910 e foi aprovada por aclamação. [cm-lisboa.pt]

domingo, 23 de novembro de 2025

Avenida da República: viadutos ferroviários de Entrecampos (actualizado)

A Avenida — que em linha recta, é de 1.509 metros — é uma avenida moderna, macadamizada. Havia uma grande dificuldade a vencer — diz Pimentel na sua Lisboa — , quasi a meio trajecto dessa avenida, e que era a passagem de nível para a linha em frente do Mercado Geral de Gados, mas para essa faz-se um desvio, constrói-se um viaduto correspondente, e está vencida a dificuldade. O caminho de ferro de cintura virá a passar do lado da estrada de Entre Campos, onde actualmente passa; daí em diante é que começa a operar-se o desvio, cortando a linha a Avenida Ressano Garcia [hoje Av. da República] em terrenos que pertencem ainda ao Mercado Geral, em seguida esses terrenos, e logo depois a Avenida António Maria d'Avellar [hoje Av. Cinco de Outubro]. (Lisboa, Por Alberto Pimentel, 1903, p. 507)

Avenida da República |195-|
Viaduto ferroviário de Entrecampos inaugurado a 17 Novembro de 1950; Rua Visconde de Seabra.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. O topónimo Rua Visconde de Seabra perpetua na toponímia de Lisboa o nome de António Luís de Seabra (1798-1895), 1º visconde de Seabra, com título atribuído em 25 de Abril de 1865, responsável pela organização do projecto de Código Civil que foi promulgado por Carta de Lei em 1 de Julho de 1867.
Formado em 1820, a sua carreira desenvolveu-se como deputado, membro da Câmara dos Pares, Ministro da Justiça (1852 e 1868), reitor da Universidade de Coimbra (1866-68) e juiz do Supremo Tribunal de Justiça. [cm-lisboa]

Viaduto ferroviário de Entrecampos, lado N. |1944|
 Em cima à esq., o antigo apeadeiro ferroviária; à dir. nota-se o edifício na Avenida da República, 97.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Em 1956, dá-se uma alteração no esquema de circulação da Avenida da República. Em 1968/1969 novo desenho de circulação automóvel é introduzido na Avenida da República, devido ao aumento do tráfego automóvel, reprojectando-se um novo viaduto ferroviário para Entrecampos.

Viaduto ferroviário de Entrecampos, lado S. |1968|
Até 1970, do lado do Campo Pequeno e da Avenida Cinco de Outubro, o trânsito automóvel e pedonal, processava-se através de pequenos túneis sob a Avenida da República. Esta situação altera-se radicalmente com a construção de um novo tabuleiro ferroviário.
Artur Inácio Bastos, in Lisboa de Antigamente
Viaduto ferroviário de Entrecampos, lado N. |1967|
Ao fundo nota-se a fachada lateral do edifício com os nºˢ de polícia 207-215 da Avenida 5 de Outubro, (2º prédio) que foi  Prémio Valmor de 1929, junto à actual R. Ivone Silva (1988).
João Brito Geraldes, in Lisboa de Antigamente

domingo, 29 de janeiro de 2023

Rua das Picoas com a Avenida Cinco de Outubro

De acordo com Norberto de Araújo «Os serviços dos Correios e Telégrafos — hoje [em 1939] já espalhados por S. José, Restauradores e Picôas, e com inúmeros postos e estações em várias áreas da Cidade — foram instalados no edifício do Terreiro do Paço, contiguo ao do Arsenal, em 1 de Março de 1881.

