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Friday, 10 November 2023

Avenida da República, 71 e 73 (actualizado)

Logo no dia 6 de Outubro de 1910, a Câmara Municipal de Lisboa inventava, nas avenidas novas, uma «Avenida da República» (sacrificando o nome do criador da Lisboa nova, Ressano Garcia) e outra «5 de Outubro» [antiga António Maria de Avelar], paralela. Paulatinamente, os nomes das ruas dessa zona da cidade, precisamente a zona onde vivia a burguesia, iriam formar uma espécie de «quem é quem» republicano. [Ramos: 2001]

Avenida da República, 73 |1966|
A moradia, ao centro, foi demolida por volta da década de 1970.; à dir., vê-se parcialmente o Palacete Leite, risco do arq.º Norte Júnior (vd. 3ª imagem).
João Goulart, in Lisboa de Antigamente

O edifício que se vê na 2ª imagem foi projectado por Norte Júnior, em 1933, para Manuel Ramos, este edifício  situado no topo da Avenida da República, 71 apresenta um desenho de gosto Art Déco, com um cuidado programa decorativo distribuído por inúmeros pormenores de ornamentação nas janelas, varandas e em torno da porta principal.
Destaque para os frisos em relevo que coroam a fachada do edifício, com composições mitológicas de delicado lavor. Imóvel de Interesse Público (1983).

Avenida da República, 71 |1970|
Edifício riscado pelo arq-º Norte Júnior em 1933.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente
Notas(s):Infelizmente a imagem é de baixa qualidade/resolução, graças ao paupérrimo trabalho de digitalização efectuado pelo Arquivo Municipal de Lisboa (AML) hoje completamente ao abandono.

N.B. O topónimo Avenida da República (antiga Ressano Garcia), juntamente com mais nove, faz parte do primeiro Edital da vereação republicana, datado de 5 de Novembro de 1910, ou seja, precisamente um mês após a implantação da República

Avenida da República |1967-09-25|
Enquadramento na avenida dos edifícios com os números de polícia 71 e 73 e do Palacete Leite que torneja para a Av. de Berna.
João Brito Geraldes, in Lisboa de Antigamente

Friday, 26 June 2015

Avenida da República, 60-62, antiga Ressano Garcia

Esta moradia apalaçada edificada em 1909 (à esq. da foto) estava localizada junto à Praça do Campo Pequeno, correspondendo, talvez, ao actual nº 60-62 da Avenida da República (vd. mapa). Sofreu alterações cerca de 1916 e  foi demolida na década de 1960.


Após a proclamação da República, em 1910, a Câmara de Lisboa alterou a toponímia, substituindo os nomes das figuras públicas comprometidas com a monarquia e os topónimos de cariz religioso por outros evocativos dos ideais republicanos e esta Avenida da República é disso um exemplo claro, substituindo o topónimo do criador das Avenidas Novas em 1904 (Avenida Ressano Garcia) pela própria República.
Refira-se ainda que esta longa artéria ainda antes de ser Avenida Ressano Garcia pelo edital de 3 de Maio de 1897 foi a Avenida das Picoas ao Campo Grande por referência à Quinta das Picoas que existia no local.

Avenida da República [1916]
Preparativos para o embarque das tropas do C.P.E. que vão combater na Primeira Guerra Mundial.

Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente 

Lisboeta de nascimento, ao serviço da Repartição Técnica da Câmara Municipal de Lisboa, Ressano Garcia desempenhou, a partir de 1874, um papel fundamental na transformação da fisionomia da Capital. Para além do Mercado da Ribeira Nova (24 de Julho) e da conclusão das obras nos Paços do Concelho, a figura do Engenheiro está intimamente associada à expansão sistemática da cidade para norte. Consignada no Plano Geral de Melhoramentos (Comissão de 1876-1881), traduziu-se no traçado de eixos viários, largos e rectilíneos – os modernos boulevards – a delimitar quarteirões ortogonais para loteamento, com rotundas, passeios, vegetação e mobiliário urbano, de que a Avenida da Liberdade, a Av. 24 de Julho (o Aterro) e a Avenida das Picoas ao Campo Grande (Av. República) e toda a planificação das ruas adjacentes, são os exemplos mais significativos.

