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Friday, 20 September 2024

Cruzamento formado pelas Ruas Nova de São Mamede, Salitre, Barata Salgueiro e Rodrigo da Fonseca

No final do século XII, e sob a autoridade do Bispado de Lisboa, surgem na capital as dez primeiras freguesias (terreno delimitado, na cidade ou no campo, em que habitavam indivíduos que seguiam o mesmo culto, tendo como ponto principal o templo ou a igreja matriz). Em 1247, nasce São Mamede, famosa por albergar o Jardim Botânico de Lisboa e o Edifício da Imprensa Nacional. É a mais antiga das freguesias que hoje formam a de Santo António.

A Rua Nova de São Mamede é assim designada por se encontrar nas proximidades da Igreja Paroquial de São Mamede. Esta paróquia remonta ao século XIV (1312), Anteriormente designada Travessa de São Mamede, este arruamento foi renomeado  pelo Edital do Governo Civil de 5 de Abril de 1945, tendo o seu início no Largo de São Mamede e término na Rua do Salitre.

Salitre. O local em que se encontra foi mencionado pela primeira vez em 1665 nos Livros dos Óbitos da freguesia de São José: “Pátio do Salitre”, designação que se manteve até 1746. Este topónimo nasceu das nitreiras ou salitrais que os frades de São Bruno – conhecidos como Cartuxos ou Brunos – tinham nas suas hortas, nos terrenos que detinham nesta artéria, já que salitre é o nome vulgar do nitrato de potássio, um adubo. Este arruamento inicia-se na Avenida da Liberdade, terminando na Rua Rodrigo da Fonseca.

Cruzamento formado pelas Ruas Nova de São Mamede, Salitre, Barata Salgueiro e Rodrigo da Fonseca |ant. 1928|
Autor desconhecido, in Lisboa de Antigamente

A Rua Barata Salgueiro homenageia o Dr. Adriano Antão Barata Salgueiro (1814-1895) que cedeu gratuitamente e a preços reduzidos terrenos para a o projecto de urbanização da Avenida da Liberdade. Denominação atribuída por Deliberação Camarária de 6 de Maio de 1882. Este arruamento tem início na Rua de Santa Marta e termina Rua Rodrigo da Fonseca.

A Rua Rodrigo da Fonseca — anteriormente designada Azinhaga do Vale do Pereiro — foi renomeada pela Deliberação Camarária de 28 de Fevereiro de 1884 e respectivo Edital do Governo Civil de 4 de Março do mesmo ano, iniciando-se na Rua do Salitre e terminando na Rua Marquês de Fronteira. 
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Bibliografia
jfsantoantonio.pt

Tuesday, 2 June 2015

Quinta e Pátio do(s) Geraldes

Da Rua de Artilharia Um, pela a Travessa da Fábrica dos Pentes à Rua Castilho


«Vamos descer a Rua de Artilharia Um, dístico aposto em Agosto de 1911, e que sucedeu ao da velha Rua de Entremuros, esta por sua vez, e desde 1768, modificação designativa da antiga Estrada. Com efeito, esta comprida artéria de Campolide velho descia ao Rato entre muros de quintas; havia, porém, uma quinta chamada de Entremuros, e que teria dado o nome à serventia rústica de setecentos. Esta Rua, antiga, de Entremuros foi designada, simultaneamente quási, na voz do povo e nos escritos dos cartórios, por Rua dos Ciprestes, Rua dos Quentais e Rua dos Geraldes, isto pelos fundamentos de assimilação de que mais adente falarei. [...]

Quinta e Pátio do(s) Geraldes [c. 1900]
 Rua de Artilharia 1, Rua Castilho e Rua Rodrigo da Fonseca
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente
Pátio do(s) Geraldes [1888]
Rua de Artilharia 1, Rua Castilho e Rua Rodrigo da Fonseca
Exposição Pecuária Nacional em 1888 no Valle de Pereiro (depois Parque Eduardo VII).
Augusto Bobone, in BNP

 
Aqui defronte da Travessa da Fábrica dos Pentes existiu no século passado [séc. XIX] a Quinta e Pátio dos Geraldes, com tanto renome no sítio, e desaparecido há meia dúzia de anos [c. 1933] para urbanização do local. O Palácio, com suas chaminés cónicas (das quais ainda há os vestígios da base (Maio de 1939) no quarteirão por edificar entre as Ruas Castilho e Rodrigo da Fonseca), com sua frontaria armoriada, sua capela de belo pórtico e seu agradável conjunto solarengo, teve história alfacinha, fidalga e política, que aqui não tem lugar.»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 94 e 97, 1939)

