A apresentar mensagens correspondentes à consulta Rato ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta Rato ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens

domingo, 4 de outubro de 2026

Escola Politécnica — Casa do Novlclado, Colégio dos Nobres Faculdade de Ciências e Jardim Botânico


Estamos diante de um edifício e estabelecimento de ensino superior do qual derivou o nome a esta artéria . 
A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa — recorda Norberto de Araújo — sucedeu à Escola Politécnica como esta substituiu o Colégio dos Nobres, instalado na Casa que fôra do Noviciado da Companhia de Jesus. Só meia dúzia de notícias.
A primeira Casa do Noviciado da Companhia de Jesus existiu Casa do Noviciado em Campolide, numa desaparecida quinta que se situava abaixo da actual Penitenciária, a poente do Parque [Eduardo VII] de hoje; datava de 1595. 
Dois anos depois Fernão Teles de Menezes fez doação aos Padres da Companhia de uns terrenos neste sítio da Cotovia, e que eram da sua Quinta do Monte Olivete. A primeira pedra do edifício do Noviciado foi lançada em 26 de Abril de 1603; concluída em 1616 a Casa, do risco de Baltazar Álvares, entraram os primeiros noviços em 1619. 
A casa do Noviciado, relativamente pequena, possuía uma cerca enormíssima, que ia até ao Rato e ao fundo do Salitre. 

Escola Politécnica |c. 1945|
Rua da Escola Politécnica, 56 (vista para o nascente); Museu Nacional de História Natural.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A Companhia de Jesus foi extinta em 1759, e logo em 7 de Março de 1761 era criado o Real Colégio dos Nobres, inaugurado em 19 de Março de 1766 pelo Rei D. José, família real e Cardeal Saldanha. O Terramoto fez estragos no edifício, que foi reparado poucos anos depois. 
Em 10 de Janeiro de 1837 foi abolido o Colégio dos Nobres, e no dia seguinte criada a Escola Politécnica dependente do Ministério da Guerra, que foi instalada no velho edifício do Colégio dos Nobres, bem como a Escola do Exército.
Em 22 de Abril de 1843 um incêndio devorou em poucas horas a Escola Politécnica, ficando de pé apenas as paredes. 
Pensou-se logo em levantar um novo edifício, para o que se venderam bens que haviam pertencido ao Colégio dos Nobres e se contraíram empréstimos, funcionando entretanto a Escola Politécnica em instalações provisórias junto do prédio ardido. 
O risco do novo edifício foi do general Silva Costa e do professor Pezarat. O edifício é este que está à vista, e cujas colunas monolíticas pertenceram ao Convento de S. Francisco da Cidade (hoje Faculdade de Belas-Artes de Lisboa) destruído pelo Terramoto. Só em 1878 as obras se concluíram, mas a Escola, que perdera o carácter militar restrito em 1859, funcionava já.

Escola Politécnica |c. 1945]
Rua da Escola Politécnica, 56 (vista para o pente); entrada de acesso para o Jardim Botânico.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Quando foi criada a Universidade de Lisboa (Março de 1911) a designação de Escola Politécnica desapareceu, passando o estabelecimento a constituir a Faculdade de Ciências de Lisboa, com jardim e institutos anexos. O Jardim Botânico, um dos raros parques naturais dentro da Cidade, foi começado a plantar em 1873, por iniciativa dos professores Conde de Ficalho e Andrade Corvo, e sucedeu ao da Ajuda (1877); ocupa a encosta que desce a norte. Divide-se em duas partes, separadas por uma vistosa escadaria . É considerado por botânicos estrangeiros como uma das maravilhas do sul da Europa. São notabilíssimas as suas espécies, entre elas as palmeiras, na «Rua das Palmeiras», plantada em 1880, de cactus, de cedros, de araucárias, de chorões e bem assim as colecções de plantas de todas as partes do mundo. As estufas e os viveiros constituem uma atracção científica deste jardim. 


Jardim Botânico |1911|
Observatório Astronómico
O chorão, sobre o tanque grande
Joshua Benoliel. in LdA

Jardim Botânico |ant. 1945|
Pormenor da Estufa notando.se ao fundo o
Observatório Meteorológico Infante D. Luís
Estúdio Mário Novais., in LdA



O Observatório Meteorológico, intitulado do Infante D. Luiz, data de 1863, ficando-lhe anexo um Observatório Astronómico, de fundação de Mariano de Carvalho. Uma das instituições mais consideradas da Faculdade de Ciências é o Museu «de Barbosa du Bocage», de História natural, transferido para esta Escola Politécnica da Academia das Ciências em 1858, no qual há magníficas colecções de peixes, de crustáceos, de répteis, de aves, de insectos (em número de 50.000), de conchas, etc. São notáveis alguns dos grandes mamíferos e peixes expostos. As instalações científicas e. jardins de Faculdade de Ciências merecem demorada visita, que te recomendo quando vieres só, e não tiveres tanto a jornadear.

