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sábado, 19 de fevereiro de 2022

Palácio José Maria Eugénio (ou Vilalva)

O Palácio dos Larres perdeu o aspecto setecentista e tornou-se um belo edifício, mais burguês do que nobre, embora se houvessem aproveitado as ricas decorações interiores, à base de estuque em preciosos relevos. O filho e sucessor de José Maria Eugénio, Carlos Maria Eugénio de Almeida, pretendeu valorizar a propriedade iniciando a construção de uns anexos, em tipo inglês de castelo, destinados a cocheiras e aposentadorias, os quais não se concluíram e ainda hoje se mostram em pitoresco aspecto sobre a Estr. de Palhavã [troço da actual Rua Doutor Nicolau de Bettencourt].


Reedificado a partir de 1860 segundo o risco do arquitecto francês Jean Colson, o Palácio de José Maria Eugénio de Almeida — um dos sócios do «Real contrato do tabaco, sabão e pólvora» e um dos mais ricos proprietários do país — domina a paisagem do Largo de S. Sebastião da Pedreira, para onde volta a sua fachada principal. A implantação desta nova obra manteve as linhas essenciais do palácio do Provedor dos Armazéns que a precedeu — e que se sabe ter sido edificado para habitação própria, cerca de 1730 pelo arquitecto, também francês, Fernando Larre — que servia D. João V. 

Palácio José Maria Eugénio (ou Vilalva) |c. 1930|
Fachada principal sobre o Largo de S. Sebastião da Pedreira;  Rua Dr. Nicolau Bettencourt [antiga Estr. Palhavã] e Rua Marquês Sá da Bandeira (dir.)
Paulo Guedes, 
in Lisboa de Antigamente

O antigo Palácio José Maria Eugénio situa-se entre o Largo de S. Sebastião da Pedreira, o começo da Rua Dr. Nicolau Bettencourt, a Rua Marquês de Sá da Bandeira e a Rua Marquês de Fronteira, sobre a qual se estende o recente muro do jardim, com seus portões e guaritas soerguidas. As fachadas mantêm-se como em 1860, época da reedificação. 
O edifício com larga área arborizada que lhe era anexa, passou depois para os herdeiros (Condes de Vilalva) que, embora mantendo-lhe o aspecto primitivo, o beneficiaram interiormente, recorrendo-se do concurso do famoso estucador João Grossi e do continuador deste, Félix Salla, e dos ornamentistas Biel e Gomassa.

Palácio José Maria Eugénio (ou Vilalva) !1910|
Fachada posterior, de linhas irregulares, sobre os jardins; Rua Marquês de Fronteira e Rua Dr. Nicolau Bettencourt (dir.)
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Em começo de 1946, o Estado adquiriu ao bisneto do reedificador, para o Ministério da Guerra, o palácio que fora dos Larres, provedores dos armazéns, e de José Maria Eugénio de Almeida, nome este que perdura. Realizaram-se então no edifício largas obras de beneficiação, adaptação e de nova distribuição de salas, com construção dos anexos, dentro do grande jardim posterior, e de um muro sobre a Rua Marquês de Fronteira, com ângulos adornados de elegantes guaritas de vigia. Estes transformações foram dirigidas pelos arquitecto António Quinina e engenheiros João de Deus Pimentel e Filipe Ribeiro.

Palácio José Maria Eugénio (ou Vilalva), uma das entradas e cavalariças [1910]
Rua Marquês de Fronteira, esquina com a Rua Dr. Nicolau Bettencourt; separado do parque pela Rua Marquês de Fronteira, o palácio pertence hoje ao Exército.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Palácios particulares, 1950.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Cadeia Penitenciária de Lisboa

De acordo com Norberto de Araújo, nas suas Peregrinações em Lisboa « A Penitenciária de Lisboa, um dos casarões mais tristes da cidade, e que bem demolida seria sem protestos de ninguém — tem sessenta e cinco anos de existência. (o autor escreve em 1939)

Construção da Cadeia Penitenciária de Lisboa |ant. 1885|
Rua Marquês de Fronteira
Redondo, o coração da estrutura Penitenciária radial

Francesco Rocchini, in Lisboa de Antigamente
Construção da Cadeia Penitenciária de Lisboa |ant. 1885|
Rua Marquês de Fronteira
Francesco Rocchini, in Lisboa de Antigamente
Construção da Cadeia Penitenciária de Lisbo| [ant. 1885|
Rua Marquês de Fronteira
Francesco Rocchini, in Lisboa de Antigamente

A lei da pena de morte foi abolida em 1 de Julho de 1867 por Joaquim António de Aguiar. Em 24 de Abril de 1873 o Governo mandava construir uma Penitenciária, mas antes já havia sido escolhido o terreno das «Terras do Seabra»,  a-par de «Entremuros» [hoje Rua Artilharia 1], existindo mesmo já um projecto, anterior à abolição da pena de morte, da autoria de Joaquim Júlio Pereira Caldas, continuado pelo engenheiro Le-Coq, do tipo francês.

