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Friday, 17 July 2026

Avenida 5 de Outubro, 207-215

Prémio Valmor de 1929


No ano de 1929 o Prémio Valmor foi para uma moradia uni-familiar pertencente a Félix Ribeiro Lopes e cujo projectista foi Pardal Monteiro. Esta moradia situa-se na Av. 5 de Outubro, 207-215, utilizava uma linguagem de formas Art Déco e foi considerado “um belo exemplar da arquitectura moderna, impondo-se pelo equilíbrio das suas proporções, pela harmonia da sua decoração”[patrimonio.pt]

Avenida 5 de Outubro, 207-215 |1964-12|
Prémio Valmor de 1929
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Friday, 19 June 2026

Rua Viriato, 5

Prémio Valmor de 1917


O Prémio Valmor de 1917 foi atribuído a um edifício de habitação, composto por cinco pisos, na Rua Viriato, 5 que pertencia a António Macieira Júnior e cuja arquitetura se deve a Ernesto Korrodi. Apesar de o júri ter hesitado, referindo que "parte dos materiais empregados na fachada (...) estão mascarados com argamassa, do qual resulta não se conhecer logicamente a função da parte estrutural da obra", considerou que este seria um "belo edifício (...) quanto à composição da fachada, como (...) da planta (...) com detalhes felizes". [patrimonio.pt]

Rua Viriato, 5 |1952|
Prémio Valmor de 1917
Antiga R. Rua Barros Gomes (1913)
Gustavo de Matos Sequeira, in Lisboa de Antigamente


N.B. Viriato foi um Chefe militar lusitano, crê-se que terá vivido no século II a. C., tendo sido um dos mais importantes chefes que liderou o povo contra o domínio que Roma exerceu na Península Ibérica.

Sunday, 7 September 2025

Edifício da Ford Lusitana

A sede da “Ford Lusitana, SARL”, fundada em 11 de Janeiro de 1932, situava-se na Rua Castilho em Lisboa, e foi projectada pelo arquitecto Porfírio Pardal Monteiro em 1930. Foi demolido em 1974.

O edifício-sede da Ford Lusitana, situava-se no gaveto da Rua Castilho com a Rua Marquês de Subserra, no quarteirão seguinte aquele onde mais tarde o autor viria a projectar o Hotel Ritz.
Para além de escritórios, oficinas e venda de peças o edifício que se destinava a «expor e vender Automóveis, camiões e tractores, também exibia e vendia aviões».
O edifício adopta uma arquitectura de grande horizontalidade ao longo das duas ruas, sendo essa característica acentuada no 1º andar coberto por um terraço.

Edifício da Ford Lusitana, filial da Ford Motor Company U.S.A. |1937|
Rua Castilho, 149 com a Rua Marquês de Subserra, 2
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

No gaveto, fazendo charneira entre os volumes ao longo das ruas surge um grande corpo cilíndrico de vidro, luminoso onde a marca se destaca dia e noite [vd. última imagem].Este volume redondo, para além de uma forte componente publicitária que, com êxito imprimiu ao edifício, marca a entrada principal para clientes no edifício. Na altura da sua construção o edifício tinha grande exposição, sendo visível desde a Praça Marquês de Pombal, dominando o lago então existente no atualmente denominado Parque Eduardo VII.

Edifício da Ford Lusitana |c. 1940|
O Parque Eduardo VII foi ajardinado em 1929; a esq., sobe a Rua Joaquim António de Aguiar.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Vista aérea sobre o Parque Eduardo VII |c. 1950|
Ao centro observa-se o edifício-sede da Ford Lusitana e, à esq. deste, os terrenos do futuro Hotel Ritz (1959). Atrás nota-se o Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho.
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

Concebido para ter grande presença na noite de Lisboa, apresentava rasgados vãos ao nível do R/C onde os modelos da marca se podiam facilmente observar por quem passava nas zonas circundantes.
Neste projecto o arquitecto escolhe as peças e desenha mesmo algum mobiliário, o que permite a concepção da obra como um todo.
(PACHECO, Ana Assis - Ob. cit., 1998)

Edifício da Ford Lusitana |c. 1940|
Gaveto da Rua Castilho, 149 com a Rua Marquês de Subserra, 2
Fachada com corpo cilíndrico de vidro, luminoso onde a marca se destaca dia e noite-
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B. Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957) foi um dos mais importantes arquitectos da primeira metade do Século XX em Portugal e principal responsável pela viragem modernista da arquitectura portuguesa. O legado do arquitecto Porfírio Pardal Monteiro conta com obras como as Gares Marítimas de Alcântara (1943) e da Rocha do Conde de Óbidos (1948), a Igreja de Nossa Senhora de Fátima (Prémio Valmor 1938), o edifício do Diário de Notícias (anos 1930, premiado em 1940), entre muitas outras.

