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Thursday, 24 March 2016

Rua de Santo António, à Estrela

De acordo com o olisipógrafo Norberto de Araújo a Rua de Santo António, à Estrela é de «relativa antiguidade», acrescentando que: « É anterior ao Terramoto, e deve ter o seu começo no final do século XVII, em germe de póvoa rústica, embora só no meado do século XVIII entrasse a desenvolver-se; como iremos observando, edificações ingénuas de há quasi dois séculos de seu tipo, pintalgam ainda a artéria de um certo pitoresco. Do lado sul prolonga-se até uma extensão de cento e cinquenta metros o muro da antiga cerca do Convento de D. Maria I (hoje pavilhão do Hospital Militar) [vd. 1ª imagem]
 
Rua de Santo António, à Estrela [c. 1900]
Antiga de Santo António da Praça do Convento do Coração de Jesus
Vê-se o muro da antiga cerca do Convento de D. Maria I (hoje pavilhão do Hospital Militar).
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente
 
Do lado direito abrem-se a Travessa e a Rua do Jardim, cujos nomes derivam do Passeio da Estrela. Nesta área havia muitas casas foreiras à Irmandade de Santo Onofre —  não sei de que igreja — e datadas do princípio do século passado [XIX]: 1802, como esta Rua do Jardim, 1804 e 1805 como algumas mais adiante.» (...) ¹ 

Rua de Santo António, à Estrela [1939]
Antiga de Santo António da Praça do Convento do Coração de Jesus

Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

N.B. Este santo popular lisboeta cuja data de nascimento constitui o feriado municipal tem em sua homenagem 18 artérias na cidade, a saber: Travessa de Santo António a Belém, Rua de Santo António a Belém, Beco de Santo António (Stª Mª dos Olivais), Rua de Santo António da Sé (Madalena...), Largo de Santo António da Sé (Sé), Travessa de Santo António da Sé (Sé), Rua de Santo António da Glória (S. José), Alameda da Quinta de Santo António (Lumiar), Calçada de Santo António (Coração de Jesus e S. José), Travessa de Santo António (Ameixoeira), Travessa de Santo António à Graça (Graça), Rua do Vale de Santo António (S. Vicente de Fora, Stª Engrácia e Graça), Rua do Milagre de Santo António (Santiago), Travessa de Santo António a Santos (Prazeres), Rua de Santo António dos Capuchos (S. José e Pena), Travessa de Santo António à Junqueira (Santa Mª de Belém), Rua de Santo António à Estrela (Lapa) e Alameda de Santo António dos Capuchos (S. José e Pena). [cm-lisboa.pt]
 
Rua de Santo António, à Estrela, esquina com a Rua Domingos Sequeira [1939]
Antiga de Santo António da Praça do Convento do Coração de Jesus

Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 60-61, 1939.

Tuesday, 7 June 2016

Rua de Santo António à Estrela: demolição de um arco do Aqueduto das Águas Livres

Este arco sito na do Rua de Santo António à Estrela era parte do Aqueduto do Convento da Estrela, ramal subsidiário do Aqueduto das Águas Livres ou Galeria das Necessidades, que conduzia a água para os chafarizes de Campo de Ourique, da Estrela, da Praça da Armada e das Terras

Convento do Santíssimo Coração de Jesus e Arco do Aqueduto sobre a Rua de Santo António à Estrela [ant. 1885]
Em 1885, as dependências conventuais são entregues à Fazenda Nacional, para instalação dos Serviços Geodésicos, depois Instituto Geográfico e Cadastral.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente


Partia do Arco do Carvalhão terminando na Tapada das Necessidades, onde nascia outro ramal à superfície, que atravessava o Vale da Cova da Moura, actualmente a Avenida Infante Santo, até às Janelas Verdes, abastecendo o respectivo chafariz; a abertura da Avenida implicou a sua demolição. 

Rua de Santo António à Estrela: demolição de um arco do Aqueduto [10 de Abril de 1897]
O último prédio alto à esquerda [vd. 3ª imagem], com portal abobadado, era o edifício
utilizado para recolha dos ascensores Estrela-Camões; à direita, a antiga Cerca do
Convento da Estrela (ou Sagrado Coração de Jesus, hoje pavilhão do Hospital Militar);
ao fundo, a Igreja e Antigo Convento de Nossa Senhora da Estrela (Hospital Militar Principal).

