Sunday, 30 March 2025

Rua do Cais de Santarém

Caes de Santarém (Rua do) Principia no largo do Terreiro do Trigo e finda no Campo das Cebolas. Freguesia de Santa Maria Maior. Já o Pe. Castro lhe dá esta denominação. Map. de Port. pág. 459, ed. de 1758. O caes de Santarém era o destinado para a descarga dos barcos que vinham da vila de Santarém. Note-se que no Livro das Plantas [das Freguesias de Lisboa por Monteiro de Carvalho] encontramos rua e travessa do Caes, na freguesia de S. Julião; rua do caes dos remolares na mesma freguesia e na freguesia de Santa Engrácia a rua do Caes do Carvão. Também havia os caes da fundição e de S. Paulo. [BRITO: 1935]

Rua do Cais de Santarém, 10, junto ao Chafariz de El-Rei |1929-08|
Os dois edifícios à direita (revestidos a azulejo) faziam parte da antiga propriedade e Palácio do Conde de Vila-Flor. Logo a seguir (edifício de dois pisos) a antiga propriedade e Palácio do Conde de Coculim. Ao fundo à esq. vislumbra-se o edifício da antiga Cozinha Económicas Nº 5 [vd. imagem abaixo], criada em 1897, na Ribeira Velha (Soc. Protectora das Cozinhas Económicas), conhecidas como «Sopa do Sidónio».
Fotógrafo: não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): O abandalhado amL identifica (erradamente) o local como, Rua dos Bacalhoeiros ou Rua Jardim do Tabaco. Mais uma fotografia que deve ter sido classificada depois do almoço.
Legenda: Cortejo fúnebre de Dom António Mendes Belo (1842-1929), 13º cardeal-patriarca de Lisboa

As ruas da Alfândega e dos Bacalhoeiros — diz o Guia de Portugal — vêm siar ao Campo das Cebolas, adiante do qual se estende a rua do Cais de Santarém, ambos conhecidos, antes do terramoto grande, pelo nome de rua Direita da Ribeira.
Toda esta porção da margem, desde o Campo das Cebolas à Misericórdia, era nesse tempo a Praça da Ribeira, onde se fazia a venda de numerosos géneros. Ainda hoje se dá ao Cais de Santarém o nome de Ribeira Velha, Aí se ergueu durante muitos anos a forca e se fizeram as últimas execuções que houve em Portugal. 

Rua do Cais de Santarém |1953-06|
Edifício da  Cozinha Económicas Nº 5 criada em 1897, na então Ribeira Velha (Soc. Protectora das Cozinhas Económicas), conhecidas como «Sopa do Sidónio». À esq. nota-se o portal seiscentista do velho Palácio Coculim.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
BRITO, Gomes de) Ruas de Lisboa. Notas para a história das vias públicas, 1935.
Guia de Portugal: Generalidades. Lisboa e arredores, p. 301, 1924.

Friday, 28 March 2025

A Rua do Benformoso que foi do «Boi-Formoso» e «de Bemfica»

A Rua de Bemfica é noticiada desde o século XIV e tudo indica que a sua localização era neste local. Coloca-se a hipótese, considerada por muitos como plausível, de esta rua ter sido posteriormente chamada por Rua do Boi Formoso, derivando daí a sua atual designação de Rua do Benformoso  [Azevedo 1900]
Os poucos casos estudados, um total de nove habitações, deram a entender que as casas tinham uma área correspondente a 11,29m2 e a 36,3m2, sendo muito menores do que as das mourarias situadas a norte do Tejo. [Coelho 1996]

Rua do Benformoso, 109-113 |1902|
Antiga do Boy Formoso, antes Rua Direita da Mouraria (séc. XVI)
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

 