Friday, 14 July 2023

Avenida Duque de Loulé, 72-74

 Prémio Valmor de 1909
 
Construção em 1909, da autoria do arq.º Adolfo A. Marques da Silva para Fortunato Jorge Guimarães, 2ª Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909. Aqui funcionou o Auto-clube Médico Português. Demolido em 1965.

Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente
 
N.B. Instituído há um século, o Prémio Valmor surge na sequência de indicações deixadas no testamento do segundo e último visconde de Valmor, Fausto Queiroz Guedes, diplomata, político, membro do Partido Progressista, par do reino, governador civil de Lisboa e grande apreciador de belas artes.
Falecido em França em 1878, segundo o seu testamento, uma determinada quantia de dinheiro era doada à cidade de Lisboa de modo a criar-se um fundo. Este passaria a constituir um prémio a ser distribuído em partes iguais ao proprietário e ao arquitecto autor do projecto da mais bela casa ou prédio edificado.
Surge assim, com o nome do seu instituidor, o Prémio Valmor de Arquitectura.

Avenida Duque de Loulé, 72-74 
Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909

Sunday, 30 April 2023

Rua Pascoal de Melo

Pascoal José de Melo (Rua de) — Pretendeu-se honrar nesta denominação a memória do célebre jurisconsulto a Pascoal José de Melo Freire dos Reis (1738-1798), adoptando-se uma das duas formas porque este grande luminar do foro português foi conhecido.
Posteriormente à existência desta menção, e no intuito de se abreviar a denominação desta via pública, foi mutilado o nome do ilustre cultor do direito português, reduzindo-se o letreiro a Rua de Pascoal de Melo, apelidos pelos quais nunca o abalizado jurisconsulto foi conhecido. Melhor teria sido ao intento a adopção da segunda das duas formas que distinguem o seu nome, e que foi por seu sobrinho adoptada para distintivo das suas obras — Rua «Melo Freire». Legalizada esta designação pelos editais da Câmara de 13 de Dezembro de 1882 e de 8 de Junho de 1889.
(BRITO, Gomes de, Ruas de Lisboa. Notas para a história das vias públicas, 1935)

Rua Pascoal de Melo, 5-11 |1940-50|
Em 1951, foi suprimida a partícula “de” nos letreiros toponímicos deste arruamento,
ficando Rua Pascoal de Melo.
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): local da fotografia não está identificado no arquivo.

Os dois primeiros prédios na imagem acima, com os n.ºˢ de polícia 11 e 9, respectivamente, ainda lá estão. O último prédio — do qual só se descortina o torreão — ocupava os n.ºˢ 5-7 da Pascoal de Melo e tornejava para a Rua António Pedro, 113 [vd. imagem abaixo] já se encontrava demolido por volta de 1948.

Rua Pascoal de Melo |1911|
À esquerda, a fábrica de cerveja Germania, mais tarde Portugália e o Jardim Constantino e, ao fundo o Largo D. Estefânia; à direita, a Rua António Pedro e a Av. Almirante Reis para onde se dirige o «Desfile militar na homenagem à memória do Almirante Cândido dos Reis e de Miguel Bombarda».
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto está erradamente identificado no abandalhado amL.

Este edifico — uma moradia unifamiliar — foi distinguido, em 1914, com Menção Honrosa pelo júri do Prémio Valmor, atribuída a projectos "de arquitectura pouco vulgar e de um incontestável bom gosto artístico". O seu autor foi o “condutor de obras públicas” e arqº António Rodrigues da Silva Júnior (1868-1937).

Edifício Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1914
Casa de Richard Eisen, director técnico da Fábrica Germânia depois Portugália.
Gaveto da Rua Pascoal de Melo, 5-7 com Rua António Pedro, 113;
demolido c. de 1948.

