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Sunday, 28 August 2022

Praça do Príncipe Real: a Patriarcal e a Praça do Rio de Janeiro

Estamos numa das praças mais lindas, e mais «alfacinhas» de Lisboa  — a Praça do Rio de Janeiro [e de novo, desde 1948, do Príncipe Real]. Deves ter no ouvido algumas das designações deste largo terreiro  e eu, — diz Norberto de Araújo —  sempre por curiosidade, tas relembro pela ordem das idades: «Chãos da Ferrôa» no século XVI, a mais antiga que se lhe conhece; «Alto da Cotovia», denominação que perdurou mesmo através de outros dísticos posteriores, municipais e populares; sítio das «Casas do Conde de Tarouca», cerca de 1755; «Patriarcal Queimada», depois de 1769; sítio das «Obras do Erário Novo», em 1810-1815; «Praça do Príncipe Real», em 1855; «Praça do Rio de Janeiro» depois de 1911.

Em boa verdade esta Praça é das mais modernas da capital, no seu aspecto urbano e paisagista; data assim de 1879. A sua regularidade é contudo notável, e respira um ar sadio, gozando desafogo, uma relativa tranquilidade, e oferecendo curiosos aspectos: pousio de «reformados» à sombra do velho cedro copado, com sessenta anos idade, brinco de crianças, jardim «de estar» dos nostálgicos e desocupados inocentes.
Pois, Dilecto, sentemo-nos também à sombra do cedro, ouvindo cantar o repuxo do lago, que mal se distingue no murmúrio afogado do conjunto entre o espesso arvoredo que tem resistido às devastações do tempo.

Praça do Príncipe Real |1940|
Antiga Praça do Rio de Janeiro
A praça foi traçada em 1853 e o jardim, plantado em 1869, projecto do jardineiro João Francisco da Silva. Em termos urbanísticos é um exemplo do Romantismo das últimas décadas do século XIX.
«O Príncipe Real é um largo deliciosamente arborizado. Do seu harmonioso conjunto, destacam-se o majestoso cedro, considerado de interesse público, a deliciosa araucária e os formosos ulmeiros, também como tal distinguidos e as decorativas palmeiras. A «araucária columnaris» (araucária colunar — Nova Caledónia), de aspecto altaneiro e delgado, forma com o corpulento «cupressus», uma estranha parelha, que aos espirituosos frequentadores do recinto não passou despercebida, e por isso atribuem esse local de recreio o dito popular de Jardim do Bucha e do Estica». [Lisboa em quatro horas e Lisboa em quatro dias, 1895]
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Um pouco antes de 1755, neste alto cômoro da Cotovia, sobranceiro sobre a ponta do Salitre e portas de Valverde — mais largo para norte do que é hoje [em 1938], depois de urbanizado — existia apenas o Palácio dos Penalvas, à esquina das actuais Escadinhas da Mãe d'Água, e ao fundo do curto Arco do Evaristo. No centro da actual Praça andava o Conde de Tarouca construindo um Palácio, e ao local, por isso, chamava o povo «Casas do Conde de Tarouca», e o povo crisma a seu bel-prazer os sítios e as coisas, de modo que as denominações acabam por entrar na linguagem oficial e, quando as Câmaras as alteram ou corrompem, levam lustros, levam até séculos a apagar-se.
O Terramoto abalou inteiramente o edifício Tarouca soerguido, resignando-se o fidalgo no infortúnio, e compondo versos sobre os destroços.
Como a Patriarcal, que estava assente na Capela Real do Paço da Ribeira, tivesse ardido no dia do horroroso cataclismo, deliberou-se, após hesitações, transferir a Basílica para os restos, de pé, do palácio Tarouca, na «Cotovia»; a bênção foi dada em 26 de Junho de 1756, e logo nesse ano se realizou uma procissão, depois repetida, que deu o nome à Rua da «Procissão» (desde há poucos anos denominada de «Cecílio de Sousa»). 

Praça do Príncipe Real |c. 1869|
Lago octogonal com repuxo; ao fundo notam-se as torres e zimbório da Basílica da Estrela. 
Ао repuxo dedicou Júlio de Castilho um hino de ternura, mais próprio de poeta, como o Mestre se mostrava muitas vezes: «Quando ele arroja, metros ao alto, as suas pérolas fluídas, decompondo a luz, sussurrando frescura, e espadanando-se todo vaidoso no azul da atmosfera, está, muito de industria, repassando as águas nos gazes aéreos que as vivificam e as tornam potáveis; pensa em nós; prepara para nós a melhor das bebidas; colabora na higiene da Cidade. Aquele tanque é um sábio: reconhece as leis da física; sabe que os líquidos, vindo de longe, impregnando-se do calcário dos canos, e morando lá em baixo às escuras, se tornam pesados; quer aligeirá-los , banhá-los de sol e de oxigénio. Aquele tanque é um poeta utilitário: mistura habilmente o Belo e o Bom. Olhemos pois com gratidão para esse pequenino Oceano de puríssimas linfas, que abastecem as cozinhas, e amanhã brilharão aos poucos nas nossas taças de cristal. [Lisboa Antiga: 1904]
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

