Showing posts sorted by relevance for query Cova da Moura. Sort by date Show all posts
Showing posts sorted by relevance for query Cova da Moura. Sort by date Show all posts

Sunday, 16 April 2017

Torre da Pólvora: Palácio da Cova da Moura

Como já preconizava Norberto de Araújo, em 1938, nas suas Peregrinações «a Rua da Tôrre da Pólvora que tende a desaparecer, pela urbanização que já nela começou no seu começo, esteve ligada às tradições polvoreiras de Alcântara».1 De facto, esta antiga artéria seria extinta e, mais tarde, integrada na novíssima Avenida Infante  Santo, cujo topónimo viria a ser atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa através de Edital de 13/5/1949, à anterior Rua da Torre da Pólvora. 


Espreitemos a Rua da Torre da Pólvora - prossegue Norberto de Araújo -, urbanizada e rectificada no seu troço inicial, sob a Pampulha, há dois anos [1936]. Na parte antiga vemos, à esquerda, uns casebres decrépitos, e os restos de fornos de cal, pois muitos por aqui houve. O sítio foi chamado, no século XVI, «Lapa da Moura», em virtude da existência de uma lapa entre as pedreiras que afloram ainda na raiz das construções. De Lapa da Moura se passou a Cova da Moura, nome que esta área entre Alcântara e Pampulha ainda mantém.
A designação de Torre da Pólvora nesta serventia nasce da circunstância de, no fundo da rua, ter sido construída, de 1670 a 1696, uma torre, depósito ou paiol de pólvora defendida per seu guarda fogo, num recinto relativamente largo.

Panorâmica sobre a zona da Pampulha e a antiga Rua da Torre da Pólvora {c. 1940]
 O topónimo Avenida Infante Santo foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa através de Edital de 13/5/1949, à anterior Rua da Tôrre da Pólvora
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Legenda:
1 - Palácio da Cova da Moura - Prémio Valmor, 1921, (Restauro), arq,º Tertuliano Marques   2 - Rua da Torre da Pólvora (extinta e integrada na Av. Infante Santo)   3 - Rua da Cova da Moura   4 - Hospital da    CUF Infante Santo (Tv. do Castro)   5 - Prédio, de 1938, «ao estilo moderno e desafogado» referido por Norberto de Araújo nas suas «Peregrinações em   Lisboa»   6 - Dispensário de Alcântara, sito na Rua Tenente Valadim, edifício de relevância histórica, foi mandado erigir por iniciativa da Rainha Dona Amélia. Inaugurado em 1893   7 - Rua do Sacramento a Alcântara

O casarão foi depois presídio (1843), já há muito o depósito de pólvora havia desaparecido do local. Mais tarde, nas casas anexas reconstruidas e ampliadas, instalou-se o regimento de Infantaria n.° 7; ainda depois, em 1899, vários serviços de Administração Militar, e em 1928 uma Companhia de Trem Hipomóvel. É êste o bairrista quartel da Cova da Moura. (...)

Abertura da Avenida Infante Santo (Viaduto da Pampulha) [c. 1949]
Ao fundo o Palácio da Cova da Moura (jardins)
O topónimo Avenida Infante Santo foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa através de Edital de 13/5/1949, à anterior Rua da Torre da Pólvora.

Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Ora tornemos ao começo da Rua. Este palacete, do estilo de D. João V, à esquina da Cova da Moura, por onde tem a entrada principal, é do século passado [séc XIX]; pertencia ao Dr. João Ulrich, e foi adquirido pelo Ministério da Guerra em Agosto de 1935, para sede do Conselho Superior de Defesa Nacional e do Conselho Superior do Exército. Como contraste, olha-me este prédio, de 1938, ao estilo moderno e desafogado, e esse outro, em gaveto, estreito como uma cunha, entre as Rua e Travessa da Cova da Moura, do século passado. O urbanismo em Lisboa tem muito deste desequilíbrio estético.2

Palácio da Cova da Moura [ant. 1950]
Avenida Infante Santo
O topónimo Avenida Infante Santo foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa através de Edital de 13/5/1949, à anterior Rua da Torre da Pólvora.
Autor desconhecido, in Lisboa de Antigamente

Em 1921, o Prémio Valmor foi o restauro do Palácio (setecentista) da Cova da Moura sito na Rua Cova da Moura; Avenida Infante Santo,; Travessa do Castro, projectado por Tertuliano Marques (1883-1942) e pertencente a João Ulrich. Até à data tinha sido o único caso de atribuição do prémio a um restauro, considerado significativo “por se desenvolver dentro de uma arquitectura tradicionalista portuguesa das mais belas”.
Apesar de ainda existir, foi profundamente modificado e acrescentado em 1950 e adaptado para ali funcionar uma dependência do Ministério da Defesa.
__________________________________________
Bibliografia
1 ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, p. 56, 1938.
2 idem, vol. IX, p. 13.

