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Wednesday, 27 June 2018

Praça Marquês de Pombal, 1-2: Palacete de António de Sousa Carneiro Lara / Clube Militar Naval

Estamos na Praça Marquês de Pombal, vulgarmente denominada «Rotunda», que constitue o eixo de irradiação de avenidas e grandes artérias, projectadas já em 1882, mas cuja execução muito se fêz demorar. [Araújo: 1939]


Logo no final do século XIX (1894), acompanhando o impulso construtivo da avenida e da rotunda é projectada uma residência unifamiliar, tipo palacete, que pertencia ao homem de negócios António de Souza Carneiro Lara.

Praça Marquês de Pombal, 1-2: Palacete de António de Sousa Carneiro Lara  [1899]
Clube Militar Naval a partir de 1935
Fachada sobre a Praça Marquês de Pombal e Av. Liberdade, 261 (esq.)
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O Clube Militar Naval esteve instalado no nº. 1-2 da Praça Marquês de Pombal cerca de cinquenta anos. O palacete foi adquirido em 1935 ao conde de Castelo Mendo, que por sua vez aqui passara a residir em 1929. Naquela data o proprietário passou a ser o Crédito Predial Português, que o arrendou à Marinha. Em 1989 foi demolido após uma violenta polémica entremeada com um pedido de classificação ao Instituto Português do Património Cultural. O clube veio a ser transferido, aproveitando alguns elementos decorativos, para a Avenida Defensores de Chaves, nº. 3.

Praça Marquês de Pombal, 1-2: Palacete de António de Sousa Carneiro Lara  [1899]
Clube Militar Naval a partir de 1935

Fachada virada à Rua Braamcamp
 Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

O palacete terá sido o primeiro prédio a ser construído, na recém-criada Praça Marquês de Pombal, logo em 1894. Já que a construção do que vem a ser o Palacete Sabrosa se projectava na Fontes Pereira de Mello, em 1886 abre-se oficialmente a avenida e o desfile de casamento de D. Carlos (1857-1945) efectua-se também aqui. O Dr. António de Lencastre (1857-1945) era o médico dos príncipes e a escolha do lugar para vir a construir a sua residência não deve estar desligada desta ocorrência, onde a expansão da cidade se desenha e a oportunidade de novos espaços necessariamente surge.

Enquadramento do Clube Militar Naval na Praça Marquês de Pombal, 1-2 [1934]
Esquina com a Rua Braamcamp
Pinheiro Correia,in Lisboa de Antigamente

O edifício exteriormente ecoava um equilíbrio francês na linha do gosto Luís XVI, em combinação com pormenores vernaculares como sejam as pequenas aletas do óculo sobrepujante da entrada principal, obviamente tributária da arquitectura chã. No interior, pelas fotografias publicadas no suplemento do Diário de Notícias, 2 de Junho de 1985, por certo produto de enriquecimentos artísticos posteriores vemos alguns ornatos manuelinos muito carregados e uns vitrais de tema mitológico encomendados em 1894 na Suíça, Zurique, a Adolf Kreuzer.

Praça Marquês de Pombal, 1-2: Clube Militar Naval [1937]
Desfile da Mocidade Portuguesa durante as comemorações do 28 de Maio de 1926.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia 
MONTERROSO, José de, Rotunda do Marquês: «a cidade em si não cabia já» ou a monumentalidade (im)possível, 2002.

Sunday, 13 August 2017

Palacete Sabrosa

Estamos na Praça Marquês de Pombal, vulgarmente denominada «Rotunda», que constitui o eixo de irradiação de avenidas e grandes artérias, projectadas já em 1882, mas cuja execução muito se fêz demorar. (...) Quando em 1898 se celebrou o Centenário da Índia, (...) já então a Praça estava desenhada em rotunda, mas erguiam-se então apenas dois prédios-palacetes: aquele da esquina poente da Avenida, onde começa, para acabar na esquina da Rua Braamcamp [Palacete Lara e futuro Clube Militar], o arco de circulo da «Rotunda», e o que, com área de jardins, pertenceu ao Conde de Sabrosa, à esquina da Avenida Fontes Pereira de Melo (que não existia, é claro), demolido o ano passado [em 1938] pela Companhia do Gaz [actual EDP]. (...)


Em 1910, (...) a Praça Marquês de Pombal estava edificada como hoje. É entre a década de 1899-1909 que se pode colocar a data da edificação formal da Praça.

