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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Ermida da Cruz das Almas

Pois estamos outra vez na Cruz das Almas. 
O sítio da Cruz das Almas — diz Gustavo de Matos Sequeira — aparece-nos pela primeira vez citado em 1719, no registo de óbito de uma Inez, filha de Manuel de Sequeira e de Catarina Maria, feito na freguesia de São José. Noutros, em 1730 e 1732, surge- nos a designação ao «Canto das Almas». A não ser que a referência seja a outro local — à «Cruz de Santa Marta» talvez — temos que assentar que esta denominação topográfica só se fixou muito mais tarde, tanto mais que a «cruz do Padrão» não pertencia à paróquia de São José. O que é certo, também, é que em 1731, o bispo de Lamego D. Nuno Alvares Pereira de Melo faleceu à «Cruz das Almas» em 8 de Março deste ano, e já se sabe que os Cadavais tinham aqui casa e propriedades rústicas e que foi um Cadaval o fundador da ermida de que já vamos falar. [...] ¹

Ermida da Cruz das Almas |c. 1940|
Rua de Campolide
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

A Ermida que aqui vês — recorda-nos, por seu turno, Norberto de Araújo — pequeno prédio que se segue, já na Rua de Campolide, à esquina da Rua das Amoreiras, foi fundada em 1756 por D. Nuno Álvares Pereira de Melo, 3º Duque do Cadaval, e um dos dezóito filhos ilegítimos que êste Duque teve. Os Cadavais tinham aqui perto uma casa sua, junto do Palácio Anadia, mas já na Rua do Portal de S. João dos Bemcasados, isto é: na, depois, das Amoreiras.
A Ermida foi dedicada à Imaculada Conceição Maria Santíssima, como estás lendo, em inscrição gravada na verga do portal. 

Ermida da Cruz das Almas |1945|
Rua de Campolide, à esquina da Rua das Amoreiras
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Esta Ermida da Cruz das Almas interiormente possue um belo silhar de azulejos do Rato, policromo, um teto estucado e pintado, e, no altar-mór, um Cristo, de marfim, e algumas imagens (S. Domingos e Santa Tereza) além de um retábulo de N. Senhora da Conceição.²

Sítio da Cruz das Almas |1857|
Vermelho: Ermida da Cruz das Almas
Azul: troço da antiga Rua das Amoreiras, que corresponde actualmente à Rua Prof. Sousa da Câmara
Laranja: Rua de Campolide (antiga Estr. de Campo Lide

Verde: Rua do Arco do Carvalhão
Levantamento da Planta de Lisboa (excerto), 1857 por  Filipe Folque, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Depois do terramoto: subsídios para a história dos bairros ocidentais de Lisboa, Volumes 3-4, p. 489, 1967.
² ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 81-82, 1939.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Prédios da Cruz das Almas

Este cruzamento da Cruz das Almas — recorda-nos Norberto de Araújo — era sitio — vê lá tu! — de S. João dos Bemcasados, (chamou-se também Cruz de S. João dos Bemcasados), antes de se rasgar e urbanizar a Rua que teve este nome, ali há poucos anos, e onde já estivemos.


É também antigo, embora tenha sofrido beneficiações que lhe disfarçam o semblante, o prédio da esquina, e o que se lhe segue na Rua das Amoreiras [hoje Rua Prof. Sousa da Câmara].
Vê nesse cunhal uma pedra, com letras gravadas, e que atesta a antiguidade da casa e o senhorio do sítio: «Foreiras a Sebastião José de Carvalho e Melo. Ano de 1742». É bem interessante — talvez único em Lisboa em casas particulares, e com vista para a rua — esse relógio de sol, ainda bem conservado.

Cruzamento da antiga Rua das Amoreiras [hoje Rua Prof. Sousa da Câmara] com a Rua de Campolide (Cruz das Almas) [908]
Relógio de sol visível no cunhal do prédio.

Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Mais valioso é o prédio que a este se continua, solarengo, com pormenores decorativos, belos jardins e fisionomia repousado do fim de setecentos. Aí tens no seu portão principal, n.° 170, um curioso pormenor: sobre o pilar direito vê-se uma Cruz (seria esta a «Cruz das Almas»?) e sob ela uma data 1626, e no pilar esquerdo uma pomba de Espírito Santo [vd. ampliando 2.ª foto]

Este prédio, e o contíguo do cunhal, supostamente dos Rebelos Palhares, e, porventura, dos Cadavais, pertenciam no século passado a D. Mariana Emília Cambiasso e depois do capitalista Manuel Maria de Antas Barbosa. Em 1920 eram de D. Sofia Fricks em administração de seu sobrinho Frederico, e foram há poucos anos (1932-1934) vendidos, um após outro, ao engenheiro César Augusto Pimentel.