Friday, 24 November 2017

Panorâmica sobre o Vale da Lapa da Moura: Chafariz das Terras (ou de Buenos Ayres)

No século XVIrecorda-nos Norberto de Araújoo lado poente do actual bairro [da Lapa], que cai sobre a Pampulha, era de campos matizados de casas e arvoredos, onde aqui e ali afloravam pedreiras. Uma lapa, numa dessas rochas deu origem à «Lapa da Moura», designação oral, e documentada, que precedeu a de «Cova da Moura» ainda existente. A “«lapa» – à Pampulha, sítio mais antigo – subiu para Norte e Nascente até ao Mocambo e, deslocando a designação, firmou a Lapa de setecentos.


Em fundo, paredes meias com a Tapada das as Necessidades, espalmada entre muros, sobe a Calçada do mesmo nome, vendo-se, ao cimo desta, o palacete da Casa de Bragança no gaveto para a Rua do Borja; logo abaixo, entre a Calçada e o ramal do Aqueduto ou Galeria das Necessidades, o Vale da Cova da Mourasímbolos do passado que se foram para dar lugar a novos arruamento, por onde corre actualmente a Avenida Infante Santo, construída na década de 1940 e que implicou a demolição parcial do referido aqueduto; na 1.ª imagem, em baixo à esquerda, na Travessa do Chafariz das Terras, junto à «Casa das Iscas» e adossado ao troço do Aqueduto das Águas Livres, vislumbra-se o Chafariz das Terras e o movimento de aguadeiros; do lado direito do ramal, encontramos a Rua do Pau da Bandeira, «dístico antigo e pitoresco» diz Norberto de Araújo —, «cuja origem me escapa» e que comunica com a referida Travessa através de um dos arcos do aqueduto contíguo ao chafariz. (vd. 2ª foto).

Panorâmica sobre o Vale da Cova da Moura [s.d.] [prov. início séc. XX]
Travessa do Chafariz das Terras e Chafariz das Terras; Rua do Pau da Bandeira; Calçada das Necessidades
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Localizado na Tv. do Chafariz das Terras, à Cova da Moura, o Chafariz das Terras surge encostado ao Aqueduto das Águas Livres, sendo abastecido pela água proveniente da Galeria das Necessidades. De construção mais tardia, 1867, e por iniciativa camarária, tal como atesta a inscrição patente numa tabela quadrangular, de vértices chanfrados, existente na frontaria do chafariz, traduz uma solução mais simples e funcional em relação aos imponentes modelos de chafarizes abastecidos nos primeiros tempos de funcionamento do Aqueduto. Chafariz de planta rectangular, com um largo espaldar, cujo pano frontal surge delimitado lateralmente por cunhais coroados por pequenos coruchéus em pirâmide. A meio da cimalha ostenta as armas da cidade inscritas numa moldura circular e na base possui 2 tanques de recepção de águas diferenciados assentes sobre degraus. Uma porta lateral dá acesso ao interior da arca de água.

Chafariz das Terras (ou de Buenos Ayres) [1970]
Travessa do Chafariz das Terras e o arco que liga com as Ruas do Arco do Chafariz das Terras e do Pau da Bandeira
Assim como a Rua do Arco do Chafariz das Terras este é um topónimo fixado na memória da cidade em data que se desconhece mas que será seguramente do final do século XVIII já que a denominação deriva do primitivo Chafariz das Terras, construído em 1791, mais acima daquele em que está hoje; neste sítio tem a data de 1867.
Artur I. Bastos, in Lisboa de Antigamente
 
Sofreu melhoramentos em 1812, tinha em meados do século XIX, 2 bicas, 2 Companhias de Aguadeiros, 2 capatazes e cabos, 66 aguadeiros e 1 ligeiro.

Chafariz das Terras (ou de Buenos Ayres) [1947]
Travessa do Chafariz das Terras
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII-IX. 
VELOSO DE ANDRADE, José Sérgio , Memória sobre Chafarizes, Bicas, Fontes e Poços Públicos de Lisboa, Belém e muitos lugares do Termo., 1851.
monumentos.pt; cm-lisboa.pt.