Quinta e Pátio do(s) Geraldes [1915]
 Legenda: Em cima, a Rua de Artilharia 1; a vermelho a Rua Castilho; a laranja a Rua Rodrigo da Fonseca; a azul Rua Joaquim Augusto de Aguiar (por terminar)
Projecto das ruas Castilho, Rodrigo da Fonseca, Artilharia Um, Joaquim António de Aguiar e Parque Eduardo VII.
in Lisboa de Antigamente

Sunday, 19 November 2017

Hotel Ritz

A construção do hotel Ritz, projectado pelo arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, teve início em 1952 e  foi inaugurado em 1959. Para a distinção do Ritz, ainda hoje uma referência no quadro da hotelaria nacional, muito contribuíram consagrados artistas, entre os quais Almada Negreiros, Sarah Afonso, Barata Feyo ou Carlos Botelho. Por indicação do regime de então, ansioso por ter na capital uma unidade de luxo com todos os requisitos da hotelaria moderna, foi constituída, especialmente para este efeito, uma Sociedade de Investimentos Imobiliários (Sodim), da qual fazia parte, entre outros, o banqueiro Ricardo Espírito Santo. Refira-se que em 1959 — quer modernos quer conservadores — não gostaram do que viram, tendo sido muito criticadas as opções artísticas adoptadas para o hotel. Consta, até, que o próprio Salazar — que só visitou o Ritz uma única vez, numa pré-inauguração exclusiva —, não apreciou nada do que lhe foi dado ver no hotel, tendo permanecido em silêncio durante a visita acabando por sair pela porta de serviço das cozinhas, não tendo mais lá sido visto, nem sequer para inaugurarão oficial, à qual, aliás, se recusou a comparecer.
A publicidade ao Ritz dava-o como «O Grande Hotel de Lisboa». Estava equipado com trezentos quartos, todos com sala de banho privativa revestida de mármore, e anunciava-se ambiente climatizado e ventilação garantida por aparelhagem silenciosa. Um must daquele tempo.

Hotel Ritz [1959]
Rua Castilho, Rua Rodrigo da Fonseca; Rua Joaquim António de Aguiar; Rua Marquês de Subserra
Obras do metropolitano, vendo-se à esquerda a estátua do Marquês de Pombal e, em baixo, os terrenos do antigo Palácio Sabrosa; ao fundo vê-se o hotel Ritz
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Situado no topo de uma colina no coração de Lisboa, a quinze minutos do aeroporto e a dez minutos da baixa e zona histórica de Lisboa, o hotel reflecte o encanto e história de Portugal na sua arquitectura e interiores espaçosos. Trata-se de uma construção de grande monumentalidade, acentuada pela sua dimensão, pela sua perfeita geometria e pelo revestimento integral das fachadas a mármore. Oferece 284 amplos quartos, com luxuosos quartos de banho em mármore, varandas debruçadas sobre o Parque Eduardo VII, com vistas fabulosas sobre a cidade. O (agora) Four Seasons Ritz Hotel detém mais de 600 obras de arte, desde tapetes e carpetes artesanais, pinturas e esculturas que ornamentam os halls de mármore do hotel. Os seus hóspedes têm ao seu dispor o centro de negócios, 'fitness centre' muito bem equipado, spa e a piscina interior. Do restaurante 'Varanda'' desfruta-se de excelente vista para o Parque Eduardo VII e para os terraços do hotel e oferece o melhor da cozinha portuguesa e internacional. O 'Ritz Bar'' com decoração onde predominam as cores vermelho e preto, tem música ao vivo em piano.

Hotel Ritz [1959]
Rua Castilho, Rua Rodrigo da Fonseca; Rua Joaquim António de Aguiar; Rua Marquês de Subserra
António Passaporte, 
in Lisboa de Antigamente
Hotel Ritz vista tomada do Parque Eduardo VII [c. 1960]
Rua Castilho, Rua Rodrigo da Fonseca; Rua Joaquim António de Aguiar; Rua Marquês de Subserra
António Passaporte (Loty), 
in Lisboa de Antigamente

O interior, luxuosamente desenhado, acolhe mobiliário fabricado expressamente nas oficinas da Fundação Ricardo Espírito Santo, assim como obras de arte moderna dos mais consagrados artistas da época, como Almada Negreiros, Querubim Lapa, Martins Correia, Lagoa Henriques, Sara Afonso e Carlos Botelho contribuíram para a decoração com valiosas obras. Carlos Calvet e Lino António criaram motivos para tapeçarias, produzidas na fábrica de Portalegre.
O Hotel, incluindo o seu património integrado, encontra-se classificado como Monumento de Interesse Público.

