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Sunday, 25 November 2018

Largo do Rato: antes e após as demolições na década de 1930

Rato foi e Rato é —  diz Norberto de Araújo; só os dísticos municipais e os letreiros dos eléctricos dizem Praça do Brasil, titulo pomposo com o qual a República portuguesa nascente em 1910 quis consagrar a República irmã mais velha de Além Atlântico.[...]


De um padroeiro [Luís Gomes de Sá e Meneses], do Convento das freiras da Santíssima Trindade [Convento das Trinas] se trespassou para a casa religiosa e para o sítio do seu eirado o nome de «Rato», que era um cognome, quási apelido pessoal.

Largo do Rato, do nascente para o poente [1929]
 Antiga Praça do Brasil, antes Largo do Rato, antes Rua do Rato, antes Rua Direita do Rato
Ao fundo, a Rua do Sol ao Rato e o antigo Teatro Joaquim de Almeida (1925-1930); em último plano fundo, à direita, vislumbra-se o telhado do Convento das Trinas.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
 Largo do Rato, do poente para o nascente [1929]
 Antiga Praça do Brasil, antes Largo do Rato, antes Rua do Rato, antes Rua Direita do Rato
Esquina com a Rua de S. Bento; ao fundo, a Rua do Salitre e, à esq., por detrás doa edifícios marcados para  demolição, vê-se o o Palácio do Marquês da Praia e Monforte (actual sede do P.S.).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Já antes do Terramoto o Largo do Rato crescia em póvoa, em tumulto de tendas ao ar livre, e algum casario; (...) Depois do cataclismo, o sítio converteu-se em acampamento de foragidos, de tal modo que, em 1759, se determinou dar ao eirado ou largo a forma urbanística que perdurou até 1937; abriram-se depois, em rectificação de caminhos entre quintas, a Rua da Fábrica da Louça [Calçada Bento da Rocha Cabral], a Praça das Amoreiras, e a Rua de S. Filipe Nery, esta mais tardia.

Largo do Rato [1937]
Antiga Praça do Brasil, antes Largo do Rato, antes Rua do Rato, antes Rua Direita do Rato
Do lado esq., o Palácio do Marquês da Praia e Monforte.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Largo do Rato [1937]
Antiga Praça do Brasil, antes Largo do Rato, antes Rua do Rato, antes Rua Direita do Rato
Do lado dir., o Palácio do Marquês da Praia e Monforte e o
Convento das Trinas
 Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto deo, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 11-12, 1939.

Sunday, 12 April 2020

Chafariz do Rato

É curioso este Chafariz do Rato — recorda-nos Norberto de Araújo — , com fundo natural do muro dos jardins Palmela, e cujo nicho decorativo foi mutilado numa revolução, o célebre 7 de Fevereiro de 1927. No estado em que ainda sobrevive, o Chafariz data de 1794, embora desde meio século antes aqui perto, corresse água.


Chafariz localizado  na esquina entre a Rua da Escola Politécnica e a Rua de Salitre foi edificado em Março de 1794, de acordo com os planos de Carlos Mardel. Durante o dia era proibido por decreto real, os carreiros encherem pipas de água para as obras e regas das hortas, caso o fizessem pagariam uma multa de 4$000 réis na cadeia.

Chafariz do Rato e aguadeiros |Início séc. XX|
Largo do Rato; Ruas do Salitre e da Escola Politécnica

No início do século a maioria da população para se abastecer de água tinha de o fazer nos chafarizes, bicas ou fontes, pois eram poucos os edifícios particulares que a tinham canalizada.
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Este foi o primeiro chafariz a ser construído, integrado nos planos do Aqueduto das Águas Livres. Era abastecido pela Mãe de Água das Amoreiras. Os seus sobejos eram para o arquitecto Manuel Caetano de Sousa e depois passaram a ser para o conde da Póvoa, sucedendo-se o marquês do Faial.

Chafariz do Rato e aguadeiros |1907|
Largo do Rato

Tanque e bica do lado esquerdo destinados a particulares e aguadeiros.
 Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Chafariz do Rato e aguadeiros |post. 1901|
Largo do Rato

Tanque ao nível térreo com um bebedouro destinado a animais..
  Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
 
É um chafariz de espaldar em estilo barroco, construído em pedra lioz, encimado por arco de volta perfeita, formando um nicho, gradeado a ferro e integrado na balaustrada do Palácio dos Duques de Palmela.
A água corre em 2 níveis, um mais elevado, onde dois tanques semicirculares, de perfil galbado e bordo boleado, chapeado a ferro recebe água de 2 bicas destinadas a particulares e aguadeiros, e um tanque rectangular, com os ângulos exteriores côncavos, de bordo saliente e chapeado a ferro de proporções menores, ao nível térreo, utilizado para bebedouro dos animais. Este chafariz era alimentado por um encanamento especial, que saía directamente da Mãe de Água das Amoreiras.
Tinha em meados do século XIX (1851) 3 bicas, 3 Companhias de Aguadeiros, 3 capatazes e 99 aguadeiros e 1 ligeiro.