Avenida da República, [ant. 1909]
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente 

Sunday, 28 January 2024

Avenida da República: antigo Viaduto de Entrecampos

Segundo afirma Norberto de Araújo («Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 63-64») «A linha férrea foi aqui assente em 1890, e inaugurada a 11 de Junho; este viaduto e o da Avenida Cinco de Outubro, são posteriores, e do nosso século. Devo dizer-te, porém, que já em 1873 (inaugurada em 1 de Outubro), corria aqui uma linha pelo sistema Larmanjat, que pouco tempo durou.»

Avenida da República |1934-04-19|
Antigo Viaduto de Entrecampos, lado N.; em cima, à esquerda, um apeadeiro(?) do lado do Campo Pequeno; à direita, o edifício da Avenida da República, 97-97C.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Avenida da República sob Linha Férrea de Cintura de Lisboa junto à Rua de Entrecampos |1926-06-17|
Ao fundo nota-se a antiga Estação ferroviário e a passagem de nível de Entrecampos.  Até 1950, do lado do Campo Pequeno e da Avenida Cinco de Outubro [vd. última imagem], o trânsito automóvel e pedonal, processava-se através de pequenos túneis sob a Avenida da República.
Legenda no arquivo: «As estações de caminhos-de-ferro tomadas militarmente durante o Golpe de Estado de 1926»
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Assim, em 17 de Novembro de 1950, foi inaugurada a passagem inferior da Av. da República, depois de removidas as terras do antigo aterro ferroviário, resolvendo deste modo um problema que se arrastava desde a construção da Av. Ressano Garcia (hoje Av. República) no início do século XX.
 
Avenida da República,  lado S. |1944-04|
Túneis sob o antigo Viaduto de Entrecampos.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Avenida Cinco de Outubro,  lado S.  junto ao Mercado Geral de Gados depois Feira Popular |1944-04|
Túnel sob o antigo Viaduto de Entrecampos. Á dir. nota.se a torre da Igreja de N. S. de Fátima sita na Av. de Berna.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 23 November 2025

Avenida da República: viadutos ferroviários de Entrecampos

A Avenida — que em linha recta, é de 1.509 metros — é uma avenida moderna, macadamizada. Havia uma grande dificuldade a vencer — diz Pimentel na sua Lisboa — , quasi a meio trajecto dessa avenida, e que era a passagem de nível para a linha em frente do Mercado Geral de Gados, mas para essa faz-se um desvio, constrói-se um viaduto correspondente, e está vencida a dificuldade. O caminho de ferro de cintura virá a passar do lado da estrada de Entre Campos, onde actualmente passa; daí em diante é que começa a operar-se o desvio, cortando a linha a Avenida Ressano Garcia [hoje Av. da República] em terrenos que pertencem ainda ao Mercado Geral, em seguida esses terrenos, e logo depois a Avenida António Maria d'Avellar [hoje Av. Cinco de Outubro]. (Lisboa, Por Alberto Pimentel, 1903, p. 507)

Avenida da República |195-|
Viaduto ferroviário de Entrecampos inaugurado a 17 Novembro de 1950Rua Visconde de Seabra.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. O topónimo Rua Visconde de Seabra perpetua na toponímia de Lisboa o nome de António Luís de Seabra (1798-1895), 1º visconde de Seabra, com título atribuído em 25 de Abril de 1865, responsável pela organização do projecto de Código Civil que foi promulgado por Carta de Lei em 1 de Julho de 1867.
Formado em 1820, a sua carreira desenvolveu-se como deputado, membro da Câmara dos Pares, Ministro da Justiça (1852 e 1868), reitor da Universidade de Coimbra (1866-68) e juiz do Supremo Tribunal de Justiça. [cm-lisboa]

Viaduto ferroviário de Entrecampos, lado N. |1944|
 Em cima à esq., o antigo apeadeiro ferroviária; à dir. nota-se o edifício na Avenida da República, 97.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Em 1956, dá-se uma alteração no esquema de circulação da Avenida da República. Em 1968/1969 novo desenho de circulação automóvel é introduzido na Avenida da República, devido ao aumento do tráfego automóvel, reprojectando-se um novo viaduto ferroviário para Entrecampos.