Hotel Ritz [c. 1959]
Neste sala estão presentes tres tapeçarias "Centauros" do mestre Almada Negreiros inspiradas na mitologia grega
Rua Castilho, Rua Rodrigo da Fonseca; Rua Joaquim António de Aguiar; Rua Marquês de Subserra
Amadeu Ferrari
in Lisboa de Antigamente
Hotel Ritz, restaurante 'Varanda'' [c. 1959]
Rua Castilho, Rua Rodrigo da Fonseca; Rua Joaquim António de Aguiar; Rua Marquês de Subserra
Amadeu Ferrari, in Lisboa de Antigamente

Também digna de admiração é a principal escadaria de acesso ao Salão Nobre com um mural lacado de Pedro Leitão e madrepérola de Arnaldo Louro de Almeida e, ao descer, chega-se junto da coluna do mestre ceramista Querubim Lapa, um verdadeiro totem artístico.

Hotel Ritz
Coluna do mestre ceramista Querubim Lapa e mural lacado de Pedro Leitão e madrepérola por António Louro de Almeida.
 
N.B. Caso esteja interessado e disponha de 30 minutos, aconselhamos ao prezado leitor  uma visita guiada, pela mão da RTP, a este edifício icónico da cidade de Lisboa. Vale bem a pena, acreditem.
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Bibliografia
BRASÃO, Inês, Hotel, os Bastidores, 2017.

Friday, 19 January 2024

Ruas Braamcamp e Rodrigo da Fonseca

Cena de rua nos alvores do séc. XX no encontro das ruas Braamcamp e Rodrigo da Fonseca — ainda pouco mais do um beco sem saída, por esta altura — , em que participam o padeiro, a criada de servir, o vendedor de hortaliças no seu burrico; o trolha e o pintor dando os últimos retoques no prédio nº 84 da Braamcamp, e, em primeiro plano, o omnipresente leiteiro.

Ruas Rodrigo da Fonseca e Braamcamp (gaveto sul) |c. 190-|
Estas novas artérias foram rasgadas por no final do séc. XIX.  Era a R. do Vale do Pereiro cujo nível foi materialmente dragado até encontrar no seu próprio fundo o actual pavimento da R. Braamcamp.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Vinte e seis anos após o seu falecimento foi o político liberal Rodrigo da Fonseca (1787-1858) fixado como topónimo na antiga Azinhaga do Abarracamento do Vale de Pereiro por Edital camarário de 4 de Março de 1884, artéria que só ficou completamente concluída no séc. XX, na década de trinta.

Ruas Rodrigo da Fonseca e futura Braamcamp vista da actual R. Alexandre Herculano |c. 1900|
A casa apalaçada e o prédio com o actual n.º 15 foram demolidos para implantação das novas vias, sendo que o prédio à dir. ainda se mantinha de pé nos anos de 1960. Neste local, além de nova construção, existe hoje um pequeno espaço verde separando aqueles dois arruamentos.
Machado & Souzas, in Lisboa de Antigamente

A CML, através do seu Edital de 10/01/1888, consagrou na sua toponímia o político alfacinha Anselmo José Braamcamp (1819-1885) atribuindo o seu nome ao arruamento da cidade com início na Praça Marquês de Pombal e fim na Rua Alexandre Herculano.

Sunday, 3 January 2016

Liceu Feminino de Maria Amália Vaz de Carvalho

O Licev Feminino de Maria Amália Vaz de Carvalho foi fundado em 1885 por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa. As primeiras instalações situavam-se num edifício no Largo do Contador-Mor, em Alfama. Inicialmente chamava-se Escola Maria Pia. A Escola tem uma feição eminentemente prática, visando «iniciar no país o ensino de carreiras produtivas que podem e devem pôr a mulher (...) ao abrigo das necessidades, habilitando-a a ganhar honestamente os meios de subsistência», como consta do relatório da Escola Maria Pia relativo ao ano lectivo de 1885-1886. No início, tinha cerca de 45 alunas inscritas, terminando apenas com 26 alunas. Os primeiros cursos ministrados eram lavores, tipografia, telegrafia e escrituração comercial.