Rua das Amoreiras [hoje Rua Prof. Sousa da Câmara, 170] [1908]
Prédio com o n.º de policia 170 onde se pode observar a cruz no pilar referida por Norberto de Araújo.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p.81, 1939.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Chafariz do Arco do Carvalhão ou da Cruz das Almas

Modelo semelhante ao dos chafarizes do Arco de São Mamede e da Cruz de Taboado. Data de 1823. É em espaldar e está encostado à parede de um dos arcos do Aqueduto das Águas Livres. Era alimentado pela Galeria de Sant'Ana. Custou a sua construção 670$975 réis (cerca de 3,50€).
Os seus sobejos iam para o Visconde de Anadia. Este chafariz é também chamado Chafariz da Cruz das Almas, isto porque inicialmente se encontrava situado no centro de uma praceta na Cruz das Almas (confluência das Ruas do Alto e do Arco do Carvalhão).

Chafariz do Arco do Carvalhão [séc. XIX]
Rua do Arco do Carvalhão
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A designação de Chafariz do Arco do Carvalhão tem a sua origem no facto desses terrenos terem pertencido a Sebastião José de Carvalho e Melo, conhecido como o «Carvalhão», por possuir nesta zona da cidade grande quantidade de património.
Tem a inscrição «CML / 1890 Agoas Livres / Outubro 12 de / 1823 / Chafariz n.º 26». Sob esta, surgem duas bicas [em 1823 possuiria 1 bica] de formato quadrangular, que jorram para tanque rectangular, pouco profundo e de bordos lisos, parcialmente percorridos por chapa de ferro, que consolida a estrutura, tendo, no lado direito, laje de cantaria para apoio do vasilhame.

Chafariz da Cruz das Almas, gravura

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Alto e Arco do Carvalhão

Carvalhão (arco do) fica na estrada do arco do Carvalhão, freguezia de Santa Izabel.
Carvalhão (estrada do arco do) primeira á esquerda na rua de S. João dos Bemcasados [R. Amoreiras], indo da rua do arco das Aguas Livres e finda na quinta da Cabrinha, freguezia de Santa Izabel. [Velloso: 1869]

Arco do Carvalhão situado sobre a Rua do Arco do Carvalhão, em Lisboa. Freguesia de Campolide, Classificado no conjunto do Aqueduto, como Monumento Nacional por Dec. de 16-6-1910. Estabelecidas Zonas Especiais de protecção pelas portarias 1092/95 (DR 206) de 6-9-1995, 1099/95 (DR 207) de 7-9-1995 е 512/98 ( DR 183) de 10-8-1998.

Ruas do Alto e do Arco do Carvalhão |1939|
Chafariz; Aqueduto das Águas Livres
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Trata-se de trecho do aqueduto que vence, com dois amplos vãos, os dois arruamentos em que, neste local, se subdivide a Rua do Arco do Carvalhão. Antes de ser chamada «do Arco do Carvalhão», a rua tinha o nome de «do Sargento-Mor», como recorda o ilustre Norberto de Araújo. [...] Agora estamos no Arco do Carvalhão, sob dois imponentes arcos do Aqueduto. Esses terrenos [...] estendiam-se além da actual Rua das Amoreiras, desde o trecho da Cruz das Almas até a actual Rua Marquês da Fronteira. [...] O «Carvalhão» era, na verdade, o futuro Marquês de Pombal, e do seu sobrenome vieram os nomes da rua actual. [...]

Ruas do Alto e do Arco do Carvalhão |1961|
Ao fundo nota-se o Viaduto da Avenida Duarte Pacheco ou do Arco do Carvalhão; Aqueduto das Águas Livres.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Ainda de acordo com o insigne olisipógrafo Norberto Araújo «terrenos eram estes de Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda antes de ser Marquês de Pombal e Conde de Oeiras e «Carvalhão» era o nome pelo qual era conhecido «e do apelido derivaram os nomes da Rua actual (Arco do Carvalhão) que leva à Cruz das Almas, e da ladeira (Alto do Carvalhão) só há poucos anos (1933) edificada em forma, e que leva a D. Carlos Mascarenhas».

