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domingo, 12 de novembro de 2023

Igreja do Santo Condestável

A igreja paroquial do Santo Condestável, moderna mas com reminiscências de ogival, situa-se na encruzilhada das ruas Saraiva de Carvalho e Francisco Metrass, nos limites de Campo de Ourique, e é orientada sensivelmente a Nascente.


A Igreja do Santo Condestável, com traça em forma de cruz latina, cuja construção se concluiu em 1951 em terrenos vizinhos das ruas Saraiva de Carvalho e Francisco Metrass, inspira-se nos templos portugueses da fase final do gótico, o flamejante no seu período embrionário, expressivamente representados em Lisboa pela Igreja do Carmo e em Santarém pela da Graça. Mas à parte o fundamental e típico, a Igreja do Santo Condestável afasta-se nos pormenores mínimos dos seus modelos, de que conserva porém, e inteiramente, a espiritualidade. Todo o edifício se assinala pela simplicidade e pela alvura, onde sobressai num contraste feliz o granito de Sintra. Há um misto de nobreza e de humildade na aliança dos paramentos de simples reboco branco com as cantarias cinzentas, trabalhadas a pico fino. Templo erguido a um dos maiores de Portugal, recorreu-se para a execução da estrutura ao processo tão português da alvenaria de pedra e cal.

Igreja do Santo Condestável |1953|
Ruas Saraiva de Carvalho e Francisco Metrass; ao fundo nota-se o Mercado de Campo de Ourique erguido em 1933.
A Fachada, com um corpo central no qual se rasga o grande p6rtico de arco em ogiva, e duas torres simétricas.
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente
Igreja do Santo Condestável |195-|
Ruas Saraiva de Carvalho e Francisco Metrass
O pórtico com adro sobrelevado ao nível da praça, ao qual se acede por quatro degraus, dando serventia à galilé. Gradeamento de ferro forjado em ponta de lança. Sobre o pórtico o brasão das Armas Reais de Portugal, tal como se usava no começo da 2ª Dinastia.
Salvador de Almeida Fernandes, in Lisboa de Antigamente

A autoria da igreja pertence ao arq-º Vasco de Morais Palmeiro (Regaleira) que teve como colaboradores na parte ornamental os escultores Leopoldo de Almeida, Veloso da Costa e Soares Branco, e os pintores José de Almada Negreiros, Portela Júnior e Joaquim Rebocho, e na construção o eng.º Santos Fernandes e Mestre Cipriano. Os trabalhos de serralharia artística foram executados pela Serralharia Artística do Corvo.
Dirigiu administrativamente a erecção do edifício uma comissão designada pelo Patriarca de Lisboa e de que fizeram parte o falecido Prior P.• Francisco Maria da Silva, o Marquês de Abrantes, o arquitecto Regaleira e Alberto Portugal da Silveira. A Comissão de Honra pertenceram, entre outros, S. A. a Infanta D. Felipa de Bragança, e o Ministro da Defesa, coronel Santos Costa.
 
Campo de Ourique e a Igreja do Santo Condestável, fotografia aérea |1956|
Ruas Saraiva de Carvalho e Francisco Metrass
A Fachada posterior, tendo no centro da parede (onde se unem o Presbitério e Patronato) um apoio ou mísula, destinado à estátua de Nossa Senhora de Fátima. Aqueles anexos, nos topos exteriores, estão ligados por muro com janelões com grelhagem de tijolo à meia esquadria, e cancelo de ferro forjado, de acesso a pequeno pátio.
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

A inauguração do templo teve lugar em 14 de Agosto de 1951, aniversário de Aljubarrota, com a presença do Chefe do Estado, do Cardeal-Patriarca. A urna, com as relíquias de Nun'Alvares, foi então trazida num ·armão de artilharia, com escolta de honra, da capela da Venerável Ordem Terceira do Carmo (0onde se guardava desde 1834) para o novo templo, em aparatoso cortejo.

Igreja do Santo Condestável, inauguração  |1951-08-14|
Rua Saraiva de Carvalho; Rua Francisco Metrass
Duas torres de secção quadrada com encostos de granito de Sintra e silhares
que prolongadas verticalmente em forma de pilastras terminam fazendo
moldura às ventanas; cantoneiras nas esquinas, terminadas por coruchéus,
igualmente de granito; a cobertura em grimpa acoruchada, que assenta em sobre-beira
dupla de telha portuguesa, rematada airosamente por pára-raios decorativos (Cruz dos Pereiras).
Só a torre Norte (a da direita) tem ventanas sineiras.
Firmino M. Costa, in Lisboa de Antigamente


Por decreto patriarcal de 21 de Maio de 1984 foi criada a freguesia eclesiástica do Santo Condestável, começando as funções paroquiais em 8 de Junho imediato. A área da nova freguesia foi constituída à custa das de Alcântara e Santa Isabel. Até 1951 serviu de igreja paroquial a capela setecentista da Senhora das Dores (mais exactamente «do Amor da Virgem Senhora Nossa das Dores»)
na Rua do Patrocínio, construída com material sobejado da edificação da Basílica do Coração de Jesus (Estrela). 