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Foto, inscrição no original: «Demolição do Arco Grande do Aqueduto, na Rua de Santo António à Estrela, arriado em 10 de Abril de 1897 pelos operários da secção de obras da Exma Câmara Municipal de Lisboa, foram entregues no depósito do Edificio da Estrela em 10 de Agosto do mesmo anno duas torneiras de bronze que pezavam a 1.ª 117,0 Kilos e a 2.ª 115,0 Kilos no total de 232,0 kilos.»

Levantamento topográfico de Francisco Goullard (1882)]: n.º 163
Planta referente ao estado da Rua de Santo António à Estrela, em Outubro de 1890. Localização do Arco Grande do Aqueduto do Convento da Estrela
(Clicar para ampliar)

Recolha dos elevadores Estrela-Camões, demolido em finais de 1941
Praça da Estrela; a esq., a Rua Domingos Sequeira e, à dir., a Rua da Estrela

(Este prédio é aquele que se pode observar do lado esquerdo na 2.ª imagem). 
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Friday, 20 March 2026

Rua Santo António à Estrela, 35

Da Praça da Estrela sai a SO., para a esq., a rua de Santo António à Estrela, à dir. da qual se rasga a do Patrocinio, com a ermida dessa invocação, de bem proporcionada fachada de ordem jónica. No fim da R. de Santo António, o largo da Boa Morte, sítio outrora apelidado Encruzilhada da Espera, muito perigoso para os viandantes, e onde convergem também as ruas de Santana e do Possolo.
[Guia de Portugal: Generalidades. Lisboa e arredores, p. 301, 1924]

Rua Santo António à Estrela, 35 |2 de Abril de 1945|
A casa de Santa Zita da Estrela pertencia à família Perestrelo e fora antes solar dos Aires de Ornelas.
Legenda no abandalhado amL:«Ataque a um incêndio com escada magirus pelo Batalhão de Sapadores Bombeiros»
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. No dia 1 de abril de 1931, o Padre Joaquim Alves Brás dá início à Fundação da Obra de Previdência e Formação das Criadas (OPFC), para responder a um grave problema dos anos 30 – o êxodo de um elevado número de jovens e adolescentes, das aldeias para as cidades, em busca de um trabalho, quase sempre precário e sem proteção legal, em condições e ambientes, a maior parte das vezes, degradantes.
No dia 4 julho de 1945 a Sede Diretiva e Administrativa da Obra [de Santa Zita designação de 1956], é transferida da Guarda para Rua Santo António à Estrela, Lisboa. [+ info em osz.pt]

Rua Santo António à Estrela, 35 |1907-02|
Este edifício foi solar dos Aires de Ornelas em fins do século XVIII e depois propriedade da família Perestrelo. Em 1945 foi adquirido pela Obra de Santa Zita.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 8 December 2024

Rua do Jardim, à Estrela

Do lado sul da Rua de Santo António, à Estrela, prolonga-se até uma extensão de cento e cinquenta metros o muro da antiga cerca do Convento de D. Maria I (hoje pavilhão do Hospital Militar e já demolidos para construção da Av. Infante Santo); do lado direito — diz Mestre Araújo, a quem vamos sempre seguindo — abrem-se a Travessa e a Rua do Jardim, cujos nomes derivam do Passeio da Estrela

Rua do Jardim à Estrela com o extinto Beco do Jardim |1902-01|
Ao fundo nota-se a Rua Santo António à Estrela e a cerca do antigo Convento do Santíssimo Coração de Jesus na Praça da Estrela.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Nesta área havia muitas casas foreiras à Irmandade de Santo Onofre — não sei de que igreja — e datadas do princípio do século passado: 1802, como esta Rua do Jardim, 1804 e 1805 como algumas mais adiante. Aí temos, passado o muro da cerca, um renque de prédios setecentistas, com suas empenas de bico — n.ꟹ 1 a 19 — , e um outro, cujas portas são ainda servidas por degrau , oferecendo o seu semblante típico em janelas de reixa — n.ꟹ 21 a 27.¹

Rua do Jardim à Estrela com a Rua Domingos Sequeira |1902-01|
R. Domingos Sequeira foi rasgada por volta de1896. À esq. nota-se um troço do ramal do Aqueduto das Águas Livres que abastecia o Convento da Estrela e chafarizes desta zona. Em 1897, foi demolido um arco do aqueduto que passava sobre a R.  de Santo António à Estrela.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente
Rua do Jardim à Estrela |1902-01|
Ao fundo nota-se a Rua Domingos Sequeira. No local onde se vê a frontaria e chaminé de uma fábrica (cerâmica?) virão a ser erguidas as escadinhas que ligam àquele arruamento  [vd. imagem abaixo].
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

