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Friday, 3 October 2025

Rua Marquês de Sá da Bandeira

As chamadas Avenidas Novas são delimitadas pela Avenida Duque de Ávila, a sul, pela Rua do Arco do Cego, a oriente, pela linha férrea de cintura, a norte, e pela Rua Marquês Sá da Bandeira, a poente (..). Enfiemos agora por esta Travessa do Marquês de Sá da Bandeira, antiga e simpática estrada que levava da Rua das Cangalhas, ao Campo Pequeno.==
[ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 63, 1939)

Antiga Estr. que principia na Barreira do Rego e termina no Largo do Rego a S. Sebastião da Pedreira. Por deliberação da C.M.L. de Belém em 20/10/1881, a Rua Marquês de Sá da Bandeira passou a terminar no Campo Pequeno. Por deliberação da CML de 24/11/1888, edital de 01/12/1888, foi integrada na Rua Marquês de Sá da Bandeira a via pública que fica no seu prolongamento denominada Estr. do Rego. [cm-lisboa]

Rua Marquês de Sá da Bandeira | 1964|
Militar e Politico 1795-1876
Muro de cantaria do ntigo Parque «de José Maria Eugénio [de Almeida]» — tradição oral mais pró­xima — ou Santa Gertrudes e actual Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

N.B. Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, 1.º Barão, 1.º Visconde e 1.º Marquês de Sá da Bandeira, (1795-1876). Foi fidalgo da Casa Real, Par do Reino, Ministro de Estado, Marechal de campo, Director da Escola do Exército, entre outros cargos e actividades.
Destacou-se pela sua bravura no campo de batalha, primeiro durante as Invasões Napoleónicas e mais tarde durante as Guerras Liberais, onde tomou o partido dos liberais contra os miguelistas.

Rua Marquês Sá da Bandeira |c. 1940|
Chafariz, hoje demolido, localizado no actual Largo Azeredo Perdigão; ao fundo vê-se
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Friday, 14 February 2025

Avenida da República, 65 no cruzamento com a Avenida Barbosa du Bocage, 59

Este grande xadrez regular das chamadas Avenidas Novas — edificações modernas com alguns palacetes de formoso aspecto — é delimitado pela Avenida Duque de Ávila, a sul, antiga Rua do Arco do Cego, a oriente, a linha férrea da Cintura, a norte, e a Avenida Marquês de Sá da Bandeira, a poente, ainda que as avenidas principais de orientação Norte-Sul — Cinco de Outubro e República — ultrapassem, em prolongamento, estes limites teóricos.

Avenida da República, 65 no cruzamento com a Avenida Barbosa du Bocage, 59 |1969|
Palacete construído na viragem do século XIX demolido em 1970.
Nas Avenidas Novas nasceu a Rua Barbosa du Bocage, por Edital de 11/12/1902, na via pública entre as Avenidas Marquês de Tomar e Rua do Arco do Cego. Passados quase 23 anos, o Edital de 08/06/1925 mudou a classificação da artéria para Avenida.
Nuno Roque da Silveira, in Lisboa de Antigamente


Não deixa de ser curioso designá-las, anotando que a urbanização desta área se está fazendo desde há trinta anos, sistematicamente, cada lustro com seu avanço, quási sem nós darmos por isso. 

Avenida da República, 65 no cruzamento com a Avenida Barbosa du Bocage, 59 |1969|
Palacete construído na viragem do século XIX demolido em 1970.
Nuno Roque da Silveira, in Lisboa de Antigamente

No sentido Norte-Sul correm as Avenidas de Sá da Bandeira (que não passa do Largo do Rego), Marquês de Tomar, Cinco de Outubro, da República (esta a artéria mater), dos Defensores de Chaves, e a Rua do Arco do Cego, que se chamará Avenida D. Filipa de Vilhena (parte dela). Transversalmente correm as Avenidas Duque de Ávila, João Crisóstomo, Miguel Bombarda, Visconde de Valmor, Elias Garcia, Barbosa du Bocage, Berna e António Serpa. [Araújo, XIV, 1939]

Avenida Barbosa du Bocage, 59 no cruzamento com a Avenida da República, 65  |1969|
Palacete construído na viragem do século XIX demolido em 1970.
Nuno Roque da Silveira, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 3 November 2024

Rua Filipe da Mata

Ao arruamento anteriormente designado por Rua Particular Neves Piedade (construtor civil que teve grande influência na construção do Bairro do Rego), com início na Rua da Beneficência e fim Estr. das Laranjeiras, foi atribuída a denominação de Rua Filipe da Mata, através do Edital de 6 de Agosto de 1927.
Luís Filipe da Mata (1853-1924) foi um político republicano, vereador da primeira Câmara Municipal de Lisboa republicana (1908) e deputado e senador no Congresso da República. Era membro da Maçonaria.

