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domingo, 28 de junho de 2026

Rua Carlos Testa

Passada a pequena Rua Carlos Testa, à direita, chegamos ao cruzamento da Avenida António Augusto de Aguiar com a Rua Marquês de Fronteira. [Araújo: 1939]

Essa serventia, anunciada por edital em 1903, já consta na planta topográfica de 1909, elaborada por Júlio António Vieira da Silva Pinto. [Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa,, Comissão Municipal de Toponímia, Lisboa, 2000]

Rua Carlos Testa |1958|
Ao fundo nota-se a Av. Antonio Augusto Aguiar. Perspectiva tirada do Largo de S. Sebastião  da Pedreira onde os eléctricos da circulação davam a volta para Duque de Ávila.
Legenda no abandalhado amL: «Mudanças de linha dos eléctricos em São Sebastião da Pedreira»
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

N.B. O topónimo homenageia Carlos André Testa (1823–1891) que seguiu a carreira naval até alcançar o posto de contra-almirante, sendo responsável pela renovação da frota portuguesa na segunda metade do século XIX.

Rua Carlos Testa |191-|
Perspectiva tomada da Av. Antonio Augusto Aguiar no sentido do Largo de S. Sebastião da Pedreira. O prédio de gaveto encontra-se demolido.
Alberto Carlo Lima, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Alto e Arco do Carvalhão

Carvalhão (arco do) fica na estrada do arco do Carvalhão, freguezia de Santa Izabel.
Carvalhão (estrada do arco do) primeira á esquerda na rua de S. João dos Bemcasados [R. Amoreiras], indo da rua do arco das Aguas Livres e finda na quinta da Cabrinha, freguezia de Santa Izabel. [Velloso: 1869]

Arco do Carvalhão situado sobre a Rua do Arco do Carvalhão, em Lisboa. Freguesia de Campolide, Classificado no conjunto do Aqueduto, como Monumento Nacional por Dec. de 16-6-1910. Estabelecidas Zonas Especiais de protecção pelas portarias 1092/95 (DR 206) de 6-9-1995, 1099/95 (DR 207) de 7-9-1995 е 512/98 ( DR 183) de 10-8-1998.

Ruas do Alto e do Arco do Carvalhão |1939|
Chafariz; Aqueduto das Águas Livres
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Trata-se de trecho do aqueduto que vence, com dois amplos vãos, os dois arruamentos em que, neste local, se subdivide a Rua do Arco do Carvalhão. Antes de ser chamada «do Arco do Carvalhão», a rua tinha o nome de «do Sargento-Mor», como recorda o ilustre Norberto de Araújo. [...] Agora estamos no Arco do Carvalhão, sob dois imponentes arcos do Aqueduto. Esses terrenos [...] estendiam-se além da actual Rua das Amoreiras, desde o trecho da Cruz das Almas até a actual Rua Marquês da Fronteira. [...] O «Carvalhão» era, na verdade, o futuro Marquês de Pombal, e do seu sobrenome vieram os nomes da rua actual. [...]

Ruas do Alto e do Arco do Carvalhão |1961|
Ao fundo nota-se o Viaduto da Avenida Duarte Pacheco ou do Arco do Carvalhão; Aqueduto das Águas Livres.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Ainda de acordo com o insigne olisipógrafo Norberto Araújo «terrenos eram estes de Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda antes de ser Marquês de Pombal e Conde de Oeiras e «Carvalhão» era o nome pelo qual era conhecido «e do apelido derivaram os nomes da Rua actual (Arco do Carvalhão) que leva à Cruz das Almas, e da ladeira (Alto do Carvalhão) só há poucos anos (1933) edificada em forma, e que leva a D. Carlos Mascarenhas».

Ruas do Alto e do Arco do Carvalhão |195-|
Fotografia aérea da Av. Eng. Duarte Pacheco, Aqueduto das Águas Livres. 
Rua do Alto do Carvalhão anotada com cor azul e Rua do Arco do Carvalhão a encarnado.
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ALMEIDA, Álvaro Duarte de, Portugal património: Lisboa· 2007.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp.77-78, 1939.

terça-feira, 25 de março de 2025

Panorâmica sobre a Rua Pascoal de Melo


Os cenários da Cidade, tomados do alto, poder-se-iam chamar os Telhados de Lisboa — diz Norberto de Araújo —  o grande enamorado de Lisboa e a quem vamos sempre seguindo. 
Há os miradouros de panorama extensivo, que abarcam todas as distâncias E há os miradouros suspensos sobre a cobertura confusa do casario: só se distinguem empenas, mansardas, telhados, campanários pequeninos, a ramagem tímida de um quintal. 
E tudo se amalgama na intimidade dos planos. Perdem-se as linhas do trânsito, os portais fidalgos, as belas varandas de renda, as bocas sombrias dos casebres. 
Destes cenários desgrenhados a poesia ascende, sem ritmo, num pitoresco desconcertante de acaso. 
— Põe-se de poleiro o galo alfacinha! 
[ARAUJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, p. 212, 1943]

