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Friday, 14 February 2025

Avenida da República, 65 no cruzamento com a Avenida Barbosa du Bocage, 59

Este grande xadrez regular das chamadas Avenidas Novas — edificações modernas com alguns palacetes de formoso aspecto — é delimitado pela Avenida Duque de Ávila, a sul, antiga Rua do Arco do Cego, a oriente, a linha férrea da Cintura, a norte, e a Avenida Marquês de Sá da Bandeira, a poente, ainda que as avenidas principais de orientação Norte-Sul — Cinco de Outubro e República — ultrapassem, em prolongamento, estes limites teóricos.

Avenida da República, 65 no cruzamento com a Avenida Barbosa du Bocage, 59 |1969|
Palacete construído na viragem do século XIX demolido em 1970.
Nas Avenidas Novas nasceu a Rua Barbosa du Bocage, por Edital de 11/12/1902, na via pública entre as Avenidas Marquês de Tomar e Rua do Arco do Cego. Passados quase 23 anos, o Edital de 08/06/1925 mudou a classificação da artéria para Avenida.
Nuno Roque da Silveira, in Lisboa de Antigamente


Não deixa de ser curioso designá-las, anotando que a urbanização desta área se está fazendo desde há trinta anos, sistematicamente, cada lustro com seu avanço, quási sem nós darmos por isso. 

Avenida da República, 65 no cruzamento com a Avenida Barbosa du Bocage, 59 |1969|
Palacete construído na viragem do século XIX demolido em 1970.
Nuno Roque da Silveira, in Lisboa de Antigamente

No sentido Norte-Sul correm as Avenidas de Sá da Bandeira (que não passa do Largo do Rego), Marquês de Tomar, Cinco de Outubro, da República (esta a artéria mater), dos Defensores de Chaves, e a Rua do Arco do Cego, que se chamará Avenida D. Filipa de Vilhena (parte dela). Transversalmente correm as Avenidas Duque de Ávila, João Crisóstomo, Miguel Bombarda, Visconde de Valmor, Elias Garcia, Barbosa du Bocage, Berna e António Serpa. [Araújo, XIV, 1939]

Avenida Barbosa du Bocage, 59 no cruzamento com a Avenida da República, 65  |1969|
Palacete construído na viragem do século XIX demolido em 1970.
Nuno Roque da Silveira, in Lisboa de Antigamente

Friday, 26 May 2023

Avenida da República, 50

Na esquina com a Avenida Barbosa du Bocage, um palacete do início do século XX, demolido em 1970.

As «Avenidas Novas» surgem no início deste século como resultado dos trabalhos e projectos do engenheiro Ressano Garcia e organizam-se em volta duma grande artéria chamada então «Avenida das Picoas». Esta ligava-se à Rotunda [actual Pç. Duque de Saldanha] pela Avenida do Campo Grande (mais tarde, de Fontes Pereira de Melo). [...] Para as suas avenidas (a das Picoas havia de se chamar Ressano Garcia e, só mais tarde, da República), o engenheiro camarário tinha previsto tudo, desde os passeios aos esgotos, passando pelo tipo de árvores que as ornamentariam. Todo este espaço era destinado a classes abastadas dentro da burguesia lisboeta e a rapidez da sua execução permitiu que um certo equilíbrio de formas fosse alcançado.

Avenida da República, |196-|
Antiga de Ressano Garcia, antes Avenida das Picoas
Do lado direito, na esquina da Avenida Barbosa du Bocage, um palacete do início do século XX, demolido em 1970.
Artur Inácio Bastos, in Lisboa de Antigamente

Nas Avenidas Novas nasceu a Rua Barbosa du Bocage, por Edital de 11/12/1902, na via pública entre as Avenidas Marquês de Tomar e Rua do Arco do Cego. Passados quase 23 anos, o Edital de 08/06/1925 mudou a classificação da artéria para Avenida.
José Vicente Barbosa Du Bocage, (1823-1907) Maçon. Bacharel formado em medicina pela Universidade de Coimbra, lente de zoologia na Escola Politécnica, do conselho de Sua Majestade, ministro de Estado, deputado, par do Reino, um dos fundadores da Sociedade de Geografia de Lisboa, sócio da Academia Real das Ciências, da Sociedade de Zoologia de Londres. 
Era primo em segundo grau do popular poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage.