Rua Filipe da Mata com a Estr. das Laranjeiras |c. 1920|
Estr. das Laranjeiras vai da Avenida dos Combatentes até à Estr. da Luz tem o seu topónimo nascido da Quinta das Laranjeiras (Palácio Farrobo), onde, desde 1905, está instalado o Jardim Zoológico.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto não está identificado no arquivo.
Rua Filipe da Mata com a Rua Mário Castelhano |c. 1920|
Entre os dois renques de prédios (alguns ainda de pé) e paralela à R. Mário Castelhano, existe o viaduto da Avenida dos Combatentes - dístico de 1971 - e que tem início na Praça de Espanha e a Estr. das Laranjeiras e fim na Rua Prof. Egas Moniz.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto não está identificado no arquivo.

Mário Castelhano (1896–1940), que foi o último coordenador do secretariado da Confederação Geral do Trabalho e morreu em 1940 no Tarrafal, teve passados quase 39 anos, desde a publicação do Edital de 19/06/1979, uma artéria que o homenageia, na Freguesia das Avenidas Novas, no que era um troço da Avenida António Augusto de Aguiar entre as Ruas Dr. Álvaro de Castro e Cardeal Mercier, com a legenda «Sindicalista/1896–1940». [cm-lisboa.pt]

Sunday, 20 October 2024

Bairro Santos, ao Rego

Para além da linha férrea e a poente — recorda Norberto de Araújo — , se edificou em 1930 o novo «Bairro da Bélgica», e a nascente um outro novo «Bairro Santos», tudo incluído na recentíssima urbanização de Lisboa.[...]
Chegamos assim ao velho Largo do Rego, que a urbanização trivializou, junto do qual correu a pitoresca Rua das Cangalhas de que há meses restavam quatro paredes. Já agora enfiemos pela antiga Estrada do Rego, depois Rua de Sousa Holstein, modernamente Rua da Beneficência.
(ARAÚJO, Norberto de,  Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 59, 1939)

Bairro Santos, ao Rego |1963-03-30|
Rua Cardeal Mercier (1926) com a Rua Portugal Durão
Seria por aqui perto o antigo Largo do Rego, antes do alinhamento deste e da abertura dos novos arruamentos e consequente urbanização. Inauguração do Mercado de levante. 
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Friday, 22 March 2024

Convento do Rego: antiga igreja do Hospital Curry Cabral

De acordo com o olisipógrafo Norberto de Araújo no sitio onde está actualmente o Hospital Curry Cabral «assentou o Convento das Convertidas de Nossa Senhora do Rosário, de religiosas franciscanas, fundado depois de 1768 por D. Margarida das Mercês de Maré, dama francesa e mais tarde chamado do Rosário e das Dores [...]. Deve-se a D. Maria I a ampliação do Real Recolhimento do Rego e a construção da Igreja, da qual aí tens apenas a fachada, cujo pórtico é sobrepujado pelas armas reais da «Piedosa».
Extintas as ordens religiosas e morta a última freira, o Recolhimento conventual na aparência e na missão, esteve muitos anos abandonado. (...) Em 1905 foi transformado (Hintze Ribeiro) em Hospital para doenças infecciosas [...]

Antiga capela do Hospital Curry Cabral |1944|
|Demolida na década de 1950|
Rua da Beneficência, antes Largo do Rego à Palma de Cima
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

A Igreja do antigo Convento, que em tempos serviu de depósito e, durante algum tempo, de casa mortuária, está desde há muito desmantelada; não possuiu, aliás, valor artístico. Desde 1935 foi cedida ao Patriarcado para depósito de imagens e acessórios que pertenceram à Igreja de S. Julião, substituída, como já to tenho dito, pela vizinha Igreja, nova, de N. Senhora de Fátima.==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 58-59, 1939)

Igreja e Convento das Convertidas de Nossa Senhora do Rosário |1840|
Pereira, Luís Gonzaga, 1796-1868l, in Lisboa de Antigamente

N.B. Outras designações :Convento de Nossa Senhora das Dores de Lisboa; Convento de Nossa Senhora do Rosário das Dores; Convento do Rego; Recolhimento de Nossa Senhora das Dores e Santíssimo Rosário; Recolhimento das Convertidas do Rêgo; Recolhimento das Mulheres Perdidas do Rego; Recolhimento da Associação das Servitas de Nossa Senhora das Dores.

