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Tuesday, 28 July 2015

Jardim Zoológico de Lisboa

Inaugurado em 1884, o Jardim Zoológico de Lisboa foi o primeiro parque com fauna e flora da Península Ibérica. Foram vários os seus fundadores - Dr. Pedro Van Der Laan, José Thomaz Sousa Martins e o Barão de Kessler — que contaram com o apoio de várias personalidades, o Rei D. Fernando II e o zoólogo José Vicente Barboza do Bocage.
As primeiras instalações situaram-se no Parque de José Maria Eugénio de Almeida, à Palhavã, que foi cedido gratuitamente pelos seus proprietários.

Jardim Zoológico de Lisboa, entrada  Estr. de Benfica  [1905]
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Jardim Zoológico de Lisboa, Estr. de Benfica [c. 1907]
Os «almanjarras» ou «aventesmas», carros eléctricos abertos de 12 bancos, saíram de circulação até 1955. 
Fotógrafo não identificado,foto colorida in Lisboa de Antigamente
 
A 28 de maio de 1905, foram inauguradas as novas e definitivas instalações na Quinta das Laranjeiras. No dia 12 de Março de 1913, o Jardim Zoológico foi declarado Instituição de Utilidade Pública.

Jardim Zoológico de Lisboa [195-]
O busto de bronze - que se vê ao centro da alameda - é de Manuel Emídio da Silva, (Benemérito Amigo do Jardim Zoológico) da autoria do escultor Anjos Teixeira, filho. Inaugurado em 1937.
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

As inúmeras remessas de animais vindos de África e do Brasil contribuíram para que, ao longo dos anos, o Jardim Zoológico tivesse uma das colecções de animais mais vastas e diversificadas do mundo.
Destacaram-se, na realidade, alguns governadores das ex-províncias ultramarinas no contributo para o enriquecimento da colecção zoológica com exemplares de espécies exóticas, pouco conhecidas e muito atractivas.
Em 1952, a Câmara Municipal de Lisboa galardoou o Jardim Zoológico com a Medalha de Ouro da Cidade. (in zoo.pt)

Jardim Zoológico de Lisboa [1959]
Recinto dos elefantes
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 16 April 2023

Jardim Zoológico: entradas por Sete Rios e pela Estr. de Benfica

Duas entradas possui o Jardim Zoológico: a velha entrada, pelos portões de Farrobo, na Estr. de Benfica, e a entrada por Sete Rios. A primeira, reveste-a o encanto dado pela patina do tempo. A segunda, com o ar lavado das edificações recentes, leva-nos, de chofre, a uma realização em que cada pedaço ressuma ternura. Uma põe-nos em contacto com o esplendor da natureza; a outra, com uma obra que é fruto doce do sentimento humano. Valiosas ambas. [A. Sousa: 1963]

Entrada do Jardim Zoológico de Lisboa, Sete Rios |1961|
Praça Marechal Humberto Delgado, antigo Largo de Sete Rios
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Inaugurado em 1884, o Jardim Zoológico e d'Aclimatação de Lisboa foi o primeiro parque com fauna e flora da Península Ibérica. Foram vários os seus fundadores — Dr. Pedro Van Der Laan, José Thomaz Sousa Martins e o Barão de Kessler — que contaram com o apoio de várias personalidades, o Rei D. Fernando II e o zoólogo José Vicente Barboza du Bocage.
As primeiras instalações situaram-se no Parque de São Sebastião da Pedreira, mais propriamente no Parque de Santa Gertrudes (Palhavã), hoje facilmente reconhecível pelos seus muros ameados, enquadrando torreões, como que protegendo as traseiras do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian. Em 28 de Maio de 1905 foram inauguradas as novas e definitivas instalações na Quinta das Laranjeiras (Condes de Farrobo), a Sete Rios
No dia 12 de Março de 1913, o Jardim Zoológico foi declarado Instituição de Utilidade Pública.

Entrada do Jardim Zoológico de Lisboa, Estr. de Benfica |1908-1914|
Vendedor ambulante de azeite
Charles Chusseau-Flaviens, in Lisboa de Antigamente


Friday, 2 March 2018

Palácio e Parque José Maria Eugénio

O antigo Palácio José Maria Eugénio [de Almeida] situa-se entre o Largo de S. Sebastião da Pe­dreira, o começo da Estrada Palhavã [actual Rua Dr. Nicolau Bettencourt], a Rua Marquês de Sá da Bandeira e a Avenida Duque de Ávila, sobre a qual se estende o recente muro do jardim, com seus portões e guaritas soerguidas. As fachadas mantêm-se como em 1860, época da reedificação.