Avenida da República, 50 |1970|
Antiga de Ressano Garcia, antes Avenida das Picoas
Palacete já demolido que tornejava para a Avenida Barbosa du Bocage
Nuno Barros Roque da Silveira, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): Infelizmente a imagem é de baixa qualidade/resolução, graças ao paupérrimo trabalho de digitalização efectuado pelo Arquivo Municipal de Lisboa (AML).

Friday, 26 April 2024

Avenida da República, 87-97

As Avenidas Novas representam o desenvolvimento urbano que causou a expansão de Lisboa para norte em finais do século XIX e ao longo da primeira metade do século XX.
Pela designação de Avenidas Novas entende-se uma série de avenidas e ruas largas e arejadas que se recortam entre as antigas estradas do Arco do Cego e S. Sebastião da Pedreira, e ao N. do Parque Eduardo VII [antigo Vale do Pereiro ], Andaluz e Praça José Fontana [antigo Largo do Matadouro].
Em 1910 a maior parte dos arruamentos estava concluída, compondo uma malha ortogonal de ruas e avenidas largas com passeios e praças arborizadas segundo os mais modernos conceitos urbanísticos, naturalmente destinadas às classes sociais mais abastadas. 

Avenida da República, 87-97 |1965|
edifício localizado no número 93A-E situado no gaveto com a Av. António Serpa foi demolido.
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Este novo percurso de ascensão da cidade, vindo da Baixa e desembocando no Campo Grande, foi desde logo habitado pela burguesia emergente, que aí começou a construir os seus palacetes e prédios elegantes, tão típicos Lisboa do primeiro quartel do século XX.

Avenida da República, 95-97 |1959|
Antiga Av. Ressano Garcia (1910)
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): imagem corrigida (invertida 
no abandalhado amL).

É disto exemplo o prédio situado na Avenida da República, 97-97-C. Este imóvel (ao fundo e à dir. na 2ª imagem), bem como os dois imediatamente anteriores, estavam em vias de classificação como conjunto desde 11/12/1981. Um deles foi entretanto demolido, e a classificação dos dois prédios restantes passou a correr de forma individual, de acordo com as distintas características de cada um.
(IGESPAR, IP, 2011)

Avenida da República, 87-97 |1962|
John F Bromley, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 4 August 2024

Praça do Duque de Saldanha: Avenidas Novas

Com esta bela Praça do Duque de Saldanha, que data da última década do século passado [XIX], se deu testa à grande artéria mãe das Avenidas Novas, em correspondência paisagista com a Praça Mousinho de Albuquerque, que vimos já, no começo do Parque do Campo 28 de Maio (Campo Grande). 

Na praça em rotunda, estrela de cinco pontas — diz Norberto de Araújo, a quem vamos sempre seguindo — , confluem as Avenidas Fontes Pereira de. Melo, Casal Ribeiro e Praia da Vitória, estas duas já deste século- e da República e confluirá dentro de um ano a Rua António Enes, que se está prolongando já através de um talhão da da muito velha Rua das Picôas. Desaparecerá esse oitocentista Palácio, a sudoeste, que foi da Condessa de Camarido [depois Cine Teatro Monumental - 1ª imagem à esq.].¹

Praça Duque de Saldanha e Av. da República |194-|
À esq. nota-se o muro do Palácio Camarido demolido para dar lugar ao Cine Teatro Monumental
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

 

Avenida de Fontes Pereira de Melo termina na rotunda da Praça do Duque de Saldanha, cercada de heterogéneas edificações, e a meio da qual se ergue o monumento ao Duque de Saldanha. A pedra fundamental do monumento, cuja parte escultural é de Tomás Costa e a arquitectónica de Ventura Terra, foi lançada em 1904, tendo-se inaugurado em 1909. A estátua, que representa o marechal de pé, com a mão direita apontando na direcção do S., assenta sobre um pedestal dórico de base quadrangular flanqueado de colunas com capitéis canelados. À frente da estátua, na base, a figura alegórica da Vitória, de bronze, nas outras faces panóplias ornamentais pendem da boca de leões, tudo de bronze.²

Praça Duque de Saldanha e Av. Fontes Pereira de Melo |1952|
Em cartaz no Cine-Teatro Monumental o filme "A Paz Voltou à Cidade" com a participação de  Gary Cooper - no original "Dallas" - e a peça de teatro "Lisboa Nova" com a actriz Laura Alves, ambos estreados em 1952.
Amadeu Ferrari, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto d, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 79-80, 1939.
² PROENÇA, Raul, Guia de Portugal, Generalidades: Lisboa e arredores, Biblioteca Nacional, 1924.