Rua das Picoas e Avenida Cinco de Outubro |1928|
O sítio das Picoas que já surge referido nas «Memórias Paroquiais de Lisboa» de 1758,
derivou do nome de uma quinta do Morgado; ao fundo à dir. nota-se a ermida das Picoas já demolida.
Fotógrafo: não identificado, in Lisboa de Antigamente

Os serviços dos Correios, que desde D. Manuel constituíam ofício privado do «Correio Mor», cargo que principiando em Luiz Homem (1520) coube mais tarde a Luiz Gomes da Mata, e deste a seus descendentes (depois Condes de Penafiel) — passaram para a administração directa do Estado em 1797, transitando então do Palácio do Correio Velho (às Pedras Negras) para uma casa no sitio da Boa Morte [à Estrela], de onde logo saíram para se instalarem no Palácio dos Condes de Olhão, aos Paulistas (o Correio Geral) no Palácio dos Condes de Olhão, aos Paulistas (o Correio Geral). Dali vieram para o Terreiro do Paço.==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 18; XIV p.80, 1939) 

Rua das Picoas e Avenida Cinco de Outubro |c. 1934|
A Ermida, do orago de N. Senhora de Lourdes, foi primeiramente de Santo António, antes de ser ampliada. Ostentava azulejos relativos à vida do Santo português, e vitrais alusivos ao actual orago; a imagem de N. Senhora de Lourdes é feitura do escultor Anjos Teixeira.
Neste prédio de gaveto foi instalada, em 1926, a Estação de Correios e Telégrafos Lisboa-Norte (C.T.F. Correios Telégrafos e Faróis).
Fotógrafo: não identificado, in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Avenidas João Crisóstomo e Cinco de Outubro

A Rua João Crisóstomo, que na República passou a Avenida, homenageia João Crisóstomo de Abreu e Sousa (1811-1893) que foi general da arma de engenharia, político e par do Reino, Ministro das Obras Públicas (1864-65) integrante do elenco do Duque de Loulé, período em que reformou o ensino da engenharia civil e, Ministro da Guerra (1879) no ministério de Anselmo Braancamp.

Avenidas João Crisóstomo (para nascente) e Cinco de Outubro [c. 1908]
Palacete do Comendador Evaristo Lopes Guimarães
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

 Até 1910, a Avenida Cinco de Outubro designava-se Rua António Maria de Avelar, tendo passado a Avenida, por deliberação camarária de 4 de Dezembro de 1902. O homenageando era um engenheiro (1854–1912) e funcionário da Câmara de Lisboa desde 1879, ligado ao plano das Avenidas Novas já que substituiu por longos períodos o director-geral das Obras Municipais, Ressano Garcia. [cm-lisboa.pt]

Avenidas João Crisóstomo (esq) e Cinco de Outubro, 69-75 [c. 1908]
Ao fundo, a Rua Marquês Sá da Bandeira e o muro do Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, antigo Parque de Santa Gertrudes de José Maria Eugénio de Almeida.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Maternidade Alfredo Costa

Merece-nos uma referência a Maternidade Dr. Alfredo Costa, instituição pública de beneficência, cujos serviços são relevantes.


A iniciativa da construção desta Maternidade vem de 1908. Só em 1914 se nomeou uma comissão para fazer erguer o edificio, que teria o nome do grande médico, professor de obstectricia, Dr. Alfredo da Costa, sendo votada a verba de 250 contos. A guerra obrigou a suspender a obra. Mais tarde, por um donativo de 1.500 contos feito pelo benemérito Pais Rovisco, e, seguidamente, com uma dotação especial de 3.600 contos estabelecida pelo Ministro das Finanças, Dr. Oliveira Salazar, foi possivel concluir o grande edificio, com quatro corpos e três pavimentos, cuja entrada principal assenta na Avenida Cinco de Outubro, confluência das Ruas Pinheiro Chagas e Viriato.
A inauguração desta Matemidade realizou-se em 31 de Maio de 1932. Foi primeiro Director desta instituição o Dr. Augusto Monjardino.

Maternidade Alfredo Costa [1967]
Panorâmica tirada do antigo Aviz Hotel  vendo-se a Maternidade Dr. Alfredo da Costa e a Avenida Cinco de Outubro,
Ruas Viriato e Latino Coelho
João Brito Geraldes, in Lisboa de Antigamente

Em frente da Maternidade, numa pequena praça cu eirado triangular da Avenida Cinco de Outubro, se projectou erguer um monumento a António José da Silva, «o Judeu», escritor de comédias do século XVIIl, e que a Inquisição queimou em 1739; a idéia não prosseguiu e não vemos que se pretenda renová-la.

