Wednesday, 6 November 2019

Prédios dos Restauradores: «Ilha dos Escritórios»

Êste prédio, que encosta ao Avenida Palace, n.° 13, — recorda Norberto de Araújo — é, como um seu similar do Rossio (esquina norte da Rua do Amparo), uma verdadeira «vila», por tal sinal (e nisso também se assemelham) sem qualquer expressão moderna de conforto e de higiene a classificá-los; nele existem 89 escritórios, e ainda, no quarto andar, uma «Pensão Restauradores». Foi a última das propriedades que José Rodrigues Sucena (Conde de Sucena por mercê de D. Luiz) adquiriu nestes sítios (1915) ; hoje pertence à Caixa Geral de Depósitos, como adente direi [refere-se à construção do primitivo Éden Teatro].

Prédios dos Restauradores  |c. 1937|
Praça dos Restauradores, 13; Hotel Avenida Palace
 Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 18, 1939.

Sunday, 3 November 2019

Igreja de São Luiz, dos Franceses

Neste pedacinho [da Rua das Portas de Santo Antão] até à Anunciada do Convento das dominicanas, erigido sobre a casa dos agostinhos de Santo Antão de 1400 — e eis a razão do nome da rua — chegaram a contar-se sete palácios, desde o dos Condes de Almada, a par de S. Domingos, até ao dos Condes da Ericeira, passando pelo primeiro dos Castelo Melhor, pelo dos Pais do Amaral Barberini, pelos do Conde de Povolide e dos Morgados de Oliveira. Igrejas, só uma, a de S. Luiz, dos franceses, que recua a 1552, e ali está ela ainda, com as suas flores de lis e as armas dos Bourbons sobre o pórtico.


Eis-nos defronte da pequena Igreja de S. Luiz, dos franceses — diz Norberto de Araújo — , erecta extramuros, e que teve contíguo um Hospital, de certo modo no século passado [XIX] substituído pelo «Asyle de Saint-Louis» — Hospital de S. Luiz — na Rua Luz Soriano.

Rua das Portas de Santo Antão |1909|
Igreja de São Luiz, dos Franceses; Palácio Alverca (Casa do Alentejo)
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

É simples a fachada, na qual apenas o pórtico, com as armas dos Bourbons e o escudo da flor de lis, tem algum interesse arquitectónico.
Na sobreporta ali vês a legenda latina, que afirma, na tradução, que «a S. Luiz foi dedicado este templo pelos franceses habitantes nesta real cidade, no ano do Senhor de 1552. Conclui-se e acrescentou-se em 1622».
Parece, porém, que a inscrição não é de todo exacta ou suficientemente explicita. Eu julgo — talvez — mais acertada a versão de que a Confraria é que foi criada em 1552, instalada na Ermida de N. Senhora da Oliveira a S. Julião, onde estaria ainda em 1558, começando em 1563 a construir-se o templo neste lugar, concluído em 1572, na sua primeira fase. A reconstrução ampliada é que será de 1622.
Depois do Terramoto voltou esta Igreja a receber benefícios (1766), aliás repetidos sumariamente no século passado.

Igreja de São Luís dos Franceses |c. 1914|
Perspectiva tomada da Travessa  de Santo Antão
Beco de São Luís da Pena, 34-34A; Rua das Portas de Santo Antão
Por cima da inscrição da fachada atrás transcrita vêem-se as armas dos Bourbons;
o escudo da flor de liz, tendo por suporte dois anjos. O escudo é circundado por
dois colares dax ordens francesas, sendo o inferior o da ordem do Espírito Santo.
[Castilho: 1935]
Charles Chusseau-Flaviens, in Lisboa de Antigamente

Interiormente a Igreja de S. Luiz, muito ao tipo francês, pouco oferece de notável; não posso dela dar uma resumida descrição que seja — como o tenho feito de uma centena de igrejas e ermidas de Lisboa — porque, nos meus passos de ensaio, não me foi consentido tomar notas e colher informações directas, o que registo sem acrimónia embora com estranheza.
Posso dizer que o altar-mór e as capelas colaterais no corpo da igreja foram construídos em Genebra, por um artista italiano; são em mármore de Carrara [Pasquale Bocciardo (1705-1791)].
E pois que interessa à iconografia de Lisboa anotemos êste grande quadro, à esquerda da parede no corpo da Igreja. É uma «Vista de Lisboa», da primeira metade de seiscentos, muito deteriorada.
O terreno da cortina defronte de S. Luiz, sobre a Rua, pertence à Igreja; os seus três estabelecimentos são deste século.