A origem do topónimo radica nos frades beneditinos que dedicaram a sua igreja a N. S. da Estrela, ou da Estrelinha. Os frades chegaram a Lisboa no séc. XVI e fundaram o seu 1º convento – concluído em 1571 – onde hoje é a praça e o jardim. Quando passaram para o maior, abaixo, de São Bento da Saúde, o da Estrelinha ficou para ensino dos noviços. O terramoto destruiu parte. Em 1818 parte já era secretaria dos Hospitais Militares. Com a extinção das ordens religiosas em 1834, alargou o exército a ocupação pelo que em 1837 era Hospital Militar.

Rua do Jardim à Estrela |1953|
Escadinhas construídas c. de 1915 e que ligam esta artéria à Rua Domingos Sequeira.
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p.-55, 1939.

Sunday, 5 April 2026

Rua (de Nossa Senhora) do Patrocínio, à Boa Morte

Patrocínio de Nossa Senhora do (Rua do) No testamento de Felix Antonio Castrioto feito em 15 de Julho de 1796 diz-se que o desembargador do Juiz dos Órfãos da Repartição do Meio, Domingos Monteiro de Albuquerque e Amaral, morava nesta rua, freguesia de Santa Isabel
No Almanach deste ano vem a simples indicação: Á Boa Morte». 
Já se anunciava assim na Gazeta de Lisboa, de 26 de Setembro de 1806:
 «Quem quizer comprar, ou tomar de venda, huma morada de casas, sitas na rua do Patrocinio, á Boa Morte, nas quaes estivera ha annos o Tribunal da Mesa da Consciencia , e posteriormente o Correio, falle com a dona das mesmas casas, nellas assistente...» 
Patrocinio: he a que passa pelo lado da Porta Travessa da Igreja da Boa Morte, e termina na Rua de S. Miguel, a Santa Isabel, elucida o Itinerário lisbonense, de 1804. [Brito: 1935]

Rua (de Nossa Senhora) do Patrocínio, à Boa Morte |1906-03|
À esq. nota-se a frontaria da Igreja de N. S. das Dores [vd. imagem abaixo] e à dir., tornejando a Rua de Santo António à Estrela, o edifício da Assistência Infantil da Freguesia Santa Isabel e, ao fundo, nota-se parte da Casa de Santa Zita da Estrela que foi da família Perestrelo e fora antes solar dos Aires de Ornelas.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Esta Rua do Patrocínio, à Boa Morte, — recorda o ilustre Norberto de Araújo, a quem vamos sempre seguindo — foi urbanizada na transição do século XVIII para o século XIX, mas data de antes do Terramoto, embora as casas dessa época tenham desaparecido. [...]
Ora, Dilecto, hemos agora de ver uma outra instituição de beneficência instalada na citada casa particular, que fora antes o Hospício da Boa Morte [antigo Convento da Boa Morte]. Intitula-se Associação da Assistência Infantil de Santa Isabel, internato de meninas, e tem entrada pela Rua do Patrocínio, n.º 3 [último prédio à dir. na 1ª imagem]; é dirigido pelas mesmas religiosas franciscanas missionárias de Maria, autorizadas a regressar a esta sua casa em Junho de 1937 [...]

Igreja de Nossa Senhora das Dores (ou Ermida do Patrocínio) |1934 e 1948|
Rua do Patrocínio, 8 (actualmente Igreja Católica de Língua Alemã de Lisboa)
in Lisboa de Antigamente

Já agora te aponto, nesta Rua do Patrocínio outra Igreja, a de Nossa Senhora das Dores, coeva da construção da Basílica da Estrela, fundada — diz-se que com materiais que do monumento de D. Maria I sobejaram — pelo Padre António Luiz de Carvalho, em honra das Sete Dores de Maria Santíssima. [Araújo: 1939]

Rua do Patrocínio, à Boa Morte, 94 |1906-10|
Palacete na esquina com a Travessa do Jardim, à Estrela, 28.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 16 January 2022

Rua Domingos Sequeira

Pois desçamos de novo a Rua da Estrela; estamos no começo da moderna Rua Domingos Sequeira — recorda Norberto de Araújo —, cujo lado oriental é moderno, em contraste com as casas e velhos pátios do lado poente. O edifício do Dispensário da Associação Nacional aos Tuberculosos data de 1932; adiante desta graciosa edificação vê-se ainda parte dos barracões, o pitoresco «car-barn» [ao fundo à esq.] dos ascensores da Estrela, os famosos «maxibombos» que precederam nesta linha, há cerca de trinta e cinco anos, a viação eléctrica.
O «Cinema Paris», edifício que segue, foi erguido em 1930, e dele é proprietário, Máximo Pinto. Não tem nada de notável.