Maternidade Alfredo Costa [1931] 
Rua Pinheiro Chagas com a Rua Viriato
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p.81, 1939.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Avenida da República, 65 no cruzamento com a Avenida Barbosa du Bocage, 59

Este grande xadrez regular das chamadas Avenidas Novas — edificações modernas com alguns palacetes de formoso aspecto — é delimitado pela Avenida Duque de Ávila, a sul, antiga Rua do Arco do Cego, a oriente, a linha férrea da Cintura, a norte, e a Avenida Marquês de Sá da Bandeira, a poente, ainda que as avenidas principais de orientação Norte-Sul — Cinco de Outubro e República — ultrapassem, em prolongamento, estes limites teóricos.

Avenida da República, 65 no cruzamento com a Avenida Barbosa du Bocage, 59 |1969|
Palacete construído na viragem do século XIX demolido em 1970.
Nas Avenidas Novas nasceu a Rua Barbosa du Bocage, por Edital de 11/12/1902, na via pública entre as Avenidas Marquês de Tomar e Rua do Arco do Cego. Passados quase 23 anos, o Edital de 08/06/1925 mudou a classificação da artéria para Avenida.
Nuno Roque da Silveira, in Lisboa de Antigamente


Não deixa de ser curioso designá-las, anotando que a urbanização desta área se está fazendo desde há trinta anos, sistematicamente, cada lustro com seu avanço, quási sem nós darmos por isso. 

Avenida da República, 65 no cruzamento com a Avenida Barbosa du Bocage, 59 |1969|
Palacete construído na viragem do século XIX demolido em 1970.
Nuno Roque da Silveira, in Lisboa de Antigamente

No sentido Norte-Sul correm as Avenidas de Sá da Bandeira (que não passa do Largo do Rego), Marquês de Tomar, Cinco de Outubro, da República (esta a artéria mater), dos Defensores de Chaves, e a Rua do Arco do Cego, que se chamará Avenida D. Filipa de Vilhena (parte dela). Transversalmente correm as Avenidas Duque de Ávila, João Crisóstomo, Miguel Bombarda, Visconde de Valmor, Elias Garcia, Barbosa du Bocage, Berna e António Serpa. [Araújo, XIV, 1939]

Avenida Barbosa du Bocage, 59 no cruzamento com a Avenida da República, 65  |1969|
Palacete construído na viragem do século XIX demolido em 1970.
Nuno Roque da Silveira, in Lisboa de Antigamente

domingo, 21 de abril de 2024

Hotel Aviz (Palacete Silva Graça)

Já agora, anotemos o luxuoso Hotel Aviz, que se contém no quarteirão que segue para Sul — sugere o ilustre Norberto de Araújo.

Foi aqui o palacete que o director de «O Século», José Joaquim da Silva Graça, fez levantar em 1904 (desenhado para habitação pelo arq.º Ventura Terra), para sua moradia particular. Em 1919 José Rugeroni, genro de Silva Graça, adquiriu este palacete ao mesmo tempo que comprava «O Século»; em 1931 decidiu José Rugeroni converter o palacete, com seus jardins e anexos, num hotel de luxo.
O edifício foi então radicalmente transformado, segundo a orientação do seu proprietário, com o qual colaborou o arquitecto Vasco Regaleira. 
O Hotel, cujo levantamento só foi possível com o auxilio financeiro da Caixa Geral de Depósitos, foi inaugurado em 24 de Outubro de 1933.


Hotel Aviz (Palacete Silva Graça) |c. 1960|
Av. Cinco de Outubro com a Av. Fontes Pereira de Melo
Na fachada destaque para a enorme águia de asas abertas.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
Hotel Aviz (Palacete Silva Graça) |c. 1960|
 O palacete do antigo jornalista Silva Graça situava-se entre as ruas de Tomás Ribeiro,
Viriato, Latino Coelho e Avenida de Fontes Pereira de Melo.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

O Hotel está recamado de arte na construção e decoração de sentido histórico no seu ambiente; é possível que pareça pretensioso, mas resultou bem o risco, até pela solução de vários problemas, nos quais a intenção e o bom gosto se poderiam chocar.