Liceu Feminino de Maria Amália Vaz de Carvalho [1958]
Rua Rodrigo da Fonseca, 115-115B
Maria Amália Vaz de Carvalho [1847-1921, escritora e poetisa, foi a primeira mulher a ingressar na Academia de Ciências de Lisboa, (eleita em 13-06-1912).
Salvador de Almeida Fernandes, 
in Lisboa de Antigamente

Em 1906 a escola passou ao estatuto de liceu feminino, por decreto do rei D. Carlos. Passa a ser o primeiro liceu feminino em Portugal. Em 1911 é transferido para o Palácio Valadares, no Largo do Carmo, no Chiado. O liceu muda novamente de nome, em 1917, para Liceu Central de Almeida Garrett.

Liceu Feminino de Maria Amália Vaz de Carvalho [s.d.]
Rua Rodrigo da Fonseca, 115-115B com a Rua Sampaio e Pina
Maria Amália Vaz de Carvalho [1847-1921, escritora e poetisa, foi a primeira mulher a ingressar na Academia de Ciências de Lisboa, (eleita em 13-06-1912).
Fotógrafo não identificado

O problema das instalações continuava por resolver. Um primeiro projecto, da autoria do arquitecto Ventura Terra, entretanto falecido, acabará por ser substituído por outro (sendo seu continuador o arquitecto António Couto), o actual, embora baseado no anterior, nomeadamente no que se refere ao  átrio e à escadaria central. Por fim, no ano lectivo de 1933-1934, após alguns anos de luta para ver alterada as suas instalações para umas maiores o Liceu abre as suas novas e definitivas dependências na Rua Rodrigo da Fonseca, passando a chamar-se de Liceu Feminino Maria Amália Vaz de Carvalho.[1]

Liceu Feminino de Maria Amália Vaz de Carvalho,  átrio e escadaria central [s.d.]
Rua Rodrigo da Fonseca, 115-115B com a Rua Sampaio e Pina
Fotógrafo não identificado

[1]] (BARROS, Teresa Leitão de – Os Nossos Liceus. In MOTTA, A.A. Riley, director; SEQUEIRA, F.J. Martins, subdirector – Liceus de Portugal. Lisboa: Boletim da Acção Educativa do Ensino Liceal. Liceus de Portugal. Nº 2 (Junho), 1940, p.86)

Wednesday, 20 March 2019

Profissões de antanho: a galinheira

— Éh! Galliiiiiiiii...nhas! Quem nas quér i com ôvo?!

Era assim o pregão esganiçado e arrastado, os ii muito agudos e longos, o bastante para se ouvir, e ouvia-se mesmo, como se fosse um apito. E melhor quando as freguesas as esperavam. Claro que não havia então os ruídos que atormentam hoje os moradores de Lisboa.
Quase sempre eram varinas as vendedeiras, trajando como tal. Habituadas ao negócio, conheciam bem a clientela, pois, naquele tempo, só comia galinha quem estava doente ou em dia de festa!...

Galinheira na Rua Rodrigo da Fonseca [1906]
Antiga do Abarracamento do Valle Pereiro; à direita, a Rua Barata Salgueiro e, ao fundo, a Rua Alexandre Herculano e o Parque; o prédio com mansarda, no nº 15 da Rodrigo da Fonseca, ainda existe e data de 1883.

Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

— Éh! Galliiiiiiiii...nhas! Quem nas quér i com ôvo?!

Traziam os animais em canastras armadas em gaiolas com rede de cordel esticada em forma de barraca, e garantiam às freguesas que todas as galinhas eram boas poedeiras!... Muitas pessoas, nesse tempo, criavam ou compravam criação para ter em casa, como reserva alimentar, sucedendo, à falta de espaço dentro da habitação, armarem pequenas gaiolas sobre os telhados, junto às águas-furtadas.

Galinheira na Rua Rosa Araújo Rua Barata Salgueiro [1906]
A galinheira trajava camisa de chita, cintada e estampada com flores miúdas; saia de seriguilha azul, com pregas, muito rodada e quase arrastando no chão, tapando as tamancas de cabedal; lenço claro envolvendo todo o rosto e atado sob o queixo; na cabeça, uma minúscula rodilha onde pousa o canastrão onde carregava as galinhas.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
DINIS, Calderon, Tipos e factos da Lisboa do meu tempo: 1970-1974, 1986.