Igreja do Santo Condestável, pórtico  |1956|
Rua Saraiva de Carvalho; Rua Francisco Metrass
O portal em ogiva chanfrada aberta em frontal de pedra, no estilo gótico flamejante
com o escudo de armas dos Pereiras a fazer remate. Cornija com legenda camoneana
e 
sobre ela um grupo escultórico ornamental representando o beato frei Nuno de Santa
Maria entre dois Anjos orantes (S. Miguel e o («Anjo de Portugal») (Leopoldo de Almeida).
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

No Interior, assinala-se o Corpo da igreja, de três naves (a central sobrelevada) e transepto, e nele:
O tecto de dois tramos, de falsa abóbada de aresta estucada de branco.
As naves separadas por quatro grupos de pilares formando arcada em ogiva, a nave central ocupando toda a1tura, as laterais correndo por baixo do trifório. A iluminação das naves laterais é feita por duas frestas de cada lado, com caixilhos de chumbo e vidros de cor. A meio das naves portas laterais, cada qual com sobreporta, nicho e nele imagem de pedra.

 

Igreja do Santo Condestável, perspectiva, Altar-mor  |1956|
Rua Saraiva de Carvalho; Rua Francisco Metrass
A Capela-mor, prolongamento da nave central e cujo acesso se faz por um arco chanfrado
de ogiva deprimida, iluminada lateralmente por dois pares de janelas de arco de dupla curva,
com vidros de cor montados em armadura de chumbo. Todo o fundo é ocupado por grande
retábulo de pintura a fresco (Portela e Rebocho) representando a glorificação de Nun'Alvares).
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Monumentos histórico, 1956.

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Rua Saraiva de Carvalho

No último quartel do século XIX, as Ruas de Santa Isabel e de S. Miguel da Boa Morte, no bairro de  Campo de Ourique, passaram a constituir um arruamento único com a denominação de Rua Saraiva de Carvalho, através da publicação do Edital de Municipal de 16/11/1885, em homenagem ao jurisconsulto Saraiva de Carvalho.

Antiga de «Santa lzabel»
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

N.B. Augusto Saraiva de Carvalho (1839-1882). Advogado. Parlamentar. Reformista. Ramalho Ortigão chama-lhe pimpolho ilustre e rebento florescente da janeirinha. Em 1864 é um dos fundadores, no Pátio do Salema, do Clube dos Lunáticos com José Elias Garcia e Latino Coelho.

Ministro da justiça do governo de Ávila, desde 29 de Outubro de 1870 a 30 de Janeiro de 1871. Sai então do governo, juntamente com Alves Martins, quando os deputados reformistas liderados por Latino Coelho, lançam um ataque ao governo. Com efeito, Saraiva de Carvalho levou ao rei, sem passar por Ávila, a nomeação do bispo do Algarve, D. Inácio do Nascimento Morais Cardoso, considerado liberal, capelão de D. Pedro V, em vez da do arcebispo de Goa, D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa, apoiado por Ávila, acusado de congreganismo romano e ultramontanismo.
Ministro das obras públicas, comércio e indústria do governo de Braamcamp (de 1 de Junho de 1879 a 25 de Março de 1881). [Maltez]

Antiga de «Santa lzabel»
Direcção Praça São João Bosco (Cemitério dos Prazeres).
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Ruas Saraiva de Carvalho e Domingos Sequeira

Passada a confluência das ruas de Ferreira Borges è Domingos Sequeira, a Rua Saraiva de Carvalho aproxima-se do seu lanço mais antigo, onde ainda aparecem uma ou outra casa de modesta construção de há cento e tal anos, pátio tipo setecentista desfigurado, no n.º 212 [ao fundo], e umas notas dispersas de poesia urbana antiga. Não oferece, porém, qualquer espécie de interesse em monumental ou em pitoresco. 
[ARAUJO, Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 62, 1939]

Ruas Saraiva de Carvalho e Domingos Sequeira |1961|
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

N.B. No último quartel do século XIX, as Ruas de Santa Isabel e de S. Miguel da Boa Morte passaram a constituir um arruamento único com a denominação de Rua Saraiva de Carvalho, através da publicação do Edital de Municipal de 16/11/1885, em homenagem ao jurisconsulto Saraiva de Carvalho.

domingo, 9 de novembro de 2025

Igreja de Santa Isabel

A igreja de Santa. Isabel é uma edificação setecentista, cujas obas começaram em 1742 e se prolongaram durante alguns anos ainda depois do Terramoto, que não causou no templo, em construção, estrago algum. Pode dizer-se que Santa Isabel, à parte a frontaria, completada em 1875, e a despeito dos restauros daquele ano, se encontra sensivelmente como foi erguida.