Chafariz do Rato |c. 1952|
Largo do Rato; Palácio dos Duques de Palmela

Salvador de Almeida Fernandes,in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 34, 1939.
VELOSO DE ANDRADE, José Sérgio , Memória sobre Chafarizes, Bicas, Fontes e Poços Públicos de Lisboa, Belém e muitos lugares do Termo., 1851.
OLIVEIRA, Eduardo Freire de, Elementos para a História do Município de Lisboa, Vol. XV, 1882.

Wednesday, 21 August 2019

Teatro do Rato

No centro desse quarteirão sul [do Largo do Rato] referido — recorda Norberto de Araújo — chãos e casas que primitivamente foram da Real Fábrica de Sedasrasga-se um Arco, que leva a uns terrenos (antiga Quinta do Ferreira, ou do Ferrari, o que julgo mais acertado) nos quais à esquerda está de pé a adega e casa de pasto conhecida pela designação de «Parreirinha», e ao fundo se construíram em 1907 uns barracões sólidos, que pertencem, como oficinas, à Sociedade Portuguesa. de Automóveis, com entrada pela Rua da Escola Politécnica; uns quintalórios denunciam ainda a antiga feição rústico-fabril do local.

Largo do Rato [195]
Ao centro vê-se o arco de acesso à antiga Quinta do Ferreira, ou do Ferrari depois Teatro do Rato
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Aqui, precisamente no sítio dos barracões, assentou o Teatro do Rato, inaugurado em 27 de Março de 1880 e que ardeu em 1906, afinal também um grande barracão de zinco e tijolo, mas por cujo tablado passaram algumas notáveis figuras da cena portuguesa, entre as quais Adelina Abranches, felizmente ainda sobrevivente de uma geração de artistas eminentes.

Arco do Largo do Rato [1944]
Acesso à antiga Quinta do Ferreira, ou do Ferrari e ao Teatro do Rato
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Comício republicano realizado no antigo recinto do Teatro do Rato [1907-05-01]
Largo do Rato
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 15, 1939.

Sunday, 20 July 2025

Largo do Rato que foi «Praça do Brasil»

Conforme refere Norberto Araújo, nas suas «Peregrinações em Lisboa», «só os dísticos municipais e os letreiros dos eléctricos dizem Praça do Brasil; título pomposo com o qual a República portuguesa nascente em 1910 quis consagrar a República irmã mais velha de Além Atlântico».

O nome desta zona tem origem na alcunha que popularizou o esquecido patrono do Convento Trino, que domina o largo, e até finais do século XIX o único edifício de características nobres fundado em 1621 por Manuel Gomes de Elvas, influente cristão-novo de Lisboa. Depois da sua morte continuou a ser apadrinhado pelos seus descendentes, um deles, Luís Gomes de Sá e Meneses, tinha por alcunha “o Rato”, alcunha que se apegou ao convento e estendeu-se ao largo fronteiro.

Largo do Rato |1937-04-08|
Antiga Praça do Brasil, antes Largo do Rato, antes Rua do Rato, antes Rua Direita do Rato. Mais tarde, por edital de 23/12/1948, regressou ao topónimo Largo do Rato. |
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

«Desce a Rua das Amoreiras, deserta. Ao entrar no Rato é como se entrasse noutra cidade, noutro dia. Todas as pessoas e veículos que não estavam nas ruas vazias estão aqui, num mar de cabeças onde flutuam os carros parados, eléctricos, autocarros. Centenas, milhares de pessoas, a andar para todos os lados e paradas a conversar, numa azáfama de feira». (NOGUEIRA: 2012)

Largo do Rato |194-|
Perpectiva tomada da Rua das Amoreiras.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 25 August 2019

Palácio Praia

O Palácio dos Marqueses da Praia, no Largo do Rato — entre a Rua das Amoreiras e a Calçada Bento da Rocha Cabral — , é uma edificação de 1784, ou de pouco antes. Ergueu-o, em primeira traça, Luís José de Brito, contador do Real Erário, e tesoureiro das contribuições para a superintendência das Obras das Aguas Livres, sobre chão rústico e casas que pertenceram à famosa fábrica da louça do Rato.

