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Friday, 14 February 2025

Avenida da República, 65 no cruzamento com a Avenida Barbosa du Bocage, 59

Este grande xadrez regular das chamadas Avenidas Novas — edificações modernas com alguns palacetes de formoso aspecto — é delimitado pela Avenida Duque de Ávila, a sul, antiga Rua do Arco do Cego, a oriente, a linha férrea da Cintura, a norte, e a Avenida Marquês de Sá da Bandeira, a poente, ainda que as avenidas principais de orientação Norte-Sul — Cinco de Outubro e República — ultrapassem, em prolongamento, estes limites teóricos.

Avenida da República, 65 no cruzamento com a Avenida Barbosa du Bocage, 59 |1969|
Palacete construído na viragem do século XIX demolido em 1970.
Nas Avenidas Novas nasceu a Rua Barbosa du Bocage, por Edital de 11/12/1902, na via pública entre as Avenidas Marquês de Tomar e Rua do Arco do Cego. Passados quase 23 anos, o Edital de 08/06/1925 mudou a classificação da artéria para Avenida.
Nuno Roque da Silveira, in Lisboa de Antigamente


Não deixa de ser curioso designá-las, anotando que a urbanização desta área se está fazendo desde há trinta anos, sistematicamente, cada lustro com seu avanço, quási sem nós darmos por isso. 

Avenida da República, 65 no cruzamento com a Avenida Barbosa du Bocage, 59 |1969|
Palacete construído na viragem do século XIX demolido em 1970.
Nuno Roque da Silveira, in Lisboa de Antigamente

No sentido Norte-Sul correm as Avenidas de Sá da Bandeira (que não passa do Largo do Rego), Marquês de Tomar, Cinco de Outubro, da República (esta a artéria mater), dos Defensores de Chaves, e a Rua do Arco do Cego, que se chamará Avenida D. Filipa de Vilhena (parte dela). Transversalmente correm as Avenidas Duque de Ávila, João Crisóstomo, Miguel Bombarda, Visconde de Valmor, Elias Garcia, Barbosa du Bocage, Berna e António Serpa. [Araújo, XIV, 1939]

Avenida Barbosa du Bocage, 59 no cruzamento com a Avenida da República, 65  |1969|
Palacete construído na viragem do século XIX demolido em 1970.
Nuno Roque da Silveira, in Lisboa de Antigamente

Friday, 26 May 2023

Avenida da República, 50

Na esquina com a Avenida Barbosa du Bocage, um palacete do início do século XX, demolido em 1970.

As «Avenidas Novas» surgem no início deste século como resultado dos trabalhos e projectos do engenheiro Ressano Garcia e organizam-se em volta duma grande artéria chamada então «Avenida das Picoas». Esta ligava-se à Rotunda [actual Pç. Duque de Saldanha] pela Avenida do Campo Grande (mais tarde, de Fontes Pereira de Melo). [...] Para as suas avenidas (a das Picoas havia de se chamar Ressano Garcia e, só mais tarde, da República), o engenheiro camarário tinha previsto tudo, desde os passeios aos esgotos, passando pelo tipo de árvores que as ornamentariam. Todo este espaço era destinado a classes abastadas dentro da burguesia lisboeta e a rapidez da sua execução permitiu que um certo equilíbrio de formas fosse alcançado.

Avenida da República, |196-|
Antiga de Ressano Garcia, antes Avenida das Picoas
Do lado direito, na esquina da Avenida Barbosa du Bocage, um palacete do início do século XX, demolido em 1970.
Artur Inácio Bastos, in Lisboa de Antigamente

Nas Avenidas Novas nasceu a Rua Barbosa du Bocage, por Edital de 11/12/1902, na via pública entre as Avenidas Marquês de Tomar e Rua do Arco do Cego. Passados quase 23 anos, o Edital de 08/06/1925 mudou a classificação da artéria para Avenida.
José Vicente Barbosa Du Bocage, (1823-1907) Maçon. Bacharel formado em medicina pela Universidade de Coimbra, lente de zoologia na Escola Politécnica, do conselho de Sua Majestade, ministro de Estado, deputado, par do Reino, um dos fundadores da Sociedade de Geografia de Lisboa, sócio da Academia Real das Ciências, da Sociedade de Zoologia de Londres. 
Era primo em segundo grau do popular poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage.

Avenida da República, 50 |1970|
Antiga de Ressano Garcia, antes Avenida das Picoas
Palacete já demolido que tornejava para a Avenida Barbosa du Bocage
Nuno Barros Roque da Silveira, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): Infelizmente a imagem é de baixa qualidade/resolução, graças ao paupérrimo trabalho de digitalização efectuado pelo Arquivo Municipal de Lisboa (AML).

