A apresentar mensagens correspondentes à consulta capilé ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta capilé ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Antigo Capilé do Camões

Dias de calor horrível, logo desde manhã abrasando — escrevia João da Camara em O Occidente nos idos de Agosto de 1898.  Não bole uma folha nas árvores; n'ellas se não ouve o pio d'um pássaro. O catavento imóvel aponta para leste. Todos ofegantes suspiram para que chegue a tarde. Calam-se todas as paixões, apaga-se nos cérebros o pensamento O capilé é rei, a cerveja imperatriz. Enquanto quase todos sofrem, folgam apenas os donos de cafés e as limonadeiras do Rocio.

Praça Luís de Camões, 41 |1929|
[Junto à Rua das Gáveas]
Antigo Capilé do Camões, uma verdadeira loja de conveniência: há lá coisa melhor
que um capilé, ou uma carapinhada, para 'empurrar' uns pastéis de Belém.

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Fim de Agosto. Lisboa é como morta, dormindo a longa sesta. De quando em quando, abre um olho para ver um simulacro de toirada, move uma perna em direcção a um arraial; mas não são movimentos voluntários: apenas uns espreguiçamentos. 
E quem fala é só para queixar-se. A enfiada dos lugares comuns: Que tempo horrível! — Mil vezes o Inverno,  — Fins d'Agosto são sempre assim.  — Antes na África.==

Praça Luís de Camões, 41 |1934|
[Junto à Rua das Gáveas]
Antigo Capilé do Camões, uma verdadeira loja de conveniência: há lá coisa melhor
que um capilé, ou uma carapinhada, para 'empurrar' uns pastéis de Belém.

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

domingo, 27 de junho de 2021

Profissões de Antanho: vendedor de água fresca e Capilé

Mais uma recordação da Lisboa do século passado, da Lisboa dos trapeiros imundos, das saloias de botas de cano alto e de saia rodada, dos vendedores de sinas, dos aguadeiros, das ciganas, da mulher da fava-rica, da mulher dos farrapos ou das garrafas para vender, do homem dos balões, dos pirolito, da água fresca e do capilé.

Vendedor ambulante de água fresca e Capilé |1908|
Avenida 24 de Julho; ao fundo nota-se a Fábrica de Gás da Boavista.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

O Xarope de Capilé é uma receita antiga, incluída no Cozinheiro Moderno (1780), confeccionado a partir de frondes de avenca e com um toque de água natural de flor de laranjeira, dilui-se com água para obter um refresco ligeiramente doce, e não era vergonha nenhuma para o grande Eça de Queiroz, declarar o capilé como sua bebida preferida para acompanhar o Bife à Marrare.

Vendedor ambulante de água fresca e Capilé |1908|
Avenida 24 de Julho
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

domingo, 7 de março de 2021

Da Praça de Luís de Camões ao Chiado, «capital de Lisboa»

Pode São Bento ter-se convertido no símbolo da Política; o Terreiro do Paço no símbolo da Burocracia; a Rua dos Capelistas no símbolo da Finança; o Chiado alcançou o privilégio de os superar a todos, porque se converteu no símbolo do Bom-Tom. Passando a pontificar na Literatura e na moda, consequentemente os homens de letras passaram a escrever para o Chiado, os janotas a apurar-se para o Chiado, as Senhoras a vestir-se para o Chiado. Mais do que uma rua, ainda que das mais afortunadas de Lisboa, o Chiado tornou-se uma verdadeira instituição nacional  quase que um autêntico Estado dentro do Estado, com o seu Governo, o seu Parlamento, a sua Academia, a sua Catedral. Eça de Queiroz não hesitou mesmo em afirmar: «o que um pequeno número de jornalistas, de políticos, de banqueiros, mundanos decide no Chiado que Portugal seja — é o que Portugal é.»¹