No começo de oitocentos era da viúva Brito, andou depois alugado, e foi mais tarde comprado pelo Barão de Quintela, do qual passou por herança ao Conde da Cunha e deste ao Marquês de Viana, que já o possuía em 1828, e cuja esposa era neta do Barão de Quintela.
Em 1876 o palácio foi vendido ao Visconde de Monforte, Luiz Coutinho de Albergaria Freire, deste passou a sua sobrinha, D. Maria José, que casou com o Conde da Praia, depois Marquês, António Borges de Medeiros Dias da Câmara e Sousa; deste transitou a seus filhos, 2.º Marquês da Praia e Monforte, D. Duarte, e Condessa de Cuba. Presentemente [em 1939] o Palácio do Rato pertence, em partes iguais, à Senhora Condessa de Cuba, que ocupa a parte sobre a Calçada da Louça [hoje de Bento da Rocha Cabral], e ao 3.° Marquês, D. António, filho de D. Duarte, que detém a parte sobre a Praça.

Palácio do Marquês da Praia e Monforte |1945|
Largo do Rato, 2; Calçada Bento da Rocha Cabral, 1
André Salgado, 
in Lisboa de Antigamente

Foram famosas no meado do século passado [XIX] as festas no Palácio do Rato, do tempo dos Marqueses de Viana, constituindo deliciosos motivos de crónicas lisboetas, tais as dos Condes de Farrobo, de Penafiel, do Carvalhal, paradas de aristocracia, cheias de beleza e opulência, bom gosto e aprumo; deram-se aqui deslumbrantes bailes de máscaras, a um dos quais pelo menos (1855) assistiram D. Pedro V, D. Fernando, e os infantes. 

Palácio do Marquês da Praia e Monforte [1950]
Largo do Rato, 2; Calçada Bento da Rocha Cabral, 1
Horácio Novais, 
in Lisboa de Antigamente

A Capela da Casa é fundação do Marquês de Viana, 1839, sendo o risco do arquitecto da Casa do Infantado Joaquim de Sousa; o pequeno templo da Calçada da Louça [hoje Calçada Bento da Rocha Cabra], propriedade da Condessa de Cuba, é dedicado hoje a N. Senhora da Bonança. Possue esta Igreja duas capelas laterais além da principal.

N.B. Este belo edifício, cedido em 1975 e depois arrendado, foi mais tarde adquirido pelo Partido Socialista (31 de Dezembro de 1986) aos descendentes do 4.º Marquês da Praia e Monforte, e passou a integrar, desde então, o seu património.

Palácio do Marquês da Praia e Monforte [1910]
Largo do Rato, 2; Calçada Bento da Rocha Cabral, 1
Legenda de arquivo: Bando precatório a favor das vítimas da revolução republicana.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, Fasc. VIII, Lisboa, 1950.

Friday, 24 April 2020

Rua do Sol ao Rato

Pois subamos a Rua do Sol — convida Norberto de Araújo. Esta, sim, que é artéria muito antiga – em relação à idade da freguesia – a velha Rua do Rato para o Salitre, descendo desde a extrema de S. João dos Bem-Casados [R. Silva Carvalho], ainda quando esta artéria não tinha a orientação actual. Os prédios desta Rua do Sol, do lado esquerdo, acusam quási todos cabelos brancos, na sua modéstia. Do lado direito, no começo, ficavam os amplos terrenos da Cêrca do Convento das Trinitárias do Rato, e que no meado do século passado [XIX] foram sendo retalhados para construções, que orlam a rua no primeiro trôço.

Rua do Sol ao Rato |post. 1933|
Junto à Rua da Páscoa
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente
 
O sol de Lisboa está presente na toponímia de diversos arruamentos da cidade e, um deles é este que liga o Largo do Rato à Rua Silva Carvalho e, que desde a década de cinquenta do século XX também refere a sua proximidade ao Largo do Rato: a Rua do Sol ao Rato.

Antiga Rua Direita do Rato (hoje Largo do Rato) e Rua do Sol ao Rato esquina com a Rua de S. Bento |1911|
Cantina escolar de São Mamede
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 67, 1939.

Sunday, 23 May 2021

Largo do Rato com a Avenida Álvares Cabral

Rato foi e Rato é — diz Norberto de Araújo; só os dísticos municipais e os letreiros dos eléctricos dizem Praça do Brasil, titulo pomposo com o qual a República portuguesa nascente em 1910 quis consagrar a República irmã mais velha de Além Atlântico. 

 
Irregular sob todos os pontos de vista, desnivelada a despeito da sua transformação em 1937-1938, a Praça do Brasil nem por isso deixa de oferecer um certo interesse paisagista. Terreiro natural, ou eirado, largo ou simples logradouro, o Largo da Rato é anterior à tessitura urbanística do sítio. 

