Sunday, 12 April 2020

Chafariz do Rato

É curioso êste Chafariz do Rato — recorda-nos Norberto de Araújo — , com fundo natural do muro dos jardins Palmela, e cujo nicho decorativo foi mutilado numa revolução, o célebre 7 de Fevereiro de 1927. No estado em que ainda sobrevive, o Chafariz data de 1794, embora desde meio século antes aqui perto, corresse água.


Chafariz localizado  na esquina entre a Rua da Escola Politécnica e a Rua de Salitre foi edificado em Março de 1794, de acordo com os planos de Carlos Mardel. Durante o dia era proibido por decreto real, os carreiros encherem pipas de água para as obras e regas das hortas, caso o fizessem pagariam uma multa de 4$000 réis na cadeia.

Chafariz do Rato e aguadeiros [Início séc. XX]
Largo do Rato; Ruas do Salitre e da Escola Politécnica

No início do século a maioria da população para se abastecer de água tinha de o fazer nos chafarizes, bicas ou fontes, pois eram poucos os edifícios particulares que a tinham canalizada.
José Artur Leitão Bárcia, in AML

Este foi o primeiro chafariz a ser construído, integrado nos planos do Aqueduto das Águas Livres. Era abastecido pela Mãe de Água das Amoreiras. Os seus sobejos eram para o arquitecto Manuel Caetano de Sousa e depois passaram a ser para o conde da Póvoa, sucedendo-se o marquês do Faial.

Chafariz do Rato e aguadeiros [1907]
Largo do Rato

Tanque e bica do lado esquerdo destinados a particulares e aguadeiros.
 Joshua Benoliel, in AML

É um chafariz de espaldar em estilo barroco, construído em pedra lioz, encimado por arco de volta perfeita, formando um nicho, gradeado a ferro e integrado na balaustrada do Palácio dos Duques de Palmela.
A água corre em 2 níveis, um mais elevado, onde dois tanques semicirculares, de perfil galbado e bordo boleado, chapeado a ferro recebe água de 2 bicas destinadas a particulares e aguadeiros, e um tanque rectangular, com os ângulos exteriores côncavos, de bordo saliente e chapeado a ferro de proporções menores, ao nível térreo, utilizado para bebedouro dos animais. Este chafariz era alimentado por um encanamento especial, que saía directamente da Mãe de Água das Amoreiras.
Tinha em meados do século XIX 3 bicas, 3 Companhias de Aguadeiros, 3 capatazes e 99 aguadeiros e 1 ligeiro.

Chafariz do Rato [c. 1952]
Largo do Rato; Palácio dos Duques de Palmela

Salvador de Almeida Fernandes, in AML

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 34, 1939.
VELOSO DE ANDRADE, José Sérgio , Memória sobre Chafarizes, Bicas, Fontes e Poços Públicos de Lisboa, Belém e muitos lugares do Termo., 1851.
OLIVEIRA, Eduardo Freire de, Elementos para a História do Município de Lisboa, Vol. XV, 1882.

1 comment:

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