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Sunday, 21 July 2019

Chafariz da Meia-Laranja (actualizado)

A Rua Maria Pia — assim chamada pelo povo desde o final do século passado, antiga «Estrada da Circunvalação», designação ainda municipal em 1894 — começa do lado sul da antiga Ponte de Alcântara e vai até ao cruzamento com a Rua do Arco do Carvalhão.

Chafariz da Meia-Laranja, aguadeiras [1907]
Rua Maria Pia
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A «Meia-Laranja» fica exactamente na Rua Maria Pia, entre o Arco de Carvalhão e Alcântara, na confluência da Estr. dos Prazeres com a Rua Maria Pia. Penso que se chama Meia-Laranja pelo feitio da rua que é cortada como se fosse uma laranja cortada ao meio criando um espaço em forma de semicírculo.
No centro há um Chafariz que, naquele tempo, era usado pelos aguadeiros, servindo de bebedouro aos cavalos e burros dos vendedores ambulantes.

Chafariz da Meia-Laranja [1964]
Rua Maria Pia junto ao antigo Casal Viúva Teles
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente
Chafariz da Meia-Laranja [1964]
Rua Maria Pia junto ao antigo Casal Viúva Teles
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
NEVES, Ernesto, Uma tela igual às outras: um metro por oitenta e um, 2005.

Friday, 30 June 2017

Paço de Xabregas / Palácio Niza / Asilo de D. Maria Pia

No local onde se ergue o edifício da antiga Escola-Asilo de D. Maria Pia (1867), que sucedeu ao Palacio Niza,  existia no século XVI, seguramente depois de 1510, o Paço Real de D. Leonor, viúva de D, João II.  Era este o Paço arrabaldino de Xabregas — o segundo, pois outro houve anteriormente, mais a Nascente, e que durou no século XII e XIV —, e nele residiram eventualmente os reis de Portugal, até D. João IV (com excepção dos Filipes).  D. João IV, a pedido da Rainha D. Luisa de Gusmão, doou o Paço ou Palácio a sua camareira-mor, a Condessa de Unhão, D. Juliana de Faro (...)


No meado do século passado, pela morte do 5.° Conde de Unhão, D. João Xavier Teles de Menezes e Castro, casado corm a Marquesa de Niza, D. Maria José da Gama — a casa de Unhão reuniu-se às de Niza e de Vidigueira, e o Palácio de Xabregas entrou a ser «Niza», e assim continuou até que o último Marquês, D. Domingos da Gama — o famoso e elegante boémio, largo de mãos, fidalgo sempre, mas caído afinal em pobreza, se viu obrigado a desfazer-se desta sua e adaptação, concluídas nos primeiros dias de Julho. casa (1862), vendendo-a a um particular — cujo nome ignoro — ao qual em 1867 o Estado a comprou para nela instalar o Asilo de D. Maria Pia, criado por decreto de 14 de Março de 1867, deterrninando-se logo obras sumárias de reparação 

Palácio dos Marqueses de Niza / Asilo de D. Maria Pia [ant. 1895]
Rua da Madre de Deus
Augusto Bobone, in Lisboa de Antigamente

Destinara-se o Asilo a recolhimento e casa de correcção de menores, tendo assim duas funções, a segunda das quais é aquela que compete hoje [1939] aos estabelecimentos da Tutoria de Infância.
Não andou com fortuna o novo estabelecimento, pois logo a 19 do mês e do ano em que começou a funcionar, já com as obras concluídas, ardeu quási totalmente, com excepção da Capela, que tinha a invocação de N. Senhora da Conceição.
O edifício, a esforços do Infante D. Augusto e do Cardeal Patriarca, que era então D. Manuel Bento Rodrigues, foi rapidamente reedificado, muito melhorado em relação à primeira traça do corpo que se incendiara. 

Palácio dos Marqueses de Niza / Asilo de D. Maria Pia,  pátio central [ant. 1895]
Rua da Madre de Deus
Augusto Bobone, in Lisboa de Antigamente

Em 1869 morreu a última freira clarista, já muito velhinha, do Mosteiro da. Madre de Deus, e logo esta casa foi anexada ao Asilo com sua formosa Igreja, salas e claustros. Em 4 de Outubro de 1871 determinaram-se novas obras de restauro, reintegração e adaptação (nem todas felizes), executadas sob a direcção do arquitecto João Maria Nepomuceno, continuadas depois pelo condutor de obras públicas Liberato Teles. E posteriormente alguns outros benefícios o Asilo mereceu.