Monday, 18 April 2016

Rua Barata Salgueiro com a Rua Rodrigo da Fonseca

Nesta artéria perpendicular à Avenida da Liberdade foi homenageado o Dr. Adriano Antão Barata Salgueiro (1814-1895), advogado em Lisboa, por decisão unânime na 19ª Sessão Extraordinária da Câmara Municipal de Lisboa, em 6 de Maio de 1882, à qual presidia José Gregório da Rosa Araújo, o presidente responsável pela construção da Avenida da Liberdade entre 1879-1886. Curiosamente, a Rua Rosa Araújo é paralela à Rua Barata Salgueiro.
As ruas Barata Salgueiro e Castilho foram calcetadas e iluminadas em 1886, ano da inauguração oficial da Avenida. Do mesmo plano de urbanização faziam parte, os bairros Barata Salgueiro a ocidente e Bairro Camões, a leste. (cm-lisboa.pt)

Rua Barata Salgueiro com a Rua Rodrigo da Fonseca |190-|
Entregas ao domicílio
Ao fundo, à esquerda, no cruzamento com a Avenida da Liberdade, nota-se a cúpula do Palacete Antão Barata Salgueiro, hoje edifício-sede do Novo Banco.

Paulo Guedes, 
in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 29 June 2016

Rua Braamcamp

Saem-nos, a poente, a Rua Braamcamp que por Alexandre Herculano leva ao Rato, e a Rua Joaquim António de Aguiar. (...) São artérias novas, com menos de trinta anos [c. 1910] de edificadas, desafogadas, mas nas quais nada encontramos que mereça especial referência.»
(ARAÚJO. Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 51, 1939)

Rua Braamcamp, junto da Rua Rodrigo da Fonseca |1950|
Em primeiro plano, a Rua Alexandre Herculano.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Este arruamento com início na Praça Marquês de Pombal e fim na Rua Alexandre Herculano, homenageia Anselmo José Braamcamp que nasceu em Lisboa em 23/10/1819 onde faleceu em 13/11/1885.
Político alfacinha, licenciou-se em Direito em 1840 na Universidade de Coimbra e foi nomeado delegado do procurador régio em Almada, cargo que exerceu até 1845, ano em que foi nomeado para idêntico lugar em Lisboa vindo a exercer as funções de secretário geral. Quando o Marquês de Sá da Bandeira desembarcou no Algarve, já Anselmo Braamcamp lá estava ao lado da divisão militar como governador civil dos distritos do Sul.

Rua Braamcamp no cruzamento com a Rua Rodrigo da Fonseca |1943|
À esquerda vê-se o edifício Heron Castilho.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Acabadas as lutas com a entrada de Saldanha em Lisboa, foi eleito Deputado por um dos círculos desta cidade, ocupando o lugar por vários círculos até 1884. Foi ministro da Fazenda (1862), da Marinha e Ultramar (1866) e da Marinha (1868). Foi ainda líder do Partido Progressista (1875), ministro dos Negócios Estrangeiros (1879), para além ter orientado com Oliveira Martins, em 1885, o movimento político Vida Nova, de oposição a Fontes Pereira de Melo.
Tinha as grã-cruzes das Ordens da Torre e Espada e Nª Srª da Conceição, várias condecorações estrangeiras e a Grã-cruz da Legião de Honra.
A família Braamcamp é de origem holandesa. O primeiro a exercer cargos políticos em Portugal foi Hermano José Braamcamp, embaixador prussiano em Lisboa, no reinado de D. José. (cm-lisboa.pt)

Wednesday, 2 January 2019

Antiga Casa José Alexandre

Pelo brilho cintilante das suas montras — escreve Mário Costa — , somos atraídos ao magnificente recheio da Antiga Casa José Alexandre, Ld.", do «quinquilheiro José Alexandre», que Castilho apelidou de «protótipo do que havia de melhor melhor em Londres e Paris».
A Casa José Alexandre, que ainda em 1840 «vendia ortaliça e flores em caixinhas» (Castilho, 1902), foi sempre ampliando o seu comércio, conforme se depreende dum reclamo datado de 1890, em que se proclamava a venda dos seguintes produtos, a juntar aos artigos caseiros a que desde sempre se dedicou:
«Genuíno e superior vinho do Porto da Quinta da Cachucha (Alto Douro), talheres e vários artigos de Chr. Christofle, perfumarias, esponjas, espanadores, de penas e de cerdas, escovas, cutelaria fina, tinta para escrever, medidas, artigos para engenharia e grande variedade de objectos para todos os usos».

