Showing posts sorted by relevance for query rua da graça. Sort by date Show all posts
Showing posts sorted by relevance for query rua da graça. Sort by date Show all posts

Sunday, 6 December 2020

Rua da Graça

Todos os bairros ou sítios de Lisboa — recorda o ilustre Norberto de Araújo — têm o seu encanto especial, sobretudo para quem neles se a fez ou neles vive. Este da Graça é, com efeito, e sem devoção bairrista da nossa parte, um dos mais alegres e desafogados da Cidade. Populosa, animada, característica do Oriente de Lisboa, sem cair no pitoresco velho, nem, em verdade, oferecer particularidades olisiponenses ou apontamentos de artista — a Graça remonta aos primeiros tempos de Lisboa. [...]

Rua da Graça, 80 |195-|
Antiga Rua Direita da Graça, até 1889.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A Rua da Graça é uma linha recta que vem dos Quatro Caminhos, de saudosa memória alfacinha, e de que te falei, ao Largo da Graça, que data na actual feição de há cento e tal anos. Desta linha descem para sul e nascente várias serventias, como a Rua das Beatas, a Rua do Sol, a Travessa da Pereira, e a Rua da Verónica — todas antigas, e anteriores à Graça do século passado.

Rua da Graça, 80 |195-|
Antiga Rua Direita da Graça, até 1889.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 41-50, 1939.

Sunday, 14 August 2022

Igreja (e convento) da Graça

A Igreja da Graça situa-se numa alta posição privilegiada de Lisboa. Orientada a Poente, o seu adro constitui um miradouro natural da cidade; o perfil da sua torre, com a extensão conventual, a Norte; a fachada do antigo Convento, contígua à da igreja com orientação a Sul.


A igreja da Graça, tal qual hoje se encontra, é uma reedificação da segunda metade do século XVIII, completada com reconstruções e restauros do final do século passado para os princípios do actual. integrou-se no convento dos religiosos eremitas descalços de Santo Agostinho, que para o sítio de Almofala vieram em 1271, transferidos do seu primitivo eremitério do Monte de S. Gens. A primeira igreja, certamente modesta, foi substituída por um majestoso templo, de três naves, dos maiores e mais ricos de Lisboa, pela diligência do vigário perpétuo da Ordem, o espanhol Frei Luís de Motoya, durando as obras nove anos (1556-1565). 
Logo de começo esta Casa religiosa teve relativa imponência na Igreja, e largueza no Convento que —  acomodava 1.600 pessoas — intitulado de Santo Agostinho até 1305; nesse ano todos os Conventos da Ordem passaram a ter a invocação de N. Senhora da Graça.

Igreja da Graça [c. 1900]
Panorâmica sobre a zona da Graça tirada do Castelo de São Jorge
Largo da Graça; Calçada da Graça
O conjunto constituído pelo convento e pela Igreja remonta ao início da nacionalidade, ganhando maior importância no século XVI.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Igreja da Graça [c. 190-]
Panorâmica sobre a zona da Graça tirada do miradouro junto à Rua Damasceno Monteiro
Largo da Graça; Calçada da Graça; à dir. nota-se a Igreja de Santa Cruz do Castelo
Da ordem de Santo Agostinho, a Igreja da Graça situa-se no antigo local conhecido por Almofala, onde D. Afonso Henriques acampou com as suas tropas, durante o cerco a Lisboa em 1147.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

No segundo quartel do século XVIII a igreja beneficiou de restauros importantes, dirigidos pelo arquitecto Custódio Vieira; pouco tempo depois, pelo Terramoto a igreja foi quase totalmente arruinada, assim como o convento, começando em 1765 a reconstrução, que equivale a uma reedificação integral, sob o risco de Manuel Caetano de Sousa, e prolongando-se, numa primeira fase, até 1785. No final do século passado [XIX] tratou-se novamente de completar a igreja segundo o plano reedificador, aliás alterado, de Caetano de Sousa, e de a restaurar no que fora feito anteriormente; estas obras duraram de 1896 a 1905.

Igreja e convento da Graça [1960]
Panorâmica sobre a zona da Graça tirada do Castelo de São Jorge
Largo da Graça; Calçada da Graça
A Fachada Principal da igreja, (século XVIII) é composta de três corpos, unidos por frontão curvilíneo, continuados no mesmo alçado por um lateral a Sul. Destaca-se recuada, ao centro alto do corpo da fachada conventual, a torre setecentista (Manuel da Costa Negreiros).
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente
Convento da Graça, claustro nobre [1954]
Largo da Graça; Calçada da Graça
Este claustro, que se pode classificar como integrado no estilo toscano, é dos mais interessantes da Lisboa conventual desaparecida. Apresenta cinco arcadas de volta perfeita, assentes sobre colunas duplas de vão aberto. No segundo pavimento notam-se em cada lado do quadrado cinco elegantes janelas janelas, coroadas de ática, com placas de mármore rosa nos intervalos dessas janelas. No alto, corre uma balaustrada com adornos flamejantes.
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