Friday, 23 September 2016

Praça do Duque de Saldanha

Com esta bela Praça do Duque de Saldanha, que data da última década do século passado [séc. XIX], se deu testa à grande artéria mãe das Avenidas Novas, em correspondência paisagista com a Praça Mouzinho de Albuquerque [actual Rotunda de Entrecampos]. Na Praça, em rotunda, estrela de cinco pontas, confluem as Avenidas Fontes Pereira de Melo, Casal Ribeiro, Praia da Vitória [dois ramos] — estas duas já deste século — e da República (...) ¹


A Praça do Duque de Saldanha — antigamente chamada Rotunda de Picoas — nasceu do plano das Avenidas Novas concebido, no fim do século XIX, por Frederico Ressano Garcia, engenheiro da Câmara Municipal de Lisboa. A Praça tinha uma fisionomia mais simples do que a que lhe conhecemos na actualidade. Tinha uma tipologia de rotunda; era circular, com acesso radial, trânsito de atravessamento e envolvente. 

Praça do Duque de Saldanha |c. 1940|
Antiga Praça Mouzinho de Albuquerque, antes Rotunda das Picoas
; Avenida da República
Amadeu Ferrari, in Lisboa de Antigamente

Para responder ao crescente aumento do trânsito automóvel nas décadas de 1950-60, é rasgado um novo arruamento na  Praça em 1969. Trata-se de quebrar a forma circular de rotunda da Praça, «o espaço molusco cuja viscosidade, espraiando-se fez perder a clareza da forma geométrica pur2, para dar lugar a um novo desenho. Se se comparar a fotografia dos anos 40 com outra de finais da da década de 60, pode ver-se que a pavimentação concêntrica central foi cortada dos dois lados para favorecer o tráfego automóvel. Ficou uma faixa de betume ou “ilha” em forma de “banana” [vd. 2.ª imagem] que vem separar os dois sentidos de circulação, entre a Avenida da República e a Avenida Fontes Pereira de Melo. 3

Praça do Duque de Saldanha |1969|
Antiga Praça Mouzinho de Albuquerque, antes Rotunda das Picoas; Avenida da República

Artur Bastos, in Lisboa de Antigamente

A Avenida de Fontes Pereira de Melo termina na rotunda da Praça do Duque de Saldanha, cercada de heterogéneas edificações, e a meio da qual se ergue o Monumento ao Duque de Saldanha. A pedra fundamental do monumento, cuja parte escultural é de Tomás Costa e a arquitectónica de Ventura Terra, foi lançada em 1904, tendo-se inaugurado em 1909. A estátua, que representa o marechal de pé, com a mão direita apontando na direcção do S., assenta sobre um pedestal dórico de base quadrangular flanqueado de colunas com capitéis canelados. À frente da estátua, na base, a figura alegórica da Vitória, de bronze, nas outras faces panóplias ornamentais pendem da boca de leões, tudo de bronze. 4

Praça do Duque de Saldanha |c. 1950-60|
Antiga Praça Mouzinho de Albuquerque, antes Rotunda das Picoas; Avenida da República

Fotógrafo não identificado, postal Ed. Lifer [s.d.]

Bibliografia
1 ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 79, 1939.
2 BESSA, J. P., Saldanha – Edifício MASP e Helena Rubinstein, Análise urbana da Praça do Saldanha, 1986.
3 FRÉTIGNÉ, Hélène, Uma Praça Adiada: Estudo de Fluxos Pedonais na Praça do Duque de Saldanha, vol. I, pp. 23-29, 2005.
4 PROENÇA, Raul, Guia de Portugal: Generalidades: Lisboa e arredores, vol. I, p. 434, 1924.