Asilo de D. Maria Pia / Palácio dos Marqueses de Nisa [ant. 1895]
Claustro de D. João II
Augusto Bobone, in Lisboa de Antigamente
Asilo de D. Maria Pia / Palácio dos Marqueses de Nisa [ant. 1895]
Cozinha
Augusto Bobone, in Lisboa de Antigamente
Asilo de D. Maria Pia / Palácio dos Marqueses de Niza [ant. 1895]
Oficina de sapateiro
Augusto Bobone, in Lisboa de Antigamente

Assim se compreende que a Casa não corresponda, em aspecto interior, aos títulos do seu passado; beleza, se a teve, foi sacrificada à comodidade dos alunos, em benefício da orientação técnica, pedagógica e educativa, que a determinara. Existem, contudo, ainda alguns vestígios de arte, sobretudo em cerâmica de azulejo, e num ou noutro pormenor, mas que não vão além do século XVIII.

Palácio dos Marqueses de Nisa [1938]
Rua da Madre de Deus: ao fundo o  viaduto de Xabregas
Henrique Cayolla, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
(ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Monumentos históricos, p. 227, 1944)
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XV, pp. 44-45, 1939)

Sunday, 1 September 2024

Antigo Largo de Alcântara: Ruas Prior do Crato e Maria Pia

Alcântara urbanizada não leva duzentos anos: de arrabalde fez-se cidade em fins de setecentos. Mas é lisboeta de casco e sumo. Rescende alguma coisa de um passado evocativo. Já lá não está a ponte de Alcântara com S. João Nepomuceno — recorda o ilustre Norberto de Araújo. Mas o Prior do Crato resiste no letreiro da artéria principal do bairro. 
(ARAÚJO, Norberto de, «Legendas de Lisboa», p. 143, 1943)

Originalmente, o topónimo foi aprovado como Rua Prior do Crato (Dom António) e passou a ter a grafia actual após uma decisão da reunião de Câmara de 14/12/1943. Também apesar de não constar na placa toponímica, foi o topónimo aprovado com a legenda «O Glorioso vencido da Ponte de Alcântara em 25 de Agosto de 1580»-

Antigo Largo de Alcântara: Ruas Prior do Crato e Maria Pia |1966|
Cruzamento das Ruas Prior do Crato e Maria Pia
A velha ribeira pode ter sido encanada. A vetusta ponte pode ter desaparecido, mas eis que logo outra surge, lá ao fundo, no horizonte.
Artur Inácio Bastos, in Lisboa de Antigamente

Foi pelo Edital de 07/11/1901 que parte da Estr. de Circunvalação, do lado sul da antiga ponte de Alcântara e até ao cruzamento com a Rua do Arco do Carvalhão, se passou a denominar Rua Maria Pia, mas segundo Norberto Araújo, já desde o final do séc. XIX que o povo a chamava assim.

Antigo Largo de Alcântara: Ruas Prior do Crato e Maria Pia |1949|
Largo de Alcântara [sítio da ponte de Alcântara], cruzamento das ruas Maria Pia e Rua Prior do Crato.
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Friday, 12 July 2024

Casal da Viúva Teles à Rua Maria Pia

O Casal da Viúva Teles (Casal Ventoso), já demolido, situava-se a ocidente da Rua Maria Pia, junto ao chafariz da Meia-Laranja.
 
Casal da Viúva Teles à Rua Maria Pia (ao fundo) |1968|
João Hermes Goulart, in Lisboa de Antigamente

Foi pelo Edital de 07/11/1901 que parte da Estr. de Circunvalação, do lado sul da antiga ponte de Alcântara e até ao cruzamento com a Rua do Arco do Carvalhão, se passou a denominar Rua Maria Pia, mas segundo Norberto Araújo, já desde o final do séc. XIX que o povo a denominava assim.

Saturday, 23 January 2016

Escadinhas dos Terramotos

Passagem em escadaria entre a Rua do Arco do Carvalhão e a antiga estrada da circunvalação, actual Rua Maria Pia. As escadas começam ao lado do nº 143 da Rua do Arco do Carvalhão e findam defronte do nº 590 da Rua Maria Pia.
O topónimo advém da Ermida do Senhor Jesus dos Terramotos, situada na Rua Arco do Carvalhão, 116-118, junto às escadinhas. A ermida foi construída entre 1756 e 1798 e reconstruída em 1842. 