E a Igreja [armada em madeira] foi-se construindo, no edifício adaptado; era imponente: três naves, largo cruzeiro, quinze capelas, um zimbório oitavado, e anexos esplêndidos. Treze anos perdurou: a Patriarcal foi devastada por um terrível incêndio em 10 de Maio de 1769, obra criminosa de um empregado da Igreja, que pelo fogo queria ocultar seus sacrílegos roubos; foi justiçado, depois de lhe cortarem as mãos no próprio local onde os escombros fumegavam ainda. E aí está a origem da designação de «Patriarcal Queimada».[...]
As ruínas e montes de pedregulho ficaram por aqui durante dezenas de anos, ninho de valhacoutos. Em 1807 pensou-se em levantar no sítio o novo Erário Régio, a casa do Tesouro (pois ardera o do Rossio) mas o projecto, que era do Visconde de Vila Nova da Cerveira, não teve seguimento, embora se chegasse a começar a obra, e nela se gastassem alguns milhões de cruzados.
Em 1841 ainda o sítio continuava a ser vazadouro público e albergue de patifes. Só em 1856 se começou a terraplanar o local, que pouco depois recebeu iluminação. Já chamada «Praça do Príncipe Real», em 1859, começou então a estudar-se o seu aformoseamento, com a construção dum lago, por acordo entre a Câmara e a Companhia das Águas; os restos da «Patriarcal Queimada» foram então destruídos a tiros de pólvora.

Praça do Príncipe Real |1945|
Antiga Praça do Rio de Janeiro
 Localizado no subsolo da Praça, existe o Reservatório da Patriarcalprojectado em 1856 pelo eng. francês Mary. Construído entre 1860 e 1864 para servir a rede de distribuição de água da zona baixa da cidade. 
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Praça do Príncipe Real |1945|
Antiga Praça do Rio de Janeiro
 No centro da praça está o monumento-memória a França Borges, o jornalista fundador de «O Mundo», foi erigido em 1924; é obra de Maximiano Alves; à dir. observa-se destaca-se o Cedro-do-Buçaço, árvore secular com mais de 20 metros de diâmetro.
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

Em 1864 regularizou-se a disposição da Praça, tornando-a quadrada, e alinhando algumas edificações que entretanto se tinham erguido, o que tudo se concluiu em 1863. Construiu-se então a muralha sobre a Rua da Procissão e plantou-se este magnífico jardim, que estamos contemplando.
O «Príncipe Real» começou a existir, pequeno parque e logradoiro, com a sua ingenuidade, o seu repuxo e a sua «memória esquecida» de anteriores desgraças. E assim até hoje…==

Muralha da Praça do Príncipe Real sobre a Rua Cecílio de Sousa, antiga da Procissão |1960|
Terraço, com varanda, assente sobre muralha, que se ergueu em substituição da velha ribanceira, que por longos tempos existiu. Esta obra faz parte do arranjo geral da praça, foi concluída em 1864 e custou 3.208$400 réis. Numa lápida elucidativa, lê-se: «A Câmara Municipal mandou construir no ano de 1863». Por dois caminhos laterais, conduz à Rua da Procissão, que começou por chamar-se do Corpo de Deus e Cotovia ou simplesmente do Corpo de Deus. É hoje Cecílio de Sousa (desde 1926) a rua onde morou em 1869 o paciente bibliófilo Inocêncio Francisco da Silva, e se chamou desde 1756, ano em que, da nova Basílica Patriarcal, já implantada nas «Casas do Conde de Tarouca», saiu o grande cortejo religioso comemorativo do solene dia do Corpo de Deus.
Armando Serôdio,, in Lisboa de Antigamente

N.B. A Praça tem este nome em homenagem ao filho primogénito da Rainha D. Maria II, o futuro rei D. Pedro V — nasceu no Palácio das Necessidades, a 16 de Setembro de 1837, recebendo o nome de Pedro de Alcântara Maria Fernando Miguel Rafael Gonzaga Xavier João António Leopoldo Vítor Francisco de Assis Júlio Amélio; morrendo no mesmo local, a 11 de Novembro de 1861.
___________________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, pp. 65-68, 1938.