Sunday, 5 February 2023

Sítio do Vale de Pereiro

Em cima — refere Norberto de Araújo — corria o Vale Pereiro, do qual existe, em reminiscência, uma parcela da Rua com aquele dístico, e que leva do Salitre a Alexandre Herculano.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 38, 1939)

A primitiva Rua  do abarracamento de Vale de Pereiro (1859) que hoje liga as Ruas Alexandre Herculano e do Salitre, passava a S. do Parque do Parque Eduardo VII (onde hoje se encontra a Praça Marquês de Pombal), e findava no Largo de Andaluz/São Sebastião da Pedreira (vd. mapa abaixo). 

Rua do Vale de Pereiro |c. 1903|
Demolição do muro do antigo Quartel do Vale de Pereiro (Caçadores 2); o troço que se vê na imagem corresponde actualmente à Rua Braamcamp (1887) rasgada na viragem do séc. XX; ao fundo, à direita, a «Casa Ventura Terra, Prémio Valmor de 1903» sita na Rua Alexandre Herculano, 57.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Nesta rua que foi "do abarracamento" de Vale do Pereiro — diz o olisipógrafo Matos Sequeira — , em frente do quartel, ficava em 1819 a afamada Casa de Pasto do Freixo, uma das hortas mais concorridas pela boémia popular desse tempo e, é de crer, pela tropa que transbordava do quartel.

Carta topográfica de 1888 [fragmento]
Legenda:
A vermelho a Rua do Vale de Pereiro
A amarelo a Rua Braamcamp
A verde a Rua Alexandre Herculano
A azul Quartel do Vale de Pereiro (Caçadores 2)
in Lisboa de Antigamente

Sunday, 15 January 2023

Sinagoga Shaaré Tikva (Portas da Esperança)

A sinagoga Shaaré Tikvá (“Portas da Esperança"), na Rua Alexandre Herculano, abrira em 1904 longe da vista pública, porque a Carta Constitucional proibia templos não-católicos. Desde Outubro de 1910, com a República laica, o gregarismo hebraico tendeu a aumentar, embora a aprovação dos estatutos da CIL , submetidos ao Parlamento em Junho de 1911, levasse quase um ano, até Maio de 1912. Vigorava já a Lei da Separação das Igrejas do Estado (1911) e proclamara-se a liberdade dos cultos. [Edeline: 2002]


Existiam em Lisboa, desde 1810, várias casas de oração, mas dificilmente reuniam as condições necessárias ao culto, pois situavam-se em modestos andares. Assim apesar das dificuldades ocasionadas pela falta de reconhecimento oficial, a Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) consegue comprar, em nome de particulares, um terreno para a construção de um edifício de raiz, próprio e condigno.

Sinagoga Shaaré Tikvá («Portas da Esperança», do hebraico) |c. 1903|
Primeiro templo não católico em Portugal continental desde 1497; Casa Ventura Terra, Prémio Valmor de 1903.
Rua Alexandre Herculano, 59
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

O projecto da sinagoga foi da autoria de um dos maiores arquitectos da época, Miguel Ventura Terra. Situada no n.º 59 da Rua Alexandre Herculano, teve de ser construída dentro de um quintal murado (contigua à Casa Ventura Terra, atelier do arquitecto), dado que não era permitida a construção com fachada para a via pública de um templo que não fosse de religião católica, então religião oficial do estado.

Sinagoga Shaaré Tikvá («Portas da Esperança», do hebraico) |c. 1903|
Primeiro templo não católico em Portugal continental desde 1497; Casa Ventura Terra, prémio Valmor de 1903.
Rua Alexandre Herculano, 59
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Lançada a Primeira Pedra em 1902, a Sinagoga Shaaré Tikvá é finalmente inaugurada em 1904, culminando um esforço de mais de 50 anos dos judeus de Lisboa.

