sexta-feira, 18 de março de 2016

Rua de Xabregas, Convento de S. Francisco de Xabregas

Quanto à origem deste topónimo existem duas versões: a popular e a erudita, às quais acresce uma curiosa e remota tradição popular: a procissão dos coentros. Nos inícios do século XX, Alberto Pimentel, no seu livro A Extremadura Portugueza, a respeito desta zona da cidade, escrevia:

   « Uma antiga tradição diz, quanto á etymologia de Xabregas, que em tempos muito anteriores a Affonso III havia n'este sitio um lavadouro publico, onde eram frequen-tes as rixas entre o mulherio. Á falta de policia, umas lavadeiras procuravam acommodar as outras, gritando-lhes leixa bregas (deixa brigas), d'onde viria, ou não viria talvez, o nome ao lavadouro e depois á povoação: Enxobregas ou simplesmente Xabregas.
   E já que estamos em maré de tradições remotas, contarei outra.
   Ás hortas de Xabregas vinha outr'ora uma original procissão, que no retorno a Lisboa volvia mais original ainda.
   Era a procissão dos coentros.
   Os pescadores de Alfama e todos os outros pescadores e embarcadiços da cidade costumavam, na véspera do dia de S. Pedro Gonçalves, trazer o andor d'este seu milagroso patrono até Xabregas, em cujos campos passavam o dia folgando devotamente.
   Todos os marítimos vestiam para esse effeito as suas melhores roupas e garridamente se ataviavam de louçanias.
   Mas para voltar á cidade colhiam em Xabregas quantos coentros verdes encontravam, e com elles enramavam a cabeça, a si mesmos e ao santo, e assim engrinaldados reconduziam o andor florido até repôl o no templo.
   No século XVI o arcebispo D. Fernando de Menezes prohibiu a procissão dos coentros por lhe parecer excessivamente gentílica; mas fez-se um milagre, ou o povo julgou que se fizera, e o prelado teve que levantar a prohibição. »
( PiIMENTEL, Alberto, A Extremadura Portugueza, vol. II, p. 210, 1908)

« Quanto a Xabregas, a fantasia popular inventou-lhe uma origem em leixa bregas (deixa brigas), expressão que seria frequentemente usada num lavadouro público, existente no lugar, quando entre as mulheres surgiam brigas... Também aqui, ainda a toponímia histórica não deu uma explicação segura. Nos documentos medievais, aparecem variadas formas: Exevregas, Exabregas, Eyxebregas, Enxobregas. Como Xabregas fica junto ao Tejo, há quem relacione o nome com xavega (do ár. xabaka), rede de arrasto. Mas tendo em conta os diversos vestígios romanos encontrados na zona (marco miliário, lápide, sarcófago) pode supôr-se a existência de uma povoação chamada Axabrica
(CONSIGLIERI, Carlos, RIBEIRO, Filomena, VARGAS, José Manuel, ABEL, Marília, Pelas Freguesias de Lisboa, Lisboa Oriental) 

Rua de Xabregas [1933]
Rua de Xabregas (antiga Rua Direita de Xabregas), Convento de S. Francisco de Xabregas
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

O Convento de S. Francisco de Xabregas fundado em 1456, sobre as ruínas do antigo Paço de Xabregas, sob a invocação de Sta. Maria de Jesus, o qual foi entregue aos frades franciscanos, pelo que ficou mais conhecido por Convento de S. Francisco de Xabregas. Muito danificado pelo terramoto de 1755, foi demolido e totalmente reconstruído, ainda, na 2ª metade do séc. XVIII. A actual igreja, pombalina, apresenta planta oitavada, torre sineira recuada e fachada principal integralmente revestida de cantaria, delimitada lateralmente por pilastras lisas e rematada no topo por frontão com a pedra de armas de D. José. As dependências conventuais desenvolvem-se para ambos os lados da fachada da igreja. 
Na sequência da extinção das ordens religiosas a igreja foi profanada e saqueada, assim como o resto do edifício, perdendo-se o seu valioso recheio. Desde essa data a zona conventual conheceu sucessivas ocupações, nomeadamente serviu como quartel do exército, fábrica de tecidos, armazém de tabacos, foi transformada em unidade industrial, até que acolheu o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), desde 1988, enquanto que na antiga igreja barroca se instalou o Teatro Ibérico, desde 1980.

Rua de Xabregas [1926]
Rua de Xabregas (antiga Rua Direita de Xabregas), Convento de S. Francisco de Xabregas
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

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