Sunday, 5 August 2018

O jardim que foi da Patriarcal

[...] balançada pelo trote largo [Luísa] viu passar, calada, as casas apagadas da Rua de S. Roque [actual da Misericórdia], as árvores de S. Pedro de Alcântara, as fachadas estreitas do Moinho de Vento [Rua D. Pedro V], os jardins adormecidos da Patriarcal [Pç. do Principie Real].

Eça de Queiroz, O Primo Basílio, 1878-


O nome de Patriarcal Queimada deveu-se ao facto de um incêndio ter destruído a Patriarcal em 10 de Maio de 1769 e foi legalizado pelo edital da Câmara Municipal emitido em 8 de Junho de 1889.
O largo, ou terreiro, onde se encontrava a Basílica Patriarcal possuiu, segundo Norberto de Araújo, vários nomes como: Chãos de Ferroa, no século XVI; Alto da Cotovia; Sítio das Casas do Conde de Tarouca, cerca de 1755; Patriarcal Queimada, depois de 1769; Sítio das Obras do Erário Novo, em 1810-1815; Praça do Príncipe Real, em 1855; Praça do Rio de Janeiro depois de 1911; Praça do Príncipe Real actualmente.

Praça Príncipe Real [1927]
Antiga do Rio de Janeiro e antes da Patriarcal
Jardim do Príncipe Real/Jardim França Borges o jornalista fundador de «O Mundo»
 Entre as espécies que compõem o jardim destaca-se o Cedro-do-Buçaço, árvore secular com mais de 20 metros de diâmetro
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A praça foi traçada em 1853 e nos anos 60 começou o seu alindamento definitivo: primeiro uns bancos em 1861 e, finalmente, em 1869, por iniciativa do vereador Luís de Almeida e Albuquerque, com a plantação de “estilo inglês", obra do jardineiro João Francisco da Silva, estava criado o Jardim do Príncipe Real. Jardim onde o cedro de abas largas contrastando com a esguia araucária colunar [vd. 2ª imagem] mereceu do povo o nome carinhoso de “jardim do bucha e estica".

Praça Príncipe Real[s.d.]
Antiga do Rio de Janeiro e, antes, da Patriarcal
Jardim do Príncipe Real/Jardim França Borges
À esquerda pode observar-se a Araucária columnarisPalacte Ribeiro da Cunha
Postal colorido não circulado

Bibliografia
CASTRO, Zília Osório de, Lisboa 1821: a cidade e os políticos, 1996.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, 1938.

Friday, 12 April 2024

Praça do Príncipe Real: a Patriarcal e a Praça do Rio de Janeiro

Foi sítio das «Obras do Conde de Tarouca», das «Casas do Conde de Tarouca» e das «Terras do Conde de Tarouca» (anteriormente a 1755); «Patriarcal Queimada» e «Largo das Pedras» (depois de 1769); «Obras do Erário Novo» (em 1810), «Erário Régio» (em 1813), «Covas da Patriarcal» e «Pedras da Patriarcal» (à roda de 1820); «Caboucos do Erário» (entre 1825 e 1849), «Praça do Príncipe Real» (em 1855, embora o edital camarário se publicasse em 1 de Setembro de 1859) e «Praça do Rio de Janeiro» (em 1910, edital de 5 de Novembro).

Praça do Príncipe Real: a Patriarcal e a Praça do Rio de Janeiro |entre 1908 e 1914|
Junto à Cç. da Patriarcal; ao fundo vê-se a embocadura da Rua da Escola Politécnica.
Destaque para o empedrado artístico no passeio em frente ao n.º 27. moradia (rés-do-chão e 2 andares), da riquíssima família Sommer. O seu primeiro proprietário foi José Ribeiro da Cunha, que aí viveu enquanto não lhe aprontaram o «prédio dos torreões».
Charles Chusseau-Flaviens, in Lisboa de Antigamente

As «Manas Perliquitetes», duas curiosíssimas figuras da Lisboa pacata século XIX, que moravam à Escola Politécnica, também deambularam pelo jardim e procuravam este lugar romântico, a cismar com o Amor, à espera dos seus cavaleiros andantes, que nunca se prostraram a seus pés. Mestre Matos Sequeira ainda conheceu estas celebridades de pitoresca excentricidade e a seu modo escreveu uma curiosa crónica, em que expande, com o maior interesse, a vida caricata das inofensivas manas, Carolina Amália e Josefina Adelaide Brandi Guido, descendentes de duas famílias de duas famílias de origem italiana, e que não puderam furtar-se ao lápis humorístico de Bordalo Pinheiro e à graça satírica das «revistas» da época. [Costa, Mário, 1959]

Wednesday, 31 January 2018

Quiosque da Praça do Príncipe Real

Os quiosques que embelezam Lisboa a partir da segunda metade do século XIX tiveram a sua época áurea por volta de 1900. No Rossio, no Cais do Sodré, no Largo da Misericórdia, Príncipe Real, Alcântara, por esta Lisboa encontrávamos sempre um quiosque para nos vender uma caixa de fósforos ou tomar um jeropiga. 