Sinagoga Shaaré Tikvá («Portas da Esperança», do hebraico) |c. 1903|
Primeiro templo não católico em Portugal continental desde 1497; Casa Ventura Terra,
Prémio Valmor de 1903.
Rua Alexandre Herculano, 59
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Friday, 6 January 2023

Avenida Duque de Loulé, 47

Prémio Valmor de 1919


Em 1919 o Prémio Valmor mais uma vez foi atribuído a uma moradia unifamiliar sita na Avenida Duque de Loulé, n.º 47 — tornejando para a Rua Bernardo Lima — que pertencia a Alfredo May de Oliveira com projecto do arqº Álvaro Machado.
Esta moradia possuía três pisos de linhas sóbrias e era uma obra de estrutura essencialmente urbana. Demolida em 1961 deu lugar a um edifício com sete andares e lojas.
(Archer, Maria, Revista municipal Lisboa, 1945)

Avenida Duque de Loulé, 47 | 1961|
Prémio Valmor de 1919
Augusto Fernandes. in Lisboa de Antigamente

Nota(s): A Rua Bernardo Lima situada na Freguesia de Coração de Jesus é um topónimo atribuído em 1903 e homenageia Silvestre Bernardo Lima (1824-1881), agrónomo e veterinário, lente de Zootecnia e de Higiene, no Instituto de Agronomia e Veterinária, durante 30 anos.
Desenvolveu intensa actividade pedagógica e científica sendo na época o maior especialista português em zootécnica para além de ter organizado o recenseamento geral dos gados em 1870.

Avenida Duque de Loulé, 47 | 1922|
Prémio Valmor de 1919
Fotógrafo não identificado. in Lisboa de Antigamente

Friday, 25 November 2022

Palacete Vale Flor

Prémio Valmor de 1928


O Prémio Valmor de 1928 coube ao Palacete Vale Flor na Calçada de Santo Amaro, 83-85, projectado pelo arqº Pardal Monteiro sendo a Sociedade Agrícola Vale Flor sua proprietária. Era uma habitação isolada, de estrutura ainda bastante clássica. O júri recomendou a moradia com jardim como um “modelo de um género de construções que muito conviria desenvolver nas encostas de Lisboa, para interromper com manchas de verdura a monotonia do casario banal e para multiplicar os terraços de onde se possam desfrutar os incomparáveis panoramas da cidade”. Foi demolido em 1953.

Palacete Vale Flor |c. 1952|
Prémio Valmor de 1928
Calçada de Santo Amaro, 83-85
Sequeira, Gustavo de Matos,  in Lisboa de Antigamente 

Friday, 10 December 2021

Rua Artilharia Um, 105

Prémio Valmor de 1949


Em 1949 o Prémio Valmor foi atribuído a um edifício de habitação com o piso térreo ocupado por estabelecimento comercial, situado na Rua Artilharia Um, 105, um projecto do arq.º João Simões para a Companhia de Seguros Sagres.
Modelo de referências da arquitectura do Estado Novo, cruzando modelos do século XVIII com a arquitectara tradicional portuguesa. Mantém a função original.

Rua de Artilharia Um, 105 [c. 1951]
Prémio Valmor de 1949
Firmino Marques da Costa, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Este arruamento, anteriormente designado por Rua José da Silva Carvalho, antes Rua de Entremuros (por deliberação camarária de 08/04/1897), com início na Rua São Filipe Néri e fim na Rua Marquês de Fronteira, abrange as Freguesias de São Mamede, São Sebastião da Pedreira e Campolide. 

Friday, 28 May 2021

Jardim-Escola João de Deus (actualizado)

Aí tens, Dilecto, defronte do Liceu [Pedro Nunes], e erguidos em terrenos que a este pertenceram até 1912, os dois interessantes edifícios do Jardim-Escola João de Deus e Museu anexo, ambos do risco de Raúl Lino.


Em 1876, João de Deus (1830-96) dera à estampa a sua famosa Cartilha Maternal, onde se introduzia um método de ensinar a ler assaz revolucionário. Reagindo contra a tradição do aprender de cor, João de Deus procurava basear-se antes na decomposição da palavra nos seus elementos componentes. Apesar dos seus muitos inimigos, este novo sistema, analítico e intuitivo, mereceu os aplausos da maioria dos educadores progressistas e tornou-se uma espécie de bandeira para os propagandistas culturais republicanos. O filho de João de Deus, João de Deus Ramos (1878-1953), continuou a luta iniciada por seu pai em prol de uma reforma pedagógica infantil. Foi ele fundador em Portugal das escolas experimentais infantis, os jardins-escolas, onde se aplicavam princípios modernos de pedagogia, assentes no conceito de desenvolvimento integral da criança, no esforço de desenvolver a sua capacidade criativa e a sua maturidade emocional.

