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domingo, 16 de junho de 2019

Chafarizes de Sant'Ana

Este Largo do Mastro é que foi o sítio exacto do «Campo do Curral» — recorda-nos o insigne olisipógrafo Norberto de Araújo. Mas é preciso não perderes de vista que essa cortina — o muro paredão que sustenta o jardim do Campo dos Mártires da Pátria — não existia sequer até hà cem anos [c. 1838]. Desde o Convento de Sant'Ana até ao Paço da Rainha (isto é: desde o Instituto Bacteriológico até à Escola do Exército), o pavimento, em encosta, era todo um, com mal pronunciada ondulação de terreno.


Adossado ao muro paredão que sustenta o jardim do Campo dos Mártires da Pátria encontramos o Chafariz do Campo de Santana virado ao Largo do Mastro. O muro é em cantaria de granito aparente, em aparelho isódomo e está fronteiro a pequena faixa de passeio público, pavimentado a calçada, a qual confina com um parque de estacionamento.
Chafariz simplista de planta rectangular, construído em 1887, autor desconhecido, assente em plataforma de dois degraus em cantaria de calcário lioz e vermelho. É executado em cantaria de calcário lioz, composto por espaldar rectilíneo, encimado por recortes lobulados e, ao centro, pequeno espaldar contracurvado, onde surgem as armas municipais, emolduradas por painel circular e a data «1887». Cada um dos lóbulos, com molduras múltiplas circulares, possui uma bica em chumbo, rodeada por pétalas de flores, que vertia para tanque rectangular, de perfil galbado, assente em pequeno rodapé rectilíneo, com bordos boleados; o interior encontra-se tripartido por blocos de cantaria, capeados a cimento, com escoamento metálico. No espaldar e no bordo do tanque surgem vestígios das antigas réguas de apoio ao vasilhame. No lado esquerdo, surge um vão de verga recta e moldura simples, protegido por porta metálica, pintada de verde, de acesso à caixa de água.
Monumento Nacional desde 2002.

Chafariz de Santa Ana [1944]
Largo do Mastro
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Nas imediações, situa-se um segundo chafariz, denominado Chafariz do Largo do Mastro. [vd. 2ª foto]
Este chafariz foi inaugurado em 1848, em Belém, no sítio do Chão Salgado, por iniciativa camarária, com projecto do arq. Malaquias Ferreira Leal. Na sua construção foram utilizados elementos escultóricos do Chafariz do Campo de Santana [vd. N.B.], que nunca chegou a ser construído, nomeadamente 4 golfinhos da autoria do escultor Alexandre Gomes. Por ocasião da Exposição do Mundo Português, em 1940, o chafariz foi retirado do local original e mais tarde, em 1947, reutilizado no Largo do Mastro, ao Campo de Santana. Chafariz elegante, de boa cantaria, em forma de obelisco, que apresenta uma urna de curvas reentrantes e de 4 faces, das quais emerge, respectivamente, um golfinho com a função de bica. A rematar este núcleo decorativo eleva-se uma alta pirâmide hexagonal, estriada, cintada por faixa lisa a um terço de altura, coroada por uma pinha.

Chafariz do Largo do Mastro [1947]
Largo do Mastro
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

N.B. Quanto ao novo e esplendoroso Chafariz de Santa Anna — que viria substituir o chafariz "interino" que ali existia — , diz-nos a Memória de Velloso de Andrade, que o projecto foi abandonado por razões desconhecidas:
"Esse Chafariz, se se fizesse conforme o risco approvado, era de tamanha architectura, que devia conter as quatro figuras que estiveram no Lago do Passeio Público; o Tejo, e o Douro, que ainda existem no dito Passeio; os quatro Golfinhos, que se acham no Chafariz de Belém, e as quatro Carrancas, que serviram para o Chafariz d'Alcântara; como tudo se mostra no dito risco. As figuras acima ditas, foram feitas pelo Portuguez Alexandre Gomes, por 3:746$246 réis, incluindo 706$S46 réis, importe das seis pedras postas no telheiro ao Campo de Santa Anna, aonde as ditas figuras foram feitas; pelas quaes um Lord Inglez offerecia doze mil cruzados.[...]