Escadinhas dos Terramotos [ant. 1945]
Rua do Arco do Carvalhão
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Antes de se chamar Rua do Arco do Carvalhão tinha o nome de «Rua do Sargento-Mór», como indica Norberto de Araújo nas suas Peregrinações em Lisboa.
Estes terrenos pertenciam a Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda antes de ser Marquês de Pombal e Conde de Oeiras e estendiam-se desde a Cruz das Almas até à Rua Marquês de Fronteira. Era proprietário de casas, terras, olivais, pedreiras, nomeadamente a da Cascalheira, fornos de cal, moinhos e azenhas. «Carvalhão» era o nome pelo qual era conhecido o futuro Marquês de Pombal, o qual se compreende, pela quantidade de património que possuía nesta zona da cidade.

Escadinhas dos Terramotos, frades de pedra [ant. 1945]
Rua Maria Pia
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 1 January 2023

Travessa da Horta Navia

Eis a Alcântara do fim de seiscentos. Como mais notável, a celebrada Quinta da Horta Navia, de que hoje subsiste uma reminiscência numa travessa, junto aos terrenos da Estação de Alcântara-Terra, e que leva da Rua Maria Pia à Rua da Fábrica da Pólvora, por uma espécie de atalho.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, p. 12, 1939)

Travessa da Horta Navia |1944|
Estação de Alcântara-Terra
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Esta artéria que nasce frente ao n.º 34 da Rua Maria Pia, paralela à linha férrea é uma memória do sítio da Horta Navia cuja primeira menção data do tempo de D. Afonso II (1211–1223) no rol das propriedades que a Ordem de Santiago possuía.
Nos séculos XVI e XVII já aparecem descrições que dão conta do local ser uma horta que atraía os lisboetas nas horas e ócio e é aceitável supor que no início do século XIX o topónimo se expandiu nas terras que da margem esquerda da Ribeira de Alcântara subiam para montante.
Como Travessa da Horta Navia a primeira referência aparece na planta da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque, de 1856.

Estação de Alcântara-Terra |1928|
Em segundo plano pode ver-se parte do casario da Travessa da Horta Navia; mais acima
nota-se a Rua Maria Pia e no alto o Cemitério dos Prazeres.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 3 January 2016

Liceu Feminino de Maria Amália Vaz de Carvalho

O Licev Feminino de Maria Amália Vaz de Carvalho foi fundado em 1885 por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa. As primeiras instalações situavam-se num edifício no Largo do Contador-Mor, em Alfama. Inicialmente chamava-se Escola Maria Pia. A Escola tem uma feição eminentemente prática, visando «iniciar no país o ensino de carreiras produtivas que podem e devem pôr a mulher (...) ao abrigo das necessidades, habilitando-a a ganhar honestamente os meios de subsistência», como consta do relatório da Escola Maria Pia relativo ao ano lectivo de 1885-1886. No início, tinha cerca de 45 alunas inscritas, terminando apenas com 26 alunas. Os primeiros cursos ministrados eram lavores, tipografia, telegrafia e escrituração comercial.

Liceu Feminino de Maria Amália Vaz de Carvalho [1958]
Rua Rodrigo da Fonseca, 115-115B
Maria Amália Vaz de Carvalho [1847-1921, escritora e poetisa, foi a primeira mulher a ingressar na Academia de Ciências de Lisboa, (eleita em 13-06-1912).
Salvador de Almeida Fernandes, 
in Lisboa de Antigamente

Em 1906 a escola passou ao estatuto de liceu feminino, por decreto do rei D. Carlos. Passa a ser o primeiro liceu feminino em Portugal. Em 1911 é transferido para o Palácio Valadares, no Largo do Carmo, no Chiado. O liceu muda novamente de nome, em 1917, para Liceu Central de Almeida Garrett.

Liceu Feminino de Maria Amália Vaz de Carvalho [s.d.]
Rua Rodrigo da Fonseca, 115-115B com a Rua Sampaio e Pina
Maria Amália Vaz de Carvalho [1847-1921, escritora e poetisa, foi a primeira mulher a ingressar na Academia de Ciências de Lisboa, (eleita em 13-06-1912).
Fotógrafo não identificado

O problema das instalações continuava por resolver. Um primeiro projecto, da autoria do arquitecto Ventura Terra, entretanto falecido, acabará por ser substituído por outro (sendo seu continuador o arquitecto António Couto), o actual, embora baseado no anterior, nomeadamente no que se refere ao  átrio e à escadaria central. Por fim, no ano lectivo de 1933-1934, após alguns anos de luta para ver alterada as suas instalações para umas maiores o Liceu abre as suas novas e definitivas dependências na Rua Rodrigo da Fonseca, passando a chamar-se de Liceu Feminino Maria Amália Vaz de Carvalho.[1]