Jardim-Escola João de Deus |1916|
Avenida Álvares Cabral
inauguração do Jardim-Escola e Museu João de Deus realizou-se no dia 11 de Abril de 1917.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

O número de jardins-escolas, porém, nunca se multiplicou, por falta de verbas para os construir. Em regra, os governos republicanos davam o apoio mais entusiástico a iniciativas como esta, mas não davam dinheiro. Nestes termos, bem difícil se tornava o caminho para a frente: o primeiro jardim-escola inaugurou-se em 1911, em Coimbra dirigido por António Joyce, o segundo e o terceiro abriram as suas portas em 1914; mas em 1927, só cinco jardins-escolas existiam ao todo em Portugal. 
A inauguração do Jardim-Escola e Museu João de Deus realizou-se no dia 11 de Abril de 1917.

Jardim-Escola João de Deus |1916|
Avenida Álvares Cabral
inauguração do Jardim-Escola e Museu João de Deus realizou-se no dia 11 de Abril de 1917.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Jardim-Escola João de Deus |1956|
Avenida Álvares Cabral; Monumento a Pedro Álvares Cabral (1467/8-1520), inaugurada em 1941. Ao fundo nota-se a Casa Cristino da Silva que recebeu o Prémio Valmor de 1944.
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

N.B. A história dos Jardins-Escola João de Deus tem origem na constituição da Associação de Escola Móveis pelo Método de João de Deus, fundada a 18 de Maio de 1882, por iniciativa de Casimiro Freire, secundado por algumas personalidades destacadas do seu tempo como Bernardino Machado, Jaime Magalhães Lima, Francisco Teixeira de Queiroz, Ana de Castro Osório e Homem Cristo, entre outros.

Jardim-Escola João de Deus |post. 1940|
Avenida Álvares Cabral
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
Marques, A.H. De Oliveira, História de Portugal, 1982.

Friday, 14 May 2021

Rua Rosa Araújo, 49

Datam daquele ano de 1882 as designações dadas às artérias do bairro [Barata Salgueiro]: Alexandre Herculano, Passos Manuel, (logo convertida em Rosa Araújo) e Barata Salgueiro, no sentido Poente-Nascente, e Castilho, Mouzinho da Silveira e Castilho, Mouzinho da Silveira e Duque de Palmela (esta mais tarde) na orientação Norte-Sul. [Araújo: 1939]


O «Rosa Araújo 49», edifício Arte Nova, datado de 1905 — uma das últimas obras do famoso arquitecto italiano Nicola Bigaglia (1841-1908), diversas vezes distinguido com o prémio Valmor  — é representativo do período romântico do início do séc. XX e é um exemplo de habitação colectiva para a classe média/alta da época. O projecto de requalificação e ampliação da autoria dos arquitectos Frederico Raúl Tojal Valsassina Heitor e Manuel Rocha de Aires Mateus, foi distinguido com uma Menção Honrosa do Prémio Valmor e Municipal de Arquitectura de 2012.

Rua Rosa Araújo, 49-49B (ao centro) [1952]
[Rua Castilho]
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
Legenda da imagem no arquivo: «Chegada do Rally de Monte-Carlo»

N.B. O primeiro monumento de gratidão que a cidade devia a Rosa Araújo (1921-201) foi reduzido a um busto num recanto e se alguém repara no nome da Rua Rosa Araújo, ou naquela estátua, pouco ficará a saber sobre aquele homem e que enorme contribuição deu para deu para fazer de Lisboa uma cidade melhor. Finalmente, m 1946, o monumento do «criador» da Avenida da Liberdade foi transferido para a esta, frente à rua a que deu o nome.

Rua Rosa Araújo, 49-49B [1952]
Edifício «Rosa Araújo 49»
Fernandes, Augusto de Jesus, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 11 April 2021

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa

A Casa-Museu Anastácio Gonçalves (antiga casa-atelier de José Malhoa) situada na Avenida Cinco de Outubro, 6-8,  obteve o Prémio Valmor de 1905. Classificada Imóvel de Interesse Público pelo Dec. 28/82 de 26 de Fevereiro. Abre ao público em 1980.


