Showing posts sorted by relevance for query Rua Barata Salgueiro. Sort by date Show all posts
Showing posts sorted by relevance for query Rua Barata Salgueiro. Sort by date Show all posts

Friday, 7 January 2022

Rua Barata Salgueiro

A Rua Barata Salgueiro, sita nas freguesias de Coração de Jesus e São Mamede, foi atribuída por deliberação camarária de 06/05/1882 no arruamento perpendicular à Avenida da Liberdade, em direcção à antiga Azinhaga do Vale de Pereiro.
As ruas Barata Salgueiro e Castilho foram calcetadas e iluminadas em 1886, ano da inauguração oficial da Avenida da Liberdade. Do mesmo plano de urbanização faziam parte, os bairros Barata Salgueiro a ocidente e Bairro Camões, a leste. Barata Salgueiro cedeu gratuitamente e a preços reduzidos terrenos para a o projecto de urbanização da Avenida da Liberdade.

Rua Barata Salgueiro |1932|
Anterior ao alinhamento e rectificação da rua e à demolição dos prédios ao centro; ao fundo vêem-se os prédios da Rua de Santa Marta.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Nesta artéria perpendicular à Avenida da Liberdade foi homenageado o Dr. Adriano Antão Barata Salgueiro (1814-1895), advogado em Lisboa, por decisão unânime na 19ª Sessão Extraordinária da Câmara Municipal de Lisboa, em 6 de Maio de 1882, à qual presidia José Gregório da Rosa Araújo, o presidente responsável pela construção da Avenida da Liberdade entre 1879-1886.
Curiosamente, a Rua Rosa Araújo é paralela à Rua Barata Salgueiro. [cm-lisboa.pt]

Rua Barata Salgueiro |1939|
Alinhamento e rectificação depois da demolição dos antigos prédios; ao fundo vêem-se os prédios da Rua de Santa Marta.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Friday, 8 September 2017

Avenida da Liberdade com a Rua Barata Salgueiro

A urbanização dos terrenos adjacentes à parte ocidental da Avenida da Liberdade só avançou a partir de 1880, depois de acordo entre a Câmara e o capitalista e advogado Antão Barata Salgueiro, proprietário de uma larga área de terrenos nessa zona. Os arruamentos, abertos desde 1882, tomaram os nomes de vultos do liberalismo e foram sendo ladeados de «palacetes particulares, alguns de certo mérito, prédios sólidos de rendimento» (ARAÚJO, 1939), destinados a uma classe burguesa abastada. Restam ainda diversas construções dessa época, estando no entanto a unidade do conjunto cada vez mais prejudicada pelos novos edifícios que proliferam de forma imparável.

Avenida da Liberdade com a Rua Barata Salgueiro [c. 1910]
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

O primeiro palacete na foto acima, no nº 185, foi demolido na década de 1930 para dar lugar ao primitivo Hotel Tivoli (Palacete Rosa Damasceno); o segundo palacete, no nº 187-189, construido em 1891, de estilo neo-mourisco é o actual Hotel Veneza mandado construir por Adriano Antão Barata Salgueiro; o terceiro palacete no n.º 191-193, de Cipriano Ribeiro Calleya adquirido a Barata Salgueiro, construído nos finais do séc. XIX, é o actual Arquivo Histórico do MOPTC. O quarto palacete no nº 195 — no gaveto com a Rua Barata Salgueiro — é o Palacete Barata Salgueiro, demolido na década de 1970, para dar lugar à sede do BES, actual Novo Banco.

Avenida da Liberdade, panorâmica N-S [c. 1934]
 A vermelho, a Rua Barata Salgueiro

Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

Tuesday, 8 March 2016

Palacete Barata Salgueiro (actualizado)

O tipo de palacete Segundo Império-Terceira República foi muito popular na Avenida. Exemplos paradigmáticos são os do lado ocidental que fazem esquina para a Rua Barata Salgueiro. No local onde se erguia o Palacete do advogado e capitalista Adriano Antão Barata Salgueiroconstrução de 1902, demolido c. de 1970, risco do arqº Alfredo da Ascensão Machadoexiste actualmente o edifício-sede do Novo Banco.