Liceu Feminino de Maria Amália Vaz de Carvalho,  átrio e escadaria central [s.d.]
Rua Rodrigo da Fonseca, 115-115B com a Rua Sampaio e Pina
Fotógrafo não identificado

[1]] (BARROS, Teresa Leitão de – Os Nossos Liceus. In MOTTA, A.A. Riley, director; SEQUEIRA, F.J. Martins, subdirector – Liceus de Portugal. Lisboa: Boletim da Acção Educativa do Ensino Liceal. Liceus de Portugal. Nº 2 (Junho), 1940, p.86)

Wednesday, 6 April 2016

Largo de Alcântara, ruas Maria Pia, Prior do Crato João de Oliveira Miguens

Originalmente, o topónimo foi aprovado como Rua Prior do Crato (Dom António) e passou a ter a grafia actual após uma decisão da reunião de Câmara de 14/12/1943. Também apesar de não constar na placa toponímica, foi o topónimo aprovado com a legenda O Glorioso vencido da Ponte de Alcântara em 25 de Agosto de 1580.

Rua João de Oliveira Miguens, Largo de Alcântara, linha de cintura; ruas Maria Pia e Prior do Crato [1914]
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Após a implantação da República, a Câmara Municipal, perpetuou na memória de Lisboa o nome de João de Oliveira Miguens, comerciante de Alcântara que pertenceu ao directório do Partido Republicano Português e que em 1902, por ocasião do Convénio, organizou uma tentativa de levantamento armado em Alcântara. [cm-lisboa.pt]

Largo de Alcântara [sítio da ponte de Alcântara], cruzamento das Ruas Maria Pia e Prior do Crato [1966]
Artur I. Bastos, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 4 November 2018

Rua do Arco do Carvalhão

Antes de ser do «Arco do Carvalhão» a rua chamava-se «do Sargento-Mór». [...] — recorda-nos Norberto de Araújo. Mas nós estamos no Arco do Carvalhão — sob dois Arcos enormes do Aqueduto. Terrenos eram estes de Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda antes de êle ser Pombal e Oeiras, e estendiam-se, ultrapassando a actual Rua das Amoreiras, no lanço da Cruz das Almas para cima, até à actual Rua Marquês da Fronteira [...] O «Carvalhão» era então o futuro Marquês de Pombal, e do apelido derivaram os nomes da Rua actual [...]

Rua do Arco do Carvalhão [1947]
Aqueduto; Chafariz do Arco do Carvalhão; Alto do Carvalhão (esq.)
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Esta Rua do Arco do Carvalhão — recorda o Grande enciclopédia portuguesa e brasileira — passa sob um robusto e curioso viaduto [inaugurado a 28 de Maio de 1944] que serve de suporte à auto-estrada no sítio conhecido por Sete Moinhos. Segue a rua até ao alto de Campolide com comunicações para S. Sebastião da Pedreira.

Rua do Arco do Carvalhão [1959]
Viaduto da Avenida Duarte Pacheco ou do Arco do Carvalhão. Rua Maria Pia (esq.)
 Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 79.1939.

Sunday, 9 March 2025

Avenida Dom Carlos I que foi «das Cortes»

Avenida rasgada em 1889 com a denominação Avenida das Cortes atribuída em 1918. Antiga Avenida do Presidente Wilson (até 1948), antes Rua Dom Carlos I, antes Rua Duque de Terceira (1866), antes Rua dos Ferreiros a Esperança, antes Rua dos Ferreiros a Santa Catarina) e Travessa Nova da Esperança.

Avenida Dom Carlos I |c. 1900|
Troço entre a Rua do Merca-Tudo e a Calçada Marquês Abrantes (dir.) 
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Carlos Fernando Luís Maria Victor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon e Saxe-Coburgo-Gota, foi o penúltimo Rei de Portugal. Nasceu em Lisboa, no Palácio da Ajuda, a 28 de Setembro de 1863, e morreu na mesma cidade, no Terreiro do Paço, a 1 de Fevereiro de 1908. Era filho de D. Luís I e de D. Maria Pia de Sabóia.
O seu reinado vai de 19 de Outubro de 1889 até 1 de Fevereiro de 1908 e é caracterizado por constantes crises políticas e consequente insatisfação popular.
No seu reinado deram-se também as revoltas no ultramar, desde a Guiné a Timor.
D. Carlos distinguiu-se como pintor de talento e cientista, especialmente na oceanografia.
Estabeleceu uma profunda amizade com Alberto I, do Mónaco, igualmente apaixonado pelas coisas do mar. Como consequência desta “aliança” nasceu o Aquário Vasco da Gama, que pretendia, em Portugal, desempenhar um papel semelhante ao do Museu Oceanográfico do Mónaco.