Panorâmica de Lisboa  [Inicio do sec. XX]
Legenda (clicar na imagem para ampliar):
¹ Rua Pascoal de Melo; ² Av. D. Amélia, hoje Almirante Reis —  o 1º quarteirão, na esq. baixa, é hoje ocupado pela Cervejaria Portugália; ³ Rua António Pedro; ⁴ Rua Passos Manuel — Jardim Constantino, de onde vem o eléctrico; ⁵ Rua Aquiles Monteverde  — desembocando no viaduto sob a Pascoal de Melo; ⁶ Largo de Dona Estefânia; ⁷ Rua de Arroios, passando a (antiga) Igreja de S. Jorge de Arroios na Rua Alves Torgo até à Rua José Falcão; 9 Rua José Falcão; ¹º Praça Duque de Saldanha; ¹º Rua Marquês de Fronteira e nela o Palacete Mendonça.
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Avenida António Augusto de Aguiar, 144: Casa Júlio de Andrade

No contexto do grande plano de desenvolvimento camarário da cidade de Lisboa em direcção a norte, entre 1897 e 1898 foi rasgada a Av. António Augusto de Aguiar que, contando com pouco mais de um quilómetro de extensão, finalmente concretizava (embora de forma enviesada) a ligação há muito pretendida entre a Avenida da Liberdade e a Estr. da Circunvalação (actual Rua Marquês da Fronteira). Apenas em 1903 foram disponibilizados os talhões do quarteirão triangular formado pela Av. António Augusto de Aguiar, Rua Marquês da Fronteira) e Estr. da Palhavã (actual Rua Nicolau Bettencourt), junto do local onde a primeira terminava.
Em Junho de 1903, Júlio de Andrade (1838-1906), acrescentaria ao seu pecúlio o lote nº 34 (também com frente para a estrada da Palhavã), no aludido quarteirão triangular no extremo norte da avenida. Para este último contratou Raul Lino para projectar o que terá sido outra casa de rendimento.
A 29 de Fevereiro de 1904, «foi celebrado o contrato para a construção da casa entre o proprietário e o construtor civil Manuel Joaquim de Oliveira, tendo o arq.º Raul Lino e Inocêncio Madeira como testemunhas. A empreitada foi dada por 18:100$000 a pagar em sete prestações, devendo a obra estar concluída num prazo máximo de 12 meses.

Avenida António Augusto de Aguiar, 144 |post. 1903|
Casa de Júlio de Andrade
; atrás e a dir. notam-se as antigas torres do Parque José Maria Eugénio sobre a Rua Dr. Nicolau Bettencourt.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

A fachada principal é definida pela configuração das coberturas, muito inclinadas e com beirado em madeira, à imagem dos chalets centro-europeus. Esta fachada era composta por volumes discretamente desencontrados, num jogo de vãos e varandas, cujas guardas de ferro apresentavam um intrincado desenho plenamente imbuído do estilo Arte Nova.
A casa de Júlio de Andrade não sobreviveu às alterações do tempo, tendo sido demolida em 2003, em vésperas de cumprir o primeiro centenário. [DGPC]

Avenida António Augusto de Aguiar, 144 |1966-04|
Casa de Júlio de Andrade; atrás e a dir. notam-se as antigas torres do Parque José Maria Eugénio sobre a Rua Dr. Nicolau Bettencourt.
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

N.B. Júlio de Andrade, (?-1906), apaixonado zoófilo, não foi só um ilustre membro da abastada burguesia lisboeta do final do séc. XIX. A sua acção destaca-se pelo seu papel enquanto membro fundador da Sociedade Protectora dos Animais em 1875.Em 1882 Júlio de Andrade teve a ideia de oferecer à cidade de Lisboa em nome da S.P.A. fontanários-bebedouro para animais. Foi director do Banco de Portugal (fundado a 19 Nov. 1846) e do Banco Lisboa & Açores (fundado a 22 Mar. 1875), tendo-se no entanto destacado pelos seus actos de benemerência.
Através de edital de 12/05/1910 a Câmara Municipal de Lisboa  homenageou-o com atribuição do seu nome à rua entre o Campo dos Mártires da Pátria e a Travessa da Cruz do Torel.  

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Cruzamento formado pelas Ruas Nova de São Mamede, Salitre, Barata Salgueiro e Rodrigo da Fonseca

No final do século XII, e sob a autoridade do Bispado de Lisboa, surgem na capital as dez primeiras freguesias (terreno delimitado, na cidade ou no campo, em que habitavam indivíduos que seguiam o mesmo culto, tendo como ponto principal o templo ou a igreja matriz). Em 1247, nasce São Mamede, famosa por albergar o Jardim Botânico de Lisboa e o Edifício da Imprensa Nacional. É a mais antiga das freguesias que hoje formam a de Santo António.

A Rua Nova de São Mamede é assim designada por se encontrar nas proximidades da Igreja Paroquial de São Mamede. Esta paróquia remonta ao século XIV (1312), Anteriormente designada Travessa de São Mamede, este arruamento foi renomeado  pelo Edital do Governo Civil de 5 de Abril de 1945, tendo o seu início no Largo de São Mamede e término na Rua do Salitre.