Escola Politécnica |c. 1907]
Rua da Escola Politécnica
Lago construído na sequência da abertura do túnel do Rossio.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 27-28, 1939.

domingo, 12 de julho de 2026

Rua Cidade de Manchester

Há em Lisboa o bairro dos Açores, o das Colónias [vd. ultimq imagem dir.], e, passeando dentro da cidade por longes terras da estranja, o de Inglaterra com as ruas de Manchester, Liverpool, Cardiff, etc., recantos da Suíça, na Avenida de Berna, evocações da América na Praça do Chile, na Rua de Buenos Aires, na Praça do Brasil [actual Largo do Rato] e na do Rio de Janeiro [actual Principe Real]. [Ocidente: 1939]


O topónimo Cidade de Manchester foi atribuído juntamente com os topónimos Cidade de Liverpool, Cidade de Cardiff, Poeta Milton e Newton, por edital de 29 de Agosto de 1916. Na sessão de 17 do mesmo mês, a câmara havia inicialmente homenageado Lord Byron, substituído no edital por Isaac Newton. Este conjunto de arruamentos ficou conhecido como Bairro de Inglaterra. Eram arruamentos particulares que formavam o Bairro de Braz Simões, denominado em homenagem ao seu proprietário, José Braz Simões de Sousa, um grande comerciante de Lisboa, que o entregou à C.M.L. por escritura em 13 de Outubro de 1913.

Rua Cidade de Manchester |1966-03|
Antiga Rua Isabel Leal do Bairro de Inglaterra ou de Braz Simões. 
O Bairro de Inglaterra foi construído depois do Bairro Andrade e antes do Bairro das Colónias, e abrange as abrange as encostas da Penha.
Escadinhas na esquina com a Rua Cidade de Cardiff, observando-se em cima a Rua da Penha de França.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Curiosamente, à semelhança do que aconteceu no Bairro Andrade, Braz Simões deu aos arruamentos nomes de familiares ou amigos. Assim, a Rua Cidade de Manchester chamava-se anteriormente Rua Isabel Leal, a Rua Cidade de Liverpool era a Rua José de Sousa, a Rua Cidade de Cardiff [vd. 1ª imagem] correspondia à Rua Maria Gouveia, a Rua Lord Byron (mais tarde Rua Newton) era a Rua Aurora e, por fim, a Rua Poeta Milton era a Rua Margarida.
[1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Rua Cidade de Manchester, 9 |1964|
Notam-se as Ruas Ilha do Príncipe e Poeta Mílton dir.
Augusto Fernandes, in Lisboa de Antigamente
Rua Cidade de Manchester [c. 1945]
Vista tomada da R. da Ilha do Príncipe
Fernando M. Pozal, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Rua da Escola Politécnica, 51-55: «Casa das Tesouras»

De acordo com o olisipógrafo Matos Sequeira — reportando-se a uma noticia de um jornal daquela época — terá sido por volta de 1858 que foi construído o edifício dito «das onze portas» (risco do arquitecto Pezerat), dez das quais ficam no lado direito desta rua e uma na Rua do Monte Olivete.
Nele se instalou por volta de 1890, uma famosa alfaiataria de homens, de seu nome «Casa das Tesouras», de José Clemente e que forneceu Lisboa, até aos anos trinta do séc. XX, de capotes, sobretudos,  gabões e fatos de homem. Encerrou em 1935.
(Claus-Günter Frank, Lisboa: À descoberta da metrópole portuguesa, 2019)

Rua da Escola Politécnica, 51-55 |1922-05-03|
«Casa das Tesouras»: Moderníssimo prêt-à-porter do séc. XIX.
Nos baixos deste enorme prédio de dez vãos, fica(va) a Farmácia Albano e a Leitaria Camélia de Ouro. 
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Esta artéria –  refere Mestre Norberto de Araújo, a quem vamos sempre seguindo –  , rasgada como larga serventia entre as quintas do Noviciado da Companhia de Jesus e a de D. Rodrigo, fazia a ligação do sítio da Cotovia com o de Campolide, que começava — onde veio a ser o Rato. Antes do Terramoto a rua tinha duas designações para cada um dos seus troços: Rua Direita da Fábrica das Sedas até ao Palácio dos Soares (depois Imprensa Nacional), daí para diante até à actual Praça do Rio de Janeiro [desde 1948 corresponde à Praça do Príncipe Real] era Rua do Colégio dos Nobres, designação que sucedeu à de Rua Direita da Cotovia. Em Setembro de 1859 passou toda a artéria a ser Rua da Escola Politécnica. [Araújo: 1939]

A mágica da «Casa das Tesouras», publicidade

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Cinema Vox

O Cinema Vox foi recebido com referências lisonjeiras ao seu «espaço confortável, elegante e de óptimo aspecto» com uma sala com capacidade para 604 espectadores, que se distribuíam pelas cadeiras e poltronas estofadas, com acessos alcatifados.