Chafariz de Santa Ana [finais do  séc. XIX]
Campo dos Mártires da Pátria
Foi demolido em finais do séc. XIX aquando da construção do Jardim dos Campos dos Mártires da Pátria vulgo Campo de Santana; a dir. nota-se uma clarabóia do Aqueduto e, ao fundo, vê-se o prédio sito nos Campo dos Mártires da Pátria, 96, erguido em 1854 e que ainda lá está.
Autor não identificado, in Lisboa de Antigamente

Este chafariz n.º 6 situava-se a norte do Campo de Santa Anna (Campo dos Mártires da Pátria) sobre a antiga Carreira dos Cavallos, hoje Rua de Gomes Freire, conforme atesta o levantamento topográfico realizado em 1858 por Filipe Folque [vd. carta topográfica]. Em 1838 "foi reformado, pondo-se-lhe em frente um semicírculo de columnellos, cujo espaço foi calçado de novo". 
Em 1851, o Chafariz do Campo de Santa Anna (chafariz n.º 6) tinha 4 bicas, 2 tanques, 5 companhias de aguadeiros, 5 capatazes e cabos, 165 aguadeiros e 2 ligeiros. Os sobejos foram concedidos ao Hospital de S. José, por Ordem de 23 de Maio de 1792. Abastecia, por volta de 1850, o antigo Hospital de Rilhafoles (hoje Miguel Bombarda) e o Asilo de Mendicidade (hoje Hospital dos Capuchos). 

Local do Chafariz do Campo de Santa Anna em 1858
Levantamento topográfico de Lisboa sob a orientação de Filipe Folque, 1858 (excerto)
A vermelho está assinalado o chafariz e o Aqueduto que levava a água ao Chafariz do Campo de Santa Anna; a azul, a antiga Carreira dos Cavallos, hoje Rua de Gomes freire.
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, pp. 61, 1938.
VELOSO DE ANDRADE, José Sérgio , Memória sobre Chafarizes, Bicas, Fontes e Poços Públicos de Lisboa, Belém e muitos lugares do Termo., 1851.
cm-lisboa.pt.

domingo, 6 de julho de 2025

Campo dos Mártires da Pátria com a Calçada do Moinho de Vento

Isto foi o Campo de Sant'Ana.
Desde 12 de Novembro de 1880 11 de Julho de 1879, passou a chamar-se Campo dos Mártires da Pátria, designação que perdura no dístico municipal, mas que não entrou na auditiva popular. O Campo de Sant'Ana — ajardinado em feitio paisagista ao tipo ingénuo lisboeta, desde há uns quarenta anos — é uma alameda, e por vezes passeio de estudantes, que teria uma característica bizarra em Lisboa se a costumeira tradicionalista das capas e batinas não houvesse, quási, desaparecido.¹


Campo dos Mártires da Pátria |1940|
Jardim do Campo de Santana ou Braamcamp Freire; Monumento a Sousa Martins.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Embora fixada na memória da cidade em data que se desconhece. já em 1770 esta artéria aparece mencionada como «Moinho de Vento» na «Fregª de N. Snra. da Pena» e também é indicada como «em vez de 'Moinho de Vento' refere 'Calsada do Moinho de Vento'».

Campo dos Mártires da Pátria com a Calçada do Moinho de Vento|1907-07|
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Porém, embora não se tratando de um dado validado, existirá um processo da Inquisição datado de 1594, no qual surge uma menção a um moinho de vento na encosta do Campo Santana. Segundo Pero Nunes Tinoco, arquitecto que levou a cabo as medições e o roteiro do projecto do Aqueduto das Águas Livres no século XVII, toda a gigantesca obra iria atravessar os terrenos lavradios até aos moinhos de vento.
A Calçada do Moinho de Vento está incluída num espaço considerado como imóvel de interesse público tal como consta no Decreto n.º 2/96 de 6 de Março de 1996, promulgado pelo Ministério da Cultura no Diário da República.²

Campo dos Mártires da Pátria com a Calçada do Moinho de Vento|1907-07|
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

N.B. O Campo de Santana passou a designar-se Campo dos Mártires da Pátria, pela deliberação camarária de 5 de junho e consequente Edital municipal de 11 de Julho de 1879, em memória dos 11 companheiros de Gomes Freire de Andrade suspeitos de conspiração contra o general Beresford, que neste local foram enforcados há 200 anos, no dia 18 de outubro de 1817. No decorrer do século XIX, a memória ainda viva destes acontecimentos também cognominava popularmente a artéria como Campo Mártires da Liberdade. [cm-lisboa.pt]
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Bibliografia
¹ 
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, p. 35, 1938.
² 
jfsantoantonio.pt.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Praça de Touros do Campo Pequeno

O olisipógrafo Norberto de Araújo caracteriza da seguinte forma este emblemático monumento da capital:
«É uma Praça bonita, decorativa, com suas cúpulas, janelas rasgadas, e a sua patina de tijolo mouro».[2]

A Praça do Campo Pequeno, no gosto árabe peninsular, não é um padrão — é uma reconstituição. Salvaguarda de costumes. Ela grita, exulta, guisalha, estoira foguetes, soa clarins, estridula fanfarras, por todas aquelas que a precederam: as arenas de Xabregas, de Belém, da Junqueira, do Rossio, do Terreiro do Paço; as praças do Salitre, do Campo de Santana, do Campo Pequeno velho. As touradas resistem.  
 