Largo do Rato |1943|
Avenida Álvares Cabral, rasgada entre 1906 (Norte) e 1930 (Sul)
Duas imagens tiradas do mesmo ângulo mas separadas por um ano. Descubra as diferenças.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente
 
«Rato» é designação que não adveio do começo da tímida póvoa, e só apareceu na terceira década do século XVII; antes foi «Campolide» — o que hoje se atesta numa lápide foreira no começo da Rua das Amoreiras — , depois «Cotovia», quási no nosso tempo, designações genéricas que chegaram aqui por extensão.
De um padroeiro [Luís Gomes de Sá e Meneses], do Convento das freiras da Santíssima Trindade [Convento das Trinas] se trespassou para a casa religiosa e para o sítio do seu eirado o nome de «Rato», que era um cognome, quási apelido pessoal.==

Largo do Rato |1944|
Avenida Álvares Cabral, rasgada entre 1906 (Norte) e 1930 (Sul)
Duas imagens tiradas do mesmo ângulo mas separadas por um ano. Descubra as diferenças.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 11-12, 1939.

Wednesday, 19 August 2015

Convento das Trinas do Rato (Convento das Trinitárias de Campolide)

O convento — que tinha a invocação de N. Senhora dos Remédios — foi fundado em 1633, por Manuel Gomes Elvas para recolhimento de senhoras de linhagem, e em número de 40, como revela a lápide de 1637, que se encontra sobre o portal maneirista. Instalado num local, considerado como zona de retiro, o edifício confinava com os terrenos dos padres oratorianos da Congregação de São Filipe de Neri. Teve como principais mecenas e responsáveis pela conclusão das obras, Manuel Correia de Lacerda  e Luís Gomes de Sá e Meneses, por alcunha «O Rato», que deu o nome ao recolhimento e ao actual largo. A decoração da igreja e do convento deveu-se à acção de D. Tomás de Almeida, 1º Cardeal Patriarca  de Lisboa, responsável também pela criação da actual freguesia de Santa Isabel.  Salienta-se o conjunto maneirista da capela-mor da igreja, em pedraria lavrada, com pinturas alusivas à Paixão de Cristo. [Caeiro: 1989]

Convento das Trinas do Rato, fachada principal [c. 1900]
Largo do Rato
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

De acordo com o olisipógrafo Norberto de Araújo  «o edifício, que pelo Terramoto alguma cousa sofreu, sendo prontamente reparado, foi reconstruído em 1885 pelo arquitecto Luiz Caetano Pedro de Ávila; em 1937-1938 novas transformações sofreu na fachada, desaparecendo então o ante-pátio fronteiro, que fora  o terreiro do «Jôgo da Péla›, peculiar nas clausuras, e que chegara aos nossos dias transfigurado em serventia pública (ainda em 1936) com a esquadra, a taverna do «João do Canto›, e casas de habitação.[Araújo: 1939]

Convento das Trinas do Rato, fachada principal [1968]
Largo do Rato
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Saturday, 26 December 2015

Palácio dos Duques de Palmela, ao Rato

O Palácio Palmela, da  Rua da  Escola Politécnica, ou  do  Rato — como é  mais conhecido — apresenta um  semblante enobrecido pelos restauros do século XIX, coisa alguma mostrando do aspecto primitivo que  deve ter  tido no final do século XVIII. O Palácio teve aura aristocrática e mundana nos meados da  segunda metade do  século XIX, mormente desde que foi  restaurado em 1865, e  até  quase ao  final do  século passado. Pode consi­derar-se pelo seu  precioso recheio artístico — o de  maior relevo em  Lisboa — um verdadeiro museu. [ARAÚJO: 1952]

 
Edifício grandioso, de finais do século XVIII, foi projectado em 1792 pelo arqº Manuel Caetano de Sousa. Adquirido em 1823 pelo primeiro conde da Póvoa, Henrique Teixeira de Sampaio, que encarrega a arqº Luigi Chiari de efectuar uma campanha de obras. Dessa fase, resulta o actual aspecto da construção, bem como a capela e a escadaria nobre. Em 1837, por ocasião do casamento de D. Maria de Sousa, irmã do proprietário, com o filho do duque de Palmela, D. Domingos de Sousa Holstein, é despoletada uma nova campanha de obras, centrada na consolidação do andar superior.