Quem está neste Largo do Chiado — relembra Mário Costa — , pode dar um saltinho até à Praça de Luís de Camões, e é justo que se atreva a essa pressuposta acrobacia, para trazer à lembrança os traços pitorescos que o progresso apagou, a começar na eliminação dos típicos quiosques com venda de refrescos, onde se bebia o melhor capilé de Lisboa. [vd. 3ª imagem]

Da Praça de Luís de Camões ao Chiado, «capital de Lisboa» [séc. XIX]
Largo do Chiado, que já foi Largo das Cavalariças Reais, Largo do Loreto e Largo das Duas Igrejas.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Ajudavam a compor o singelo friso, os esfuziantes vendedores das popularíssimas castanhas assadas no forno — quentes e boas, dé réis vinte! — ; o pictural homem do realejo, acompanhado do urso amestrado, que dançava ao som do toque de pandeireta; a sugestiva tela que conglobava as incomparáveis cenas interpretadas pelos inimitáveis pantomineiros de praça pública  empoleirados em pequena tripeça, fazendo uso do mais cómico palavreado, uma arenga às massas ingénuas — às vezes também desfrutadoras – propagandeando milagrosos produtos, tudo maravilhoso, elixires da longa vida, para fazer crescer o cabelo e extrair calos sem dor, os únicos para tirar as nódoas do fato.

Da Praça de Luís de Camões ao Chiado, «capital de Lisboa» [séc. XIX]
Largo do Chiado, que já foi Largo das Cavalariças Reais, Largo do Loreto e Largo das Duas Igrejas.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

 Foi-se toda essa colorida pintura, muito século XIX, quadros que enterneciam, pela ingenuidade do desenho. Também certo dia se arrancaram os utilíssimos bancos de duas tábuas, que foram o consolo de velhos reformados; e, em nome da civilização, se demoliu outro estilo de quiosque, todo de ferro e em forma cilíndrica, disfarçado por grande biombo, com entrada só para homens. [vd. 3ª imagem]

Da Praça de Luís de Camões ao Chiado, «capital de Lisboa» [1912]
Ao fundo notam-se os antigos bancos de duas tábuas e o desaparecido urinol
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
 
Bibliografia
COSTA, Mário, O Chiado pitoresco e elegante, pp. 90-102, 1987.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Profissões de antanho: o vendedor de capilé

— Capilé, copo com água!

Cortejo cívico, procissão, parada militar, feira ou qualquer outra manifestação que provoque ajuntamento, logo surgia e surgirá sempre, a completar o panorama, certo e sabido, o homem da «água fresquinha ou capilé»!
O material para o «negócio» é simples: um tabuleiro de zinco com quatro pernas, dois copos, uma garrafa de capilé, limões, uma faca para os cortar e uma bilha de água com a rolha trespassada por um pedaço de cana para não ter de a destapar, conservando a água isolada e fresca.
Depois é só instalar-se em local bem visível ou circular através da multidão e apregoar:

— Água fresquinha ou capilé! Capilé, copo com água!...

Vendedor de capilé  [1918-08]
Praça do Comércio
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

E não lhe falta freguesia porque há sempre gente que mesmo que não tenha sede lhe desperta a sede, mesmo que observe os copos mal lavados, passados ali num ápice, que ele não pode gastar muita água com tais preocupações, pois, se muita gastasse, pouca lhe ficaria para vender.
— Capilé, copo com água! Água fresquinha ou capilé!




Marchand de boisson [entre 1903 e 1908]
Largo Duque do Cadaval, vendo-se a Estação do Rossio(*)
Charles Chusseau-Flaviens, in Lisboa de Antigamente
(*) O local não se encontra identificado pelo fotógrafo





O capilé, ou xarope de avenca, também se vendia em abundância, ou na conhecida casa de Santo Antão, em frente do Coliseu, cheia de avencas no tecto, hoje transformada em botequim, ou nos demolidos quiosques do Camões, e, ainda, pelos vendilhões de água fresca e do capilé de cavalinho, chupado pelos rapazes em canudos de folha, sôbre os quais bailarinas, toiros e t oireiros giravam.
O prémter marchand d'eau — velhote vestido de branco, com chapéu de  palha — fez época no Rossio.