Cadeia Penitenciária de Lisboa |c. 1897|
Rua Marquês de Fronteira
Fotografia onde se podem observar as torres por terminar, coroadas provisoriamente com uma espécie de cones

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Em 1874 o engenheiro Ricardo Júlio Ferraz foi à Inglaterra e à Bélgica estudar as prisões do modêlo penitenciário, e acabou, assim, por prevalecer para a iniciativa portuguesa o sistema inglês de Birmingham; as obras principiaram naquêle ano, e só se concluíram em 1885. Os primeiros reclusos deram entrada em 2 de Setembro daquêle ano. 

Cadeia Penitenciária de Lisboa |190-|
Rua Marquês de Fronteira
Corpo central da fachada

Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

O edifício lúgubre tem a forma de uma estrela, ao centro da qual, em rotunda existia até 1910 a Capela. Possui 474 celas, 22 de enfermaria e 12 de castigo. Com a proclamação da República o regime penitenciário pendeu muito do seu rigor; converteu-se a Penitenciária num estabelecimento de expiação e de trabalho, sendo abolidos os capuzes.»  
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 91-92, 1939)

Cadeia Penitenciária de Lisboa |1913|
Rua Marquês de Fronteira
Corpo central da fachada projectado pelo eng. Luís António de Carvalho.

Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

domingo, 21 de maio de 2023

Rua Marquês de Fronteira que foi Estr. da Circunvalação

Por decreto de Setembro de 1852 a cidade passaria a ser circundada por muro alto e contínuo, feito propositadamente, até junto ao rio, tendo por únicas passagens, portões de ferro. Chamava-se Estr. de Circunvalação e para efeitos aduaneiros estava guardada pela Guarda Fiscal.
A estrada passava pelo Arco do Carvalhão (Arco pertencente às Aguas Livres) Rua D. Carlos de Mascarenhas — Rua Marquês de Fronteira — actual Avenida Duque de Ávila — Rua Visconde de Santarém — Largo do Leão — Rua Carrilho — Rua Morais Soares — Alto de S. João — Avenida Afonso III (sendo novo o último troço, evitando-se a Calçada das Lajes) Xabregas.

Rua Marquês de Fronteira |1927|
Antiga Estrada da Circunvalação
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Legenda da foto no arquivo: «O carro celular com o preso (José Júlio da Costa), a caminho da Penitenciária de Lisboa»

A artéria perpetua a memória de D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto (180 –1881), 8º conde da Torre, 5º marquês de Alorna e 7º marquês da Fronteira. Após a Vilafrancada viveu exilado para depois fazer toda a campanha das lutas liberais, tendo-se reformado no posto de marechal-de-campo. Foi também governador civil de Lisboa (1846-1851), par do reino e deixou 5 volumes das suas «Memórias do Marquês da Fronteira e Alorna».

Eléctricos na Rua Marquês de Fronteira |1960|
Dístico de 1903. Paragem junto a Rua de Campolide.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Rua Marquês de Fronteira: «Reservatório do Pombal»

Esta Rua Marquês da Fronteira sucedeu a uma linha irregular, que não é evidentemente a de hoje — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , a qual constituía as setecentistas Estrada dos Padres da Companhia e Estrada de S. Francisco Xavier, rectificadas há meio século [c. 1890], Rua — quási Avenida — moderna, já servida de eléctricos desde Outubro de 1936. ...)
O muro que prossegue [à esquerda], até à Penitenciária, defende os terrenos da Companhia das Águas, onde se encontra o Depósito chamado do «Pombal». E do Pombal seriam porque já no começo do século passado [XIX], e certamente muito antes, quando estes chãos ainda constituíam herança da Companhia de Jesus, recebida pelo Real Colégio dos Nobres, eles eram conhecidos pela designativa de «Pombal», e um pombal haveriam tido. [...]
Em 1873 o Governo expropriou estes terrenos todos, aqui [à esquerda] para levantamento do «Cadeia Geral e Penitenciária».
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 91-92, 1939)

Rua Marquês de Fronteira |1967|
Reservatório do Pombal; Cadeia Penitenciária de Lisboa
João Brito Geraldes, in Lisboa de Antigamente

A artéria perpetua a memória de D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto (1802–1881), 8º conde da Torre, 5º marquês de Alorna e 7º marquês de Fronteira. Após a Vilafrancada viveu exilado para depois fazer toda a campanha das lutas liberais, tendo-se reformado no posto de marechal-de-campo. Foi também governador civil de Lisboa (1846-1851), par do reino e deixou 5 volumes das suas «Memórias do Marquês de Fronteira e D'Alorna».

domingo, 5 de dezembro de 2021

Palácio Pombal, à Rua de O Século

O antigo Palácio Pombal, na Rua do «Século», 65 a 93 [vd. nota], mantém ainda uma configuração uniforme exterior, mesmo depois de alienada e reedificada (1921) a ala Sul, que constitui o edifício moderno do jornal «O Século», cujo título deu, em 1911, nova denominação à antiga Rua Formosa.