Palácio dos Duques de Palmela [c. 1901]
Rua da Escola Politécnica, 126; ao fundo o Largo do Rato, vendo-se a Calçada Bento da Rocha Cabral
A  Fachada Principal é constituída por um  corpo único, com quatro pavimentos, revestidos de  cantaria o  andar térreo e  o primeiro andar, ou  sobreloja, e de  már­more rosa da Arrábida (1902) o  andar no­bre  e  o superior.
Fotógrafo não identificado, in AML

Nos  Jardins vêem-se também bustos e peças de  escultura ornamentais. O Pavilhão Escultórico no jardim (foto abaixo), concebido pelo escultor francês A. Calmels em 1902, assumiu um papel importante na ambiência artístico-criativa da excelente escultora que foi D. Maria de Sousa Holstein, 3ª duquesa de Palmela

Palácio dos Duques de Palmela, jardins [10 de Fevereiro de 1927]
Pavilhão Escultórico no jardim, atingido na sequência da Revolta de Fevereiro de 1927
Fotógrafo não identificado, in AML

A fachada principal, virada a Oeste, compõe-se de um corpo único, onde uma cornija saliente marca a passagem para o último piso. Rasgam-se ao longo desta fachada, janelas de secção rectangular, que ao nível do terceiro e quarto piso (ao centro) são percorridas por varandas com gradeamento em ferro forjado.

Palácio dos Duques de Palmela [10 de Fevereiro de 1927]
Paredes e as árvores caídas na sequência da Revolta de Fevereiro de 1927
Fotógrafo não identificado, in AML

O Palácio sofreu um violento incêndio, em 1981, que destruiu completamente a capela e provocou graves danos no edifício. Os trabalhos de recuperação conseguiram reconstruir o edifício, perdendo-se, no entanto, valiosas obras de arte e muitos dos trabalhos de marcenaria. O edifício e os jardins sofreram danos elevados durante a  Revolta de Fevereiro de 1927, devido ao impacto causado por granadas de artilharia (2ª e 3ª imagem).

Palácio dos Duques de Palmela [c. 1952]
O  portão principal, n.º 126 (reconstru­ção  do começo do actual século), em  altura que  atinge o  andar nobre, emoldurado de cantaria, sobrepujado de  arquivolta, rema­tada por pedra de  armas dos Sousas de Arronches (as  que usavam os  Sousas do Calhariz); ladeando o portão dois hermes monumentais, representando um  o  «Trabalho», outro a «Força moral» (Anatole Calmeis-1902).
Salvador de Almeida Fernandes, in AML

A ladear a porta principal encontramos duas esculturas alegóricas (1902), aludindo à Força Mental e ao Trabalho, da autoria de Anatole Calmels, (ainda não existentes em 1901, como comprova a 1ª imagem) sendo o remate da entrada coroado por um frontão curvo com as armas dos duques de Palmela dos Sousas de Arronches (as que usavam os Sousas do Calhariz). Actualmente encontra-se aqui instalada a Procuradoria Geral da República.

Palácio dos Duques de Palmela [c. 1945]
Rua da Escola Politécnica, ao fundo o Largo do Rato, vendo-se a Calçada Bento da Rocha Cabral
Os muros dos jardins (reconstrução de 1902), ladeando pelo Sul e Norte a frente do corpo do palácio, sobrepujado de ba­laustrada de cantaria (que substituiu a an­tecedente guarda da gradaria) e adornados de vasos também de cantaria (no muro do lado Sul situa-se uma porta, emoldurada de cantaria simples, que dá acesso aos jardins, e sobrepujada pelo brasão do armas).
Eduardo Portugal, in AML

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, 1952.
DGPC.

Sunday, 16 June 2024

Rua do Salitre, ao Rato

Rua do Salitre, artéria que em muitos anos precedeu o Terramoto, a qual como sabes, foi chamada Rua da Palmeira no troço que ainda subsiste, pois já disse que ela chegava a S. José. 


Até ao séc. XIX a Calçada do Salitre ainda guardava muito do seu passado rural — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , logo a começar pelo seu topónimo derivado das nitreiras das hortas dos frades Cartuxos e será após a construção da Avenida da Liberdade que, gradualmente, passará a ter antes a categoria de Rua. Este topónimo nasceu das nitreiras ou salitrais que os frades de São Bruno – conhecidos como Cartuxos ou Brunos – tinham nas suas hortas, nos terrenos que detinham nesta artéria, já que salitre é o nome vulgar do nitrato de potássio, um adubo. O Salitre ganhou ao topónimo anterior, do séc. XVI, que era Horta da Palmeira. 

Rua do Salitre, ao Rato |1908-05|
Prédio — já demolido — para abertura do troço final da Rua Alexandre Herculano (c. 1910)
e que fazia gaveto com a Rua São Filipe Neri. A linha do eléctrico seguia para a Rua da Escola Politécnica.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

A Rua do Salitre cujo lado esquerdo constituía a orla exterior do fundo da cerca do Noviciado da Companhia de Jesus, depois Colégio dos Nobres, que vendeu os terrenos para edificações — foi sítio onde habitaram muitos lisboetas de destaque, entre eles Garrett.
Em cima corria o Vale Pereiro, do qual existe, em reminiscência, uma parcela da Rua com aquele dístico, e que leva do Salitre a Alexandre Herculano. No alto da Rua do Salitre, n.º 148 residiu de 1816 para 1817 o general Gomes Freire de Andrade, ali preso em 26 de Maio daquele último ano; uma lápide foi colocada na fachada em 20 de Outubro de 1917.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, 1939)