Ruas do Alto e do Arco do Carvalhão |195-|
Fotografia aérea da Av. Eng. Duarte Pacheco, Aqueduto das Águas Livres. 
Rua do Alto do Carvalhão anotada com cor azul e Rua do Arco do Carvalhão a encarnado.
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ALMEIDA, Álvaro Duarte de, Portugal património: Lisboa· 2007.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp.77-78, 1939.

domingo, 4 de outubro de 2020

Rua de Campolide

A designação Campolide é antiquíssima. O sítio de Campolide é de urbanização recente. Segundo Norberto de Araújo nas suas Peregrinações em Lisboa: “Não significa isto, porém, que Campolide não fosse povoado desde há duzentos anos, mas com carácter rústico arrabaldino – aprazível sítio –, e em aglomerados soltos, dos quais o mais assinalado se encontrava no prolongamento da estrada, agora Rua de Campolide, muito além das barreiras, sensivelmente no troço de encosta, entre o actual edifício das Irmãzinhas e o Quartel de Caçadores 5, no local das casas de Estêvão Pinto.
No século XVIII, contido entre quintas muradas, estrada de passagem obrigatória – Campolide existia sem definição nem classificação. Algumas das suas casas, hoje de pé ou transformadas atestam quanto te digo. 

Rua de Campolide [1952]
Antiga Estr. de Campolide, antes Cruz das Almas
Nota-se ao fundo o viaduto ferroviário de Sete Rios.
Judah Benoliel,  in Lisboa de Antigamente

Vejamos agora ...
Campolide — que significa? Qual a origem do vocábulo?
Nós não temos tempo, nem plano, para nos embrenharmos nestas complicadas dissertações etimológicas. A versão de que a palavra corresponde à abreviação de Campo-da-lide (século XIV, tempo do Cerco a Lisboa pelos castelhanos) está posta de parte. Alguns séculos antes a designação existia; já o Rei D. Afonso II (1211) possuía «duas vineas in Campolide». Parece mais acertado ficarmos na ignorância da origem da palavra, que corresponderia já no ciclo da tomada de Lisboa ao que o cruzado Osberno chamava, pela sónica, Compolet, e que seria Campolit."

Rua de Campolide [c. 1949]
Antiga Estr. de Campolide, antes Cruz das Almas
Lápide foreira datada de 1742.
Eduardo Portugal,  in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 77-78, 1939.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Rua Aviador Plácido de Abreu com Rua Prof. Sousa da Câmara, às Amoreiras

O topónimo Rua Aviador Plácido de Abreu foi atribuído pela CML, através de Edital datado de 21/12/1960, ao arruamento com a denominação provisória de Rua Projectada à Rua das Amoreiras ou Rua “B” à Rua das Amoreiras; este troço da velhinha Rua das Amoreiras corresponde, desde 1971, à Rua Prof. Sousa da Câmara [vd. 2ª imagem] que se pode ver ao fundo.

Nota(s): Plácido António da Cunha Abreu (1903-1934), aviador acrobata despenhando-se contra o solo por ocasião da Taça Mundial de Acrobacia Aérea que decorria em Vincennes, França.
Alferes e observador na aviação portuguesa desde 1925, Plácido de Abreu tirou a carta de piloto aviador em 1930 e começou a praticar acrobacia distinguindo-se pelo seu arrojo. No Grande Certame Internacional de Cleveland, em 1932, ficou classificado entre os três primeiros acrobatas não americanos.  [1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Rua Aviador Plácido de Abreu |1967|
Ao fundo corre a velhinha R. das Amoreiras, desde 1971 denominada R. Prof. Sousa da Câmara.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Rua das Amoreiras actual R. Prof. Sousa da Câmara |1967|
Perspectiva tomada das Ruas do Arco do Carvalhão e de Campolide (Cruz das Almas) do troço da antiga Rua das Amoreiras, antes desta ser separada em dois troços distintos pela Av. Eng. Duarte Pacheco em 1948. 
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): António Pereira de Sousa da Câmara (1901-1971) foi Professor Catedrático do Instituto Superior de Agronomia, escola em que se tinha formado como Engenheiro Agrónomo e Engenheiro Silvicultor. Leccionou as cadeiras de Agricultura Geral e de Máquinas Agrícolas. Leccionou ainda a cadeira de Trematologia que, de algum modo era a área científica precursora da Genética no final do século XIX e início do século XX. No seu trabalho de investigação foi pioneiro no estudo e investigação da Genética em Portugal, tendo estagiado, após a conclusão do seu curso nas Universidades de Edimburgo (1932-1933) e Cambridge (1933). Mais tarde estagiou também na Alemanha no Kaiser Wilhelm Institut für Biologie (1936) e na Universidade de Missouri nos Estados Unidos da América (1948). Fundou as revistas de Agronomia Lusitana e Genética e escreveu ABC da Genética (1942) e No Caminho – Guiando Uma Empresa Científica, 1943, além de numerosos trabalhos científicos. [bibliotecacosmos]

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Convento do Santo Crucifixo das Capuchinhas Francesas