A igreja apareceu então, aparentemente ostentosa, mas com um merecimento artístico muito aquém do que tivera nos séculos anteriores.
A decorativa torre da igreja, assente sobre o corpo da fachada do convento, pertence à reedificação que de poucos anos precedeu o Terramoto, e deve-se a Manuel da Costa Negreiros, que morreu em 1750.
A igreja da Graça é, no seu interior, das mais vastas de Lisboa, com boa expressão arquitectónica, na qual predominam, porém, os materiais pobres (madeira e estuques).
De uma só nave, possui o corpo da Igreja quatro capelas por lado. Pela direita: S. Tomaz, N. Senhora de Fátima, Santa Rita e S. José, e Santo António com S. Sebastião; pela esquerda: N. Sr.ª do Rosário da Verónica, Santa Mónica e N. Sr.ª das Dores, Sagrado Coração e Santíssimo.
O tecto do corpo da Igreja é dividido em cinco secções e nelas podes ver pinturas de João Vaz (1903) , representando as cinco primeiras frases da «Avé-Maria»; trabalhou também nele o decorador Elói Ferreira do Amaral.
Igreja da Graça, nave e capela-mor [1962]
Largo da Graça; Calçada da Graça
De planta em cruz latina, composta por nave de cinco tramos, definidos por oito capelas
laterais profundas e anexos, transepto saliente, capela-mor, tendo, em eixo, os corpos de
duas capelas e os de acesso à tribuna; sacristia desenvolvida perpendicularmente ao lado
esquerdo da capela-mor e, no lado direito, as dependências da Irmandade do Senhor
dos Passos.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

A Sacristia — considerada «monumento nacional» (11-12-918) — , dependência de interesse na igreja, antiga Capela das Relíquias; e, nela:

O tecto, em pintura larga de perspectiva arquitectónica, representando a Assunção de Nossa Senhora, pintura identificada de Pedro Alexandrino, e tendo nos topos os retratos de Frei António Botado e do irmão deste, Mendo de Foios Pereira, custeadores das obras deste quadro; dois grandes altares, em mármore, um em cada topo, com coroamento arquitectónico, situando-se no altar do fundo um grande relicário de madeira dourada [esq. na imagem abaixo], e no do lado da entrada o túmulo, em rico sarcófago de mármore, com inscrição de Mendo de Foios Pereira, que foi secretário de estado de D. Pedro II; sete painéis de azulejos historiados, em silhares circundantes (princípio do século XVIII), representando passos da vida da Virgem.

Igreja da Graça, sacristia [1960]
Largo da Graça; Calçada da Graça
A Sacristia é monumento nacional por excelência. Os seus azulejos são de tradição de seiscentos. É hoje um documento frio e sombrio, com valor mas sem expressão. As suas riquezas  de significado histórico, estão hoje quási todas no Museu de Arte Antiga.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 41, 1938.
idem, Inventário de Lisboa: Monumentos histórico, 1946.

Friday, 22 September 2023

Rua da Adiça — ou da Driça — que foi Calçada de S. João da Praça

Adiça (Rua d') — Na Estatística de 1552 figura esta rua com o nome Rua da Driça; é a actual calçada de S. João da Praça, compartilhada entre as freguesias de S. Pedro e S. Miguel. Cristóvão Rodrigues de Oliveira menciona-a no seu Sumário e bem assim o Livro das Plantas. {Brito: 1935]

O Sítio da Adiça — recorda Norberto de Araújo — nasce nas Portas do Sol e morre em S. Rafael. Fica-lhe pelo dorso torcicolado — a Galé, essa maravilha humilde da Rua da Galé, que liga, por igual, a Adiça ao coração de Alfama. Adiça! Que graça arcaica de legenda toponímica! Hoje [1939] chama-se Calçada de S. João da Praça. Os velhos do lugar só sabem onde fica a Adiça. Eis um dos mais típicos e generosos compartimentos alfamistas.
(ARAÚJO, Norberto de, «Legendas de Lisboa», p. 164, 1943)

Rua da Adiça — ou da Driça — que foi Calçada de S. João da Praça |1942|
Ao fundo nota-se o dístico camarário com a denominação — Calçada de S. João da Praça.
O prédio em último plano. ja demolido, pertencia à Cadeia do Limoeiro. (vd.2ª imagem)
A denominação de Rua da Adiça já vem mencionada no Summario de C. R. de Oliveira (1551).
Helga Schmidt-Glassne, in Lisboa de Antigamente

Por sua vez, e de acordo com José Pedro Machado, a Rua da Adiça foi buscar a sua designação ao sentido de “mina” e estaria relacionada com uma mina escavada pelos sitiantes, aquando da tomada de Lisboa aos Mouros por Dom Afonso Henriques. Esta mina, escavada por baixo da Cerca Moura, foi cheia de lenha a qual ateada provocou a derrocada da muralha e facilitou o acesso ao seu interior.