Largo do Rato e Rua do Salitre |c. 1900|
Salitre (  direita ) principia no Largo do Rato, e termina na Av. da Liberdade.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B. Durante o séc. XIX, em diversos documentos municipais, plantas, requerimentos ou licenças para construção ou obras em prédios esta artéria tanto é assinalada quer como Calçada quer como Rua, mesmo que na 2ª metade do século seja mais usado Rua, sendo exemplo maior dessa dupla grafia um processo de expropriação de 1881- para a abertura da Avenida da Liberdade- em que a planta do local de Ressano Garcia refere Calçada e no texto do Presidente José Gregório Rosa Araújo se menciona Rua. [cml]

Wednesday, 20 September 2017

O «Passo» da Mouraria e a lápide da Cerca Fernandina

Fez há pouco quarenta anos que foi ordenada a demolição do Passo da Mourariaescreve Norberto de Araújo num artigo publicado no boletim do Grupo "Amigos de Lisboa" — um dos da procissão do Senhor dos Passos, da Graça. 


Serve de pretexto a estas notas, que nenhuma novidade conterão, uma fotografia que possuímos, e na qual o «passo» se vê tal qual era no final do século passado {séc. XIX]. A estampa é inédita, e deve-se, segundo cremos, a Alberto de Oliveira, um dos fundadores do «Grupo do Leão» (1887), senão o seu principal organizador, e que cultivava as curiosidades e os tipos de Lisboa, interessando-se por assuntos de arte ligados aos progressos gráficos. Alberto de Oliveira, que figura na famosa tela de Columbano, de cujos pares hoje não resta um só, foi daquela gente da boémia do talento e do espírito o primeiro a desaparecer da vida. Já não viu demolir o velho «Passo da Mouraria», cuja fotografia teria feito há cerca de sessenta anos [c. 1887]. O pormenor não interessa demasiadamente; pela leitura do título de uma peça que se representava ao tempo no Teatro do Príncipe Real [A Filha do Snr. Chrispim] [1], e que se pode ler num cartaz que a fotografia reproduz, apurar-se-ia o ano que corresponde ao cenário.
Ao «Passo da Mouraria» está ligada a história do sítio da Saúde ou da Guia. Na conhecida gravura — e belo documento — do «Arquivo Pitoresco», volume V, pág. 377 [vd. 2ª imagem], aparecem em desenho o «Passo», o recanto do Alegrete, o Arco, rasgado num prédio dos Taroucas, o resto de um ângulo da muralha de D. Fernando, e a lápide de mármore, com inscrição em caracteres góticos maiúsculos, que atesta a construção (1373-1375) da muralha fernandina.
Na fotografia à qual nos reportamos não aparece o recanto [vd. 1ª imagem], mas distintamente se vê a lápide, aposta no lanço da muralha contigua ao «Passo», ao lado superior de uma porta que tinha o n.º 12 [da Rua da Mouraria].

O «Passo da Mouraria» e a lápide da Cerca de D. Fernando (dir.) [c. 1887?]
Rua da Mouraria; à esquerda vislumbra-se a fachada lateral da Ermida de Nossa Senhora da Saúde
Alberto de Oliveira,in Lisboa de Antigamente

1907 foi o ano da condenação do «Passo da Mouraria» que, em reconstrução, datava de 1780; o Terramoto destruíra o primitivo, que vinha de 1698-1702, e era sensivelmente da mesma idade do palácio do Conde de Vilar Maior, antecessor da Casa dos Alegretes, depois Penalvas e Taroucas. Este palácio, dito dos Marqueses do Alegrete, cujo título passou para o arco e para a rua, foi demolido neste ano corrente de 1947, sem que houvesse razão para o prantear.
Duas das relíquias do pequenino sítio desapareceram, pois, quarenta anos uma atrás da outra. Está de pé apenas o Arco, teimosamente a recordar a Porta de S. Vicente da Mouraria, que leva 574 anos de Porta, e 273 de Arco, pois foi transformada em 1674, para facilitar o trânsito dos coches.
A lápide relativa à construção da cerca de D. Fernando passou, depois de 1908, quando foi construído o grande prédio n.º 8 a 16, à esquina das Escadinhas do Marquês de Ponte de Lima Escadinhas da Saúde, para a fachada desse prédio, onde ainda se encontra. E' venerando documento da Lisboa do Rei Formoso, talvez o único de vulto, assim como o Arco, tão escarnecido e desrespeitado na sua memória, é a última das portas de Lisboa da Cerca do século XIV.