A Praça do Campo Pequeno é o torreão das pitorescas evocações alfacinhas, o testemunho de um pequeno elo que ligou a realeza, a nobreza e o povo na mesma exaltação de garbosidade e de valentia, do brio e do sangue escaldante da nossa gente. Lisboa sem uma praça de touros coxeava nas tradições.» [1]

Praça de Touros do Campo Pequeno [c. 1940]
Judah Benoliel, 
in Lisboa de Antigamente

«Este sítio do Campo Pequeno, que desde há séculos foi logradouro público, vasto eirado arrabaldino, no qual se realizavam exercícios militares, por vezes paradas, e feiras improvisadas, teve também praça de touros (século XVIII) por pouco tempo, rudimentar, de madeira, é claro, e que não dá crónica suficiente na história da tauromaquia, não passando de um episódio. De resto, em Lisboa «brincou-se aos touros» em todos os sítios, do oriente a ocidente, onde havia terreno livre; quatro tábuas, e estava pronta uma praça. [2]

Praça de Touros do Campo Pequeno [post. 1892]
Regimento de infantaria em exercícios

Chaves Cruz, 
in Lisboa de Antigamente

São de 1741 as primeiras referências à realização de corridas de touros na zona do Campo Pequeno. Aqui foi inicialmente construída uma praça de Madeira, mas como tinha pouca capacidade começaram também a aparecer outras praças em diferentes pontos da cidade. 

Praça de Touros do Campo Pequeno [c.1892]
Francesco Rocchini, 
in Lisboa de Antigamente

Foi então cedido, pelo Município de Lisboa, um terreno baldio na zona do Campo Pequeno onde, já no século XVIII, se tinham efectuado corridas de toiros. As obras de construção da Praça iniciaram-se no principio de 1891 tendo sido projectada pelo arquitecto António José Dias da Silva (1848-1912) e, em 18 de Agosto de 1892 a Praça de Toiros do Campo Pequeno - com a presença da Família Real - abriu as suas portas com uma gala, com pompa e a circunstância adaptada à exigência deste momento alto para a cidade de Lisboa. Actuaram os cavaleiros Fernando Tinoco e Fernando d'Oliveira com touros de Infante da Câmara. Desde então a sua monumentalidade e beleza são emblemas da cidade de Lisboa.

Praça de Touros do Campo Pequeno  [post. 1892]
Chaves Cruz, 
in Lisboa de Antigamente

Este notável edifício foi concebido em estilo neo-árabe pelo arquitecto António José Dias da Silva. Tem uma estrutura circular toda em tijolo, com 4 cúpulas bolbosas de inspiração turca. O redondel tinha 80 m. de diâmetro, coberto com areia, vedado por uma cerca em madeira separada das bancadas por um corredor; estas estão dispostas em círculo, divididas em catorze talhões com 4000 lugares, e duas bancadas superior de cinco filas com estrutura de ferro, tendo, respectivamente, 2100 e 860 lugares. 

Praça de Touros do Campo Pequeno  [c. 1951]
António Passaporte, 
in Lisboa de Antigamente

São encimadas por camarotes e galerias, tendo capacidade para 8438 espectadores que se distribuíam pelas duas ordens dos 165 camarotes e galerias. Encerrada ao público em Junho de 2000, devido ao seu avançado estado de degradação, foi objecto de obras de remodelação, segundo projecto do arq. José Bruschy, com a colaboração dos arquitectos Pedro Fidalgo, Filomena Vicente, Lourenço Vicente, João Goes Ferreira e Gonçalo Teixeira, concluídas em 2006. 

Fotografia aérea da Praça de Touros do Campo Pequeno e arredores [c. 1940]
Judah Benoliel, 
in Lisboa de Antigamente

N.B. O Campo Pequeno foi inaugurado com um espectáculo de Filipe La Féria a 16 de Maio de 2006 e a 18 do mesmo mês com uma corrida de touros tradicional. Actualmente, o Campo Pequeno acumula a sua valência inicial, como praça de touros, com a de sala de espectáculos multiusos com capacidade para: 8770 pessoas., integrada num centro de lazer, que conta também com uma moderna galeria comercial e um parque de estacionamento subterrâneo.
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[1] ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, p. 83, 1943.
[2] ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 68, 1939.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Rua do Sol a Santana

A Rua do Sol a Santana, na freguesia de Arroios, antes do Edital de 1859 já era mencionada como Rua do Sol ao Campo de Sant'ana, como encontramos num prospecto de Maio e Junho de 1858 em que Maria Isabel Pires pretendia rectificar o prédio com o n.º 25, bem como depois do Edital do Governo Civil, em que registamos numa planta municipal de 16 de Novembro de 1892, da autoria de Augusto César dos Santos e Ressano Garcia, as obras a fazer na Rua do Sol ao Campo Santana.