Palacete de Adriano Antão Barata Salgueiro [190-]
Avenida da Liberdade com a Rua Barata Salgueiro
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

N.B. Quando Rosa Araújopresidente da Câmara Municipal de Lisboase propôs construir a Avenida da Liberdade, Barata Salgueiro cedeu à Câmara Municipal vários terrenos, uns gratuitamente e outros a um preço reduzido. A Câmara Municipal de Lisboa, como reconhecimento, atribuiu o seu nome a uma rua da capital.
 
Casa do Dr. Barata Salgueiro
Avenida da Liberdade com a Rua Barata Salgueiro
in Supplemento ao Annuario da Sociedade dos Architectos Portuguezes, Anno III, 1907

Monday, 18 April 2016

Rua Barata Salgueiro com a Rua Rodrigo da Fonseca

Nesta artéria perpendicular à Avenida da Liberdade foi homenageado o Dr. Adriano Antão Barata Salgueiro (1814-1895), advogado em Lisboa, por decisão unânime na 19ª Sessão Extraordinária da Câmara Municipal de Lisboa, em 6 de Maio de 1882, à qual presidia José Gregório da Rosa Araújo, o presidente responsável pela construção da Avenida da Liberdade entre 1879-1886. Curiosamente, a Rua Rosa Araújo é paralela à Rua Barata Salgueiro.
As ruas Barata Salgueiro e Castilho foram calcetadas e iluminadas em 1886, ano da inauguração oficial da Avenida. Do mesmo plano de urbanização faziam parte, os bairros Barata Salgueiro a ocidente e Bairro Camões, a leste. (cm-lisboa.pt)

Rua Barata Salgueiro com a Rua Rodrigo da Fonseca |190-|
Entregas ao domicílio
Ao fundo, à esquerda, no cruzamento com a Avenida da Liberdade, nota-se a cúpula do Palacete Antão Barata Salgueiro, hoje edifício-sede do Novo Banco.

Paulo Guedes, 
in Lisboa de Antigamente

Tuesday, 7 July 2015

Bairro Barata Salgueiro

Em 1880, concluía-se um acordo com o capitalista Antão Barata Salgueiro (1814-1895) que, libertando terrenos entre a rua do Salitre e a Avenida permitia a urbanização de um novo bairro, com um traçado de ruas regulares será edificado com habitações destinadas à alta burguesia lisboeta. [...]
A edilidade, como reconhecimento, atribuiu o nome do doador a uma artéria perpendicular à Avenida da Liberdade e em direcção à antiga Azinhaga do Vale Pereiro: a Rua Barata Salgueiro, assim designada pela deliberação camarária de 6 de Maio de 1882, que hoje se delimita entre a Rua de Santa Marta, a nascente, e a Rua Rodrigo da Fonseca, a poente. Também na mesma deliberação camarária de 1882 foram nomeadas as outras artérias incluídas no perímetro do novo bairro: Alexandre Herculano, Passos Manuel (reno meada Rosa Araújo, em 1887), no sentido pente-nascente, e as ruas Castilho e Mouzinho da Silveira, na orientação norte-sul. [Santos: 2010]


Avenida da Liberdade com a Rua Barata Salgueiro |1902|
Palacete de Cipriano Ribeiro Caleia (esq), Palacete de Barata Salgueiro (dir), demolido em 1970.
Bilhete postal antigo circulado de Lisboa para Clermont-Ferrand (França), em 1902. 
Edição F.A. Martins (Faustino António Martins, BP n°63. 
Colecção particular Hugo de Oliveira. 

E assim foi existindo até há coisa de 35 anos (de permeio houve intervenções de nomeada em alguns palacetes, com adaptações modernistas, feitas por Cassiano Branco, entre outros, mas sem nunca se adulterar sobremaneira a unidade do conjunto), altura em que o bairro entrou em perda: perda no rendimento dos proprietários à omnipresença do automóvel, de escritórios e serviços, e dos acrescentos, a construção nos logradouros das moradias dos Carvalhos/Cinemateca e de Medeiros e Almeida, por ex.) e perda no número de moradores, o que aliado à venda sucessiva de palacetes e prédios de rendimento a imobiliárias (muitas delas estrangeiras), ao crescente estado de abandono do edificado, à crónica fraqueza de quem de direito não fez o que lhe competia - classificar o bairro e zelar pela observância dos regulamentos para a conservação de edifícios -, ao boom especulativo, às primeiras demolições para a construção de bancos (BNU, BES...) e hotéis (Hotel Altis à cabeça); levaria a que hoje o bairro esteja irreconhecível, sem graça, alçados espelhados, "cabeçudos", que encimam muitos dos prédios de antanho, coroando fachadas agora "para inglês ver" (Heron Castilho, Allianz, Hotel Vintage, etc.).