Sobre a ruína do mosteiro do Santo Crucifixo paira ainda hoje a aza (sic) negra da fatalidade; e, daqui a pouco, razoirado o terreno, modificado o aspecto da rua, erguidos no seu local novos edifícios, ruirá também a própria lembrança das pobres freiras francesinhas. 
Paz às suas almas! [Sequeira: 1924]

Nesta historia verá Vossa Magestade hum edificio por todas as circunstancias Real, porque lhe deu princípio a Augustissima Rainha D. Maria Francisca Isabel de Saboya. [Barbosa: 17484]

O Convento do Santo Crucifixo das Capuchinhas Francesas, conhecido como das «Francesinhas» foi fundado em 1667 pela Rainha de Portugal Maria Francisca de Sabóia, esposa de D. Afonso VI e, em segundas núpcias, de D. Pedro II. Quando morreu, a rainha foi sepultada no convento que fundou. Em 1911, o corpo foi trasladado para o Mosteiro de São Vicente de Fora, dando-se então início à demolição do convento [vd. 3ª imagem].

Esquina da Calçada da Estrela e do Caminho Novo, hoje Rua das Francesinhas [1910]
Joshua Benoliel,
in Lisboa de Antigamente

A denominação de Capuchinhas Francesas ficou definitivamente associada ao Convento do Santo Crucifixo (denominação oficial do cenóbio) e adveio unicamente da origem das freiras fundadoras — quatro freiras clarissas que a tinham acompanhado de França D. Maria Francisca de Sabóia — , não constituindo qualquer ramo ou variação do instituto de religiosas denominado Capuchinhas, fundado em 1535 pela espanhola Maria Lorenza Longo, em Nápoles, ao qual pertenciam as monjas do convento.
O convento do Santo Crucifixo constitui um importante exemplo do que foi a arquitectura monástica no feminino, com as suas particulares exigências e necessidades. O conjunto formado pela parte edificada, cuja centralidade era marcada pelo claustro, a cerca conventual (com a sua importância no contacto com a natureza), a distinção funcional e predefinida entre os diferentes espaços e as relações entre eles (quer se destinem a meditação e oração, ao trabalho diário, ao lazer ou ao contacto com o exterior) fazem do espaço conventual uma unidade autónoma que se pretendia auto-suficiente.

Esquina da Calçada da Estrela e do Caminho Novo, hoje Rua das Francesinhas [1910]
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Na Igreja destacava-se segundo a descrição do autor anónimo, numa data em que ainda não estava concluída a capela-mor, um grande nicho sobre o arco triunfal:

[…]  e sobre ele [arco] assenta hum nicho grande com columnas de talha dourada, e dentro do nicho se deyxa ver a fermosa imagem de um crucifixo, em estatura natural de um homem, e ao pé da cruz fazem assistência à sagrada imagem do Senhor, a de sua Mãy Sanctissima e do Discipulo amado e da penitente Magdalena. Esta imagem do Sancto Crucifixo dá o titulo ao mosteyro, que he o padroeyro da casa debayxo de cuja proteccção vivem as Religiosas, que à capella mor dam o titulo das Chagas de Christo. 
[História dos Mosteiros, Conventos e Casas Religiosas de Lisboa, 1972] 

Este nicho terá sido posteriormente fechado e as imagens colocadas em outro altar, possivelmente no compartimento que Matos Sequeira identificou como casa mortuária, no sobre claustro, e que possuía uma capela com essa invocação. O mesmo autor, refere-se à imagem de Cristo de grandes dimensões “ (…) um madeiro enorme, com a imagem do Crucificado”, na época, já retirado do seu local e colocado na sacristia junto à capela-mor. [Tição: 2007] 

Demolição do Convento das Francesinhas [1911]  
Em baixo, onde se vê o gradeamento, observa-se a Rua Miguel Lupi.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Nos jardins do Convento encontra-se actualmente o Instituto Superior de Economia e Gestão. Só em 1949 se desenhou o jardim na sua forma actual. Com uma homenagem à Família numa escultura de Leopoldo de Almeida que ornamenta um chafariz de 8 bicas. Posteriormente, foi inaugurado um monumento em homenagem a Bento de Jesus Caraça.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Rua do Arco do Carvalhão, 300-302

Antes de ser «do Arco do Carvalhão» a rua chamava-se «do Sargento-Mor» — recorda o ilustre Norberto de Araújo. [...] Mas nós estamos no Arco do Carvalhão — sob dois Arcos enormes do Aqueduto. Terrenos eram estes de Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda antes de ele ser Pombal e Oeiras, e estendiam-se, ultrapassando a actual Rua das Amoreiras, no lanço da Cruz das Almas para cima, até à actual Rua Marquês da Fronteira [...] O «Carvalhão» era então o futuro Marquês de Pombal, e do apelido derivaram os nomes da Rua actual [...]»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 79, 1939)