Edifício projectado pelo arquitecto Norte Júnior em 1904, foi seu construtor Frederico Ribeiro, "o constructor da primeira casa de artista que fizesse em Lisboa". Dominado pela linguagem ecléctica em voga, sobressai, no entanto, o gosto pelo neo-românico. Edificada para residência e atelier do pintor José Malhoa, foi adquirida em 1932 pelo médico oftalmologista Dr. Anastácio Gonçalves (1889-1965), que a doou ao Estado, sendo mais tarde adaptada a casa-museu e recebendo obras de ampliação em 1996 sob projecto dos arquitectos Frederico e Pedro George, anexando uma moradia contígua também da autoria de Norte Júnior [vd. 2ª imagem]

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa, Prémio Valmor de 1905 [1905]
Para os autores da A Construção Moderna o edifício encontra-se “entre essas raras manifestações de arte que hão de servir de padrão de estimulo à Lisboa estética do futuro (...)”. [A Construção Moderna, ano VI, n.º 1, Fevereiro de 1905]
Avenida Cinco de Outubro com a Rua Pinheiro Chagas (esq.)
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Edifício com dois pisos e cave, sobressai o espaço correspondente ao ateliê, denunciado exteriormente por um janelão e uma clarabóia de iluminação zenital. Identificam-se três corpos: o central, avançando a fachada principal; sobre o lado esquerdo, um corpo recuado com escada e alpendre protegendo a porta de entrada; e, do lado direito, um núcleo praticamente autónomo pertencendo à zona da sala de jantar. Sublinhando a separação dos pisos, percorre o edifício um friso de azulejos em azul com elementos vegetalistas da autoria de Jorge Pinto, interpretações livres dos desenhos de Malhoa e António Ramalho, transpostos para pintura a fresco por Eloy Amaral. As esculturas das fachadas são de António Augusto Costa Mota.

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa, Prémio Valmor de 1905 [1908]
Moradia contígua à Casa-Museu Doutor Anastácio Gonçalves, também assinada por Norte Júnior, anexada ao edifício principal, em 1987; antiga Casa António Pinto da Fonseca Mota (1908). 
Rua Pinheiro Chagas, 2-6
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

O grande janelão de sacada, correspondente ao atelier, é encimado por frontão onde se exibe a inscrição «PRO ARTE». Sobressaem ainda dois vitrais na sala de jantar e na sala anexa ao atelier. Merece menção a serralharia artística com elementos arte nova, destacando-se o portão principal em forma de borboleta, com desenho do arquitecto e execução de Vicente Esteves.
As janelas que se abrem no vão do arco dessa fachada, com as pedras de peito das laterais de forma curva, sugerem que todo o conjunto está confinado a um círculo. O gradeamento das varandas, em ferro, segue a tendência Arte Nova.

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa, Prémio Valmor de 1905 [1908]
Núcleo praticamente autónomo, do lado direito,  pertencendo à zona da sala de jantar.
Avenida Cinco de Outubro, 6-8
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

N.B. A Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves é um espaço museológico da cidade de Lisboa onde se expõe o acervo reunido pelo médico coleccionador António Anastácio Gonçalves. O conjunto de cerca de 3.000 obras de arte compõe-se por três grandes núcleos: pintura portuguesa dos séculos XIX e XX, porcelana chinesa e mobiliário português e estrangeiro. Existem ainda importantes núcleos de ourivesaria civil e sacra, pintura europeia, escultura portuguesa, cerâmica europeia, têxteis, numismática, medalhística, vidros e relógios de bolso de fabrico suíço e francês. Para além das obras reunidas pelo coleccionador, a Casa-Museu encerra ainda um significativo espólio documental e um conjunto de desenhos, aguarelas e pequenos artefactos pertencentes ao espólio do pintor Silva Porto.

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa, Prémio Valmor de 1905 [191-]
Foi descrita em 1909 como uma “(...) casa artística, o ninho feliz de um grande e genial artista. (...) Quer se analyse em conjuncto, quer em detalhe, a casa do sr. Malhôa é uma casa artística em toda a accepção da palavra, e, considerada irreprehensível sob todos os pontos de vista”. [A Arquitectura Portuguesa, Lisboa, Fevereiro de 1909]
Avenida Cinco de Outubro com a Rua Pinheiro Chagas vendo-se a moradia contígua erguida em 1908 (esq.)
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ALMEIDA, Álvaro Duarte de, Portugal património: Lisboa, 2007.
ACCIAIUOLI, Margarida, Casas com escritos: uma história de habitação em Lisboa, 2015.