Panoramica sobre a R Barata Salgueiro  |c. 1910|
A urbanização dos terrenos adjacentes à parte ocidental da Avenida da Liberdade só avançou a partir de 1880, depois de acordo entre a Câmara e o capitalista e advogado Antão Barata Salgueiro, proprietário de uma larga área de terrenos nessa zona.
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 14 March 2021

Sociedade Nacional de Belas Artes

O Dr. Barata Salgueiro, em 1882, — diz Norberto de Araújo — doou ao Município uma parcela de terreno para fundação de uma grande escola destinada a 3.000 crianças.
A Escola nunca se fêz, e a Câmara, abusivamente quanto a nós, pôs os terrenos em praça em 1903, e os chãos doados foram retalhados para edificações, escapando um pedaço que foi mais tarde cedido à Sociedade Nacional de Belas Artes [1901]. É êste onde assentou o edifício da Sociedade, com frente à Rua Barata Salgueiro, e cujo arquitecto foi Álvaro Machado. Não se construiu o edifício sem que os herdeiros de Barata Salgueiro protestassem perante os tribunais, chegando a ganhar a sua causa no Tribunal da Relação (1912).
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 41, 1939)

Sociedade Nacional de Belas Artes |1913|
Rua Barata Salgueiro, 36
Fotografia anónima, in O occidente
Sociedade Nacional de Belas Artes |c. 1930|
Rua Barata Salgueiro, 36
Fotografia anónima,, in Lisboa de Antigamente

Friday, 20 September 2024

Cruzamento formado pelas Ruas Nova de São Mamede, Salitre, Barata Salgueiro e Rodrigo da Fonseca

No final do século XII, e sob a autoridade do Bispado de Lisboa, surgem na capital as dez primeiras freguesias (terreno delimitado, na cidade ou no campo, em que habitavam indivíduos que seguiam o mesmo culto, tendo como ponto principal o templo ou a igreja matriz). Em 1247, nasce São Mamede, famosa por albergar o Jardim Botânico de Lisboa e o Edifício da Imprensa Nacional. É a mais antiga das freguesias que hoje formam a de Santo António.

A Rua Nova de São Mamede é assim designada por se encontrar nas proximidades da Igreja Paroquial de São Mamede. Esta paróquia remonta ao século XIV (1312), Anteriormente designada Travessa de São Mamede, este arruamento foi renomeado  pelo Edital do Governo Civil de 5 de Abril de 1945, tendo o seu início no Largo de São Mamede e término na Rua do Salitre.

Salitre. O local em que se encontra foi mencionado pela primeira vez em 1665 nos Livros dos Óbitos da freguesia de São José: “Pátio do Salitre”, designação que se manteve até 1746. Este topónimo nasceu das nitreiras ou salitrais que os frades de São Bruno – conhecidos como Cartuxos ou Brunos – tinham nas suas hortas, nos terrenos que detinham nesta artéria, já que salitre é o nome vulgar do nitrato de potássio, um adubo. Este arruamento inicia-se na Avenida da Liberdade, terminando na Rua Rodrigo da Fonseca.

Cruzamento formado pelas Ruas Nova de São Mamede, Salitre, Barata Salgueiro e Rodrigo da Fonseca |ant. 1928|
Autor desconhecido, in Lisboa de Antigamente

A Rua Barata Salgueiro homenageia o Dr. Adriano Antão Barata Salgueiro (1814-1895) que cedeu gratuitamente e a preços reduzidos terrenos para a o projecto de urbanização da Avenida da Liberdade. Denominação atribuída por Deliberação Camarária de 6 de Maio de 1882. Este arruamento tem início na Rua de Santa Marta e termina Rua Rodrigo da Fonseca.