Sunday, 21 June 2015

Avenida Duque de Ávila

Nesta zona, a que se convencionou chamar «Avenidas Novas», ainda se podem ver alguns belíssimos exemplares ao gosto Arte Nova e Art Déco, que ilustram o ecletismo estilístico dos anos 20-30 do século XX. É o caso desta frente de quarteirão, entre os nºs 18 a 32, (últimos edifícios à esq.) da autoria do arquitecto Norte Júnior

Avenida Duque de Ávila |1927|
Cruzamento com a Av. da República; ao fundo, a Avenida Defensores de Chaves
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Nas Avenidas Novas encontram-se obras dos arquitectos Pardal Monteiro, Norte Júnior, Álvaro Machado e Ventura Terra. Muitos são prémios Valmor, mas essa distinção nem sempre os tem poupado. e são cada vez menos, infelizmente.

Avenida Duque de Ávila |c. 196-|
Fotografia anónima in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 20 December 2017

Avenidas João Crisóstomo e Cinco de Outubro

A Rua João Crisóstomo, que na República passou a Avenida, homenageia João Crisóstomo de Abreu e Sousa (1811-1893) que foi general da arma de engenharia, político e par do Reino, Ministro das Obras Públicas (1864-65) integrante do elenco do Duque de Loulé, período em que reformou o ensino da engenharia civil e, Ministro da Guerra (1879) no ministério de Anselmo Braancamp.

Avenidas João Crisóstomo (para nascente) e Cinco de Outubro [c. 1908]
Palacete do Comendador Evaristo Lopes Guimarães
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

 Até 1910, a Avenida Cinco de Outubro designava-se Rua António Maria de Avelar, tendo passado a Avenida, por deliberação camarária de 4 de Dezembro de 1902. O homenageando era um engenheiro (1854–1912) e funcionário da Câmara de Lisboa desde 1879, ligado ao plano das Avenidas Novas já que substituiu por longos períodos o director-geral das Obras Municipais, Ressano Garcia. [cm-lisboa.pt]

Avenidas João Crisóstomo (esq) e Cinco de Outubro, 69-75 [c. 1908]
Ao fundo, a Rua Marquês Sá da Bandeira e o muro do Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, antigo Parque de Santa Gertrudes de José Maria Eugénio de Almeida.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Friday, 2 September 2016

Avenida João XXI

A Avenida João XXI, apresenta um perfil transversal, possuindo duas vias de tráfego em cada sentido, com um separador central. Esta é uma via importante no contexto da cidade de Lisboa, ligando a zona das Avenidas Novas à zona oriental.


O plano do Bairro do Areeiro data de 1938 e é da autoria do arq.º Faria da Costa e previa a construção de duas avenidas no sentido Este-Oeste: Av. de Paris e Avenida João XXI e de uma outra, de menores dimensões, no sentido Norte-Sul, a Av. Presidente Wilson. A primeira parte do plano teve início em 1940, com a construção dos edifícios da Avenida de Paris e Praça Pasteur. Mais tarde, a partir de 1948, surgiram os prédios da Avenida João XXI e Avenida Presidente Wilson.

Avenida João XXI, cruzamento com a Avenida de Roma [c. 1953]
Ao fundo, a Praça Dr. Francisco Sá Carneiro, antiga Praça do Areeiro.
António Passaporte,in Lisboa de Antigamente

A construção destes bairros foi calculada pelo município de Lisboa, através dos planos de expansão da cidade, afim de evitar o crescimento desordenado e a arquitectura de má qualidade. A Câmara era responsável não só pelos traçados urbanos, mas também pela venda de lotes de terreno. Os projectos de construção respeitaram sempre um princípio da harmonia de todo o plano. Os nomes das suas ruas, praças e avenidas surgiram por mão da Câmara Municipal que procurou dar algum cosmopolitismo e tornar Lisboa uma cidade mais europeia. [jf-areeiro.pt]