Palacete do Conde de Sabrosa, entrada principal [1930]
Avenida Fostes Pereira de Melo tornejando com a
Praça do Marquês de Pombal
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O Palacete Sabrosa impressionava pela área da sua implantação distribuída por um quarteirão inteiro: Rotunda do Marquês, Avenida Fontes Pereira de Melo, Rua Camilo Castelo Branco e Avenida Duque de Loulé.
Perfilava-se a residência no gaveto do Marquês com a Fontes Pereira de Melo com duas fachadas extensas, mas a principal projectava-se nesta avenida ou, como se dizia na altura, gozava de vista para o Parque. Na esquina com a Duque de Loulé via-se uma grande construção de apoio à habitação e que serviu durante a revolta republicana do 5 de Outubro de 1910, como hospital de sangue [vd. 3ª foto]. Escala que denota a grande dimensão da residência, onde o arvoredo dos seus jardins se destacava dos restantes parques dos palacetes da cidade de Lisboa, que veio a ser semeado de pequenas construções.
Confirma-se que no final do século XIX a residência principal estava construída e isso poderá explicar a opção por colocar a fachada principal na Fontes Pereira de Melo, que no fundo constituía como que a primeira pedra neste novo eixo, o arrastamento da definição urbana da praça era assim pragmaticamente ultrapassado. Assim, já em 1889, o proprietário Frederico Davidson apresenta um projecto para a reedificação da moradia, o que faz pressupor um imóvel pré-existente.

Fotografia aérea da Praça Marquês de Pombal [1934]
Implantação urbana do Palacete Sabrosa, parque e cavalariças (vermelho)

Pinheiro Correia, in Lisboa de Antigamente

Logo em 1903 a Construção Moderna (26.06.2003, n.º 99) publica o que designa de construções rústicas, executadas pelo arquitecto Norte Júnior. Tratava-se de uma cavalariça e aposentos para pessoal, um galinheiro e um pombal [vd. foto acima], em versão cottage popularizada e alguma robustez neo-românica. Constituíam adições pontuais a uma habitação de edificação já consolidada de anos. Reportando a alguns traços estilísticos, terá sido este arquitecto o autor do risco da residência principal ou pelo menos das adaptações promovidas pelo Conde de Sabrosa em 1901. A instalação provisória do já referido hospital de sangue no palácio durante o 5 de Outubro mereceu um louvor do Ministro da Guerra do governo provisório ao seu proprietário, o 1º Conde de Sabrosa (1855-1937), que é quem o mandou reconstruir no final do século XX.

Palacete do Conde de Sabrosa, cavalariças [1910] 
Praça do Marquês de Pombal com a Avenida Duque de Loulé
 As cavalariças funcionaram como hospital de sangue durante o 5 de Outubro
Alberto Carlos Limain Lisboa de Antigamente

A fachada denota uma influência de gramática neo-maneirista com os seus cunhais, pseudo-pilastras, embasamento rusticado e o friso na cirnalha muito pronunciado, que é produto desta adaptação. No interior, socorrendo-nos da magnífica descrição de Santos Tavares e do conjunto de fotografias publicadas na Ilustração Portuguesa (25 de Janeiro de 1904), confirma-se aquela opção de linguagem artística. Vêem-se arcos de volta abatida, colunas jónicas e tectos de caixotões rectangulares na casa de jantar e no escritório do proprietário. Uma das salas, designada de Luís XVI, era toda mobilada com as aquisições obtidas pelo senhor Conde de Sabrosa, considerado um grande coleccionador na época, no leilão do Marquês da Foz oriunda do Palácio dos Restauradores. Pintura e objectos da colecção Daupiás, outros da colecção Fernando Palha recheavam a grande diversidade de salas, num ecletismo fim de século, que tipificava o ambiente das grandes moradas deste período, por influência do gosto que as colecções Foz e outras espalhavam no meio alfacinha.

Palacete Sabrosa [c. 1910]
Perspectiva tirada do Parque Eduardo VII, vendo-se, ao centro, o Palácio Sabrosa; à esquerda, um esboço da Rua Camilo Castelo Branco; atrás a Av. Duque de Loulé; à direita a «Rotunda», hoje «do Marquês» e a Av. da Liberdade

Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Em 1929 o prédio viria a ser alienado «ao activo e confiado industrial hoteleiro», Alexandre Almeida, dono da Companhia dos Grandes Hotéis de Portugal, que já possuía nos Restauradores, o superlativo Hotel Avenida Palace (1890-92) projectado pelo arquitecto José Luís Monteiro (1849--1942). O Concelho de Arte e Arquitectura deu mesmo um parecer positivo e incentivou a construção de um Palace Hotel. Esta ideia não veio a ser concretizada e, em 1937, o hoteleiro vendeu--a com todos os seus terrenos à Companhia do Gás (Araújo, 1939).
E vai iniciar-se um novo ciclo na vida deste espaço com a abertura da sua demolição dois anos depois que se concretiza em 1940.2

Palacete Sabrosa [ant. 1940]
Avenida Duque de Loulé com a Rua Camilo Castelo Branco; Praça do Marquês de Pombal

Kurl Pinto, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
1 ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 43-44, 1939.
2 TEIXEIRA, José de Monterroso, Rotunda do Marquês:«a cidade em si não cabia já» ou a monumentalidade (im)possível).