Situavam-se em locais escolhidos, mais ou menos com a mesma fábrica arquitectónica. Tivera a iniciativa de implantar os ‹‹Kioscos››, nome com que foi requerida à Câmara Municipal, nesses tempos recuados de 1867, D. Tomás de Mello, espírito generoso, de ideias avançadas, boémio e literário, homem de teatro e até comerciante, justificando a sua proposta com o embelezamento das praças e ruas da cidade, ao mesmo tempo que seriam pequenos estabelecimentos de franca utilidade pública, como aliás já existiam nas grandes cidades da estranja! Foi aprovado o projecto dos ‹‹Kioscos››, designação depois aportuguesada, uma vez que se tornaria mais fácil para o vulgo, retirando-lhe, portanto, a sua origem oriental, lojas para a venda de tabaco e fósforos, água fresca e capilés, café e bagaço, jornais e revistas, determinando a Câmara que se estudasse o modelo e os locais onde deveriam fixar-se. 

Quiosque da Praça do Príncipe Real, nascente  [1908]
Antiga Praça do Rio de Janeiro, topónimo de 1859
Joshua Benoliel, iin Lisboa de Antigamente

As causas reais que levaram à demolição de muitos dos Quiosques que existiram em Lisboa são praticamente desconhecidas. Ou porque o seu estado de degradação a isso obrigasse sem que, no entanto, "merecessem" restauração, ou porque a modificação do traçado das ruas e avenidas e os melhoramentos dos passeios o tornasse imprescindível, o certo é que eles lá foram desaparecendo. E foram 45. O Quiosque da Praça do Príncipe Real, canto nascente, apresentava as seguintes características:

Estrutura
Base de madeira. Secção octogonal. Balcão de pedra suportado por pernas trabalhadas em madeira. Corpo alto com janelas a toda a volta. Cúpula metálica em forma de pirâmide com oito gomos, suportada por mísulas em madeira.

Particularidades
Particular. Muito frequentado. Apresentava uma taça em pedra para os utentes deitarem os restos das bebidas.

N.B.  Este quiosque (nascente) já aparece referenciado no Levantamento topográfico de Francisco Goullard em 1890 (vd. planta). No mesmo local foi levantado um outro que pode ser visto aqui.

Planta referente à praça do Príncipe Real [1890]
Inclui o estado da antiga Praça do Rio de Janeiro, em Novembro de 1890, e o quiosque em apreço assinalado a vermelho. 
Levantamento de Francisco Goullard, iin Lisboa de Antigamente

Bibliografia
DINIS, Calderon, Tipos e Factos da Lisboa do meu tempo, 1986.
CAEIRO, Baltasar de Matos, Quiosques de Lisboa, 1951.

Friday, 16 October 2015

Quiosque da Praça do Príncipe Real (Nascente)

No Jardim do Príncipe Real, ainda encontramos dois belos exemplares deste tipo de Quiosques de Jardim, bem diferentes dos demais, mas igualmente esquecidos. E se porventura a sua serventia não tem sido a usual da dos outros Quiosques de rua, com o pequeno comércio, antes servindo para a venda de flores, arrecadação e urinol, o certo é que a sua estrutura é a de verdadeiros Quiosques de jardim e dos únicos que Lisboa ainda possui. [Pode ver aqui o quiosque que o antecedeu]

Quiosque da Praça do Príncipe Real [1959]
Antiga Praça do Rio de Janeiro
Fernando de Jesus Matias, in Lisboa de Antigamente

Estrutura
Base de alvenaria, com revestimento lateral de mármore. Secção octogonal. Corpo alto com janelas corridas. Cúpula em pirâmide octogonal baixa. Toldo de lona todo à volta.

Particularidades
Particular. Muito frequentado.
((in Os quiosques de Lisboa, Baltazar Mexia de Matos Caeiro, 1987)

Quiosque da Praça do Príncipe Real [1969]
Antiga Praça do Rio de Janeiro
João Hermes Cordeiro Goulart, in Lisboa de Antigamente


Wednesday, 23 December 2015

Praça João do Rio

Este topónimo surgiu na sequência de uma sugestão de 1945 do Vereador Luís Teixeira no sentido de que fosse colocado na esquina de uma das novas artérias da cidade um medalhão consagrando João do Rio.
De seu nome Paulo Barreto (1881-1921) adoptou o pseudónimo de João do Rio.
Cronista, teatrólogo e contista. Notabilizou-se como o primeiro homem de imprensa brasileira que teve o senso de reportagem de crónica social modernas. Sua estreia no jornalismo se deu no jornal Cidade do Rio (1899). 
 