 

Avenida Dom Carlos I |c. 1900|
Troço entre a Calçada Marquês Abrantes e a Rua do Cais do Tojo (dir.).
Nota(s): A Antiga Fábrica de Gessos Raul Ennes Ramos supõe-se que estivesse relacionada com os estucadores de Afife (Viana do Castelo), bem conhecidos pela sua hábil mestria.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

 

Foi também um excelente agricultor, tendo tornado rentáveis as seculares propriedades da Casa de Bragança, produzindo vinho, azeite, cortiça, entre outros produtos, tendo também organizado uma excelente ganadaria e incentivado à preservação dos prestigiados cavalos de Alter.
Grande apreciador das tecnologias que começavam a surgir no início do século XX, instalou a luz eléctrica no Palácio das Necessidades e fez planos para a electrificação das ruas de Lisboa.
Ficou conhecido pelo cognome de O Diplomata devido às múltiplas visitas que fez pela Europa.
Foi numa das suas viagens à Europa que conheceu a sua futura esposa, a princesa francesa D. Amélia de Orleães. Após um curto noivado, vêm a casar, em Lisboa, na Igreja de S. Domingos, a 22 de Maio de 1886. (in mosteirobatalha-pt)

 

Avenida Dom Carlos I |c. 1930|
Troço entre a Rua do Cais do Tojo e a Rua Dom Luís I (ao fundo) na direcção da Av. 24 de Julho.
Nota(s): Fábrica de gessos Serafim Ramos.
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

Friday, 6 May 2022

Convento das Salésias

A fundação do Mosteiro da Visitação de Santa Maria (ou das Salésias) nasceu da intenção do Padre oratoriano Theodoro de Almeida que, no decorrer do seu exílio em França, foi confessor extraordinário do Convento da Visitação de Annecy. Regressado a Portugal em 1778 empreendeu diligências para a fundação do primeiro mosteiro de visitandinas no país, o que ocorre, por decreto régio, em Janeiro de 1782. Instala-se na zona do "Altinho", próximo da Rua da Junqueira, em terrenos comprados ao morgado do conde da Ega e cedidos pela rainha D. Maria I, sendo inicialmente ocupado por cinco religiosas vindas de referido mosteiro francês. As obras de conversão das casas e da ermida pré-existentes iniciaram-se em Junho de 1783, simultaneamente à construção de uma nova igreja adossada ao edifício do convento, aberta ao culto apenas em 1846. Em 1887, exactamente uma década antes da sua extinção, mosteiro, igreja e cerca foram cedidos à Associação de Beneficência São Francisco de Salles. .

Convento das Salésias  [c. 1930]
Mosteiro e igreja da Visitação de Santa Maria; depois Colégio Nuno Álvares
Rua Alexandre Sá Pinto, 26
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

O Colégio e Mosteiro veio a ser extinto em 23 de Junho de 1897 vindo a Fazenda Nacional a tomar a sua posse em 1897. Em 1905 o edifício foi ocupado pelo Refúgio e Casas de Trabalho (pertencente à Provedoria Central da Assistência de Lisboa), que em 1926 é renomeado Asilo Dom Nuno Álvares Pereira (actual Centro de Educação e Desenvolvimento de D. Nuno Álvares Pereira, da Casa Pia, mantendo-se desde então no local). A cerca mantém-se intacta e em alguns locais murada, tendo nela sido instalado o Estádio das Salésias (construído em 1928 e demolido em 1956) e a Escola Industrial Marquês de Pombal (1963).

Convento das Salésias  [1915]
Mosteiro e igreja da Visitação de Santa Maria; Refúgio e Casas de Trabalho
Rua Alexandre Sá Pinto, 26
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

No interior destacam-se: a decoração marmoreada; o coro-alto; e as pinturas de tecto, a têmpera, em trompe-l'oeil, imitando relevos em estuque.
Actualmente, encontra-se sob a gestão da Casa Pia de Lisboa. [mais info: patrimoniocultural.cm-lisboa.pt]

Convento das Salésias
Mosteiro e igreja da Visitação de Santa Maria; Refúgio e Casas de Trabalho
Rua Alexandre Sá Pinto, 26
O programa decorativo de maior interesse encontra-se nas abóbadas da nave central e transversal da cúpula, pintadas a têmpera, em trompe l'oeil imitando curiosos relevos em estuque de festonadas de meados do séc. XIX.
in Lisboa de Antigamente

Tuesday, 20 October 2015

Casa Jerónimo Martins

Começando por uma simples tenda, à antiga portuguesa, que Jerónimo Martins, um moço cheio de esperanças, natural da Galiza, fundara em 1792, na antiga Rua de S. Francisco [actual Rua Ivens], uns anos depois, por volta de 1800, já estava em pleno Chiado, mas só na posse de uma porta, o número 19.