Rua da Adiça — ou da Driça — que foi Calçada de S. João da Praça |1960|
Ao fundo nota-se o dístico camarário com a primitiva denominação — Rua da Adiça. 
Rua da Adiça passara a Calçada de S. João da Praça, por deliberação e edital da 1893.
Por Edital de 1956, a Calçada de São João da Praça desde o seu início até aos n.ºs 51 e 68
voltou a denominar-se Rua da Adiça, passando o restante troço até ao
Salvador de Almeida Fernandes, in Lisboa de Antigamente
 
Pastor de Macedo afirma que o arruamento já se encontra com este nome em 1470 e Gomes de Brito escreve que o arruamento, na Estatística de 1552, aparece com o nome de Rua da Driça.
Por seu turno David Lopes adianta outra explicação para este topónimo - "É vocábulo árabe, Addica, nome de certa espécie de "junco" comestível para os cavalos e utilizável para a cordoaria (...)".

Rua da Adiça — ou da Driça — que foi Calçada de S. João da Praça |1901|
Ao fundo corre a Rua de S. João da Praça notando-se a pitoresca Torre de Alfama sobre o Largo
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 9 August 2026

À roda da Magdalena: o Monete, o Bonete e o Rozendo

Magdalena (rua da) segunda á esquerda na rua nova d'Alfandega, indo da praça do Commercio e finda no poço do Borratem, freguezias da Magdalena 2 a 22, 32 a 146 ela 197, S. Christovão 148 a 186, Santa Justa 188 a 234, 199 a 291, Sé 24 a 30. [Velloso: 1869]

A Rua da Madalena nunca teve qualquer característica comercial ou industrial muito acentuada. Artéria de passagem, de ligação entre a Baixa e S. Cristóvão, S. Mamede e altos do Castelo e da Graça, e ainda à margem da zona principal do comércio citadino, nunca foi uma rua cujo nome lembrasse, ao pronunciá-lo, uma especialidade comercial que a dominasse. No entanto lá teve uma zona que era a das sapatarias e lá teve também as suas casas de venda de bixas (barbearias?).
Da indústria, alem da dos tamancos e das violas, só mais duas, na segunda metade do século passado se afeiçoaram à rua: a hoteleira, na parte que desce para o sul, e a das molherinhas de porta, no pitoresco dizer do quinhentista Miguel Leitão de Andrade ao referir-se às mulheres que se vendiam a si próprias, as quais, sorrateiramente, fugindo a vigilância por entre as sombras imprecisas projectadas pela mortiça luz de azeite, se foram acomodando, hoje uma, amanhã outra, depois várias, ao fim da rua, junto à Betesga, no enfiamento da Mouraria, foco principal. Foi esta a parte suja da rua. Foi ... e infelizmente ainda é, pelo menos à noite, na passagem obrigatória para as casas duvidosas do beco do Rosendo. Mas tirando esta parte — a que resvala das embocaduras das escadinhas de Santa Justa e da travessa da Madalena, antigo beco do Monete — a rua foi sempre uma artéria limpa, uma rua pacatamente habitada pela burguesia com alguma coisa de seu, circunstância que lhe emprestou noutros tempos um ar calmo, de intimidade, que nos confidenciava morarem ali as senhoras Silvas com o seu jogo de gamão, as suas fatias de pão de fôrma com manteiga, o seu chá, e os seus bolos do afamado Baltresqui ...==
[MACEDO, Luiz Pastor de, Tempos que passaram; um artista, uma rua e uma freguesia de Lisboa, 1940]

Rua da Madalena (S→N) |c. 1911|
A dir. lê-se o dístico municipal indicando o então Beco do Monete, que por edital de 1924, passou a denominar-se Tv. da Madalena. Ao funco fica o Poço do Borratém.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Legenda no abandalhado amL: «Manietação popular»

O topónimo Rua da Madalena, como o próprio nome indica, deriva da proximidade à Igreja da Madalena, existente desde pelo menos 1164, mandada construir por D. Afonso Henriques junto à Cerca Moura, em terrenos onde outrora se erguia um templo romano dedicado a Cibeles, a deusa-mãe.
De acordo com o olisipógrafo Luíz Pastor de Macedo, esta artéria teria sido a Rua do Arco de N. S. da Consolação. Por seu lado, Norberto Araújo defendia que não correspondia a qualquer arruamento existente antes do terramoto de 1755. Em 1841, adianta, ainda nesta artéria não havia passeios empedrados.