A Rua Rodrigo da Fonseca — anteriormente designada Azinhaga do Vale do Pereiro — foi renomeada pela Deliberação Camarária de 28 de Fevereiro de 1884 e respectivo Edital do Governo Civil de 4 de Março do mesmo ano, iniciando-se na Rua do Salitre e terminando na Rua Marquês de Fronteira. 
______________________________________________________________________
Bibliografia
jfsantoantonio.pt

Wednesday, 20 March 2019

Profissões de antanho: a galinheira

— Éh! Galliiiiiiiii...nhas! Quem nas quér i com ôvo?!

Era assim o pregão esganiçado e arrastado, os ii muito agudos e longos, o bastante para se ouvir, e ouvia-se mesmo, como se fosse um apito. E melhor quando as freguesas as esperavam. Claro que não havia então os ruídos que atormentam hoje os moradores de Lisboa.
Quase sempre eram varinas as vendedeiras, trajando como tal. Habituadas ao negócio, conheciam bem a clientela, pois, naquele tempo, só comia galinha quem estava doente ou em dia de festa!...

Galinheira na Rua Rodrigo da Fonseca [1906]
Antiga do Abarracamento do Valle Pereiro; à direita, a Rua Barata Salgueiro e, ao fundo, a Rua Alexandre Herculano e o Parque; o prédio com mansarda, no nº 15 da Rodrigo da Fonseca, ainda existe e data de 1883.

Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

— Éh! Galliiiiiiiii...nhas! Quem nas quér i com ôvo?!

Traziam os animais em canastras armadas em gaiolas com rede de cordel esticada em forma de barraca, e garantiam às freguesas que todas as galinhas eram boas poedeiras!... Muitas pessoas, nesse tempo, criavam ou compravam criação para ter em casa, como reserva alimentar, sucedendo, à falta de espaço dentro da habitação, armarem pequenas gaiolas sobre os telhados, junto às águas-furtadas.

Galinheira na Rua Rosa Araújo Rua Barata Salgueiro [1906]
A galinheira trajava camisa de chita, cintada e estampada com flores miúdas; saia de seriguilha azul, com pregas, muito rodada e quase arrastando no chão, tapando as tamancas de cabedal; lenço claro envolvendo todo o rosto e atado sob o queixo; na cabeça, uma minúscula rodilha onde pousa o canastrão onde carregava as galinhas.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
DINIS, Calderon, Tipos e factos da Lisboa do meu tempo: 1970-1974, 1986.

Friday, 14 May 2021

Rua Rosa Araújo, 49

Datam daquele ano de 1882 as designações dadas às artérias do bairro [Barata Salgueiro]: Alexandre Herculano, Passos Manuel, (logo convertida em Rosa Araújo) e Barata Salgueiro, no sentido Poente-Nascente, e Castilho, Mouzinho da Silveira e Castilho, Mouzinho da Silveira e Duque de Palmela (esta mais tarde) na orientação Norte-Sul. [Araújo: 1939]


O «Rosa Araújo 49», edifício Arte Nova, datado de 1905 — uma das últimas obras do famoso arquitecto italiano Nicola Bigaglia (1841-1908), diversas vezes distinguido com o prémio Valmor  — é representativo do período romântico do início do séc. XX e é um exemplo de habitação colectiva para a classe média/alta da época. O projecto de requalificação e ampliação da autoria dos arquitectos Frederico Raúl Tojal Valsassina Heitor e Manuel Rocha de Aires Mateus, foi distinguido com uma Menção Honrosa do Prémio Valmor e Municipal de Arquitectura de 2012.

Rua Rosa Araújo, 49-49B (ao centro) [1952]
[Rua Castilho]
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
Legenda da imagem no arquivo: «Chegada do Rally de Monte-Carlo»

N.B. O primeiro monumento de gratidão que a cidade devia a Rosa Araújo (1921-201) foi reduzido a um busto num recanto e se alguém repara no nome da Rua Rosa Araújo, ou naquela estátua, pouco ficará a saber sobre aquele homem e que enorme contribuição deu para deu para fazer de Lisboa uma cidade melhor. Finalmente, m 1946, o monumento do «criador» da Avenida da Liberdade foi transferido para a esta, frente à rua a que deu o nome.