Rua Domingos Sequeira [1932]
«Pintor 1768-1837»
Em 04/06/1957, foi acrescentada ao topónimo a legenda «Pintor 1768–1837»
Basílica do Coração de Jesus ou da Estrela; Convento do Coração de Jesus, actual Instituto Geográfico e Cadastral. 
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A Rua Domingos Sequeira foi traçada, pela CML em Fevereiro de 1887, dada a necessidade de ligar o bairro de Campo de Ourique às áreas vizinhas, e, consequentemente, ao centro da cidade. Apenas em Junho de 1905 estaria em funcionamento a linha eléctrica do tramway, concretizando-se a ligação entre o Largo do Rato e a Praça da Estrela, através da Rua Ferreira Borges. [Informação prestada pela n/leitora Susana Maia E Silva]

Panorâmica da Estrela tirada do zimbório da Basílica da Estrela, vendo-se a Rua Domingos de Sequeira [1941]
Nesta imagem, observa-se o antigo Dispensário da Associação Nacional aos Tuberculosos, hoje infantário. e o Cinema Paris. Na esq. baixa corre a Rua de Santo António, à Estrela.
O pintor Domingos Sequeira foi colocado há 129 anos na toponímia de Lisboa, por deliberação camarária de 4 de Novembro de 1887. 
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): O topónimo homenageia Domingos António Sequeira, pintor que em 1802 foi nomeado pintor real e co-director da pintura do Palácio da Ajuda. Também em 1806 foi director da Aula de Desenho, no Porto. A Vilafrancada fê-lo emigrar para Paris e em 1826 fixou-se em Roma onde executou obras sacras. Foi também gravador e aquele que executou as primeiras litografias em Portugal. A sua obra está representada no Museu Nacional de Arte Antiga. [cm-lisboa-pt]
_________________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 54, 1939.

Sunday, 9 February 2025

Rua Possidónio da Silva que foi da Fonte Santa

Há em Lisboa uma Rua da Fonte Santa, nome que se mudou em «de Possidónio da Silva». Sem dúvida Possidónio foi um benemérito da pátria, a quem a Arqueologia nacional muito deve, mas podia o seu nome ser imposto a uma nova, isto é, ainda inominada, e conservar-se o de Fonte Santa, que se liga a concepções míticas e religiosas da antiga Lisboa, da Lisboa pré-cristã. Estas substituições, porém, são por via de regra intempestivas, porque o povo, na sua prudência secular, despreza as apelações camarárias, e continua a adoptar as que ele já conhecia, herdadas de seus avós.

Isto dito, decidiu a CML através do seu Edital de 17/05/1897 homenagear Joaquim Possidónio Narciso da Silva pelos relevantes serviços que prestou à classe operária inválida, fundando, em 1864, o Albergue dos Inválidos do Trabalho — hoje Inválidos do Comercio no nº 204 neste arruamento.

Rua Possidónio da Silva |1961|
Ao fundo a Rua Santo António à Estrela, 35 e a Casa de Santa Zita da Estrela antes solar dos Aires de Ornelas.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Joaquim Possidónio Narciso da Silva (1806-1896) partiu para o Brasil com apenas um ano de idade, acompanhando o seu pai, um mestre-geral dos paços reais destacado para o Rio de Janeiro. Aí cresceu, regressando a Portugal já com 21 anos para estudar nos ateliers de Sequeira e Sendim.
Em 1824 partiu para Paris para frequentar o curso de Arquitectura da École des Beaux-Arts, que concluiu quatro anos depois, e onde foi discípulo de Charles Percier. Passou dois anos em Roma, e voltou para Paris, onde participou das obras do Palais Royal e das Tulherias.
Regressou a Portugal apenas no final de 1833, tornando-se arquitecto da Casa Real e trabalhando nos palácios da Pena, de São Bento e das Necessidades, traçando também o Palácio do Alfeite. Em 1863 fundou a Associação dos Arquitectos. Porém, as suas ideias, marcadas pela Restauração francesa, não foram bem acolhidas em Portugal, razão pela quais muitos dos seus projectos para teatros, academias e um palácio real, foram recusados.

