Friday, 30 June 2017

Paço de Xabregas / Palácio Niza / Asilo de D. Maria Pia

No local onde se ergue o edifício da antiga Escola-Asilo de D. Maria Pia (1867), que sucedeu ao Palacio Niza,  existia no século XVI, seguramente depois de 1510, o Paço Real de D. Leonor, viúva de D, João II.  Era éste o Paço arrabaldino de Xabregas — o segundo, pois outro houve anteriormente, mais a Nascente, e que durou no século XII e XIV —, e nele residiram eventualmente os reis de Portugal, até D. João IV (com excepção dos Filipes).  D. João IV, a pedido da Rainha D. Luisa de Gusmão, doou o Paço ou Palácio a sua camareira-mor, a Condessa de Unhão, D. Juliana de Faro (...)


No meado do século passado, pela morte do 5.° Conde de Unhão, D. João Xavier Teles de Menezes e Castro, casado corn a Marqueza de Niza, D. Maria José da Gama — a casa de Unhão reuniu-se às de Niza e de Vidigueira, e o Palácio de Xabregas entrou a ser «Niza», e assim continuou até que o último Marquês, D. Domingos da Gama — o famoso e elegante boémio, largo de mãos, fidalgo sempre, mas caído afinal em pobreza, se viu obrigado a desfazer-se desta sua e adaptação, concluídas nos primeiros dias de Julho. casa (1862), vendendo-a a um particular — cujo nome ignoro — ao qual em 1867 o Estado a comprou para nela instalar o Asilo de D. Maria Pia, criado por decreto de 14 de Março de 1867, deterrninando-se logo obras sumárias de reparação 

Palácio dos Marqueses de Nisaa / Asilo de D. Maria Pia [ant. 1895]
Rua da Madre de Deus
Augusto Bobone, in AML

Destinara-se o Asilo a recolhimento e casa de correcção de menores, tendo assim duas funções, a segunda das quais é aquela que compete hoje [1939] aos estabelecimentos da Tutoria de Infância.
Não andou com fortuna o novo estabelecimento, pois logo a 19 do mês e do ano em que começou a funcionar, já com as obras concluídas, ardeu quási totalmente, com excepção da Capela, que tinha a invocação de N. Senhora da Conceição.
O edifício, a esforços do Infante D. Augusto e do Cardeal Patriarca, que era então D. Manuel Bento Rodrigues, foi rapidamente reedificado, muito melhorado em relação à primeira traça do corpo que se incendiara. 

Palácio dos Marqueses de Nisa / Asilo de D. Maria Pia,  pátio central [ant. 1895]
Rua da Madre de Deus
Augusto Bobone, in AML

Em 1869 morreu a última freira clarista, já muito velhinha, do Mosteiro da. Madre de Deus, e logo esta casa foi anexada ao Asilo com sua formosa Igreja, salas e claustros. Em 4 de Outubro de 1871 determinaram-se novas obras de restauro, reintegração e adaptação (nem tôdas felizes), executadas sob a direcção do arquitecto João Maria Nepomuceno, continuadas depois pelo condutor de obras públicas Liberato Teles. E posteriormente alguns outros benefícios o Asilo mereceu.

Asilo de D. Maria Pia / Palácio dos Marqueses de Nisa [ant. 1895]
Claustro de D. João II
Augusto Bobone, in AML
Asilo de D. Maria Pia / Palácio dos Marqueses de Nisa [ant. 1895]
Cozinha
Augusto Bobone, in AML
Asilo de D. Maria Pia / Palácio dos Marqueses de Nisa [ant. 1895]
Oficina de sapateiro
Augusto Bobone, in AML

Assim se compreende que a Casa não corresponda, em aspecto interior, aos títulos do seu passado; beleza, se a teve, foi sacrificada à comodidade dos alunos, em benefício da orientação técnica, pedagógica e educativa, que a determinara. Existem, contudo, ainda alguns vestígios de arte, sobretudo em cerâmica de azulejo, e num ou noutro pormenor, mas que não vão além do século XVIII.

Palácio dos Marquese de Nisa [1938]
Rua da Madre de Deus: ao fundo o  viaduto de Xabregas
Henrique Cayolla, in AML

Bibliografia
(ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Monumentos históricos, p. 227, 1944)
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XV, pp. 44-45, 1939)

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