Antiga Casa José Alexandre |194-|
Rua Garrett, 8-18;Calçada do Sacramento, 2-4
Garcia Nunes, 
in Lisboa de Antigamente

Com o comércio de ferragens, entrou em 1833, nos números 10 e 12, João José Alexandre de Oliveira. Mais tarde, José Vicente de Oliveira tomou o número 8; e, em 1901, José Brás de Carvalho melhorou a casa, com a tomada das restantes portas, que para a Calçada do Sacramento têm os números 2 e 4. (....) Em Outubro de 1957, com o arrendamento do l.° andar, ligado directamente ao piso inferior, as instalações tomaram amplitude chique, atraente, de linhas modernas, que permitiram dar maior relevo aos variados artigos em exposição, em que predominam as porcelanas, os cristais, os Biscuits e os Crystofles.

Antiga Casa José Alexandre |post. 1957|
Rua Garrett, 8-18;Calçada do Sacramento, 2-4
Estúdio Mário Novais, 
in Lisboa de Antigamente

Noutras eras, estabeleceram-se em algumas destas cinco portas, uma livraria, uma retrosaria, uma capelista, a loja de modas de «Madame Fleury» e o afamado «Magalhães do Chiado» — loja de modas também — um dos mais celebrados centros de cavaco da capital. Entre os seus frequentadores aparecem mencionados muitíssimos nomes de destacadas figuras da época, sobressaindo: os conselheiros Fontes e Rodrigo da Fonseca, o 5.° marquês de Castelo-Melhor, os condes de Anadia, de Cabral, da Figueira e da Lapa, o poeta Eduardo Vidal, José Ribeiro da Cunha, Miguel Mac-Bride, Henrique Zenóglio, Fidié, Lopes Pastor, barão de Sabrosa e Costa Cabral.

Antiga Casa José Alexandre, montra com artigos Crystofle [|post. 1957|
Rua Garrett, 8-18;Calçada do Sacramento, 2-4
Estúdio Mário Novais, 
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
COSTA, Mário, O Chiado pitoresco e elegante, pp. 259-262, 1987.

Friday, 29 April 2016

Profissões de antanho: o moço de fretes

O moço de fretes ou moço de esquina, como também era conhecido, foi uma instituição de Lisboa. Normalmente eram homens oriundos da Galiza, embora entre eles se contassem muitos elementos das nossas Beiras. Gente pacífica, honrada e mansa no tracto, a esses homens podia entregar-se, utilizando os seus serviços, uma carta confidencial que, pressurosos, iam levar ao seu destino; valores ao penhor, de gente de bom-tom que se escondia; transporte de mobílias e outros carregos e até puxar as pequenas bombas de incêndio pelas ruas estreitas dos bairros populares. 

Profissões de antanho: o moço de fretes |1912|
Largo do Chiado, esquina com a Rua Nova da Trindade
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Todavia, a sua maior actividade era transportar mobílias, de casa para casa, nas mudanças que os lisboetas então faziam com frequência, porque havia casas para alugar! Era vulgar ver-se escritos nas janelas, sinal de que as casas estavam devolutas, e os alfacinhas, sobretudo as senhoras, adoravam mudar de domicílio. Bons tempos!

Profissões de antanho: o moço de fretes |1907|
Calçada do Combro
Joshua Benoliel, iin Lisboa de Antigamente

Os moços de fretes, os galegos como eram conhecidos, encarregavam-se desses serviços, desarmando em casa os móveis e acomodando-os nas padiolas, amarrados com boas cordas. Depois de tudo empoleirado, dois ou quatro homens, consoante o volume e o peso, a passo certo, cadenciado, mas alternado, seguiam com a tralha para a nova residência onde rearmavam tudo com muito cuidado, no que eram mestres. Só que quando algo se partia, logo tinha justificação: — Tenha paxiêrixia, acontexe!...

Profissões de antanho: o moço de fretes |1908|
Rua Rodrigo da Fonseca com a Rua Barata Salgueiro
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Profissões de antanho: o moço de fretes |entre 1908 e 1914|
Calçada do Carmo
Charles Chusseau-Flaviens, in Lisboa de Antigamente

Era curiosa a forma como se auxiliavam no transporte com a padiola: dois à frente e dois atrás, com um grosso pau de carga que eles suportavam aos ombros, adoçando o incómodo com chinguiços  — pequenas almofadas em forma de ferradura que ajustavam ao pescoço — e assim aguentavam o peso bem equilibrado.