Os limites da Mouraria não se podem por enquanto, determinar exactamente. Pelo sul ficava a meio da encosta do Castello, pelo poente era limitada pela rua direita da porta de S. Vicente, hoje chamada da Mouraria, e pelo nascente não passava alem da entrada da rua da Amendoeira. Da parte norte ainda é maior a dúvida, porque era aqui onde se encontravam os almocavares dos judeus e dos mouros, os quaes terrenos foram depoes cortados por diversas ruas, ao que parece. […] Do lado poente o bairro dos mouros não passava das modernas ruas da Mouraria e da rua do Benformoso. [Azevedo 1900: 270-271]

Rua do Benformoso, 101-103 |1902-05|
Edifício residencial multifamiliar, de fachada estreita com dois andares de ressalto,
gelosia e varandas de reixa. Uma trave de madeira suportada por mísulas sustenta o
telhado de duas águas.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

A casa mais antiga da Rua do Benformoso [v.d prédio ao centro na imagem acima]. é um edifício pertencente à denominada "Arquitectura Popular", a sua construção efectuou-se, sensivelmente, entre os séculos XVI e XVII.
De planta longitudinal, formando um trapézio irregular, este prédio possuí quatro pisos, encontrando-se os dois primeiros apartados por um diminuto pé-direito. É, aliás, no segundo piso que a sua metade esquerda apresenta janela de sacada com guardas de estrutura férrea e gradeamento de rótulas de madeira, enquanto que a outra metade encontra-se rasgada por uma fresta e um óculo. Cadência esta que vemos repetir-se ao nível dos outros dois pisos. O telhado de duas águas encontra-se sustentado por uma trave de madeira que, por seu turno, se apoia em mísulas.

Rua do Benformoso, 194 |1902-05|
Regra geral, os edifícios da Mouraria não eram muito diferentes dos seus
contemporâneos medievais, à excepção de algumas casas térreas que possuíam um
quintal fronteiriço.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Em paralelo às gentes dos ofícios e serviços e ao baixo nível socioeconómico da população, a Mouraria rapidamente se tornaria um bairro “mal afamado” e “tempestuoso” por causa da gente de “vida parasitária” e das “desordeiras”, sendo exemplo dessa condição as prostitutas e o tipo fadista. Na Lisboa boémia, a Mouraria teria um lugar cativo com as suas...

“casas suspeitas, os hotéis para pernoitar, com a sua tradicional lanterna de luz frouxa, os seus cantos e recantos que protegem baixas aventuras, as estalagens das lavadeiras saloias, os vendedores de elixires maravilhosos que pregam ao domingo, a infabilidade dos seus medicamentos nos largos do bairro; e ainda o formigar de gente baixa pelas ruelas da encosta, o Capelão, João do Outeiro e Amendoeira, tudo nos ajuda a invocar o quadro cheio de cor deste bairro popular, onde ainda se vê nas mais sujas serventias o nicho, devoto, o registo dos azulejos com St António ou S. Marçal, e um ou outro pormenor arquitectónico dos tempos idos. […] Esta história animada e pitoresca ainda hoje se reflecte na fisionomia gritadora do antigo arrabalde cedido aos muçulmanos vencidos.” 
[Guia de Portugal 1924]

Rua do Benformoso  |1925|
 Em finais do século XIX instalaram-se na Mouraria famílias ligadas à aristocracia
e à burguesia, dessa vez ocupando o troço final da
Rua do Terreirinho e da Rua do Benformoso com edifícios de traça arquitectónica
de mais qualidade e com maiores dimensões ao inverso das habitações populares.

Alfredo Roque Gameiro (1864-1935), in BNP

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, pp. 12-14, 1938.
MENEZES, Marluci, Mouraria, Retalhos de Um Imaginário: Significados Urbanos de Um Bairro de Lisboa, 2023.
FERNANDES, José Ferreira, Martim Moniz - Como o Desentalar e Passar a Admirar, 2024.
MESQUITA, Alfredo. Lisboa, pp. 526-527, 1903.