Como vês, Dilecto, a fachada do templo não é trivial, embora não contenha beleza ou particularidade a assinalar; as duas torres sineiras, ilustradas de mostradores de relógio, dão-lhe uma certa imponência bairrista. No pórtico, sob a legenda da padroeira «Beatae Elisabeth Lusitaniae Reginae», marca-se a data citada (da reconstrução): MDCCCLXXV. Vejamos o interior da Igreja. 

Igreja de Santa Isabel, fachada principal |1959|
Rua. Saraiva de Carvalho 2A
Santa Izabel, do orago da Rainha Santa, recebeu benefícios em dois períodos do século
XIX, nomeadamente em 1875.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

O tecto, simples, é de estuque com pintura representando a Assunção. de Santa Isabel. Onze capelas ou altares além da principal, tem esta Igreja. Notamos a começar pela direita: Senhor dos Passos, que ocupa o lugar de uma porta; Santa Terezinha, com retábulo de S. Gonçalo. pintura de Bernard Foit. Santa Rita, retábulo de S. Sebastião por Bruno José do Vale, cópia de Dominichino: Santo António, com retábulo deste padroeiro de Lisboa por Roque Vicente com toque de Pedro Alexandrino; Senhora das Graças e Santa Inês (antiga do Santíssimo), com retábulo «A Ceia», por Peregrino Parodi; e, no topo, N. Sr.ª da Conceição, com retábulo «Nascimento de Jesus», por Roque Vicente; pela esquerda vemos, a seguir ao baptistério, a capela de S. José, com retábulo de Sant'Ana, de Roque Vicente; S. Miguel e Almas com retábulo de Arcanjo, por Domingos Rosa; N. Sr.ª de Fátima com retábulo de N. Srª. do Carmo, cujo autor não identifiquei; e, no topo, o altar do Coração de Jesus, com retábulo de Joaquim Manuel da Rocha. 

Igreja de Santa Isabel |c. 1910|
Altar-mor cm imagem do orago
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente
Igreja de Santa Isabel |c. 1910|
N.S. Conceição com retábulo «Nascimento de Jesus»
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

























Catorze janelas se rasgam nas paredes da nave onde predomina o estuque «fingido», pois apenas as colunas de apoio lateral são de mármore pobre.
Na Capela-mor, na qual se debruçam duas tribunas por lado, está, sobre o sacrário a imagem de Santa Isabel, padroeira do templo . E mais nada digno de registo possuí Santa Isabel.==

 

Igreja de Santa Isabel |1956|
Altar de S. Miguel com retábulo de Domingos Rosa e imagem pintada e estofada do Século XVIII.
Rosa Duarte, in Lisboa de Antigamente

N.B. Mandada construir em 1742, pelo primeiro cardeal-patriarca de Lisboa, D. Tomás de Almeida, a Igreja Paroquial de Santa Isabel é considerada um imóvel de elevado valor histórico e arquitectónico. [+ imagens aqui]

Igreja de Santa Isabel, frontaria |1970|
Rua. Saraiva de Carvalho 2A em perspectiva tomada da R. de Santa Isabel.
A Fachada, (1875), com um corpo central, levemente avançado dos dois corpos laterais, servido por um pequeno adro, acima do nível da rua, rodeado por cortina gradeada.
João Goulart, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Monumentos histórico, 1956.
idem, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 64-65, 1939.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Rua Saraiva de Carvalho, 131-143

«Jurisconsulto 1839-1882»

Augusto Saraiva de Carvalho (1839-1882), advogado e político. Em 1864 funda o «Clube dos Lunáticos», com Latino Coelho, António Oliveira Marreca, Gilberto Rola e José de Elias Garcia, grupo que se reunia no Pátio Salema em Lisboa embrionário do Partido Reformista e impulsionador do movimento que ficou conhecido como «Janeirinha».
Ramalho Ortigão chamava-lhe "pimpolho ilustre e rebento florescente" da «Janeirinha». Ministro da justiça do governo de António José de Ávila, desde 29 de Outubro de 1870 a 30 de Janeiro de 1871. Ministro das obras públicas, comércio e indústria do governo de Braamcamp (de 1 de Junho de 1879 a 25 de Março de 1881).

