Dentro de poucos anos, Dilecto, — preconizava o ilustre Norberto de Araújo em 1939 — esta Rua das Amoreiras estará desfigurada no seu traçado; as transformações das cidades, riscadas em plantas, quando chega a hora das realizações fazem sempre vítimas: alguns prédios desta artéria, de um lado e outro, desaparecerão.
Pois bem, foi exactamente o que veio a suceder com o
Palacete Marçal Pacheco — demolido na década de 1960 para lá se erguer o edifício ocupado pela Philips, hoje Hotel Dom Pedro — situado
no antigo troço da velhinha
Rua das Amoreiras [antiga Rua direita de S.
João dos Bem Casados], antes daquela ser cortada pela actual Avenida
Engenheiro Duarte Pacheco e ter mudado a denominação para
Rua Prof.
Sousa da Câmara (1971)
[vd. carta topográfica mais abaixo].
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Palacete Marçal Pacheco [1932]
Rua das Amoreiras [1874], antes Rua direita de S.
João dos Bem Casados
Legenda da foto no arquivo:«Legação da Argentina»
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente |
O
palacete mais vistoso desta
Rua [das Amoreiras] — prossegue Norberto de Araújo — é aquele que se situa do
lado oriental, construção do
século passado [XIX],
entre uma faixa de mata arborizada ainda. Pertencente a umas senhoras
Pachecos, por transmissão de
Marçal Pacheco, e foi antes de José António
de Carvalho. Em
1916 esteve nele instalada a Legação de Espanha, e era
em 1919 moradia de Carlos Bleck, voltando depois a servir de
Legação, do
Uruguai [e/ou Argentina?]. Esteve depois alguns anos ao abandono, e em 1937 instalou-se
neste palacete a Direcção Geral dos Serviços Florestais e Agrícolas,
vinda do edifício do Terreiro do Trigo. Possui algumas salas
interessantes mas sem pormenores de arte pura. Do lado oposto existiu o
Horto de Marcolino Teixeira Marques, que ocupava a faixa da rua, onde se
ergueram (1935-36) aqueles prédios modernos e altivos que vês, e se
estendia pelos terrenos da
Casa Anadia.
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Palacete Marçal Pacheco, entrada [entre 1903-1908]
Rua das Amoreiras [1874], antes Rua direita de S.
João dos Bem Casados
Legenda da foto no arquivo:«Legation d'Espagne» Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente |
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Palacete Marçal Pacheco, demolição [c. 1966] Artur Bastos, in Lisboa de Antigamente |
A propósito do historial
toponímico da
Rua das Amoreiras, vale a pena ler o que diz o
livro Chorographia Moderna Do Reino De Portugal publicado em 1876. Reza assim:
«Por baixo do dito arco [das Amoreiras] passa uma larga rua a que dava nome, a qual do Largo do Rato, e quasi parallela á da Fabrica da Loiça e ao longo da dita Praça das Amoreiras, conduz para as alturas de Campolide, tomando mais acima o nome de Rua [direita] de S. João dos Bem Casados. Hoje uma e outra tem o nome de Rua das Amoreiras, a qual começa no Largo do Rato e acaba na porta da cidade chamada do Alto do Carvalhão [actual Rua D. Carlos de Mascarenhas].
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Palacete Marçal Pacheco [vermelho]
Verde: troço da antiga Rua das Amoreiras, antes Rua direita de S. João dos Bem Casados, que corresponde actualmente à Rua Prof.
Sousa da Câmara Laranja: Rua Silva Carvalho, antes Rua de S. João dos Bem Casados
Levantamento da Planta de Lisboa, 1911 por Júlio António Vieira da Silva Pinto, in Lisboa de Antigamente |
Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 80-81, 1939.
² BAPTISTA, João Maria, Chorographia Moderna Do Reino De Portugal, vol. 4, 1876.