Rua Rosa Araújo, 49-49B [1952]
Edifício «Rosa Araújo 49»
Fernandes, Augusto de Jesus, in Lisboa de Antigamente

Friday, 4 March 2022

Ruas Alexandre Herculano e Castilho

O topónimo Rua Alexandre Herculano foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa, através de Deliberação Camarária de 06/05/1882, à “perpendicular à Avenida da Liberdade, em direcção ao Largo do Rato”. Pela mesma deliberação foram atribuídas na mesma área a Rua Castilho, a Rua Barata Salgueiro, a Praça do Marquês de Pombal e a Rua Mouzinho da Silveira.

Rua Alexandre Herculano [Início séc. XX]
Éh! galinhas!  Mérca frangos! Galinhas! Quem nas quér i com ôvo?
prédio de dois pisos (já demolido) — e que fazia esquina com a Rua Castilho foi residência de João Franco Castelo Branco, último Presidente do Conselheiro do Rei D. Carlos I, entre 1906 e 1908: o edifício contiguo, que torneja para a Rua Mouzinho da Silveira, ainda existe.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto não está identificado no abandalhado amL

O topónimo Rua Castilho foi atribuído pela edilidade em 1882, homenageia António Feliciano de Castilho, um dos grandes escritores da primeira época do romantismo em Portugal, em conjunto com Garrett e Herculano. Notabilizou-se especialmente pela riqueza e expressão artística da linguagem. Castilho nasceu em Lisboa a 28/01/1800 e morreu em Lisboa a 18/06/1875.

Rua Castilho [ant. 1907]
Venda ambulante de toalhas
Cruzamento com a Rua Alexandre Herculano; ao fundo, o antigo Quartel do Vale de Pereiro (Quartel de Caçadores 2) na actual Rua Braamcamp.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto não está identificado no abandalhado amL

Nota(s): Infelizmente as duas últimas imagens são de baixa qualidade/resolução, graças ao paupérrimo trabalho de digitalização efectuado pelo Arquivo Municipal de Lisboa (amL).

Sunday, 6 March 2016

Avenida da Liberdade, 193: Palacete de Cipriano Ribeiro Caleia

Palacete de Cipriano Ribeiro Calleya


Este palacete urbano, construído nos finais do séc. XIX, em terrenos que Cipriano Ribeiro Caleia adquirira a Barata Salgueiro, traduz uma arquitectura residencial, de gosto ecléctico tardo-romântico, com características de inspiração parisiense. Adquirido pelo Estado na década de 50 do séc. XX, foi objecto de remodelação para acolher a Direcção-Geral de Aeronáutica Civil e o Arquivo Histórico do MOPTC (Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações). Actualmente aí funcionam bibliotecas e arquivos ligados a vários ministérios. 

Avenida da Liberdade, 193 com a Rua Barata Salgueiro, 19 [Início séc. XX]
Palacete de Cipriano Ribeiro Caleia; cena de rua
Paulo Guedes,in Lisboa de Antigamente

De planta rectangular e volumetria paralelepipédica, desenvolve-se em dois registos,oferecendo três frentes à rua, sendo a de maior dimensão correspondente ao chanfro do ângulo e ao acesso principal do edifício, efectuado através de porta de verga recta coroada por frontão triangular interrompido, articulado superiormente com uma janela de sacada, de verga recta, encimada por frontão triangular, que abre para uma varanda de cantaria assente em mísulas. Elevando-se acima da cornija comum às frentes do edifício, destaca-se um terceiro registo, nesse mesmo vértice central, correspondente a uma torre de secção quadrada, coroada por telhado piramidal truncado e rasgada em três das suas faces por janelas em arco de volta inteira, rematadas por frontão triangular.
O resto do edifício está coberto por telhado amansardado, rasgado por óculos e trapeiras. As outras duas frentes do imóvel apresentam uma composição semelhante, destacando-se o tratamento arquitectónico e ornamental mais cuidado do alçado virado à Avenida da Liberdade, patente na utilização de pilastras e mainéis decorados, que funcionam como separadores de janelas, de frontões triangulares, de mísulas e de uma decoração vegetalista relevada nos aventais das janelas de peito.
No interior merecem referência os estuques decorativos que ornamentam algumas das suas salas. Encontra-se classificado como Monumento de Interesse Público. (cm-lisboa.pt)

Wednesday, 29 May 2019

Antiga Igreja do Coração de Jesus

Quási defronte do antigo Convento de Santa Marta temos a Igreja do Coração de Jesus — recorda-nos Norberto de Araújo — , cuja paroquial foi criada em 1770 com o orago de Santa Joana, na Igreja do vizinho Convento de Santa Joana, passando depois (1780) para o Hospício das Carmelitas, na Rua de Santa Marta.


