Wednesday, 28 November 2018

Ermida de Nossa Senhora do Resgate das Almas e Senhor dos Perdidos

No fim da Rua dos Anjos, do lado nascente, e sobre o Regueirão, está ainda de pé, e aberta ao culto, a «Ermida de Nossa Senhora do Resgate das Almas e Senhor dos Perdidos — 1762», segundo a legenda sobre o pórtico. A data é, talvez, a da reconstrução. A Ermida é revestida de muito bons azulejos, ornada de talha dourado, de que o altar-mór é rico.


O templo actual que deve ter sucedido a outro mais antigo, é uma construção da segunda metade do século XVIII, precisamente do ano de 1762, conforme reza a inscrição insculpida no tímpano do portal de entrada. O seu exterior é pobre, seguindo um modelo comum a grande número de pequenas igrejas construídas, entre nós, depois do terramoto: empena em chaveta, portal com tímpano semicircular, rematado com o emblema da paixão, janelas iluminantes no andar superior.

Ermida de Nossa Senhora do Resgate das Almas e Senhor dos Perdidos [post. 1902]
Rua dos Anjos, 72-72-A
Fotógrafo não identificado, in AML

O interior, em contrapartida, é precioso na sua dupla decoração, à base de azulejos e talha, combinando-se os dois elementos com rara unidade de estilo. Efectivamente toda a decoração interior foi concebida em estilo rocaille uniforme, duma data próxima da da construção da igreja.

Ermida de Nossa Senhora do Resgate das Almas e Senhor dos Perdidos
 Capela-mor

A capela-mor, apresenta retábulo guarnecido por baldaquino e vazado por camarim albergando trono, diante do qual se destaca o grupo escultórico da «Mater Dolorosa». Ladeando o vão central do retábulo, enquadradas por molduras em talha rocaille, observam-se 2 composições pictóricas figurando «Nossa Senhora da Piedade», do lado do Evangelho, e uma «Crucificação com São João Evangelista», lado da Epístola. Sobre a porta de acesso à sacristia, do lado do Evangelho existe uma imagem de «Nossa Senhora da Conceição», em madeira estofada, datável da 1ª metade do século XVII.

Ermida de Nossa Senhora do Resgate das Almas e Senhor dos Perdidos [1901]
Rua dos Anjos, 72-72-A
Por esta altura ainda não tinha sido completada a ligação com a Rua Álvaro Coutinho, facto que só veio a ocorrer por volta de 1911 após demolição daquele último prédio do lado nascente; observa-se, igualmente, pela ausência de catenárias [vd. 1ª foto], que ainda não tinha ocorrido a electrificação da linha dos carros «americanos»
Fotógrafo não identificado, in AML






























Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, p. 76, 1938.
Monumentos e edifícios notáveis do distrito de Lisboa, Vol. 5, Parte 2, Junta Distrital de Lisboa, 1962.

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