Avenida João XXI em construção [c. 1950]
Direcção Poente
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Este topónimoAvenida João XXIfoi atribuído em 1948 a partir de uma sugestão do Vereador Dr. Viegas da Costa, para perpetuar na memória da cidade o único Papa português, Pedro Julião «Hispano», terá nascido entre 1205 e 1220, em Lisboa, e veio a falecer que em 20 de Maio de 1277 , em Viterbo (Itália), após um pontificado de apenas oito meses. Mas, embora ocupando um cargo que virá a ter uma importância cada vez mais poderosa a nível político na escala mundial, a sua fama foi muito além do seu cargo na Santa Sé. A alcunha «Hispano» revelava a sua origem da velha província penínsular romana, já que a nação Portugal ainda era pouco conhecida. Pedro Hispano foi autor de vários livros que chegaram a ser literatura básica nas universidades europeias. Não escreveu nem uma única palavra sobre as experiências do seu Pontificado, mas sim muito sobre os seus estudos nas mais variadas áreas. [cm-lisboa.pt]

Prolongamento da Avenida João XXI para Poente (Campo Pequeno) [c. 1950]
Esquina da Rua Augusto Gil (dir.)
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 2 November 2025

Avenida da República: o moderno e o clássico

A Avenida da República pertence às «Avenidas Novas» que foram rasgadas no fim do séc. XIX, princípio do séc. XX. O escritor Stefan Zweig (1881-1942) participou, em 1936, num congresso do Pen Club e fez uma breve paragem em Lisboa, durante a sua viagem de barco para o Brasil.

Lisboa, terça-feira 11 de Agosto.
Desengano agradável. Não tinha esperado tanta cor desta cidade. Uma outra Génova, mas mais colorida, mais meridional, mais natural, com magníficas ruas elegantes e as Avenidas, com os seus cafés. E, contudo, burros e mulheres de cesto à cabeça nas ruas secundárias: grande estadão no meio da pobreza e miséria no meio do luxo, este magnífico contraste dos países meridionais. 
As pessoas não são tão altivas como em Espanha, nem tão bela e fortemente morenas. E não têm aquele orgulho dos «caballeros», embora passem igualmente todo o dia a mandar engraxar os sapatos. Por aí deambulo horas a fio: as lojas abertas, que vendem umas porcarias quaisquer, têm um encanto particularmente primitivo, mais do que as Avenidas, que têm um ar um tanto ou quanto balcânico. [Frank: 2019]

Avenida da República, 58 com o Campo Pequeno, 1 |1963-06|
Antigo Largo Doutor Afonso Pena, antes Campo Pequeno ou Largo do Campo Pequeno.
Prédios demolidos (moradia incluída) pouco tempo depois de «batida a chapa» em 1963 por J. Goulart. Actualmente ocupado pelo antigo edifício de escritórios Cosec. Ao fundo à esq. — junto ao arvoredo — nota-se, parcialmente, o Viaduto Ferroviário de Entrecampos.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Erigido na Avenida da República, 32, em 1946, de acordo com o projecto do arq. Pardal Monteiro, o edifício na imagem abaixo destaca-se pela fachada que evidencia o elemento central da composição, com saliência e ritmo marcado pela sucessão de janelas e varandas, culminando na pérgula que o coroa. Em 1983, foi alteado com um corpo de três pisos recuados, projectados pelos arquitectos Leão Miranda e Hestnes Ferreira, que respeitaram a estrutura original da pérgula e a reinterpretaram na cobertura de forma mais complexa, com um belvedere. A qualidade dessa intervenção rendeu ao edifício o Prêmio Eugênio dos Santos de 1991.

Avenida da República, 32 comAv. Miguel Bombarda |1963-06|
Ao centro vê-se o prédio riscado em 1946 pelo arq. Pardal Monteiro.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 17 October 2021

Cinema Avis

Inaugurado em 1 de Janeiro de 1930 com o nome Trianon-Palace tinha capacidade para 538 espectadores. Em 1931, depois de remodelado com novo balcão e frisas, muda o título para “Cinema Palácio”  com lotação aumentada para 768 lugares, até reabrir como “Avis”. Este cinema foi um projecto do arq.º Raúl Lino para o seu amigo e cliente Augusto de Ornelas Bruges, proprietário à época, que tinha adquirido um terreno em frente da antiga estação de eléctricos do Arco do Cego. Considerada uma das maiores e mais elegantes salas de espectáculos  da capital, gozava de exclusividade, por não existir nenhuma outra nas imediações das chamadas «Avenidas Novas». 