Friday, 2 August 2024

Rua Marquês de Fronteira: «Reservatório do Pombal»

Esta Rua Marquês da Fronteira sucedeu a uma linha irregular, que não é evidentemente a de hoje — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , a qual constituía as setecentistas Estrada dos Padres da Companhia e Estrada de S. Francisco Xavier, rectificadas há meio século [c. 1890], Rua — quási Avenida — moderna, já servida de eléctricos desde Outubro de 1936. ...)
O muro que prossegue [à esquerda], até à Penitenciária, defende os terrenos da Companhia das Águas, onde se encontra o Depósito chamado do «Pombal». E do Pombal seriam porque já no começo do século passado [XIX], e certamente muito antes, quando estes chãos ainda constituíam herança da Companhia de Jesus, recebida pelo Real Colégio dos Nobres, eles eram conhecidos pela designativa de «Pombal», e um pombal haveriam tido. [...]
Em 1873 o Governo expropriou estes terrenos todos, aqui [à esquerda] para levantamento do «Cadeia Geral e Penitenciária».
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 91-92, 1939)

Rua Marquês de Fronteira |1967|
Reservatório do Pombal; Cadeia Penitenciária de Lisboa
João Brito Geraldes, in Lisboa de Antigamente

A artéria perpetua a memória de D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto (1802–1881), 8º conde da Torre, 5º marquês de Alorna e 7º marquês de Fronteira. Após a Vilafrancada viveu exilado para depois fazer toda a campanha das lutas liberais, tendo-se reformado no posto de marechal-de-campo. Foi também governador civil de Lisboa (1846-1851), par do reino e deixou 5 volumes das suas «Memórias do Marquês de Fronteira e D'Alorna».

Sunday, 5 December 2021

Palácio Pombal, à Rua de O Século

O antigo Palácio Pombal, na Rua do «Século», 65 a 93 [vd. nota], mantém ainda uma configuração uniforme exterior, mesmo depois de alienada e reedificada (1921) a ala Sul, que constitui o edifício moderno do jornal «O Século», cujo título deu, em 1911, nova denominação à antiga Rua Formosa.


O Palácio Pombal, da Rua de «O Século» — e melhor será dizer o Palácio dos Carvalhos, da Rua Formosa  — é uma construção que já existia no segundo quartel do século XVII, recebendo ampliação e reedificação no meado do século XVIII.
Era este o solar de Sebastião de Carvalho e Melo, 3.º senhor do morgado de Sernancelhe, capitão dos familiares do Santo Oficio. falecido em 1719, e de cujo casamento com D. Maria Leonor de Ataíde nasceu Manuel de Carvalho e Ataíde, humanista e académico, casado com D. Teresa Luísa de Mendonça e Melo, pai de Sebastião José de Carvalho e Melo. neste palácio seiscentista nascido a 18 de Maio de 1699, e de cujo baptismo foi padrinho seu avô, senhor da casa.

Palácio Pombal (ou dos Carvalhos) [194-]
Rua de O Século, 65-93 (antiga Rua Formosa); Rua da Academia das Ciências, 1-5
Os Portais Nobres (talvez segundo risco de Carlos Mardel), idênticos, ladeados por candeeiros de gás, de braço, oitocentistas, com escudetes de ferro fundido com o brasão dos Carvalhos e Albuquerques, os quais  portais com ombreiras e portais de cantaria, dão  passagem, além  de  um  passadiço, com abertura de arco de volta abatida, para  o Pátio e para os antigos jardins.
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

No período áureo do seu poderio, o descendente dos Carvalhos, da Rua Formosa, já Conde de Oeiras, beneficiou e transformou, por acrescentamento, o solar dos seus maiores, no qual viveu antes e depois de entrar na carreira politica, e cuja parte rústica se prolongava para Poente e Norte, constituindo o que se chamava «as Hortas», também com prédios de habitação. Um arco aberto, ainda existente na antiga Rua do Arco [do Marquês, actual da Academia das Ciências], comunicava com dependências do palácio do outro lado da rua e um outro arco-aqueduto servia as antigas hortas. Quase toda a área deste troço da então Rua Formosa, a Poente e a Nascente, era da casa Pombal, da qual o palácio formava a cabeça, como núcleo primitivo.
As reedificações e restauros ordenados pelo Marquês de Pombal podem datar-se além dos meados do século XVIII, cerca de 1770; o Marquês de Pombal aproveitou o merecimento do escultor e estucador italiano João Grossi, que já em 1748 exercia a sua actividade em Lisboa, e foi este artista quem deu a característica decorativa do interior das solar do palácio renovado, embora em quase todas elas subsistisse, como ainda hoje, a decoração cerâmica das paredes, em parte seiscentista. [...]