Sunday, 10 April 2022

Rua da Torre da Pólvora

[1804Torre da Pólvora: é a ultima à direita, descendo pela Calçada da Pampulha, vindo da Igreja de S. Francisco de Paula, e vai terminar aos Armazéns da Pólvora
[1864Torre da Pólvora (largo da)  fica na fim da rua da Torre da Pólvora, indo da calçada da Pampulha e finda na travessa do chafariz das Terras, freguesia de Santos. Está n'este largo o presidio denominado da Cova da Moura, actualmente serve de quartel para infantaria.
[1924] Fronteira à R. do Tenente Valadim, a rua da Torre da Pólvora, que vai dar à Cova da Moira, ao fundo da qual fica o quartel onde se acha instalado o 1.º grupo de companhias de administração militar. 

A designação de Torre da Pólvora nesta serventia — recorda Norberto de Araújo — nasce da circunstância de, no fundo da rua, ter sido construída, de 1670 a 1696, uma torre, depósito ou paiol de pólvora defendida por seu guarda fogo, num recinto relativamente largo.

Rua da Torre da Pólvora |1939|
Desaparecida para dar lugar à Avenida Infante Santo
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

O casarão foi depois presídio (1843), já há muito o depósito de pólvora havia desaparecido do local. Mais tarde, nas casas anexas reconstruídas e ampliadas, instalou-se o regimento de Infantaria n.° 7; ainda depois, em 1899, vários serviços de Administração Militar, e em 1928 uma Companhia de Trem Hipomóvel. É este o bairrista quartel da Cova da Moura. [...]

Panorâmica sobre o Quartel da Cova da Moura |c. 1947|
Demolido para dar lugar à Avenida Infante Santo
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

A abertura da Avenida Infante Santo vai implicar a sua destruição em finais da década de 1949. Conforme o Edital de 13 de Maio de 1949 «o arruamento em construção, que ligará a Avenida 24 de Julho à Estrela, compreende parte da Rua Tenente Valadim, desde o término da curva do prédio do Estado (Instituto Maternal); parte da Travessa dos Brunos prédios nºs 22 e 24 e, ainda, a Rua da Torre da Pólvora» passou a ser a Avenida Infante Santo.

Panorâmica sobre a Avenida Infante Santo |c. 1959|
A abertura da Avenida Infante Santo vai implicar a destruição da Rua da Torre da Pólvora.
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, p. 56, 1938.
COSTA, António José Pereira da - A Fábrica e a Torre da Pólvora, 2017.

Sunday, 10 October 2021

Palácio ou Paço das Necessidades

O Palácio ou Paço das Necessidades, com seus corpos de edifícios na parte Norte, e com sua fachada elegante e discreta, e da qual olhando o Tejo, avança a frontaria da Igreja, é, Dilecto, como observas, de um conjunto gracioso, e, como expressão arquitectónica, muito equilibrado.


Dilecto: o Palácio das Necessidades, como o de Belém constitui uma página viva da história política e realenga dos últimos cem anos. Escuso de te reavivar a memória. Não é indiferentemente que nos quedamos a olhar a sua fachada. Glórias e tragédias, alegrias e dores, confiança e certeza, fausto e penumbra — passaram por ele.
Não temos que o olhar com saudade, mas com um certo respeito comovido: não será do seu tempo aquele que for insensível às cousas do passado.

Palácio das Necessidades, pórtico da Capela, vendo-se o pináculo de Torre |c. 1900|
Largo das Necessidades
A Frontaria, sobre o Largo das Necessidades, em três corpos de edifício,  contínuos, adornados de vinte e quatro janelas de sacada, coroadas de ática; e  nela, como parte integrante, a frontaria da Capela.
Fotógrafo não identificadoin Lisboa de Antigamente

Deve-se a D. João V o Paço das Necessidades, hoje Palácio Nacional, e sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Desde 1607 que existia neste sitio do Alto de Alcântara uma ermidinha da invocação de N.ª Senhora das Necessidades, cuja irmandade foi constituída por marítimos da carreira da Índia. Meio século depois (1659) Pedro Castilho, servidor de D. João IV, comprou umas casas contiguas à Ermida, ampliando o piedoso sacelo [pequeno templo ou santuário] das Necessidades; no meado do século XVIII a Ermida e um largo prazo de terreno da Lapa (ou Cova) da Moura e da Ribeira de Alcântara pertenciam a um descendente daquele Pedro Castilho, Gaspar (ou Baltasar) Pereira Lago de Castilho. Foi a este que o Rei D. João V, que atribuiu a intercessão da Senhora das Necessidades à cura de uma grave doença (1742), comprou terrenos e casas com o tríplice objectivo de erguer uma nova igreja condigna, de edificar um paço real e de construir uma grande casa para os padres da Congregação do Oratório. O arquitecto Caetano Tomás de Sousa traçou o projecto, ficando a Igreja de N.ª Senhora das Necessidades integrada no Paço, e este contiguo ao convento e à sua larga quinta. As obras principiaram logo em 1748 e estariam concluídas em 1750.