O Cinema Vox foi inaugurado a 16 de Abril de 1969 com o filme "Jogos Perigosos", com Simone Signoret e James Caan. De fachada elegante (projecto dos arquitectos Aníbal Barros da Fonseca e Eduardo Paiva Lopes), situava-se na Rua Bulhão Pato, logo a seguir ao Teatro Maria Matos. Tinha uma sala com capacidade para 604 espectadores e estava apetrechado com um dos mais modernos sistemas de projecção da altura, que inclusive possibilitava a visão dos filmes em 70 mm e 6 bandas estereofónicas. A sala era em tom verde-escuro, a contrastar com as poltronas, que eram em amarelo-torrado. Tinha um foyer bastante comprido (com as paredes revestidas de madeira de excelente efeito), incluindo um piso inferior, onde funcionava o bar. 

Cinema Vox |1977|
Rua Bulhão Pato (até 1955 era a Rua 51 do Sítio de Alvalade).
Vasques, in Lisboa de Antigamente

Antes de se tornar no King Triplex (1988-2013), o Vox passou por uma fase intermédia o Espaço Voxmania – vocacionado para concertos de diversas bandas, como os G.N.R. ou os Heróis do Mar. Sendo um dos raros cinemas de Lisboa com uma programação própria, sem cedências ao mainstream, o King não aguentou a concorrência nem o despoletar da crise económica.
Assim, um dos últimos resistentes dos cinemas de Lisboa, foi obrigado a encerrar as suas portas no dia 24 de Novembro de 2013, para grande tristeza dos seus habituais espectadores, muitos deles vindos ainda dos tempos gloriosos do Vox original.

Cinema Vox |1969|
Rua Bulhão Pato
Ao fundo observa-se o edifício do Hotel Lutécia onde funcionava o Teatro Maria Matos.
in Lisboa de Antigament

Bibliografia 
Cinememórias, O Rato Cinéfilo, 2022.
ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa, 2012  

domingo, 20 de julho de 2025

Largo do Rato que foi «Praça do Brasil»

Conforme refere Norberto Araújo, nas suas «Peregrinações em Lisboa», «só os dísticos municipais e os letreiros dos eléctricos dizem Praça do Brasil; título pomposo com o qual a República portuguesa nascente em 1910 quis consagrar a República irmã mais velha de Além Atlântico».

O nome desta zona tem origem na alcunha que popularizou o esquecido patrono do Convento Trino, que domina o largo, e até finais do século XIX o único edifício de características nobres fundado em 1621 por Manuel Gomes de Elvas, influente cristão-novo de Lisboa. Depois da sua morte continuou a ser apadrinhado pelos seus descendentes, um deles, Luís Gomes de Sá e Meneses, tinha por alcunha “o Rato”, alcunha que se apegou ao convento e estendeu-se ao largo fronteiro.

Largo do Rato |1937-04-08|
Antiga Praça do Brasil, antes Largo do Rato, antes Rua do Rato, antes Rua Direita do Rato. Mais tarde, por edital de 23/12/1948, regressou ao topónimo Largo do Rato. |
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

«Desce a Rua das Amoreiras, deserta. Ao entrar no Rato é como se entrasse noutra cidade, noutro dia. Todas as pessoas e veículos que não estavam nas ruas vazias estão aqui, num mar de cabeças onde flutuam os carros parados, eléctricos, autocarros. Centenas, milhares de pessoas, a andar para todos os lados e paradas a conversar, numa azáfama de feira». (NOGUEIRA: 2012)

Largo do Rato |194-|
Perpectiva tomada da Rua das Amoreiras.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

domingo, 22 de junho de 2025

Rua da Escola Politécnica que foi «da Cotovia»

O olisipógrafo Norberto Araújo caracteriza da seguinte forma esta antiga artéria no velhinho sítio da Cotovia:
Esta artéria, rasgada como larga serventia entre as quintas do Noviciado da Companhia de Jesus e a de D. Rodrigo, fazia a ligação do sítio da Cotovia com o de Campolide, que começava — já o disse — onde veio a ser o Rato. 

Rua da Escola Politécnica |1908|
À dir. abre-se o Beco do Colégio dos Nobres.
Legenda no arquivo: «Prédios engalanados por ocasião da visita do rei D. Manuel à Escola Politécnica|»
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Antes do Terramoto a rua tinha duas designações para cada um dos seus troços: Rua Direita da Fábrica das Sedas até ao Palácio dos Soares (depois Imprensa Nacional), daí para diante até à actual Praça do Rio de Janeiro era Rua do Colégio dos Nobres, designação que sucedeu à de Rua Direita da Cotovia. Em Setembro de 1859 passou toda a artéria a ser Rua da Escola Politécnica.==
(ARAÚJO, Norberto de Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 19, 1939)

Panorâmica de Lisboa |190-|
Observa-se (parcialmente) o Largo do Rato junto ao Chafariz do Rato, o Palácio dos Duques de Palmela e a Rua da Escola Politécnica.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Avenida Álvares Cabral

Pelo edital de 18/11/1910 «a Avenida que deve ligar o Largo da Estrella com o antigo Largo do Rato, hoje Praça do Brazil» passa a denominar-se de Avenida Álvares Cabral.