Praça João do Rio \c. 1953|
Avenida Almirante Reis
António Passaporte, 
in Lisboa de Antigamente
Biblioteca municipal ao ar livre, no jardim da Praça João do Rio |194-|
Avenida Almirante Reis
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Fundou o Rio Jornal, A Pátria (1926) e a revista Atlântica (1915), esta última com o escritor português João de Barros. Colaborou também em outros periódicos do Rio de Janeiro, São Paulo e Portugal. Foi fundador e primeiro director da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (1917).

Praça João do Rio, lago|c. 1978|
Avenida Almirante Reis
Gonçalves, 
in Lisboa de Antigamente

Friday, 16 October 2015

Biblioteca Municipal ao ar livre, Jardim França Borges

 

 «Se temos uma biblioteca e um jardim temos tudo»
- Cícero

O Jardim França Borges (1871-1915), assim designado em homenagem ao jornalista republicano do mesmo nome, é também conhecido por Jardim do Príncipe Real.
Inspirado no modelo romântico inglês, é de destacar o monumental e secular «cedro-do-Buçaco» (cipreste-português), ex-libris do jardim com mais de 20 metros, e os palacetes envolventes, testemunhos da Lisboa romântica do séc. XIX.

 Biblioteca Municipal ao ar livre, Praça do Príncipe Real [1949]
Antiga Praça do Rio de Janeiro
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

A meio do jardim um vasto tanque, que alia à sua função decorativa um papel utilitário, pois serve de arejadouro às águas do reservatório que existe no subsolo da praça. No extremo E. está em construção um monumento a França Borges, fundador do jornal O Mundo.

Biblioteca Municipal ao ar livre, Praça do Príncipe Real [1961]
Antiga Praça do Rio de Janeiro
Armando Serôdio,
in Lisboa de Antigamente

Sunday, 12 July 2026

Rua Cidade de Manchester

Há em Lisboa o bairro dos Açores, o das Colónias [vd. ultimq imagem dir.], e, passeando dentro da cidade por longes terras da estranja, o de Inglaterra com as ruas de Manchester, Liverpool, Cardiff, etc., recantos da Suíça, na Avenida de Berna, evocações da América na Praça do Chile, na Rua de Buenos Aires, na Praça do Brasil [actual Largo do Rato] e na do Rio de Janeiro [actual Principe Real]. [Ocidente: 1939]


O topónimo Cidade de Manchester foi atribuído juntamente com os topónimos Cidade de Liverpool, Cidade de Cardiff, Poeta Milton e Newton, por edital de 29 de Agosto de 1916. Na sessão de 17 do mesmo mês, a câmara havia inicialmente homenageado Lord Byron, substituído no edital por Isaac Newton. Este conjunto de arruamentos ficou conhecido como Bairro de Inglaterra. Eram arruamentos particulares que formavam o Bairro de Braz Simões, denominado em homenagem ao seu proprietário, José Braz Simões de Sousa, um grande comerciante de Lisboa, que o entregou à C.M.L. por escritura em 13 de Outubro de 1913.

Rua Cidade de Manchester |1966-03|
Antiga Rua Isabel Leal do Bairro de Inglaterra ou de Braz Simões. 
O Bairro de Inglaterra foi construído depois do Bairro Andrade e antes do Bairro das Colónias, e abrange as abrange as encostas da Penha.
Escadinhas na esquina com a Rua Cidade de Cardiff, observando-se em cima a Rua da Penha de França.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Curiosamente, à semelhança do que aconteceu no Bairro Andrade, Braz Simões deu aos arruamentos nomes de familiares ou amigos. Assim, a Rua Cidade de Manchester chamava-se anteriormente Rua Isabel Leal, a Rua Cidade de Liverpool era a Rua José de Sousa, a Rua Cidade de Cardiff [vd. 1ª imagem] correspondia à Rua Maria Gouveia, a Rua Lord Byron (mais tarde Rua Newton) era a Rua Aurora e, por fim, a Rua Poeta Milton era a Rua Margarida.
[1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Rua Cidade de Manchester, 9 |1964|
Notam-se as Ruas Ilha do Príncipe e Poeta Mílton dir.
Augusto Fernandes, in Lisboa de Antigamente
Rua Cidade de Manchester [c. 1945]
Vista tomada da R. da Ilha do Príncipe
Fernando M. Pozal, in Lisboa de Antigamente

Friday, 13 September 2024

Avenida Álvares Cabral

Pelo edital de 18/11/1910 «a Avenida que deve ligar o Largo da Estrella com o antigo Largo do Rato, hoje Praça do Brazil» passa a denominar-se de Avenida Álvares Cabral.