Tuesday, 25 March 2025

Panorâmica sobre a Rua Pascoal de Melo


Os cenários da Cidade, tomados do alto, poder-se-iam chamar os Telhados de Lisboa — diz Norberto de Araújo —  o grande enamorado de Lisboa e a quem vamos sempre seguindo. 
Há os miradouros de panorama extensivo, que abarcam todas as distâncias E há os miradouros suspensos sobre a cobertura confusa do casario: só se distinguem empenas, mansardas, telhados, campanários pequeninos, a ramagem tímida de um quintal. 
E tudo se amalgama na intimidade dos planos. Perdem-se as linhas do trânsito, os portais fidalgos, as belas varandas de renda, as bocas sombrias dos casebres. 
Destes cenários desgrenhados a poesia ascende, sem ritmo, num pitoresco desconcertante de acaso. 
— Põe-se de poleiro o galo alfacinha! 
[ARAUJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, p. 212, 1943]

Panorâmica de Lisboa  [Inicio do sec. XX]
Legenda (clicar na imagem para ampliar):
¹ Rua Pascoal de Melo² Av. D. Amélia, hoje Almirante Reis —  o 1º quarteirão, na esq. baixa, é hoje ocupado pela Cervejaria Portugália³ Rua António Pedro Rua Passos Manuel — Jardim Constantino, de onde vem o eléctrico Rua Aquiles Monteverde  — desembocando no viaduto sob a Pascoal de Melo;  Largo de Dona Estefânia Rua de Arroios, passando a (antiga) Igreja de S. Jorge de Arroios na Rua Alves Torgo até à Rua José Falcão9 Rua José Falcão; ¹º Praça Duque de Saldanha; ¹º Rua Marquês de Fronteira e nela o Palacete Mendonça.
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 23 March 2025

Rua e Chafariz de São Sebastião da Pedreira

A velha Rua de S. Sebastião — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , tradicional estrada de Lisboa seiscentista, é um topónimo que advém da existência no local do templo, chamado da Pedreira (primeiro ermida, depois igreja, dedicado ao mártir S. Sebastião) que assim se denominava em virtude do sítio ser conhecido por tal afloramento.

Rua (e Chafariz) de São Sebastião da Pedreira |c. 1951!
O viaduto permite a ligação da Avenida António Augusto de Aguiar com a Rua Filipe Folque, que lhe passa superiormente.
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Ora eis-nos sob o Viaduto da Rua Filipe Folque adornado com a Nau de São Vicente; atrás, escondido pelo camião, encontramos o Chafariz de São Sebastião da Pedreira mandado construir em 1787, risco do arq. Francisco António Ferreira Cangalhas ou de Reinaldo Manuel dos Santos, então arquitecto das Águas Livres; nele começou a correr água em Agosto de 1791.==

Rua (e Chafariz) de São Sebastião da Pedreira |1961|
Recebia água a partir da Galeria de Sant'Ana.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

N.B. É um chafariz de planta rectangular simples em cantaria de calcário lioz, desenvolvendo-se em dois níveis, com escadas laterais de acesso.. As armas reais, localizadas sob o remate do corpo central do espaldar, encimadas por uma coroa fechada e, na base, duas bicas circulares, que vertem para tanque rectangular.
____________________________________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 64, 1939
FLORES, Alexandre M. e CANHÃO, Carlos, Chafarizes de Lisboa, Lisboa, Edições INAPA, 1999.

Friday, 21 March 2025

Avenida de Paris

Em 1938, João Guilherme Faria da Costa esboça o plano do Bairro do Areeiro que incluía a Avenida de Paris e a Avenida João XXI com o processo de urbanização de Lisboa começando a ser controlado pela CML; em 1948, Duarte Pacheco manda executar o plano de urbanização para Lisboa a De Groer;   a Praça Pasteur e Avenida Paris são desenvolvidas pelos arquitectos José Bastos, Licínio Cruz, Alberto Pessoa e Chorão Ramalho.