No 1º Edital após a implantação da República, datado de 5 de Novembro de 1910, foram atribuídos ao Largo do Rato o topónimo Praça do Brasil e, à Praça do Príncipe Real, o de Praça do Rio de Janeiro. O primeiro foi em "homenagem ao grande País nosso amigo e irmão e à passagem do seu chefe de Estado por esta capital". 

Avenida Álvares Cabral (S→N) |1944|
Antiga Pedro Álvares Cabral
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Na realidade, a circunstância do Presidente Hermes da Fonseca ter estado em Lisboa nos dias 4 e 5 de Outubro, conferia ao Brasil a condição de ser o primeiro país a reconhecer o novo regime. Percebe-se assim que o 2º Edital datado de 18/11/1910 denomine a artéria que desemboca na então Praça do Brasil com o nome do navegador português que primeiro chegou às Terras de Vera Cruz: Pedro Álvares Cabral. [1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, liv. 2]

Avenida Álvares Cabral (N→S) |c. 194.|
Antiga Pedro Álvares Cabral; Rua de S. Bento
C. Salgado, in Lisboa de Antigamente

domingo, 16 de junho de 2024

Rua do Salitre, ao Rato

Rua do Salitre, artéria que em muitos anos precedeu o Terramoto, a qual como sabes, foi chamada Rua da Palmeira no troço que ainda subsiste, pois já disse que ela chegava a S. José. 


Até ao séc. XIX a Calçada do Salitre ainda guardava muito do seu passado rural — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , logo a começar pelo seu topónimo derivado das nitreiras das hortas dos frades Cartuxos e será após a construção da Avenida da Liberdade que, gradualmente, passará a ter antes a categoria de Rua. Este topónimo nasceu das nitreiras ou salitrais que os frades de São Bruno – conhecidos como Cartuxos ou Brunos – tinham nas suas hortas, nos terrenos que detinham nesta artéria, já que salitre é o nome vulgar do nitrato de potássio, um adubo. O Salitre ganhou ao topónimo anterior, do séc. XVI, que era Horta da Palmeira. 

Rua do Salitre, ao Rato |1908-05|
Prédio — já demolido — para abertura do troço final da Rua Alexandre Herculano (c. 1910)
e que fazia gaveto com a Rua São Filipe Neri. A linha do eléctrico seguia para a Rua da Escola Politécnica.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

A Rua do Salitre cujo lado esquerdo constituía a orla exterior do fundo da cerca do Noviciado da Companhia de Jesus, depois Colégio dos Nobres, que vendeu os terrenos para edificações — foi sítio onde habitaram muitos lisboetas de destaque, entre eles Garrett.
Em cima corria o Vale Pereiro, do qual existe, em reminiscência, uma parcela da Rua com aquele dístico, e que leva do Salitre a Alexandre Herculano. No alto da Rua do Salitre, n.º 148 residiu de 1816 para 1817 o general Gomes Freire de Andrade, ali preso em 26 de Maio daquele último ano; uma lápide foi colocada na fachada em 20 de Outubro de 1917.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, 1939)

Largo do Rato e Rua do Salitre |c. 1900|
Salitre (  direita ) principia no Largo do Rato, e termina na Av. da Liberdade.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B. Durante o séc. XIX, em diversos documentos municipais, plantas, requerimentos ou licenças para construção ou obras em prédios esta artéria tanto é assinalada quer como Calçada quer como Rua, mesmo que na 2ª metade do século seja mais usado Rua, sendo exemplo maior dessa dupla grafia um processo de expropriação de 1881- para a abertura da Avenida da Liberdade- em que a planta do local de Ressano Garcia refere Calçada e no texto do Presidente José Gregório Rosa Araújo se menciona Rua. [cml]

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Drogaria Progresso, à Polytechnica com a Rua da Penha de Fança

Penha de França (rua da) quarta á direita na rua da Escola Polytechnica, indo do largo do Rato e finda na travessa de Nossa Senhora da Conceição, freguezias de S. Mamede 1 a 61 e 28 a 82, Santa Izabel 2 a 26. [Velloso: 1869]