Rua do Arco do Carvalhão, 300-302 |1954|
Chafariz; viaduto ferroviário
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

domingo, 4 de novembro de 2018

Rua do Arco do Carvalhão

Antes de ser do «Arco do Carvalhão» a rua chamava-se «do Sargento-Mór». [...] — recorda-nos Norberto de Araújo. Mas nós estamos no Arco do Carvalhão — sob dois Arcos enormes do Aqueduto. Terrenos eram estes de Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda antes de êle ser Pombal e Oeiras, e estendiam-se, ultrapassando a actual Rua das Amoreiras, no lanço da Cruz das Almas para cima, até à actual Rua Marquês da Fronteira [...] O «Carvalhão» era então o futuro Marquês de Pombal, e do apelido derivaram os nomes da Rua actual [...]

Rua do Arco do Carvalhão [1947]
Aqueduto; Chafariz do Arco do Carvalhão; Alto do Carvalhão (esq.)
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Esta Rua do Arco do Carvalhão — recorda o Grande enciclopédia portuguesa e brasileira — passa sob um robusto e curioso viaduto [inaugurado a 28 de Maio de 1944] que serve de suporte à auto-estrada no sítio conhecido por Sete Moinhos. Segue a rua até ao alto de Campolide com comunicações para S. Sebastião da Pedreira.

Rua do Arco do Carvalhão [1959]
Viaduto da Avenida Duarte Pacheco ou do Arco do Carvalhão. Rua Maria Pia (esq.)
 Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 79.1939.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Escadinhas dos Terramotos

Passagem em escadaria entre a Rua do Arco do Carvalhão e a antiga estrada da circunvalação, actual Rua Maria Pia. As escadas começam ao lado do nº 143 da Rua do Arco do Carvalhão e findam defronte do nº 590 da Rua Maria Pia.
O topónimo advém da Ermida do Senhor Jesus dos Terramotos, situada na Rua Arco do Carvalhão, 116-118, junto às escadinhas. A ermida foi construída entre 1756 e 1798 e reconstruída em 1842. 

Escadinhas dos Terramotos [ant. 1945]
Rua do Arco do Carvalhão
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Antes de se chamar Rua do Arco do Carvalhão tinha o nome de «Rua do Sargento-Mór», como indica Norberto de Araújo nas suas Peregrinações em Lisboa.
Estes terrenos pertenciam a Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda antes de ser Marquês de Pombal e Conde de Oeiras e estendiam-se desde a Cruz das Almas até à Rua Marquês de Fronteira. Era proprietário de casas, terras, olivais, pedreiras, nomeadamente a da Cascalheira, fornos de cal, moinhos e azenhas. «Carvalhão» era o nome pelo qual era conhecido o futuro Marquês de Pombal, o qual se compreende, pela quantidade de património que possuía nesta zona da cidade.

Escadinhas dos Terramotos, frades de pedra [ant. 1945]
Rua Maria Pia
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

domingo, 17 de setembro de 2017

Monumento do Senhor Roubado

A origem do nome Odivelas está como o nome de tantas outras freguesias e concelhos de Portugal, envolto numa lenda que tem perpassado pelos séculos. A propósito do nome desta cidade, conta-se que D. Dinis tinha o hábito de deslocar-se à noite a Odivelas ao Mosteiro de S. Dinis e certa noite, sabendo a rainha do que se passava resolveu esperá-lo e quando o rei fazia o seu percurso para o encontro, a rainha interpelou-o e eis que proferiu as seguintes palavras: "Ide vê-las senhor." Pelo que, segundo a lenda, a expressão "Ide vê-las", por evolução, terá dado o nome a Odivelas.