Finda a Segunda Guerra Mundial que fez com que muitas nacionalidades circulassem por Lisboa, Paris instalou-se numa placa toponímica de Lisboa, até fisicamente semelhante às da Capital francesa, pelo Edital municipal de 29 de Julho de 1948.

Avenida de Paris |195-|
Perspectiva tomada da Praça de Londres.
António Castelo Branco, in Lisboa de Antigamente


Procurava então a edilidade lisboeta imprimir algum cosmopolitismo à cidade através da atribuição de topónimos de cidades estrangeiras e de personalidades de cariz internacional. Refira-se que para além de Paris, o mesmo Edital consagrava também o escritor Vítor Hugo e o cientista Pasteur, ambos franceses, em ruas. Acrescentava também uma Praça de Londres, uma Avenida Madrid e uma Rua Cervantes, o inventor italiano Marconi e o americano Edison, uma Avenida Rio de Janeiro e os escritores brasileiros Afrânio Peixoto e João do Rio

Avenida de Paris |c. 1952|
Junto à entrada da R. Pres. Wilson (dir.).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 16 March 2025

Rua dos Ourives da Prata

À rua que em 1755 subia do Largo do Pelourinho, e que então “trifurcava, depois de percorridos os seus quatrocentos e oitenta e quatro palmos”, nas ruas das Pedras Negras, da Correaria e do Arco de Nossa Senhora da Consolação, designava-se, então, de Rua dos Ourives da Prata

Assim descreve Luís Pastor de Macedo a rua que, por alvará de D. Manuel I, de 19 de Abril de 1514, relativo ao arruamento dos ofícios, estabelecia que do dia de São João em diante, passassem para a Rua Nova d’El Rei [actual R. do Comércio] os ourives do ouro, ficando a designada Rua da Ourivesaria à disposição dos “prateiros”, para nela abrirem as suas oficinas. 

Rua (dos Ourives da Prata) |séc. XIX|
Os «carros americanos» um dos mais famosos meios de transporte lisboetas. Mais confortáveis que os «Choras», serão substituídos gradualmente pelos carros eléctricos que a Carris começa a comprar durante a última década de oitocentos.
Emílio Biel, in Lisboa de Antigamente

Mais tarde, em 1551, de acordo com descrição de Cristóvão Rodrigues de Oliveira, surge esta rua já designada por Rua da Ourivesaria da Prata, ou, também, por Rua dos Ourives da Prata, nome apresentado por João Brandão em 15527, embora a antiga denominação de Rua da Ourivesaria perdurasse até finais do terceiro quartel do século XVI. 
A 20 de Fevereiro de 1588, uma provisão de Filipe I, relativa ao arrua- mento do ofício dos ourives da prata, refere que “os ourives morassem, e estivessem suas tendas no arruamento”, tendo os vereadores elaborado uma postura para que não pudessem os ditos ourives morar, nem possuir as suas oficinas, fora do respectivo arruamento, na Rua da Ourivesaria da Prata.

Rua (dos Ourives da Prata) |1917|
Antiga Bella da Rainha, junto à Igreja de São Nicolau na Rua da Vitória
Venda da Flor, iniciativa da escritora Genoveva da Lima Mayer Ulrich a favor das vítimas da I Grande Guerra.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente


Na Lisboa erguida após o terramoto de 1755, a Rua dos Ourives da Prata, juntamente com a dos Ourives do Ouro, evidenciava-se pelas preciosidades expostas aos olhares de quem por elas passava e pasmava. Assim descrevia Carl Ruders, aludindo às referidas ruas, nas quais “havia sempre muita gente pasmada”, porque “todas as lojas das casas (...) são ocupadas por estabelecimentos onde se vem expostas as alfaias e jóias mais preciosas”. Obras de ouro e prata “de toda a espécie”, que se revelavam em armários envidraçados, suspensos dos dois lados das portas”-