Rua Possidónio da Silva |1945|
Antiga da Fonte Santa: escadinhas de acesso ao Chafariz da Fonte Santa, junto ao n.º 111.
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

N.B. Em 1882, o escultor francês Anatole Vasselot fez um busto de bronze de Possidónio da Silva mas este nunca permitiu a divulgação da sua imagem em nenhum meio até à sua morte e assim, este busto apenas foi inaugurado em 5 de julho de 1968, colocado sobre um pedestal de pedra na Praceta da Rua Possidónio da Silva.

Rua Possidónio da Silva |1964|
Antiga da Fonte Santa junto ao n.º 25.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 10 April 2022

Rua da Torre da Pólvora

[1804Torre da Pólvora: é a ultima à direita, descendo pela Calçada da Pampulha, vindo da Igreja de S. Francisco de Paula, e vai terminar aos Armazéns da Pólvora
[1864Torre da Pólvora (largo da)  fica na fim da rua da Torre da Pólvora, indo da calçada da Pampulha e finda na travessa do chafariz das Terras, freguesia de Santos. Está n'este largo o presidio denominado da Cova da Moura, actualmente serve de quartel para infantaria.
[1924] Fronteira à R. do Tenente Valadim, a rua da Torre da Pólvora, que vai dar à Cova da Moira, ao fundo da qual fica o quartel onde se acha instalado o 1.º grupo de companhias de administração militar. 

A designação de Torre da Pólvora nesta serventia — recorda Norberto de Araújo — nasce da circunstância de, no fundo da rua, ter sido construída, de 1670 a 1696, uma torre, depósito ou paiol de pólvora defendida por seu guarda fogo, num recinto relativamente largo.

Rua da Torre da Pólvora |1939|
Desaparecida para dar lugar à Avenida Infante Santo
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

O casarão foi depois presídio (1843), já há muito o depósito de pólvora havia desaparecido do local. Mais tarde, nas casas anexas reconstruídas e ampliadas, instalou-se o regimento de Infantaria n.° 7; ainda depois, em 1899, vários serviços de Administração Militar, e em 1928 uma Companhia de Trem Hipomóvel. É este o bairrista quartel da Cova da Moura. [...]

Panorâmica sobre o Quartel da Cova da Moura |c. 1947|
Demolido para dar lugar à Avenida Infante Santo
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

A abertura da Avenida Infante Santo vai implicar a sua destruição em finais da década de 1949. Conforme o Edital de 13 de Maio de 1949 «o arruamento em construção, que ligará a Avenida 24 de Julho à Estrela, compreende parte da Rua Tenente Valadim, desde o término da curva do prédio do Estado (Instituto Maternal); parte da Travessa dos Brunos prédios nºs 22 e 24 e, ainda, a Rua da Torre da Pólvora» passou a ser a Avenida Infante Santo.

Panorâmica sobre a Avenida Infante Santo |c. 1959|
A abertura da Avenida Infante Santo vai implicar a destruição da Rua da Torre da Pólvora.
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, p. 56, 1938.
COSTA, António José Pereira da - A Fábrica e a Torre da Pólvora, 2017.

Friday, 8 November 2024

Panorâmica da Estrela tomada do zimbório da Basílica da Estrela

Do majestoso zimbório da Basílica da Estrela — a que se pode ascender depois de galgados mais de 200 degraus — o panorama de que ali se desfruta é dos mais belos de lisboa. 

Se da maioria dos pontos altos de lisboa se avista a parte antiga da cidade — recorda o Guia de Portugal (1924) —  o que aqui domina inteiramente no conjunto é a  cidade moderna. O espectáculo torna-se por isso mais claro e mais alegre, variado ainda pela abundância de pequenos bosques e jardins, desdobrados como numa grinalda. Logo a O. a tapada da Ajuda, hoje já muito rarefeita, e a mole enorme do palácio; mais para cá a mancha verde do parque das Necessidades, e a seguir a parada sombria dos ciprestes dos Prazeres. Ao longe desdobra-se o espinhaço de Monsanto, e mais além e a NO. as alturas de Sintra. Para o N. abrange-se a cidade nova, e logo em baixo repousa o olhar a frondosa espessura do Jardim da Estrela, continuada ao fundo com os belos ciprestes do cemitério dos Ingleses. A E. avista-se o Castelo, a torre de S. Vicente e mais abaixo as da , um pouco perdidas na massa escura dos telhados. Ao S. abre-se enfim, maravilhosa de luz e de amplidão, a enseada do Tejo, a melo da qual se ergue o pontal de Cacilhas, avançando no rio como a proa duma nau.