Friday, 15 January 2016

Palácio Távora-Galveias

À esquina da Rua do Arco do Cego — diz Norberto de Araújo — levanta-se um interessantíssimo espécime seiscentista de arquitectura civil portuguesa: o Palácio Galveias. Estão nele instalados o Arquivo, Biblioteca e Museu Municipais.
Delicia-te, Dilecto, na contemplação do portal nobre, até há oito anos armoriado dos Melo e Castros, cujo brasão foi substituído em 1930 pelo das armas da Cidade.

Palácio Távora-Galveias |c. 1915|
Campo Pequeno
José Artur Bárcia, in Lisboa de Antigamente
 
O Palácio Galveias, que possuía uma vasta quinta anexa, desaparecida na urbanização dos últimos trinta anos, pertencia no século XVII aos Távoras. O Palácio com seu logradoiro, foi confiscado em 1759, e passou a novo dono, e no princípio do século passado (1801) ia à praça por dívidas à Fazenda; adquiriu-o D. João de Almeida de Melo e Castro, mais tarde 5.° Conde das Galveias, do qual transitou em 1814 para seu irmão D. Francisco, 6.º Conde, continuando na posse dos Galveias, até que uma sobrinha que o herdou, já no final do século passado, o vendeu ao capitalista Braz Simões.

Palácio Távora-Galveias |1928|
Campo Pequeno
Fotógrafo não identificado,in Lisboa de Antigamente

O Palácio caiu então em abandono de nobreza, e tornou-se, como tantos palácios no coração de Lisboa, um albergue de desvalidos. Não passava de um pardieiro, quando em Março de 1927 se começou a pensar na sua expropriação, com vistas aos seus terrenos da formosa e, então, abandonada quinta, chãos indispensáveis pana o remate oriental das Avenidas Barbosa du Bocage e Elias Garcia, o edifício seria destinado a tribunais e conservatórias. 

Palácio Távora-Galveias, portal principal |c. 1940|
O portal, de feição heráldica, detém uma traça maneirista, sendo ladeado por duas colunas sobre plintos com anéis envolventes. No entablamento, evidencia-se um friso dórico, dispondo ao centro o escudo heráldico de Lisboa (1930), que substituiu o brasão da família Melo e Castro. O remate das colunas relevado, dispõe de cada lado uma pequena peça de artilharia de pedra, presumivelmente evocativas da participação dos Távoras nas guerras da Restauração
António Castelo Branco. iin Lisboa de Antigamente


Em Janeiro de 1928 a Câmara acordou negociações com os proprietários deste resíduo rústico-urbano seiscentista, e que eram os sócios da firma Simões & Simões (Braz Simões, o homem que fundou o Bairro do seu nome a nascente de Almirante Reis).  Em 1929 estava assente que o Palácio, que muitas e quási radicais obras teria de sofrer, seria sede de Arquivo, Biblioteca e Museu. Foi o vogal da Comissão Administrativa da Câmara Municipal, comandante Quirino da Fonseca, o animador e realizador da ideia. E restaurou-se o Palácio, beneficiando de pintura e decorações, mais ou menos felizes; o jardim, trecho do antigo, foi organizado em parque-museu.==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI,V, pp. 69-70, 1939)

Palácio Távora-Galveias, jardim |c. 1939|
Jardim virado à Rua do Arco do Cego e Avenida Barbosa Du Bocage

Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

N.B. Em 5 de Julho de 1931, pelas 18.00 horas, era inaugurada no Campo Pequeno (antigo Largo Dr. Afonso Pena) a nova Biblioteca Central, numa cerimónia solene, com a presença do Presidente da República, Óscar Carmona, ministros, e outros altos dignitários. Juntamente com a Biblioteca, era inaugurado no mesmo espaço o Museu Municipal, com secções numismática e oriental.

Sunday, 3 March 2019

Travessa de André Valente: Casa onde morreu o poeta Bocage

Deixemos à direita a Rua do Século, antiga e ressonante Rua Formosa — diz Norberto de Araújo — à qual voltaremos no cabo deste capitulo de jornada, e paremos um minuto só na esquina da Travessa de André Valente


Foi este André Valente, que o dístico em azulejo policromo da travessa, no vértice do seu cotovelo, dá como jurisconsulto do século XVI, um doutor em leis formado em Coimbra, vereador da Cámara de Lisboa, e Desembargador da Casa da Suplicaçâo, e, além do mais, muito rico, que viveu na metade de quinhentos e deixou o mundo por volta de 1627.
Este grande prédio, que em 1936 recebeu bemfeitorias interiores e exteriores, foi seu palácio e dêle deriva o nome da Travessa. [...]
 No recanto que faz a travessa [ao fundo na 1.ª foto] , há um pátio alindado à maneira joanina, com um prédio da mesma reconstrução, e que é desde 1923 propriedade do Dr. José da Arruela (marido da Sr* D. Ana Arnoso), por compra aos Condes da Figueira, o que nos leva a crer que nem toda a Casa deste sítio de D. Maria José de Melo se desmembrou da Casa Figueira. (Ainda hoje lhe chamam o «Pátio Figueira»).