Palácio Pombal (ou dos Carvalhos) [1918-09]
Rua de O Século, 65-93 (antiga Rua Formosa); Rua da Academia das Ciências, 1-5
Perspectiva tomada do Palácio dos Viscondes de Lançada (antigas instalações do Jornal "O Século").
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

As cinco janelas do andar nobre do corpo onde se rasgam os portais, e as duas contiguas pelo Sul, correspondem a um terraço, sobre o qual no começo do actual século [XX] foram construídos uns anexos de moradia, cujo telhado é inferior ao do frontispício do edifício, e não se vê da rua.
O Palácio Pombal, onde no tempo dos Carvalhos se realizaram sessões da Academia dos Ilustrados (1716), e depois tantas cenas políticas e palacianas se desenrolaram, está hoje de aluguer; na parte nobre instalou-se em 1927 a Casa da Madeira, que sucedeu, como inquilina, a uma Casa de Espanha como esta sucedera à Legação da Alemanha, e à Confederação Geral do Trabalho (1913). O pátio e troços de jardim estão ocupados por barracões de oficinas de Alfredo Alves & Filhos, firma proprietária também do edifício e terrenos «das Hortas». na Rua da Academia das Ciências.
Nenhum outro prédio da vasta zona que pertenceu à Casa Pombal está hoje na posse de qualquer membro da família.

Palácio Pombal (ou dos Carvalhos) [1912-01]
Rua de O Século, 65-93 (antiga Rua Formosa); Rua da Academia das Ciências, 1-5
Esta frontaria adorna-se de duas ordens de janelas: vinte no andar nobre, de sacada com varões seiscentistas, e dezanove de peitoril no andar superior (o lugar onde devia existir uma janela é ocupado pela pedra  de  armas).
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. Em  paralelo,  talvez  segundo  risco  de Carlos Mardel,  desenvolveu uma cenográfica operação urbanística fronteira ao palácio, com o fim de engrandecer a envolvente. Um jogo barroco de linhas curvas e rectas permitiu o alargamento de parte da estreita Rua Formosa com a criação de duas meias-laranjas, tendencialmente simétricas. Numa, frente  à entrada nobre do palácio, foi erguido o delicado chafariz, enquanto na outra se rasgavam elaborados portais de acesso  a cavalariças (?).

Palácio Pombal (ou dos Carvalhos) [1930]
Rua de O Século, 65-93 (antiga Rua Formosa); Rua da Academia das Ciências, 1-5
Meia-laranja e portais de acesso  a cavalariças (?).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): O edifício n.º 89-103 da Rua de O Século, tornejando para a Rua da Academia das Ciências, 1-5, actualmente uma propriedade separada, fazia parte do conjunto designado Palácio Pombal.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Paços e  palácios nacionais, 1949.

Friday, 1 December 2017

Praça do Marquês de Pombal, 5 (Ventura Terra)

Estamos na Praça Marquês de Pombal, vulgarmente denominada «Rotunda», que constitue o eixo de irradiação de avenidas e grandes artérias, projectadas já em 1882, mas cuja execução muito se fêz demorar. [Araújo: 1939]


Datado de 1901 é o prédio, na altura considerado casa de aluguer, correspondente ao n.º 5 da Praça do Marquês de Pombal, e que foi demolido em 1998, depois de um lento processo de degradação patrimonial (vd. Fernandes, J. M., Lisboa em Obra(s), Lisboa, 1997, p. 98). O alto standard da construção fazia com que cada andar, com duas habitações, tivesse jardim de Inverno. Os inquilinos do rés-do-chão e do primeiro andar teriam além do mais jardim ao ar livre. A fachada, por seu turno, era revestida de mármore e azulejos numa elegante simetria servida pela estilização dos elementos arquitectónicos e frontão coroante. 

Praça do Marquês de Pombal, 5 [1970]
Ao centro, prédio do risco do arq.º Ventura Terra; Hotel Fénix (dir.)
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

O seu autor foi Ventura Terra (1866-1919) que um ano antes ganhou o concurso para o pavilhão de Exposição Universal de Paris de 1900 (França, J. A. A Arte em Portugal do séc. IX, vol. II, 1966, p. 143). Tornou-se um arquitecto muito solicitado e respondeu às encomendas mais diversas, com grande versatilidade, responsabilidade profissional e competência, que o seu treino parisiense de cinco anos junto de Victor Laloux ajudou a definir com esmero.