Sunday, 25 February 2024

Hotel Central

Estamos de volta ao velhinho Sitio dos Remolares, e ao afamado Hotel Central, desta vez na companhia de Marina T. Dias e de Eça de Queiroz.  Delineada pelos engenheiros do Marquês de Pombal, a futura Praça do Duque da Terceira permaneceu quase deserta até ao início do século XIX, constituindo então apenas parte dos vastos areais que delimitavam sul de Lisboa. Mesmo após a construção dos primeiros quarteirões a nascente e a poente, o rio chegava até ao extremo sul do largo, formando uma pequena praia no local onde mais tarde seria construída a estação de caminho de ferro da linha de Cascais. Contígua à praia, a Praça dos Remolares tinha já sido ampliada pelas obras de construção do Aterro, mantendo na tradição oral o nome do antigo cais: Sodré.
Falar do Cais do Sodré é também falar da Lisboa queirosiana — e do seu Hotel Central, Eça refere-o em Os Maias, A Capital, O Primo Basílio e A Correspondência de Fradique Mendes. A primeira hospedaria que ocupou o quarteirão com os números 20-27 do Largo (antigos números 3 a 11) chamava-se Estrella Branca (c. 1835). Em 1838 fora já trespassada à francesa Madame Lenglet que lhe deu o título de Hotel de France

(Grand) Hotel Central |c. 1875|
A oitocentista praça dos Remolares ainda sem a estátua do Duque da Terceira (1877) vendo-se ao fundo a primeira ponte de acesso aos barcos; no local onde se vê um candeeiro existiu, até 1874, um relógio de sol, conhecido por Meridiana dos Remolares. 
Rua Bernardino Costa antiga do Corpo Santo; à esq. nota-se a embocadura da Rua do Alecrim com o Alfaiate Rego (Rego Tailor) no gaveto leste.
J.. Laurent, in Lisboa de Antigamente

Sobre o rio, a tarde morria numa paz elísia. O peristilo do Hotel Central alargava-se, claro ainda. Um preto grisalho vinha, com uma cadelinha no colo. Uma mulher passava, alta, com uma carnação ebúrnea, bela como uma deusa, num casaco de veludo branco de Génova. O Craft dizia ao seu lado: Très chic. E ele sorria, no encanto que lhe davam estas imagens, tomando o relevo, a linha ondeante, e a coloração de coisas vivas.
(Eça de Queiroz, ln Os Maias, 1888)

Com uma sólida fama e um excelente serviço de mesa, o hotel recebeu hóspedes ilustres, entre eles o compositor Franz Liszt, na temporada de 1844-1845. Novamente trespassado (c. 1855), transforma-se no Hotel Central, supra-sumo da possível opulência lisboeta, com as suas ceias elegantes e as suas belas janelas então viradas para o Tejo.
O Central foi,  na Lisboa da segunda metade de Oitocentos, aquilo que o Avenida Palace viria a ser na Belle-Époque, ou o Aviz no tempo da Segunda Grande Guerra. Recebeu reis e diplomatas famosos, figuras mundanas e celebridades do universo das artes. Foi também num dos seus quartos que o próprio Eça de Queiroz terá pedido ao conde de Resende a mão da irmã deste, Emília de Castro Pamplona, sua futura mulher. O episódio é narrado por Luís Pastor de Macedo. 

Hotel Central |c. 1904|
Praça Duque da Terceira: Cais do Sodré. Ao fundo observa-se o extinto Arsenal de Marinha que deu lugar à Av. Ribeira das Naus.
Postal ilustrado, edição da Casa Gonçalves, in Lisboa de Antigamente
Hotel Central, depois das adaptações sofridas por volta de 1920 |c. 1936|
Praça Duque da Terceira
No gaveto norte deste edifício estiveram vários botequins célebres. À O primeiro foi o «jacobino» Café do Grego; o último foi o Café Londres, encerrado em 1935.
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

«Numa das suas vindas a Portugal, informado que o conde, vindo do Porto, se hospedara em Lisboa no Hotel Central, e apreciando em extremo a convivência daquele seu grande amigo, [Eça] mandou também as suas malas para o mesmo hotel e ali ficou durante largos dias.
Certa manhã, quando [...] se encontrava no quarto do seu amigo, justamente na ocasião em que este, de cara ensaboada, se dispunha, com a navalha na mão, a barbear-se, o criado, pedindo licença, entrou e entregou uma carta que viera pelo correio. 
   — Vê lá, menino, o que aí vem -—- diz o conde a Eça de Queiroz.
   — É uma cartada tua irmã.
   — Faze favor, abre-a e vê o que diz essa teimosa.
   O grande escritor obedeceu e ao terminar a sua leitura, depois de a dobrar vagarosamente, diz a Rezende:
   — Peço-te mão de tua irmão».
(Luís Pastor de Macedo notas em A Ribeira de Lisboa por Júlio de Castilho, vol. 4)

Hotel Central, depois das adaptações sofridas por volta de 1920 |c. 1936|
Praça Duque da Terceira; Cais do Sodré
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