Salitre. O local em que se encontra foi mencionado pela primeira vez em 1665 nos Livros dos Óbitos da freguesia de São José: “Pátio do Salitre”, designação que se manteve até 1746. Este topónimo nasceu das nitreiras ou salitrais que os frades de São Bruno – conhecidos como Cartuxos ou Brunos – tinham nas suas hortas, nos terrenos que detinham nesta artéria, já que salitre é o nome vulgar do nitrato de potássio, um adubo. Este arruamento inicia-se na Avenida da Liberdade, terminando na Rua Rodrigo da Fonseca.

Cruzamento formado pelas Ruas Nova de São Mamede, Salitre, Barata Salgueiro e Rodrigo da Fonseca |ant. 1928|
Autor desconhecido, in Lisboa de Antigamente

A Rua Barata Salgueiro homenageia o Dr. Adriano Antão Barata Salgueiro (1814-1895) que cedeu gratuitamente e a preços reduzidos terrenos para a o projecto de urbanização da Avenida da Liberdade. Denominação atribuída por Deliberação Camarária de 6 de Maio de 1882. Este arruamento tem início na Rua de Santa Marta e termina Rua Rodrigo da Fonseca.

A Rua Rodrigo da Fonseca — anteriormente designada Azinhaga do Vale do Pereiro — foi renomeada pela Deliberação Camarária de 28 de Fevereiro de 1884 e respectivo Edital do Governo Civil de 4 de Março do mesmo ano, iniciando-se na Rua do Salitre e terminando na Rua Marquês de Fronteira. 
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Bibliografia
jfsantoantonio.pt

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Rua Marquês de Fronteira: «Reservatório do Pombal»

Esta Rua Marquês da Fronteira sucedeu a uma linha irregular, que não é evidentemente a de hoje — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , a qual constituía as setecentistas Estrada dos Padres da Companhia e Estrada de S. Francisco Xavier, rectificadas há meio século [c. 1890], Rua — quási Avenida — moderna, já servida de eléctricos desde Outubro de 1936. ...)
O muro que prossegue [à esquerda], até à Penitenciária, defende os terrenos da Companhia das Águas, onde se encontra o Depósito chamado do «Pombal». E do Pombal seriam porque já no começo do século passado [XIX], e certamente muito antes, quando estes chãos ainda constituíam herança da Companhia de Jesus, recebida pelo Real Colégio dos Nobres, eles eram conhecidos pela designativa de «Pombal», e um pombal haveriam tido. [...]
Em 1873 o Governo expropriou estes terrenos todos, aqui [à esquerda] para levantamento do «Cadeia Geral e Penitenciária».
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 91-92, 1939)

Rua Marquês de Fronteira |1967|
Reservatório do Pombal; Cadeia Penitenciária de Lisboa
João Brito Geraldes, in Lisboa de Antigamente

A artéria perpetua a memória de D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto (1802–1881), 8º conde da Torre, 5º marquês de Alorna e 7º marquês de Fronteira. Após a Vilafrancada viveu exilado para depois fazer toda a campanha das lutas liberais, tendo-se reformado no posto de marechal-de-campo. Foi também governador civil de Lisboa (1846-1851), par do reino e deixou 5 volumes das suas «Memórias do Marquês de Fronteira e D'Alorna».

domingo, 21 de maio de 2023

Rua Marquês de Fronteira que foi Estr. da Circunvalação

Por decreto de Setembro de 1852 a cidade passaria a ser circundada por muro alto e contínuo, feito propositadamente, até junto ao rio, tendo por únicas passagens, portões de ferro. Chamava-se Estr. de Circunvalação e para efeitos aduaneiros estava guardada pela Guarda Fiscal.
A estrada passava pelo Arco do Carvalhão (Arco pertencente às Aguas Livres) Rua D. Carlos de Mascarenhas — Rua Marquês de Fronteira — actual Avenida Duque de Ávila — Rua Visconde de Santarém — Largo do Leão — Rua Carrilho — Rua Morais Soares — Alto de S. João — Avenida Afonso III (sendo novo o último troço, evitando-se a Calçada das Lajes) Xabregas.

Rua Marquês de Fronteira |1927|
Antiga Estrada da Circunvalação
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Legenda da foto no arquivo: «O carro celular com o preso (José Júlio da Costa), a caminho da Penitenciária de Lisboa»

A artéria perpetua a memória de D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto (180 –1881), 8º conde da Torre, 5º marquês de Alorna e 7º marquês da Fronteira. Após a Vilafrancada viveu exilado para depois fazer toda a campanha das lutas liberais, tendo-se reformado no posto de marechal-de-campo. Foi também governador civil de Lisboa (1846-1851), par do reino e deixou 5 volumes das suas «Memórias do Marquês da Fronteira e Alorna».

Eléctricos na Rua Marquês de Fronteira |1960|
Dístico de 1903. Paragem junto a Rua de Campolide.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Palácio José Maria Eugénio (ou Vilalva)

O Palácio dos Larres perdeu o aspecto setecentista e tornou-se um belo edifício, mais burguês do que nobre, embora se houvessem aproveitado as ricas decorações interiores, à base de estuque em preciosos relevos. O filho e sucessor de José Maria Eugénio, Carlos Maria Eugénio de Almeida, pretendeu valorizar a propriedade iniciando a construção de uns anexos, em tipo inglês de castelo, destinados a cocheiras e aposentadorias, os quais não se concluíram e ainda hoje se mostram em pitoresco aspecto sobre a Estr. de Palhavã [troço da actual Rua Doutor Nicolau de Bettencourt].