Rua da Mouraria, Arco e Palácio do Alegrete em 1862
À esquerda, na parede ao lado do  «Passo da Mouraria» vê-se a lápide comemorativa da construção da Cerca de D. Fernando
Gravura de madeira: desenho de Barbosa Lima e gravura de Coelho Júnior e Pedroso
in Arquivo Pitoresco

O «Passo da Mouraria» desapareceu em 1907-1908, como dissemos. A Câmara ofereceu à Irmandade do Senhor dos Passos da Graça, à qual o «Passo» pertencia, uma indemnização de quinhentos mil réis, que a irmandade aceitou. Dos cinco «passos» de rua da procissão dos Passos da Graça subsistem hoje apenas dois: o da «Verónica», no Largo do Terreirinho n.º 119 do começo da Calçada de Santo André, que data de 1765, e substituíra um que existiu antes na Rua do Boi Formoso [Benformoso] (1673-1675), como este substituíra um ao cimo da Rua dos Cavaleiros; e o de «Santo André», místico com o desaparecido Arco de Santo André, ampliado em 1608-1702, sito no começo da Costa do Castelo, porta n.º 106.
O famoso «Passo» do Rossio, que datava de 1700, fôra apeado em 1759, e reedificado em 1782 em terrenos da Casa dos Duques de Cadaval, novamente demolido em 18319 por ordem da Câmara, que, por sentença, teve que reedificar logo em 1841, sendo inaugurado em 1843. Pouco depois construiu-se o grande prédio Cadaval que esquina para o actual Largo de D. João da Câmara, anteriormente «Pátio do Duque». E o «passo» ficou nele encravado até 1913, ano em que a Casa Cadaval logrou por sentença, que a irmandade o entregasse, para demolição. É hoje [em 1947] «O Passo», pequena leitaria tipo Rossio.
O «Passo de S. Roque» estava embebido na face da Torre de Álvaro Pais, que se situava, como é sabido, no Largo de S. Roque [actual Trindade Coelho]; o Terramoto destruiu-o e foi reedificado em 1780-1781, até 1827, ano em que a Câmara regularizou o largo para a abertura da Rua Nova da Trindade.
A arquitectura exterior destes «passos» era sensivelmente igual: portada de volta perfeita sobre cuja cornija assenta o frontão, constituindo duas volutas a envolver um medalhão central, coroado por uma cruz simples. Estas evocações (apoiadas no estudo histórico do ilustre Padre Ernesto Sales) servem apenas de ilustração ao insignificante mas curioso documento que é a fotografia do «Passo da Mouraria». Falta somente assinalar que a história de três dos «Passos» referidos está ligada por situação à Cerca de D. Fernando: os de S. Roque, da Mouraria e de Santo André.¹

«Passo» da Mouraria e muralhas de D. Fernando no Largo da Saúde
Alfredo Roque Gameiro (1864-1937), in Lisboa Velha
 

[1] Refira-se, a título informativo, que «A Filha do sr. Chrispim» mencionada por Norberto de Araújo — e cujo cartaz se observa na 1ª imagem — foi escrita por Ludgero Viana (1842?-1934). Opereta de costumes portugueses, em 3 actos, terá estreado por volta de 1880, tendo feito furor à época com inúmeras representações em pelo menos dois teatros da capital. os já extintos Teatro do Rato e Teatro do Príncipe Real.
Ludgero Viana nasceu em Lisboa a 16 ele Março de 1842. Entrou para o jornalismo, em 1861. como redactor da época e foi durante muitos anos secretário da redacção do Diário Ilustrado. Como escritor teatral estreou-se no Teatro do Rato com a peça Os Malhados. Em 1903 entrou para a redacção do Diário de Noticias, onde se conservou durante vinte anos.
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Bibliografia
¹ARAÚJO, Norberto de. O «Passo» da Mouraria e a lápide da Cerca Fernandina, Olisipo: boletim do Grupo "Amigos de Lisboa", 1947.

Sunday, 25 March 2018

Ermida de Nossa Senhora de Monserrate

Diz-nos alguma coisa de saboroso esta Ermida de Nossa Senhora de Monserrate, nas Amoreiras. Encravada no vão do quinto arco do Aqueduto, logo a nascer na Casa da Água, com o seu corpo saliente do altar-mor caindo sobre a velha «Rua do Rato para Campolide», a Ermida evoca-nos um pedaço da vida setecentista lisboeta, e um qua-drinho animado do século XIX.


Erigiram a Ermida neste sítio, em 1768, os fabricantes da seda, que tiveram o Rei D. José por seu lado. Na gracilidade do seu recheio e decoração, na singularidade da sua forma oitavada, na humildade rural em que se envolve — a Ermida das Amoreiras é uma estampazinha antiga.