Rua do Sol a Santana |1968|
Ao fundo, a entrada do Instituto de Medicina Legal de Lisboa na Rua Manuel Bento de Sousa.
Armando Serôdio. in Lisboa de Antigamente

sábado, 11 de junho de 2016

Convento de Sant'Anna, sepultura de Luiz de Camões

Diz-se que as ossadas de Luíz Vaz de Camões, que se encontram no Mosteiro dos Jerónimos, foram retiradas de um túmulo da Igreja do antigo Convento de Sant'Anna (vd. Fig. 1), onde terá estado depositado o corpo do poeta de 1595 a 1737. Na tentativa de encontrar os ossos do grande épico foram  criadas duas comissõoes: a primeira em 1836 e a  segunda em 1856. Ambas asseguraram ter descoberto os restos mortais de Camões, se bem que em diferentes locais do convento.(vd. Fig 2). Subsistem dúvidas sobre se serão mesmo do autor de "Os Lusíadas", já que não foi encontrado no local qualquer inscrição que o indicasse.

Convento de Sant'Anna, igreja [ant. 1900]
Antiga Rua do Convento de Sant'Anna [actual Rua do Instituto Bacteriológico]
com a antiga Travessa do Convento de Sant'Anna [Rua Câmara Pestana].
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O Convento pertencia à Ordem dos Frades Menores (Ordem de São Francisco), estava situado junto ao  antigo Campo de  Sant'Anna (hoje Campo dos Mártires da Pátria), na freguesia da Pena. Foi extinto em 4 de Maio de 1884, por morte da última religiosa madre Maria da Conceição, tendo sido demolido em 1899 para a construção do Instituto Bacteriológico de Câmara Pestana.

Convento de Sant'Anna [ant. 1900]
Antiga Rua do Convento de Sant'Anna [actual Rua do Instituto Bacteriológico]
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Em 1561, «vinte freiras penitentes que habitavam, em  regra religiosa de Santo Agostinho, um Recolhimento no Castelo, fundado — diz a tradição — por uma prêta chamada simplesmente Ana» (ARAÚJO, 1939), acordaram com a Real Irmandade dos Escravos do Santíssimo Sacramento de edificar o mosteiro junto às paredes da pequena Ermida de Sant'Anna, de que aquela se dizia proprietária, sob a protecção da rainha D. Catarina, mulher de D. João III, lavrando-se escritura da concordata, em 21 de Julho de 1561.

Fig. 1 - Carta topográfica de Folque, Filipe, 1858 [Fragmento ]
Legenda (clicar para ampliar):
Vermelho: Convento de Santana, igreja
in Lisboa de Antigamente

Quando se instalaram as freiras, surgiram discórdias de parte a parte, dissolvidas pelo Terramoto de 1755, visto que destruiu a ermida e desmoronou parte do Convento, obrigando as religiosas a abrigarem-se em barracas feitas na cerca, indo os irmãos de Sant'Anna para São Crispim, à Sé, onde trataram de reedificar a capela com a mesma invocação.

Fig. 2 - Planta do Convento de Santana, igreja [30 Out. 1899]
Legenda (clicar para ampliar):
Azul: O local das ossadas de Luiz de Camões determinado pela segunda comissão em 1836
Vermelho: O local das ossadas de Luiz de Camões determinado pela segunda comissão em 1856
in O Occidente

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Chafariz de Belém no antigo Largo do Chafariz, actual Largo dos Jerónimos

Como a água da nascente do Chafariz da Bola diminuiu, a Câmara decidiu em 28 de Maio de 1846 construir um novo chafariz em Belém, no sítio do Chão Salgado. Ligou-se para esse efeito a velha mina à nova mina numa distância de 124 braços e procedeu-se à reforma de 240 palmos do antigo encanamento, sendo este prolongado até ao Chão Salgado, mais 924 palmos.