O Palácio Pombal, da Rua de «O Século» — e melhor será dizer o Palácio dos Carvalhos, da Rua Formosa  — é uma construção que já existia no segundo quartel do século XVII, recebendo ampliação e reedificação no meado do século XVIII.
Era este o solar de Sebastião de Carvalho e Melo, 3.º senhor do morgado de Sernancelhe, capitão dos familiares do Santo Oficio. falecido em 1719, e de cujo casamento com D. Maria Leonor de Ataíde nasceu Manuel de Carvalho e Ataíde, humanista e académico, casado com D. Teresa Luísa de Mendonça e Melo, pai de Sebastião José de Carvalho e Melo. neste palácio seiscentista nascido a 18 de Maio de 1699, e de cujo baptismo foi padrinho seu avô, senhor da casa.

Palácio Pombal (ou dos Carvalhos) [194-]
Rua de O Século, 65-93 (antiga Rua Formosa); Rua da Academia das Ciências, 1-5
Os Portais Nobres (talvez segundo risco de Carlos Mardel), idênticos, ladeados por candeeiros de gás, de braço, oitocentistas, com escudetes de ferro fundido com o brasão dos Carvalhos e Albuquerques, os quais  portais com ombreiras e portais de cantaria, dão  passagem, além  de  um  passadiço, com abertura de arco de volta abatida, para  o Pátio e para os antigos jardins.
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

No período áureo do seu poderio, o descendente dos Carvalhos, da Rua Formosa, já Conde de Oeiras, beneficiou e transformou, por acrescentamento, o solar dos seus maiores, no qual viveu antes e depois de entrar na carreira politica, e cuja parte rústica se prolongava para Poente e Norte, constituindo o que se chamava «as Hortas», também com prédios de habitação. Um arco aberto, ainda existente na antiga Rua do Arco [do Marquês, actual da Academia das Ciências], comunicava com dependências do palácio do outro lado da rua e um outro arco-aqueduto servia as antigas hortas. Quase toda a área deste troço da então Rua Formosa, a Poente e a Nascente, era da casa Pombal, da qual o palácio formava a cabeça, como núcleo primitivo.
As reedificações e restauros ordenados pelo Marquês de Pombal podem datar-se além dos meados do século XVIII, cerca de 1770; o Marquês de Pombal aproveitou o merecimento do escultor e estucador italiano João Grossi, que já em 1748 exercia a sua actividade em Lisboa, e foi este artista quem deu a característica decorativa do interior das solar do palácio renovado, embora em quase todas elas subsistisse, como ainda hoje, a decoração cerâmica das paredes, em parte seiscentista. [...]

Palácio Pombal (ou dos Carvalhos) [1918-09]
Rua de O Século, 65-93 (antiga Rua Formosa); Rua da Academia das Ciências, 1-5
Perspectiva tomada do Palácio dos Viscondes de Lançada (antigas instalações do Jornal "O Século").
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

As cinco janelas do andar nobre do corpo onde se rasgam os portais, e as duas contiguas pelo Sul, correspondem a um terraço, sobre o qual no começo do actual século [XX] foram construídos uns anexos de moradia, cujo telhado é inferior ao do frontispício do edifício, e não se vê da rua.
O Palácio Pombal, onde no tempo dos Carvalhos se realizaram sessões da Academia dos Ilustrados (1716), e depois tantas cenas políticas e palacianas se desenrolaram, está hoje de aluguer; na parte nobre instalou-se em 1927 a Casa da Madeira, que sucedeu, como inquilina, a uma Casa de Espanha como esta sucedera à Legação da Alemanha, e à Confederação Geral do Trabalho (1913). O pátio e troços de jardim estão ocupados por barracões de oficinas de Alfredo Alves & Filhos, firma proprietária também do edifício e terrenos «das Hortas». na Rua da Academia das Ciências.
Nenhum outro prédio da vasta zona que pertenceu à Casa Pombal está hoje na posse de qualquer membro da família.

Palácio Pombal (ou dos Carvalhos) [1912-01]
Rua de O Século, 65-93 (antiga Rua Formosa); Rua da Academia das Ciências, 1-5
Esta frontaria adorna-se de duas ordens de janelas: vinte no andar nobre, de sacada com varões seiscentistas, e dezanove de peitoril no andar superior (o lugar onde devia existir uma janela é ocupado pela pedra  de  armas).
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. Em  paralelo,  talvez  segundo  risco  de Carlos Mardel,  desenvolveu uma cenográfica operação urbanística fronteira ao palácio, com o fim de engrandecer a envolvente. Um jogo barroco de linhas curvas e rectas permitiu o alargamento de parte da estreita Rua Formosa com a criação de duas meias-laranjas, tendencialmente simétricas. Numa, frente  à entrada nobre do palácio, foi erguido o delicado chafariz, enquanto na outra se rasgavam elaborados portais de acesso  a cavalariças (?).