Enquadramento do prédio n.º 5 na Praça do Marquês de Pombal [1934]
(clicar para ampliar)
Pinheiro Corrêa, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
TEIXEIRA, José de Monterroso, Rotunda do Marquês:«a cidade em si não cabia já» ou a monumentalidade (im)possível)

Monday, 17 August 2015

Praça Marquês de Pombal, 18: Palacete Seixas

Em 1900 estava em adiantada fase de edificação o que vem a ser denominado o Palacete Seixas situado num talhão de grande área de terreno na extremidade direita da Avenida da Liberdade, a contornar a Praça Marquês de Pombal e com acesso na retaguarda pela Rua Rodrigues de Sampaio. O projecto, de que se desconhece o autor, teve como primeiro responsável Alberto Pedro da Silva e, posteriormente, Guilherme Francisco Baracho.

A promotora de construção foi D. Carmen Grazilla Castilho da Rocha, mas já em 1908 ele é vendido ao industrial Carlos Seixas (l873-?) – homem de cultura e mecenas de muitos artistas como Sousa Pinto, Carlos Reis, Columbano, Falcão Trigoso, Silva Porto, José Malhoa, entre muitos outros – que promove, nos primeiros anos, algumas alterações: uma garagem com entrada pela Rua Rodrigues Sampaio, n.º 113, um galinheiro e uma estufa. É de admitir que estaria praticamente concluída naquela data.
 
Palacete Seixas |post. 1908|
Avenida da Liberdade, 270; Praça do Marquês de Pombal, 18
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente


A elegância dos tramos marcados pelas duplas pilastras terminadas no primeiro andar por capitais compósitos, o par de janelas de volta perfeita geminadas, que se abrem de cada lado do gaveto e os óculos iluminantes abertos na cobertura amansardada configuram-lhe uma matriz classicizante de sintaxe arquitectónica com ressonância no ecletismo francês do final do séc. XlX. 
O mirante que lhe rematava a clarabóia central na sua configuração de minarete islâmico é dissonante à estrutura arquitectónica, mas a sua estilização de coreto em miniatura, assentava com aceitável leveza e registo poético no remate geométrico da cobertura. Em Setembro de 1948, um violento incêndio destrói parcialmente o 2.º andar, o sótão e a cobertura.
É desde 1997 propriedade do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e alberga o «Instituto Camões». Integra a Zona da Avenida da Liberdade que se encontra Em Vias de Classificação.

Enquadramento do Palacete Seixas na Praça Marquês de Pombal, 18 |1934|
Praça do Marquês de Pombal, 18; Avenida da Liberdade, 270
Pinheiro Correia, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
TEIXEIRA, José de Monterroso, Rotunda do Marquês:«a cidade em si não cabia já» ou a monumentalidade (im)possível, 2002.
instituto-camoes.pt

Wednesday, 14 March 2018

Praça Marquês de Pombal, 15-18

Estamos na Praça Marquês de Pombal, vulgarmente denominada «Rotunda», que constituí o eixo de irradiação de avenidas e grandes artérias, projectadas já em 1882, mas cuja execução muito se fez demorar. [Araújo: 1939]


O palacete [demolido c. 1965] que torneja a Avenida Duque de Loulé (à esq.) inscrevia-se organicamente no desenho da praça e projectava com apreciável monumentalidade o seu corpo cilíndrico através de uma varanda corrida que o acompanhava no piso nobre. Em marcação vertical a cúpula com aberturas amansardadas transmitia uma dinâmica de volume. Poderá denotar dispositivos de linguagem compositiva do arq.º Adães Bermudes (1864-1947). 

Praça Marquês de Pombal, 15-18 [190-]
Quarteirão entre as Avenidas Duque de Loulé e da Liberdade

Paulo Guedes,
in Lisboa de Antigamente
 
 O prédio (ao centro) situado entre o «Palacete Seixas» e o palacete de esquina com a Duque de Loulé era conhecido como prédio da «Federação Portuguesa de Futebol», já que aqui se encontrava sedeada esta instituição a partir de 1954. No seu rés-do-chão direito estava instalado o estúdio fotográfico San Payo que durante décadas foi escolhido para retratos pessoais de grandes figuras. Em 1974 dá-se início ao seu processo de demolição.

Enquadramento dos edifícios na Praça Marquês de Pombal, 15-18 [1934]
Quarteirão entre as Avenidas Duque de Loulé e da Liberdade
Pinheiro Correia, in Lisboa de Antigamente

Em 1900, estava em adiantada fase de edificação o que vem a ser denominado o «Palacete Seixas» situado num talhão de grande área de terreno na extremidade direita da avenida, a contornar a Praça Marquês de Pombal e com acesso na retaguarda pela Rua Rodrigues de Sampaio. O projecto, de que se desconhece o autor, teve como primeiro responsável Alberto Pedro da Silva e, posteriormente, Guilherme Francisco Baracho. O mirante que lhe rematava a clarabóia central na sua configuração de minarete islâmico é dissonante à estrutura arquitectónica, mas a sua estilização de coreto em miniatura, assentava com aceitável leveza e registo poético no remate geométrico da cobertura. É desde 1997 propriedade do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e alberga o «Instituto Camões». Integra a Zona da Avenida da Liberdade que se encontra Em Vias de Classificação.
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Bibliografia
TEIXEIRA, José de Monterroso, Rotunda do Marquês:«a cidade em si não cabia já» ou a monumentalidade (im)possível, 2002.