O templo paroquial do Coração de Jesus só foi erguido neste local em 1790 a esforços, sobretudo, do Conde de Redondo; foi arquitecto Manuel Caetano de Sousa. A inauguração realizou-se a 30 de Maio. Entre 1877 e 1880 a Igreja recebeu restauros. 

Rua de Santa Marta |1944|
Ao fundo vê-se a antiga Igreja do Coração de Jesus, situava-se em frente ao Convento de Santa Marta, hoje Hospital de Santa Marta.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

A paroquial do Coração de Jesus é pobre, embora simpática. Possue no corpo da Igreja duas capelas por lado; à direita as de N. Senhora de Fátima e da Sagrada Família, à esquerda de N. Senhora das Dores e de S. Miguel. No altar da Capela-mór vêem-se sobre o sacrário do SS. as imagens do Sagrado Coração de Jesus e o S. Coração de Maria; nela se ostenta um quadro do orago da freguesia devido a Cirilo Wolkmar  Machado. O teto é de Pedro Alexandrino.



Igreja do Coração de Jesus |195-|
Rua de Santa Marta
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente
 


Igreja do Coração de Jesus |1956|
Retábulo do capela-mor, de Volkmor Mochado
Fotografia anónima, in IL



A igreja foi demolida na década de 1960 e substituída de outra, com a mesma invocação, edificada na Rua Camilo Castelo Branco.

Igreja do Sagrado Coração de Jesus |195-|
Pormenor do tecto da autoria de Pedro Alexandrino
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

N.B. Esta zona da cidade era servida pela Carreira de eléctricos Nº 6 RESTAURADORES-PRAÇA DA FIGUEIRA. Foi inaugurada em 1905, com o percurso inicial entre o Rossio e a R. Gomes Freire. Foi suprimida em 1960.
Percurso: Praça dos Restauradores, Av. da Liberdade, Rua Barata Salgueiro, Rua de Santa Marta, Rua Conde Redondo, Rua Gomes Freire, Campo dos Mártires da Pátria, Rua de S. Lázaro, Rua da Palma (sentido inverso, Poço do Borratem), Largo Martim Moniz e Praça da Figueira.
____________________________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 90-91, 1939.

Friday, 28 December 2018

Avenida da Liberdade, esquina com a Rua Alexandre Herculano

Em 1941, a Associação Industrial Potuguesa (A.I.P.) adquiriu nova sede, desta feita na Avenida da Liberdade, num amplo palacete onde se manteve até 1958. Foi demolido em 1963/64..

Avenida da Liberdade, esquina com a Rua Alexandre Herculano [Início séc. XX]
Palacete onde esteve instalada a sede da Associação Industrial Portuguesa (A.I.P.) entre 1941-1958.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

O topónimo Rua Alexandre Herculano foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa, através de Deliberação Camarária de 06/05/1882, à “perpendicular à Avenida da Liberdade, em direcção ao Largo do Rato”. Pela mesma deliberação foram atribuídas na mesma área a Rua Castilho, a Rua Barata Salgueiro, a Praça do Marquês de Pombal e a Rua Mouzinho da Silveira. 

Rua Alexandre Herculano com a Avenida da Liberdade [1961]
Palacete sede AIP
Augusto Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, escritor e historiador, nasceu em Lisboa a 28/3/1810 e morreu em Vale de Lobos, a 13/9/1877.
Juntamente com Almeida Garrett, é considerado o introdutor do Romantismo em Portugal. Foi o renovador do estudo da História de Portugal. [cm-lisboa.pt]

Palacete sede AIP, fachada sobre a Rua Rodrigues Sampaio [1961]
Augusto Fernandes,
in Lisboa de Antigamente

Friday, 29 April 2016

Profissões de antanho: o moço de fretes

O moço de fretes ou moço de esquina, como também era conhecido, foi uma instituição de Lisboa. Normalmente eram homens oriundos da Galiza, embora entre eles se contassem muitos elementos das nossas Beiras. Gente pacífica, honrada e mansa no tracto, a esses homens podia entregar-se, utilizando os seus serviços, uma carta confidencial que, pressurosos, iam levar ao seu destino; valores ao penhor, de gente de bom-tom que se escondia; transporte de mobílias e outros carregos e até puxar as pequenas bombas de incêndio pelas ruas estreitas dos bairros populares. 