Palácio Pombal (ou dos Carvalhos) [1930]
Rua de O Século, 65-93 (antiga Rua Formosa); Rua da Academia das Ciências, 1-5
Meia-laranja e portais de acesso  a cavalariças (?).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): O edifício n.º 89-103 da Rua de O Século, tornejando para a Rua da Academia das Ciências, 1-5, actualmente uma propriedade separada, fazia parte do conjunto designado Palácio Pombal.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Paços e  palácios nacionais, 1949.

sábado, 23 de abril de 2016

A revolução de Sidónio Pais

A revolução de Sidónio Pais começa em 5 de Dezembro de 1917 quando as suas tropas acampam na Rotunda (hoje Pç. Marquês de Pombal) para derrubar o governo de Afonso Costa.
No período em que a participação de Portugal na I Guerra Mundial marcava a conjuntura política, económica e social do país, Sidónio Pais lidera a revolta militar triunfante, que se saldará na constituição de uma Junta Militar (a que preside), na dissolução do Parlamento, no derrube do governo de Afonso Costa e na destituição do Presidente da República Bernardino Machado. 
Faz a primeira proclamação ao País onde se propõe a criação de uma República Nova e suspende a Constituição de 1911, é eleito por sufrágio directo para a Presidência da República e cria um Senado profissional. O regime presidencialista de Sidónio Pais (1872—1918) não sobreviveria à sua morte.

Trincheiras na Rotunda [actual Praça Marquês de Pombal] construídas aquando da Revolução de Sidónio Pais a 5 de Dezembro de 1917
Parque Eduardo VII, antigo Vale de Pereiro, vendo-se ao fundo, a Cadeia Penitenciária de Lisboa na Rua Marquês de Fronteira.
Anselmo Franco, in Lisboa de Antigamente

Apesar de uma intensa actividade legislativa, a República Nova não possui um programa definido para contrapor ao regime anterior, nem quadros à altura para desempenhar a tarefa da governação. Num ano de ditadura dão-se três remodelações ministeriais, o que agrava a instabilidade governamental e introduz um princípio de caos na administração pública. A primeira, em Março de 1918, na sequência da demissão dos ministros unionistas, dá lugar ao segundo governo sidonista. A segunda, em Maio, empossa o terceiro governo de Sidónio. A terceira, em Outubro, dá posse ao quarto e último governo sidonista.

General Barnardiston, chefe da missão militar inglesa e sua esposa, percorrendo o acampamento revolucionário acompanhados por Sidónio Pais a 5 de Dezembro de 1917
Parque Eduardo VII, antigo Vale do Pereiro, vendo-se ao fundo, a Cadeia Penitenciária de Lisboa na Rua Marquês de Fronteira; Palácio Mendonça.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Durante o ano em que permaneceu no poder Sidónio Pais altera a Lei de Separação entre as Igrejas e o Estado, numa tentativa de apaziguamento das relações com a Igreja (23 de Fevereiro de 1918), estabelece o sufrágio universal (11 de Março de 1918) e consegue reatamento das relações com a Santa Sé, através do envio do Monsenhor Aloísio Mazella que assume as funções de Encarregado de Negócios da Santa Sé em Lisboa (25 de Julho de 1918).

Durante o ano em que permaneceu no poder Sidónio Pais altera a Lei de Separação entre as Igrejas e o Estado, numa tentativa de apaziguamento das relações com a Igreja (23 de Fevereiro de 1918), estabelece o sufrágio universal (11 de Março de 1918) e consegue reatamento das relações com a Santa Sé, através do envio do Monsenhor Aloísio Mazella que assume as funções de Encarregado de Negócios da Santa Sé em Lisboa (25 de Julho de 1918)
Revolução de Sidónio Pais
«Inumeras granadas se crusaram por cima da casaria tremula da cidade, entre o acampamento revolucionarios em Campolide comandados pelo major sr. Sidonio Paes [...] caindo algumas granadas no trajeto, destruindo, matando e fazendo estremecer toda a população;[...]  in Ilustração Portuguesa, 17 Dez. 1917.
 Anselmo Franco, in Lisboa de Antigamente

No dia 5 de Dezembro de 1918, durante as comemorações do golpe perpetrado por si, em 1917, Sidónio sofre o primeiro atentado mas sai ileso.
Poucos dias depois, a 14 de Dezembro de 1918, um novo atentado seria fatal. Sidónio deslocara-se à Estação do Rossio para apanhar o comboio para o Porto. É então que José Júlio da Costa, ex-sargento do exército, dispara contra o Presidente. Acaba por falecer na Sala do Banco do Hospital de S. José, em Lisboa.
O seu funeral realiza-se no dia 21 de Dezembro de 1918, no meio de enormes manifestações de pesar. O seu corpo veio a ser posteriormente a ser trasladado para o Panteão Nacional.