Drogaria Progresso |c. 1911|
Rua da Escola Politécnica, 109-113, com a Calçada Engenheiro Miguel Pais — dístico de 1948.
Antiga Calçada de João do Rio, antes Calçada da Penha de França e antes Rua da Penha de França.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Correia Pais (1825-1888) foi um engenheiro militar que alcançou a patente de Tenente- Coronel em 6 de Junho de 1868.
Trabalhou nas linhas do Caminho de Ferro do Sul e Sueste Em 1876 apresentou um projecto de uma ponte entre o sítio do Grilo - no Beato - e o Montijo, com um tabuleiro duplo para circulação ferroviária e rodoviária e na sua obra «Melhoramentos de Lisboa e Seu Porto» (1883-84) defendeu projectos como um túnel entre o Largo do Município e o Largo do Corpo Santo, um viaduto metálico entre o Largo do Caldas e o Chiado, uma avenida de 800 m entre a Rua da Misericórdia e o Palácio de S. Bento, um grande viaduto metálico entre o Monte da Graça e o Monte da Estrela ou uma linha de túneis entre o Largo do Intendente a Rua de S. Bento.

Drogaria Progresso (s/d) |c. 1905|
Fachada sobre a  Calçada Engenheiro Miguel Pais — dístico de 1948.
Antiga Calçada de João do Rio, antes Calçada da Penha de França e antes Rua da Penha de França.
"Especialidade de artigos para Photographia, Analyses e Embalsamamentos"
Arquivo MTD

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Calçada Bento da Rocha Cabral

Pois deitemos à Calçada de Bento da Rocha Cabral (1924), antiga Calçada da Louça (da fábrica de louça do Rato), e que que corresponda, rectificada no traçado, à Azinhaga do Rato da primeira metade de setecentos.
Bento da Rocha Cabral [1827-1921] foi um homem rico, de boa índole, que muitos anos viveu no Brasil; um dia leu umas crónicas médicas da autoria do Dr. Ferreira de Mira, que ele não conhecia, e resolveu doar, com destino a investigações científicas este prédio n.° 14, por ele edificado. Criou-se então o Instituto de Investigação Científica de Benta da Rocha Cabral inaugurado em 1925. [Araújo, XI, 1939]

Calçada Bento da Rocha Cabral, 14 |1961|
Ao fundo observa-se o edifício do Instituto de Investigação Científica de Bento da Rocha Cabral; Mãe d'Água das Amoreiras. 
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

domingo, 19 de março de 2023

Palácio Rebelo de Andrade (Ceia-Bramão)

Situa-se este palácio na Rua da Escola Politécnica, 141-155 — em terrenos da vasta Quinta dos Soares da Cotovia (ou Pombal), conhecida desde o século XVI, aforados a D. Rodrigo de Noronha. Primeiro da família Rebelo, depois dos Condes de Seia é das peças mais qualificadas na arquitectura residencial portuguesa do século XVIII, havendo no 1.º andar cinco magníficas salas com silhares de azulejos do Rato.


Edificado na 2ª metade do séc. XVIII, (1760/61), pelo rico comerciante lisboeta Rebelo de Andrade, manteve-se na sua família até 1805. Após esta data teve vários proprietários, entre os quais os condes de Seia e D. Vasco Sequeira Bramão, cujos nomes ficaram ligados ao palácio. De arquitecto desconhecido, desenvolve-se em planta quadrangular e 3 pisos, consequência dos acrescentos de que foi objecto no séc. XIX, construção do 2º andar e da ala E. que o ligou ao edifício da Imprensa Nacional.

Palácio Rebelo de Andrade (Ceia-Bramão) |1968|
Rua da Escola Politécnica, 141-155; Rua do Noronha, 4; Rua do Arco a São Mamede, 48-56
Também conhecido pela designação Casa de D. Vasco Bramão seu possuidor, desde 1904, até meado do século XX.
No segundo andar morou o ilustre professor e clinico dr . Sousa Martins.
Arnaldo Madureira, 
in Lisboa de Antigamente

A fachada principal caracterizada pela sobriedade de linhas, surge delimitada, lateralmente, por cunhais de cantaria e, no corpo central, por pilastras seccionadas, onde se evidencia o portal conjugado com a janela de sacada do andar nobre, aberta para uma varanda em ferro forjado trabalhado. Apresenta, ainda, janelas de gosto rococó e platibanda destacada. 

Palácio Rebelo de Andrade (Ceia-Bramão) |1908-05|
Rua do Noronha, 4; Rua da Escola Politécnica, 141-155;  Rua do Arco a São Mamede, 48-56
Fachada sobre a Rua do Noronha. 
Machado & Souza, 
in Lisboa de Antigamente

No interior merece destaque a escadaria nobre, centralizada, setecentista e barroca, para além dos azulejos e estuques que ornamentam os vários salões. Classificado como Imóvel de Interesse Público, acolhe, desde a década de 80 do séc. XX, a Universidade Aberta, estabelecimento oficial de ensino superior dirigido a adultos, que utiliza meios didácticos mediatizados.