No 1º Edital após a implantação da República, datado de 5 de Novembro de 1910, foram atribuídos ao Largo do Rato o topónimo Praça do Brasil e, à Praça do Príncipe Real, o de Praça do Rio de Janeiro. O primeiro foi em "homenagem ao grande País nosso amigo e irmão e à passagem do seu chefe de Estado por esta capital"

Avenida Álvares Cabral (SN) |1944|
Antiga Pedro Álvares Cabral
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Na realidade, a circunstância do Presidente Hermes da Fonseca ter estado em Lisboa nos dias 4 e 5 de Outubro, conferia ao Brasil a condição de ser o primeiro país a reconhecer o novo regime. Percebe-se assim que o 2º Edital datado de 18/11/1910 denomine a artéria que desemboca na então Praça do Brasil com o nome do navegador português que primeiro chegou às Terras de Vera Cruz: Pedro Álvares Cabral. [1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, liv. 2]

Avenida Álvares Cabral (N→S) |c. 194.|
Antiga Pedro Álvares Cabral; Rua de S. Bento
C. Salgado, in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 20 January 2016

Avenida Almirante Gago Coutinho

Esta artéria quando da sua construção foi designada por prolongamento da Avenida Almirante Reis (Edital de 17/02/1947). Depois, como consta na informação municipal datada de 23/07/1956, passou a ser conhecida como Avenida do Aeroporto.
O Aero-Club de Portugal sugeriu em 23/07/1956 a atribuição do nome «Avenida Gago Coutinho - Sacadura Cabral» à Avenida do Aeroporto, mas a Comissão Municipal de Toponímia discordou porque « deverá seguir-se a orientação até agora adoptada de só se consagrarem na toponímia da cidade nomes de individualidades que tenham falecido há alguns anos, lembrando, entretanto, que o nome de Sacadura já se encontra atribuído a uma avenida da capital». 

Avenida do Aeroporto |c. 1940|
Actual Avenida Almirante Gago Coutinho
Kurt Pinto, in Lisboa de Antigamente

Gago Coutinho faleceu em 18 de Fevereiro de 1959 e no dia seguinte o Vereador Dr. Baêta Henriques interveio na reunião de Câmara, no sentido de se dar o nome de Gago Coutinho à Avenida do Aeroporto. A Comissão foi de parecer de que « o nome de Gago Coutinho seja atribuído a uma praça ou avenida de maior projecção do que a Avenida do Aeroporto e, possivelmente, junto ao Tejo, na freguesia da Ajuda ou Alcântara, onde aquele ilustre homem de ciência nasceu e viveu a maior parte da sua vida e partiu para a grande viagem que lhe deu renome Universal.» Mais tarde, na sua reunião de 23-06-1959 a Comissão de Toponímia acrescentou que «no entanto deixa ao superior critério do Excelentíssimo Presidente da Câmara a resolução do assunto.”»

Avenida do Aeroporto |1944|
Actual  Avenida Almirante Gago Coutinho
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Assim, desde 2 de Janeiro de 1960, esta via pública que detêm a legenda «Sábio e Herói da Navegação Aérea», homenageia Carlos Alberto Viegas Gago Coutinho (1869-1959), alfacinha que viveu na Rua da Esperança e foi um almirante pioneiro da aviação. 

Avenida Almirante Gago Coutinho |post. 1966|
Estúdio Horácio Novais. in Lisboa de Antigamente

A partir de 1917 tentou adaptar à aeronavegação os processos e instrumentos da navegação marítima, tendo criado em 1919, o famoso sextante que ostenta o seu nome. Publicou «A Náutica dos Descobrimentos» e com Sacadura Cabral realizou, de 30 de Março a 17 de Junho de 1922, a 1ª travessia aérea do Atlântico Sul, entre Lisboa e o Rio de Janeiro.
Por edital de 09/12/1989, o troço desta Avenida compreendido entre a Praça do Aeroporto (vulgo Rotunda do Relógio) e o Edifício do Aeroporto de Lisboa, passou a denominar-se Alameda das Comunidades Portuguesas.[cm-lisboa.pt]

Friday, 11 December 2015

Praça de Londres, antes e depois do ajardinamento (actualizado)

Esta Praça, situada entre as Avenidas do México e de Roma — confluência da Avenida Manuel da Maia, Avenida de Roma, Avenida Guerra Junqueiro e a Avenida de Paris — era, até 1948, vulgarmente conhecida por Praça do México.