Panorâmica da Estrela tomada do zimbório da Basílica da Estrela |entre 1926 e 1936|
Vêem-se os terrenos onde virá a ser rasgada a Avenida Infante Santo nas décadas de 1940/50, o Hospital da Estrela, antigo Convento do Sagrado Coração de Jesus, um trecho do Aqueduto das Aguas Livres [demolido], uma nesga do Tejo e a Outra Banda.
António Passaporte,  in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Conforme o Edital de 13 de Maio de 1949 «o arruamento em construção, que ligará a Avenida 24 de Julho à Estrela, compreende parte da Rua Tenente Valadim, desde o término da curva do prédio do Estado (Instituto Maternal); parte da Travessa dos Brunos prédios nºs 22 e 24 e, ainda, a Rua da Torre da Pólvora» passou a ser a Avenida Infante Santo.

Obras para abertura da Avenida Infante Santo |1949|
Junto ao Hospital Militar Principal, à Estrela
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Saturday, 1 October 2016

Rua de São Bento

Vamos entrar na Rua de S. Bento, que bem corrida dá pelo menos dez tostões por dia


Isto dizia-se há cinquenta anos — escreve Norberto de Araújo em 1939 — acerca dos mendigos de profissão; tão comprida é a rua que, com método e paciência, um «pobre», começando cedo, e recolhendo um óbulo de de cinco réis em cada uma das duzentas portas onde batesse, ganhava a sua jorna. 
Pois não vamos percorrer esta extinta extensa artéria como o faziam os pedintes de há meio século, embora mesmo sem bater a porta alguma, muito ganhássemos em curiosidade satisfeita. 

Rua de São Bento, 181, esquina com a Rua de Santo Amaro, 1 [1908]
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A Travessa de Santa Quitéria (1759), tal como a Rua de Santo Amaro, as Travessas de Santa Gertrudes (hoje Rua de Teófilo Braga), de S. Plácido, de Santa Escolástica (hoje Rua dos Ferreiros [à Estrela]), de Santo Ildefonso (todas datando de 1763), e a Rua de S. Bernardo, trinta anos mais moderna do que as anteriores, foram talhadas na cêrca do Convento de S. Bento; os nomes, postos pelos frades, são os dos santos da sua Ordem.

Rua de São Bento, 458 [c 1910]
Pátio do Gil — casa onde nasceu a 29 de Abril de 1810,
e viveu muitos anos, Alexandre Herculano; demolido na década de 1950.
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Esta Rua de S. Bento do nosso lado esquerdo [de quem desce] — recorda-nos Norberto de Araújo —, era cheia de pátios, muitos desaparecidos; (...) o Pátio do Gil, que se rasga no prédio nº 458, este que vês com sete varandas no primeiro andar, acusando velhice, e um arco com passadiço ao fundo do qual está o mísero pátio, com seus casebres, que fazem um todo com a propriedade fronteira à rua. Conforme atesta a lápide colocada, em 26 de Abril de 1910, sobre a verga da porta, aqui nasceu a 29 de Abril de 1810, e viveu muitos anos  Alexandre Herculano, em casa mais tarde transfigurada do velho jeito de setecentos. O Gil, que deu nome ao Pátio, foi um António Rodrigues Gil, mestre carpinteiro, tio-avô, por parte da mãe, do grande historiador, e que principiou por construir aqui umas pequenas casas em 1756, no prédio habitou também o Arquitecto Manuel Caetano de Sousa, irmão do avô materno de Herculano.

Rua de São Bento, 634 [ant. 1908]
O Music-Hall de S.Bento-Rato funcionou como recinto de variedades na primeira década
do século XX.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
 
Nesta extensa artériae já muito próximo do Largo do Rato — existiu até c. 1910(?) o Music-Hall de S.Bento-Rato. um recinto de variedades ou «Casino», como eram  denominados à época este tipo de casas de espectáculos. E como na realidade se trata de uma rua «tão comprida», voltaremos a palmilhá-la em futuras «Peregrinações», sempre na companhia do ilustre mestre Norberto de Araújo. Até lá.
____________________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 29-31, 1939.