Revolução de Sidónio Pais, in Ilustração Portuguesa, 17 Dez. 1917
(clicar para ampliar)

domingo, 18 de outubro de 2015

Avenida Sidónio Pais

A Avenida Sidónio Pais, que liga a Avenida Fontes Pereira de Melo à Rua Marquês de Fronteira, é um arruamento nascido do Edital municipal de 22 de Junho de 1948 no que antes era identificado como «arruamento a Oriente do Parque Eduardo VII entre a Avenida Fontes Pereira de Melo e a Rua Marquês de Fronteira». 

Jogo de futebol nos terrenos da futura Avenida Sidónio Pais |1965|
Ao fundo notam-se edifícios do chamado Bairro Azul. O prolongamento (e remate) da Avenida Sidónio Pais - entre as ruas Engenheiro Canto Resende e Marquês de Fronteira - só se concluiu no início da década de 1970.
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Em 1945, o Prémio Valmor foi atribuído a um edifício de habitação localizado na Avenida Sidónio Pais, 14, propriedade de Ferreira & Filho, Lda., com projecto de arquitectura de António Maria V. dos Reis Camelo. Construído no estilo «Estado Novo», tem um aspecto sólido e algo monótono, com uma fachada em duas cores. O torreão de entrada do edifício eleva-se mais um piso que o restante edifício, sendo rematado por pináculos e telhado com grande inclinação. Mantém a função original.

Avenida Sidónio Pais, 14 |1946|
Prémio Valmor 1945; Rua Engenheiro Canto Resende
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

N.B. Militar e académico de formação científica, Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais nasceu a 1 de Maio de 1872, em Caminha, e morreu a 14 de Dezembro de 1918, em Lisboa. Repartiu a sua actividade pela docência (regeu a cátedra de Matemática em Coimbra), pelo serviço militar, pela política e pela diplomacia. A sua carreira política apenas se iniciou após a implantação do regime republicano, durante o qual foi sucessivamente deputado e senador e sobraçou pastas ministeriais (Fomento e Finanças), após o que ingressou na carreira diplomática, como representante de Portugal em Berlim, quando já se avizinhava a Primeira Guerra Mundial. Regressando a Portugal após a declaração do estado de guerra entre a Alemanha e Portugal, participa na conspiração que virá a instaurar a "República Nova", que, sob a sua direcção suprema, colocou no poder, no período de 1917-18, uma confederação de interesses composta por republicanos descontentes, monárquicos e clericais, e adversários da participação na guerra. Legitimou a sua presidência por meio de eleições, exerceu o poder com um misto de autoritarismo (em que alguns encontram uma espécie de "ensaio" do salazarismo) e de populismo. A sua morte, num atentado, em 1918, deixou o país numa situação de grande instabilidade, em que se chegou a temer a restauração da Monarquia. [infopedia.pt]

Avenida Sidónio Pais, 16 |c. 1952|
Rua Eugénio dos Santos
O edifício de habitação premiado com o Prémio Municipal de Arquitectura em 1947 enquadra-se na estética do chamado “Português Suave”, apresentando características da arquitectura residencial do Estado Novo, com projecto de arquitectura de Porfírio Pardal Monteiro para Sousa e Campos é semelhante a um edifício da mesma rua premiado com Valmor em 1945 [vd. foto anterior].
Fotógrafo não identificado, 
in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Palacete Mendonça (actualizado)

Projectado entre 1900 e 1902 pelo arqº. Ventura Terra para Henrique José Monteiro de Mendonça, roceiro em S. Tomé, o edifício construído, de gramática ecléctica, ficou terminado em 1909, data em que foi galardoado com o Prémio Valmor, tendo sido posteriormente classificado como Imóvel de Interesse Público.  O júri destacou ainda a «loggia»1, afirmando mesmo que « (...) deveria ser mais amplamente adoptado no nosso pais (...)».

Trata-se de um edifício de planta rectangular, cuja fachada apresenta 3 corpos, um central avançado e dois laterais, aos quais estão adossados duas estruturas térreas, também de planta rectangular. O corpo central, de 3 pisos, caracteriza-se, ainda, pela escadaria de acesso e pelos 3 vãos, que no 2º andar definem uma galeria, com arcos em volta-perfeita, formando uma loggia suportada por pés direitos, traduzindo uma linguagem neo-renascentista, dando, tal como no 1º andar, para uma varanda corrida com balaustrada em pedra.