Reedificado a partir de 1860 segundo o risco do arquitecto francês Jean Colson, o Palácio de José Maria Eugénio de Almeida — um dos sócios do «Real contrato do tabaco, sabão e pólvora» e um dos mais ricos proprietários do país — domina a paisagem do Largo de S. Sebastião da Pedreira, para onde volta a sua fachada principal. A implantação desta nova obra manteve as linhas essenciais do palácio do Provedor dos Armazéns que a precedeu — e que se sabe ter sido edificado para habitação própria, cerca de 1730 pelo arquitecto, também francês, Fernando Larre — que servia D. João V. 

Palácio José Maria Eugénio (ou Vilalva) |c. 1930|
Fachada principal sobre o Largo de S. Sebastião da Pedreira;  Rua Dr. Nicolau Bettencourt [antiga Estr. Palhavã] e Rua Marquês Sá da Bandeira (dir.)
Paulo Guedes, 
in Lisboa de Antigamente

O antigo Palácio José Maria Eugénio situa-se entre o Largo de S. Sebastião da Pedreira, o começo da Rua Dr. Nicolau Bettencourt, a Rua Marquês de Sá da Bandeira e a Rua Marquês de Fronteira, sobre a qual se estende o recente muro do jardim, com seus portões e guaritas soerguidas. As fachadas mantêm-se como em 1860, época da reedificação. 
O edifício com larga área arborizada que lhe era anexa, passou depois para os herdeiros (Condes de Vilalva) que, embora mantendo-lhe o aspecto primitivo, o beneficiaram interiormente, recorrendo-se do concurso do famoso estucador João Grossi e do continuador deste, Félix Salla, e dos ornamentistas Biel e Gomassa.

Palácio José Maria Eugénio (ou Vilalva) !1910|
Fachada posterior, de linhas irregulares, sobre os jardins; Rua Marquês de Fronteira e Rua Dr. Nicolau Bettencourt (dir.)
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Em começo de 1946, o Estado adquiriu ao bisneto do reedificador, para o Ministério da Guerra, o palácio que fora dos Larres, provedores dos armazéns, e de José Maria Eugénio de Almeida, nome este que perdura. Realizaram-se então no edifício largas obras de beneficiação, adaptação e de nova distribuição de salas, com construção dos anexos, dentro do grande jardim posterior, e de um muro sobre a Rua Marquês de Fronteira, com ângulos adornados de elegantes guaritas de vigia. Estes transformações foram dirigidas pelos arquitecto António Quinina e engenheiros João de Deus Pimentel e Filipe Ribeiro.

Palácio José Maria Eugénio (ou Vilalva), uma das entradas e cavalariças [1910]
Rua Marquês de Fronteira, esquina com a Rua Dr. Nicolau Bettencourt; separado do parque pela Rua Marquês de Fronteira, o palácio pertence hoje ao Exército.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Palácios particulares, 1950.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Rua do Arco do Carvalhão, 300-302

Antes de ser «do Arco do Carvalhão» a rua chamava-se «do Sargento-Mor» — recorda o ilustre Norberto de Araújo. [...] Mas nós estamos no Arco do Carvalhão — sob dois Arcos enormes do Aqueduto. Terrenos eram estes de Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda antes de ele ser Pombal e Oeiras, e estendiam-se, ultrapassando a actual Rua das Amoreiras, no lanço da Cruz das Almas para cima, até à actual Rua Marquês da Fronteira [...] O «Carvalhão» era então o futuro Marquês de Pombal, e do apelido derivaram os nomes da Rua actual [...]»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 79, 1939)

Rua do Arco do Carvalhão, 300-302 |1954|
Chafariz; viaduto ferroviário
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Rua Artilharia Um, 105

Prémio Valmor de 1949


Em 1949 o Prémio Valmor foi atribuído a um edifício de habitação com o piso térreo ocupado por estabelecimento comercial, situado na Rua Artilharia Um, 105, um projecto do arq.º João Simões para a Companhia de Seguros Sagres.
Modelo de referências da arquitectura do Estado Novo, cruzando modelos do século XVIII com a arquitectara tradicional portuguesa. Mantém a função original.

Rua de Artilharia Um, 105 [c. 1951]
Prémio Valmor de 1949
Firmino Marques da Costa, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Este arruamento, anteriormente designado por Rua José da Silva Carvalho, antes Rua de Entremuros (por deliberação camarária de 08/04/1897), com início na Rua São Filipe Néri e fim na Rua Marquês de Fronteira, abrange as Freguesias de São Mamede, São Sebastião da Pedreira e Campolide. 

domingo, 5 de dezembro de 2021

Palácio Pombal, à Rua de O Século

O antigo Palácio Pombal, na Rua do «Século», 65 a 93 [vd. nota], mantém ainda uma configuração uniforme exterior, mesmo depois de alienada e reedificada (1921) a ala Sul, que constitui o edifício moderno do jornal «O Século», cujo título deu, em 1911, nova denominação à antiga Rua Formosa.