Profissões de antanho: o moço de fretes |1910|
 Rua do Comércio com a Rua dos Fanqueiros
Joshua Benoliel,in Lisboa de Antigamente
Profissões de antanho: o moço de fretes |c. 1930|
Rua de São Lázaro
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

Os moços de fretes ou de esquina agrupavam-se em vários locais da cidade nas praças principais, como o como o Rossio, Terreiro do Paço, Chiado, Graça, Alcântara e outros, e também pelas esquinas das ruas, onde eram procurados para ajustar os serviços que deles se pretendia

Profissões de antanho: o moço de fretes |1908|
 Largo do Chiado: A Ilha dos Galegos
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Profissões de antanho: o moço de fretes |post. 1902|
Rua do Arco do Marquês de Alegrete, Palácio do Marquês de Alegrete (Martim Moniz)
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

É de salientar um serviço que era sempre muito bem pago porque obrigava a discrição: levar cartas confidenciais, naquele tempo em que ter telefone era um luxo!
Leva esta carta e entrega-a só à própria. Entendido?
Xagrado! respondia o Xoaquim.
 E pelo serviço cauteloso pagava-se cinco tostões de boa prata!

Profissões de antanho: o moço de fretes |190-|
 Largo de São Domingos
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
DINIS, Calderon , Tipos e Factos da Lisboa do meu tempo (1900-1974), p. 216.

Wednesday, 25 November 2015

Grémio Literário (Palacete Loures)

«O  que  mais  o contrariava  era  deixar  aquele  arranjinho  da  rua  de  S.  Francisco.  Que  ferro! agora que aquilo ia tão bem, o gajo no Brasil, e ela ali, à mão, a dois passos do Grémio!...»

(QUEIROZ,  Eça de, Os Maias, 1888)


O Grémio Literário foi criado por carta régia de D. Maria II em 18 de Abril de 1846 — «considerando Eu que o fim dessa associação é a cultura das letras e que pela ilustração intelectual pode ela concorrer para o aperfeiçoamento moral».
 O Grémio teve entre os seus fundadores as duas principais figuras do Romantismo nacional, o historiador Alexandre Herculano (Sócio nº 1) e o poeta e dramaturgo Almeida Garrett, e ainda o romancista Rebelo da Silva, o dramaturgo Mendes Leal, e grandes personalidades da vida política do liberalismo, como Rodrigo da Fonseca (que redigiu os estatutos), Fontes Pereira de Melo, Rodrigues Sampaio, Sá da Bandeira, Anselmo Braancamp, o futuro Duque de Loulé, e da ciência, da economia e da velha e da nova aristocracia. Com sedes sucessivas sempre na zona do Chiado, «capital de Lisboa», e passando pelo célebre Palácio Farrobo, o Grémio Literário instalou-se finalmente, em 1875, no palacete do visconde de Loures, na rua então de S. Francisco.

Grémio Literário [c. 1910]
Rua Ivens, 37, antiga de S. Francisco (1885)
A fachada principal, voltada a Oeste, organiza-se em três pisos separados por friso de cantaria e surge seccionada em três corpos, do quais se destaca o central. Superiormente é rematada por platibanda em balaustrada articulada ao centro com frontão interrompido pela pedra de armas dos Viscondes de Loures.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
 
É um edifício exemplar da arquitectura romântica de Lisboa, preservado ao longo dos tempos, com o seu jardim de 1844, único nesta área histórica da cidade, tendo recebido em 1899 grandes obras de decoração de José de Queiroz, nas salas e na varanda aberta sobre o Tejo e o Castelo de S. Jorge. (in gremioliterario.pt)

Grémio Literário, jardim [Junho de 1910]
Semana de Armas Portuguesa, prova de esgrima com a presença do rei Dom Manuel II (1889-1932)
Fotógrafo não identificado, iin Lisboa de Antigamente
Grémio Literário, jardim [Junho de 1911]
Sala com programa decorativo de gosto neo-Luís  XV, com projecto e direcção de José Queiroz
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

As suas salas, a biblioteca, o famoso gabinete de leitura de jornais foram frequentados por gerações sucessivas de sócios e menção do Grémio Literário encontra-se em muitas obras de autores célebres, como Teixeira de Queiroz, Abel Botelho, Ramalho Ortigão, Júlio de Castilho, G. Matos Sequeira, e sobretudo Eça de Queiroz, que nele localizou várias cenas de Os Maias — sabendo-se que no prédio do lado habitava Maria Eduarda, a maior criação romanesca feminina do século XIX português.  