Igreja de São Luís dos Franceses |c. 1914|
Perspectiva tomada da Rua do Jardim do Regedor
Beco de São Luís da Pena, 34-34A; Rua das Portas de Santo Antão
Tinha esta igreja uma cruz no adro; em Junho de 1887 oficiou a Câmara Municipal ao capelão
para ser removida a dita cruz. [Castilho: 1935]
Charles Chusseau-Flaviens, in Lisboa de Antigamente
 
N.B. No século XIX o imóvel passa para a posse do Estado Francês e em 1882 é instalado o órgão realizado em Paris por Aristide Cavaillé-Coll. No andar superior, em três salas, funcionava o hospital de São Luís, da Confraria do Bem-aventurado São Luís, que socorria todos os franceses pobres e necessitados de auxílio médico.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, p. 207.
ibid, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 102-103, 1939.
SANTANA, Francisco e SUCENA, Eduardo. Dicionário da História de Lisboa, pp. 808-810, 1994.

Friday, 1 November 2019

Avenida da República

Este topónimo, juntamente com mais nove, faz parte do primeiro Edital da vereação republicana, datado de 5 de Novembro de 1910, ou seja, precisamente um mês após a implantação da República. Após a proclamação da República a Câmara de Lisboa alterou a toponímia, substituindo os nomes das figuras públicas comprometidas com a monarquia e os topónimos de cariz religioso por outros evocativos dos ideais republicanos e esta Avenida da República é disso um exemplo claro, substituindo o topónimo do criador das Avenidas Novas em 1904  —  Ressano Garcia — pela própria República.

Avenida da República |1926|
Junto ao Viaduto de Entrcampos; à esq., o antigo Mercado Geral de Gados, depois Feira Popular; à dir., a Rua Visconde de Seabra
Legenda no arquivo: «Exercícios da Polícia Cívica no Campo Grande»
Fotógrafo não identificado, 
in Lisboa de Antigamente

O topónimo «Visconde de Seabra» perpetua na toponímia de Lisboa o nome de António Luís de Seabra (1798-1895), 1º visconde de Seabra, com título atribuído em 25 de Abril de 1865, responsável pela organização do projecto de Código Civil que foi promulgado por Carta de Lei em 1 de Julho de 1867.
Formado em 1820, a sua carreira desenvolveu-se como deputado, membro da Câmara dos Pares, Ministro da Justiça (1852 e 1868), reitor da Universidade de Coimbra (1866-68) e juiz do Supremo Tribunal de Justiça. [cm-lisboa.pt]

Avenida da República |ant. 1934|
Junto ao Viaduto de Entrcampos; à dir., a Rua Visconde de Seabra
Legenda no arquivo: «
Volta a Portugal em carro»
Fotógrafo não identificado, 
in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 30 October 2019

Convento de N. S. da Encarnação : «O Mosteiro da Infanta»

O Convento da Encarnação foi mandado construir pela Infanta D. Maria (1521-1577). É um convento de freiras beneditinas, uma das belas jóias da arquitectura religiosa a ver em Lisboa, pouco conhecida, talvez, pela sua localização. E porque sua igreja só abre uma vez por semana, aos domingos. É um tesouro bem guardado.

Vicissitudes várias, relacionadas com o contexto histórico das décadas seguintes, levaram a que o Convento de Nossa Senhora da Encarnação, só viesse a ser fundado em 1614, sob a égide de Filipe III.


Convento de Nossa Senhora da Encarnação: «O Mosteiro da Infanta» [c. 187-]
Largo do Convento da Encarnação
Panorâmica tirada de São Pedro de Alcântara, vê-se o Convento da Encarnação, a Igreja de São Luís dos Franceses, e, em último plano, a Igreja e Convento da Graça.
Franccsco Rocchini, 
in Lisboa de Antigamente

Viveu a Senhora Infanta [D. Naria] — recorda o ilustre Norberto de Araújo — entre artistas, latinistas e teólogos. Devota como seu irmão, D. João III, não esqueceu nunca a filha de D. Manuel, o «Venturoso», os hábitos da corte do Paço da Ribeira, onde nascera em 1521. Era riquíssima. A sua vida de sempre menina decorreu, deslizou entre mesuras paçãs e perfumes de incenso. [...]
Diz-se que foi amada por Camões, e que talvez lhe tivesse dado asas para o Poeta voar a tão «alto pensamento». Era uma linda senhora, de nariz um tudo nada imperfeito, o que lhe imprimia um ar de malícia excelsa, e lhe aumentava o picante da expressão, misto de sensualidade e idealismo, como no desenho de Chantilly, cópia de Gregório Lopes. [...]