A 11 de Maio 1671 um roubo na Igreja de Odivelas dá origem a um belo monumento, o «Senhor Roubado», que alguns descrevem como sendo a primeira banda desenhada portuguesa, e que levanta muitas pistas sobre a forte presença da Inquisição na região.
O monumento do Senhor Roubado, tendo sido construído em três fases distintas, entre 1744 e 1747, correspondendo à última os azulejos da parede fundeira, que relatam toda a odisseia do roubo e a respectiva pena aplicada a António Ferreira.
A construção do primeiro padrão remonta a 1744 e deve-se à iniciativa de frei António dos Santos Prazeres que, às suas custas e beneficiando de diversas colaborações, decidiu substituir a antiga cruz, que assinalava o local onde haviam sido enterradas as partículas sagradas, por um cruzeiro e um pináculo. Logo depois, em 1745, foi decidido complementar a primeira intervenção, através de quatro colunas toscanas e respectiva abóbada, patrocinada pelo Cardeal Patriarca e paga com as esmolas dos fiéis. A mensagem iconográfica foi bastante alterada com esta intervenção, colocando a tónica na "exaltação da Fé na doutrina cristã como uma virtude da alma essencial para se chegar à Salvação". Contribuem para esta leitura a representação da pomba do Espírito Santo, do Crucifixo, símbolo de Jesus, e do vaso sagrado, símbolo de Cristo, aludindo, no seu conjunto, à Santíssima Trindade. Da mesma forma se compreendem as colunas toscanas evocativas dos quatro Evangelistas, que suportam a cobertura com a figura da Fé, bem como os fogaréus aos cantos, cuja chama é, também, representativa da Fé.
Para melhor ilustrar a antiga e curiosa história deste monumento laçamos mão da velhinha  revista científica de grande prestígio nacional e internacional, "O Arqueólogo Português” publicada em 1915, num capítulo intitulado «Azulejos datados». Reza assim:

À saída das portas de Carriche, junto da estrada municipal que leva a Odivelas, do lado esquerdo, encontra-se um pequeno espaço trapezoidal lajeado, delimitado no mais largo topo por um muro coberto de azulejos, e no outro topo e nos restantes lados por gradaria de ferro e um muro baixo. 
Ao centro, perto da parede azulejada, levanta-se um oratório de pedra, sob cuja abóbada crucial aguentada em quatro colunas de mármore claro se abriga uma imagem do crucificado. Do lado esquerdo, separados do oratório, um púlpito pequeno e um orifício circular aberto no lajedo, a modo de boca de poço; do lado direito apenas um marco de pedra, semelhante aos frades dos portões. 
É este o local conhecido pelo «Senhor Roubado» onde, em fins do séc. XVII se desenrolou uma série de acontecimentos, cuja descrição apresentará. bem claramente um dos aspectos do religiosismo da época.

Monumento do Senhor Roubado [c. 1903]
Rua Pedro Álvares Cabral; Rua do Senhor Roubado, Odivelas
Fotografia anónima, in Lisboa de Antigamente

Um tal António Ferreira, de Odivelas, trabalhador e moço de soldada, roubou a igreja do povo e foi esconder parte dos paramentos e vasos sagrados no lugar onde hoje se levanta o monumento e que ao tempo era um pedaço de vinha chamado os Caniços, a beira da estrada velha seguia para Lisboa. Descoberto o furto, preso e condenado o seu autor, a piedade dos fiéis fez crigir mais de meio século depois, aquela aparatosa fabrica, ainda hoje quási integralmente conservada. Comecemos a sua descrição.
No pedestal da cruz de pedra do oratório lêem-se primeiro os seguintes versos:
AQVI
OCCVLTOV A INGRATIDÃO
DO MAIOR ROVBO A INSOLÊNCIA
MAS LEVANTO V A CLEMENCIA
A MEMOBIA DO PERDÃO
 E logo por baixo: (na parte de trás do padrão, actualmente ocultada pela parede)
 ESTE PIADOZO PADRAO ⭙ COM ETERNA DOR SE LEA
AQVI VM ATROS LADRÃO ⭙ ÁS DUAS DA NOVTE E MEA
O CEV ENTERROV NO CHÃO
CAZO DE ODIVELLAS . AN . 1671
Ainda por baixo destas inscrições se encontra uma outra, que marca a época da construção do monumento, 1744. 
No muro azulejado, que forma o fundo do estranho monumento, abre-se ao centro uma porta hoje entaipada, em cuja verga se lê:
LOVVADO
SEIA O SANTÍSSIMO
SACRAMENTO E A TRINDADE
DA TERRA, JESVS, MARIA, JOZE
P. ALMAS P. N. A. M.
ESTA. O. FEITA T CÕ ESMOLAS DOS FIEIS. 1744.
o que nos indica com precisão a data dos azulejos que foram aplicados na obra. 
Aparecem divididos em quadros — como se de uma banda desenhada dos tempos modernos se tratasse —, seis de cada banda da porta, em duas ordens sobrepostas.
Sob eles, separado por uma linha de rectângulos amarelos, vem um lambris de outros azulejos de figura avulsa, com os cantos todos sobrecarregados de cinco pintas sôbre uma cruz riscada. Encostados as ombreiras da porta estão dois grandes painéis com figuras alegóricas de mulheres, semelhantes aos que vemos, por exemplo, nos ombros da capela da Senhora da Saúde, de Montemor de Loures.