 — Capilé, copo com água!
_______________________
Bibliografia
DINIS, Calderon , Tipos e Factos da Lisboa do meu tempo (1900-1974), p. 298, 1986.
Olisipo: boletim do Grupo «Amigos de Lisboa», 1945.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Café Martinho

Depois diante do Martinho, fallou em irem tomar neve [nome que se dava ao gelo em rama, sorvete]; mas D. Felicidade receava a frialdade, Luiza tinha vergonha. Pelas portas do café abertas, viam-se sobre as mesas jornais enxovalhados; e algum raro indivíduo, de calça branca, tomava placidamente o seu sorvete de morango.

Eça de Queiroz (1845-1900) O Primo Basílio, 1878.


De mais marcante no local, — recorda-nos Norberto de Araújo — e com saborosas tradições políticas e literárias, ai temos o Café Martinho, fundado por Martinho Bartholomeu Rodrigues em 1846, transformado já no actual século [XX], e que foi objecto de uma consagração evocativa na noite de 26 de Dezembro de 1936 pelo grupo «Amigos de Lisboa».

A fama do Café Martinho excedeu todas as expectativas anteriores à sua celebrada inauguração. Mas o certo é que contava já, à partida, com um fundador célebre na praça de Lisboa: Martinho Bartolomeu Rodrigues, proprietário — pelo menos desde 1829 — do Café da Arcada e contratador oficial da neve que se vendia na cidade. Presumir-se-ia que os gelados do Martinho viriam a ser — como de facto foram — cobiçados por Lisboa inteira.
(Marina Tavares Dias, Os cafés de Lisboa, 1999)

Café Martinho, a fachada inicial tal como Eça de Queiroz a conheceu [1909]
— Quer você vir tomar o seu chá ao Martinho? — É a melhor torrada de Lisboa. [Eça de Queiroz, A Relíquia]
Praça D. João da Câmara. antigo Largo Camões

 Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

O Largo [antigo de Camões hoje Praça D. João da Câmara] que separa a Estação do Rossio do teatro ex-D. Maria, ex-Nacional, hoje Garrett, deveria chamar-se, se houvesse justiça nos nomes das ruas e praças, Largo dos Cafés. Tem nas suas margens os dois maiores cafés de Lisboa, o Suisso e o Martinho. Defronte tem outro pequeno: o da Gare, que, coitado, já está todo amachucado. Também quem se lembra de pôr um prédio daquele tamanho em cima dum café tão pequenino!

(André Brun (1881-1926), A Baixa às 4 da tarde, 1910)


Café Martinho, a entrada de ferro e vidro, após o restauro [ca. 1910]
Ainda me lembro que há dois anos o café Martinho foi respeitosamente de chapéu na mão pedir ao senado lisbonense licença para colocar algumas cadeiras e umas modestas mesas em face das suas portas, no grande largo deserto que lhe fica defronte.
O senado rejeitou o pedido, vendo nas ambições do café Martinho um perigo para o trânsito público.
[Guilherme de Azevedo, Crónicas de Paris: 1880-1882]

Praça D. João da Câmara. antigo Largo Camões
Alberto Carlos Lima,
in Lisboa de Antigamente
Café Martinho, a entrada de ferro e vidro, após o restauro [1909]
Praça D. João da Câmara. antigo Largo Camões
Joshua Benoliel,
in Lisboa de Antigamente
Café Martinho, após o restauro [1909]
Praça D. João da Câmara. antigo Largo Camões
No Martinho, já silencioso, o gás ia adormecendo entre os espelhos baços; e havia apenas numa mesa do fundo um moço triste, com a cabeça enterrada entre os punhos, diante de um capilé. [Eça de Queiroz, A Relíquia]
 Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Foi o café mais importante de Lisboa e, como tal, aparece referido por vários autores ao longo da sua existência, como se pode constatar em alguns excertos que aqui publicamos. Nele se reuniram gerações de intelectuais. O Café Martinho era famoso pelas suas deliciosas confecções culinárias, pelas torradinhas de Meleças, pelo chá verde com limão e pela neve, a par das desinteligências políticas e literárias que nele ocorreram. Foi palco logo no ano seguinte da peleja entre o batalhão Académico e os Batalhões do Algarve e da Carta, vendo esvoaçar pelo ar copos, chávenas, garrafas, pratos, açucareiros, bandejas, espelhos, tampos de mármore e bancos, desacato este que só findou com a intervenção da cavalaria municipal. Tal ocorrência justificou-se pelo facto de o filho do proprietário pertencer à quarta companhia do Batalhão Académico. Augusto Zeferino Rodrigues cursou direito.