Rua Saraiva de Carvalho, 131-143 [1913]
Rua do Patrocínio, n.º 109 a 115; sucursal do jornal «O Seculo»
Prédio eclético, datado de 1912, por cima das portas de um estabelecimento (de José Dias Ferreira) no piso térreo, frisos de azulejo recortado, assinados por J.Pinto e de gosto Arte Nova, representam rostos de mulheres de longos cabelos entrelaçados com flores de longos e sinuosos caules (alusivas à República).
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Rua Saraiva de Carvalho, 242-246

O edifício situado no gaveto da Rua Saraiva de Carvalho com a Rua Ferreira Borges, em Campo de Ourique, foi o primeiro prédio de rendimento desenhado, em Lisboa, por Ernesto Korrodi. Propriedade de João Leal e irmãos, o conhecido edifício da pastelaria «A Tentadora» foi concebido em 1912, integrando-se na nova tendência que então se fazia sentir em Lisboa, onde as mais recentes casas de habitação procuravam adaptar-se à vida moderna.
Das três fachadas, destaca-se a de gaveto, sobre a qual se projecta uma bow-window de cantaria, com um painel de azulejos Arte Nova entre as janelas do primeiro e segundo piso. A composição de cantaria engloba as janelas que ladeiam a porta principal, em aparelho rusticado, e prolonga-se até ao corpo que se eleva já sobre a linha do telhado. Todos os vãos são decorados por elementos florais, que realçam as formas estruturais geométricas, integrando-se no desenho de conjunto. O mesmo acontece relativamente às fachadas laterais, com janelas e portas de molduras profusamente decoradas, tal como as mísulas que suportam a cimalha.
Apesar da depuração, este é uma dos prédios de Korrodi que apresenta maior ornamentação, regendo-se, esta, pela linguagem Arte Nova, naturalista e de linhas curvas, cuja influência se propaga até ao próprio desenho dos vãos, parte dos quais de traçado mais orgânico. A qualidade da escultura e a sua integração no todo arquitectónico constituem uma das mais importantes marcas de Korrodi que, neste prédio, atinge uma expressão maior. [in DGPC]

Rua Saraiva de Carvalho, 242-246, [1941]
Prédio de «A Tentadora»
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Revolução dos Cravos: 25 de Abril de 1974

Cravo: o símbolo da revolução

 

No próprio dia da revolução, uma pastelaria na Baixa preparava-se para comemorar mais um aniversário oferecendo flores a todos os clientes. A funcionária encarregada de comprá-las passou pelos militares e começou a distribuí-las — cravos vermelhos. Os soldados puseram-nos nos canos das espingardas.
Esta imagem feliz de uma arma que, ainda que dispare, só irá atirar flores, foi captada por fotógrafos e adoptada para cartaz largamente divulgado. O cravo tornou-se a imagem da revolução e o 25 de Abril ficou conhecido (pelo menos nos seus primeiros tempos) como a Revolução dos Cravos.

Praça Dom João da Câmara
25 de Abril de 1974
Fotógrafo não identificado, Jornal Diário de Notícias, in Lisboa de Antigamente

A Ditadura Militar instituída a 28 de Maio de 1926 deu origem, volvidos escassa meia dúzia de anos, ao Estado Novo idealizado e gerido por Salazar. Afastado este do poder, por doença incapacitante, a chefia do governo é entregue a Marcello Caetano, que, entre outros problemas por resolver, herda uma guerra colonial em três frentes, sem solução militar à vista nem vontade política de optar por uma solução política negociada. Cansados da guerra, os militares profissionais encetam movimentações de carácter corporativo que rapidamente se transformam em reivindicações políticas, acabando por encarar como única saída o derrube do regime pela força.
 
Rua Garrett
Seguindo as instruções do Posto de Comando da Pontinha, as forças lideradas pelo Capitão Salgueiro Maia dirigem-se para o Quartel-General da Guarda Nacional Republicana, no Largo do Carmo, onde se encontram refugiados Marcelo Caetano e alguns dos seus ministros.
25 de Abril de 1974
Fotógrafo não identificado, Jornal Diário de Notícias, in Lisboa de Antigamente

Será o Movimento das Forças Armadas (MFA) que irá desencadear uma revolta militar em grande escala, conseguindo derrubar o regime sem o emprego da força e sem causar vítimas. Depois de uma tentativa frustrada, protagonizada pelo Regimento de Infantaria das Caldas da Rainha, a 16 de Março de 1974, o processo revolucionário acelera. Na noite de 24 para 25 de Abril, duas estações de radiodifusão lançam para o ar duas canções que irão adquirir um simbolismo particular — E Depois do Adeus, interpretada por Paulo de Carvalho, que soa como uma despedida do governo marcelista, e Grândola Vila Morena, interpretada pelo poeta banido José Afonso, um conhecido opositor do regime, canção esta que transporta uma mensagem de conteúdo democrático ao evocar a vilazinha de Grândola — onde o povo é quem mais ordena — , desencadeando as operações militares, superiormente coordenadas pelo major Otelo Saraiva de Carvalho. Em perfeita coordenação, elementos envolvidos na conspiração tomam conta das respectivas unidades, formam colunas de voluntários, convergem para os grandes centros e ocupam todos os pontos estratégicos do país, colocando as forças fiéis ao governo em posição de desvantagem e na defensiva. Sem disparar um tiro, cobrem praticamente todo o país.