Cinema Avis [1960]
 Avenida Duque de Ávila, 45
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Em 29 de Novembro de 1956, depois de profundas obras de remodelação, reabriu ao público com o nome de «Avis». Após anos a exibir filmes de estreia e enormes sucessos de bilheteira, encerrou portas em 1988, sendo o edifício demolido para dar lugar a prédios de habitação.

Anuncio ao Trianon-Palace «A mais elegante “boite” de Lisboa
realizada por Raúl Lino», in DL, 1930

Só nos anos de 1930 e 1931 — os primeiros do sonoro — abriram em Lisboa 10 novas salas de cinema. A primeira sessão de cinema sonoro de Lisboa teve lugar num cinema de bairro, o Royal Cine da Graça projectado pelo arquitecto Norte Júnior.

Cinema Avis [1956]
Foyer do Cinema Avis, projecto do arquitecto Maurício Vasconcelos (1925-1997)
 Avenida Duque de Ávila, 45
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
Batista, Tiago, Cinemas de estreia e cinemas de bairro em Lisboa (1924-1932). 

Sunday, 20 March 2016

Avenida da República, 27-33

Após a proclamação da República (1910) a Câmara Municipal de Lisboa alterou a toponímia, substituindo os nomes das figuras públicas comprometidas com a monarquia e os topónimos de cariz religioso por outros evocativos dos ideais republicanos e esta Avenida da República é disso um exemplo claro, substituindo o topónimo do criador das Avenidas Novas em 1904 (Avenida Ressano Garcia) pela própria República.

Avenida da República, 27-33 [post. 1906]
Quarteirão entre as as avenidas Miguel Bombarda e  João Crisóstomo.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Repare-se nas magnificas mísulas que suportam as varandas da moradia ao centro. Curioso o facto da existência da farmácia — à data pharmacia — cem anos decorridos, no mesmo nº 27. O edifício — de que vê parte à esquerda — no nº 25, conhecido por «República 25» datado de 1906, foi totalmente renovado em 2011, à excepção da sua fachada que se mantém a mesma. Os outros foram demolidos.

Sunday, 23 July 2023

Avenida da República com a Elias Garcia: Casa Elisa Vaz

Em 1912, o arq. Raul Lino (1878-1974) constrói a singular casa Elisa Vaz que, para além do notável tratamento urbano do cunhal, é ainda considerada, a sua obra mais "estrangeirada", de clara influência europeia modernista, sobretudo pela marcação ritmada e horizontal das janelas e pela ausência de decoração das fachadas deixando sobressair o recorte de volume puro.
(PORTAS, Nuno, "A Evolução da Arquitectura Moderna em Portugal, (1973), in Bruno Zevi, História da Arquitectura Moderna,p.705,  1978)

Avenida da República com a Elias Garcia; Casa Elisa Vaz |1964-06|
Prédios, já demolidos, no quarteirão entre entre as avenidas Elias Garcia e Barbosa du Bocage
João Goulart, in Lisboa de Antigamente

A casa Elisa Vaz expressa uma escala e delicadeza formal atenta aos “aspectos variados a que as circunstâncias especiais de ambiente e época obrigam, através do emprego de uma semântica algo efémera, cuja fragrância Jugendstil [vf. Nota] é particularmente adequada à atmosfera de vaga densidade cultural das recém-construídas avenidas novas.
(Cadernos do Arquivo Municipal, 2016)

Casa Elisa Vaz |195-|
Esquina da Avenida da República com a Av. Elias Garcia
Colecção da Família de Raul Lino, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): O termo Jugendstil designa um movimento cultural alemão, com expressão fundamentalmente no campo das artes plásticas, formado em 1880, em Munique, desenvolvendo-se em simultâneo com os estilos congéneres da Arte Nova e do Modern-Style (o primeiro com significativa representação em França e o segundo surgido em Inglaterra).