Palácio Rebelo de Andrade (Ceia-Bramão) |192-|
Rua do Arco a São Mamede, 48-56; Rua da Escola Politécnica, 141-155; Rua do Noronha, 4 
A fachada lateral norte, voltada à Rua do Arco de S. Mamede é composta por um
corpo de pano único de cinco pisos, a que se encosta outro menor, em extensão
e altura; no 3º piso destacam-se quatro óculos elípticos encimados por cornijas.
Fotógrafo não identificado, 
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de Araújo, Legendas de Lisboa, pp. 60-61, 1943.
Guia de Portugal: Generalidades. Lisboa e arredores, p. 333, Fundação Gulbenkian, 2014.
lisboa.pt.
acasasenhorial.org.

sexta-feira, 4 de março de 2022

Ruas Alexandre Herculano e Castilho

O topónimo Rua Alexandre Herculano foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa, através de Deliberação Camarária de 06/05/1882, à “perpendicular à Avenida da Liberdade, em direcção ao Largo do Rato”. Pela mesma deliberação foram atribuídas na mesma área a Rua Castilho, a Rua Barata Salgueiro, a Praça do Marquês de Pombal e a Rua Mouzinho da Silveira.

Rua Alexandre Herculano [Início séc. XX]
Éh! galinhas!  Mérca frangos! Galinhas! Quem nas quér i com ôvo?
O prédio de dois pisos (já demolido) — e que fazia esquina com a Rua Castilho foi residência de João Franco Castelo Branco, último Presidente do Conselheiro do Rei D. Carlos I, entre 1906 e 1908: o edifício contiguo, que torneja para a Rua Mouzinho da Silveira, ainda existe.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto não está identificado no abandalhado amL

O topónimo Rua Castilho foi atribuído pela edilidade em 1882, homenageia António Feliciano de Castilho, um dos grandes escritores da primeira época do romantismo em Portugal, em conjunto com Garrett e Herculano. Notabilizou-se especialmente pela riqueza e expressão artística da linguagem. Castilho nasceu em Lisboa a 28/01/1800 e morreu em Lisboa a 18/06/1875.

Rua Castilho [ant. 1907]
Venda ambulante de toalhas
Cruzamento com a Rua Alexandre Herculano; ao fundo, o antigo Quartel do Vale de Pereiro (Quartel de Caçadores 2) na actual Rua Braamcamp.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto não está identificado no abandalhado amL

Nota(s): Infelizmente as duas últimas imagens são de baixa qualidade/resolução, graças ao paupérrimo trabalho de digitalização efectuado pelo Arquivo Municipal de Lisboa (amL).

domingo, 16 de janeiro de 2022

Rua Domingos Sequeira

Pois desçamos de novo a Rua da Estrela; estamos no começo da moderna Rua Domingos Sequeira — recorda Norberto de Araújo —, cujo lado oriental é moderno, em contraste com as casas e velhos pátios do lado poente. O edifício do Dispensário da Associação Nacional aos Tuberculosos data de 1932; adiante desta graciosa edificação vê-se ainda parte dos barracões, o pitoresco «car-barn» [ao fundo à esq.] dos ascensores da Estrela, os famosos «maxibombos» que precederam nesta linha, há cerca de trinta e cinco anos, a viação eléctrica.
O «Cinema Paris», edifício que segue, foi erguido em 1930, e dele é proprietário, Máximo Pinto. Não tem nada de notável.

Rua Domingos Sequeira [1932]
«Pintor 1768-1837»
Em 04/06/1957, foi acrescentada ao topónimo a legenda «Pintor 1768–1837». 
Basílica do Coração de Jesus ou da Estrela; Convento do Coração de Jesus, actual Instituto Geográfico e Cadastral. 
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A Rua Domingos Sequeira foi traçada, pela CML em Fevereiro de 1887, dada a necessidade de ligar o bairro de Campo de Ourique às áreas vizinhas, e, consequentemente, ao centro da cidade. Apenas em Junho de 1905 estaria em funcionamento a linha eléctrica do tramway, concretizando-se a ligação entre o Largo do Rato e a Praça da Estrela, através da Rua Ferreira Borges. [Informação prestada pela n/leitora Susana Maia E Silva]

Panorâmica da Estrela tirada do zimbório da Basílica da Estrela, vendo-se a Rua Domingos de Sequeira [1941]
Nesta imagem, observa-se o antigo Dispensário da Associação Nacional aos Tuberculosos, hoje infantário. e o Cinema Paris. Na esq. baixa corre a Rua de Santo António, à Estrela.
O pintor Domingos Sequeira foi colocado há 129 anos na toponímia de Lisboa, por deliberação camarária de 4 de Novembro de 1887. 
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): O topónimo homenageia Domingos António Sequeira, pintor que em 1802 foi nomeado pintor real e co-director da pintura do Palácio da Ajuda. Também em 1806 foi director da Aula de Desenho, no Porto. A Vilafrancada fê-lo emigrar para Paris e em 1826 fixou-se em Roma onde executou obras sacras. Foi também gravador e aquele que executou as primeiras litografias em Portugal. A sua obra está representada no Museu Nacional de Arte Antiga. [cm-lisboa-pt]
_________________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 54, 1939.