No primeiro quartel do século XVIII este sitio de S. Sebastião da Pedreira, onde viria a ser edificado o palácio ainda hoje denominado «de José Maria Eugénio» — tradição oral mais pró­xima — era quase completamente rústico, com uma ou outra casa a animar as imediações da igreja de S. João da Pedreira. Fazia-se por aqui caminho para Palhavã, onde já se erguia desde há muito o Palácio dos Condes de Sarzedas. O arquitecto francês Fernando Larre, que servira D. João V, cobiçou o local e fez nele erguer, cerca de 1780, um palácio, sólido e amplo, que não sofreu grande dano pelo Terramoto. Do primeiro Larre passou a propriedade, que desfrutava de uma larga área arborizada, para um filho, e deste para o neto do fundador, Fernando Larre Garcez Lobo Palha e Almeida, que foi Provedor dos Armazéns, cargo que andava na sua família, e extinto em 1798 (o actual Largo de S. Sebastião da Pedreira chamava-se então «do Provedor dos Armazéns»). Morreu o terceiro Larre em 1797, e o palácio continuou na posse de seus descendentes, no mesmo aspecto primitivo, mas interiormente muito, beneficiado. Haviam trabalhado nas decorações o famoso estucador João Grossi, o continuador, deste, Félix Salla, e os ornamentistas Biel e Gomassa

Panorâmica sobre S. Sebatião da Pedreira [c. 1900]
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Legenda:

1 - Palácio e Parque José Maria Eugénio [ou Palácio Vilalva]; 2 - Largo de S. Sebastião da Pe­dreira; 3 - Palácio Sá da Bandeira; 4 - Praça de Touros do Campo Pequeno

Em 1860 a propriedade veio às mãos de José Maria Eugénio de Almeida, opulento capitalista, um dos sócios do «real contrato do tabaco, sabão e pólvora» e foi este homem quem promoveu a reedificação e ampliação do palácio, no estado em que hoje sensivelmente se encontra, obra levada a efeito pelo arquitecto decorador Cinatti. Com o aproveitamento da área arborizada construiu-se o Parque José Maria Eugénio [ou de Santa Gertrudes], então mais dilatado, fronteiro aos jardins posteriores do palácio, os quais se estendiam até ao eixo da Avenida Duque de Ávila do nosso século [séc. XX] então estrada estreita com sua porta da circunvalação. O escultor Calmeis trabalhou nas emoldurações exteriores da frontaria. 
O Parque [de Santa Gertrudes], rodeado inteiramente de muros ameados, tornou-se uma das curiosidades de Lisboa, e nele esteve instalado o Jardim Zoológico de 1890 a 1909 [vd. 2ª imagem].

Planta do Jardim Zoológico D’Acclimação de Lisboa [1883]
Entre 1883-1895 instalou-se no Parque de Santa Gertrudes o Jardim Zoológico e d’ Acclimação de Lisboa, in Lisboa de Antigamente

O Palácio dos Larres [vd. carta abaixo à esq.] perdeu o aspecto setecentista e tornou-se um belo edifício, mais burguês do que nobre, embora se houvessem aproveitado as ricas decorações interiores, à base de estuque em preciosos relevos. O filho e sucessor de José Maria Eugénio, Carlos Maria Eugénio de Almeida, pre­tendeu valorizar a propriedade iniciando a construção de uns anexos, em tipo inglês de castelo, destinados a cocheiras e aposentadorias, os quais não se concluíram e ainda hoje se mostram em pitoresco aspecto sobre a Estrada de Palhavã
Carlos Maria Eugénio casara com D. Maria do Patrocínio de Barros Lima, e do casal os únicos dois filhos, Condes de Vilalva e de Arge, não sobreviveram a sua mãe, falecendo, respec­tivamente, em 1987 e 1989. Por morte, em 1940, da viúva de Carlos Maria Eugénio, sucedeu no senhorio da propriedade, já então reduzida na parte do Parque, por expropriações municipais, o engenheiro agrónomo, Vasco Maria Eugénio de Almeida, 2.° Conde de Vilalva, filho do primeiro do titulo. 