Monumento do Senhor Roubado [c. 1900]
Rua Pedro Álvares Cabral; Rua do Senhor Roubado, Odivelas
 A parede desenvolve-se atrás do cruzeiro e apresenta-se totalmente decorada com azulejos
Fotografia anónima. in Lisboa de Antigamente

Como o artigo já vai longo, decidimos inserir aqui a chamada «quebra de página», caso queira continuar a ler a descrição de cada um dos doze quadros em azulejo clique em «ler mais [read more]»

domingo, 14 de julho de 2019

Os Fiéis de Deus

Em 1902, o olisipógrafo Júlio de Castilho, adiantava a razão da origem deste curioso topónimo do seguinte modo: «A travessa dos Fieis de Deus, essa é toda mística. Tira talvez origem de um antigo uso, que o Elucidário de Viterbo nos denúncia: montes de pedras soltas arrojadas a uma e uma pelos passageiros nas encruzilhadas, ao pé de alguma Cruz que ali houvesse, e em honra dela; resto de hábitos pagãos transformados pelo Cristianismo. Parecia aquilo um modo de provar que os fieis não esqueciam o seu Deus, pois erguiam, a pouco e pouco, junto ao símbolo da Preempção, aqueles rudes calcários, comemorativos do alcantilado teatro da Paixão de Cristo.
A tais acervos de cascalho chamava o povo «Fiéis de Deus», pela fidelidade dos obscuros e incógnitos autores. E é para notar que a ermida de Nossa Senhora da Ajuda dos Fieis de Deus, que se acha ainda hoje no seu lugar primitivo, foi edificada numa encruzilhada de dois caminhos; a actual Travessa dos Fiéis de Deus, e a actual Rua dos Caetanos.

Travessa dos Fiéis de Deus [1930] 
Perspectiva tomada da Rua de O Século
[Ermida (de Nossa Senhora da Ajuda) dos Fiéis de Deus]

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Os «fiéis de Deus» eram pedrinhas — afirma por seu turno Norberto de Araújo. Pedrinhas de piedade. Não chegavam a ser uma lágrima. Queriam ser um Padre-Nosso. Quando era justiçado um homem, não o enterravam no adro sacrossanto das igrejas. A lei punha-o fora do seio de Deus. Abriam-lhe a cova numa encruzilhada. Os que passavam atiravam-lhe uma pedra e uma oração pelo «fiel de Deus». Eis o costume caritativo de há muitos séculos.
E aí está a única ermida do Bairro Alto, neste buliçoso sítio onde muitas outras existiram, e que esqueceram. Aí fica ela ao cabo do enfiamento de uma pitoresca travessa, ainda de casinhas cor-de-rosa, de fundo setecentista, perto das Salgadeiras, da Espera, das Mercês, da Trombeta. 

 Ermida (de Nossa Senhora da Ajuda) dos Fiéis de Deus] [1945] 
Travessa dos Fiéis de Deus, 111; Rua dos Caetanos
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Data a Ermida de 1551, dedicada por um Afonso Brás às Almas do Purgatório. É pequena e pobre, com um arzinho de ingenuidade antiga. Nela habitou um dos cinco homens que, na cidade, tinham o ofício de recolher as crianças perdidas das mães: também foi um refúgio, os Fiéis de Deus.
Na Ermidinha entravam muitas vezes os calafates da Boavista, os brigões da Espera, os fidalgos de Soure, os frades eruditos de S. Caetano, as colarejas da Atalaia. Agora não entra quase ninguém. [...]
É simplesmente a pedrinha anónima, distraída, humilde dos Fiéis de Deus.
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Bibliografia
CASTILHO, Júlio de, Lisboa antiga, Vol, 1, p. 102, 1902.
ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, pp. 202-203, 1943.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Igreja de Santo Estêvão

A igreja de Santo Estêvão — considerada «monumento nacional» (27/8/1917) — é uma reedificação do segundo quartel do século XVIII. por sua vez objecto de largo restauro depois do Terramoto (1778). na frontaria e em parte do interior. Está situada numa elevação, na qual se construiu um vasto adro amparado a uma muralha.


A paróquia de Santo Estêvão, das mais antigas e representativas de Lisboa, remonta, por noticia de um documento, a 1188; existia seguramente o templo neste lugar em 1279, possivelmente mesmo na primeira metade do século, reinado de D. Afonso II. A primitiva igreja, certamente modesta, foi reedificada em 1316 e em 1548, por efeito dos danos causados por sismos nos século XIV e XVI, e teria então sido ampliada e revestida de grandeza, pois sabe-se que ostentou cinco naves — por ventura apenas divisões teóricas demarcadas por colunas de apoio, mas que representariam largueza na traça arquitectónica.