Travessa de André Valente [c. 1940]
Perspectiva tomada da Rua de O Século
Casa onde morreu o poeta Bocage e, ao fundo, o «Pátio Figueira»
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Repara nesta portazinha [canto inferior direito], ainda de feitio primitivo sob a traça do século passado, do prédio n.° 25: foi nele que morreu o poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage, em 1805, facto que a lápide sobre a verga da porta comemora.
Quantas vezes a figura esguia e volteira de Manuel Maria por aqui teria passado? E quantas agruras, nos últimos anos da sua vida, ali consumiu o poeta, pobre, desiludido, estafado de amores, sem paz, naquele primeiro andar onde agora espreita o vulto de uma «vizinha»l
Pois morreu aqui; foi sepultado num cemitério pequenino, cujo sítio havemos de ver na «Peregrinação seguinte, ali na esquina da Rua dos Caetanos e Travessa das Mercês.

Travessa de André Valente, 25 [1905]
Descerramento da lápide comemorativa (à esq.) do falecimento do poeta Bocage
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente    

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, pp. 29-31, 1938.

Thursday, 20 October 2016

Local do antigo Cemitério das Mercês

Aqui temos à esquina da Travessa das Mercês o prédio, alindado há meia dúzia de meses [1939], feitio prático de oficina e de estabelecimento industrial, e que constitue a Fábrica União, de espelhos e vidros pulidos. Dispõe de três fachadas: Luz Soriano, Travessa das Mercês, Rua dos Caetanos.
Pois é precisamente a área ocupada pelo antigo Cemitério das Mercês. «Vê-te neste espelho» — dizem os mortos aos vivos. E aí temos uma fábrica de espelhos no sítio do antigo Cemitério. Mas não tão recuado que não existissem dêle vestígios ainda há quarenta anos — ante ontem... 

Travessa Mercês com a Rua dos Caetanos [1932]
Fábrica União, local do antigo Cemitério das Mercês

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Como particularidade — e só por isso o evoco — digo-te que aqui foi enterrado Manuel Maria Barbosa du Bocage, que morreu a dois passos na Travessa André Valente a 21 de Dezembro de 1805. Foi seu companheiro, vizinho de tumba, o que fôra também um pouco seu par na vida: Nicolau Tolentino.
(...) Os vestígios do cemitério — que findara sua missão em 1834 — desapareceram então de todo, e as ossadas - eram sessenta e nove as lousas, sendo a do Poeta a n.° 36 - levaram-nas para a vala comum do Alto de S. João ou dos Prazeres.

Travessa Mercês com a Rua Luz Soriano [1932]
Fábrica União, local do antigo Cemitério das Mercês

Fotógrafo não identificado, iin Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VI, pp. 43-44, 1938.

Sunday, 24 May 2020

Avenida da República com a Avenida de Berna

A Avenida de Berna é um símbolo da implantação da República em Portugal em 1910. Este arruamento das Avenidas Novas começou por ser a Rua Martinho Guimarães, dada pelo Edital municipal de 20/08/1897. Contudo, treze anos depois, com a implantação da República em Portugal, o primeiro Edital municipal após o 5 de Outubro de 1910, com data de 5 de Novembro de 1910, passou a denominar esta artéria como Rua de Berne.

Avenida da República |c. 1960|
Cruzamento com o eixo Avenida de Berna — Campo Pequeno; o edifício de gaveto, assim como, os prédios contíguos, até à Av. Barbosa Du Bocage — foram demolidos nas décadas de 1960-70.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Friday, 1 January 2021

Avenida da República, 85, no cruzamento com a Avenida Júlio Dinis, 2

Infelizmente, pouco ou quase nada nos foi possível apurar sobre este curioso palacete, excepto que terá sido demolido por volta 1965/66.

Palacete na Avenida da República, 85, no cruzamento com a Avenida Júlio Dinis, 2 [1965]
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

O topónimo Rua Júlio Dinis, atribuído por deliberação camarária de 04/02/1909, passou a Avenida Júlio Dinis por edital de 08/06/1925 e após deliberação camarária de 02/06/1925. O mesmo edital estipulou que as ruas António Serpa, Barbosa du Bocage, Elias Garcia, João Crisóstomo e Visconde de Valmor passassem a ser também identificadas como avenidas.
“Júlio Dinis", pseudónimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho (1839-1871), nasceu no Porto e foi entre esta cidade, Ovar e o Douro que passou grande parte da sua vida. Tirou o curso de medicina na Escola Médica do Porto, aliando a profissão de médico à de escritor. Os seus primeiros textos foram publicados em A Grinalda e em O Jornal do Comércio.  [cm-lisboa.pt]
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