Parque José Maria Eugénio [1909]
[Santa Gertrudes]
Planta Topográfica de Lisboa, de Silva Pinto

in Lisboa de Antigamente

Quinta do Provedor dos Armazéns [1801]
Carta Topographica de Lisboa de José D. Fava
in LdA















 
Em começo de 1946 o Estado adquiriu àquele bisneto do reedificador, para o Ministério da Guerra, o palácio que fora dos Larres, provedores dos armazéns, e de José Maria Eugénio de Almeida, nome este que perdura. Realizaram-se então no edifício largas obras de beneficiação, adaptação e de nova distribuição de salas, com construção dos anexos, dentro do grande jardim posterior, e de um muro sobre a Avenida Duque de Ávila, com ângulos adorna.dos de elegantes guaritas de vigia. Estes transformações foram dirigidas pelos arquitecto António Quinina e engenheiros João de Deus Pimentel e Filipe Ribeiro

Panorâmica sobre  Parque José Maria Eugénio  [c. 1900]
No ano de 1868 inicia-se a construção das cocheiras (ao centro) do Palácio Vilalva, segundo um projeto de Cinnati
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O edifício foi destinado a Quartel General do Governo Militar de Lisboa, havendo sido inau­gurado em 28 de Agosto de 1948, mas já dias antes militarizado, depois de, em 28 de Maio desse. ano, no salão nobre se haver efectuado uma grande reumião de oficiais superiores do Exército. 
Quanto ao que resta do formoso Parque José Maria Eugénio — onde nos últimos anos se tem realizado a «Feira Popular» — ele é ainda propriedade do Conde de Vilalva. 

Nota(s): Pode o estimado leitor ver mais imagens e pormenores deste Palácio e Parque José Maria Eugénio na nossa página de Facebook.
_________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, fasc. VIII. 1950.
Gulbenkian.pt.

Friday, 26 January 2024

Largo dos Jerónimos: Calçada do Galvão e o antigo Jardim Colonial

Do Largo dos Jerónimos saem a poente a Rua dos Jerónimos também de Belém antiga que morre na confluência da Rua das Pedreiras e Estrada dos Pocinhos, já subúrbios campestres e a nascente a Calçada do Galvão (António José Galvão , oficial maior da Secretaria de Estado dos Estrangeiros e da Guerra) que conduz ao Cemitério da Ajuda e às terras de Pedro Teixeira, em rigor arredores de Lisboa dentro de Lisboa.


Este topónimo homenageia António José Galvão, oficial-mor do Corpo de Sua Majestade (Intendente das Polícias). No nº 25-27 deste arruamento encontra-se a «Casa do Galvão», casa nobre de gosto barroco, construída numa quinta doada, em 1758, pelo rei D. José I a António José Galvão.

Calçada do Galvão |1941|
Perspectiva tomada do Largo dos Jerónimos; à direita, o Jardim Botânico Tropical, criado por Decreto Régio em 25 de Janeiro de 1906, pelo Conselheiro Moreira Júnior (Ministro da Marinha e Ultramar), sob o nome de Jardim Colonial.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Aqui temos o portão do jardim Colonial [actual Jardim Botânico Tropical — recorda Norberto de Araújo — , área arborizada e ajardinada com cerca de cinco hectares que constitui um admirável Parque científico e cultural de Lisboa.
Este belo logradouro botânico (a Cerca do Paço ou Palácio de Belém) foi o Regius Hortus Suburbanus, de «singular recreação», construído por D. João V [...] Este portão de ingresso e cortina gradeada, foram inaugurados em 1936, apesar de uma legenda de azulejo embebida no muro apresentar a data de 1927 (começo das obras, logo depois interrompidas); substituem a muro velho e portão de madeira da Cerca.
Quanto ao Jardim Colonial, foi criado em Janeiro de 1906 pelo Jardim Colonial então Ministro da Marinha e Ultramar, Dr. Moreira Júnior como dependência do Instituto de Agronomia, e instalou-se primeiramente (1907) no Jardim Zoológico
Como esta Cerca desde 1910 se encontrava quási ao abandono, foi para ela transferido o Jardim Colonial em Junho de 1912, mas só em 1914, após montagem de aparelhos de aquecimento nas novas estufas , a instalação se realizou em definitivo , já com novas alamedas abertas e com o traçado paisagista rectificado.