 

Rua da Madalena em 1911 e 1901, respectivamente
A primeira transversal na imagem da esq. é a Rua de Santa Justa (escadinhas)
Na imagem da dir. vê-se a embocadura das Escadinhas de São Cristóvão, sendo que, ao prédio com que estas faziam gaveto, foi acrescentado do lado poente
uma fiada com um arco que se abre sobre a antiga serventia.
Fotografias por Alberto Carlos Lima e Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Monete (beco do) primeiro á esquerda nas escadinhas de S. Christovão, indo da rua da Magdale Magdalena, e finda na rua da Magdalena, não tem saída, freguezia de Santa Justa 2 a 50 e 1 a 9.

Monete (Beco do) Em 1551 «rua do Monturo do Bonete», assim como as Escadinhas de S. Cristóvão «rua da calçada do Monturo do Bonete», havendo também no sítio a «travessa do Monturo do Bonete».
Em 1715, a rua do Monturo do Bonete desceu já à categoria de «beco», e a sua denominação está reduzida a «Beco do Bonete». Em 1763, ainda o Padre Castro lhe chama igualmente «Beco do Bonete». Aparece, enfim, o beco do Bonete transformado em beco do Monete, no Itinerário de Inácio Paulino, edição de. edição de. 1804. É. provável. que. a. transformação. venha. da. aposição geral dos letreiros, mandada executar dois anos antes pela Administração Geral dos Correios.
É o segundo à esquerda, subindo pela rua da Madalena e termina nas escadinhas de S. Cristóvão, diz o Itinerário lisbonense de 1818. [Brito: 1935]

Beco do Rosendo |c. 1945|
Perpectiva tomada da Rua da Madalena.
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Em Lisboa há um beco hoje chamado «do Rosendo» que pelos documentos antigos e pelo Tombo da Cidade, composto depois do terremoto de 1755, se vê ter tido a denominação de Resende. [O Archeólogo português: 1906]

Friday, 30 July 2021

Rua dos Lagares que foi caminho da Carreirinha

O olisipógrafo Luís Pastor de Macedo na sua Lisboa de Lés a Lés, defende que uma azinhaga existente em 1510 perto do lagar de azeite de Pero Lopes do Carvalhal «tem todas as possibilidades de ser a antecessora da citada rua. (...) Com respeito ao caminho da Carreirinha, forma por que foi designada primitivamente a rua de que nos ocupamos ela reaparece em 1738, continuando depois a ser usada durante algumas dezenas de anos» e observa que «no século XVIII o nome de Carreirinha é aplicado ao mesmo tempo que se aplica os de rua da Graça, rua Nova da Graça, rua da Graça atrás dos Lagares e rua detrás dos Lagares, circunstância que pode levar a supor-se que a serventia estivesse talvez dividida em duas denominações, pelo menos.» para concluir que «Esta rua é a antiga Carreirinha, a rua do Lagar das Olarias dos meados do século XVI, e a actual rua dos Lagares.§
(MACEDO, Luís Pastor de, Lisboa De Lés-a-Lés, vol. III, 1940-1943)

Rua dos Lagares [c. 1900]
À esquerda, a Calçada do Monte e, à direita, o Largo das Olarias; ao fundo, a torre
sineira do Convento da Graça.

Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Por seu lado, Norberto de Araújo diz que «a Rua dos Lagares — que foi nos séculos velhos «Rua por trás dos Lagares» — , muito calma, a mais grave do sítio, e cujo lado direito, sobre o Largo das Olarias, acusa aspecto mais antigo. Encosta pelo lado oposto ao que foi a Cerca dos frades da Graça, e cujo terreno em parte ainda é pertença do Quartel da Graça, que herdou o Convento.§
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 33, 1938)

Rua dos Lagares, 14 [c. 1900]
Topónimo fixado na memória da cidade em data que se desconhece e por terem aí
existido uns lagares de azeite.

Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente


Sunday, 5 July 2026

Palácio Figueira (ou de Santo André)

O Palácio Figueira, a Santo André, de sólidos cunhais nas prumadas extremas das suas faces, mas que não atingem toda a altura do edifício, assinala-se pela sua primitiva fachada principal orientada a Sul, e pelo robusto portal que a domina, caracterizadamente seiscentista, constituindo no exterior um curioso monumento de fisionomia lisboeta.

Palácio Figueira, a Santo André, situado entre o alto da calçada desta denominação e o começo da Calçada da Graça, é uma construção pesada, acentuadamente seiscentista (c. 1563), na qual avulta o portal nobre da fachada principal.