Grémio Literário [1962]
Rua Ivens, 37, antiga de S. Francisco (1885)
O Palacete Loures (onde se encontra sediado o Grémio Literário), incluindo o jardim
e o património integrado encontra-se classificado como Monumento
de Interesse Público.
Armando Serôdio,
in Lisboa de Antigamente

«O amigo que Carlos gostava de ver entrar era o Cruges — que vinha da rua de S. Francisco, trazia alguma coisa do ar que Maria Eduarda respirava. O maestro sabia que Carlos ia todas as manhãs ao prédio ver a «miss inglesa»: e muitas vezes, inocentemente, ignorando o interesse de coração com que Carlos o escutava, dava-lhe as ultimas noticias da vizinha... 

 — A vizinha lá ficou agora a tocar Mendelsohn... Tem execução, tem expressão, a vizinha... Há ali estofo... E entende o seu Chopin. 
Se ele não aparecia no Ramalhete, Carlos ia a casa buscá-lo: entravam no Grémio, fumavam um charuto nalguma sala isolada, falando da vizinha: Cruges que a achava «um verdadeiro tipo de grande dame». (QUEIROZ,  Eça de, Os Maias, 1888)
 
Nota(s): Pode assistir (aqui) a um pequeno filme sobre uma das especialidades gastronómicas do Grémio Literário.

Tuesday, 7 July 2015

Bairro Barata Salgueiro

Em 1880, concluía-se um acordo com o capitalista Antão Barata Salgueiro (1814-1895) que, libertando terrenos entre a rua do Salitre e a Avenida permitia a urbanização de um novo bairro, com um traçado de ruas regulares será edificado com habitações destinadas à alta burguesia lisboeta. [...]
A edilidade, como reconhecimento, atribuiu o nome do doador a uma artéria perpendicular à Avenida da Liberdade e em direcção à antiga Azinhaga do Vale Pereiro: a Rua Barata Salgueiro, assim designada pela deliberação camarária de 6 de Maio de 1882, que hoje se delimita entre a Rua de Santa Marta, a nascente, e a Rua Rodrigo da Fonseca, a poente. Também na mesma deliberação camarária de 1882 foram nomeadas as outras artérias incluídas no perímetro do novo bairro: Alexandre Herculano, Passos Manuel (reno meada Rosa Araújo, em 1887), no sentido pente-nascente, e as ruas Castilho e Mouzinho da Silveira, na orientação norte-sul. [Santos: 2010]


Avenida da Liberdade com a Rua Barata Salgueiro |1902|
Palacete de Cipriano Ribeiro Caleia (esq), Palacete de Barata Salgueiro (dir), demolido em 1970.
Bilhete postal antigo circulado de Lisboa para Clermont-Ferrand (França), em 1902. 
Edição F.A. Martins (Faustino António Martins, BP n°63. 
Colecção particular Hugo de Oliveira. 

E assim foi existindo até há coisa de 35 anos (de permeio houve intervenções de nomeada em alguns palacetes, com adaptações modernistas, feitas por Cassiano Branco, entre outros, mas sem nunca se adulterar sobremaneira a unidade do conjunto), altura em que o bairro entrou em perda: perda no rendimento dos proprietários à omnipresença do automóvel, de escritórios e serviços, e dos acrescentos, a construção nos logradouros das moradias dos Carvalhos/Cinemateca e de Medeiros e Almeida, por ex.) e perda no número de moradores, o que aliado à venda sucessiva de palacetes e prédios de rendimento a imobiliárias (muitas delas estrangeiras), ao crescente estado de abandono do edificado, à crónica fraqueza de quem de direito não fez o que lhe competia - classificar o bairro e zelar pela observância dos regulamentos para a conservação de edifícios -, ao boom especulativo, às primeiras demolições para a construção de bancos (BNU, BES...) e hotéis (Hotel Altis à cabeça); levaria a que hoje o bairro esteja irreconhecível, sem graça, alçados espelhados, "cabeçudos", que encimam muitos dos prédios de antanho, coroando fachadas agora "para inglês ver" (Heron Castilho, Allianz, Hotel Vintage, etc.).

Panoramica sobre a R Barata Salgueiro  |c. 1910|
A urbanização dos terrenos adjacentes à parte ocidental da Avenida da Liberdade só avançou a partir de 1880, depois de acordo entre a Câmara e o capitalista e advogado Antão Barata Salgueiro, proprietário de uma larga área de terrenos nessa zona.
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

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