Palacete Mendonça, Prémio Valmor de 1909 [post. 1909]
Rua Marquês de Fronteira, 18-28
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

No interior merecem destaque o vestíbulo coberto por cúpula envidraçada, evidenciando uma certa monumentalidade e efeito cenográfico, a partir do qual se desenvolve a monumental escadaria de acesso ao piso nobre e a feição decorativa neo-rócocó patente nos espelhos e estuques do tecto e das paredes da Sala Luís XV. Exteriormente surge rodeado por um parque murado, cujo muro de pedra se encontra ornado por um gradeamento em ferro forjado evidenciando apontamentos Arte Nova. 

1 Loggia ou Lógia é um elemento arquitectónico aberto inteiramente ou em um dos lados — como uma galeria ou pórtico — coberto e, normalmente, sustentado por colunas e arcos.

Palacete Mendonça, Prémio Valmor de 1909, fachada posterior [c. 1909]
Rua Marquês de Fronteira, 18-28
Joshua Benoliel, 
 in Lisboa de Antigamente

N.B. Henrique José Monteiro de Mendonça foi um importante homem de negócios do final do século XIX e início do século XX em Portugal. Proprietário da Roça da Boa Entrada, na ilha de São Tomé, foi um dos pioneiros do ciclo do cacau, tendo promovido o desenvolvimento de metodologias inovadoras no seu cultivo e processo de secagem.
[MACEDO, Marta – Império de Cacau. In JERÓNIMO, Miguel Bandeira, coord. –  O império colonial em questão: sécs. XIX e XX. Lisboa: Edições 70, 2012. p. 289-316]

Vista panorâmica da zona de São Sebastião da Pedreira no local de construção do Palacete Henrique de Mendonça |1900-1902|
Rua Marquês de Fronteira, 18-28
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Cadeia Penitenciária de Lisboa: Abolição do capuz dos reclusos

Em 29 de Janeiro de 1913 é aprovado o decreto que cria a Comissão de Reforma Penal e Prisional e revoga expressamente o regulamento da Cadeia Geral Penitenciária de Lisboa de 1884, admitindo a substituição do regime penitenciário celular pelo regime de prisão maior temporária ou outra. 

A romaria das famílias dos reclusos, à porta da Cadeia Penitenciária de Lisboa [1931]
Rua Marquês de Fronteira
Fotógrafo não identificado, 
in Lisboa de Antigamente
 
Uma das consequências práticas de maior peso simbólico foi a abolição do capuz de utilização obrigatória pelos reclusos, momento retratado em reportagem fotográfica por Joshua Benoliel. Até então vigorava o «Regulamento Provisório da Cadeia Geral Penitenciária do Distrito da Relação de Lisboa, Decreto de 20 Novembro de 1884» que estipulava o seguinte:

Cadeia Penitenciária de Lisboa [1913]
Rua Marquês de Fronteira
No anfiteatro da prisão: os reclusos COM o capuz.
Joshua Benoliel, 
in Lisboa de Antigamente

«(...) Os exercícios físicos quotidianos, a efectuar nos pátios ou dependências da cadeia, deveriam assegurar que os reclusos «não tenham entre si comunicação alguma, nem possam conhecer-se» (art. 9.º). Fundamental para manter a incomunicabilidade dos reclusos, que «não poderão, sob qualquer pretexto, ver-se nem comunicar entre si por escrito, por palavras ou sinais», é a utilização por estes, fora das celas, de «um capuz que lhes encubra o rosto e que não poderá ser levantado senão nos pátios de passeio, no anfiteatro da capela, ou em outros lugares em que não esteja presente outro preso» (art. 159.º), o mesmo valendo para os reclusos ocupados «em serviços ou trabalhos, fora das celas», que não podem «dirigir-se por palavras ou gestos aos presos que se ocupem no mesmo serviço, ou que estejam próximos.»

Cadeia Penitenciária de Lisboa [1913]
Rua Marquês de Fronteira
No anfiteatro da prisão: os reclusos SEM o capuz.
Joshua Benoliel, 
in Lisboa de Antigamente

Mais informação sobre a Abolição do capuz dos reclusos em Portugal na Ilustração Portuguesa:
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/…/…/N365_item1/P7.html

domingo, 10 de julho de 2016

Lançamento da primeira pedra do monumento ao Marquês de Pombal

A Rotunda da Avenida, designada de Praça Marquês de Pombal desde 1882 — ano das comemorações do centenário do Marquês de Pombal — , data em que se procedeu ao lançamento da primeira pedra do monumento ao Marquês, era ainda — e foi durante largos anos — um vasto espaço aberto. O lançamento da primeira pedra, no dia 8 de Maio de 1882, «declarado por lei de grande gala», foi inaugurado pelo rei D. Luís. Ramalho Ortigão conta a imponência da cerimónia: «Junto ao pavilhão, erguido para esse fim, uma banda de música trombeteia o hino da Carta (...). Esta cerimónia, única destas festas a que o soberano se dignou assistir, verificou-se gravemente, com todo o grotesco destas praxes». Acompanhavam o rei, os membros da comissão do centenário, Rodrigues Sampaio, Moita e Vasconcelos, Emídio Navarro e Luciano Cordeiro, e «Chegado que foi o real préstito ao lugar em que tem de se erguer o monumento e onde por enquanto existe apenas um buraco» (Ortigão: 1943), colocada a primeira pedra, consumava-se a cerimónia. O concurso para o monumento só seria aberto em 1913, já com a a República, recaindo a escolha para o projecto de Adães Bermudes, António Couto e Francisco Santos. 