Palácio dos Condes da Figueira, portal nobre seiscentista |193-|
Largo Rodrigues de Freitas antigo de Santo André e, ao fundo, o trecho final da Costa do Castelo. Neste local existiu, até 1913, o Arco de Santo André. 
Portal nobre da época da fundação, em cantaria e tipologia semelhantes às das fortalezas seiscentistas. Pedra de armas da família Mendoça, que parece não ser a primitiva, franchada, com legenda, dividida por dois ângulos do brasão, AVE MARIA. (Araújo: 1949)
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O seu núcleo fundamental remonta aos fins do século xv, e foi erigido por um fidalgo, João de Memdoça, cognominado «Cação», a quem D. João II, cerca de 1490, deu licença para que construísse casa junto à muralha da cerca e postigo de Santo André. A casa solarenga fora já reedificada, quasi desde os fundamentos, no meado do s4culo XVII, apenas com um andar, e em 1676, quando do casamento da senhora Mendoça com o 2.ª Montebelo, o palácio foi acrescido de um andar nobre, recebendo ainda ampliações e beneficias. É este o actual Palácio de Santo André, que pouco dano sofreu pelo Terramoto [...]
Em 1822, D. Maria Amália Machado de Mondoça casa-se com o 1º Conde da Figueira, D. José de Castelo Branco Correia e Cunha de Vasconcelos e Sousa. Assim, o Palácio dos Mendoças entra na Casa Figueira.

Palácio dos Condes da Figueira |194-|
Largo Rodrigues de Freitas antigo de Santo André com a Calçada da Graça
Fachada Poente, no começo da Calçada da Graça, com dois corpos distintos, sendo, o de baixo, com quatro janelas de sacada, correspondente ao edifício primitivo, e o que lhe fica contíguo, mais alto e avançado, e de uma feição diferente do palácio seiscentista, enobrecido por portal nobre, da fundação do edifício e actual acesso ao palácio) de tipo setecentista.
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Em 1913 foi demolido o pitoresco Arco de Santo André, da Cerca de D. Fernando, contiguo ao palácio, e que, superiormente, punha este em ligação com as casas da entrada da Costa do Castelo.==

Nota(s): O desaparecido Elevador da Graça, semelhante ao da Estrela-Camões, percorria o trajecto Largo da Graça, Largo e Calçada de Santo André (contornando o Palácio Figueira), Calçada dos Cavaleiros, Rua da Mouraria, Carreirinha do Socorro e Rua Nova da Palma, surgindo a maior dificuldade na transposição do velho Arco de Santo André.

Calçada da Graça |c. 191-|
Palácio Figueira, portal setecentista.
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Calçada da Graça — onde se encontra a Fachada Poente com seu portal setecentista deve o nome do antigo Convento de N. S. da Graça, começado a construir em 1271 no local conhecido por Almofala, que era um pequeno arrabalde mourisco extramuros quando as tropas de D. Afonso Henriques aí acamparam durante o cerco de Lisboa. A Almofala mourisca tornou-se no bairro da Graça lisboeta repetida na Rua, Largo e demais topónimos que invocam aquele convento.
____________________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, pp. 12-14, 1938.
idem, Inventario de Lisboa, Fasc. VI, 1949.

Monday, 1 February 2016

Rua da Graça

O nome deriva do antigo Convento de Nossa Senhora da Graça, começado a construir em 1271 naquele local, então conhecido por Almofala, que era um pequeno arrabalde mourisco extramuros quando as tropas de D. Afonso Henriques aí acamparam durante o cerco de Lisboa.
A Almofala mourisca tornou-se no bairro da Graça lisboeta repetida na Rua, Largo e demais topónimos que invocam o Convento de Nossa Senhora da Graça.  (cm-lisboa.pt)

Rua da Graça [1953]
Entrada do lado do Largo da Graça
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Eléctrico, carreira nº 10/11-GRAÇA (circulação). Esta carreira foi inaugurada em Julho de 1906, ligando o Rossio à Graça, via Rua do Ouro e Sé, com retorno por Sapadores e Anjos, sendo que a carreira 11 fazia o percurso inverso, chegando ao Rossio pela Rua Augusta.  Foi suprimida em 1984, por fusão com a carreira 28-B.
 
Rua da Graça [1953]
Junto ao n.º 66; os casebres à dir. foram entretanto demolidos para alargamento da via.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 20 September 2017

O «Passo» da Mouraria e a lápide da Cerca Fernandina

Fez há pouco quarenta anos que foi ordenada a demolição do Passo da Mourariaescreve Norberto de Araújo num artigo publicado no boletim do Grupo "Amigos de Lisboa" — um dos da procissão do Senhor dos Passos, da Graça. 