Rua (dos Ourives da Prata) |1917|
A Rua da Prata nasceu em 1910 como topónimo da Baixa pombalina, por via da publicação do Edital camarário de 5 de Novembro, o 1º relativo a toponímia após a implantação da República em Portugal, substituindo a Rua Bela da Rainha que havia sido atribuída em 1760, pela Portaria de 5 de Novembro, a 1ª sobre toponímia. 
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente


Bibliografia
MACEDO, Luís Pastor – A Igreja de Santa Maria Madalena de Lisboa. Lisboa: Solução Editora, p. 5.1930,.
RUDERS, Carl Israel – Viagem em Portugal: 1798-1802. Lisboa: B.N.P., p. 35, 1981.
CARLOS, Rita, Da Rua dos Ourives da Prata à Rua Bela da Rainha: as lojas dos ourives da prata em Lisboa na segunda metade do século XVIII, 2015.

Friday, 14 March 2025

Rua António Pedro

Faço saber que em sessão da CML do dia 24/12/1893 que a nova rua em começo de construção parallela à Rua de Arroyos e avenida dos Anjos, e situada entre estas, 1º bairro, seja denominada Rua António Pedro, ficando assim legalisada a denominação que sempre lhe tem sido dada. 
[Conde do Restello, do Conselho de Sua Magestade vice-presidente da Camara Munipal de Lisboa, etc]

António Pedro Sousa Nasceu em Lisboa a 15 de Maio de 1834. Começou a sua carreira tão gloriosa aos 17 anos n'um pequeno teatro que houve na Calçada do Cascão (Alfama) representando na comedia «Depois da meia noute». Morreu a 23 de Julho de 1889. Órfão de pai desde os 12 anos começou a ganhar a vida na oficina de uma fabricante de pentes mas aos 17 anos começou a representar em pequenos teatros particulares. Como actor profissional estreou-se em 13 de Dezembro de 1857 no antigo Teatro do Campo Grande, nas comédias «O Magnetismo», «Leite de Burras», «Os Dois Papalvos» e «Os Abstractos». Integrou quatro digressões ao Brasil e alcançou fama como intérprete de figuras cómicas bem como, no final da carreira, em papéis dramáticos.

Rua António Pedro |post. 1930|
Actor — 1834-1889
Traseiras da Sociedade Central de Cervejas (SCC)
Antiga Rua paralela à Rua de Arroios e Avenida dos Anjos (actual Alm. Reis) e situada entre elas. 
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 9 March 2025

Avenida Dom Carlos I que foi «das Cortes»

Avenida rasgada em 1889 com a denominação Avenida das Cortes atribuída em 1918. Antiga Avenida do Presidente Wilson (até 1948), antes Rua Dom Carlos I, antes Rua Duque de Terceira (1866), antes Rua dos Ferreiros a Esperança, antes Rua dos Ferreiros a Santa Catarina) e Travessa Nova da Esperança.

Avenida Dom Carlos I |c. 1900|
Troço entre a Rua do Merca-Tudo e a Calçada Marquês Abrantes (dir.) 
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Carlos Fernando Luís Maria Victor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon e Saxe-Coburgo-Gota, foi o penúltimo Rei de Portugal. Nasceu em Lisboa, no Palácio da Ajuda, a 28 de Setembro de 1863, e morreu na mesma cidade, no Terreiro do Paço, a 1 de Fevereiro de 1908. Era filho de D. Luís I e de D. Maria Pia de Sabóia.
O seu reinado vai de 19 de Outubro de 1889 até 1 de Fevereiro de 1908 e é caracterizado por constantes crises políticas e consequente insatisfação popular.
No seu reinado deram-se também as revoltas no ultramar, desde a Guiné a Timor.
D. Carlos distinguiu-se como pintor de talento e cientista, especialmente na oceanografia.
Estabeleceu uma profunda amizade com Alberto I, do Mónaco, igualmente apaixonado pelas coisas do mar. Como consequência desta “aliança” nasceu o Aquário Vasco da Gama, que pretendia, em Portugal, desempenhar um papel semelhante ao do Museu Oceanográfico do Mónaco.