Beldemónio, pseudónimo de Eduardo Lobo Correia de Barros (1857—1893), quando escreveu as suas Viagens no Chiado, viu assim esta casa de Jerónimo Martins
lá dentro, eternizando-se em profundezas de doka londrina, um amontoamento extraordinário de tudo que a civilização requintada d'este fim de século tem inventado para fazer da mesa de jantar um  altar ao estômago: são as latas de trufas do Périgord, uma honra póstuma para os perus que sabem morrer com dignidade; as terrinas de foie-gras, obtido com fígados de pombas assassinadas pelo estiolamento em columbários impenetráveis à luz, e que da crueldade com que foi feito se vinga, irritando ou produzindo a gota; os rolos de queijos em altas colunas, desde o Gruyère até ao Brie, passando pelo Stilton, que tem um sabor aromático de avelãs, até ao precioso Roquefort, picante e cortado de laivos esverdinhados, aristocrático na sua argêntea capa de estanho reluzem; os montículos de conservas, peixe e carne, os salmões do Reno e o terrível Caviar da Rússia;  suspensos do tecto, renques de presuntos de York, embrulhados nos seus sacos de lona; pelas estantes, os grandes vinhos de toda a Europa, desde o Bordeaux espumoso como cerveja até ao Johannisberg caro como uma jóia, desde o velho e autêntico Porto de 1815 até ao mais antigo Chateau-Laffite de que rezam as crónicas das adegas de França, desde o Colares, fresco como uma colheita de orvalho, até ao Magyarather branco da Hungria, com que os voivodes opulentos das margens do Danúbio, do belo Danúbio azul cantado por Strauss, alegram os festins dos castelos por onde passou o estandarte de Kossuth; e ao fundo, finalmente, como a apoteose daquele mundo de vitualhas, o castelo formidável das grandes caixas de biscoitos ingleses, rectangulares, sólidas como o próprio Banco de Inglaterra, soberbas do seu ventre que poderia matar a fome a toda uma cidade cercada.==

Uma configuração da primitiva fachada da tenda do Jerónimo Martins na Rua Garrett, 19
in Lisboa Desaparecida, Marina Tavares Dias
Casa Jerónimo Martins [c. 1900]
Rua Garrett, 13-23
Os números 21 e 23 (e o 1.* andar, que tinha entrada pelo 17), ainda em 1911 pertenciam à Casa de Modas de António Soares de Castro, que antes adoptara a firma António Soares de Castro & Almeida (fornecedores das rainhas D. Maria Pia e D. Amélia), sucessores do atelier de M.me Aline, já aqui instalada em 1849, e que firmou os seus bons dotes de modista de fama, vangloriando-se de servir a primeira das soberanas acima relembradas.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Em 1906, já com a «Medalha de Ouro de Paris» (1900) e o «Diploma de honra da exposição de Pomologia de Lisboa» (1900), o Martins do Chiado, na publicidade que mandava para os jornais, dava como referências:
Números 13 e 15Armazém de víveres
Números 17 e 19 — Loja de chá 
e assim detalhava o negócio, em que muito prosperava:
 
Loja de chá, café e biscoitos
Grande sortimento em crepon, grenadine e lantejoulas
Louça inglesa e do Japão e vários outros produtos

Casa Jerónimo Martins & Filho, publicidade em 1897 e 1900
D. Fernando, o viúvo de D. Maria II e regente do Reino na menoridade de Pedro V, concede a Jerónimo Martins o alvará de fornecedor da Casa Real, porque "há por bem e lhe apraz". Jerónimo Martins não sobreviverá para receber esta honraria, que seria concedida a seu filho Domingos.

 
Como acabámos de ver, a tenda do Martins, que logo no princípio desta resenha dissemos ter começado pelo número 19 da Rua Garrett, que fora tomado à viúva do marceneiro Isidoro José, já no tempo presente tinha igualmente em sua posse os números 13, 15 e 17, que haviam pertencido ao napolitano Del Cuoco, que negociava em caixas e bandejas de verniz; ao espanhol Jerónimo Francisco Molina, vendedor de ferragens, tapetes, galões e quinquilharias, e à firma Oliveira & C.ª, que expunha lindos chapéus para senhoras e crianças. 
A Casa Jerónimo Martins foi fornecedora da Casa Real, que a autorizou a fazer uso dessa distinção, por Alvará de 22 de Março de 1858. E, sendo abastecedora das principais casas fidalgas e dos melhores revendedores, Alexandre Herculano concedeu a esse estabelecimento, em 1878, o exclusivo da venda do seu azeite da quinta de Vale de Lobos .