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Rua de S. Bento

O nome do sítio de São Bento data do séc. XVI em que o topónimo do local era feito por referência ao Convento de frades beneditinos que vieram de Tibães.
Segundo o olisipógrafo Norberto Araújo, em Peregrinações em Lisboa, da Rua dos Poços dos Negros até ao Largo passado o Arco de S. Bento, o topónimo Rua de S. Bento seria antigo. Dali para cima até ao Rato, considerava ser do séc. XVIII já que eram os Olivais de S. Bento e antes Rua Nova de Colónia
Segundo outro olisipógrafo, Luís Pastor de Macedo, em Lisboa de Lés-a-Lés, o troço superior da Rua de S. Bento poderia anteriormente ter sido designado como Rua de S. Bento às Trinas, por referência às Trinas do Rato.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 33, 1938-39)

Rua de S. Bento [1911]
O Arco de S. Bento, de autor desconhecido (séc. XVIII/XIX), esteve neste local até ao final dos anos trinta do séc. XX (1938), altura em que, a remodelação do antigo Palácio das Cortes, actual Assembleia da República, implicou que as suas pedras fossem desmontadas e numeradas, tendo sido reconstruído na Praça de Espanha.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Aquele terreno que existia murado em frente do velhinho Mosteiro de S. Bento da Saúde — depois sede do Parlamento — formava declive para a Rua de S. Bento, pois o edifício ficava no alto, imponentemente, tendo aos pés as ruelas e hortos. Terraplanou-se, construiu-se um muro de defesa e ficou um largo, onde as carruagens dos parlamentares esperavam a sua saída. Cavalos de seges e depois os das tipóias comiam as suas rações sob as árvores , os segeiros e cocheiros pugnavam entre si , enquanto lá dentro tronitroavam os representantes do povo.

Rua de S. Bento, Arco e Palácio de São Bento [1901-1908]
O arco, a escadaria e o paredão foram demolidos por ocasião das obras de terraplanagem e de remodelação do Palácio de São Bento em 1938-1939, dando lugar à configuração actual.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

domingo, 3 de outubro de 2021

Palácio Alagoas (ou Cruz-Alagoa)

Desde este ponto — Rua Maestro Pedro de Freitas Branco — até à esquina da antiga Real da Fábrica das Sedas — recorda Norberto de Araújo — ergue-se um edifício urbano enorme, uniforme, com rés-do-chão, andar nobre e um segundo andar, e capela.

Foi este o palácio dos Morgados de Alagoa, edificado entre 1757 e 1762, em terras do já citado D. Rodrigo, por José Francisco da Cruz Alagoa, antepassado dos Condes de Sobral.
Arrendado em parte a vários inquilinos logo poucos anos depois de construído, vivendo noutra parte a família do proprietário, foi posto à venda em 1835 por morte do Cruz Alagoa. Pertenceu depois ao Dr. José Vaz Monteiro, e de mão em mão acabou por se subdividir em duas propriedades: a principal que estamos vendo n.º 177 a 195 é desde 1918 do Visconde de Sacavém, havendo antes pertencido ao Dr. Magalhães Barros; a da esquina, n.º 167 a 175, pertence ao Dr. Carlos Chapalimaud.

 

Palácio Alagoas (ou Cruz-Alagoa) |1968|
Rua da Escola Politécnica, 161-195, esquina com a Rua Maestro Pedro de Freitas Branco
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente
Palácio Alagoas (ou Cruz-Alagoa) |1927|
Rua da Escola Politécnica, 161-195, esquina com a Rua Maestro Pedro de Freitas Branco
Barricada junto do Palácio Alagoa durante a Revolta de Fevereiro de 1927 vendo-se os vestígios da metralha que atingiu vários edifícios nesta zona.
Ferreira Cunha, in Lisboa de Antigamente

Mostra este casarão um certo ar solarengo português embora sem beleza; a capela, que foi invocação de Santo António, com seu janelão de coro e óculo iluminante, hoje [em 1939] profanada, tem silhares de azulejos do Rato, e possuía alguns painéis. O portal principal conduz ao pátio que foi nobre, por um corredor com seu passadiço.