Chafariz de Belém |1939|
Rua de Belém
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Este novo chafariz foi projectado por Malaquias Ferreira Leal, sendo inaugurado em 4 de Abril de 1848, às 12h12 minutos. Encheu o primeiro barril o criado do Sr. Domingos Fernandes, morador em frente ao chafariz, n.º 46. Os quatro golfinhos eram do chafariz do Campo Santana e foram executados por Alexandre Gomes. Toda esta obra custou 9:325$900 réis. Era também designado por chafariz n.º 23 de Belém. Tinha em meados do século XIX (1851) quatro bicas, uma Companhia de Aguadeiros, um capataz e trinta e três aguadeiros. Em 1940, aquando das Festas da Fundação da Nacionalidade [Exposição do Mundo Português] este chafariz foi transferido para o Largo do Mastro, local onde ainda hoje permanece.

Chafariz de Belém |1939|
Rua de Belém
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

domingo, 15 de novembro de 2020

Instituto Bacteriológico de Câmara Pestana

Em 1891 Câmara Pestana foi enviado ao Instituto Pasteur em França onde aprofundou os seus estudos e onde completou a sua educação científica fundando, na sequência dos seus estudos, o Instituto Bacteriológico em Lisboa no ano de 1892.
O Instituto acabaria por «abrir as suas portas» somente após a morte de Câmara Pestana em 1902, recebendo em sua homenagem o nome de Real Instituto Bacteriológico Câmara Pestana, tendo assumido grande preponderância como Laboratório de Saúde Pública e Centro de Bacteriologia ao longo dos últimos 100 anos.
 
Instituto Bacteriológico de Câmara Pestana [1906]
Rua do Instituto Bacteriológico e Rua Câmara Pestana; antiga do Convento de Santana e antes do Convento das Freiras de Sant'Ana
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente
 
O Instituto desenvolve acções no campo da saúde pública, particularmente nos domínios da difteria, estreptococias, microbiologia clínica e verificação de produtos biológicos. É o laboratório produtor nacional da vacina anti-tuberculose e responsável pela vertente humana da luta anti-rábica em Portugal.
O Instituto Bacteriológico de Câmara Pestana foi incorporado na Universidade de Lisboa em 1911, anexo à Faculdade de Medicina de Lisboa, até à publicação dos Estatutos da Universidade de Lisboa, em 1989.
O topónimo Rua do Instituto Bacteriológico foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa através de Edital de 13/08/1918, à Rua do Convento de Santana (antes Rua do Convento das Freiras de Santana).
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Bibliografia
Miguel Bombarda (1851-1910) e singularidades de uma época. Coordenadores: Ana Leonor Pereira; João Rui Pita, 2006.
cm-lisboa.pt; ul.pt.

domingo, 16 de agosto de 2020

Bairro Chinês, Marvila

A construção das barracas fazia-se de noite porque quem as construía trabalhava, normalmente, durante todo o dia. Mas também se esperava pela noite para esconder o trabalho de construção dos olhos dos polícias.


O Bairro Chinês, o maior bairro de barracas da zona oriental de Lisboa, ficava onde hoje podemos ver os bairros Marquês de Abrantes, Alfinetes e Salgadas e Quinta do Chalé.
A confiar apenas na descrição da rua principal, a impressão que nos fica do Bairro Chinês está longe de ser a melhor. Quando chovia, as águas que desciam a encosta desde o campo do Clube Oriental de Lisboa – mais conhecido, simplesmente, por Oriental – até à passagem de nível arrastavam consigo a terra dos arruamentos improvisados, abrindo um canal de lama que dividia o bairro ao meio. “Passava um regato no meio, onde deitavam as necessidades”, descreve um morador. “E tinha umas tábuas para se passar de um lado para o outro”. Um verdadeiro riacho no meio de Marvila.

Bairro Chinês [195-]
Marvila, junto ao campo de futebol do Oriental
Judah Benoliel, 
in Lisboa de Antigamente

É sabido que, embora não seja oficial, o epíteto de Bairro Chinês se tornara habitual. No entanto, o nome não é consensual. A origem já foi apontada a um suposto proprietário de ascendência oriental. “O nome Bairro Chinês não tinha nada que ver com os nomes das quintas”, diz, construindo o puzzle. “O que aconteceu foi que alguém se lembrou que, por causa da densidade das pessoas, aquilo parecia a China.” De alguma forma, a analogia não pareceu errada à maioria das pessoas, já que “o bairro tinha mais ou menos duas mil famílias”. Assim ficou. Independentemente do nome, este bairro foi porto seguro para muita gente que fugia à miséria e à desesperança que grassavam nas terras do interior do país, ofuscando qualquer falta de condições das barracas de chapa e madeira.
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Bibliografia
A vida no Bairro, O Bairro Chinês na primeira pessoa, João Santana da Silva, historiador, 2015.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Ermida de N. S. da Conceição da Carreira (ou Carreirinha)