Serve de pretexto a estas notas, que nenhuma novidade conterão, uma fotografia que possuímos, e na qual o «passo» se vê tal qual era no final do século passado {séc. XIX]. A estampa é inédita, e deve-se, segundo cremos, a Alberto de Oliveira, um dos fundadores do «Grupo do Leão» (1887), senão o seu principal organizador, e que cultivava as curiosidades e os tipos de Lisboa, interessando-se por assuntos de arte ligados aos progressos gráficos. Alberto de Oliveira, que figura na famosa tela de Columbano, de cujos pares hoje não resta um só, foi daquela gente da boémia do talento e do espírito o primeiro a desaparecer da vida. Já não viu demolir o velho «Passo da Mouraria», cuja fotografia teria feito há cerca de sessenta anos [c. 1887]. O pormenor não interessa demasiadamente; pela leitura do título de uma peça que se representava ao tempo no Teatro do Príncipe Real [A Filha do Snr. Chrispim] [1], e que se pode ler num cartaz que a fotografia reproduz, apurar-se-ia o ano que corresponde ao cenário.
Ao «Passo da Mouraria» está ligada a história do sítio da Saúde ou da Guia. Na conhecida gravura — e belo documento — do «Arquivo Pitoresco», volume V, pág. 377 [vd. 2ª imagem], aparecem em desenho o «Passo», o recanto do Alegrete, o Arco, rasgado num prédio dos Taroucas, o resto de um ângulo da muralha de D. Fernando, e a lápide de mármore, com inscrição em caracteres góticos maiúsculos, que atesta a construção (1373-1375) da muralha fernandina.
Na fotografia à qual nos reportamos não aparece o recanto [vd. 1ª imagem], mas distintamente se vê a lápide, aposta no lanço da muralha contigua ao «Passo», ao lado superior de uma porta que tinha o n.º 12 [da Rua da Mouraria].

O «Passo da Mouraria» e a lápide da Cerca de D. Fernando (dir.) [c. 1887?]
Rua da Mouraria; à esquerda vislumbra-se a fachada lateral da Ermida de Nossa Senhora da Saúde
Alberto de Oliveira,in Lisboa de Antigamente

1907 foi o ano da condenação do «Passo da Mouraria» que, em reconstrução, datava de 1780; o Terramoto destruíra o primitivo, que vinha de 1698-1702, e era sensivelmente da mesma idade do palácio do Conde de Vilar Maior, antecessor da Casa dos Alegretes, depois Penalvas e Taroucas. Este palácio, dito dos Marqueses do Alegrete, cujo título passou para o arco e para a rua, foi demolido neste ano corrente de 1947, sem que houvesse razão para o prantear.
Duas das relíquias do pequenino sítio desapareceram, pois, quarenta anos uma atrás da outra. Está de pé apenas o Arco, teimosamente a recordar a Porta de S. Vicente da Mouraria, que leva 574 anos de Porta, e 273 de Arco, pois foi transformada em 1674, para facilitar o trânsito dos coches.
A lápide relativa à construção da cerca de D. Fernando passou, depois de 1908, quando foi construído o grande prédio n.º 8 a 16, à esquina das Escadinhas do Marquês de Ponte de Lima Escadinhas da Saúde, para a fachada desse prédio, onde ainda se encontra. E' venerando documento da Lisboa do Rei Formoso, talvez o único de vulto, assim como o Arco, tão escarnecido e desrespeitado na sua memória, é a última das portas de Lisboa da Cerca do século XIV.

Rua da Mouraria, Arco e Palácio do Alegrete em 1862
À esquerda, na parede ao lado do  «Passo da Mouraria» vê-se a lápide comemorativa da construção da Cerca de D. Fernando
Gravura de madeira: desenho de Barbosa Lima e gravura de Coelho Júnior e Pedroso
in Arquivo Pitoresco

O «Passo da Mouraria» desapareceu em 1907-1908, como dissemos. A Câmara ofereceu à Irmandade do Senhor dos Passos da Graça, à qual o «Passo» pertencia, uma indemnização de quinhentos mil réis, que a irmandade aceitou. Dos cinco «passos» de rua da procissão dos Passos da Graça subsistem hoje apenas dois: o da «Verónica», no Largo do Terreirinho n.º 119 do começo da Calçada de Santo André, que data de 1765, e substituíra um que existiu antes na Rua do Boi Formoso [Benformoso] (1673-1675), como este substituíra um ao cimo da Rua dos Cavaleiros; e o de «Santo André», místico com o desaparecido Arco de Santo André, ampliado em 1608-1702, sito no começo da Costa do Castelo, porta n.º 106.
O famoso «Passo» do Rossio, que datava de 1700, fôra apeado em 1759, e reedificado em 1782 em terrenos da Casa dos Duques de Cadaval, novamente demolido em 18319 por ordem da Câmara, que, por sentença, teve que reedificar logo em 1841, sendo inaugurado em 1843. Pouco depois construiu-se o grande prédio Cadaval que esquina para o actual Largo de D. João da Câmara, anteriormente «Pátio do Duque». E o «passo» ficou nele encravado até 1913, ano em que a Casa Cadaval logrou por sentença, que a irmandade o entregasse, para demolição. É hoje [em 1947] «O Passo», pequena leitaria tipo Rossio.
O «Passo de S. Roque» estava embebido na face da Torre de Álvaro Pais, que se situava, como é sabido, no Largo de S. Roque [actual Trindade Coelho]; o Terramoto destruiu-o e foi reedificado em 1780-1781, até 1827, ano em que a Câmara regularizou o largo para a abertura da Rua Nova da Trindade.
A arquitectura exterior destes «passos» era sensivelmente igual: portada de volta perfeita sobre cuja cornija assenta o frontão, constituindo duas volutas a envolver um medalhão central, coroado por uma cruz simples. Estas evocações (apoiadas no estudo histórico do ilustre Padre Ernesto Sales) servem apenas de ilustração ao insignificante mas curioso documento que é a fotografia do «Passo da Mouraria». Falta somente assinalar que a história de três dos «Passos» referidos está ligada por situação à Cerca de D. Fernando: os de S. Roque, da Mouraria e de Santo André.¹