Sunday, 12 November 2023

Igreja do Santo Condestável

A igreja paroquial do Santo Condestável, moderna mas com reminiscências de ogival, situa-se na encruzilhada das ruas Saraiva de Carvalho e Francisco Metrass, nos limites de Campo de Ourique, e é orientada sensivelmente a Nascente.


A Igreja do Santo Condestável, com traça em forma de cruz latina, cuja construção se concluiu em 1951 em terrenos vizinhos das ruas Saraiva de Carvalho e Francisco Metrass, inspira-se nos templos portugueses da fase final do gótico, o flamejante no seu período embrionário, expressivamente representados em Lisboa pela Igreja do Carmo e em Santarém pela da Graça. Mas à parte o fundamental e típico, a Igreja do Santo Condestável afasta-se nos pormenores mínimos dos seus modelos, de que conserva porém, e inteiramente, a espiritualidade. Todo o edifício se assinala pela simplicidade e pela alvura, onde sobressai num contraste feliz o granito de Sintra. Há um misto de nobreza e de humildade na aliança dos paramentos de simples reboco branco com as cantarias cinzentas, trabalhadas a pico fino. Templo erguido a um dos maiores de Portugal, recorreu-se para a execução da estrutura ao processo tão português da alvenaria de pedra e cal.

Igreja do Santo Condestável |1953|
Ruas Saraiva de Carvalho e Francisco Metrass; ao fundo nota-se o Mercado de Campo de Ourique erguido em 1933.
A Fachada, com um corpo central no qual se rasga o grande p6rtico de arco em ogiva, e duas torres simétricas.
António Passaportein Lisboa de Antigamente
Igreja do Santo Condestável |195-|
Ruas Saraiva de Carvalho e Francisco Metrass
O pórtico com adro sobrelevado ao nível da praça, ao qual se acede por quatro degraus, dando serventia à galilé. Gradeamento de ferro forjado em ponta de lança. Sobre o pórtico o brasão das Armas Reais de Portugal, tal como se usava no começo da 2ª Dinastia.
Salvador de Almeida Fernandesin Lisboa de Antigamente

A autoria da igreja pertence ao arq-º Vasco de Morais Palmeiro (Regaleira) que teve como colaboradores na parte ornamental os escultores Leopoldo de Almeida, Veloso da Costa e Soares Branco, e os pintores José de Almada Negreiros, Portela Júnior e Joaquim Rebocho, e na construção o eng.º Santos Fernandes e Mestre Cipriano. Os trabalhos de serralharia artística foram executados pela Serralharia Artística do Corvo.
Dirigiu administrativamente a erecção do edifício uma comissão designada pelo Patriarca de Lisboa e de que fizeram parte o falecido Prior P.• Francisco Maria da Silva, o Marquês de Abrantes, o arquitecto Regaleira e Alberto Portugal da Silveira. A Comissão de Honra pertenceram, entre outros, S. A. a Infanta D. Felipa de Bragança, e o Ministro da Defesa, coronel Santos Costa.
 
Campo de Ourique e a Igreja do Santo Condestável, fotografia aérea |1956|
Ruas Saraiva de Carvalho e Francisco Metrass
A Fachada posterior, tendo no centro da parede (onde se unem o Presbitério e Patronato) um apoio ou mísula, destinado à estátua de Nossa Senhora de Fátima. Aqueles anexos, nos topos exteriores, estão ligados por muro com janelões com grelhagem de tijolo à meia esquadria, e cancelo de ferro forjado, de acesso a pequeno pátio.
Mário de Oliveirain Lisboa de Antigamente

A inauguração do templo teve lugar em 14 de Agosto de 1951, aniversário de Aljubarrota, com a presença do Chefe do Estado, do Cardeal-Patriarca. A urna, com as relíquias de Nun'Alvares, foi então trazida num ·armão de artilharia, com escolta de honra, da capela da Venerável Ordem Terceira do Carmo (0onde se guardava desde 1834) para o novo templo, em aparatoso cortejo.