O Hotel Central encerrou em 1919, após um breve período de crise económica, distantes que iam já os hábitos de convívio da Lisboa queirosiana. A Sociedade Estoril, nova arrendatária, mandou então proceder a obras de vulto na fachada e interiores do edifício, cujas características gerais pouco têm agora a ver com a da casa que albergou Eça, Ramalho ou Guerra Junqueiro. O próprio Cais do Sodré sofrera enormes alterações ao longo do meio século de existência do Hotel Central. Por volta de 1880 a praia chegava ainda sé ao larguinho posteriormente ajardinado (Jardim Rogue Gameiro, plantado entre 1912 e 1915), e alguns quartos do Central estavam, como era uso dizer-se, «sobre o no». Perderam esse privilégio em 1907, vendo erguer-se-lhes à frente o edifício da Administração do Porto de Lisboa (onde está o célebre relógio com a «Hora Legal»). O terreno era tão incerto (basicamente areia da praia, movimentada pelas marés) que foi necessário fazer assentar todas as paredes desse prédio sobre estacaria. Ao centro da praça esteve, até 1874,um relógio de sol muito célebre e muito troçado: a «Meridiana dos Remolares», apeada para que desse lugar ao monumento em homenagem ao Duque da Terceira.

Hotel Central, depois das adaptações sofridas por volta de 1920 |c. 1936|
Fachada S. sobre o Cais do Sodré e Travessa do Corpo Santo; Praça Duque da Terceira.
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
MARINA, Tavares Dias, Lisboa Desaparecida, vol. 6, pp. 179-184, 1989.

Sunday, 12 February 2023

Largo do Corpo Santo

De acordo com o olisipógrafo Norberto de Araújo «A origem deste nome está no culto de São Teimo, ou seja de S. Pedro Gonçalves Telmo, padroeiro dos pescadores, ao qual os devotos chamavam «Corpo Santo»; a imagem venerava-se numa ermidinha quinhentista de Nossa Senhora da Graça que ficava no princípio da Travessa do Cotovelo, já na proximidade do Largo actual, do lado norte.
O nome de Corpo Santo passou ao sítio, ao Arco, ao Largo, e ao Convento dos dominicanos. [Araújo: 1939]

Largo do Corpo Santo |entre 189- e 1901|
Perspectiva tomada da Rua Bernardino Costa, antiga do Corpo Santo (antes do Largo do Corpo Santo); alfaiataria A. P. Rego na esquina com a Rua do Arsenal, antiga do Arco dos Cobertos; ao fundo, a Tv. do Cotovelo.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Continuavam [as muralhas da Cerca Fernandina] depois para as Portas do Corpo Santo, primeiro chamadas Postigo do Cata-que-Farás. Logo adiante eram as Portas dos Cobertos, e as dos Cortes Reaes, contíguas ao Palácio Corte Real, que era no local das actuais oficinas do arsenal da marinha, largo do Corpo Santo e parte da rua do Arsenal, e que foi incorporado nos bens da corôa depois da Restauração. [Vidal: 1900]

Largo do Corpo Santo com a Rua do Arsenal |c. 189-|
Chaminé das oficinas do Arsenal de Marinha, carro do Chora e, à dir., o abrigo em ferro destinado a cavalos e trens de viação.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 18 October 2020

Calçada da Palma de Baixo e Estr. das Laranjeiras

O topónimo de origem popular “Palma”, ligado à flora local, é muito antigo, e surge pela primeira vez em documentação medieval, datada de 1208, associado a uma transacção de compra e venda de vinhas no sítio de Palma, as quais eram abundantes no local. No século seguinte estavam maioritariamente na posse de ordens religiosas e da pequena nobreza.

Calçada da Palma de Baixo e Estr. das Laranjeiras |1944|
Chafariz das Laranjeiras
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

No século XVI, a área de São Domingos de Benfica estava confinada pelas Estr. de Benfica, da Luz e de Telheiras ao Rego, a qual dava acesso à Palma de Cima. Ao longo destas estradas estabeleceram-se quintas e foi crescendo o casario, aparecendo em documentação referência aos sítios distintos da Palma de Cima e da Palma de Baixo, os quais, juntamente com os de Palhavã, Sete Rios e Ponte Velha vieram a constituir a freguesia de São Sebastião da Pedreira, criada na 2ª metade desse século. O topónimo Calçada de Palma de Baixo foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa por deliberação camarária de 30/09/1897. [cm-lisboa.pt]

Calçada da Palma de Baixo e Estr. das Laranjeiras |1944|
Chafariz das Laranjeiras
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 4 August 2019

Rua Braamcamp, 3A-B esquina com a Rua Duque de Palmela, 35-37 (actualizado)

Edifício para habitação destinado a Emílio Leguori, construído por Augusto Carlos da Cunha, a partir de um projecto do arquitecto Ventura Terra (1902).
Este edifício foi desenhado de uma forma simétrica, nos seus aspectos relacionados com a métrica de vãos e desenho de varandas. Duas faixas de azulejo, no topo e ao nível do piso térreo, conferem-lhe horizontalidade em contraponto com a verticalidade dos vãos. A zona de esquina é marcada exteriormente por três varandas sobrepostas, unidas por um pano de marquise em dois níveis na continuidade e largura do vão principal constituído pela entrada e respectivo desenho em pedra.