Praça de Londres [c. 1952] 
 Antes do ajardinamento
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

Refira-se que na mesma freguesia foram atribuídos, por edital da CML de 1948, mais nomes de cidades europeias ou brasileiras e de personalidades estrangeiras, procurando a edilidade lisboeta da década de quarenta vincar na cidade um certo cosmopolitismo.

Praça de Londres [c. 1953] 
 Depois do ajardinamento
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

 Assim, as escolhas foram a Avenida de Madrid, a Avenida de Paris, a Avenida Rio de Janeiro, bem como para homenagens a escritores — a Rua Cervantes, a Rua Vítor Hugo, a Praça Afrânio Peixoto, a Praça João do Rio — e a cientistas — a Praça Pasteur, a Rua Edison, a Avenida Marconi para além da Avenida João XXI (o único Papa português).  [Machado: 1998]

Praça de Londres [c. 1960] 
Edifício na Avenida de Roma, 2-2E, esquina com a Praça de Londres, 3-3E 
Amadeu Ferrari, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 14 February 2016

Avenida 24 de Julho: Mercado de peixe e hortaliças da Ribeira Nova

Junto ao Cais da Ribeira, onde desembarcava o pescado, existia, desde 1846, um mercado de peixe que, como refere Norberto de Araújo, passou, anos mais tarde, a 1 de Janeiro de 1882, para «local coberto [... ], ocupando os pavimentos ao nível da rua». O Mercado da Ribeira Nova — explica o mesmo autor — «há vinte anos era [c. 1918], quase exclusivamente, de peixe, e o das hortaliças e frutas arrumou-se até 1927 nuns barracões, entre a linha do caminho-de-ferro, à qual se encostava por lado de terra, e a Avenida 24 de Julho. Esse Mercado de frutas e verdes junto à linha férrea fora originado por uma greve de hortaliceiras na Praça da Figueira; as rebeldes foram - se instalar no Cais de Santarém cnde estiveram dois anos, até que, despejadas dali, se instalaram [1905] no sítio — hoje ajardinado onde fizeram o seu negócio... até 1927. Entretanto juntaram-se-lhe as hortaliceiras da Ribeira Nova. [Araújo, vol. XIII, 1939].

Mercado de peixe na praça da Ribeira Nova, 1771-1882, reprodução de gravura
 
Se do rio e do mar chegavam os principais produtos aqui vendidos, a posterior diversificação dos produtos — hortaliças e fruta, carnes e criações, e as flores — fizeram do mercado da Ribeira Nova, como dizia Norberto de Araújo, «o mais digno e pitoresco, em cor e movimento, de Lisboa do cabaz das compras».

Mercado da Ribeira Nova, o peixe antes da licitação [1906]
  Avenida 24 de Julho
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Um dia, ainda no tempo em que «não havia sombra de Aterro», uma «regatôa moça» a quem Bulhão Pato havia comprado ostras, entrava em aberta discussão com o nosso escritor. «Uma enxurrada de obscenidades! Bocage talvez corasse... de inveja!». Anos depois, é António Nobre que vem ao mercado da Ribeira Nova, «à procura do camarão da barra». Também Aquilino Ribeiro por aqui anda à procura, não de ostras nem de camarão, mas do que restava da «velha e camoniana Ribeira», «varrida da borda de água pela vaga sísmica de 1755», e que no Aterro se viera instalar. Da Ribeira velha, «só restava aquele cisco da vida babilónica e sabúrrica e do porto, empório do mundo?».

Mercado da Ribeira Nova [1933]
  Avenida 24 de Julho
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século
 
Posterior ao terramoto, e mandado erigir por determinação pombalina, o Mercado da Ribeira Nova é seguramente mais antigo, se o relacionarmos com a história do seu antecessor, o antigo mercado da Ribeira Velha, que se situou nos terrenos em frente à Casa dos Bicos. Este remonta, pelo menos, aos finais de quinhentos e, nas «Estatísticas de Lisboa de 1552» era apontado como um dos mercados de peixe mais bem abastecidos do mundo. Era «um dos mais movimentados e bem equipados da Europa, elogiado pela sua boa organização, abundância e variedade de produtos. Nele, ao lado dos produtos da terra, ou de importação europeia, como a manteiga de Flandres, apareciam espécies exóticas, as tâmaras, os cocos, especiarias diversas, e outros produtos que se começavam, então, a divulgar, como as laranjas da China» [Moita, 1983]. Foi este o primeiro grande mercado de Lisboa que posteriormente ao terramoto viria a ocupar, por determinação pombalina, os terrenos da Ribeira Nova, junto à Praia de S. Paulo

Vendedeira de figos no mercado da Ribeira Nova [1910]
  Avenida 24 de Julho
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
 
Decorria o ano de 1771 quando, por alvará de 13 de Abril desse ano, o marquês de Pombal determinava a fixação da venda de peixe na Ribeira Nova. Com a designação de Mercado da Ribeira Nova dura até ao ano de 1882, data em que é demolido. Um novo mercado, o da 24 de Julho, abria então ao público, após a inauguração no primeiro dia do ano de 1882. O antigo, o da Ribeira Nova, estava condenado, por deliberação camarária de 5 de Janeiro desse ano, a ser arrasado.