Um «hall» vistoso introduz num salão «Renascença» — grande vestíbulo — no qual se vê, à direita, um fogão, tipo de lareira portuguesa, com ricas colunas de madeira lavrada, peça que adveio da Vila de Santo António, à Junqueira, que pertenceu aos Burnays; sobre ele se colocou um brasão da Casa de Aviz. Do lado oposta vê-se um belo armário « Renascença», exemplar seiscentista que estava no Convento das Trinas; anota aquela formosa porta monumental ao fundo, e a balaustrada de ferrageria portuguesa antiga, peça que pertenceu à capela do Convento de Sacavém. Evidentemente todos estes exemplares beneficiaram de restauro. As sobreportas ostentam as armas e as divisas dos infantes da Ínclita Geração.

Hotel Aviz (Palacete Silva Graça) |c. 1960|
 Vestíbulo no qual se vê, à direita, um fogão, tipo de lareira portuguesa e balaustrada de ferrageria portuguesa antiga.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
Hotel Aviz (Palacete Silva Graça) |c. 1960|
 Salão «Renascença».
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

A Sala de Leitura, com mobiliário de estilo alentejanos, o «bar», no qual se notam baixos relevos históricos de Diogo de Macedo, e um sentido original no mobiliário, os terraços decorados com azulejos de tipo hispano- -árabe - definem já o « carácter e a fisionomia do Hotel.
As dependências e quartos, no primeiro pavimento, designam-se por «Suites», ou melhor — por correntezas — , que tomaram os nomes dos reis e príncipes da Casa de Aviz: D. João I, D. Filipa de Lencastre, D. Duarte, D. Pedro «Regente», Infante D. Henrique, Infante Santo e Infante D. João. As guarnições interiores dos aposentos são ricas, como arte aplicada. 
A Sala de Jantar situa-se no primeiro pavimento, abrindo dos jardins; há que destacar nela um grande painel de azulejos (Leopoldo Batistini) que reproduz uma das tapeçarias portuguesas de Pastraña (Espanha), além de outras decorações artísticas, de sentido histórico e etnográfico.
 
Como viste, o Hotel Aviz não está mal; este, e o Palace do Bussaco, constituem os dois únicos espécimes de hotel de luxo em Portugal.¹

Palacete Silva Graça depois Hotel Aviz  |c. 1905|
Perspectiva tirada do cruzamento da Av. Cinco de Outubro com a Rua Pinheiro Chagas na direcção da Av. Fontes Pereira de Melo. Do lado esq. nota-se o muro da Casa-Museu Doutor Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Palacete Silva Graça depois Hotel Aviz |c. 1908|
Perspectiva sobre os jardins do Palacete Silva Graça vendo-se a Av. Cinco de Outubro à dir. e a Rua Viriato à à esq...
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. O quarto número 72, com uma casa de banho extraordinária, ficou conhecido pelo Quarto Eva Perón; noutras épocas recebeu também Cecil B. DeMille. Além destes, passaram por lá Mastroianni, Sinatra, Ava Gardner, Maria Callas e outros. Calouste Gulbenkian viveu e morreu neste Hotel.
Durante a Grande Guerra também espiões alemães foram frequentemente instalados no Aviz, como o famoso Dusko Popov, e membros de famílias reais, como Humberto II de Itália, o futuro rei Juan Carlos de Espanha e o ex-rei da Roménia, Carol. Este último tinha abdicado do trono romeno sob pressão alemã, em 1940. Como estava sempre a ser seguido por membros da Gestapo durante a sua estadia no Aviz, nunca deixou o hotel antes de se mudar para a Casa Mar e Sol, no Estoril.
O Hotel Aviz foi também o local do lendário jantar do duque de Windsor − antigo rei Eduardo VIII de Inglaterra − e da sua esposa Wallis Simpson. O jantar teve lugar a 30 de Julho de 1940, no dia anterior à sua partida a bordo do Excalibur para as Bahamas, onde lhe foi atribuído o cargo de governador por Winston Churchill. Os serviços secretos alemães planeavam raptar o duque, que simpatizava fortemente com a Alemanha nazi, nessa mesma noite. Mas os serviços secretos britânicos descobriram a Operação Willi e a trama nazi falhou.²
Demolido em 1962 erguem.se no seu lugar o “Edifício Aviz e o “Hotel Sheraton”.
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Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 81-82, 1939.
² LANGENS, Joke, Lisboa em 10 Histórias, 2022.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Viaduto ferroviário de Entrecampos