Igreja do Santo Condestável, inauguração  |1951-08-14|
Rua Saraiva de Carvalho; Rua Francisco Metrass
Duas torres de secção quadrada com encostos de granito de Sintra e silhares
que prolongadas verticalmente em forma de pilastras terminam fazendo
moldura às ventanas; cantoneiras nas esquinas, terminadas por coruchéus,
igualmente de granito; a cobertura em grimpa acoruchada, que assenta em sobre-beira
dupla de telha portuguesa, rematada airosamente por pára-raios decorativos (Cruz dos Pereiras).
Só a torre Norte (a da direita) tem ventanas sineiras.
Firmino M. Costain Lisboa de Antigamente


Por decreto patriarcal de 21 de Maio de 1984 foi criada a freguesia eclesiástica do Santo Condestável, começando as funções paroquiais em 8 de Junho imediato. A área da nova freguesia foi constituída à custa das de Alcântara e Santa Isabel. Até 1951 serviu de igreja paroquial a capela setecentista da Senhora das Dores (mais exactamente «do Amor da Virgem Senhora Nossa das Dores»)
na Rua do Patrocínio, construída com material sobejado da edificação da Basílica do Coração de Jesus (Estrela). 

Igreja do Santo Condestável, pórtico  |1956|
Rua Saraiva de Carvalho; Rua Francisco Metrass
O portal em ogiva chanfrada aberta em frontal de pedra, no estilo gótico flamejante
com o escudo de armas dos Pereiras a fazer remate. Cornija com legenda camoneana
sobre ela um grupo escultórico ornamental representando o beato frei Nuno de Santa
Maria entre dois Anjos orantes (S. Miguel e o («Anjo de Portugal») (Leopoldo de Almeida).
Mário de Oliveirain Lisboa de Antigamente

No Interior, assinala-se o Corpo da igreja, de três naves (a central sobrelevada) e transepto, e nele:
O tecto de dois tramos, de falsa abóbada de aresta estucada de branco.
As naves separadas por quatro grupos de pilares formando arcada em ogiva, a nave central ocupando toda a1tura, as laterais correndo por baixo do trifório. A iluminação das naves laterais é feita por duas frestas de cada lado, com caixilhos de chumbo e vidros de cor. A meio das naves portas laterais, cada qual com sobreporta, nicho e nele imagem de pedra.

 

Igreja do Santo Condestável, perspectiva, Altar-mor  |1956|
Rua Saraiva de Carvalho; Rua Francisco Metrass
A Capela-mor, prolongamento da nave central e cujo acesso se faz por um arco chanfrado
de ogiva deprimida, iluminada lateralmente por dois pares de janelas de arco de dupla curva,
com vidros de cor montados em armadura de chumbo. Todo o fundo é ocupado por grande
retábulo de pintura a fresco (Portela e Rebocho) representando a glorificação de Nun'Alvares).
Mário de Oliveirain Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Monumentos histórico, 1956.

Sunday, 29 January 2023

Rua das Picoas com a Avenida Cinco de Outubro

De acordo com Norberto de Araújo «Os serviços dos Correios e Telégrafos — hoje [em 1939] já espalhados por S. José, Restauradores e Picôas, e com inúmeros postos e estações em várias áreas da Cidade — foram instalados no edifício do Terreiro do Paço, contiguo ao do Arsenal, em 1 de Março de 1881.

Rua das Picoas e Avenida Cinco de Outubro |1928|
O sítio das Picoas que já surge referido nas «Memórias Paroquiais de Lisboa» de 1758,
derivou do nome de uma quinta do Morgado; ao fundo à dir. nota-se a ermida das Picoas já demolida.
Fotógrafo: não identificado, in Lisboa de Antigamente

Os serviços dos Correios, que desde D. Manuel constituíam ofício privado do «Correio Mor», cargo que principiando em Luiz Homem (1520) coube mais tarde a Luiz Gomes da Mata, e deste a seus descendentes (depois Condes de Penafiel) — passaram para a administração directa do Estado em 1797, transitando então do Palácio do Correio Velho (às Pedras Negras) para uma casa no sitio da Boa Morte [à Estrela], de onde logo saíram para se instalarem no Palácio dos Condes de Olhão, aos Paulistas (o Correio Geral) no Palácio dos Condes de Olhão, aos Paulistas (o Correio Geral). Dali vieram para o Terreiro do Paço.==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 18; XIV p.80, 1939) 

Rua das Picoas e Avenida Cinco de Outubro |c. 1934|
A Ermida, do orago de N. Senhora de Lourdes, foi primeiramente de Santo António, antes de ser ampliada. Ostentava azulejos relativos à vida do Santo português, e vitrais alusivos ao actual orago; a imagem de N. Senhora de Lourdes é feitura do escultor Anjos Teixeira.
Neste prédio de gaveto foi instalada, em 1926, a Estação de Correios e Telégrafos Lisboa-Norte (C.T.F. Correios Telégrafos e Faróis).
Fotógrafo: não identificado, in Lisboa de Antigamente

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