Palácio das Necessidades |post. 1910|
Largo das Necessidades
O p6rtico da Capela, aberto por três arcos laterais entre quatro colunas, e por dois arcos laterais, e, nele, um vestíbulo ou galilé.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente
Palácio das Necessidades |1908|
Largo das Necessidades
A Guarda no Palácio das Necessidades após o Regicídio.
Alberto Carlos Limain Lisboa de Antigamente

O irmão de D. João V, infante D. Manuel, aventureiro militar da Europa, dado camo pretendente ao trono da Polónia, e que regressara à Pátria em 1784, foi o primeiro morador do novo Paço, ainda que por pouco tempo, e depois o seu irmão D. António. Até D. Maria, porém, os soberanos não residiram senão eventualmente nas Necessidades, servindo este Paço para hospedar príncipes estrangeiros (o príncipe de Gales, depois Jorge I V, por exemplo, e seus irmãos) ou algum infante da Casa de Bragança. D. Maria II é que fez das Necessidades residência habitual, assim como D. Pedro V e D. Estefânia (que nele morreram), D. Manuel II, que no Paço residia quando da revolução de 8 de Outubro de 1910.
Proclamada a República, o Palácio das Necessidades, como outros paços reais, entrou no património da Nação; esteve alguns anos encerrado até que em 1916 para ele se transferiu da ala Nascente da Praça do Comércio o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Palácio das Necessidades |c. 1870|
Largo das Necessidades
A varanda superior da Capela, e nela, as estátuas de S. Felipe Nery e de S. Francisco de Şales, obra de Alexandre Giusti, e ainda a estátua de S. Pedro, a um lado da porta, do mesmo escultor italiano, e a de S. Paulo, do outro lado, trabalho do escultor português António de Almeida.
Francesco Rocchini, 
in Lisboa de Antigamente

Interiormente, nas salas e mesmo nos pátios, foi, em várias épocas, o Palácio beneficiado, restaurado e transformado, nomeadamente em 1836 quando do casamento de D. Maria II com D. Fernando, cujas iniciais subsistiam entrelaçadas em muitos motivos decorativos, e em 1886 quando do casamento de D. Carlos com D. Maria Amélia de Orleans. Pode afirmar-se, porém, que a estrutura do Palácio é a original, pois o Terremoto de 1755 nenhuns danos lhe causou. De 1910 até à data variaram, porém, quási totalmente, as utilizações das salas e câmaras, adaptadas a repartições e gabinetes, sendo o recheio substituído e realizadas algumas transformações decorativas. A capela não tem culto desde 1910 e muitas das suas alfaias e imagens encontram-se no Palácio da Ajuda, em depósito. A antiga «Casa Forte das Necessidades» onde se guardava o «Tesouro», está vazia, havendo sido transferidas as suas preciosidades de ourivesaria para o Museu de Arte Antiga.

Fotografia aérea da zona de Alcântara, vendo-se na esquerda alta, o Palácio e a Tapada das Necessidades |1971|
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Do antigo Convento da Congregação do Oratório apenas restam silhares de azulejos. Quanto ao Palácio, cujo recheio quási inteiramente desapareceu daqui para outros palácios nacionais, conserva ainda o seu ar palaciano, um certo ambiente austero de beleza fria, e salas que mal fazem lembrar a opulência antiga.
Nota, Dilecto, a torre da antiga Igreja, recuada à esquerda da frontaria do edifício. Parece uma sentinela de Nossa Senhora das Necessidades.
______________________________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Paços e  palácios nacionais, 1946.
idem, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, p. 18-19, 1939.