Friday, 22 May 2020

Avenida da República, 45

Moradia construída em 1905 e apeada no final da década de 1960 e inicio da década de 1970, altura em que ocorreram boa parte das demolições de edifícios erguidos no principio do século XX na então denominada Avenida Ressano Garcia. Na esquina diametralmente oposta encontra-se o Palacete Valmor, risco do arqº. Ventura Terra galardoado com o Prémio Valmor de 1906.

Avenida da República, 45 |1964|
Gaveto com a Avenida Visconde Valmor. demolida.
João Goulart, 
in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 3 July 2019

Rua Alexandre Herculano, 25

Prémio Valmor em 1911


O Prémio Valmor, em 1911, foi atribuído a um edifício de habitação. Este situa-se no nº 25 da Rua Alexandre Herculano. O projecto é da autoria do arq. Miguel Ventura Terra (1866-1919) e o proprietário era António Tomás Quartim.

Rua Alexandre Herculano, 25 |c. 1911|
Prémio Valmor em 1911
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Considerado um excelente modelo de arquitectura urbana, este edifício apresentava um nobre estilo, incorporando diversos materiais e demonstrando uma notória influência parisiense.
Actualmente encontra-se em bom estado e funciona aqui uma Conservatória do Registo Civil.

Rua Alexandre Herculano, 25  |c. 1952|
Prémio Valmor em 1911
Gustavo de Matos Sequeira, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 14 April 2019

De Avenida dos Anjos e Avenida Dona Amélia, a Avenida Almirante Reis

O Barão Haussman o "artista demolidor" (1809-1891) em Paris, o paisagista Humphrey Repton (1752-1818) em conjunto com o arquitecto John Nash (1752-1835) em Londres ou o urbanista Ildefonso Cerdá (1815-1876) em Barcelona, com os seus planos de carácter regulador higienista e de circulação viária, influenciaram arquitectos e projectistas por toda a Europa e América do Norte (Frampton, 1992).

Avenida Almirante Reis |c. 1911|
À dir., no n-º 2-2K, o edifico prémio Valmor de 1908; à esq. vê-se o Hospital do Desterro.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Assim, em 1903, foi aberta a Avenida dos Anjos e a Avenida Dona Amélia, que viria a ser mais tarde designada por Avenida Almirante Reis. Foram destruídos vários quarteirões nesta área permitindo por outro lado, a construção de novos e mais modernos edifícios o longo da recente e ampla avenida (Unidade Projecto Mouraria, 2009).

Avenida Almirante Reis |c. 1911|
Fotografia original colorida por Fátima Rocha
Joshua Benoliel

Quem no dealbar do século XX, viajasse pela Rua da Palma para norte, na procura da moderna e ampla Avenida Dona Amélia (hoje Almirante Reis), acabava por deparar-se com um beco sem saída. Ali, por alturas do Intendente, onde finda a Rua da Palma e onde deveria começar a tão falada avenida, o passeante acabava por dar com o nariz na parede, literalmente. Mais exactamente, acabava por dar de caras com os muros do hospital do Desterro. Para retomar a avenida era preciso fazer um desvio à direita pelo Largo do Intendente Pina Manique — seguindo a linha do eléctrico — contornar o quarteirão, virar à esquerda na actual Travessa Cidadão João Gonçalves de volta à Almirante Reis. Para melhor compreensão deste inusitado trajecto consulte a carta topográfica (anotada) daquela zona em 1911.