Viaduto ferroviário de Entrecampos, lado S. |1968|
Até 1970, do lado do Campo Pequeno e da Avenida Cinco de Outubro, o trânsito automóvel e pedonal, processava-se através de pequenos túneis sob a Avenida da República. Esta situação altera-se radicalmente com a construção de um novo tabuleiro ferroviário.
Artur Inácio Bastos, in Lisboa de Antigamente

Tuesday, 1 December 2015

Viaduto ferroviário de Entrecampos

Até 1970 — a inauguração do novo viaduto ferroviário de Entrecampos deu-se a 17 Novembro de 1950 — o trânsito automóvel e pedonal na Avenida da República, processava-se através de pequenos túneis sob a Linha Férrea de Cintura de Lisboa

Obras no Viaduto ferroviário de Entrecampos [1950]
Avista-se o Mercado Geral de Gados datado de 1888 com risco do arquitecto Parente da Silva.

 Firmino Marques da Costa,
in Lisboa de Antigamente

Segundo afirma Norberto de Araújo («Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 63-64») «A linha férrea foi aqui assente em 1890, e inaugurada a 11 de Junho; este viaduto e o da Avenida Cinco de Outubro, são posteriores, e do nosso século. Devo dizer-te, porém, que já em 1873 (inaugurada em 1 de Outubro), corria aqui uma linha pelo sistema Larmanjat, que pouco tempo durou.»

Viaduto ferroviário de Entrecampos [1950]
Avenida da República
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Assim, em 17 de Novembro de 1950, foi inaugurada a passagem inferior da Av. da República, depois de removidas as terras do antigo aterro ferroviário, resolvendo deste modo um problema que se arrastava desde a construção da Av. Ressano Garcia (hoje Av. República) no início do século XX.
As principais remodelações do Viaduto de Entrecampos sobre a Avenida da República datam do período do Estado Novo (1944) e da década de setenta (1970) que se ligam directamente às necessidades de maior fluidez do tráfego automóvel na Avenida da República.

Viaduto ferroviário de Entrecampos [1973]
Avenida da República
Novo tabuleiro da autoria do engº. Edgar Cardoso.

Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

O Larmanjat — de que fala Norberto Araújo — era um sistema de caminho de ferro monocarril, idealizado pelo francês J. Larmanjat, composto por um carril central ladeado de duas passadeiras de madeira.  A locomotiva, a vapor, e as carruagens tinham rodas centrais, que rodavam pelo carril, e rodas laterais que rodavam pela passadeira.
Explorada pela companhia inglesa «Companhia dos Tramways a Vapor», foi inaugurada a 4 de Setembro de 1873 a ligação Lisboa - Torres Vedras. Esta linha tinha as seguintes estações: Lisboa, Campo Pequeno, Lumias, Nova Cintra, Santo Adrião, Loures, Pinheiro de Loures, Lousa, Venda do Pinheiro, Malveira, Vila Franca do Rosário, Barras, Freixofeira, Turcifal e Torres Vedras.
Uma passagem entre Lisboa e Torres Vedras custava 900 réis em 1ª classe e 700 réis em 3ª classe, não havendo 2ª classe.

PARIS-TROCADERO-CH. FER ESSAI SYSTEM LARMANJAT-1871

A primeira viagem efectuada demorou 4h e 20m, tempo esse que representava um autentico 'record' se comparado com o tempo normal de uma viagem de diligência que rondava as 6h. No entanto este novo meio de transporte inaugurou um novo tipo de acidente: o descarrilamento. Este facto, que tudo indica seria frequente, aliado a sucessivas avarias mecânicas, fazia, com frequência, dilatar o tempo alcançado pela viagem inaugural e tornar a viagem de diligencia mais segura e, por vezes, mais rápida.
Este meio de transporte foi abandonado em 1877 por falência da empresa que o explorava.

Friday, 1 November 2019

Avenida da República

Este topónimo, juntamente com mais nove, faz parte do primeiro Edital da vereação republicana, datado de 5 de Novembro de 1910, ou seja, precisamente um mês após a implantação da República. Após a proclamação da República a Câmara de Lisboa alterou a toponímia, substituindo os nomes das figuras públicas comprometidas com a monarquia e os topónimos de cariz religioso por outros evocativos dos ideais republicanos e esta Avenida da República é disso um exemplo claro, substituindo o topónimo do criador das Avenidas Novas em 1904  —  Ressano Garcia — pela própria República.