Wednesday, 25 May 2016

Avenida Fontes Pereira de Melo: obras do Metropolitano de Lisboa

O primeiro projecto de um sistema de caminhos-de-ferro subterrâneo para Lisboa data de 1888, é da autoria do engenheiro militar Henrique de Lima e Cunha. Publicado na revista Obras Públicas e Minas, previa a um traçado que ligasse Santa Apolónia a Algés, com passagem pelo Rossio, São Bento, Janelas Verdes e Alcântara. O custo do empreendimento estava orçado em 500$000 réis por metro corrente de túnel. A proposta não avançou. 
Mais tarde, nos anos 20 do século XX, dão entrada na Câmara Municipal de Lisboa dois projectos, respectivamente, de Lanoel d’Aussenac e Abel Coelho (1923) e de José Manteca Roger e Juan Luque Argenti (1924), que não tiveram seguimento.

Avenida Fontes Pereira de Melo [entre 1955 e 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa; Palácio Sotto-Mayor
Judah Benoliel,in Lisboa de Antigamente

Somente a partir da 2ª Guerra Mundial com a retoma da economia e no seguimento das políticas de electrificação e aproveitamento dos fundos do Plano Marshall, surge com plena vitalidade a decisão de se construir um Metropolitano para Lisboa. A sociedade é constituída a 26 de Janeiro de 1948 e tinha como objectivo o estudo técnico e económico, em regime de exclusivo, de um sistema de transportes colectivos fundado no aproveitamento do subsolo da cidade. A concessão para a instalação e exploração do respectivo Serviço Público veio a ser outorgada em 1 de Julho de 1949.

Avenida Fontes Pereira de Melo [entre 1955 e 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

 Em Setembro de 1954, o Eng.º Francisco de Mello e Castro é nomeado presidente do Metro (cargo que desempenhou até ao final de Agosto de 1972). E no dia 18 é aberto o concurso para adjudicação das obras, material circulante e instalações fixas. As propostas são abertas em Dezembro e conduzem a um encargo total de 196 mil contos. 

Avenida Fontes Pereira de Melo [entre 1955 e 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Os trabalhos de construção iniciaram-se em 7 de Agosto de 1955 e, quatro anos depois, em 29 de Dezembro de 1959, o novo sistema de transporte foi inaugurado. No dia seguinte, por volta das três horas da manhã, existiam filas intermináveis à porta das estações para utilizar o novo meio de transporte. A afluência foi tanta que algumas estações foram obrigadas, por motivos de segurança, a cancelar temporariamente a venda de bilhetes de forma a que os passageiros não invadissem o cais. Entre as principais atracções estavam as escadas rolantes da estação do Parque
A rede aberta ao público consistia numa linha em Y, com uma extensão de 6,5 quilómetros, percorridos por 24 comboios, e 11 estações, com dois troços distintos, Sete Rios (actualmente, Jardim Zoológico) – Rotunda (actualmente, Marquês de Pombal) e Entrecampos – Rotunda (Marquês de Pombal), confluindo num troço comum, Rotunda (Marquês de Pombal) – Restauradores.

Avenida Fontes Pereira de Melo [c. 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa; Praça do Duque de Saldanha
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A estação Rotunda (Marquês de Pombal) permitia a correspondência entre os dois primeiros troços. Foi um importante acontecimento para a cidade e constituiu um enorme êxito, tendo-se elevado a 15,3 milhões o número de passageiros transportados no primeiro ano de exploração. O Metropolitano de Lisboa era, ao tempo da sua inauguração, o 14.º da Europa e o 25.º no mundo. O pioneiro fora o Metropolitano de Londres, em 1863, a partir da ideia de Charles Pearson, o inventor deste meio de transporte.

Avenida Fontes Pereira de Melo [c. 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa; Palacete  Gabriel José Ramires; Rotunda  Praça Marquês de Pombal
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 10 July 2016