Edifício na Rua Braamcamp, 3A-B esquina com a Rua Duque de Palmela, 35-37 [c. 1910]
Prédio de Rendimento, construido em 1902, foi residência de Afonso Costa [vd. N.B.]; em 1972 foi ocupado pelo jornal «Expresso»; ao fundo vê-se o palacete «Casa da Cerâmica».
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Uma proposta de 1940, tendo em vista retirar os envidraçados das marquises por se encontrarem em mau estado, não foi aceite por parte da Câmara, apesar de um primeiro parecer estar de acordo com a supressão dos mesmos, já que "em nada afectaria a expressão arquitectónica do edifício em questão, que segundo se julga só lucrará com essa circunstância", refere o texto da proposta. 
A necessidade de realizar obras por parte de um novo proprietário, a partir de 1940, levou a que o mesmo se dirigisse à Câmara solicitando a sua anulação relativamente ao interior das habitações. Curiosamente, refere o proprietário que "as rendas são antiquíssimas e de reduzido valor, para habitações de dezoito amplíssimas divisões, todas elas habitadas por gente rica. (...) Presentemente encontro-me exausto de recursos por muito tempo assim permanecerei, por os encargos dos empréstimos que contraí me absorverem todas as economias que venha fazer. Não seria justo que, para beneficiar inquilinos ricos, satisfeitos com a sua habitação, fosse obrigado a fazer obras desnecessárias, gastando nelas dinheiro que não tenho, forçando-me a usar novamente o crédito,aumentando mais os encargos, já neste momento preocupante, pelo seu montante". 

Edifício sito na Rua Braamcamp, 3A-B esquina com a Rua Duque de Palmela, 35-37 [1917]
Prédio de Rendimento, construido em 1902, foi residência de Afonso Costa [vd. N.B.]; em 1972 foi ocupado pelo jornal «Expresso»; manifestação.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Em 1946, foram substituídas as marquises de ferro, que se encontravam em ruína, para outras construídas em estrutura de betão [vd. última imagem]. Este projecto foi assinado pelo arquitecto Norte Júnior e pelo engenheiro Francisco Ventura Rego.
Em 1972, a Sojornal, proprietária do jornal Expresso, instala-se neste edifício, ocupando-o na totalidade. Em 1990, esta sociedade solicita uma remodelação do imóvel, com ampliação em altura, construção de 4 caves para estacionamento e conservação da fachada. O projecto foi reprovado pela Câmara Municipal em função dos planos urbanísticos em vigor para a zona e do estudo volumétrico do quarteirão, aprovado em 1980. Apesar do protesto do interessado, com base em pareceres jurídicos, a obra nunca se concretizou.

Rua Braamcamp vista da Praça do Marquês de Pombal [194-]
Prédio de Rendimento, construido em 1902, foi residência de Afonso Costa; em 1972 foi ocupado pelo jornal «Expresso».
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

N.B. Afonso Costa (1871-1937) foi Presidente do Conselho de Ministro, ministro, dirigente do Partido Republicano e do Partido Democrático.
Em Outubro de 1910, um levantamento popular conseguiu implantar a República, não tendo havido uma resposta determinada do Exército. Formou-se um Governo provisório chefiado por Teófilo Braga, tentando impor um regimento com apoios unicamente na população urbana num país rural. Afonso Costa ficou com a pasta da Justiça: fez uma revolução num ministério que primava pela discrição. Iniciou reformas claramente anti-clericais, que contribuíram para o aumento da impopularidade do novo regime junto da população e da ala conservadora do republicanismo. Mas o ministro da Justiça e dos Cultos não cedeu às pressões e continuou com a política de afirmação dos valores laicos da República e de separação do Estado das igrejas, instituindo também o registo civil obrigatório.  
 
Edifício na Rua Braamcamp, 3A-B esquina com a Rua Duque de Palmela, 35-37 [1961]
Observam-se as novas marquises em betão construidas em 1946. Em 1972 albergou o semanário «Expresso».
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
MANGORRINHA, Jorge, Arquitecturas de esquina em Lisboa, 2014.

Sunday, 28 April 2019

Basílica dos Mártires

Estamos em face da Basílica dos Mártires, um dos templos de Lisboa de «categoria social» — que as igrejas também possuem por efeito de convenções ou da importância das suas irmandades. A Igreja dos Mártires, porém, vale pelo seu título, pela história da sua paroquial, pela sua ligação aos primeiros destinos de Lisboa.