Casa Jerónimo Martins [c. 1910]
Rua Garrett, 13-23
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Casa Jerónimo Martins [1966]
Rua Garrett, 13-23
Na altura do 1.º andar, nota-se uma lápida em que está gravada a lembrança de que aí morou e morreu, em 1804, o almirante da esquadra brasileira Francisco Manuel Barroso da Silva, herói da batalha de Rianchuelo.
Garcia Nunes, in Lisboa de Antigamente
 
Com toda esta importância, guindada alto como centro abastecedor de víveres, estabelecida numa rua que era alvo de grandes atenções, a Casa Jerónimo Martins, que andava na boca de toda a gente, tinha que ser beliscada com uma piada certeira, em que são mestres os alfacinhas. E sem olhar a proporções, o autor anónimo — são sempre anónimos os criadores de blagues — disparou esta graça, que logo entrou em grande circulação: « Há, na cidade, dois monumentos que se parecem no nome: o monumento que fala ao espírito, os Jerónimos, de Belém, e o que fala ao corpo, o Jerónimo do Chiado.»
 
Casa Jerónimo Martins & Filho [c. 1910]
Rua Garrett, 13-23
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente
Casa Jerónimo Martins & Filho [1937]
Rua Garrett, 13-23
Salazar Diniz, iin Lisboa de Antigamente

Bibliografia
Eduardo de Barros Lobo (Beldemónio), Viagens no Chiado, 1897.
COSTA, Mário, O Chiado pitoresco e elegante, p. 280-285, 1987.

Sunday, 12 August 2018

Hospital de D. Estefânia

Foi este hospital «sonhado» pela simpática Rainha, mulher de D. Pedro V, em 1858. O Rei mandou pedir para Inglaterra, ao Príncipe Alberto, marido da Rainha Vitória, o projecto de «um hospital moderno», para crianças, qual era o desejo da jovem rainha.

Mas D. Estefânia morreu em 1859 e o Rei pouco lhe sobreviveu. Só em 1877, no 18.º aniversário da infeliz senhora, 17 de Julho, o novo Hospital foi inaugurado pelo Rei D. Luiz e pela Rainha D. Maria Pia.


O Hospital Dona Estefânia, iniciado em 1860 e concluído em 1877, foi mandado construir pela rainha D. Estefânia, mulher de D. Pedro V.
Numa visita ao Hospital São José, impressionada com a promiscuidade com que na mesma enfermaria eram tratadas crianças e adultos, a rainha ofereceu o seu dote de casamento para que aí fosse criada uma enfermaria para aquelas, e manifestou o desejo de construir um hospital para crianças pobres e enfermas.

Hospital Dona Estefânia [Início do séc. XX]
Rua Jacinta Marto
Antiga Rua Joaquim Bonifácio, (troço compreendido entre a Rua de Dona Estefânia e o Largo de Santa Bárbara). O topónimo homenageia uma das pastorinhas de FátimaJacinta Marto (1910-1920), nas proximidades do local onde faleceu: Hospital de D. Estefânia
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Inicialmente chamou-se Hospital da Bemposta — por ter sido erguido em terrenos da «Quinta Velha» da Bemposta  — , mas em homenagem à rainha, que entretanto falecera, passou a designar-se de Hospital D. Estefânia.
A sua construção foi primorosamente planeada. Relacionado com as mais ilustres casas reais da Europa, D. Pedro V solicitou pareceres sobre projectos e plantas hospitalares, elaboradas por técnicos competentes e autorizados sobre o assunto e remetidas dos mais variados locais, nomeadamente Londres, Berlim e Paris.

Hospital Dona Estefânia [c. 1930]
Rua Jacinta Marto
Abre o recinto, guarnecido de gradeamento, por um jardim agradável, e ao fundo se levanta o corpo principal do edifício, com seu pórtico saliente e elegante, sobre o qual se rasga uma varanda decorativa; o centro da fachada sobrepuja-se das armas reais de D. Pedro V e de D. Estefânia. [Araújo: 1938]
Ferreira da Cunhain Lisboa de Antigamente

Em 1969 passou a ter valência Materno Infantil com a construção de um edifício provisório para onde foi transferida de S. José, a Maternidade Magalhães Coutinho inaugurada em 1931.