Saturday, 3 September 2016

Avenida Infante Santo

Conforme o Edital de 13 de Maio de 1949 «o arruamento em construção, que ligará a Avenida 24 de Julho à Estrela, compreende parte da Rua Tenente Valadim, desde o término da curva do prédio do Estado (Instituto Maternal); parte da Travessa dos Brunos prédios nºs 22 e 24 e, ainda, a Rua da Torre da Pólvora» passou a ser a Avenida Infante Santo. [1]

Início dos trabalhos de demolição do troço do Aqueduto para a abertura da Avenida Infante Santo [1949]
Este troço do Aqueduto abastecia, desde 1778, o Palácio das Necessidades, a Cova da Moura, a Fábrica Ratton
e a Fábrica da Pólvora em Alcântara. A abertura da Avenida Infante Santo vai implicar a sua destruição
em finais da década de 1940; Basílica da Estrela

Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Dom Fernando, o Infante Santo, oitavo filho de D. João I e de Dona Filipa de Lencastre, nasceu em Santarém, a 24 de Setembro de 1402, vindo a morrer em Fez, no ano de 1443.
Aparece ligado ao movimento defensor da presença portuguesa em Marrocos, perspectivando esta presença num misto de alargamento político da presença portuguesa e de alastramento da fé cristã. Sendo um defensor da conquista marroquina, é perfeitamente natural que pretendesse tomar parte na expedição, organizada já no reinado de D. Duarte, contra Tânger, e comandada pelo seu irmão Infante D. Henrique. Com o fracasso desta expedição e com a sua captura e abandono nos cárceres de Arzila e Fez, tornou-se num meio de pressão dos mouros junto dos portugueses para a sua troca pela cidade de Ceuta. No entanto, a importância de que Ceuta se revestia junto dos defensores da conservação daquela praça, leva a que o Infante D. Fernando seja sacrificado a este interesse, o que ele não entendia, dado o teor de uma carta que enviou da prisão ao seu irmão Infante D. Pedro, na qual se mostrava esperançado na sua libertação.
Com a sua morte, nascia a figura do Infante Santo, designação por que passou a ser conhecido. [2]

Avenida Infante Santo [1949]
Abertura da Avenida Infante Santo no local da antiga praceta do Aqueduto das Necessidades;
obras de urbanização e pavimentação

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
[1] cm-lisboa.pt.
[2] CAMPOS, Nuno/CARNEIRO, Isabel: O Padrão dos Descobrimentos – roteiro para visita de estudo, 1994.

Tuesday, 7 June 2016

Rua de Santo António à Estrela: demolição de um arco do Aqueduto das Águas Livres

Este arco sito na do Rua de Santo António à Estrela era parte do Aqueduto do Convento da Estrela, ramal subsidiário do Aqueduto das Águas Livres ou Galeria das Necessidades, que conduzia a água para os chafarizes de Campo de Ourique, da Estrela, da Praça da Armada e das Terras

Convento do Santíssimo Coração de Jesus e Arco do Aqueduto sobre a Rua de Santo António à Estrela [ant. 1885]
Em 1885, as dependências conventuais são entregues à Fazenda Nacional, para instalação dos Serviços Geodésicos, depois Instituto Geográfico e Cadastral.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente


Partia do Arco do Carvalhão terminando na Tapada das Necessidades, onde nascia outro ramal à superfície, que atravessava o Vale da Cova da Moura, actualmente a Avenida Infante Santo, até às Janelas Verdes, abastecendo o respectivo chafariz; a abertura da Avenida implicou a sua demolição. 

Rua de Santo António à Estrela: demolição de um arco do Aqueduto [10 de Abril de 1897]
O último prédio alto à esquerda [vd. 3ª imagem], com portal abobadado, era o edifício
utilizado para recolha dos ascensores Estrela-Camões; à direita, a antiga Cerca do
Convento da Estrela (ou Sagrado Coração de Jesus, hoje pavilhão do Hospital Militar);
ao fundo, a Igreja e Antigo Convento de Nossa Senhora da Estrela (Hospital Militar Principal).

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Foto, inscrição no original: «Demolição do Arco Grande do Aqueduto, na Rua de Santo António à Estrela, arriado em 10 de Abril de 1897 pelos operários da secção de obras da Exma Câmara Municipal de Lisboa, foram entregues no depósito do Edificio da Estrela em 10 de Agosto do mesmo anno duas torneiras de bronze que pezavam a 1.ª 117,0 Kilos e a 2.ª 115,0 Kilos no total de 232,0 kilos.»

Levantamento topográfico de Francisco Goullard (1882)]: n.º 163
Planta referente ao estado da Rua de Santo António à Estrela, em Outubro de 1890. Localização do Arco Grande do Aqueduto do Convento da Estrela
(Clicar para ampliar)

Recolha dos elevadores Estrela-Camões, demolido em finais de 1941
Praça da Estrela; a esq., a Rua Domingos Sequeira e, à dir., a Rua da Estrela

(Este prédio é aquele que se pode observar do lado esquerdo na 2.ª imagem). 
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Web Analytics