Saturday, 3 October 2015

Avenida de Berna, antiga de Martinho Guimarães

O topónimo homenageava o vereador José Martinho da Silva Guimarães, um dos mais eficazes batalhadores pelo empréstimo de 400-00$000 réis que, contraído junto do Governo central, viabilizou o arranque das obras das Avenidas Novas, depois de se terem gorado intenções iniciais de promotores privados.
A proposta da nomenclatura foi publicamente aprovada em sessão de Câmara de 12 de Agosto de 1897 e justificada por se tratar de uma das avenidas «mais importantes pois que é destinada a ligar a Praça do Campo Pequeno com os sítios de Palhavã e Benfica. (;cm-lisboa.pt)

Avenida de Berna, antiga de Martinho Guimarães [1933]
Venda do Capacete. Grupos de senhoras vendiam pela cidade miniaturas de capacetes militares, para pôr na lapela, financiando a Liga dos Antigos Combatentes (da Grande Guerra). O quartel do Batalhão Automobilista (à esq.) que, desde 1980, dispensou parte das suas instalações e logradouros à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Friday, 26 July 2024

Avenida Cinco de Outubro

Cinco de Outubro, data da implantação da República no ano de 1910, foi fixada pela edilidade lisboeta logo no seu primeiro Edital de toponímia, um mês após a implantação da República, em 5 de Novembro de 1910.
Até aí esta artéria designava-se Rua António Maria de Avelar, por deliberação camarária de 12 de Agosto de 1897, tendo passado a Avenida, por deliberação camarária de 4 de Dezembro de 1902, homenageando um engenheiro (1854–1912) e funcionário da Câmara de Lisboa desde 1879, ligado ao plano das Avenidas Novas já que substituiu por longos períodos o director-geral das Obras Municipais, Ressano Garcia. A proposta para ser alterada para Avenida Cinco de Outubro partiu do vereador Nunes Loureiro na reunião de câmara de 6 de Outubro de 1910 e foi aprovada por aclamação. [cm-lisboa]

Avenida Cinco de Outubro, 81 |1955-06-28|
Esquina com a Av. Miguel Bombarda. O prédio mais alto, ao fundo, com o número de policia 63, no gaveto com a Av. João Crisóstomo, ainda lá está. 
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): mais uma imagem erradamente catalogada no abandalhado aml como «Avenida Conde de Valbom»

Sunday, 14 June 2015

Avenida Fontes Pereira de Melo com a Rua Tomás Ribeiro

Arruamento de 1900 que homenageia o chefe do partido Regenerador, António Maria Fontes Pereira de Melo (1819-1887), que presidiu ao Conselho de Ministros na década de 1876 e 1886, período que ficou conhecido como Fontismo.
Esta artéria que faz a ligação da Praça Marquês de Pombal à Praça Duque de Saldanha integra o Plano das Avenidas Novas, do eng.º Ressano Garcia, aprovado em 1888 na Câmara Municipal de Lisboa. Este projecto seguia as ideias urbanísticas do séc. XIX, aplicando os princípios higienistas de combate à insalubridade das densas vilas da industrialização, definindo um traço regular formado por quarteirões uniformes, numa sequência de eixos estruturantes articulados por rotundas.

Avenida Fontes Pereira de Melo com a Rua Tomás Ribeiro,  1960
À direita, o muro do antigo Mercado 31 de Janeiro, antigo Matadouro Municipal.

Filipe Romeiras, in Lisboa de Antigamente
 
Neste plano, a Avenida Fontes Pereira de Melo constituía o elemento de ligação do conjunto das ruas adjacentes ao Parque da Liberdade (hoje Parque Eduardo VII) com o núcleo Picoas - Campo Grande. (cm-lisboa.pt)

Avenida Fontes Pereira de Melo com a Rua Tomás Ribeiro,  1961
Em 29 de Dezembro de 1959 é inaugurado novo sistema de transporte — o Metropolitano.
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Friday, 24 July 2020

Avenida Engenheiro Duarte Pacheco

Esta artéria homenageia aquele de quem se dizia entusiasticamente nas ruas de Lisboa dos anos 30 que, «com Pacheco, enquanto houver casa de pé, a revolução continua».
Duarte José Pacheco (1899-1943), licenciou-se em engenharia Electrónica, no IST, com 19 valores e este jovem professor do Instituto Superior Técnico desde 1922 — e seu director a partir de 1924 — foi eleito presidente da Câmara de Lisboa com apenas 29 anos, em 1928, ano em que também entrou pela primeira vez no Governo, com a pasta da Instrução Pública.
Quatro anos mais tarde, em Julho de 1932, foi nomeado ministro das Obras Públicas e Comunicações, pasta que tutelou até à sua trágica morte num desastre de viação. 