Rua Áurea
Populares observam o aparato militar na Rua do Ouro, selando o acesso à Praça do Município. Legenda de Adelino Gomes: A população não segue os conselhos dos militares e vem para a rua, curiosa e fascinada, enquanto na zona da Praça do Município instruendos do CSM da Escola Prática de Cavalaria, pertencentes ao 5.º pelotão de atiradores, esperam, de armas na mão, as forças leais do governo. (cerca das 09H).
25 de Abril de 1974
Alfredo Cunha, in Lisboa de Antigamente

Dois momentos de tensão apenas se registam naquela primeira fase, ambos em Lisboa, ambos protagonizados por um jovem capitão de Cavalaria, Salgueiro Maia — um encontro com um destacamento de blindados obediente ao Governo, que por pouco não redunda em acção de fogo, mas que se resolve quando as tropas envolvidas se colocam às ordens de Salgueiro Maia; outro, horas mais tarde, quando o mesmo oficial manda abrir fogo sobre a parede exterior do quartel da GNR no Carmo {veja um pequeno filme desta acção aqui], como forma de persuadir Marcello Caetano, lá refugiado, a render-se. O chefe do Governo acaba por se render ao General António de Spínola, com medo de que o poder "caísse na rua", e a tensão desce.
Só um incidente irá manchar os acontecimentos: agentes da PIDE/DGS, barricados na sua sede, abrem fogo sobre manifestantes, causando alguns mortos e feridos. Apesar da sua brutalidade, não passa de um acto de desespero, não sendo sequer um acto de defesa do regime. Tal como a Monarquia a 5 de Outubro de 1910 e a República a 28 de maio de 1926, um regime cai por não ter já quem o defenda e queira dar a vida por ele.

Rua António Maria Cardoso
Legenda de Adelino Gomes: Forças de cavalaria, de infantaria e da marinha ocupam as entradas da Rua António Maria Cardoso, onde se situa a sede da PIDE/DGS.
25 de Abril de 1974
Alfredo Cunha, in Lisboa de Antigamente
Revolução dos Cravos de 1974 A revolução de 25 de Abril de 1974
Soldados ocumpam o o piso superior do Elevador de Santa Justa.
25 de Abril de 1974
Claudino Costa Madeira, in Lisboa de Antigamente

Os revoltosos fizeram sair do Quartel do Carmo o primeiro-ministro, Marcello Caetano, Rui Patrício, César Moreira Baptista e outros membros do Governo num carro de combate (Chaimite, Bula), a fim de os poupar à exaltação da multidão. Pouco depois seriam transferidos para a ilha da Madeira, e daí, a 20 de Maio, para o Brasil, com o que a revolução criou um precedente de tolerância que iria servir, em fases posteriores, para permitir ultrapassar as dificuldades sem derramamento de sangue.
Algumas horas após a transmissão de poderes de Marcello Caetano para as mãos de Spínola, constitui-se um órgão governativo provisório, com representação de todos os ramos das Forças Armadas (a Junta de Salvação Nacional; os militares subalternos que acabavam de fazer triunfar a revolução do Movimento dos Capitães, em nome do respeito pelas hierarquias, entregavam o poder nas mãos de oficiais generais. (infopedia.pt)

Cronologia resumida:

22:55 [24 de Abril de 1974] - Os Emissores Associados de Lisboa faz a transmissão de “E depois do adeus”, de Paulo de Carvalho, dando ordem de partida para a saída dos quartéis.

00:20 - O programa "Limite" da Rádio Renascença transmite a canção “Grândola Vila Morena”, de José Afonso, segundo sinal do MFA, para que os militares dessem início às operações previstas.

03:00 - Início do cumprimento das missões militares, de acordo com o Plano Geral das Operações”.

04:20 - O Rádio Clube Português transmite o primeiro comunicado do MFA. O Aeroporto de Lisboa e o Aeródromo Base de Figo Maduro são ocupados pela coluna da EPI-Escola Prática Infantaria (Mafra).