O Palácio Pombal, da Rua de «O Século» — e melhor será dizer o Palácio dos Carvalhos, da Rua Formosa  — é uma construção que já existia no segundo quartel do século XVII, recebendo ampliação e reedificação no meado do século XVIII.
Era este o solar de Sebastião de Carvalho e Melo, 3.º senhor do morgado de Sernancelhe, capitão dos familiares do Santo Oficio. falecido em 1719, e de cujo casamento com D. Maria Leonor de Ataíde nasceu Manuel de Carvalho e Ataíde, humanista e académico, casado com D. Teresa Luísa de Mendonça e Melo, pai de Sebastião José de Carvalho e Melo. neste palácio seiscentista nascido a 18 de Maio de 1699, e de cujo baptismo foi padrinho seu avô, senhor da casa.

Palácio Pombal (ou dos Carvalhos) [194-]
Rua de O Século, 65-93 (antiga Rua Formosa); Rua da Academia das Ciências, 1-5
Os Portais Nobres (talvez segundo risco de Carlos Mardel), idênticos, ladeados por candeeiros de gás, de braço, oitocentistas, com escudetes de ferro fundido com o brasão dos Carvalhos e Albuquerques, os quais  portais com ombreiras e portais de cantaria, dão  passagem, além  de  um  passadiço, com abertura de arco de volta abatida, para  o Pátio e para os antigos jardins.
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

No período áureo do seu poderio, o descendente dos Carvalhos, da Rua Formosa, já Conde de Oeiras, beneficiou e transformou, por acrescentamento, o solar dos seus maiores, no qual viveu antes e depois de entrar na carreira politica, e cuja parte rústica se prolongava para Poente e Norte, constituindo o que se chamava «as Hortas», também com prédios de habitação. Um arco aberto, ainda existente na antiga Rua do Arco [do Marquês, actual da Academia das Ciências], comunicava com dependências do palácio do outro lado da rua e um outro arco-aqueduto servia as antigas hortas. Quase toda a área deste troço da então Rua Formosa, a Poente e a Nascente, era da casa Pombal, da qual o palácio formava a cabeça, como núcleo primitivo.
As reedificações e restauros ordenados pelo Marquês de Pombal podem datar-se além dos meados do século XVIII, cerca de 1770; o Marquês de Pombal aproveitou o merecimento do escultor e estucador italiano João Grossi, que já em 1748 exercia a sua actividade em Lisboa, e foi este artista quem deu a característica decorativa do interior das solar do palácio renovado, embora em quase todas elas subsistisse, como ainda hoje, a decoração cerâmica das paredes, em parte seiscentista. [...]

Palácio Pombal (ou dos Carvalhos) [1918-09]
Rua de O Século, 65-93 (antiga Rua Formosa); Rua da Academia das Ciências, 1-5
Perspectiva tomada do Palácio dos Viscondes de Lançada (antigas instalações do Jornal "O Século").
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

As cinco janelas do andar nobre do corpo onde se rasgam os portais, e as duas contiguas pelo Sul, correspondem a um terraço, sobre o qual no começo do actual século [XX] foram construídos uns anexos de moradia, cujo telhado é inferior ao do frontispício do edifício, e não se vê da rua.
O Palácio Pombal, onde no tempo dos Carvalhos se realizaram sessões da Academia dos Ilustrados (1716), e depois tantas cenas políticas e palacianas se desenrolaram, está hoje de aluguer; na parte nobre instalou-se em 1927 a Casa da Madeira, que sucedeu, como inquilina, a uma Casa de Espanha como esta sucedera à Legação da Alemanha, e à Confederação Geral do Trabalho (1913). O pátio e troços de jardim estão ocupados por barracões de oficinas de Alfredo Alves & Filhos, firma proprietária também do edifício e terrenos «das Hortas». na Rua da Academia das Ciências.
Nenhum outro prédio da vasta zona que pertenceu à Casa Pombal está hoje na posse de qualquer membro da família.

Palácio Pombal (ou dos Carvalhos) [1912-01]
Rua de O Século, 65-93 (antiga Rua Formosa); Rua da Academia das Ciências, 1-5
Esta frontaria adorna-se de duas ordens de janelas: vinte no andar nobre, de sacada com varões seiscentistas, e dezanove de peitoril no andar superior (o lugar onde devia existir uma janela é ocupado pela pedra  de  armas).
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. Em  paralelo,  talvez  segundo  risco  de Carlos Mardel,  desenvolveu uma cenográfica operação urbanística fronteira ao palácio, com o fim de engrandecer a envolvente. Um jogo barroco de linhas curvas e rectas permitiu o alargamento de parte da estreita Rua Formosa com a criação de duas meias-laranjas, tendencialmente simétricas. Numa, frente  à entrada nobre do palácio, foi erguido o delicado chafariz, enquanto na outra se rasgavam elaborados portais de acesso  a cavalariças (?).