Lançamento da primeira pedra do monumento ao Marquês de Pombal

A Rotunda da Avenida, designada de Praça Marquês de Pombal desde 1882 — ano das comemorações do centenário do Marquês de Pombal — , data em que se procedeu ao lançamento da primeira pedra do monumento ao Marquês, era ainda — e foi durante largos anos — um vasto espaço aberto. O lançamento da primeira pedra, no dia 8 de Maio de 1882, «declarado por lei de grande gala», foi inaugurado pelo rei D. Luís. Ramalho Ortigão conta a imponência da cerimónia: «Junto ao pavilhão, erguido para esse fim, uma banda de música trombeteia o hino da Carta (...). Esta cerimónia, única destas festas a que o soberano se dignou assistir, verificou-se gravemente, com todo o grotesco destas praxes». Acompanhavam o rei, os membros da comissão do centenário, Rodrigues Sampaio, Moita e Vasconcelos, Emídio Navarro e Luciano Cordeiro, e «Chegado que foi o real préstito ao lugar em que tem de se erguer o monumento e onde por enquanto existe apenas um buraco» (Ortigão: 1943), colocada a primeira pedra, consumava-se a cerimónia. O concurso para o monumento só seria aberto em 1913, já com a a República, recaindo a escolha para o projecto de Adães Bermudes, António Couto e Francisco Santos. 

Lançamento da primeira pedra do monumento ao Marquês de Pombal [15 Agosto de 1917]
Panorâmica tirada da cobertura do Palacete Seixas [Instituto Camões]; à esq., por detrás do prédio de gaveto com a futura Rua Joaquim António de Aguiar, vislunbram-se as chaminés cónicas da Quinta e Pátio dos Geraldes; em último plano, a Rua de Artilharia Um e o Palácio dos Viscondes de Abrançalha; ao cimo do Parque a Rua Marquês de Fronteira e Cadeia Penitenciária de Lisboa.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Nova cerimónia de colocação da primeira pedra, em 15 de Agosto de 1917, repetindo-se a 13 de Maio de 1926. As obras arrastaram-se, por falta de verbas, e o monumento só seria inaugurado a 13 de Maio de 1934, numa cerimónia «sem a solenidade que parecia supor» (Araújo: 1993).

Sunday, 14 January 2018

Palacete da Praça Marquês de Pombal, 8

Considera-se que o palacete, correspondente ao nº 8 da Praça do Marquês de Pombal, construído no arranque de Joaquim António de Aguiar era na sua implantação e articulação com os arruamentos, o menos conseguido da Rotunda. Pela sua estrutura classicizante de memória seiscentista e o seu frontão. ou mega ática, em segmento circular, que inscrevia ornatos de volutas barroquizantes, pretendia inequivocamente uma afirmação arquitectónica significativa. O gradeamento e os pilares de suporte acentuavam a sua presença no lugar.

Palacete da Praça do Marquês de Pombal, 8 [1910]
Esquina com a Rua Joaquim António de Aguiar
Aqui esteve instalado o Quartel-General da Região Militar de Lisboa e depois foi sede da Obra das Mães pela Educação Nacional. Desde 1957 existe no seu lugar o Hotel Fénix.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Em 1955 surge um projecto para a construção de um prédio de rendimento da responsabilidade dos arquitectos D. De Lima Franco e de Manolo Gonzales Potier (CML,A. O., processo n.º 32.934).
Dois anos depois, os mesmos arquitectos responderam a uma outra encomenda de um novo programa, desta vez um hotel, que se passou a designar Hotel Fénix. Ainda hoje existe no lugar, não sem ter sofrido um processo de beneficiações orientadas pelo arquitecto Miguel Nobre Leitão.

Enquadramento do Palacete na Praça Marquês de Pombal, 8 [1934]
Esquina com a Rua Joaquim António de Aguiar
Pinheiro Correia, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
(TEIXEIRA, José de Monterroso, Rotunda do Marquês:«a cidade em si não cabia já» ou a monumentalidade (im)possível)

Friday, 22 December 2017

Praça Marquês de Pombal, 3-4

O prédio da esquina da Rua Braamcamp, que aqui mostrava uma grande fachada era a construção de maior envergadura da rotunda. A cota regulava pelo anterior prédio de rendimento de Ventura Terra e pela sua monumentalidade e curvatura delicada do alçado principal, conferia uma marca urbana de presença discreta. Prédio de habitação tornou-se, com a evolução da cidade, em lugar de consultórios médicos e empresas de serviços. Sendo na prática uma justaposição de duas unidades, a sua impressiva extensão poderá ter introduzido a seriação repetitiva de fachadas que o projecto de Carlos Ramos vem a adoptar.
No rés-do-chão foi instalada, em 1963, uma loja da TAP, principal centro de vendas da Companhia Aérea Nacional num momento de prosperidade comercial da empresa.

Praça Marquês de Pombal, 3-4  [193-]
Prédio que tornejava para a Rua Braamcamp
Kurl Pinto, in Lisboa de Antigamente

Em 1989 entrou na Câmara Municipal de Lisboa um pedido de demolição do edifício e actualmente (2003) encontra-se em construção um novo prédio que ocupa gigantesca área da praça e segue uma vez mais o macro plano de Carlos Ramos. Como exercício de disciplina e de cumprimento de uma proposta unificadora com cinquenta anos não deixa de ser surpreendente.