Avenida Ribeira das Naus
Legenda de Adelino Gomes: Tenente-Coronel Ferrand de Almeida, o Capitão Salgueiro Maia e o seu adjunto, Tenente Assunção (na foto, primeiro, segundo e terceiro a contar da direita) (...) e o ex-Alferes Brito e Cunha (na foto, à civil) são protagonistas dos primeiros momentos de tensão, quando forças do RC-7 [Regimento de Cavalaria 7], fiéis ao governo, progrediram do Cais do Sodré em direcção aos blindados da EPC [Escola Prática de Cavalaria]". (cerca das 10h-10H30)
25 de Abril de 1974
Alfredo Cunha, in Lisboa de Antigamente

06:45 - O Posto de Comando toma conhecimento de que Marcello Caetano, Presidente do Conselho de Ministros, está no Quartel do Carmo.

Rua do Arsenal
Legenda de Adelino Gomes: "Panhards" e uma EBR da Escola Prática de Cavalaria barraram o caminho aos carros de combate M47 de Cavalaria 7,  força fiel ao governo sob comando do Brigadeiro Junqueira dos Reis. Salgueiro Maia em primeiro plano, correndo em direcção ao Terreiro do Paço. (cerca das 10H00).
25 de Abril de 1974
Alfredo Cunha, in Lisboa de Antigamente

08:30 - Uma força da PSP chega ao Terreiro do Paço, mas nem tenta entrar em confronto com as tropas de Salgueiro Maia.

Legenda de Adelino Gomes: O dispositivo ocupa o Terreiro do Paço ao fim da madrugada e surpreende-se com a presença dos navios da NATO que já deviam ter-se feito ao largo para participar no exercício «Dawn Patrol».[contratorpedeiro Huron, da marinha do Canadá]
  Praça do Comércio, 25 de Abril de 1974
Alfredo Cunha, in Lisboa de Antigamente

11:30 - Salgueiro Maia comanda as forças da EPC (Escola Prática de Cavalaria), que vão cercar o Quartel da GNR no Largo do Carmo, em Lisboa.

Carro de combate selando o acesso ao Largo do Carmo, a partir da Calçada do Sacramento
Os blindados sobem com dificuldade as ruas íngremes da baixa lisboeta, rumo ao Largo do Carmo.
Fotógrafo não identificado, Jornal Diário de Notícias, in Lisboa de Antigamente

11:45 - O MFA informa o país, através do RCP, que domina a situação de Norte a Sul.

12:30 - As forças de Salgueiro Maia cercam o Largo do Carmo e recebem ordens do Posto de Comando para abrir fogo sobre o Quartel da GNR, para obter a rendição de Marcello Caetano.

Legenda de Adelino Gomes: Aceite a rendição de Marcelo Caetano, os portões abrem-se e iniciam-se os preparativos para o transporte até à Pontinha do Chefe do Governo e respectivos ministros, que abandonam o local num blindado Chaimite de nome "Bula" (...). Um coro gigantesco de assobios e palavras de ordem antifascistas acompanham a saída da coluna com os prisioneiros. (cerca das 19H30).
Largo do Carmo, 25 de Abril de 1974
Alfredo Cunha, in Lisboa de Antigamente

15:10 - Por ordem do Posto de Comando, Salgueiro Maia pega num megafone e faz um ultimato à GNR para que se renda, ameaçando rebentar com os portões do Quartel do Carmo, dizendo: «Atenção Quartel do Carmo, atenção Quartel do Carmo. Damos 10 minutos para se renderem. Todas as pessoas que ocupam o quartel devem sair desarmadas e com as mãos no ar. Se não saírem destruiremos o edifício.».

Largo do Carmo: Salgueiro Maia pega num megafone e faz um ultimato à GNR
25 de Abril de 1974
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
 
18:00 - Spínola chega ao Largo do Carmo e, acompanhado por Salgueiro Maia, entra no Quartel para dialogar com Marcello Caetano.

18:30 - A Chaimite Bula entra no Quartel do Carmo para transportar Marcelo Caetano à Pontinha.

23:30 - É promulgado o Decreto-Lei n.º 171/74, da Junta de Salvação Nacional, que extingue a PIDE/DGS , a Legião Portuguesa, a Mocidade Portuguesa e a Mocidade Portuguesa Feminina e o Secretariado para a Juventude e insere novas disposições relativas às atribuições da Polícia Judiciária e da Guarda Fiscal. A PIDE/DGS era somente extinta em Portugal Continental, sendo reorganizada em Polícia de Informação Militar «nas províncias»

Rua do Carmo, concentração popular
25 de Abril de 1974
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

(...) É promulgada a Lei n.º 1, da Junta de Salvação Nacional, que destitui das suas funções o Presidente da República, o Presidente do Conselho e o Governo e dissolve a Assembleia Nacional e o Conselho de Estado e determina que todos os poderes atribuídos aos referidos órgãos passem a ser exercidos pela Junta de Salvação Nacional.