Palácio Pombal (ou dos Carvalhos) [1930]
Rua de O Século, 65-93 (antiga Rua Formosa); Rua da Academia das Ciências, 1-5
Meia-laranja e portais de acesso  a cavalariças (?).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): O edifício n.º 89-103 da Rua de O Século, tornejando para a Rua da Academia das Ciências, 1-5, actualmente uma propriedade separada, fazia parte do conjunto designado Palácio Pombal.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Paços e  palácios nacionais, 1949.

domingo, 26 de maio de 2019

Palácio dos Condes de Coculim

Vemos os restos de outro nobilíssimo palácio — diz mestre Castilho — , que vai deter-nos alguns instantes a estudá-lo; é o que fica pegado, pela sua esquina Ocidental, ao chamado arco de Jesus, ou porta-do-mar-a-S. João. O palácio a que me referi era o dos Condes de Coculim, cujo brasão de armas, as faixas dos Mascarenhas, orna ainda a esquina do edifício. Pelas mostras, deveu ser uma casa belíssima; só restam as lojas, poucas janelas de sacada no primeiro andar, e um enorme portão, no mais arrogante estilo do século XVII. O terremoto aluiu todo o resto.


Quanto ao antigo Palácio Coculim, refere Norberto de Araújo o seguinte: «Bem de admirar-se é esse forte cunhal brasonado [ao centro, vd. foto 3] das armas dos Mascarenhas — muitos Mascarenhas titulares houve em Portugal! — , e que corresponde ao apelido dos Condes de Coculim, cujo primeiro senhor do título era filho de D. João de Mascarenhas, 1.° Marquês de Fronteira (1670) e 2.º Conde da Torre. [...]

Palácio Coculim [ant. 1900]
Rua do Cais de Santarém, 38-66; Arco de Jesus, 2-10; Beco do Armazém do Linho; Travessa de São João da Praça
 Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Pois disse-te que este Palácio, à nossa direita [desde o cunhal do Arco de Jesus até à Travessa de São João da Praça [ao fundo à esq.], era dos Condes de Coculim (1755), em cujos restos, que o Terramoto poupou, estão hoje [em 1939] os armazéns de ferro da firma Sommer. No começo do século XVII pertencia aos Condes de Linhares; supõe-se, sem que se possa ter a segurança, que uma serventia que existiu até 1755 nos baixos deste prédio — que interiormente ainda se denota, em forma de arco, tornado armazém — fosse o Postigo do Conde de Linhares, aberto na muralha, já muito depois da construção da Cerca de D. Fernando, e que ligava o Cais de Santarém com S. João da Praça.
Repara nesse portal [visível entre as duas carroças, vd. fig. acima] de cantaria almofadada, com verga ornamentada, ao estilo do século XVII; é quanto resta, expressivo, do Palácio dos Coculins.

Portal seiscentista do Palácio Coculim [193-]
Rua Cais de Santarém, 52
E
duardo Portugal, in LdA


Cunhal brasonado com Pedra de armas
dos Mascarenhas Condes de Coculim [1959]

Rua Cais de Santarém; Arco de Jesus
Armando Serôdio, in LdA


N.B. Desde 2018 — e após obras de reabilitação — está instalado no palácio o primeiro hotel-museu da cidade, o Hotel Eurostars Museum. O grande atractivo deste hotel é ser também um museu, expondo o precioso espólio arqueológico achado no local durante as obras de construção. Uma domus romana foi posta a descoberto e pode ser vista in situ, bem como um troço da muralha e da rua adjacente, do mesmo período (séculos II e III).
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Bibliografia
CASTILHO, Júlio de, A Ribeira de Lisboa, pp. 177-178, 1893.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, p. 25, 1939.

domingo, 4 de novembro de 2018

Rua do Arco do Carvalhão

Antes de ser do «Arco do Carvalhão» a rua chamava-se «do Sargento-Mór». [...] — recorda-nos Norberto de Araújo. Mas nós estamos no Arco do Carvalhão — sob dois Arcos enormes do Aqueduto. Terrenos eram estes de Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda antes de êle ser Pombal e Oeiras, e estendiam-se, ultrapassando a actual Rua das Amoreiras, no lanço da Cruz das Almas para cima, até à actual Rua Marquês da Fronteira [...] O «Carvalhão» era então o futuro Marquês de Pombal, e do apelido derivaram os nomes da Rua actual [...]

Rua do Arco do Carvalhão [1947]
Aqueduto; Chafariz do Arco do Carvalhão; Alto do Carvalhão (esq.)
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Esta Rua do Arco do Carvalhão — recorda o Grande enciclopédia portuguesa e brasileira — passa sob um robusto e curioso viaduto [inaugurado a 28 de Maio de 1944] que serve de suporte à auto-estrada no sítio conhecido por Sete Moinhos. Segue a rua até ao alto de Campolide com comunicações para S. Sebastião da Pedreira.

Rua do Arco do Carvalhão [1959]
Viaduto da Avenida Duarte Pacheco ou do Arco do Carvalhão. Rua Maria Pia (esq.)
 Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 79.1939.

domingo, 15 de abril de 2018

Bairro Azul

Começou por escolher o bairro onde mais gostaria de morar. Pensou em vários, e às suas preferências nunca era alheia a recordação dos tempos, ainda tão próximos, em que fora criada de servir. Gostaria, por exemplo, de ir pôr casa no Bairro Azul, só para «fazer ver» [...]¹


Estando embora em presença de uma Arquitectura civil, o Bairro Azul — Ruas Fialho de Almeida, Ramalho Ortigão e Avenida Ressano Garcia — constitui um conjunto arquitectónico que se reveste de uma homogeneidade ímpar, datado da década de 30 do Século XX com prédios dotados de esquerdo-direito ao gosto Art Deco e burguês, destinado a servir uma classe média que culminaria a sua ascensão no período salazarista, e que se procurava rodear de algum luxo e dignidade.