A Ermidinha situa-se na Rua Gomes Freire — antiga Carreira dos Cavalos —, zona dedicada às corridas de cavalos e foi edificada em 1738, pelo Infante D. Francisco, irmão do rei D. João V e senhor da Casa do Infantado que havia cedido aos Religiosos Capuchos da Província da Beira uns terrenos para aí se fundar um hospício. Atribui-se a autoria do edifício a Manuel da Costa Negreiros arquitecto da Casa do Infantado, que pela mesma altura trabalhou nas obras da capela real do vizinho Paço da Bemposta. Comparando os dois monumentos existem algumas semelhanças entre as duas, no traçado sóbrio e na aplicação do arco contracurvado. 

Ermida de N. S. da Conceição da Carreirinha |1932|
Rua Gomes Freire (antes do alargamento e rectificação da via que ocorreu na década de 1940

À esq., a Ermida da Carreira (ou Carreirinha); à dir., a Rua da Cruz da Carreira; ao fundo, o Campo dos Mártires da Pátria
Fotógrafo não identificado, 
in Lisboa de Antigamente
 
A Ermida da Carreira, de fachada simples, apresenta o brasão de armas do Infante mecenas e possui duas pilastras com capitéis ornados em tríglifo. No interior, o altar-mor está ladeado pelas imagens de São Francisco e de Santo António, respectivamente, em homenagem ao Infante e ao santo patrono do hospício. O coro sobre a porta da entrada foi sucessivamente alterado para que os frades pudessem assistir às liturgias e não fossem vistos. Actualmente, e nas dependências anexas funciona o pré-seminário do Patriarcado.¹

Ermida de N. S. da Conceição da Carreira (ou Carreirinha) |1945|
Rua Gomes Freire
A fachada apresenta o brasão de armas do Infante D. Francisco
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente
 
Esta rua que desde 18 de Agosto de 1879 ostenta o nome de Gomes Freire homenageia Gomes Freire de Andrade (1757-1817), o filho de um diplomata que seguiu a carreira militar e foi considerado como um dos mais ilustres e mais atrozmente perseguidos mártires da liberdade em Portugal. Como militar, Gomes Freire de Andrade combateu em Argel (1784), na Rússia (1788), na Guerra do Rossilhão (1790) e já como marechal-de-campo, na Guerra das Laranjas (1801).² 
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Bibliografia
¹ (SANTANA, Francisco e SUCENA, Eduardo (dir.), Dicionário da História de Lisboa,
Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, 1975, pp.142-143)

² cm-lisboa.pt

quinta-feira, 10 de março de 2016

Rua do Chão da Feira e Porta de São Jorge

A Rua do Chão da Feira, que se situa em frente à porta principal do Castelo de São Jorge1, foi anteriormente designada apenas como Chão da Feira. Cristóvão Rodrigues de Oliveira regista-a no seu Sumário de Lisboa em 1551, incluindo-a na antiga freguesia de São Bartolomeu.

Rua do Chão da Feira [c. 1900]
Muralha do Castelo antes das obras de restauro (1938-40)
Ao fundo, a Porta de São Jorge, entrada para o Castelo de São Jorge.

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O ilustre olisipógrafo Norberto de Araújo refere que «Chão da Feira ainda se chama ao local pela força de realismo toponímico: no tempo de D. Afonso II, entre 1212 e 1223, aqui se realizava uma feira semanal, avó da «Feira da Ladra», que do Rocio, da Alegria, de Campo de Santana, foi parar ao Campo de Santa Clara, onde perdura às terças-feiras e sábados. O dia tradicional desta Feira da Ladra era, porém, a terça-feira.

Rua do Chão da Feira [c. 1900]
Muralha do Castelo antes das obras de restauro (1938-40)
Ao fundo a entrada para o Pátio de D. Fradique.

Lima, Alberto Carlos, in Lisboa de Antigamente

Aí temos a porta do Castelo que, sendo chamada «da Alcáçova» até ao tempo de Mestre de Aviz, 1385, recebeu depois, também, o nome de S. Jorge. Esta actual, escancarada, esburacada, já quási uma «ruína nova», é de 1846, tempo de D. Maria II, como podes ler na inscrição sobre a fachada exterior. Antes desse ano, o vão de ingresso teve portões com seus postigos.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, p. 17-20, 1938)

Rua do Chão da Feira [c. 1900]
 Porta de São Jorge, entrada para o Castelo de São Jorge
José Artur Bárcia, in Lisboa de Antigamente

O arco da Porta de São Jorge, é semelhante a um arco de triunfo, com arco pleno em fiadas adornada com mármore, sobre o fecho do qual se pode ler «4-4º-1846 — D. Maria II», sendo rematada com pedra de armas reais. Lateralmente, em letras de bronze, uma dedicatória ao Duque da Terceira, Ministro da Guerra. Esta porta dá acesso à Esplanada.