 

Avenida Dom Carlos I |c. 1900|
Troço entre a Calçada Marquês Abrantes e a Rua do Cais do Tojo (dir.).
Nota(s): A Antiga Fábrica de Gessos Raul Ennes Ramos supõe-se que estivesse relacionada com os estucadores de Afife (Viana do Castelo), bem conhecidos pela sua hábil mestria.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

 

Foi também um excelente agricultor, tendo tornado rentáveis as seculares propriedades da Casa de Bragança, produzindo vinho, azeite, cortiça, entre outros produtos, tendo também organizado uma excelente ganadaria e incentivado à preservação dos prestigiados cavalos de Alter.
Grande apreciador das tecnologias que começavam a surgir no início do século XX, instalou a luz eléctrica no Palácio das Necessidades e fez planos para a electrificação das ruas de Lisboa.
Ficou conhecido pelo cognome de O Diplomata devido às múltiplas visitas que fez pela Europa.
Foi numa das suas viagens à Europa que conheceu a sua futura esposa, a princesa francesa D. Amélia de Orleães. Após um curto noivado, vêm a casar, em Lisboa, na Igreja de S. Domingos, a 22 de Maio de 1886. (in mosteirobatalha-pt)

 

Avenida Dom Carlos I |c. 1930|
Troço entre a Rua do Cais do Tojo e a Rua Dom Luís I (ao fundo) na direcção da Av. 24 de Julho.
Nota(s): Fábrica de gessos Serafim Ramos.
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

Friday, 7 March 2025

Lojas de Antanho: F. H. D' Oliveira & C.ª (fund. 1895)

Por delib. da Câmara de 09/09/1878 e edital de 13 do mesmo mês e ano, foi dada a denominação de Rua 24 de Julho à parte do aterro ocidental construída no prolongamento daquela Rua, que começando na praça de D. Luís terminava no caneiro de Alcântara.

«F. H. D' Oliveira & C.ª (Irmão)» Casa fundada em 1895, loja de madeiras e materiais de construção e cantaria.
Madeiras nacionaes e eetrangeiros. Cantarias lagedoe e cascõcs. Fábticas de cal, ladrilhos. mosaicos, polvora e exploração de pedreiras no AIvito - Aleantara e Paço d'Arcos. Exportação para Africa,Bratzil eIlhas.  Escrpitório, Rua Vinte e Quatro de Julho,. 632.

Lojas de Antanho: F. H. D' Oliveira & C.ª  fund. 1895  |c. 1909|
Antiga Rua Vinte e Quatro de Julho, 630-632, a
ctualmente Avenida 24 de Julho, 150-152.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Em 2 de Janeiro de 1931 muda de ramo de negócio com a inauguração de um novo stand como representante dos automóveis "De Soto" e camiões "Fargo".

Avenida 24 de Julho |1965|
Enquadramento do edifico n.º 150-152 junto ao cruzamento com a Av. Infante Santo"Hotel Residencial Infante Santo" inaugurado em 1957, propriedade da firma F. H. D' Oliveira.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 2 March 2025

Do Passeio à Avenida

Demolido o Passeio Público em 1886 para dar lugar à abertura da Avenida da Liberdade, esta foi durante algum tempo o espaço de passeio da pequena burguesia lisboeta e da “gente operária endomingada"


