E "Borratém" porquê? — questiona Norberto de Araújo. O enigma foi, porém, esclarecido pelo
arabista, ilustre professor Dr. David Lopes: a palavra é árabe, formada
por ber e atten, o que significa "poço da figueira".
A atual Praça da Figueira (mercado) corrobora a explicação. O poço e a designação são antigos, eis o que é certo.
No meado do século passado [XIX] explorava a água uma companhia de aguadeiros, e, antes, em 1818, existia uma Irmandade de Santo André e das Almas que cobrava um tributo a quem aproveitava o líquido, fiado nas suas virtudes. [Araújo: 1938]
No meado do século passado [XIX] explorava a água uma companhia de aguadeiros, e, antes, em 1818, existia uma Irmandade de Santo André e das Almas que cobrava um tributo a quem aproveitava o líquido, fiado nas suas virtudes. [Araújo: 1938]
O Poço do Borratém, que deu o nome ao Largo onde está situado, era conhecido no tempo antigo, e teve até grande nomeada, confirmada por Curvo de Semedo na sua obra Polyanthea Medicinal.
Diz este autorizado autor das excelências comprovadas desta água em curar «achaques do fígado, impigens, bostelas e outros males cutâneos». Segundo as suas declarações, «Pedro Castilho, juiz do Terreiro, Álvares Rocha, inquisidor, e a rainha D. Luísa de Gusmão, esposa de D. João IV, dela fizeram uso com satisfatório êxito em quenturas do fígado, costras e outras misérias ».
Em Lisboa Ocidental, chegado às Casas do couto dos [Condes de Monsanto] e Marquezes de Cascaes, está o grande poço do Borratem, muy abundante de agoa, de que bebe a mayor parte da sua vizinhança; a qual he comuummente reputada por boa para os que padecem achaques de calor, assim bebendoa, como tomando banhos nela, do que fez algumas observações o doutor João Curvo Semedo.══
(iHENRIQUES, Francisco da Fonseca, (1665-1731), Aquilegio medicinal, 1876)
Diz este autorizado autor das excelências comprovadas desta água em curar «achaques do fígado, impigens, bostelas e outros males cutâneos». Segundo as suas declarações, «Pedro Castilho, juiz do Terreiro, Álvares Rocha, inquisidor, e a rainha D. Luísa de Gusmão, esposa de D. João IV, dela fizeram uso com satisfatório êxito em quenturas do fígado, costras e outras misérias ».
![]() |
| Poço do Borratém |194-| António Castelo Branco, in Lisboa de Antigamente |
Em Lisboa Ocidental, chegado às Casas do couto dos [Condes de Monsanto] e Marquezes de Cascaes, está o grande poço do Borratem, muy abundante de agoa, de que bebe a mayor parte da sua vizinhança; a qual he comuummente reputada por boa para os que padecem achaques de calor, assim bebendoa, como tomando banhos nela, do que fez algumas observações o doutor João Curvo Semedo.══
(iHENRIQUES, Francisco da Fonseca, (1665-1731), Aquilegio medicinal, 1876)
![]() |
| Poço do Borratém transformado em chafariz |ant. 1927| Chafariz do Poço antes da última remodelação. Vê-se a bomba manual, entretanto desaparecida. José Artur Leitão Bárcia, in Lisboa de Antigamente |
Por volta de 1927, novas obras transformam o poço num chafariz — depósito com três torneiras, enchido pela pressão da água, correndo o excesso a nível do chão para três bacias (estrutura que se conserva).
«Muita água há no Borratém
E no poço do tinhoso»
(Gil Vicente, «Pranto de Maria Parda»)
![]() |
| Poço do Borratém |1927| O chafariz do Poço do Borratém ao ser reaberto ao público, depois das importantes modificações que sofreu- Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente |
Em 1986 inicia-se a recuperação do espaço sobre orientação da arqueóloga Ana Rolo. Em 1996 o edifício é transformado no Hotel Lisboa–Tejo, que conserva anexo à recepção, o velho Poço do Borratém.
![]() |
| Poço do Borratém |1951| Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente |



















.jpg)






