Palácio Alagoas (ou Cruz-Alagoa) |1961|
Rua da Escola Politécnica, 161-195; perspectiva tomada da antiga Fábrica das Sedas e que emprestou o nome a este troço da rua até 1859.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 20-21, 1939.

domingo, 18 de julho de 2021

Palácio Sanches de Brito

«EDIFICADA, 1730, ARQUITECTO LUDOVICE QUE O FOI DO PALACIO DE MAFRA. RESTAURADA E ACCRESCENTADA SOB A DIRECÇÃO DE J. A. SANTOS CARDOSO E MOREIRA RATO — 1867»


De acordo com a inscrição existente na placa sobre uma porta do primeiro andar deste edifício, o palácio terá sido construído em 1730 sob a direcção do arqª João Frederico Ludovice, «que o foi do Palácio de Mafra», sendo restaurado em 1867. Foram encontradas referências a esta propriedade nos antepassados da família Sanches de Brito desde finais do século XVI, estando a mesma na posse de Álvaro Sanches de Brito já nos inícios do século XVII. Este facto poderia corroborar a informação contida na placa, datando o edifício de 1730 e indicando o nome de J. F. Ludovice. No entanto, esta informação, que não revela a fonte primordial em que se baseou, é contraditada por um documento de 1748, constante de um Livro de Cordeamentos. [...]

Palácio Sanches de Brito |ant. 1910|
Campo dos Mártires da Pátria, vulgo Campo de Sant'Ana, antigo Campo do Curral
Embaixada da Alemanha e instituto Alemão, despis Palácio Patriarcal.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Aquilo que se pode afirmar com segurança documental é que no início do século XVIII havia umas casas onde habitava Álvaro Sanches de Brito, casas essas que seu filho, João da Costa de Brito, fez demolir e substituir por outras com uma fachada com um corpo central saliente. Aliás, as características arquitectónicas do edificado apontam para data mais tardia de 1730, como se dirá adiante, levando outros autores a atribuírem o edifício ao arq.º Mateus Vicente de Oliveira (1706-1785), discípulo de Ludovice. [...]
Seria que as casas de residência de Álvaro Sanches de Brito foram objecto de uma intervenção de Ludovice, em 1730? É pouco provável que uma obra realizada sob a orientação de Ludovice, por certo de monta, fosse demolida dezoito anos depois, em 1748, para dar lugar a novo edifício, aliás bem aparentado com o gosto introduzido e difundido em Lisboa pelo mesmo mestre alemão. Aliás, Ludovice ainda estava vivo em 1748, pelo que poderá ter indicado o seu discípulo Mateus Vicente para dirigir o projecto. Esta afinidade poderá ter induzido em erro os autores dos restauros datados de 1867, afixando na placa a informação da autoria de Ludovice e a data de 1730. [...]

Palácio Sanches de Brito |1907-03|
Campo dos Mártires da Pátria, vulgo Campo de Sant'Ana, antigo Campo do Curral
Embaixada da Alemanha, visita do Rei de Saxe a Lisboa.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Pelo menos até 1833, a propriedade manteve-se na família, sendo mais tarde vendida à família Costa Lobo, responsável pela campanha de obras de 1867, como parece indicar a existência do seu brasão de armas em ferro sobre a porta de entrada. Nestas obras ter-se-ão provavelmente acrescentado alguns elementos decorativos em pedra, sobretudo em torno da mesma porta axial, bem como a balaustrada sobre a cornija e as estátuas que a coroam. [...]
No princípio do século XX esteve instalada no palácio a embaixada da Alemanha, ao tempo que era embaixador o Conde de Tattenbach, que aqui deu grandes festas, sobretudo aquando da visita a Lisboa do Kaiser Guilherme II. Depois, um dos membros da família Costa Lobo doou a sua parte do edifício à Misericórdia de Lisboa, vindo este a ser arrendado para instalação da residência do patriarca de Lisboa, em 1913. A outra parte acabou por ser adquirida pelo cónego Manuel Anaquim e pelo padre António Joaquim Alberto que depois arremataram a parte da Misericórdia (1923/24), mantendo-se o Patriarcado na sua posse até tempos recentes.

Palácio Sanches de Brito [1907-07]
Campo dos Mártires da Pátria, vulgo Campo de Sant'Ana, antigo Campo do Curral
Embaixada da Alemanha
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Os mencionados membros desta família Sanches de Brito, nos finais do século XVII e ao longo do século XVIII, destacaram-se nas lides marítimas, como oficiais de marinha de guerra, como coronéis de mar e capitães de mar e guerra. O primeiro, Álvaro, chegou a ser governador da fortaleza de São Lourenço da Barra (Cabeça Seca), o filho, João da Costa de Brito chegou a capitão de mar e guerra, com uma carreira militar que ultrapassou os 40 anos ao serviço da armada.
Por fim, José Sanches de Brito, fidalgo da Casa Real e comendador da Ordem de Cristo, chegou a almirante da Armada Real.
____________________________________________________________________________________________________
Bibliografia
MATOS, José Sarmento de; PAULO, Jorge Ferreira, «Da relevância dos Livros de Cordeamentos no estudo da arquitectura de Lisboa – O caso do Palácio Sanches de Brito», MATOS, José Sarmento de; PAULO, Jorge Ferreira, 2014.
Web Analytics