Igreja de Santo Estêvão, frontaria |c. 1900|
 Num terreiro sobre o Tejo, Santo Estêvão.
Panorâmica tirada do miradouro de Santa Luzia
José A. Bárcia, 
in Lisboa de Antigamente

Esta traça desapareceu completamente numa reedificação radical de 1788-1740, que deu ao templo outra planta, fazendo recuar a capela-mor sobre o troço da Rua, a Sul, ainda hoje incluído na Largo de Santo Estêvão. Além da reconstrução posterior ao Terramoto, concluída em 1775, a qual não lhe alterou a área nem a configuração, Santo Estêvão beneficiou de restauros de 1888 a 1848, e de reparos já no actual século [XX].



Igreja de Santo Estêvão, fachada |1898|
Largo de Santo Estêvão
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente


Igreja de Santo Estêvão, fachada |1939|
Largo de
Santo Estêvão
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente



Ora contempla a fachada, fria, mas expressiva — convida-nos Norberto de Araújo. Abre por três pórticos, dos quais o central, sobrepujado da data da reconstrução: 1773, é o mais largo e alto, todos coroados de áticas. O corpo central, onde se eleva um. frontão simples, com um óculo iluminante, avança um pouco da fachada, deixando assim os dois .curtos corpos extremos — sabre um dos quais, do lado nascente, assenta a torre — um pouco recuados. Três altos janelões e outras tantas janelas quadradas abrem-se no corpo central, e duas por lado nos corpos subsidiários.


Igreja de Santo Estêvão |1944|
 

A traseira da capela-mor, saliente do corpo do edifício, apoiada sobre grossa cachorrada, construída em 1733-1740, e na qual, ladeando a passagem do Largo de Santo Estêvão, ao alto das escadinhas, se vê um painel de azulejo com a representação da Eucaristia, legenda latina, tirada dos Salmos, e uma data, 1723.
J. C. Alvarez, 
in Lisboa de Antigamente


No Interior, a igreja é de forma octogonal, como as do Menino Deus, Santo Amaro, Penha de França, Santo Amaro). Assinala-se:
O Corpo da igreja, revestido de materiais nobres, cujas faces do octógono são divididas por pilastras caneladas, e nele:  
O tecto, pintado a claro-escuro, sobre estuque, simulando nervuras de artesão rematadas por fecho;  
O coro, apoiado em pilastras de quatro faces;
Seis capelas (três por cada lado) correspondendo a outras tantas faces do octógono (as outras duas faces correspondem ao sub-coro e ao arco da capela-mor.

Igreja de Santo Estêvão, interior |1963|
Na
Capela-mor destaca-se a coroação ou remate, sobre o trono, composição escultórica, em mármore alvíssimo, que representa um Cristo crucificado ladeado por dois serafins, obra de José de Almeida.
Armando Serôdio, 
in Lisboa de Antigamente

A Capela-mor, sector nobre do templo, toda de mármore, fazendo lembrar a da Igreja de S. Domingos, salvas as dimensões, e nela: a abóbada de aresta, em cujas faces se vêem os Evangelistas, e ao centro o símbolo da Eucaristia (factura posterior à dos Evangelistas, ou mal restaurada); o altar-mor, ostentoso, e, nele, o frontal e banqueta em embutidos florentinos; a guarnição, de duplas colunas salomónicas de mármore rosa da Arrábida, apoiadas em bases ricamente lavradas; a coroação ou remate, sobre o trono, composição escultórica, em mármore alvíssimo, que representa um Cristo crucificado ladeado por dois serafins, obra de arte pura de José de Almeida, com colaboração de Jerónimo da Costa, e que foi executada — parece — para o mosteiro de Mafra, onde chegou a estar colocada, e transferida depois para esta igreja; uma imagem de Santo Estêvão, escultura de Nicolau Pinto.

Igreja de Santo Estêvão |c. 1900|
 Cruzeiro de Santo Estêvão junto da igreja com o mesmo nome.
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

No adro da igreja eleva-se um Cruzeiro, seiscentista (que deve ter substituído um muito mais antigo), com uma legenda no soco: «Este sinal de redenção, que um de voto aqui fez pôr, pede com devoção se louve o Redentor. Pelas Almas um Padre. Nosso e uma Avé-Maria. 1669». A cruz, ao alto, não é da época; partida a antiga há uns trinta anos foi depois substituída pela que alveja agora sobre a muralha.
 
Igreja de Santo Estêvão |1963|
 Cruzeiro de Santo Estêvão junto da igreja com o mesmo nome.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, pp. 85-87, 1939.
id., Inventário de Lisboa, 1955.
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