A Igreja de Nossa Senhora dos Mártires, de tão ressonante nome olisiponense, é uma edificação integral do século XVIII, do risco do arquitecto Reinaldo Manuel dos Santos
A paróquia remonta ao ano da conquista de Lisboa; a sede principiou por ser uma pequena ermida dos Cruzados ingleses que auxiliaram D. Afonso Henriques na conquista de Lisboa, erecta no local — Monte Fragoso, que mais tarde foi o Alto de S. Francisco — onde aqueles cavaleiros tinham o cemitério dos seus «mártires», junto do acampamento situado a Poente da Lisboa sarracena.

Basílica dos Mártires |190-|
Rua Garrett
A Frontaria, constituída por dois corpos no sentido horizontal, cortados verticalmente por seis
pilastras da ordem dórica, das quais as extremas são duplas; e nela, ao cimo de alguns degraus;
 Frontão, em cujo tímpano se rasga um óculo iluminante.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

O templo primitivo de Nossa Senhora dos Mártires foi várias vezes reedificado, ampliado e restaurado, nomeadamente em 1598-1602, 1629, 1686-1692, 1710, 1746-1750; assentava ao lado, sobre o rio, do convento de S. Francisco (no sitio ocupado pelo prédio que esquina da Rua Vítor Córdon para o Largo da Biblioteca [actual Largo da Academia Nacional de Belas Artes] e o Terramoto destruiu-o inteiramente. A paróquia estanciou depois por vários locais: numa barraca em Rilhafoles, na ermida dos Mártires, ao Rego, na de S. Pedro Gonçalves, ao Corpo Santo.
Em 1769, ou no ano seguinte, deu-se começo às obras do novo templo, situado na rua Direita das Portas de Santa Catarina, entre as ruas da Figueira e da Ametade (mas Garrett, Anchieta e Serpa Pinto actuais). Ainda por acabar foi benzida a nova sede paroquial em 18 de Março de 1774, mas só aberta ao culto em 5 de Agosto de 1786 (outros dizem em 1783). Só foi sagrada em 1866 (30 de Julho) após obras efectuadas nesse ano.

Basílica dos Mártires |1907|
Rua Garrett
O portal central, emoldurado de ombreiras trabalhadas na base do  capitel, e rematado, sobre a  verga, por  um  interes­sante baixo relevo, contido num medalhão, de mármore, obra de Francisco Leal  Gar­cia,  discípulo de  Machado de Castro, e que representa a dedicação do templo à Virgem, que a aceita de dois cavaleiros ajoelhados, um dos quais figura D. Afonso  Henriques, vendo-se ao fundo um trecho das muralhas ameiadas de Lisboa.  
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A fachada, como vês, é simples e discreta (teve em tempos um adro fechado entre grades); as pilastras da parte inferior são de ordem dórica, aos de cima, sob o frontão, de ordem jónica. Com seus três pórticos, suas três janelas iluminantes, o seu óculo gradeado no tímpano — a frontaria dos Mártires parece-nos bem no semblante arquitectónico do Chiado.


Basílica dos Mártires |s-d.|
Perspectiva tirada do Largo de S. Carlos;
A torre sineira está colo­cada por detrás do edifício, sobre a Rua Serpa Pinto
Fotografia anónima



Basílica dos Mártires |195-|
Porta de ferro dourada que defende a capela baptismal
Mário de Oliveira
(clicar para ampliar)



A Basílica dos Mártires não é sumptuosa nem trivial. Impressiona bem sem deslumbrar. O tecto da igreja em pintura de Pedro Alexandrino com ornatos de Inácio de Oliveira, tem no centro a cena da dedicação do templo antigo a N. Senhora dos Mártires, e em volta os doutores da igreja.
O coro assenta sobre três arcos de pedra, sendo o do centro de volta abatida. Possui oito capelas por lado, e que vamos ver, a começar pelo lado esquerdo, logo a seguir à capela baptismal defendida por porta de ferro doirada com uma inscrição relativa ao primeiro baptismo realizado, em 1147 [vd. foto acima à dir. e NB.], no templo velho: de S. Brás, com painel de fundo deste santo, logo de Santo António, com painel de Santa Cecília, com painel representando a Santa de Joelhos, e a do Santíssimo; pela direita: de Santa Luísa com painel representando o sacrifício da Santa, de S. José, .cujo retábulo representa Cristo no Gólgota, de N. Senhora da Conceição, dando a pintura do fundo S. Miguel, e o de N. Senhora de Lourdes, com o Bom Pastor no retábulo. Todas as pinturas são de Pedro Alexandrino.