Café Martinho, a sala de café e galeria da sobreloja onde ficava o restaurante [1909]
Praça D. João da Câmara. antigo Largo Camões

 Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

 

Foi no café Martinho — unico, n'essa epocha, que as senhoras atravessavam até à sala interior, para tomarem neve n'uma estufa!
Bulhão Pato (1829-1912), Memórias II [c. 1854]


Sucedeu a seu pai como proprietário do Café Martinho da Arcada e do Café Martinho do antigo Largo Camões. Este café tinha uma ampla sala com arcarias, cujas colunas eram revestidas com espelhos de Veneza. As mesas eram rectangulares com tampo em mármore branco. Os bancos do lado da parede eram de espaldar presos à parede. Ao fundo desta sala existia uma estreita e reservada sala de senhoras, onde as damas se deliciavam a saborear a famosa neve, ou seja, os sorvetes da época.
Personagens ilustres frequentavam este café. Alexandre Herculano ia lá sempre às quintas-feiras à tarde. Eça de Queiroz, Almeida Garrett, Bulhão Pato, o actor Tasso, o livreiro Zeferino Albuquerque, Pedro Lopes de Mendonça, Zacarias de Aça, Júlio de Castilho, Camilo Castelo Branco, Júlio César Machado, José Estêvão, Mendes Leal, Guerra Junqueiro entre tantos outros também figuram no leque da clientela assídua deste café. Célebres se tornaram também alguns dos seus criados, é o caso do Fagundo e do galego Valentim este último retratado inclusivamente em O António Maria, de Rafael Bordalo Pinheiro, graças ao seu enorme nariz.

Café Martinho, salão de restaurante na galeria da sobreloja [1909]
Ao fundo, um quarteto com piano de cauda animava almoços e jantares.
Praça D. João da Câmara. antigo Largo Camões

 Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Em 1909, o café foi remodelado. A antiga fachada foi substituída por uma entrada de ferro e vidro [vd. 2ª e 3ª fotos]. O interior do café decorado com arte-nova. A decoração e pinturas eram do artista João Vaz e as esculturas de Josef Füller. Mário de Sá Carneiro e Fernando Pessoa aí se encontravam para rever as provas tipográficas dos livros do último e da própria revista Orpheu.
Entre 1950 e 1953, o Café Martinho foi transformado em cervejaria, pertencendo à data à Companhia de Cervejas Estrela. A sua clientela passou a ser a geração académica dos anos 50 e 60, e o seu petisco o bife especial. Em Maio de 1968 o café encerrou portas e em Outubro desse ano reabriu como dependência bancária do Banco do Alentejo. É actualmente uma dependência do Banco Português de Investimento.