Lançamento da primeira pedra do monumento ao Marquês de Pombal [15 Agosto de 1917]
Panorâmica tirada da cobertura do Palacete Seixas [Instituto Camões]; à esq., por detrás do prédio de gaveto com a futura Rua Joaquim António de Aguiar, vislunbram-se as chaminés cónicas da Quinta e Pátio dos Geraldes; em último plano, a Rua de Artilharia Um e o Palácio dos Viscondes de Abrançalha; ao cimo do Parque a Rua Marquês de Fronteira e Cadeia Penitenciária de Lisboa.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Nova cerimónia de colocação da primeira pedra, em 15 de Agosto de 1917, repetindo-se a 13 de Maio de 1926. As obras arrastaram-se, por falta de verbas, e o monumento só seria inaugurado a 13 de Maio de 1934, numa cerimónia «sem a solenidade que parecia supor» (Araújo: 1993).

domingo, 15 de abril de 2018

Bairro Azul

Começou por escolher o bairro onde mais gostaria de morar. Pensou em vários, e às suas preferências nunca era alheia a recordação dos tempos, ainda tão próximos, em que fora criada de servir. Gostaria, por exemplo, de ir pôr casa no Bairro Azul, só para «fazer ver» [...]¹


Estando embora em presença de uma Arquitectura civil, o Bairro Azul — Ruas Fialho de Almeida, Ramalho Ortigão e Avenida Ressano Garcia — constitui um conjunto arquitectónico que se reveste de uma homogeneidade ímpar, datado da década de 30 do Século XX com prédios dotados de esquerdo-direito ao gosto Art Deco e burguês, destinado a servir uma classe média que culminaria a sua ascensão no período salazarista, e que se procurava rodear de algum luxo e dignidade.

Rua Marquês de Fronteira |1967|
Edifícios do Bairro Azul; esta designação devia-se à aparente  «mancha azul» formada pela cor das persianas, das portas e das caixilharias.
Artur Bastos, in Lisboa de Antigamente

O ângulo estranho do plano do bairro resultava do desenho de Cristino da Silva para uma vasta urbanização inicial que, cerca de 1930, deveria ter sido o remate do prolongamento da Avenida da Liberdade. Devia apresentar-se com arruamentos em simetria, nos dois lados do Parque Eduardo VII. Contudo, o bairro ficou isolado, pois o restante projecto não se realizou, repetindo-se a vocação lisboeta para os tecidos incompletos e para a justaposição de bairros de origens diversas, característicos do início do Séc. XX. Trata-se, ainda assim, de um projecto e de uma ideia subjacente de Cidade.

Panorâmica sobre o Bairro Azul e zonas circundantes |c. 1950|
Av. António Augusto de Aguiar
Edifícios do Bairro Azul; esta designação devia-se à aparente ‘mancha azul’ formada pela cor das persianas, das portas e das caixilharias.
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

Apresenta-se com uma hierarquia estabelecida e está dotado de aparatosos pórticos de entrada no Bairro. O seu isolamento apenas lhe veio confirmar a sua integridade e a sua autenticidade, patente no grande enriquecimento formal de fachadas e átrios de entrada, ganhando simplicidade formal ou opulência consoante a categoria social dos espaços o ditava. Baixos-relevos em estuque ou cimento, painéis policromados de mosaico cerâmico, ornatos salientes, pilastras e frisos, balaustradas, frontões e alpendres são motivos que aparecem com abundância neste vocabulário decorativo, de leitura complexa.

Avenida Ressano Garcia |1935|
Ressano Garcia (1847–1911) que enquanto engenheiro da CML foi responsável pela expansão de Lisboa para norte, a partir do eixo da Avenida da Liberdade com o projecto das Avenidas Novas integrou a toponímia de Lisboa ainda em vida, no ano de 1897, na artéria que hoje conhecemos como Avenida da República e, depois, no ano de 1929, regressou para uma Avenida no Bairro Azul.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Tratando-se de um conjunto particularmente notável quanto à sua Arquitectura e aos motivos decorativos nela integrados, faz sentido classificar o conjunto com estas características estilísticas, pois manteve uma relação de sentido com os seus moradores, uma relação de autenticidade e integridade, o que se veio a verificar até à actualidade. É de realçar a autenticidade que o conjunto manteve ao longo dos tempos, pois é o conjunto, patente nas suas íntimas relações estilísticas que se mantiveram intactas e podem ser observadas.²