Basílica dos Mártires |195-|
Rua Garrett
O tecto em  abóbada de arco, em madeira, revestida de larga composição pictural, 
representando ao centro D. Afonso Henriques dedicando o templo à Virgem
acompanhado de um cavaleiro (Guilherme «da longa espada»), figurando-se ao alto Nossa Senhora,
 rodeada de  cruzados mártires e assistida por uma coroa de anjos, trabalho de  Pedro Alexandrino
 inspirado no desenho original do último tecto da anterior igreja, da autoria de  Vieira Lusitano.
Mário de Oliveira, iin Lisboa de Antigamente

N.B. O baptistério, defendido por uma porta de ferro, dourada, com inscrição repartida; no  batente esquerdo lê-se em maiúsculas: «NESTA PARÓQUIA/SE ADMINISTROU O/PRIMEIRO BAPTISMO», e no batente direito «DEPOIS DA TOMADA/DE LISBOA AOS MOU/ROS, NO ANO DE1147»; no  fundo do  baptistério vê-se  um quadro «O baptismo do Salvador por S. João» pintura atribuída a Pedro Alexan­drino.

Basílica dos Mártires |1973|
Rua Garrett
No Interior, de nave única, a Igreja reveste-se de nobreza de materiais; um nicho, sobre o  arco da capela-mor, no qual se situa, orientada para o  corpo da igreja, uma imagem setecentista do Senhor Jesus dos Perdões; Nos Mártires conservam-se algumas boas imagens setecentistas, entre as quais uma, escultura de J. J. Barros Laborão, que pertenceu a uma ermida que existiu no edifício do Tesouro Velho. 
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, pp. 96-97, 1939.
id., Inventário de Lisboa, 1956.

Friday, 15 February 2019

Lojas de antanho: Ourivesaria do Socorro

Diz o olisipógrafo Luís Pastor de Macedo, em 1942, que esta Rua da Palma «[…] é antiquíssima, pelo menos do século XVI. Deve-se porém observar, que ela não tinha então o comprimento que hoje lhe conhecemos, mas só aquele que vai das trazeiras da Igreja de S. Domingos até ao antigo Largo de S. Vicente, à Guia [Rua Martim Moniz].[…]
Também não se julgue que ela, sendo tão estreita como actualmente é, era então tão larga. Nada disso. Ainda era mais acanhada: apenas um carreiro por onde cabia uma carruagem sem deixar espaço para outra, carreiro que chegou até ao último quartel do século XVII.»

Ourivesaria do Socorro |c. 1910|
Rua da Palma com a Rua de São Lázaro; Igreja do Socorro
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

O topónimo São Lázaro está ligado ao Hospital com o mesmo nome aqui situado. Este hospital era umas das mais antigas instituições públicas de assistência de Lisboa. O documento escrito mais antigo conhecido data de 1355. O hospital foi criado para nele serem recebidos os gafados e doentes do mal de São Lázaro e esteve ao cargo dos cavaleiros hospitalários de São Lázaro, ordem religioso-militar, cuja fundação em Jerusalém é do século XII. Os leprosos estiveram em São Lázaro até 1921 ano em que foram transferidos para o Hospital do Rego.

Ourivesaria do Socorro |c- 1908|
Rua da Palma com a Rua de São Lázaro; Igreja do Socorro
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
cm-lisboa.pt.

Friday, 18 January 2019

Sete Rios

Como poderia haver sete «rios», que percorressem a curta zona compreendida entre o Jardim Zoológico (Estrada de Benfica) e a linha férrea (Campolide-Rego) ? Que «rios» foram ou eram estes? ¹


Lisboa possui dois casos do emprego toponímico do mesmo número redondo «sete»: Sete Rios, local onde, ao menos na época pluviosa, convergem vários cursos de água, e Alto dos Sete Moinhos, local onde se ergueram diversos moinhos de vento, de que ainda restam as ruinas.²

Sete Rios |196-|
Desvio das linhas dos eléctricos devido às obras do Metropolitano em Sete Rios; Estr. de Benfica.
Judah Benoliel, 
in Lisboa de Antigamente

O lugar de Sete Rios surge então — recorda o Guia de Portugal de 1924 —, na confluência de duas estradas, uma para O., chamada hoje Rua de Campolide, que leva à estação deste nome, e outra para E., que constitui a travessa das Laranjeiras. [...] O troço da esq. leva ao Palácio Farrobo com frente ao  Chafariz das Laranjeiras.
Uma linha eléctrica liga a Rotunda [actual Praça do Marquês de Pombal] com Benfica passando pela Avenida de António Augusto de Aguiar, Palhavã, Sete Rios, Laranjeiras, Cruz da Pedra e S. Domingos de Benfica.³
 
Estr. de Benfica vista da Rua de Campolide) |196-|
Antes do desvio das linhas dos eléctricos devido às obras do Metropolitano.
Judah Benoliel[?], 
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ Ocidente: Revista portuguesa de cultura, vol. 57, p. 2, 1959.
² O número redondo «sete» na toponímia lisboeta. Papeis de José Maria António Nogueira in Anais das Bibliotecas, Museus e Arquivo Historico Municipais, p. 107, 1931.
³ Guia de Portugal, 1924.