Enquadram do prédio com o n-º 5 na Praça do  Marquês de Pombal [1934]
Monumento ao Marquês de Pombal em construção 
Pinheiro Corrêa, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
TEIXEIRA, José de Monterroso, Rotunda do Marquês:«a cidade em si não cabia já» ou a monumentalidade (im)possível, 2002.

Friday, 30 October 2020

Praça do Marquês de Pombal, obras do Metropolitano de Lisboa

Obras de remodelação da Praça aquando da construção do Metropolitano de Lisboa. Ao fundo, a Avenida Fontes Pereira de Melo ainda pontuada pelos antigos palacetes erguidos no dealbar do século XX — Ramires e Sabrosa, hoje demolidos; Rua Camilo Castelo Branco; á esq., a Av Sidónio Pais (1945) e o Parque Eduardo VII.

Panorâmica da Praça do Marquês de Pombal |c. 1959|
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

O lançamento da primeira pedra do monumento ao Marquês de Pombal data de Maio de 1882, repetindo-se a 15 de Agosto de 1917 e a 13 de Maio de 1926. As obras arrastaram-se, por falta de verbas, e o monumento só seria inaugurado a 13 de Maio de 1934, numa cerimónia «sem a solenidade que parecia supor.» [Araújo: 1939]

Panorâmica da Praça do Marquês de Pombal |c. 1959|
Avenida Fontes Pereira de Melo em obra vendo.se na esq. baixa o Palacete Ramires
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Saturday, 18 February 2017

A Feira de Agosto no Parque Eduardo Vll

Noutros tempos, quando havia comício ou festa — a feira d'Agosto, encantos meus! —, as poucas árvores ramalhudas, centenárias (que é feito delas?) ficavam pretas de garotos como pardalada. E havia picnics pelas raras sombras.


Nos terrenos do que seria o Parque Eduardo VII, assim denominado após a visita do monarca inglês em 1903«um belo espaço da natureza, com altos e baixos, velhas árvores, arbustos, ervaçal e mato», realizava-se, em Agosto, uma Feira. Raul Proença mostra-nos o parque, «ainda em construção, já com alguns lindos lagos», que embora «poucas curiosidades» ofereça, constitui «um cantinho de natureza luxuriante e pródiga». 

Vista aérea sobre o Parque Eduardo VII [c. 1934]
Feira de Agosto
Av. da Fontes Pereira de Melo; Praça do Marquês de Pombal: Rua Castilho; Av. António Augusto de Aguiar
Pinheiro Corrêa,in Lisboa de Antigamente

Era, para Aquilino, ainda antes de ser baptizado de Eduardo VII, esse «belo espaço da natureza», para onde ia sempre que lhe apetecia «um mimo rural». Datam de 1887 os primeiros projectos para o parque, então designado por Parque da Liberdade, sendo o Engenheiro Ressano Garcia o responsável pela proposta de abertura do concurso internacional, do qual sai aprovado o projecto do arquitecto paisagista Henri Lusseau.

Feira de Agosto, entrada  [Início séc. XX]
Praça do Marquês de Pombal Avenida da Fontes Pereira de Melo (Palacete Sabrosa)
Alexandre Cunha, in Lisboa de Antigamente
Feira de Agosto  [1911]
Praça do Marquês de Pombal Avenida da Fontes Pereira de Melo (Palacete Sabrosa)
Artur Benarus, in Lisboa de Antigamente
Feira de Agosto  [1911]
Praça do Marquês de Pombal Avenida da Fontes Pereira de Melo (Palacete Sabrosa)
Artur Benarus, in Lisboa de Antigamente

A vida alfacinha — relembra-nos Norberto de Araújo —, ingénua e pitoresca, essa teve no Parque um pouco de desafogo, com a episódica «Feira de Agôsto», que funcionava quando se proclamou a República; nela existiram os teatrinhos «Maria Vitória» e «Júlia Mendes» — nomes de duas actrizes populares, de mal fadado destino —, e se manteve a tradição das barracas das farturas e da Maria Botas, que vinham das velhas feiras de Belém e de Alcântara. Também a «estampa antiga» do sítio do Parque foi Parque foi desfigurada com o desaparecimento da «Torrinha», uma curiosa vivenda octogonal (Quinta da Torrinha, que deu nome à Estrada), situada um pouco acima do actual lago, e demolida em Abril de 1916.

Feira de Agosto, entrada [1910]
Teatro Júlia Mendes
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Feira de Agosto, entrada  [entre 1901 e 1910]
À esquerda a «vivenda octogonal» da Quinta da Torrinha
Autor desconhecido, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
MIGUÉIS, José Rodrigues. «Da Mania das Grandezas», in As Harmonias do Canelão.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, 1939.
JANEIRO, Maria João, Lisboa: histórias e memórias.
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