Profissões de antanho: o moço de fretes |1912|
Largo do Chiado, esquina com a Rua Nova da Trindade
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Todavia, a sua maior actividade era transportar mobílias, de casa para casa, nas mudanças que os lisboetas então faziam com frequência, porque havia casas para alugar! Era vulgar ver-se escritos nas janelas, sinal de que as casas estavam devolutas, e os alfacinhas, sobretudo as senhoras, adoravam mudar de domicílio. Bons tempos!

Profissões de antanho: o moço de fretes |1907|
Calçada do Combro
Joshua Benoliel, iin Lisboa de Antigamente

Os moços de fretes, os galegos como eram conhecidos, encarregavam-se desses serviços, desarmando em casa os móveis e acomodando-os nas padiolas, amarrados com boas cordas. Depois de tudo empoleirado, dois ou quatro homens, consoante o volume e o peso, a passo certo, cadenciado, mas alternado, seguiam com a tralha para a nova residência onde rearmavam tudo com muito cuidado, no que eram mestres. Só que quando algo se partia, logo tinha justificação: — Tenha paxiêrixia, acontexe!...

Profissões de antanho: o moço de fretes |1908|
Rua Rodrigo da Fonseca com a Rua Barata Salgueiro
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Profissões de antanho: o moço de fretes |entre 1908 e 1914|
Calçada do Carmo
Charles Chusseau-Flaviens, in Lisboa de Antigamente

Era curiosa a forma como se auxiliavam no transporte com a padiola: dois à frente e dois atrás, com um grosso pau de carga que eles suportavam aos ombros, adoçando o incómodo com chinguiços  — pequenas almofadas em forma de ferradura que ajustavam ao pescoço — e assim aguentavam o peso bem equilibrado.

Profissões de antanho: o moço de fretes |1910|
 Rua do Comércio com a Rua dos Fanqueiros
Joshua Benoliel,in Lisboa de Antigamente
Profissões de antanho: o moço de fretes |c. 1930|
Rua de São Lázaro
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

Os moços de fretes ou de esquina agrupavam-se em vários locais da cidade nas praças principais, como o como o Rossio, Terreiro do Paço, Chiado, Graça, Alcântara e outros, e também pelas esquinas das ruas, onde eram procurados para ajustar os serviços que deles se pretendia

Profissões de antanho: o moço de fretes |1908|
 Largo do Chiado: A Ilha dos Galegos
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Profissões de antanho: o moço de fretes |post. 1902|
Rua do Arco do Marquês de Alegrete, Palácio do Marquês de Alegrete (Martim Moniz)
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

É de salientar um serviço que era sempre muito bem pago porque obrigava a discrição: levar cartas confidenciais, naquele tempo em que ter telefone era um luxo!
Leva esta carta e entrega-a só à própria. Entendido?
Xagrado! respondia o Xoaquim.
 E pelo serviço cauteloso pagava-se cinco tostões de boa prata!

Profissões de antanho: o moço de fretes |190-|
 Largo de São Domingos
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
DINIS, Calderon , Tipos e Factos da Lisboa do meu tempo (1900-1974), p. 216.

Friday, 15 September 2017

Antigo coreto da Avenida da Liberdade

D. Felicidade quis então saber as horas. Começava a enfastiar-se. Tinha esperado encontrar o Conselheiro; por ele, para lhe parecer bem, fizera o sacrifício de se apertar!
Acácio não vinha, os gases começavam a afrontá-la; e o despeito daquela ausência aumentava-lhe a tortura da digestão. Na sua cadeira, o corpo mole, ia seguindo a multidão que girava incessantemente, numa névoa empoeirada. 