Café Martinho [ant. 1968]
Praça D. João da Câmara. antigo Largo Camões

Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Na «sentença de partilhas» dos bens de Martinho Bartholomeu Rodrigues (falecido a 22 de Abril de 1881) — refere Marina T. Dias — figura uma dívida de 1.214 réis, contraída pela Casa Real em vários fornecimentos de neve. A relação dos bens do antigo neveiro prossegue, depois, ao longo de oito páginas, indicando valores tão díspares como acções e obrigações, jóias  e peças de ouro, propriedades urbanas e terrenos agrícolas. [...] Um pormenor, contudo, atesta o verdadeiro luxo praticado no serviço dos dois cafés: o valor dos talheres e outros utensílios de prata (que serviam às mesas) que vem mencionado na relação dos bens. 422..618 réis valiam as pratas do Martinho da Arcada e ainda mais — 467.684 — as do Martinho do antigo Largo Camões [uma verdadeira fortuna para aquela época].
______________________________________________________________________
Bibliografia
QUEIROZ, Eça de, O Primo Basílio, 1878.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 84, 1939.
DIAS, Marina Tavares, Os cafés de Lisboa, 1999.
AMIGOS DE LISBOA, Evocação do Café Martinho, 1936.
SUCENA, Eduardo, «Cafés» in SANTANA, Francisco e SUCENA, Eduardo, 1994.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

As «velhas tílias do Camões»

Mas olha-me esta Praça, Dilecto, e o enfiamento do Chiado: tem a sua graça ingénua alfacinha, e uma ponta de beleza. (...) Hoje ainda possue uma certa harmonia de conjunto nos edifícios sóbrios e nas árvores que a rodeiam — uma das quais um exemplar de tília, por ventura o mais interessante da Cidade, onde se aninham às tardes os «pardais do Camões», que em revoadas chegam dos campos, num espectáculo bem curioso, de uma ternura de cidade romântica.


Praça de Luís de Camões [c. 1950]
Poda da tílias
Judah Benoliel,in Lisboa de Antigamente

Praça de Camões?, sabe? — explicava à irmã uma filhinha do Jaime Cortesão — é um grande largo onde está Camões, no meio, a ler versos e à volta os pardais a aplaudi-lo. Sim, à volta nas árvores, e principalmente naquelas duas tílias da esquina do Alecrim, que deviam ser consideradas monumento nacional, árvores na última hora da tarde tão carregadas de vida inocente que fazem parar e sonhar o lisboeta calcinado pela luta e pelo amargor de todos os dias. Árvores que aplaudem Camões e tornam os homens melhores. 

Praça de Luís de Camões [c. 1950]
Poda da tílias
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Finalmente, em Outubro de 1963, a «formosa Praça recebeu importantes modificações» — recorda-nos Mário Costa —  desapareceram os antigos quiosques com o seu capilé e foram acrescentados novos bancos em pedra lioz da autoria de mestre José Luís Monteiro, «coincidindo esse embelezamento, com o forçoso derrubamento da bela e vetusta tília — a «velha tília do Camões» — , que os muitos anos e a doença fizeram tombar. Uma guarnição de pinheiros mansos, em pleno crescimento, substitui o perdido exemplar botânico e as suas desventurosas irmãs».

Praça de Luís de Camões [c. 1950]
Poda da tílias
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia:
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, 1938.
BRANDÃO, Raul, ANGELINA, Maria, Os pardais de Lisboa. Portugal Pequenino, 1930.
COSTA, Mário, O Chiado pitoresco e elegante, 1987.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Vendedor ambulante de refrescos no Largo Duque do Cadaval

Do Largo Duque do Cadaval (Freguesia de Santa Justa) não existe atribuição oficial do topónimo nem quaisquer data de referência De acordo com a DEAT/CML [Divisão de Alvarás, Escrivania e Toponímia] em email de 18/l l/05, «trata-se de um terreno propriedade da CP. e, como tal, não é da competência da CML atribuir-lhe denominação». 
(in Ler história - Edições 52-53, p. 233)

O prémter marchand d'eau, velhote vestido de branco, com chapéu de  palha,  fez época no Rossio. apregoando as suas refrescantes beberagens:
— Capilé?
— Groselha?
— Salsaparrilha?

Marchand de boisson  [entre 1908 e 1914] 
Largo Duque do Cadaval, vendo-se a Estação do Rossio
[D. Nuno Álvares Pereira de Melo (1638-1727), 1º Duque de Cadaval]

Charles Chusseau-Flaviens, in Lisboa de Antigamente
(*) O local não se encontra identificado pelo fotógraf
o
Web Analytics