Avenida da República |1926|
Junto ao Viaduto de Entrcampos; à esq., o antigo Mercado Geral de Gados, depois Feira Popular; à dir., a Rua Visconde de Seabra
Legenda no arquivo: «Exercícios da Polícia Cívica no Campo Grande»
Fotógrafo não identificado, 
in Lisboa de Antigamente

O topónimo «Visconde de Seabra» perpetua na toponímia de Lisboa o nome de António Luís de Seabra (1798-1895), 1º visconde de Seabra, com título atribuído em 25 de Abril de 1865, responsável pela organização do projecto de Código Civil que foi promulgado por Carta de Lei em 1 de Julho de 1867.
Formado em 1820, a sua carreira desenvolveu-se como deputado, membro da Câmara dos Pares, Ministro da Justiça (1852 e 1868), reitor da Universidade de Coimbra (1866-68) e juiz do Supremo Tribunal de Justiça. [cm-lisboa.pt]

Avenida da República |ant. 1934|
Junto ao Viaduto de Entrcampos; à dir., a Rua Visconde de Seabra
Legenda no arquivo: «
Volta a Portugal em carro»
Fotógrafo não identificado, 
in Lisboa de Antigamente

Sunday, 20 March 2016

Avenida da República, 27-33

Após a proclamação da República (1910) a Câmara Municipal de Lisboa alterou a toponímia, substituindo os nomes das figuras públicas comprometidas com a monarquia e os topónimos de cariz religioso por outros evocativos dos ideais republicanos e esta Avenida da República é disso um exemplo claro, substituindo o topónimo do criador das Avenidas Novas em 1904 (Avenida Ressano Garcia) pela própria República.

Avenida da República, 27-33 [post. 1906]
Quarteirão entre as as avenidas Miguel Bombarda e  João Crisóstomo.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Repare-se nas magnificas mísulas que suportam as varandas da moradia ao centro. Curioso o facto da existência da farmácia — à data pharmacia — cem anos decorridos, no mesmo nº 27. O edifício — de que vê parte à esquerda — no nº 25, conhecido por «República 25» datado de 1906, foi totalmente renovado em 2011, à excepção da sua fachada que se mantém a mesma. Os outros foram demolidos.

Friday, 14 February 2025

Avenida da República, 65 no cruzamento com a Avenida Barbosa du Bocage, 59

Este grande xadrez regular das chamadas Avenidas Novas — edificações modernas com alguns palacetes de formoso aspecto — é delimitado pela Avenida Duque de Ávila, a sul, antiga Rua do Arco do Cego, a oriente, a linha férrea da Cintura, a norte, e a Avenida Marquês de Sá da Bandeira, a poente, ainda que as avenidas principais de orientação Norte-Sul — Cinco de Outubro e República — ultrapassem, em prolongamento, estes limites teóricos.

Avenida da República, 65 no cruzamento com a Avenida Barbosa du Bocage, 59 |1969|
Palacete construído na viragem do século XIX demolido em 1970.
Nas Avenidas Novas nasceu a Rua Barbosa du Bocage, por Edital de 11/12/1902, na via pública entre as Avenidas Marquês de Tomar e Rua do Arco do Cego. Passados quase 23 anos, o Edital de 08/06/1925 mudou a classificação da artéria para Avenida.
Nuno Roque da Silveira, in Lisboa de Antigamente


Não deixa de ser curioso designá-las, anotando que a urbanização desta área se está fazendo desde há trinta anos, sistematicamente, cada lustro com seu avanço, quási sem nós darmos por isso. 

Avenida da República, 65 no cruzamento com a Avenida Barbosa du Bocage, 59 |1969|
Palacete construído na viragem do século XIX demolido em 1970.
Nuno Roque da Silveira, in Lisboa de Antigamente

No sentido Norte-Sul correm as Avenidas de Sá da Bandeira (que não passa do Largo do Rego), Marquês de Tomar, Cinco de Outubro, da República (esta a artéria mater), dos Defensores de Chaves, e a Rua do Arco do Cego, que se chamará Avenida D. Filipa de Vilhena (parte dela). Transversalmente correm as Avenidas Duque de Ávila, João Crisóstomo, Miguel Bombarda, Visconde de Valmor, Elias Garcia, Barbosa du Bocage, Berna e António Serpa. [Araújo, XIV, 1939]

Avenida Barbosa du Bocage, 59 no cruzamento com a Avenida da República, 65  |1969|
Palacete construído na viragem do século XIX demolido em 1970.
Nuno Roque da Silveira, in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 9 March 2016

Galeotas Reais Portuguesas

A  Colecção de Galeotas Reais Portuguesas é formada por seis embarcações que estão expostas ao público no Museu de Marinha de Lisboa.
São  conhecidas, vulgarmente,  pelo nome ou pelo cargo de quem  mandou construí-las, com excepção do Bergantim  Real – também conhecido como Galeota Real – que foi encomendado, em 1780, pela Rainha Dona Maria I.