Avenida Engenheiro Duarte Pacheco |1958|
Instalações abastecedoras de gasolina da SONAP
Auto-estrada Lisboa-Cascais; Parque Florestal de Monsanto; Viaduto Duarte Pacheco
Almeida Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Considerado um visionário, desejava fazer de Lisboa a capital do Império, sonho que veio a concretizar com a Exposição do Mundo Português, em 1940, símbolo emblemático do apogeu do Estado Novo e dos seus valores. 
 
Avenida Engenheiro Duarte Pacheco |1967|
João Brito Geraldes, in Lisboa de Antigamente
Avenida Engenheiro Duarte Pacheco |1968|
Edifício Philips
Artur Inácio Bastos, in Lisboa de Antigamente
Notas(s):Infelizmente a imagem é de baixa qualidade/resolução, graças ao paupérrimo trabalho de digitalização efectuado pelo Arquivo Municipal de Lisboa (AML) hoje completamente ao abandono.

Foi responsável por obras tão importantes como a Estrada Marginal Lisboa-Cascais, as Avenidas Novas, o Parque de Monsanto e o Estádio Nacional.
O Viaduto Duarte Pacheco foi inaugurado em 1944. [cm-lisboa.pt]

Avenida Eng.º Duarte Pacheco |c. 1955|
Antigo edifício-sede da Fiat Portuguesa
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 13 December 2020

Avenida Cinco de Outubro, 9-11

Edifício do séc. XX exibindo azulejos de desenho Arte Nova com motivos florais em policromia, tendo ao centro figura de mulher com estrela por cima da cabeça. Painéis com 9 azulejos na máxima altura que decoram o nível das entradas do edifício.
Neste edifício está instalado o "Hotel Zenit Lisboa"

Avenida Cinco de Outubro [post. 1930]
Prédio que torneja a Rua Pinheiro Chagas 
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Cinco de Outubro, data da implantação da República no ano de 1910, foi fixada pela edilidade lisboeta logo no seu primeiro Edital de toponímia, um mês após a implantação da República, em 5 de Novembro de 1910.
Até aí esta artéria designava-se Rua António Maria de Avelar, por deliberação camarária de 12 de Agosto de 1897, tendo passado a Avenida, por deliberação camarária de 4 de Dezembro de 1902, homenageando um engenheiro (1854–27.10.1912) e funcionário da Câmara de Lisboa desde 1879, ligado ao plano das Avenidas Novas já que substituiu por longos períodos o director-geral das Obras Municipais, Ressano Garcia. A proposta para ser alterada para Avenida Cinco de Outubro partiu do vereador Nunes Loureiro na reunião de câmara de 6 de Outubro de 1910 e foi aprovada por aclamação. [cm-lisboa.pt]

Tuesday, 19 April 2016

Praça do Comércio: Iluminação pública com candeeiros a gás e a electricidade

A partir de 1902, com a generalização da electricidade, são colocados novos candeeiros no Rossio, Chiado, Praça do Comércio, e nalgumas das placas centrais das Avenidas Novas e na Avenida 24 de Julho até à Praça de Afonso de Albuquerque, em Belém. Por vezes, estes novos elementos eram colocados ao lado dos velhos candeeiros a gás — como se pode comprovar nesta imagem — , utilizando-se os dois sistemas em simultâneo, cuja diversa gramática decorativa dotava a cidade de um eclectismo formal singular. 

Praça do Comércio [190-]
Iluminação pública com candeeiros a gás e a electricidade

Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Em 1909 a Câmara decide racionalizar as despesas relativas eléctrica e a gás e melhorar a iluminação pública em geral, através da instalação de bicos incandescentes.
(in revista digital rossio, nº2)

Praça do Comércio [190-]
Iluminação pública com candeeiros a gás e a electricidade

Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

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