Thursday, 13 August 2015

Lavadeiras saloias

»Mê ofício é lavadeira
Mê amor é aguadeiro
Ele vai vender a água
Eu vou entregar a roupa
Para trazer o dinheiro»

Avenida da Liberdade, [1906]
O terceiro edifício - com torre ameada - é o Palacete Conceição e Silva

Augusto Bobone, in AML

Constituíram, durante grande parte do Séc. XX,  um importante contributo para o sustento das suas famílias e ocuparam lugar de destaque no, já então, significativo número da mão-de-obra feminina, a par das enchedeiras de bilhas de barro e das mulheres que trabalhavam na lavoura. Fizeram parte de uma certa revolução de hábitos e costumes, pelas oportunidades que o ofício que exerciam lhes proporcionava, no contacto com outros meios sociais, em resultado das regulares deslocações à capital.

Arredores de Lisboa(?), [c. 1910]
Largo da Portagem, Coimbra (de acordo com um comentário do nosso leitor Luis Cabral)
Joshua Benoliel, in AML 

Com o mérito que lhes é reconhecido, tratavam com esmero a roupa que recolhiam em Lisboa e arredores, devidamente registada no «rol», procedendo à lavagem e secagem desta, (ao Sol, «a corar»), junto das ribeiras, dos rios ou nas almácegas (do árabe: almostanca, tanque).

Rol de lavadeira, tabela de madeira recortada e entalhada. Proveniente de um convento de Lisboa, século XVIII

2 comments:

  1. Muitos parabéns pelo blog. Apenas um pequeno reparo: a segunda foto do primeiro post, com as lavadeiras em frente á garagem automóvel, é no largo da portagem, em Coimbra, não em Lisboa.
    Cumprimentos, Luis Cabral

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    1. Obrigado pelo alerta e pelo apreço. Vou corrigir a legenda.

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