Cais das Colunas, Terreiro do Paço [1905]
Galeotas Reais Portuguesas:em primeiro plano; em segundo plano o Bergantim  Real (1780), aquando da visita do presidente da República de França, Émile Loubet.
 José A. Bárcia [?], 
in Lisboa de Antigamente

Das restantes galeotas que constituem esta colecção, quatro foram construídas  no  século  XVIII:  Galeota de D.  João  V, de D.  José  I, de D. Carlota Joaquina e do Inspector  da  Alfândega  de  Lisboa.  O sexto  exemplar  provém  já  do século  XIX, e é designado como Galeota  de  D.  Miguel, tendo sido  mandado construir por este monarca no ano de 1831.

Cais das Colunas, Terreiro do Paço [1905]
Galeota  de  D.  José  I (1753), aquando da visita do presidente da República de França, Émile Loubet.
Fotógrafo não identificado,.in Lisboa de Antigamente

Todas estas embarcações foram construídas com o objectivo de transportar a  família  real  portuguesa,  bem  como  os  seus  homólogos  europeus,  em  trajectos curtos  ao longo do  rio Tejo ou  dos  seus  navios  e  iates  até  terra  firme,  durante  as visitas  oficiais  à  capital  portuguesa.  Como  colecção, sabemos  que  constitui  um exemplo  de  Património  Marítimo  único  no  mundo;  como realidade  museológica, possuem  o  dom  de  encantar  todo  aquele  que  se  aproxima com a  sua majestosa presença, com o seu aroma a memória e passado e com as suas cativantes formas, desgastadas pelo tempo. 
(in O projecto de conservação das galeotas reais portuguesas: um desafio para a museologia contemporânea, Lorena Sancho Querol, Conservadora e Museóloga)

Cais das Colunas, Terreiro do Paço [1905]
O Bergantim  Real (1780), aquando da visita do presidente da República de França, Émile Loubet.
Chaves Cruz,. in Lisboa de Antigamente

Em 1780, D. Maria I ordena a construção da mais bela e imponente Galeota Real até hoje conhecida: o «Bergantim Real» ou «Galeota de D. Maria I». A sua construção destinou-se a servir os esponsais do príncipe D. João (futuro rei D. João VI) com a infanta espanhola D. Carlota Joaquina e, ainda, do infante D. Gabriel, de Espanha, com a infanta D. Maria Ana Vitória, ambos celebrados em 1784.

Cais das Colunas, Terreiro do Paço [1905]
O Bergantim  Real (1780), aquando da visita do presidente da República de França, Émile Loubet
Augusto Bobone,.
in Lisboa de Antigamente

Ostenta um magnífico trabalho em talha dourada, possuindo, ainda, no seu costado, uma bela faixa renascentista assente sobre ouro escurecido. A decoração do bergantim compõe-se, igualmente, por pináculos, frisos, cariátides, florões, albarradas e caixilhos, preciosamente elaborados. Da camarinha sobressai, por entre toda a riqueza e beleza do seu conjunto, uma impressionante caixilharia de espelhos venezianos. O baixo painel, onde monta o leme, foi alvo de uma complexa e bonita decoração. Composta por dois baixos-relevos, enquadrados por cercaduras floridas de talha dourada, encontram-se aqui representados Anfitrite e Neptuno. A bordo desta embarcação seguiam 78 remadores que a faziam deslizar através de 40 remos, auxiliados por um patrão e um cabo proeiro.