Venda de legumes no mercado da Ribeira Nova [1910]
  Avenida 24 de Julho
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. Os mercados rapidamente são incorporados no cenário urbano e ganham, a partir de meados dos séculos XIX e início do XX, a característica de estarem directamente ligados às políticas públicas de fornecimento de mercadorias indispensáveis à sobrevivência quotidiana. O ganho chegava através de diferentes produtos — como hortaliças, cebolas, peixes, figos, castanhas, entre outros — comercializados não apenas nos mercados, mas também na venda ambulante pelas ruas e praças da cidade.

Saturday, 15 August 2015

Quiosque da Praça do Príncipe Real (Poente)

No princípio do séc. XV, esta zona era conhecida por Alto da Cotovia, cujo acesso se fazia pelo caminho dos Moinhos de Vento (actual Rua D. Pedro V).
Nos anos 50 do século XIX chamavam-lhe Largo Dom Pedro V. Este topónimo passou para a rua vizinha e, em 1859, passou a designar-se Praça do Príncipe Real. Em consequência da revolução republicana, entre 1911 e 1919, recebeu o nome de Praça do Rio de Janeiro, homenageando o Brasil também, recentemente, republicano (15 de Novembro de 1889).

Quiosque do Jardim do Príncipe Real, poente [1959]
Fernando Matias, in Lisboa de Antigamente

Estrutura
Base de alvenaria. Balcão corrido assente em paredes de mármore com saliências paralelepipédicas. Corpo com janelas de taipais de correr. Cúpula composta por dois troncos de prisma quadrangular, um mais largo e um mais estreito por cima, pouco altos, encimados por pirâmide quadrangular. Protecção da estrutura do edifício com bordos trabalhados, unindo-se ao corpo por mísulas de ferro trabalhadas.

Particularidades
Particular. Concorrido.
(in Os quiosques de Lisboa, Baltazar Mexia de Matos Caeiro, 1987)

Quiosque do Jardim do Príncipe Real, poente [1976]
Fotografia anónima, in Lisboa de Antigamente


Friday, 30 January 2026

Rua da Escola Politécnica, 51-55: «Casa das Tesouras»

De acordo com o olisipógrafo Matos Sequeira — reportando-se a uma noticia de um jornal daquela época — terá sido por volta de 1858 que foi construído o edifício dito «das onze portas» (risco do arquitecto Pezerat), dez das quais ficam no lado direito desta rua e uma na Rua do Monte Olivete.
Nele se instalou por volta de 1890, uma famosa alfaiataria de homens, de seu nome «Casa das Tesouras», de José Clemente e que forneceu Lisboa, até aos anos trinta do séc. XX, de capotes, sobretudos,  gabões e fatos de homem. Encerrou em 1935.
(Claus-Günter Frank, Lisboa: À descoberta da metrópole portuguesa, 2019)

Rua da Escola Politécnica, 51-55 |1922-05-03|
«Casa das Tesouras»: Moderníssimo prêt-à-porter do séc. XIX.
Nos baixos deste enorme prédio de dez vãos, fica(va) a Farmácia Albano e a Leitaria Camélia de Ouro. 
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Esta artéria –  refere Mestre Norberto de Araújo, a quem vamos sempre seguindo –  , rasgada como larga serventia entre as quintas do Noviciado da Companhia de Jesus e a de D. Rodrigo, fazia a ligação do sítio da Cotovia com o de Campolide, que começava — onde veio a ser o Rato. Antes do Terramoto a rua tinha duas designações para cada um dos seus troços: Rua Direita da Fábrica das Sedas até ao Palácio dos Soares (depois Imprensa Nacional), daí para diante até à actual Praça do Rio de Janeiro [desde 1948 corresponde à Praça do Príncipe Real] era Rua do Colégio dos Nobres, designação que sucedeu à de Rua Direita da Cotovia. Em Setembro de 1859 passou toda a artéria a ser Rua da Escola Politécnica. [Araújo: 1939]

A mágica da «Casa das Tesouras», publicidade

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