1 Fotos posteriores às obras de restauro do Castelo de S. Jorge (1938-40) podem ser vistas aqui)

terça-feira, 25 de abril de 2017

Lisboa Vista do Cimo dos Montes

Do Castelo, da Graça, do Alto de Santa Catarina, vista do cimo dos montes, das colinas, dos miradouros, Lisboa «enfia os olhos pelo Oceano». «Poucas vezes no mundo verá o viajante, como em Lisboa, tanta magnificencia de espectaculos naturaes, e tamanha variedade de scenario!», diz-nos o olisipógrafo Júlio de Castilho, para quem Lisboa «apresenta panoramas estonteadores, pela grandeza das linhas, e pelo variegado das minucias».


É de Francesco Rocchini (1822-1895)  esta  «vista tomada do Castelo de S. Jorge» que Norberto de Araújo descreve: «O encanto de Lisboa não se procura: encontra-se. Não reside num único sítio: dir-se-ia móvel, deambulatório. Vadio — passeando por onde lhe apetece. 
Aconselha-se o romeiro a que o não rebusque. Será a melhor maneira de dar com ele. 
Os mil motivos de interesse, de sedução, de êxtase — espraiam-se, perdem-se, ocultam-se e mostram-se pelas colinas e pelas planícies ribeirinhas. 
Num parque fecundado pelo sol, poetizado pelo luar, nascido espontâneo, enobrecido pelas idades — não é possível encontrar dispostos para nossos olhos os loureiros que coroam heróis e as rosas que engrinaldam vestais. Nem os rouxinóis têm moita certa. 
As colinas de Lisboa há que trepá-las para bem as conhecer. 
Os vinte miradouros suspensos de pérgolas e de torres, dão-nos o panorama objectivo, familiar: apontam-se as coisas, sabe-se-lhes a idade e a história. As colinas — não. Rugadas de congostas [*], quelhas, linhas de desfiladeiros, planos indecisos, são subjectivas. O seu encantamento é de sonho. 

Panorâmica de Lisboa tirada do Castelo S. Jorge  |c. 1870|
Panorâmica de Lisboa tirada da Sra do Monte
Francesco Rocchini (1822-1895), in Lisboa de Antigamente
 Legenda (clicar para ampliar):


Edifícios/Monumentos:
1—Igreja do Socorro (demolida c. 1940)  2—Palácio Folgosa (Propriedade Geraz de Lima)  3—Convento (Hospital) do Desterro  4—Hospital de S. José  5—Primitiva Igreja dos Anjos (demolida em 1908)  6—Campo de Sant'Ana  7—Convento de Santo António dos Capuchos  8—Palácio Mitelo  9—Palácio da Bemposta (Academia Militar) Paço da Rainha  10—Observatório Astronómico do Paço da Bemposta  11—Hospital de D. Estefânia  12—Palácio Pombeiro  13—Chafariz do Intendente  14—Hospital Miguel Bombarda (Antigo Rilhafoles)  15—Escola Superior de Medicina Veterinária (Antigo Instituto de Agronomia e Veterinária (Actual edifício da Policia Judiciária)
Arruamentos:
A—Rua de S. Lázaro  B—Rua da Palma  C—Rua do Benformoso  D—Largo (Sítio) do Intendente  E—Largo de Santa Bárbara  F—Arroios  G—Antigo Largo do Matadouro hoje Escola Municipal n.º 1 e, logo acima deste, o Largo do Mastro e o Beco (hoje Rua) do Saco

A penha do Castelo, abarcada desde o Largo do Caldas — é uma fantasmagoria. Do Rossio — uma maravilha. De Santana — um deslumbramento. 
Vista deste lado — a colina é um santuário; adivinha-se a torrinha sineira de uma ermida. Contemplada deste outro sítio — é uma muralha. Tomada do lado do mar — é um museu; alveja o perfil manuelino de uma janela. 
Em todas as colinas, subindo, acavalgando-se, amparando-se, tocando-se nos beirais, as casas, os tugúrios, os palácios, os monumentos, os aglomerados indistintos, cinzentos ou violetas, conforme lhes dá a luz — são cenários do presépio lisboeta. 
As Colinas de Lisboa — eis o panorama sagrado de uma cidade Olimpo, que enfia os olhos pelo Oceano. Os longes mandam na alma. Nas cidades e nos homens — as distâncias ganham em saudade o que perdem em nitidez. Castelo, Graça, Penha, Estrela, S. Francisco, — ascensão ideal... » 1

Bibliografia
1 ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, pp. 28-29, 1943.