Cais das Colunas, Terreiro do Paço [1905]
O Bergantim  Real (1780), aquando da visita do presidente da República de França, Émile Loubet.
Augusto Bobone. 
in Lisboa de Antigamente

O «Bergantim Real» foi utilizado para receber diversos monarcas e Chefes de Estado, assim como também era usado frequentemente pela nossa Família Real, quando se deslocavam ao Iate Real Amélia. Em 1957, por ocasião da visita oficial de Isabel II de Inglaterra, cruzou as águas do Tejo pela última vez, tendo sido transportado para o Museu da Marinha em 1963. (in realbeiralitoral.blogspot.com)

Cais das Colunas, Terreiro do Paço [1905]
O Bergantim  Real (1780), aquando da visita do presidente da República de França, Émile Loubet.
Augusto Bobone,.
in Lisboa de Antigamente

Friday, 9 August 2019

Lançamento da 1ª Pedra para o monumento ao Dr. António José de Almeida

Recorda-nos o olisipógrafo Norberto Araújo que « O monumento ao Dr. António José de Almeida foi levado a efeito por iniciativa do então director do «Diário de Notícias» Eduardo Schwalbach; a subscrição pública abriu-se dois dias depois da morte do antigo presidente da República, sucedida em 30 de Outubro de 1929.

Avenida da República [1 de Fevereiro de 1932]
Cerimónia do lançamento da 1ª Pedra para o monumento ao Dr. António José de Almeida, 6º Presidente da República (1919–1923), na presença do Chefe de Estado Óscar Carmona.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O primeiro local escolhido para o monumento foi o cruzamento das Avenidas da República e Miguel Bombarda, no qual se chegou a colocar a primeira pedra em 1 de Fevereiro de 1932.

N.B. Por iniciativa do Governo, a localização definitiva para o monumento viria a ser a Praça onde convergem a Avenida Miguel Bombarda e a Avenida António José de Almeida, tendo sido inaugurado a 31 de Dezembro de 1932.

Avenida da República [1 de Fevereiro de 1932]
Sessão solene do lançamento da 1ª Pedra para o monumento ao Dr. António José de Almeida, 6º Presidente da República (1919–1923), na presença do Chefe de Estado Óscar Carmona.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 74, 1939.

Thursday, 6 August 2015

Avenida da República, 77: Casa Mário de Artagão

Palacete de Mário de Artagão, na antiga Avenida Ressano Garcia, construído em 1906, da autoria do arqº Manuel Norte Júnior, demolido na década de 1950 para construção do edifício de habitação que se vê na última imagem.

A casa do sr. Mário de Artagão, é no seu género um interessante e inspirado trecho arquitectural —  escrevia Rosendo Carvalheira; o seu exterior agradável, ligeiro e gracioso, coaduna-se bem ao seu destino: a morada de um intelectual e um poeta de valor.
O sr. Mário de Artagão, escritor e poeta, natural desse prospero e admirável continente onde canta o sabiá [ave comum na América do Sul], não pode nem deve deixar de ser comparticipe do sucesso artístico da sua deliciosa vivenda.
O proprietário inteligente que coopera com o arquitecto apoiando-o nos seus voos artísticos, presta indubitavelmente um valioso serviço que não pode nem deve ser esquecido.

Avenida da República, 77A 77B: Casa Mário de Artagão [post. 1906]
Esquina com a Avenida de Berna, 2
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Se a moradia pelo seu aspecto externo, deve como sentenceia o aforismo critico, traduzir a vida, a psicologia de quem a habita, o exemplar a que me refiro satisfaz por completo.
De todas as fachadas da habitação a mais harmónica equilibrada é a que defronta [vd. 2ª imagem] com a Avenida Ressano Garcia [desde 1910, da República]; a disparidade de motivos de decoração, desaparece perante o arranjo feliz e ponderado de todos eles na composição.
A coordenação das fachadas entre si, também manifestam qualidades de savoir faire pouco vulgares, resolvendo o problema laborioso dos espaços angulares, sempre exigente em cuidados, por forma a harmoniza-lo com o restante do edifício.
O sr. Norte Júnior, nos seus projectos, dá larga representação á pintura e escultura decorativas; tem tido a felicidade de encontrar nos proprietários a boa orientação de lhe aceitarem essa boa norma profissional, e no presente caso, essa circunstancia concorreu muito para o belo aspecto da edificação.
[in Architectura Portugueza. N.º2., p.5-7, Fev.1908]

Avenida da República, 77A 77B: Casa Mário de Artagão [post. 1906]
Esquina com a Avenida de Berna, 2
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

N.B. Ressano Garcia que enquanto engenheiro da C.M.L. foi responsável pela expansão de Lisboa para norte, a partir do eixo da Avenida da Liberdade com o projecto das Avenidas Novas integrou a toponímia de Lisboa ainda em vida, no ano de 1897, na artéria que hoje conhecemos como Avenida da República e, depois, no ano de 1929 regressou para uma Avenida no Bairro Azul.