Ermida de Nossa Senhora de Monserrate |1938|
Praça e Jardim das Amoreiras (Jardim Marcelino de Mesquita, vd. nota)

A arborização do antigo Largo dos Fabricantes, com amoreiras (331 pés) fez-se em 1771, plantando o próprio Marquês de Pombal a primeira árvore, que dava ainda sombra em 1863.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Ela viu o Marquês de Pombal, ele próprio, em 1771, plantar a primeira amoreira das trezentas que engrinaldaram a praça; viu subir, em 1767, o primeiro fumo dos fornos da Fábrica da Louça, de Tomás Brunetto e Salvador Inácio; assistiu ao alvoroço popular quando correu água, pela primeira vez, no chafariz do Rato; seguiu, dia a dia, o retalhar de quintas, o abrir de ruas, o crescimento do bairro nascido de um sítio por influência das «reais manufacturas», e viu, numa manhã de Abril de 1851, chegar aqui, vinda dos Prazeres, a Feira das Amoreiras — a avó das feiras de Belém, de Alcântara e de Santos — com o seu arraial, os seus teatrinhos pitorescos, as suas figuras de cera, os «robertos» e os irmãos Dallot.

Ermida de Nossa Senhora de Monserrate. traseiras |1959|
Corpo saliente da Ermida, cachorrada e Cruz de azulejo e uma data: 1768
Rua da Amoreiras; Praça das Amoreiras
Fernando de Jesus Matias, 
in Lisboa de Antigamente

E viu acabarem a Real Fábrica das Sedas, a Fábrica da Louça, a Fábrica dos Pentes, irem-se embora as amoreiras todas, ir-se embora a Feira, irem-se embora os frades oratorianos de S. Filipe Néri e as freirinhas endiabradas do convento do «Rato». De tudo, o que a ingénua ermida das Amoreiras mais pena teve foi dos seus fabricantes da seda, devotos da Senhora de Monserrate e dos arraiais da Senhora Santana, aqueles operários de mãos finas que lhe legaram, a ela, o terreno sob o Arco em domínio perpétuo.
Ela ali está, voltada ao jardim pequenino de tílias, robínias e tamarinas, mostrando a quem passa pela Rua das Amoreiras a sua cruz suspensa de azulejos do Rato. O ajardinamento desta Praça é posterior à sua construção; no tempo velho apenas as amoreiras, e depois os ulmeiros alegravam o largo, que fora dos fabricantes da seda.

Fábrica das Sedas |1961|
Actual Museu Arpad Szènes-Vieira da Silva
Tv. Fábrica dos Pentes (esq.); Praça das Amoreiras
Arnaldo Madureira, 
in Lisboa de Antigamente

Interiormente, a Ermida de Monserrate é simpática, a-pesar-de pequena. É de forma oitavada, cortado o tecto a meio pelo coro posterior, que assenta em um arco de volta abatida. A Capela-Mor, além de uma teia, apoia-se sobre o corpo saliente da Ermida, que ressalta, amparado a uma cachorrada, para a Rua das Amoreiras, e no qual, exteriormente se marca, sob Cruz de azulejo, uma data: 1768

Ermida de Nossa Senhora de Monserrate, altar |1938|
Praça e Jardim das Amoreiras

Na capela-mor, além do altar onde se ostenta a imagem de N. Senhora do Monserrate, há mais dois altares; no corpo da Ermida existem também o de N. Senhora das Dores e o do Coração de Jesus, e ainda uma imagem do Senhor dos Passos. 
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
 

O corpo do pequeno templo é revestido de silhares de azulejos, muito belos, da Fábrica do Rato, constituindo sete painéis com legendas latinas. Na capela-mór, além doaltar onde se ostenta a imagem de N. Senhora do Monserrate, há mais dois altares; no corpo da Ermida existem também o de N. Senhora das Dores e o do Coração de Jesus, e ainda uma imagem do Senhor dos Passos
No tecto em apainelados convergentes está uma pintura de Pedro Alexandrino, que representa o orago; na parte que assenta sobre o arco da capela-mor vêem-se as armas de D. José. 

Praça das Amoreiras |Início séc. XX|
Círio das Amoreiras saindo da Ermida de Monserrate durante a procissão do Círio de Nossa Senhora da Atalaia.
Paulo Guedes, 
in Lisboa de Antigamente

N.B. O nome deste jardim é uma homenagem a Marcelino de Mesquita, dramaturgo, poeta e escritor. Este espaço encontra-se rodeado por habitações setecentistas, que se destinavam na maioria ao alojamento dos fabricantes de seda actual Museu Arpad Szènes-Vieira da Silva.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, pp. 110-111.
ibid, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 99-100, 1939.
cm-lisboa.pt.
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