«Passo» da Mouraria e muralhas de D. Fernando no Largo da Saúde
Alfredo Roque Gameiro (1864-1937), in Lisboa Velha
 

[1] Refira-se, a título informativo, que «A Filha do sr. Chrispim» mencionada por Norberto de Araújo — e cujo cartaz se observa na 1ª imagem — foi escrita por Ludgero Viana (1842?-1934). Opereta de costumes portugueses, em 3 actos, terá estreado por volta de 1880, tendo feito furor à época com inúmeras representações em pelo menos dois teatros da capital. os já extintos Teatro do Rato e Teatro do Príncipe Real.
Ludgero Viana nasceu em Lisboa a 16 ele Março de 1842. Entrou para o jornalismo, em 1861. como redactor da época e foi durante muitos anos secretário da redacção do Diário Ilustrado. Como escritor teatral estreou-se no Teatro do Rato com a peça Os Malhados. Em 1903 entrou para a redacção do Diário de Noticias, onde se conservou durante vinte anos.
______________________________________
Bibliografia
¹ARAÚJO, Norberto de. O «Passo» da Mouraria e a lápide da Cerca Fernandina, Olisipo: boletim do Grupo "Amigos de Lisboa", 1947.

Saturday, 5 March 2016

O Arco de Santo André, o Palácio dos Condes da Figueira e uma lenda

Estamos agora no local onde foi o Arco de Santo Andrérecorda-nos Norberto de Araújo, demolido em 1915 [5 de Junho 1913]², para dar passagem aos carros eléctricos, ou melhor: para a montagem dos fios aéreos. Era aqui a Porta de Santo André da «Cerca Nova» de D. Fernando; as exigências do trânsito converteram a Porta, certamente de reduzidas linhas, em Arco, e este acabou por se ir embora também.

Arco de Santo André, visto do trecho final da Costa do Castelo |ant. 1913|
Palácio dos Condes de Figueira, Antigo Largo de Santo André,
hoje Largo Rodrigues de Freitas; Calçada da Graça
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente
 
Sobre o Arco corria um Passadiço que ligava o edifício, hoje de esquina, ao Palácio dos Condes da Figueira, esse grande prédio que aí estás vendo, na esquina oposta para a Calçada da Graça, com seu portal nobre de estilo barroco seiscentista, a sua rijeza de aspecto, uma indiscutível austeridade arquitectónica exterior.

Arco de Santo André,  visto do trecho final da Costa do Castelo |ant. 1913|
Ao centro distingue‑se claramente a lápide glorificando a Imaculada Conceição da Nossa Senhora e que se encontra actualmente no Museu do Carmo.
Antigo Largo de Santo André, hoje Largo Rodrigues de Freitas; Calçada de Santo André
 À direita, casa senhorial que integra o Portal do 6º Passo da Procissão dos Passos da Graça mandado erigir em 1622.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Já agora devo dizer-te — prossegue o autorque este Palácio, antes de 1755, pertencia a Félix José Machado da Casa dos «Mendoças da Avé-Maria», e o brasão que ostenta o portal ainda é dos Mendoças. [A pedra de armas da família Mendoça, colocada na arquitrave, não será a peça originaladianta mais tarde, (1949) mestre Araújo]. Nos .Mendoças entroncaram os Figueiras, cujo primeiro Conde foi D. José Maria Rita Castelo Branco Correia e Cunha de Vasconcelos e Sousa, casado em primeiras núpcias com uma senhora do morgadio da Figueira, e em segundas, com uma senhora da família Mendoça. (...)
Este portal sacro, encostado ao cunhal do desaparecido Arco, de um vermelho de capa de confraria, foi o de um dos passos da procissão dos Passos da Graça, que endoidecia Lisboa da Mouraria ao Rossio e S. Roque. Esta procissão, que acabou pela República, e datava da Quaresma de 1587, teve origem numa lenda que...