Avenida da República, 77-A 77-B [1970] 
Esquina com a Avenida de Berna, 2
Fotógrafo não identificado, 
in Lisboa de Antigamente

Avenida da República, 87

O edifício à direita na foto (em detalhe na 2ª imagem) é típico das Avenidas Novas, e característico do estilo Arte Nova de finais do século XIX e início do XX, dentro das tipologias da habitação burguesa lisboeta. Com projecto de 1906, foi construído por J. Rodrigues Pietro, tal como o prédio vizinho, que ocupa os números 89 e 89-A da Avenida da República (antiga Ressano Garcia). Não sendo, nem um nem outro, exemplares particularmente destacáveis dentro da arquitectura da época e do seu estilo, formavam no entanto um conjunto muito interessante para a caracterização desta zona privilegiada de expansão da cidade oitocentista.

Corrida de bicicletas na Avenida da República [post. 1906]
O edifício Arte Nova (à direita), quase na esquina com a Av. Júlio Dinis, ainda lá está, orgulhosamente de pé, no nº 87 da Avenida da República. O palacete que se vê do lado esquerdo (nº 77) já foi demolido (vd. próximo artigo)
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Na sua globalidade, o edifício do n.º 87 é o mais harmonioso dos dois, tanto no que respeita às escala e composição, como a nível da ornamentação. A feição Arte Nova é particularmente visível nos estuques e cantarias da fachada, com o seu friso azulejar e o uso do ferro forjado, trabalhado em linhas sinuosas que se repetem na escadaria e no corrimão do interior. Destacam-se ainda as amplas janelas do segundo e terceiro pisos, coroadas respectivamente por um arco abatido e um arco de volta perfeita.
Apesar desta apreciação, o imóvel foi infelizmente muito desfigurado ao longo das últimas décadas. À ruína total do interior, reconstruido em 2000, seguiram-se diversas alterações de monta na fachada, incluindo a construção de uma pequena "torre" sobre o corpo da esquerda, e a substituição das caixilharias de madeira por outras em alumínio. Desta forma, considera-se que o actual edifício não faz jus às razões estéticas, formais e contextuais que ditaram a sua prévia classificação. (in igespar.pt)

Avenida da República, 87  [1909]
Edifício que se observa do lado direito na imagem anterior.
Paulo Guedes,
in Lisboa de Antigamente

Saturday, 25 January 2020

Palacete da Praça do Duque de Saldanha, 28-30 com a Avenida da República, 1 e 1-A

Este edifício começou a ser construído em terrenos que eram propriedade de Maria Luiza Salazar Correia. Após o falecimento de seu marido, e estando o prédio ainda nos alicerces, foi comprado por Engrácio Supardo que, em 25 de Julho de 1906, apresentou novo projecto à Câmara Municipal de Lisboa, correspondendo à habitação unifamilar que hoje conhecemos. 
 
Palacete da Praça do Duque de Saldanha, 28-30 com a Avenida da República, 1-1-A |1926-10-05|
À esq. está o Monumento ao Duque de Saldanha (1909); legenda no arquivo: «Aspecto da parada militar comemorativa do 16º aniversário da implantação da República»
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto não está «identificado no arquivo.

Edificado entre 1907 e 1908, com risco atribuído ao arq.º José Luís Monteiro, trata-se de um edifício de gaveto, estruturado em dois pisos e águas furtadas, composto por um corpo central, dois laterais e outro de menores dimensões adossado ao lado esquerdo da construção, rematado superiormente por platibanda em balaustrada ritmada por plintos, interrompida por três frontões curvos esculpidos nos tímpanos. Em Vias de Classificação, traduz um exemplar de arquitectura residencial ecléctica, combinando elementos de inspiração classicizante, neo-renascentista, neo-maneirista e Arte Nova.