Rua Marquês de Fronteira |1967|
Edifícios do Bairro Azul; esta designação devia-se à aparente  «mancha azul» formada pela cor das persianas, das portas e das caixilharias.
Artur Bastos, in Lisboa de Antigamente

O ângulo estranho do plano do bairro resultava do desenho de Cristino da Silva para uma vasta urbanização inicial que, cerca de 1930, deveria ter sido o remate do prolongamento da Avenida da Liberdade. Devia apresentar-se com arruamentos em simetria, nos dois lados do Parque Eduardo VII. Contudo, o bairro ficou isolado, pois o restante projecto não se realizou, repetindo-se a vocação lisboeta para os tecidos incompletos e para a justaposição de bairros de origens diversas, característicos do início do Séc. XX. Trata-se, ainda assim, de um projecto e de uma ideia subjacente de Cidade.

Panorâmica sobre o Bairro Azul e zonas circundantes |c. 1950|
Av. António Augusto de Aguiar
Edifícios do Bairro Azul; esta designação devia-se à aparente ‘mancha azul’ formada pela cor das persianas, das portas e das caixilharias.
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

Apresenta-se com uma hierarquia estabelecida e está dotado de aparatosos pórticos de entrada no Bairro. O seu isolamento apenas lhe veio confirmar a sua integridade e a sua autenticidade, patente no grande enriquecimento formal de fachadas e átrios de entrada, ganhando simplicidade formal ou opulência consoante a categoria social dos espaços o ditava. Baixos-relevos em estuque ou cimento, painéis policromados de mosaico cerâmico, ornatos salientes, pilastras e frisos, balaustradas, frontões e alpendres são motivos que aparecem com abundância neste vocabulário decorativo, de leitura complexa.

Avenida Ressano Garcia |1935|
Ressano Garcia (1847–1911) que enquanto engenheiro da CML foi responsável pela expansão de Lisboa para norte, a partir do eixo da Avenida da Liberdade com o projecto das Avenidas Novas integrou a toponímia de Lisboa ainda em vida, no ano de 1897, na artéria que hoje conhecemos como Avenida da República e, depois, no ano de 1929, regressou para uma Avenida no Bairro Azul.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Tratando-se de um conjunto particularmente notável quanto à sua Arquitectura e aos motivos decorativos nela integrados, faz sentido classificar o conjunto com estas características estilísticas, pois manteve uma relação de sentido com os seus moradores, uma relação de autenticidade e integridade, o que se veio a verificar até à actualidade. É de realçar a autenticidade que o conjunto manteve ao longo dos tempos, pois é o conjunto, patente nas suas íntimas relações estilísticas que se mantiveram intactas e podem ser observadas.²

Bairro Azul |194-|
Perspectiva tomada da Rua Marquês de Fronteira vendo-se Avenida Ressano Garcia, ao centro, e a Av. António Augusto de Aguiar à dir..
Amadeu Ferrari, 
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ANÍBAL Nazaré, Maria, uma Sua Criada. capa e ilust. Stuart. Lisboa, 1958.
² Carlos Cabaço e João Reis, lisboapatrimoniocultural.pt

domingo, 10 de julho de 2016

Lançamento da primeira pedra do monumento ao Marquês de Pombal

A Rotunda da Avenida, designada de Praça Marquês de Pombal desde 1882 — ano das comemorações do centenário do Marquês de Pombal — , data em que se procedeu ao lançamento da primeira pedra do monumento ao Marquês, era ainda — e foi durante largos anos — um vasto espaço aberto. O lançamento da primeira pedra, no dia 8 de Maio de 1882, «declarado por lei de grande gala», foi inaugurado pelo rei D. Luís. Ramalho Ortigão conta a imponência da cerimónia: «Junto ao pavilhão, erguido para esse fim, uma banda de música trombeteia o hino da Carta (...). Esta cerimónia, única destas festas a que o soberano se dignou assistir, verificou-se gravemente, com todo o grotesco destas praxes». Acompanhavam o rei, os membros da comissão do centenário, Rodrigues Sampaio, Moita e Vasconcelos, Emídio Navarro e Luciano Cordeiro, e «Chegado que foi o real préstito ao lugar em que tem de se erguer o monumento e onde por enquanto existe apenas um buraco» (Ortigão: 1943), colocada a primeira pedra, consumava-se a cerimónia. O concurso para o monumento só seria aberto em 1913, já com a a República, recaindo a escolha para o projecto de Adães Bermudes, António Couto e Francisco Santos. 