Mas a música, no coreto, bateu de repente, alto, a grande ruído de cobres, os primeiros compassos impulsivos da marcha do Fausto. Aquilo reanimou-a.
Era pot-pourri da ópera — e não havia música de que gostasse mais. (Queiroz, 1878)


No projecto da Avenida da Liberdade (após demolição do Passeio Público) estavam contemplados novos equipamentos para o jardim, incluindo um novo coreto, criado por José Luís Monteiro e cuja construção foi iniciada no lado oriental da Avenida, no talhão situado entre a Rua dos Condes e o Largo da Anunciada, mas uma petição de Dezembro de 1885, de vários moradores da zona pediu a suspensão da sua construção naquele local, o que foi aceite em Comissão Executiva, a 13 de Fevereiro de 1886, que decidiu suspender os trabalhos, remover os materiais e guardá-los até ser designado novo local para o coreto. Apesar de não haver coreto na Avenida, existem referências de bandas tocarem entre a Praça dos Restauradores e a Rua das Pretas.
Mais tarde, possivelmente no lugar onde actuavam as bandas foi construído um (primeiro) coreto fixo de materiais pouco duráveis a pedido da Sociedade Promotora das Creches para a realização de uma quermesse em Setembro de 1886, coreto esse que a pedido dos moradores, foi mantido nesse local até 1894, ano de inauguração do coreto fixo (segundo).
A necessidade de um novo coreto na Avenida da Liberdade, devido ao estado de degradação do coreto provisório e o pedido dos moradores lisboetas tendo em vista a necessidade de manter a música neste local, fez com que a 19 de Maio de 1892 fosse retomado o projecto de coreto de José Luís Monteiro, mas agora noutro local, para a parte mais alta da Avenida, no talhão em frente à Rua Rosa Araújo.
O coreto fixo, inaugurado a 15 de Agosto de 1894, foi aí mantido até 1935, quando foi desmanchado para ser novamente reconstruido noutro local, o Jardim da Estrela, onde se mantêm até aos dias de hoje. A decisão de mudar este coreto de local deveu-se ao aumento da quantidade de tráfego, comércio e escritórios na Avenida da Liberdade, factores pouco convidativos para o ambiente musical e para atrair pessoas até ao coreto.

Avenida da Liberdade, coreto [c. 1894]
Este coreto situava-se defronte ao nº 232 no lado nascente da avenida, no quarteirão entre as ruas Barata Salgueiro e Alexandre Herculano. Foi transferido em 1935-36 para o Jardim da Estrela.
Chaves Cruz, in Lisboa de Antigamente

Inaugurado em 15 de Agosto de 1894, tocando, à noite, das oito às dez horas a banda de Infantaria 2, e sendo todo iluminado a luz eléctrica. Porém, não deu o melhor resultado porque se apagou muitas vezes, o que fez com que a música desse algumas fifias, por estar às escuras.
É um coreto em mármore e ferro, do risco de José Luís Monteiro, com sugestões indianas no desenho dos arcos e na cobertura. O interior desta apresenta um invulgar trabalho decorativo em madeira com liras, folhagem e monograma camarário. É o único coreto com duas escadas de acesso, em ferradura, que pela simetria da planta lhe conferem um maior equilíbrio no desenho.

Avenida da Liberdade, coreto [c. 1900]
Coreto da autoria de José Luís Monteiro, foi transferido em 1935 para o Jardim da Estrela.
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Na edição de 1831, do Dicionário da Língua Portuguesa de António de Morais Silva, a palavra coreto surge com o significado de «pequeno coro feito para alguma função». Enquanto em 1890 surge uma outra versão, emendada e acrescentada, que define o coreto da seguinte forma:
«Corèto», s. m. Côro pequeno. Especie de palanque, vistosamente ornamentado, destinado à música, e que se arma geralmente por occasião de festa publica, em arraiaes, etc..»

Antigo coreto da Avenida da Liberdade [1960-06-11]
Coreto da autoria de José Luís Monteiro, foi transferido para este Jardim da Estrela em 1935. 
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
QUEIROZ, Eça de, O Primo Basílio, 1878.

NUNES, Joana, O coreto na cidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes (FBA), Dissertações de Mestrado, 2012.
RELVAS, Eunice; BRAGA, Pedro Bebiano, Coretos em Lisboa: 1790-1990, p. 129, 1991.
Web Analytics