Largo dos Jerónimos |1939-03-06|
Ao fundo nota-se o portão do antigo Jardim Colonial, actual Jardim Botânico Tropical, criado por Decreto Régio em 25 de Janeiro de 1906.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Este Jardim é rico de espécies — acrescenta Araújo — , abundando as palmeiras, cedros, eucaliptos e casuarinas, entre plantas e arbustos de flora tropical e subtropical, tudo num delicioso conjunto, raro em Lisboa, envolvendo regatos, lagos, estufas, cascatas, tanques, grupos escultóricos e abrigos de meia sombra.==

 Antigo Jardim Colonial, actual Jardim Botânico Tropica |1961|
O plano inicial do Jardim foi concebido no reinado de D. Carlos I e a sua instalação foi dirigida por Henry Navel, jardineiro paisagista francês, que conseguiu aliar os aspectos educativos, que norteavam a sua criação, aos paisagistas. 
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, pp. 91-93, 1939.

Friday, 18 January 2019

Sete Rios

Como poderia haver sete «rios», que percorressem a curta zona compreendida entre o Jardim Zoológico (Estrada de Benfica) e a linha férrea (Campolide-Rego) ? Que «rios» foram ou eram estes? ¹


Lisboa possui dois casos do emprego toponímico do mesmo número redondo «sete»: Sete Rios, local onde, ao menos na época pluviosa, convergem vários cursos de água, e Alto dos Sete Moinhos, local onde se ergueram diversos moinhos de vento, de que ainda restam as ruinas.²

Sete Rios |196-|
Desvio das linhas dos eléctricos devido às obras do Metropolitano em Sete Rios; Estr. de Benfica.
Judah Benoliel, 
in Lisboa de Antigamente

O lugar de Sete Rios surge então — recorda o Guia de Portugal de 1924 —, na confluência de duas estradas, uma para O., chamada hoje Rua de Campolide, que leva à estação deste nome, e outra para E., que constitui a travessa das Laranjeiras. [...] O troço da esq. leva ao Palácio Farrobo com frente ao  Chafariz das Laranjeiras.
Uma linha eléctrica liga a Rotunda [actual Praça do Marquês de Pombal] com Benfica passando pela Avenida de António Augusto de Aguiar, Palhavã, Sete Rios, Laranjeiras, Cruz da Pedra e S. Domingos de Benfica.³
 
Estr. de Benfica vista da Rua de Campolide) |196-|
Antes do desvio das linhas dos eléctricos devido às obras do Metropolitano.
Judah Benoliel[?], 
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ Ocidente: Revista portuguesa de cultura, vol. 57, p. 2, 1959.
² O número redondo «sete» na toponímia lisboeta. Papeis de José Maria António Nogueira in Anais das Bibliotecas, Museus e Arquivo Historico Municipais, p. 107, 1931.
³ Guia de Portugal, 1924.

Sunday, 3 November 2024

Rua Filipe da Mata

Ao arruamento anteriormente designado por Rua Particular Neves Piedade (construtor civil que teve grande influência na construção do Bairro do Rego), com início na Rua da Beneficência e fim Estr. das Laranjeiras, foi atribuída a denominação de Rua Filipe da Mata, através do Edital de 6 de Agosto de 1927.
Luís Filipe da Mata (1853-1924) foi um político republicano, vereador da primeira Câmara Municipal de Lisboa republicana (1908) e deputado e senador no Congresso da República. Era membro da Maçonaria.

Rua Filipe da Mata com a Estr. das Laranjeiras |c. 1920|
Estr. das Laranjeiras vai da Avenida dos Combatentes até à Estr. da Luz tem o seu topónimo nascido da Quinta das Laranjeiras (Palácio Farrobo), onde, desde 1905, está instalado o Jardim Zoológico.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto não está identificado no arquivo.
Rua Filipe da Mata com a Rua Mário Castelhano |c. 1920|
Entre os dois renques de prédios (alguns ainda de pé) e paralela à R. Mário Castelhano, existe o viaduto da Avenida dos Combatentes - dístico de 1971 - e que tem início na Praça de Espanha e a Estr. das Laranjeiras e fim na Rua Prof. Egas Moniz.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto não está identificado no arquivo.