Até 1970 — a inauguração do novo viaduto ferroviário de Entrecampos deu-se a 17 Novembro de 1950 — o trânsito automóvel e pedonal na Avenida da República, processava-se através de pequenos túneis sob a Linha Férrea de Cintura de Lisboa. 

Obras no Viaduto ferroviário de Entrecampos [1950]
Avista-se o Mercado Geral de Gados datado de 1888 com risco do arquitecto Parente da Silva.

 Firmino Marques da Costa,
in Lisboa de Antigamente

Segundo afirma Norberto de Araújo («Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 63-64») «A linha férrea foi aqui assente em 1890, e inaugurada a 11 de Junho; este viaduto e o da Avenida Cinco de Outubro, são posteriores, e do nosso século. Devo dizer-te, porém, que já em 1873 (inaugurada em 1 de Outubro), corria aqui uma linha pelo sistema Larmanjat, que pouco tempo durou.»

Viaduto ferroviário de Entrecampos [1950]
Avenida da República
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Assim, em 17 de Novembro de 1950, foi inaugurada a passagem inferior da Av. da República, depois de removidas as terras do antigo aterro ferroviário, resolvendo deste modo um problema que se arrastava desde a construção da Av. Ressano Garcia (hoje Av. República) no início do século XX.
As principais remodelações do Viaduto de Entrecampos sobre a Avenida da República datam do período do Estado Novo (1944) e da década de setenta (1970) que se ligam directamente às necessidades de maior fluidez do tráfego automóvel na Avenida da República.

Viaduto ferroviário de Entrecampos [1973]
Avenida da República
Novo tabuleiro da autoria do engº. Edgar Cardoso.

Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

O Larmanjat — de que fala Norberto Araújo — era um sistema de caminho de ferro monocarril, idealizado pelo francês J. Larmanjat, composto por um carril central ladeado de duas passadeiras de madeira.  A locomotiva, a vapor, e as carruagens tinham rodas centrais, que rodavam pelo carril, e rodas laterais que rodavam pela passadeira.
Explorada pela companhia inglesa «Companhia dos Tramways a Vapor», foi inaugurada a 4 de Setembro de 1873 a ligação Lisboa - Torres Vedras. Esta linha tinha as seguintes estações: Lisboa, Campo Pequeno, Lumias, Nova Cintra, Santo Adrião, Loures, Pinheiro de Loures, Lousa, Venda do Pinheiro, Malveira, Vila Franca do Rosário, Barras, Freixofeira, Turcifal e Torres Vedras.
Uma passagem entre Lisboa e Torres Vedras custava 900 réis em 1ª classe e 700 réis em 3ª classe, não havendo 2ª classe.

PARIS-TROCADERO-CH. FER ESSAI SYSTEM LARMANJAT-1871

A primeira viagem efectuada demorou 4h e 20m, tempo esse que representava um autentico 'record' se comparado com o tempo normal de uma viagem de diligência que rondava as 6h. No entanto este novo meio de transporte inaugurou um novo tipo de acidente: o descarrilamento. Este facto, que tudo indica seria frequente, aliado a sucessivas avarias mecânicas, fazia, com frequência, dilatar o tempo alcançado pela viagem inaugural e tornar a viagem de diligencia mais segura e, por vezes, mais rápida.
Este meio de transporte foi abandonado em 1877 por falência da empresa que o explorava.
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