Arco de Santo André e Palácio dos Condes de Figueira [1907]
Antigo Largo de Santo André, hoje Largo Rodrigues de Freitas;
Calçada de Santo André e Elevador da Graça.
Nota(s): O desaparecido Elevador da Graça, semelhante ao da Estrela-Camões, percorria
o trajecto Largo da Graça, Largo e Calçada de Santo André (contornando o Palácio Figueira),
Calçada dos Cavaleiros, Rua da Mouraria,
Carreirinha do Socorro e Rua Nova da Palma,
surgindo a maior dificuldade na transposição do velho Arco de Santo André.

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

   Mas escuta em um minuto, um minuto só, a lenda
Um peregrino foi certo dia bater à Casa dos Padres de S. Roque, a pedir pousada. Não o receberam. Foi depois bater ao Convento da Graça; ali foi acolhido. Entrou, mas quando foram por ele — sumira-se. Em seu lugar estava uma imagem do Santo Cristo. Houve uma demanda para se saber a qual das casas religiosas pertencia a imagem; ganharam os gracianos contra os jesuítas. Mas estes ficaram com o direito de possuir a imagem «um dia só», durante a roda do ano. Se demorasse mais um dia em S. Roque-a Graça perdia a posse. E assim em certa quinta-feira da Quaresma, à tarde, o Senhor dos Passos da Graça ia para S. Roque, e regressava na tarde de sexta-feira. 
Metia tropa e as Majestades. Iam devotos descalços — pés em sanguesob o andor, a cumprir promessas. Esta inocência piedosa acabou, por ordem real, em 1879; as promessas, porém, continuaram, e com elas a procissão lisboeta, uma das mais populares do século passado [séc. XIX].¹

Arco de Santo André  |1907|
Calçada de Santo André; Costa do Castelo (esq.)
Em cima nota-se a Igreja de Santa Cruz do Castelo.
Fotógrafo não identificado,
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, pp. 12-14, 1938.

Wednesday, 19 September 2018

Rua da Senhora da Glória

Ora aqui temos uma curiosa artéria do sítio — diz Norberto de Araújo: a Rua de Nossa Senhora da Glória, cujo enfiamento é curiosíssimo, com a silhueta de S. Vicente ao fundo. Esta rua é do princípio do século passado [séc. XIX], mas a sua urbanização tem sido lenta. E vamos descendo.


Rua da Senhora da Glória N→S  [1907]
Junto ao prédio (esq.) com o n.º 140, vista da Rua dos Sapadores.
 Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Das várias quintas aforadas, no nosso lado esquerdo, norte, se foram erguendo prédios, alguns há poucos anos, e outros há poucos meses, como este — repara —  cujo chão se integrava na Quinta do Amaral, na esquina das Travessas e Rua da Senhora da Glória, imponente, moderníssimo de forma, desafogado, verde-ervilha, do tipo dos 'decks' de navio [vd. 3ª foto]: data de 1938 e é propriedade de Luiz Ribeiro que o comprou ao construtor António da Silva.

Rua da Senhora da Glória, junto à Rua das Beatas antiga da Conceição  [1907]
Ao fundo à direita vê-se o prédio «verde-ervilha» na esquina com a Travessa da Senhora da Glória, referido por mestre Araújo; do lado esquerdo —onde se vê uma árvore debruçada sobre a rua — ergue-se a Ermida de Nossa Senhora da Glória.
 Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente
Rua da Senhora da Glória esquina com a Travessa da Senhora da Glória [1907]
Prédio «verde-ervilha»referido por mestre Araújo«cujo chão se integrava na Quinta do Amaral».
 Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

E aí tens, Dilecto, o contraste, a tal luta entre duas civilizações urbanistas: esses prèdiozitos cor de rosa, metidos entre quintalórios, na Rua do Cardal, amachucados ante a grandeza do prédio verde-ervilha que estamos ainda a ver.
Estamos agora defronte da Ermida de Nossa Senhora da Glória.

Rua da Senhora da Glória NS  [1907]
Junto ao prédio (dir.) com o n.º 101, destacando-se, mais abaixo, o telhado 
da Ermida de Nossa Senhora da Glória
De joelhos, com a bengala ou a muleta no chão, vê-se um homem de mãos erguidas 
para o céu, perante o olhar curioso da vendedeira ambulante. 
Promessa ou devoção à Senhora da Glória?
 Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

N.B. A Rua da Senhora da Glória foi fixada na memória da cidade em data que se desconhece mas seguramente, pelo menos data do século XIX já que nos registos de numeração predial, consta um mandado datado de 19 de Julho de 1893, onde este arruamento está designado por Rua de Nossa Senhora da Glória, à Graça.
_________________________________________________________________________________
Bibliografia
Norberto de Araújo, «Peregrinações em Lisboa», vol. VIII, p. 26, 1939.
Web Analytics