Convento de Nossa Senhora da Encarnação: «O Mosteiro da Infanta» [ant. 1880]
Largo do Convento da Encarnação. 
Perspectiva da Praça D. Pedro IV, observando-se em cima, à dir., o Convento da Encarnação.
Fotografia anónima, in Lisboa de Antigamente

E eis-nos, Dilecto, no Largo, e defronte do Convento da Encarnação. É o edifício enorme que de todos os altos de Lisboa se avista,
É um casario soturno, quase misterioso, debruçado sobre o Rossio. Na sobreporta da Igreja ostenta-se o brasão daquele infantado virginal. Por todo o edifício, pelos claustros e terraços, esconsos e escadarias, pejadas de oratórios, de altares, de mistérios místicos — passa ainda, apesar de no mosteiro nunca ter vivido, o talhe esbelto da Senhora Infanta, vestida com o hábito branco de S. Bento, ornado da cruz verde de Avis, tal qual cai ainda hoje dos reposteiros moles.
No exterior, em pleno Largo do Convento, uma casinha setecentista de um pitoresco inverosímil, milagre de arquitectura ingénua e popular, reúne-se à ostentação artística da Igreja, repousada nos seus azulejos, pinturas de bom pincel e lavores de prata.

Convento de Nossa Senhora da Encarnação: «O Mosteiro da Infanta» [c. 1940]
Largo do Convento da Encarnação

Do lato esq. vê.se o portal nobre do convento e à dir., a entrada da Igreja Igreja ostentando o brasão daquele infantado.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente
Convento de Nossa Senhora da Encarnação: «O Mosteiro da Infanta» [c. 1940]
Largo do Convento da Encarnação, claustro

A Encarnação ligada à Ordem de S. Bento de Aviz, e, assim, de seu começo, com sigla militar — é um documento monumental do século XVII.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Um grande incêndio ocorrido em 1734, e os danos provocados pelo Terramoto de 1 de Novembro de 1755 obrigam a grandes intervenções no edifício conventual.
Após a extinção das ordens religiosas, a 30 de Maio de 1834, as condições de vida no convento decaem consideravelmente por ter cessado a entrada dos rendimentos provenientes da Ordem de Avis. O Convento da Encarnação é extinto em Março de 1896 após a morte da última religiosa e integrado na Fazenda Nacional. Já no início do século XX passa a integrar os «Recolhimentos da Capital», conjunto que desde 2011 está sob gestão da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Convento de Nossa Senhora da Encarnação, interior da igreja [c. 1900]
Largo do Convento da Encarnação

Alberto Carlos Lima, 
in Lisboa de Antigamente

Convento de Nossa Senhora da Encarnação, coro [c. 1900]
Largo do Convento da Encarnação

Alberto Carlos Lima, 
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de Araújo, Legendas de Lisboa, pp. 60-61, 1943.
ALMEIDA, Fernando de, Monumentos e edifícios notáveis do Distrito de Lisboa, Volume 5, Segundo Tomo, 1975.

Sunday, 27 October 2019

Sítio do Areeiro

Da Avenida Almirante Reis galga-se, em via larga, até aos antigos campos. O Areeiro é já citadino e viverá pouco quem não vir edificar até Sacavém e, com a velocidade adquirida, fazer-se a junção, através de largas passagens, com os antigos desertos saloios. Dentro em pouco será quási impossível encontrar, a vinte ou trinta quilómetros da Baixa, uma aldeia fresca e repousante que não esteja na iminência de ser conquistada pela cidade ambiciosa.