Mário Castelhano (1896–1940), que foi o último coordenador do secretariado da Confederação Geral do Trabalho e morreu em 1940 no Tarrafal, teve passados quase 39 anos, desde a publicação do Edital de 19/06/1979, uma artéria que o homenageia, na Freguesia das Avenidas Novas, no que era um troço da Avenida António Augusto de Aguiar entre as Ruas Dr. Álvaro de Castro e Cardeal Mercier, com a legenda «Sindicalista/1896–1940». [cm-lisboa.pt]

Wednesday, 25 May 2016

Avenida Fontes Pereira de Melo: obras do Metropolitano de Lisboa

O primeiro projecto de um sistema de caminhos-de-ferro subterrâneo para Lisboa data de 1888, é da autoria do engenheiro militar Henrique de Lima e Cunha. Publicado na revista Obras Públicas e Minas, previa a um traçado que ligasse Santa Apolónia a Algés, com passagem pelo Rossio, São Bento, Janelas Verdes e Alcântara. O custo do empreendimento estava orçado em 500$000 réis por metro corrente de túnel. A proposta não avançou. 
Mais tarde, nos anos 20 do século XX, dão entrada na Câmara Municipal de Lisboa dois projectos, respectivamente, de Lanoel d’Aussenac e Abel Coelho (1923) e de José Manteca Roger e Juan Luque Argenti (1924), que não tiveram seguimento.

Avenida Fontes Pereira de Melo [entre 1955 e 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa; Palácio Sotto-Mayor
Judah Benoliel,in Lisboa de Antigamente

Somente a partir da 2ª Guerra Mundial com a retoma da economia e no seguimento das políticas de electrificação e aproveitamento dos fundos do Plano Marshall, surge com plena vitalidade a decisão de se construir um Metropolitano para Lisboa. A sociedade é constituída a 26 de Janeiro de 1948 e tinha como objectivo o estudo técnico e económico, em regime de exclusivo, de um sistema de transportes colectivos fundado no aproveitamento do subsolo da cidade. A concessão para a instalação e exploração do respectivo Serviço Público veio a ser outorgada em 1 de Julho de 1949.

Avenida Fontes Pereira de Melo [entre 1955 e 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

 Em Setembro de 1954, o Eng.º Francisco de Mello e Castro é nomeado presidente do Metro (cargo que desempenhou até ao final de Agosto de 1972). E no dia 18 é aberto o concurso para adjudicação das obras, material circulante e instalações fixas. As propostas são abertas em Dezembro e conduzem a um encargo total de 196 mil contos. 

Avenida Fontes Pereira de Melo [entre 1955 e 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Os trabalhos de construção iniciaram-se em 7 de Agosto de 1955 e, quatro anos depois, em 29 de Dezembro de 1959, o novo sistema de transporte foi inaugurado. No dia seguinte, por volta das três horas da manhã, existiam filas intermináveis à porta das estações para utilizar o novo meio de transporte. A afluência foi tanta que algumas estações foram obrigadas, por motivos de segurança, a cancelar temporariamente a venda de bilhetes de forma a que os passageiros não invadissem o cais. Entre as principais atracções estavam as escadas rolantes da estação do Parque
A rede aberta ao público consistia numa linha em Y, com uma extensão de 6,5 quilómetros, percorridos por 24 comboios, e 11 estações, com dois troços distintos, Sete Rios (actualmente, Jardim Zoológico) – Rotunda (actualmente, Marquês de Pombal) e Entrecampos – Rotunda (Marquês de Pombal), confluindo num troço comum, Rotunda (Marquês de Pombal) – Restauradores.

Avenida Fontes Pereira de Melo [c. 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa; Praça do Duque de Saldanha
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A estação Rotunda (Marquês de Pombal) permitia a correspondência entre os dois primeiros troços. Foi um importante acontecimento para a cidade e constituiu um enorme êxito, tendo-se elevado a 15,3 milhões o número de passageiros transportados no primeiro ano de exploração. O Metropolitano de Lisboa era, ao tempo da sua inauguração, o 14.º da Europa e o 25.º no mundo. O pioneiro fora o Metropolitano de Londres, em 1863, a partir da ideia de Charles Pearson, o inventor deste meio de transporte.

Avenida Fontes Pereira de Melo [c. 1959]
Obras do Metropolitano de Lisboa; Palacete  Gabriel José Ramires; Rotunda  Praça Marquês de Pombal
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Friday, 3 April 2026

Inauguração do Metropolitano de Lisboa

Inauguração do Metropolitano de Lisboa em 1959, versão a cores, Tobis Portuguesa, com Artur Agostinho, realizador Arthur Duarte (duração aprox.13 min)

O primeiro projecto de um sistema de caminhos-de-ferro subterrâneo para Lisboa data de 1888, é da autoria do engenheiro militar Henrique de Lima e Cunha. Publicado na revista “Obras Públicas e Minas”, previa já um sistema completo de linhas, formando uma rede. Mais tarde, nos anos 20 do século XX, dão entrada na Câmara Municipal de Lisboa dois projectos, respectivamente, de Lanoel d’Aussenac e Abel Coelho (1923) e de José Manteca Roger e Juan Luque Argenti (1924), que não tiveram seguimento.
Somente a partir da 2ª Guerra Mundial com a retoma da economia e no seguimento das políticas de electrificação e aproveitamento dos fundos do Plano Marshall, surge com plena vitalidade a decisão de se construir um metropolitano para Lisboa.