Bairro Azul |194-|
Perspectiva tomada da Rua Marquês de Fronteira vendo-se Avenida Ressano Garcia, ao centro, e a Av. António Augusto de Aguiar à dir..
Amadeu Ferrari, 
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ANÍBAL Nazaré, Maria, uma Sua Criada. capa e ilust. Stuart. Lisboa, 1958.
² Carlos Cabaço e João Reis, lisboapatrimoniocultural.pt

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Alto e Arco do Carvalhão

Carvalhão (arco do) fica na estrada do arco do Carvalhão, freguezia de Santa Izabel.
Carvalhão (estrada do arco do) primeira á esquerda na rua de S. João dos Bemcasados [R. Amoreiras], indo da rua do arco das Aguas Livres e finda na quinta da Cabrinha, freguezia de Santa Izabel. [Velloso: 1869]

Arco do Carvalhão situado sobre a Rua do Arco do Carvalhão, em Lisboa. Freguesia de Campolide, Classificado no conjunto do Aqueduto, como Monumento Nacional por Dec. de 16-6-1910. Estabelecidas Zonas Especiais de protecção pelas portarias 1092/95 (DR 206) de 6-9-1995, 1099/95 (DR 207) de 7-9-1995 е 512/98 ( DR 183) de 10-8-1998.

Ruas do Alto e do Arco do Carvalhão |1939|
Chafariz; Aqueduto das Águas Livres
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Trata-se de trecho do aqueduto que vence, com dois amplos vãos, os dois arruamentos em que, neste local, se subdivide a Rua do Arco do Carvalhão. Antes de ser chamada «do Arco do Carvalhão», a rua tinha o nome de «do Sargento-Mor», como recorda o ilustre Norberto de Araújo. [...] Agora estamos no Arco do Carvalhão, sob dois imponentes arcos do Aqueduto. Esses terrenos [...] estendiam-se além da actual Rua das Amoreiras, desde o trecho da Cruz das Almas até a actual Rua Marquês da Fronteira. [...] O «Carvalhão» era, na verdade, o futuro Marquês de Pombal, e do seu sobrenome vieram os nomes da rua actual. [...]

Ruas do Alto e do Arco do Carvalhão |1961|
Ao fundo nota-se o Viaduto da Avenida Duarte Pacheco ou do Arco do Carvalhão; Aqueduto das Águas Livres.
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Ainda de acordo com o insigne olisipógrafo Norberto Araújo «terrenos eram estes de Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda antes de ser Marquês de Pombal e Conde de Oeiras e «Carvalhão» era o nome pelo qual era conhecido «e do apelido derivaram os nomes da Rua actual (Arco do Carvalhão) que leva à Cruz das Almas, e da ladeira (Alto do Carvalhão) só há poucos anos (1933) edificada em forma, e que leva a D. Carlos Mascarenhas».

Ruas do Alto e do Arco do Carvalhão |195-|
Fotografia aérea da Av. Eng. Duarte Pacheco, Aqueduto das Águas Livres. 
Rua do Alto do Carvalhão anotada com cor azul e Rua do Arco do Carvalhão a encarnado.
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ALMEIDA, Álvaro Duarte de, Portugal património: Lisboa· 2007.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp.77-78, 1939.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Escadinhas dos Terramotos

Passagem em escadaria entre a Rua do Arco do Carvalhão e a antiga estrada da circunvalação, actual Rua Maria Pia. As escadas começam ao lado do nº 143 da Rua do Arco do Carvalhão e findam defronte do nº 590 da Rua Maria Pia.
O topónimo advém da Ermida do Senhor Jesus dos Terramotos, situada na Rua Arco do Carvalhão, 116-118, junto às escadinhas. A ermida foi construída entre 1756 e 1798 e reconstruída em 1842. 

Escadinhas dos Terramotos [ant. 1945]
Rua do Arco do Carvalhão
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Antes de se chamar Rua do Arco do Carvalhão tinha o nome de «Rua do Sargento-Mór», como indica Norberto de Araújo nas suas Peregrinações em Lisboa.
Estes terrenos pertenciam a Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda antes de ser Marquês de Pombal e Conde de Oeiras e estendiam-se desde a Cruz das Almas até à Rua Marquês de Fronteira. Era proprietário de casas, terras, olivais, pedreiras, nomeadamente a da Cascalheira, fornos de cal, moinhos e azenhas. «Carvalhão» era o nome pelo qual era conhecido o futuro Marquês de Pombal, o qual se compreende, pela quantidade de património que possuía nesta zona da cidade.

Escadinhas dos Terramotos, frades de pedra [ant. 1945]
Rua Maria Pia
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

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