Praça do Areeiro, actual Praça Francisco Sá Carneiro (desde 1982) [1945]
Adiante do eléctrico vê-se o apeadeiro do Areeiro, e para além da linha férrea, à dir., o antigo retiro «Perna de Pau», um dos sítios mais frequentados das hortas alfacinhas, situado na velha Estrada de Sacavém e que ligava a actual Praça do Chile a Sacavém; à esq., desaparecendo no horizonte, a Estrada do Aeroporto, hoje Av. Gago Coutinho
Eduardo Portugal,
in Lisboa de Antigamente

Existiam, naquele sítio do velho Areeiro, as locandas famosas, os «retiros» a que o cenógrafo Eduardo Reis, pai, chamava «Tabernáculos», e ficaram célebres a «Perna de Pau» e «José dos Pacatos», rivais do «Teotónio» da Calçada do Carriche, do «Quebra-Bilhas», do Campo Grande, e doutros variados sítios e petiscos que mais vale olvidá-los, agora, com seus aromas e alegria.

Praça do Areeiro, actual Praça Francisco Sá Carneiro (desde 1982) [1947]
Avenida Almirante Reis; Prova de Ciclismo
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

A extracção de areia na antiga Quinta da Montanha, destinada à construção dos prédios nesta zona, está na origem do nome desta nova freguesia da cidade. Ainda hoje se podem encontrar vestígios dessas escavações, ao fundo da Avenida dos Estados Unidos da América, no morro desta quinta.

Praça do Areeiro, actual Praça Francisco Sá Carneiro (desde 1982) [1947]
Avenida Almirante Reis; Prova de Ciclismo
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
DANTAS, Júlio Lisboa dos nossos avós, 1966.

Friday, 25 October 2019

Calçada da Ajuda

A Calçada da Ajuda é uma comprida e íngreme artéria que outrora vencia a passagem de uma ribeira quase seca no Verão denominada Ribeira dos Gafos. Esta Calçada tem cerca de um quilómetro de extensão contando desde o Museu dos Coches até ao muro do Jardim Botânico, onde existiu um marco, pouco acima do respectivo portão com as iniciais CMB (Câmara Municipal de Belém), uma das poucas recordações desse Concelho que após a sua extinção persistiram na freguesia da Ajuda.
Antes do Terramoto de 1755, após o qual a via foi aberta, o sítio era despovoado e nele se cultivavam oliveiras, pomares, vinhas e trigo. Ao lado de prédios que ainda conservam varandas de sacada e varadins de ferro forjado, estabeleceram-se aqui numerosos quartéis

Calçada da Ajuda [1971]
Esquina com a Tv. de Paulo Martins, topónimo atribuído por deliberação camarária de 21 de Setembro de 1916. Paulo Martins exerceu o cargo de reposteiro da Casa Real e foi dono do edifício onde, nas águas-furtadas nasceu Simão Botelho, o protagonista de «Amor de Perdição»
Nuno Barros da Silveira, in Lisboa de Antigamente

A Calçada da Ajuda deu passagem ao séquito da Família Real aquando do seu embarque para o Brasil, aos círios de Nossa Senhora do Cabo e à procissão do Senhor dos Passos de Belém que ia até à Patriarcal da Ajuda. E grandes ornamentações nela se fizeram aquando da celebração, em 1886, do casamento do Príncipe Real D. Carlos com a Princesa D. Maria Amélia de Orleães. Ao longo de dois séculos e meio de existência, a Calçada da Ajuda foi assim palco de cortejos reais, procissões e desfiles militares.

Calçada da Ajuda [1967]
Augusto Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Tal como no Largo e na Travessa, a deliberação camarária de 21 de Setembro de 1916 e o Edital de dia 26 do mesmo mês, oficializou os topónimos tradicionais do local que perpetuam o nome do sítio: Ajuda. [cm-lisboa.pt]

Alto da Ajuda, cruzamento da Calçada da Ajuda com Rua dos Marcos, Rua do Mirante, à Ajuda com a Rua das Açucenas [1939]
Ao fundo observa-se o Arco (já demolido) que servia de ligação entre o Palácio e o Jardim Botânico pela zona onde hoje é a GNR. Destinava-se ao passeio da rainha.
Eduardo Portugal in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 23 October 2019

Igreja de S. João da Praça

Bem; estamos em S. João da Praça. Aqui temos a Igreja, velha paroquial integrada desde 1885 na de Santa Maria (Sé).

A paroquial igreja de S. João da Praça data do princípio do século XIV, pelo menos, e teve por orago S. João Degolado, ou seja S. João Baptista; tinha padroeiros, de nomeação real, o último dos quais foi D. Pedro José de Noronha, Marquês de Angeja (século XVII).