Palacete da Praça do Duque de Saldanha, 28-30 com a Avenida da República, 1-1-A |c. 1940|
Monumento ao Duque de Saldanha (1909)
Amadeu Ferrari, 
in Lisboa de Antigamente

Na sua fachada merecem destaque: os atlantes que suportam as varandas do segundo piso; o revestimento azulejar policromático e o trabalho de ferro forjado em malha sinuosa do corpo de menor dimensão; a porta principal, em arco de volta perfeita, com emolduramento em cantaria, ladeada por duas colunas rematadas por capitéis compósitos e encimada por frontão em arco abatido, decorado no tímpano com temática vegetalista; e o recurso ao festão como elemento decorativo do conjunto, localizado no piso superior e no vértice do edifício, composto por dois óculos e três janelas, que se abrem para varanda de planta semicircular e balaustrada. [cm-lisboa.pt]

Palacete da Praça do Duque de Saldanha, 28-30 com a Avenida da República, 1-1-A |c. 1909|
Monumento ao Duque de Saldanha (1909)
Chaves Cruz, 
in Lisboa de Antigamente


Sunday, 11 June 2017

Instituto Nacional de Estatística

Construído em 1931, risco do arq.º Pardal Monteiro. Destaca-se o seu salão nobre decorado com dez frescos, da autoria do pintor Henrique Franco representando as quatro estações do ano e algumas actividades económicas tais como a Agricultura, a Pesca, os Têxteis e a Cerâmica e a escadaria principal com vitral de grandes dimensões, em posição horizontal, executado em 1933 no atelier de Ricardo Leone, sob cartão do pintor Abel Manta, Encontram-se ainda, na parte superior da fachada principal do edifício, dois baixos-relevos de Leopoldo de Almeida, representando um a Agricultura e a Demografia e, outro o Comércio e a Indústria.

Edifício-sede do Instituto Nacional de Estatística [1934]
Avenida de António José de Almeida; Avenida do México (esq.); Praça de Londres
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O imóvel continua a manter a sua primitiva função — sede do Instituto Nacional de Estatística. São atribuições do INE a notação, apuramento, coordenação e difusão de dados estatísticos de interesse geral e comum. O edifício-sede do Instituto Nacional de Estatística (incluindo muros e logradouro) está Em Vias de Classificação.

Edifício-sede do Instituto Nacional de Estatística [post. 1935]
Avenida de António José de Almeida; Avenida do México (esq.)
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

O topónimo desta artéria, atribuído  pelo Edital de 18 de Julho de 1933 da C.M.L, homenageia António José de Almeida. Na Praça onde convergem a Av. Miguel Bombarda e a Av. António José de Almeida foi edificado o monumento ao antigo Presidente da República, segundo projecto do arq. Pardal Monteiro e esculpido por Leopoldo de Almeida, inaugurado a 31 de Dezembro de 1937, por iniciativa do Governo. De composição simples, é constituído pela figura do médico, escritor, jornalista e político, António José de Almeida, de pé, esculpida em bronze, sobressaindo do monumento a figura da República, esculpida em pedra. É junto dele que no dia 5 de Outubro se costuma prestar homenagem aos heróis da implantação da República. A face principal do monumento apresenta a seguinte legenda: "António José de Almeida, ardente tribuno, patriota perfeito, cidadão exemplar - Presidente da República 19919-1923. - 17-7-1866. - 31-10-1929"
Por sua vez, a face posterior do mesmo exibe legendas com frases históricas do Dr. António José de Almeida, como propagandista republicano (1906), como Ministro do Interior do Governo Provisório (1910) e como Presidente da República (1921)

Monumento a António José de Almeida [post. 1934]
Avenida de António José de Almeida; Avenida do México (esq.)

Em último plano o Instituto Superior Técnico
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

Thursday, 3 March 2016

Avenida da República, 46-46A

Conjunto de 3 prédios de rendimento na actual Avenida da República tornejando a Avenida Elias Garcia, com projecto de 1906 do arq. Ventura Terra; demolição integral de interiores e fachadas de tardoz (fachadas posteriores) em 2010, ano do Centenário da República, para construção do Jupiter Lisboa Hotel; manteve a fachada e traça original, acrescentando seis pisos subterrâneos e dois superiores. 

Avenida da República, 46-46A |c. 1906|
Avenida Elias Garcia, 60
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Inspirado na história de Lisboa através da sua cultura, dos seus monumentos, cada piso é dedicado a um bairro. Numa das varandas do 1º andar, posando para o fotógrafo, pode ver-se o que aparenta ser uma família muito feliz na estreia da sua nova casa.

Avenida da República, 46-46A |1970-07-23|
Avenida Elias Garcia, 60
Artur Bastos, in Lisboa de Antigamente

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