Friday, 5 October 2018

Palacete Ceraque

O palacete sito na Rua Gomes Freire foi construído em 1878, na então denominada Carreira dos Cavalos, em terrenos adquiridos à Coroa Portuguesa. As iniciais do nome do então proprietário, Francisco Maria Ceraque, encontram-se gravadas em ferro na porta da entrada principal do edifício.
No final do século XIX, por falecimento do primeiro proprietário, o palacete transitou para a família dos actuais [Sousa Rego].

Palacete Ceraque [1961]
Rua Gomes Freire, 98

Augusto Fernandes, in Lisboa de Antigamente

No início do século XX, o 1º piso da Casa foi arrendada ao Tribunal da Câmara, que aí funcionará até finais dos anos 60. Nas décadas de 1930-40 esteve aqui instalada a creche dos filhos dos empregados dos hospitais.
Em 2016, após obras de restauro pelo actual proprietário, o palacete Gomes Freire abre as suas portas para a realização de eventos.

Palacete Ceraque [1930]
Rua Gomes Freire, 98

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 7 March 2018

Igreja de S. Sebastião da Pedreira

Chegamos ao Largo de S. Sebastião da Pedreira — diz Norberto de Araújo —, em cujo topo já estivemos [vd. artigos anteriores] num dos passos anteriores da Peregrinação de hoje. Temos diante de nossos olhos a paroquial. 

Neste sitio seiscentista existiu uma pequena Ermida de uma confraria de carpinteiros (caixeiros ou caixoteiros?) da Rua das Arcas, antiga Baixa; foi junto dela que em 1652 se construiu o templo de S. Sebastião da Pedreira, como paroquial, inaugurado em 1654.
Levava este templo um século quando sobreveio o Terramoto, que o poupou. Beneficiou de restauros várias vezes, uma das quais já neste século, mas sem que a sua estrutura primitiva fôsse sensivelmente alterada.

Igreja de São Sebastião da Pedreira [c. 1900]
Largo de São Sebastião da Pedreira; Rua Tomás Ribeiro
Panorâmica sobre os sítios da Pedreira e das Picoas; vê-se à esq. a Igreja de S. Sebastião da Pedreira e, em segundo plano, a antiga Estrada das Picoas — que partia do Rego e entroncava na Cruz do Tabuado (hoje Pç. José Fontana, à dir.).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Classificada como Imóvel de Interesse Público, traduz uma linguagem severa «estilo chão», cuja fachada, servida por escadaria dupla, lateral, para vencer o desnível do adro, surge rasgada por um portal emoldurado a cantaria, rematado por tímpano interrompido por um medalhão em baixo relevo com o emblema do santo padroeiro. Ladeada por duas torres sineiras [a torre sineira que se eleva à esquerda é mais recente [1976?], definidas por pilastras e cunhais de cantaria, é coroada por duplo frontão triangular.

Igreja de São Sebastião da Pedreira [1964]
Largo de São Sebastião da Pedreira; Rua Tomás Ribeiro
Ao findo, no quarteirão que esquina com a Avenida Luiz Bivar (já deste século) eleva-se  palacete do Dr. Egas Moniz. É em estilo português, do tipo do século XVIII.
Armando Maia Serôdio, in Lisboa de Antigamente

O interior, de nave única, revela uma decoração barroca dos sécs. XVII e XVIII, integrada no conceito da «arte total», destacando-se: as obras de talha branca e dourada; o património azulejar, nomeadamente o do início de Setecentos, alusivo a S. Sebastião; as telas pintadas, em 1740, com a iconografia do referido santo; a pintura em estuque do tecto da nave, datada do fim do séc. XIX, alusiva ao orago; e um retábulo da «Ceia» assinado por Cirilo Volkmar Machado, exposto na capela do Santíssimo Sacramento.

Igreja de São Sebastião da Pedreira [post. 1941]
Largo de São Sebastião da Pedreira; Rua Tomás Ribeiro
Vista do coro tirada da Capela-mor
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

N.B. Na igreja existem algumas imagens assinaláveis, tais a de Nossa Senhora da. Saúde, quinhentista, de roca, só exposta no dia da sua festa e que pertencia à primitiva ermida, e uma de Santa Rita de. Cassia (na antiga capela do Santíssimo) que fez parte do recheio do hospício desta invocação, pertencente aos frades agostinhos, e que existiu na rua de S. Sebastião da Pedreira. No chão da capela-mor, em sepultura rasa, existe o túmulo de D. João. Bermudes, patriarca da Etiópia, e que es teve primeiro depositado na primitiva ermida, da qual o prelado foi protector (morreu em 1570).
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 82, 1939.
idem, Inventario de Lisboa, Fasc. 11, 1956.
monumentos.pt.

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