Rua do Carmo, concentração popular
25 de Abril de 1974
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente
para o E.
com eterna gratidão

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Oficinas de S. José

As Oficinas de S. José — recorda Norberto de Araújo — , integram-se na obra de S. João Bosco (séc. XIX) e regem-se pelos Estatutos da Sociedade Salesiana. A fundação desta casa, de ensino profissional, data de 1896, ao começo na Rua do Sacramento à Lapa, numa Associação protectora de Asilos e Oficinas para Meninos Pobres, que os salesianos simplesmente dirigiam.


Na origem das «Oficinas de S. José» de Lisboa, bem como de outras instituições homónimas espalhadas pelo país a partir dos anos 80 do século XIX, encontramos uma ideia directamente inspirada no modelo oferecido pela Oficina de S. José do Porto (1883) e indirectamente, através desta, no espírito e nas obras educativas promovidas por S. João Bosco a favor dos jovens mais pobres e abandonados da sociedade.

Oficinas de S. José [1953]
Praça S. João Bosco, 34; Rua Saraiva de Carvalho
Kurt Pinto,
in Lisboa de Antigamente

A inauguração do novo edifício, na localização actual é de 1906. Na sequência da revolução política de 1910, o edifício é requisitado para fins militares até 1920. Em 1925, com a chegada do salesiano Aquiles Marchetti, as artes gráficas tomam grande impulso e desenvolvimento.
A partir dos inícios da década de 1970, o ensino profissional, que caracterizou as Oficinas de S. José desde os seu primórdios, desaparece por completo. Pouco a pouco vai sendo reduzido o internato e o ensino torna-se exclusivamente liceal.

Oficinas de S. José [1953]
Praça S. João Bosco, 34; Rua Saraiva de Carvalho
Kurt Pinto,
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, 1939.
lisboa.salesianos.pt.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Cemitério dos Ingleses

« (...) o Cemitério dos Ingleses, cujo chão foi concedido aos súbditos britânicos de Lisboa em 1771 por efeito de uma das cláusulas do Tratado de 1655 entre Portugal e a Inglaterra; os enterramentos começaram em 1725. O cemitério tem ingresso pelo portão n.° 2 da Rua da Estrela, e também pela Rua Saraiva de Carvalho, em cujo prédio, n.° 49, contíguo ao cemitério, existe um Hospital Britânico. O Cemitério dos Ingleses é o mais antigo de Lisboa, e assim se compreende a exuberância de vegetação, em verdadeiro parque que, a despeito da característica fúnebre, constitui uma mancha vegetal a quebrar a monotonia da Rua Saraiva de Carvalho.» (in Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 54, 1939)

Cemitério dos Ingleses |c. 1910|
Rua da Estrela
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Cemitério dos Ingleses |1941-11|
Rua de São Jorge
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
 
O túmulo  mais famoso do cemitério, é o de Henry Fielding (1707-1754), considerado o fundador da tradição realista que predominou no romance inglês até o fim do século XIX. Com a saúde arruinada por excesso de trabalho e  por várias maleitas, Fielding apanha em 1754 um veleiro com destino a Lisboa, na esperança de que um clima mais ameno lhe devolva a saúde perdida. Esta viagem foi a última que fez, já que aqui viria a morrer passados dois meses.

Igreja do Cemitério dos Ingleses |c. 1900|
Após a ampliação do recinto, nasceu na nova parcela, a igreja de São Jorge em 1822 entretanto encerrada.
Autor não identificado,
in Lisboa de Antigamente

Publicado postumamente, «Diário de Uma Viagem a Lisboa» descreve a sua viagem à capital, rematando com um parágrafo final onde ele diz que foi transportado para «a cidade mais nojenta da Terra» e onde lhe foi cobrado por um jantar «uma conta tão longa como a mais comprida das estradas.».

Cemitério dos Ingleses |ant. 1895|
Jazigo do escritor Henry Fielding (1707-1754)
Francesco Rocchini, in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Palácio do Conde Barão de Linhó: a «Casa dos Fantasmas»

Ali tens, contíguo à Escola Machado de Castro — recorda-nos Norberto de Araújo — um palácio, n.° 21-27, hoje [1939] habitado pelo Barão de Linhó, filho do Marquês da Praia, e irmão do falecido Duque de Palmela, e que no cunhal nascente, dentro do pátio nobre, apresenta, um brasão armoriado; é a representação nobre setecentista transfigurada do sítio.