Os trabalhos de construção iniciaram-se em 7 de Agosto de 1955 e, quatro anos depois, em 29 de Dezembro de 1959, o novo sistema de transporte foi inaugurado. A rede aberta ao público consistia numa linha em Y constituída por dois troços distintos, Sete Rios (actualmente, Jardim Zoológico) – Rotunda (actualmente, Marquês de Pombal) e Entre Campos – Rotunda (Marquês de Pombal), confluindo num troço comum, Rotunda (Marquês de Pombal) – Restauradores.

Saturday, 14 November 2015

Estr. das Laranjeiras

Grupo de senhoras passeiam escondidas do sol debaixo dos guarda-solinhos, calcorreando a Estr. das Laranjeiras — local pontuado por palacetes, hortas e casas da pasto — provavelmente na direcção do antigo sítio chamado Palhavã (actual Praça de Espanha), ou, quiçá, regressando do Jardim Zoológico na Quinta das Laranjeiras.

Estrada das Laranjeiras |190-|
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente


O topónimo «Laranjeiras» neste local está indubitavelmente ligado à Quinta  das Laranjeiras de Estêvão Augusto de Castilho, cuja referência mais antiga data de 1671. Quinta que foi do conde de Farrobo (1779), na estrada reallê-se no Novo Guia do viajante em Lisboa de 1872; sitio muito ameno. Tem palácio, um teatro sumptuoso, lagos, pontes, grutas, cascatas, quiosques, pavilhões chineses, jaula de feras, baloiços, abundante arvoredo, flores, prados, torreões, lindas ruas, bela gradaria sobre a estrada, portões elegantes, estufas, em fim um composto aprazível.

Estrada das Laranjeiras |190-|
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente
 

Sunday, 26 July 2026

Rua de Campolide, 437-441

Vejamos agora esta antiga Rua de Campolide na companhia de Mestre Norberto de Araújo.
Campolide — que significa? Qual a origem do vocábulo?
Nós não temos tempo, nem plano, para nos embrenharmos nestas complicadas dissertações etimológicas. A versão de que a palavra corresponde à abreviação de Campo-da-lide (século XIV, tempo do Cerco a Lisboa pelos castelhanos) está posta de parte. Alguns séculos antes a designação existia; já o Rei D. Afonso II (1211) possuía «duas vineas in Campolide».

Rua de Campolide, 437-441 |c. 1936|
Fila de automóveis defronte da garagem C. Santos; ao fundo vê-se o viaduto da Linha de Cintura (Sete Rios) na direcção da actual Av. Columbano Bordalo Pinheiro. A representação da Mercedes-Benz para Portugal foi atribuída em 1936 à firma C. Santos, começando por incluir veículos automóveis e passando, posteriormente, a englobar todos os veículos produzidos por esta marca alemã. 
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Parece mais acertado ficarmos na ignorância da origem da palavra — acrescenta o mesmo autor — que corresponderia já no ciclo da tomada de Lisboa ao que o cruzado Osberno chamava, pela sónica, Compolet, e que seria Campolit." ==
[ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 77, 1939]

Rua de Campolide, 437-441 |1961|
Viaduto ferroviário de Sete Rios. A dir vê-se o edifício C. Santos (fund. 1912). Todos estes prédios estão demolidos.
Artur I. Bastos, in Lisboa de Antigamente

Fotografia aérea da zona Sete Rios |1977|
Em primeiro plano, na dir. baixa, observa-se o viaduto da Linha de Cintura sobre a Rua de Campolide e, nela, o edificado (demolido) que se pode ver nas imagens acima, e as instalações da firma C- Santos. À esq-, nota-se o Jardim Zoológico; em cima, ao centro, o então Hotel Penta defronte do Hospital Santa Maria e da Cidade Universitária; mais à esq, a Universidade Católica e o antigo Estádio de Alvalade e, à dir., o Hospital Santa Maria. 
Fernando Gonçalves, in Lisboa de Antigamente

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