Lançamento da primeira pedra do monumento ao Marquês de Pombal [15 Agosto de 1917]
Panorâmica tirada da cobertura do Palacete Seixas [Instituto Camões]; à esq., por detrás do prédio de gaveto com a futura Rua Joaquim António de Aguiar, vislunbram-se as chaminés cónicas da Quinta e Pátio dos Geraldes; em último plano, a Rua de Artilharia Um e o Palácio dos Viscondes de Abrançalha; ao cimo do Parque a Rua Marquês de Fronteira e Cadeia Penitenciária de Lisboa.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Nova cerimónia de colocação da primeira pedra, em 15 de Agosto de 1917, repetindo-se a 13 de Maio de 1926. As obras arrastaram-se, por falta de verbas, e o monumento só seria inaugurado a 13 de Maio de 1934, numa cerimónia «sem a solenidade que parecia supor» (Araújo: 1993).

sábado, 23 de abril de 2016

A revolução de Sidónio Pais

A revolução de Sidónio Pais começa em 5 de Dezembro de 1917 quando as suas tropas acampam na Rotunda (hoje Pç. Marquês de Pombal) para derrubar o governo de Afonso Costa.
No período em que a participação de Portugal na I Guerra Mundial marcava a conjuntura política, económica e social do país, Sidónio Pais lidera a revolta militar triunfante, que se saldará na constituição de uma Junta Militar (a que preside), na dissolução do Parlamento, no derrube do governo de Afonso Costa e na destituição do Presidente da República Bernardino Machado. 
Faz a primeira proclamação ao País onde se propõe a criação de uma República Nova e suspende a Constituição de 1911, é eleito por sufrágio directo para a Presidência da República e cria um Senado profissional. O regime presidencialista de Sidónio Pais (1872—1918) não sobreviveria à sua morte.

Trincheiras na Rotunda [actual Praça Marquês de Pombal] construídas aquando da Revolução de Sidónio Pais a 5 de Dezembro de 1917
Parque Eduardo VII, antigo Vale de Pereiro, vendo-se ao fundo, a Cadeia Penitenciária de Lisboa na Rua Marquês de Fronteira.
Anselmo Franco, in Lisboa de Antigamente

Apesar de uma intensa actividade legislativa, a República Nova não possui um programa definido para contrapor ao regime anterior, nem quadros à altura para desempenhar a tarefa da governação. Num ano de ditadura dão-se três remodelações ministeriais, o que agrava a instabilidade governamental e introduz um princípio de caos na administração pública. A primeira, em Março de 1918, na sequência da demissão dos ministros unionistas, dá lugar ao segundo governo sidonista. A segunda, em Maio, empossa o terceiro governo de Sidónio. A terceira, em Outubro, dá posse ao quarto e último governo sidonista.

General Barnardiston, chefe da missão militar inglesa e sua esposa, percorrendo o acampamento revolucionário acompanhados por Sidónio Pais a 5 de Dezembro de 1917
Parque Eduardo VII, antigo Vale do Pereiro, vendo-se ao fundo, a Cadeia Penitenciária de Lisboa na Rua Marquês de Fronteira; Palácio Mendonça.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Durante o ano em que permaneceu no poder Sidónio Pais altera a Lei de Separação entre as Igrejas e o Estado, numa tentativa de apaziguamento das relações com a Igreja (23 de Fevereiro de 1918), estabelece o sufrágio universal (11 de Março de 1918) e consegue reatamento das relações com a Santa Sé, através do envio do Monsenhor Aloísio Mazella que assume as funções de Encarregado de Negócios da Santa Sé em Lisboa (25 de Julho de 1918).

Durante o ano em que permaneceu no poder Sidónio Pais altera a Lei de Separação entre as Igrejas e o Estado, numa tentativa de apaziguamento das relações com a Igreja (23 de Fevereiro de 1918), estabelece o sufrágio universal (11 de Março de 1918) e consegue reatamento das relações com a Santa Sé, através do envio do Monsenhor Aloísio Mazella que assume as funções de Encarregado de Negócios da Santa Sé em Lisboa (25 de Julho de 1918)
Revolução de Sidónio Pais
«Inumeras granadas se crusaram por cima da casaria tremula da cidade, entre o acampamento revolucionarios em Campolide comandados pelo major sr. Sidonio Paes [...] caindo algumas granadas no trajeto, destruindo, matando e fazendo estremecer toda a população;[...]  in Ilustração Portuguesa, 17 Dez. 1917.
 Anselmo Franco, in Lisboa de Antigamente

No dia 5 de Dezembro de 1918, durante as comemorações do golpe perpetrado por si, em 1917, Sidónio sofre o primeiro atentado mas sai ileso.
Poucos dias depois, a 14 de Dezembro de 1918, um novo atentado seria fatal. Sidónio deslocara-se à Estação do Rossio para apanhar o comboio para o Porto. É então que José Júlio da Costa, ex-sargento do exército, dispara contra o Presidente. Acaba por falecer na Sala do Banco do Hospital de S. José, em Lisboa.
O seu funeral realiza-se no dia 21 de Dezembro de 1918, no meio de enormes manifestações de pesar. O seu corpo veio a ser posteriormente a ser trasladado para o Panteão Nacional.

Revolução de Sidónio Pais, in Ilustração Portuguesa, 17 Dez. 1917
(clicar para ampliar)
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