Em 1910, André Brun descreve desdenhosamente a frequência da Avenida nestes termos: “Ao domingo a Avenida é a montra de um bazar de quinquilharias baratas. Todo o alfacinha de meia-tigela que não tem vintém para ir aos divertimentos caros que a cidade oferece {...] aflui à Avenida”. Uns vão para o pavilhão da música, outros para o quiosque dos refrescos. Quem tem “um vintenzinho para a cadeira fica de um lado; a pelintragem bravia, do outro. Quando acaba o fungagá, a gente das cadeiras desce a Avenida com toda a coragem. A outra, que está de pé em volta do coreto, se a desce é pelas ruas laterais. Pelo meio não se atreve. Imaginem: gente operária endomingada, muita soldadesca que vem atrás da banda, caixeirada de meia tigela...". Apenas num talhão correspondente ao Teatro Avenida se pode encontrar alguém do Carnet Mondain - registo azul (Brun, 1999, p. 66-73). Se a pequena e média burguesia — homens e mulheres — passeava na Avenida, os trabalhadores e operários dos bairros populares optavam pelas hortas, como acima se referiu, ficavam em casa, ou iam aos espectáculos populares como a tourada, mas sozinhos, sem as mulheres. 

Avenida da Liberdade (N-S )em terra batida |1905|
João Ribeiro Cristino da Silva, litografia colorida,
Suplemento ao o° 488 da Mala da Europa Museu de Lisboa, in Lisboa de Antigamente

Ramalho Ortigão retratou assim essa diferença no uso da cidade e dos seus diverti mentos entre os grupos sociais: “Ide à Baixa ao domingo à tarde. Encontrareis os prédios fechados e desertos: as mulheres dos lojistas foram passear com os maridos. Ide aos bairros de Alcântara ou à Mouraria nos mesmos dias: todas as mulheres estão nas suas pequenas casas, às janelas ou às portas, numa inação desconsolada e abatida. E não encontrareis um homem. Vede pelo contrário os divertimentos populares a trincheira do lado sol na praça de touros: não há uma mulher.” (Ortigão, 1992, p. 143-144). É também na segunda metade do século XIX, ainda que com raízes no século anterior, que um outro tipo de passeio associado à vida de café, aos teatros públicos e ao novo comércio de lojas se instala. Ia-se apanhar o fresco do entardecer ou da noite, e admiravam-se as fachadas, as luzes e o movimento dos cafés e teatros, as montras das lojas com as suas mercadorias (Lousada, 2004, p. 104-5).

 

Avenida da liberdade (S-N) |post. 1886|
Robert Kãmmere,, in Lisboa de Antigamente

N'um claro espaço rasgado, onde Carlos deixara o Passeio Público pacato e frondoso —  um obelisco, com borrões de bronze no pedestal, erguia um traço côr d'assucar na vibração fina da luz de Inverno: e os largos globos dos candieiros que o cercavam, batidos do sol, brilhavam, transparentes e rutilantes, como grandes bolas de sabão suspensas no ar. Dos dois lados seguiam, em alturas desiguaes, os pesados prédios, lisos e aprumados, repintados de fresco, com vasos nas cornijas onde negrejavam piteiras de zinco, e pateos de pedra, quadrilhados a branco e preto, onde guarda-portões chupavam o cigarro: e aquelles dois hirtos renques de casas ajanotadas lembravam a Carlos as familias que outr'ora se immobilisavam em filas, dos dois lados do Passeio, depois da missa «da uma», ouvindo a Banda, com casimiras e sêdas, no catitismo domingueiro.==
(Eça de Queiroz, ln Os Maias, 1888)

 

O Passeio Público de Lisboa (entrada S.) |c. 1843|
Com o início da construção em 1764, o Passeio foi traço do arq. Reinaldo Manuel e conheceu durante os seus cento e dezoito anos de vida duas épocas claramente distintas. até 1836, o Passeio era unicamente um bosque, ladeado de altos muros revestidos pela parte interior de buxo e de louro, com quinze janelas de grade de cada lado, que lhe davam o resguardo necessário e de tradição.
Litografia colorida de Legrand, (Lith. de M.el Luiz),, in Lisboa de Antigamente

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