A existência da igreja remonta aos reinados de D. Afonso II ou de D. Sancho II. Em 1317, D. Frei Estêvão II, bispo de Lisboa consagrou o padroado da igreja dedicada a São João Degolado. É provável que tenha sido reedificada em 1442.
Posteriormente, recebeu a invocação de São João da Praça, por ser esse o local onde os condenados iam cumprir as sentenças.

Igreja de São João da Praça |1901|
Rua de São João da Praça, 66-82; Rua do Barão (dir.)
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

O Terramoto destruiu completamente este templo, que era relativamente pequeno e pobre, havendo-se depois construído outro, que é este hoje de pé, mas que também ardeu em parte, sofrendo grande ruína, em 3 de Maio de 1896, quando do incêndio da Fábrica de Massas, de João Luiz de Sousa, na Rua do Barão.
Fez-se então sob o patrocínio da Rainha D. Amélia e do Cardeal Patriarca, D. José Neto, uma subscrição pública para reedificação e restauro da Igreja de S. João da Praça.

Atingida pelo incêndio que se sucedeu ao terramoto de 1755, a freguesia passou para a Ermida de Nossa Senhora do Rosário; em 1768, fazia-se no cais de Santarém, uma barraca para a sua acomodação. 

Igreja de São João da Praça, fachada lateral |1901|
Rua de São João da Praça, 66-82
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Em 1774, já estava reconstruída a antiga igreja paroquial e a freguesia voltou ao seu local de origem. Por decreto de 24 de Dezembro de 1885, para efeitos eclesiásticos, a freguesia foi anexada à de Santa Maria Maior da Sé Patriarcal, e recebeu um pároco instituído canonicamente.
Em 1886, os registos paroquiais já eram lavrados nos livros da Sé.
Em 1906, por decreto de 3 de Maio, recebeu o título de Real Capela de São João da Praça.

Igreja de São João da Praça |c. 1901|
Rua de São João da Praça, 66-82
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

No exterior apresenta fachada rasgada por um portal, de frontão semicircular, interrompido por um medalhão esculpido com o "Agnus Dei". 
O interior, de nave única oitavada com altares sob tribunas, coro-alto e capela-mor rectangular, conserva alguns elementos interessantes: a decoração dos 2 altares rocócó do cruzeiro, com a imagem da Virgem do lado da Epístola, da autoria de Machado de Castro; toda a imaginária barroca dos vários altares; e os painéis de azulejos historiados, com cercadura rocaille da sacristia.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, pp. 38, 1939.
CASTILHO, Júlio de, Lisboa Antigs. Segunda Parte. Bairros Orientais, vol. VI, 2ª edição Revista e ampliada pelo autor e com anotações do Eng. Augusto Vieira da Silva, 1936.

Sunday, 20 October 2019

Pátio do Marechal

Por trás do quarteirão, à esquerda desta Rua [do Barão], passa a Travessa das Merceeiras, que teve em tempo saída, pelo hoje Pátio do Marechal, antigamente Rua deste nome que levava da Alfama (Porta de S. Pedro) até S. Martinho (Rua do Arco do Limoeiro hoje Rua de Augusto Rosa); a muralha que antecedeu estes prédios, foi construída em 1837.
Aqui, quási ao fundo desta Rua, ainda à esquerda, defronte da face norte da Igreja de S. João da Praça, é que existiu a fábrica de massas, que um incêndio devorou, e que se propagou ao templo, pela Capela-mor, [...]

Pátio do Marechal [1901]
Travessa das Merceeiras
Machado & Souza,in Lisboa de Antigamente

O Visconde de Castilho julga que os vestígios de muralha, que se notam ainda no paredão Norte da actual Travessa das Merceeiras, próximo do Pátio do Marechal, seriam os.embasamentos que sustentavam o palácio dos condes de Vila-Nova, cuja frontaria e pátio deitavam cá em cima, do outro lado, para defronte de S. Martinho.

Pátio do Marechal [1903]
Travessa das Merceeiras
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, pp. 40-41, 1939.
CASTILHO, Júlio de, Lisboa Antiga. Segunda Parte. Bairros Orientais, vol. IX, 2ª edição Revista e ampliada pelo autor e com anotações do Eng. Augusto Vieira da Silva, 1936.
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