quinta-feira, 16 de julho de 2015

Armazéns Grandela

«Sempre por bom caminho e segue»

A construção dos Armazéns Grandella, no início do séc. XX, deve-se à iniciativa do empresário que lhes deu nome, Francisco de Almeida Grandella. Projectados pelo francês Georges Demaye, especialista em arquitectura do ferro, que, inspirado nos armazéns franceses Samaritaine, adoptou para estes armazéns em Lisboa uma estrutura de ferro fundido, seguindo um gosto Arte Nova, mas sem esquecer a arte decorativa portuguesa. Envolvidos no processo de construção, estiveram, para além do arquitecto referido, o engenheiro Ângelo de Sarrea Prado (notabilizado pela construção dos caminhos-de-ferro em África) e o construtor civil João Pedro Santos (responsável pela construção da Penitenciária de Lisboa). 
 Trata-se de um edifício de duas fachadas, com acessos pela Rua do Ouro, onde Grandella já tinha um estabelecimento comercial, e pela Rua do Carmo, desenvolvendo-se em 11 andares a partir da Rua do Ouro e em 6 pisos a contar da entrada da Rua do Carmo. A fachada da Rua do Carmo, andar nobre da casa, exibia um relógio monumental, onde duas figuras de ferreiros batiam as horas, o qual encimava dois baixos-relevos representando a Verdade e o Comércio. Por sua vez, as colunas entre as portas ostentavam medalhões esculpidos na cantaria com o lema da casa: Sempre por bom caminho e segue. À época da sua inauguração, Abril de 1907, os Armazéns Grandella foram um exemplo de engenharia e arquitectura de vanguarda, um exemplo de comércio moderno e um exemplo ímpar nas relações sociais patrão-empregado. Objecto de destruição pelo grande incêndio que devastou a zona do Chiado em 25 de Agosto de 1988, os Armazéns Grandella reabriram ao público, após a sua reconstrução, em 1996.

Rua Áurea, 205-217 [Início do séc XX [post. 1907]
À esquerda, a Rua da Assunção

António Novais, in A.M.L.

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