* Nota(s): O Dicionário Houaiss e o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora registam cangosta, mas remetem para congosta, portanto, o termo preferível. Trata-se de «caminho estreito e comprido, mais ou menos declivoso» (in Dicionário da Porto Editora) e «estrada estreita, rústica, entre muros ou sebes, na região periférica de uma povoação, aldeia, vila etc.; azinhaga» (in Houaiss). A palavra vem do latim hispânico 'congusta (via)', por 'coangusta (via)', «caminho estreito», de 'coangustare', «apertar».

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Rua da Caridade

As Ruas da Caridade, — recorda-nos o olisipografo Norberto de Araújo — do Carrião e da Fé pertencem a S. José velho; morrem na pitoresca Rua do Passadiço, cortando a ressonante Rua do Cardal de S. José.¹


A Rua da Caridade, na Freguesia de São José, foi fixada na memória da cidade em data que se desconhece. No entanto, deverá este topónimo ser anterior ao terramoto de 1755 já que nos registos paroquiais anteriores a este evento o vemos referido como «rua da Charide», assim como posteriormente já com a grafia de Rua da Caridade. Também o olisipógrafo Luís Pastor de Macedo («Lisboa de Lés a Lés», vol. II) refere que «Além da Rua da Caridade que ainda existe na freguesia de S. José, e onde morreu em 1775 o grande pintor Pedro Alexandrino de Carvalho, houve o Alto da Caridade, parte do Campo de Santana, onde depois se construiu a praça de touros (...)».

Rua da Caridade [1944]
Vista tomada da Rua de  São José
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Pode colocar-se a hipótese de a origem advir dos irmãos da Caridade que se fixaram em alguns locais de Lisboa mas pode ter outras raízes se pensarmos no facto de nesta freguesia de S. José, para além da Rua da Caridade existir também a Rua da Fé e a Rua da Esperança do Cardal. Finalmente, sabe-se que por deliberação da CML de 07/08/1884, o Beco do Tem-Tem, situado entre a Rua de S. José e a Rua do Cardal, passou a estar integrado na Rua da Caridade por ser o prolongamento desta via pública e que esta passou desde aí a ter começo na Rua Passadiço e estender-se até à Rua de S. José.²

Rua da Caridade [1907]
Ao Rua do Cardal de S. José
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 93, 1939.
² cm-lisboa.pt.

domingo, 12 de julho de 2015

Chafariz do Intendente

A sua construção foi iniciada em 1 de Março de 1823. Em Março de 1824 foi interrompida, tendo-se já gasto 2 340§000 réis. Por Aviso de 1 de Julho de 1824 foram retomadas e concluídas as obras, orçando na sua totalidade em 8 862$668 réis. Inicialmente situava-se junto à Fábrica de Azulejos Viúva Lamego. Os primeiros esforços para construir um chafariz no local devem-se a Pina Manique, Intendente Geral da Polícia. Este chafariz foi projectado conjuntamente por Henrique Guilherme de Oliveira e Honorato José Correia de Macedo e Sá. Em estilo neoclássico, tem duas bicas e dois tanques semi-circulares. É rematado com uma esfera armilar, sobrepujada pelas armas nacionais, em tempos coroada [vd. 1ª foto]. A água deste chafariz era-lhe fornecida pelo Aqueduto das Águas Livres através da Galeria do Campo de Santana.

Chafariz do Intendente e a antiga taça-bebedouro [ant. 1917]
Largo Intendente Pina Manique
Observe-se  o remate com esfera armilar ainda  coroada.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Em 1917, por motivos de reorganização de trânsito, este chafariz foi transferido  para o actual local na esquina da Rua do Desterro em frente à Rua da Palma. Em 1851 tinha duas Companhias de Aguadeiros, dois capatazes, sessenta e seis aguadeiros e um ligeiro. [icm-lisboa.pt]

Chafariz do Intendente [1950]
Rua da Palma; Rua Nova do Desterro (dir.)
Eduardo Portugal,in Lisboa de Antigamente

A antiga taça-bebedouro — onde corria água sulfatada cálcica — que dava a nota pitoresca a este antiquíssimo largo encontra-se tristemente partida e completamente ignorada da sua função primitiva  de objecto escultórico que dinamizava o espaço público deste largo.

A antiga taça-bebedouro [1951]
Largo Intendente Pina Manique
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
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