Hospital Dona Estefânia [194-]
Rua Jacinta Marto
Segue-me por este pátio interior, com seu claustro de arcadas frias mas elegantes, com seu jardim, e, no centro, com a sua fonte decorativa. Ao fundo está a antiga capela. [Araújo: 1938]
Manuel Tavares, in Lisboa de Antigamente
 
N.B. Por edital de 03/04/1981, o troço da Rua Joaquim Bonifácio compreendido entre a Rua de Dona Estefânia e o Largo de Stª Bárbara passou a denominar-se Rua Jacinta Marto
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, 1938.

Sunday, 16 November 2025

Profissões de antanho: o cauteleiro

— Quem é que se habilita à sorte, é o 1469 que anda amanhã a roda!

É profissão que jamais acabará. É vê-los por aí, sobretudo pela Baixa, oferecendo a fortuna a toda a gente. No nosso tempo, a cautela, cremos que a vigésima parte do bilhete inteiro, vendia-se por três vinténs!
E não havia barbeiro que, pelo Natal ou Páscoa, não tivesse colado no espelho, em frente do freguês, o bilhete da sorte, para que bem o observasse e comprasse enquanto lhe escanhoava os queixos.
O grande actor Estêvão Amarante, criador admirável de tantos tipos populares de Lisboa, também fez o cauteleiro num quadro de revista, cantando um fado que ficou, como todas as suas criações, na alma do povo, imitando um cauteleiro que era muito conhecido pelo pregão harmonioso e nostálgico com que oferecia a Sorte Grande!

— Quem é que se habilita à sorte, é o 1469 que anda amanhã a roda!

Profissões de antanho: o cauteleiro |entre 1908 e 1914|
Largo de Dom João da Câmara, antigo «de Camões».
Ao fundo observa o afamado Café Suisso.
Charles Chusseau-Flaviens, in Lisboa de Antigamente

Nesse tempo, e hoje também, os cauteleiros apregoam por Lisboa e por todo o País, mas sem a cantoria de então.
A dada altura apareceu pelas ruas da Baixa, sem apregoar, um cauteleiro fardado, que oferecia o jogo quase sempre pelos estabelecimentos. Exibia boné agaloado a ouro, sobrecasaca preta com botões amarelos, galões dourados na gola e pasta debaixo do braço, cautelosamente segura por corrente. Era um indivíduo gordo, à volta dos quarenta anos e que, no seu jeito amável, aconselhava, como quem conversa, a jogar na lotaria. Hoje os cauteleiros usam boné de pala e a profissão, aparentemente, deve ser rendosa. Haja em vista o desafogo de certas casas de lotaria! 

— Quem é que se habilita à sorte, é o 1469 que anda amanhã a roda!

Profissões de antanho: o cauteleiro |1922-3-8|
Calçada do Duque com a Rua da Condessa.
Legenda no arquivo: «O coxo das cautelas na Escadinhas do Duque»
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O cauteleiro coxo que me maçava inutilmente? Questiona-se o Desassossegado Bernardo Soares. O velhote redondo e corado do charuto à porta da tabacaria? O velho sem interesse das polainas sujas que cruzava frequentemente comigo às nove e meia da manhã? O dono pálido da tabacaria? O que é feito de todos eles, que, porque os vi e os tornei a ver, foram parte da minha vida? Amanhã também eu me sumirei da Rua da Prata, da Rua dos Douradores, da Rua dos Fanqueiros, [e das Escadinhas do Duque, porque não?]. Amanhã também eu me sumirei da Rua da Prata, da Rua dos Douradores, da Rua dos Fanqueiros. Amanhã também eu — a alma que sente e pensa, o universo que sou para mim — sim, amanhã eu também serei o que deixou de passar nestas ruas, o que outros vagamente evocarão com um “o que será dele?”. E tudo quanto faço, tudo quanto sinto, tudo quanto vivo, não será mais que um transeunte a menos na quotidianidade de ruas de uma cidade qualquer.
(Fernando Pessoa / Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 1931)

Profissões de antanho: o cauteleiro |início séc. XX|
Aguadeiro e cauteleiro junto ao fontanário do Largo Trindade Coelho, antigo de S. Roque. 
Ao centro vê-se a Coluna mandada erguer pela colónia italiana, comemorando o casamento do 
Rei Dom Luís I com Dona Maria Pia de Sabóia em 1862.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
(DINIS, Calderon, Tipos e Factos da Lisboa do meu tempo (1900-1974), p. 276, 1986).
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