Levantamento da Planta de Lisboa (fragmento |1911|
Legenda (clicar para ampliar):
Azul - Av. Almirante Reis Localização da carroça da foto
Vermelho - Desvio pelo Largo do Intendente
Verde - Hospital do Desterro
 Júlio António Vieira da Silva Pinto, in Lisboa de Antigamente

Avenida Almirante Reis, 2 |post. 1911|
Neste postal pode ver-se a Av. Almirante Reis já rectificada após a demolição parcial do Hospital do Desterro.
Postal ilustrado em fototipia, edição de Faustino Martins
in Lisboa e Fernando

Friday, 12 April 2019

Palácio Mayer

Neste local exacto do Palácio Mayer — recorda-nos Norberto de Araújo — existia no princípio de seiscentos uma Quinta da Legacia, ao fundo da Cerca arborizada dos Padres do Noviciado (Jardim Botânico). Estiveram nela (1639) num pequeno Hospício, os frades dominicanos irlandeses, que mais tarde, depois de correrem vários pousos de empréstimo, se instalaram no Corpo Santo. O Colégio dos Nobres (depois Escola Politécnica), como herdeiro dos bens da Companhia de Jesus, vendeu os terrenos e casas ao Arcebispo da Lacedemónia, que certamente os restaurou; um herdeiro do Arcebispo alugou sucessivamente o já então palácio ao 7.º Conde de Valadares (1822), e depois à famosa Marquesa de Aloma, D. Leonor de Almeida Lorena e Lencastre, a «Alcipe» da história da literatura, que logo aos oito anos fora feita prisioneira no Convento de Chelas, onde permaneceu até aos 26 anos de idade. A Marquesa de Aloma morreu aqui em 11 de Outubro de 1839, à beira dos 90 anos.

Palácio Mayer |190-|
Rua do Salitre, 1-3; Travessa do Salitre, 37
De planta rectangular e volumetria paralelepipédica encontra-se implantado em gaveto cujo pano murário no ângulo se apresenta curvo.
Paulo Guedes, 
in Lisboa de Antigamente

O Palacete que aqui vês foi edificado em 1900 por Adolfo Mayer [o arqº. foi Nicola Bigaglia (1841-1908), italiano radicado em Portugal], que adquiriu o velho palácio creio que aos descendentes da família Krus, a sua possuidora no tempo da Marquesa de Alorna.
Em 1920, por motivo de partilhas entre a família Mayer, herdeiros, o Palácio foi à Praça, adquirindo-o, com todos os seus jardins e dependências, Artur Brandão, que, pouco depois, o vendeu a uma. sociedade «Avenida Parque», como já veremos [vd. N.B.].
Entre 1918 e 1920 funcionou no Palácio um «Club Mayer», ao tipo dos clubes nocturnos de recreio e jogo dos da Rua de Santo Antão (Palace, Monumental, Bristol).

Palácio Mayer |c. 1920|
Rua do Salitre, 1-3; Travessa do Salitre, 37
Desenvolve-se em dois pisos sobrepujados por cornija suportada por mísulas ornamentadas com folhas de acanto, que precede remate em platibanda simples articulada com balaustrada, evidenciando-se, ainda, plintos com bola nos eixos correspondentes às pilastras de compartimentação da fachada
Chaves Cruz, in Lisboa de Antigamente

Finalmente em Março de 1930 o Govemo de Espanha (Primo de Rivera), comprou, com dispensa de pagamento de sisa, e por intermédio de Mateo Benito Garcia (que fez o seu negócio, muito discutido, o que o levou ao «carcel», em Espanha), o Palácio Mayer, era então Embaixador em Lisboa D. Cris tobal de Valin. Funcionam na Casa de Espanha o Consulado Geral, a Câmara do Comércio, e outros serviços.
Sem desfigurar a arquitectura exterior fêz-se depois uma ampliação no edifício, aproveitando a antiga garagem, hoje entrada para o Consulado.

Palácio Mayer |1929|
Rua do Salitre, 1-3; Travessa do Salitre, 37
 Propriedade do Estado Espanhol, funcionando aí serviços da respectiva E
mbaixada/Consulado
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B. Contrariando a legislação do Prémio Valmor, por não haver outro que justificasse a atribuição do Prémio no ano de 1902, este foi atribuído ao edifício em questão construído no ano anterior, tendo sido um dos melhores exemplares de arquitectura revivalista em Portugal, A propriedade incluía, para além do edifício, um extenso jardim, que, tendo sido vendido em 1921, veio a dar origem ao Parque Mayer, recinto de diversões, inaugurado em 15 de Junho de 1922.

Palácio Mayer |1937|
Rua do Salitre, 1-3; Travessa do Salitre, 37; Av. da Liberdade e Monumento aos Mortos da Grande Guerra
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 35, 1939.
cm-lisboa.pt.
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