Palácio do Conde Barão de Linhó [c. 1910]
«Casa dos Fantasmas»
Palácio do aéc. XVII sito na Rua Saraiva de Carvalho, 19-29 tornejando para a Rua de Santa Isabel, 91
 
Josshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Foi esta a famosa Casa dos Fantasmas, onde o povo dizia que andavam «espíritos» à solta, o que deu origem a folhetins e a novelas fáceis.

Palácio do Conde Barão de Linhó [c. 1910]
«Casa dos Fantasmas»
Palácio do aéc. XVII sito na Rua Saraiva de Carvalho, 19-29 tornejando para a Rua de Santa Isabel, 91
 
Josshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 64, 1939.

domingo, 15 de dezembro de 2019

Escadinhas da Barroca e Pátio do Salema

Entremos pelas Escadinhas da Barroca  — que não tem escadinhas!, [Homessa! Tem e não são poucas no troço que leva à Tv. de Sant'ana— caríssimo Norberto de Araújo] e iniciemo-nos em pitoresco.
Contempla este prèdiozito, n.ºˢ 10 e 12, expressivo, como uma aguarela congeminada por artista de olisiponense fantasia. Lisboa sobrepõe-se, em todos os sítios e bairros; uns pedaços há que não aderem ao urbanismo, nem sequer do século passado — e muitos havemos de encontrar. Este é um deles. [...]

Escadinhas da Barroca, 10 e 12  |c. 1900|
Arruamento que liga o Largo de São Domingos à Travessa de Santa’ana e ao qual aparecem 
já referências em 1755, nomeadamente como “rua da Barroca das Escadinhas” devendo a sua
origem à proximidade ao Palácio da Barroca que a partir de 1777 se designava
por Palácio do Galvão.
José Artur Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Entra-se agora no Pátio do Salema, cujo lado poente é constituído por casas encostadas e pertencentes ao Palácio Almada: é este Pátio um recanto sombrio, que tem ao fundo um umbral do vizinho Convento da Encarnação, e que nos mostra apenas uma edificação sólida mas decrépita: o prédio n.° 4, de portal de certa vista, onde, antes da proclamação da República, existiu uma associação republicana, que deu local às famosas «reuniões do Pátio do Salema», areópago de idealista.¹

Pátio do Salema (Escadinhas da Barroca) |1939|
Alguns pátios transformaram-se em via pública, tais como os do Almotacé, do

Conde de Soure, do Salema, do Salgueiro, do Silva e Cruz, do Tijolo.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

¹ Em 1864, foi fundado no Pátio do Salema um centro republicano, donde saiu o Partido Reformista, que foi, por assim dizer, a guarda avançada do Partido Republicano. Era o denominado «Clube dos Lunáticos». Servia como ponto de encontro dos idealistas que em 1848 tinham acreditado na possibilidade de mudança de regime, onde se encontravam em torno de António de Oliveira Marreca, Gilberto Rola, Francisco Maria de Sousa Brandão, José Elias Garcia, Saraiva de Carvalho, Bernardino Pinheiro e Latino Coelho.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, pp. 12-13,, 1938.
Olisipo: boletim do Grupo «Amigos de Lisboa», Vol. 17, 1942.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Paris Cinema

Situado no coração do bairro da Estrela, o cinema Paris — edifício ao gosto Art Déco, segundo o risco do arq.º Victor Manuel Carvalho Piloto — foi inaugurado em 1931 com a seguinte campanha publicitária: «A empresa do Paris Cinema, no ardente desejo de conquistar a simpatia do público, estudou com o máximo escrúpulo todas as condições de conforto e visibilidade, que a todos os títulos reputa magníficos, não esquecendo também as de temperatura, como poderá ser verificado pela existência de termómetro no balcão. Os camarotes estão providos de pequenas mesas para serviços de chá ou refrescos».

Paris Cinema [1932]
Rua Domingos Sequeira, 30
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Tinha capacidade para 885 espectadores, divididos entre plateia, balcão e camarotes. Fechou portas no início dos anos 80.
Em cartaz, o filme «O Expresso de Xangai» do realizador Josef von Sternberg, com a famosa actriz Marlene Dietrich no papel principal. A fita estreou em Portugal em 3 de Outubro de 1932. 

Paris Cinema [1932]
Rua Domingos Sequeira, 30
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
 
N.B. A Rua Domingos Sequeira nasceu entre a Praça da Estrela e o ponto de convergência das Ruas Saraiva de Carvalho, do Patrocínio e Ferreira Borges, e só 70 anos depois, por parecer da Comissão Municipal de Toponímia na sua reunião de 04/06/1957, foi acrescentada ao topónimo a legenda «Pintor/1768–1837». [cm-lisboa.pt]
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