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Sunday, 14 August 2022

Igreja (e convento) da Graça

A Igreja da Graça situa-se numa alta posição privilegiada de Lisboa. Orientada a Poente, o seu adro constitui um miradouro natural da cidade; o perfil da sua torre, com a extensão conventual, a Norte; a fachada do antigo Convento, contígua à da igreja com orientação a Sul.


A igreja da Graça, tal qual hoje se encontra, é uma reedificação da segunda metade do século XVIII, completada com reconstruções e restauros do final do século passado para os princípios do actual. integrou-se no convento dos religiosos eremitas descalços de Santo Agostinho, que para o sítio de Almofala vieram em 1271, transferidos do seu primitivo eremitério do Monte de S. Gens. A primeira igreja, certamente modesta, foi substituída por um majestoso templo, de três naves, dos maiores e mais ricos de Lisboa, pela diligência do vigário perpétuo da Ordem, o espanhol Frei Luís de Motoya, durando as obras nove anos (1556-1565). 
Logo de começo esta Casa religiosa teve relativa imponência na Igreja, e largueza no Convento que —  acomodava 1.600 pessoas — intitulado de Santo Agostinho até 1305; nesse ano todos os Conventos da Ordem passaram a ter a invocação de N. Senhora da Graça.

Igreja da Graça [c. 1900]
Panorâmica sobre a zona da Graça tirada do Castelo de São Jorge
Largo da Graça; Calçada da Graça
O conjunto constituído pelo convento e pela Igreja remonta ao início da nacionalidade, ganhando maior importância no século XVI.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Igreja da Graça [c. 190-]
Panorâmica sobre a zona da Graça tirada do miradouro junto à Rua Damasceno Monteiro
Largo da Graça; Calçada da Graça; à dir. nota-se a Igreja de Santa Cruz do Castelo
Da ordem de Santo Agostinho, a Igreja da Graça situa-se no antigo local conhecido por Almofala, onde D. Afonso Henriques acampou com as suas tropas, durante o cerco a Lisboa em 1147.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

No segundo quartel do século XVIII a igreja beneficiou de restauros importantes, dirigidos pelo arquitecto Custódio Vieira; pouco tempo depois, pelo Terramoto a igreja foi quase totalmente arruinada, assim como o convento, começando em 1765 a reconstrução, que equivale a uma reedificação integral, sob o risco de Manuel Caetano de Sousa, e prolongando-se, numa primeira fase, até 1785. No final do século passado [XIX] tratou-se novamente de completar a igreja segundo o plano reedificador, aliás alterado, de Caetano de Sousa, e de a restaurar no que fora feito anteriormente; estas obras duraram de 1896 a 1905.

Igreja e convento da Graça [1960]
Panorâmica sobre a zona da Graça tirada do Castelo de São Jorge
Largo da Graça; Calçada da Graça
A Fachada Principal da igreja, (século XVIII) é composta de três corpos, unidos por frontão curvilíneo, continuados no mesmo alçado por um lateral a Sul. Destaca-se recuada, ao centro alto do corpo da fachada conventual, a torre setecentista (Manuel da Costa Negreiros).
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente
Convento da Graça, claustro nobre [1954]
Largo da Graça; Calçada da Graça
Este claustro, que se pode classificar como integrado no estilo toscano, é dos mais interessantes da Lisboa conventual desaparecida. Apresenta cinco arcadas de volta perfeita, assentes sobre colunas duplas de vão aberto. No segundo pavimento notam-se em cada lado do quadrado cinco elegantes janelas janelas, coroadas de ática, com placas de mármore rosa nos intervalos dessas janelas. No alto, corre uma balaustrada com adornos flamejantes.
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

A igreja apareceu então, aparentemente ostentosa, mas com um merecimento artístico muito aquém do que tivera nos séculos anteriores.
A decorativa torre da igreja, assente sobre o corpo da fachada do convento, pertence à reedificação que de poucos anos precedeu o Terramoto, e deve-se a Manuel da Costa Negreiros, que morreu em 1750.
A igreja da Graça é, no seu interior, das mais vastas de Lisboa, com boa expressão arquitectónica, na qual predominam, porém, os materiais pobres (madeira e estuques).
De uma só nave, possui o corpo da Igreja quatro capelas por lado. Pela direita: S. Tomaz, N. Senhora de Fátima, Santa Rita e S. José, e Santo António com S. Sebastião; pela esquerda: N. Sr.ª do Rosário da Verónica, Santa Mónica e N. Sr.ª das Dores, Sagrado Coração e Santíssimo.
O tecto do corpo da Igreja é dividido em cinco secções e nelas podes ver pinturas de João Vaz (1903) , representando as cinco primeiras frases da «Avé-Maria»; trabalhou também nele o decorador Elói Ferreira do Amaral.
Igreja da Graça, nave e capela-mor [1962]
Largo da Graça; Calçada da Graça
De planta em cruz latina, composta por nave de cinco tramos, definidos por oito capelas
laterais profundas e anexos, transepto saliente, capela-mor, tendo, em eixo, os corpos de
duas capelas e os de acesso à tribuna; sacristia desenvolvida perpendicularmente ao lado
esquerdo da capela-mor e, no lado direito, as dependências da Irmandade do Senhor
dos Passos.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

A Sacristia — considerada «monumento nacional» (11-12-918) — , dependência de interesse na igreja, antiga Capela das Relíquias; e, nela:

O tecto, em pintura larga de perspectiva arquitectónica, representando a Assunção de Nossa Senhora, pintura identificada de Pedro Alexandrino, e tendo nos topos os retratos de Frei António Botado e do irmão deste, Mendo de Foios Pereira, custeadores das obras deste quadro; dois grandes altares, em mármore, um em cada topo, com coroamento arquitectónico, situando-se no altar do fundo um grande relicário de madeira dourada [esq. na imagem abaixo], e no do lado da entrada o túmulo, em rico sarcófago de mármore, com inscrição de Mendo de Foios Pereira, que foi secretário de estado de D. Pedro II; sete painéis de azulejos historiados, em silhares circundantes (princípio do século XVIII), representando passos da vida da Virgem.

Igreja da Graça, sacristia [1960]
Largo da Graça; Calçada da Graça
A Sacristia é monumento nacional por excelência. Os seus azulejos são de tradição de seiscentos. É hoje um documento frio e sombrio, com valor mas sem expressão. As suas riquezas  de significado histórico, estão hoje quási todas no Museu de Arte Antiga.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 41, 1938.
idem, Inventário de Lisboa: Monumentos histórico, 1946.

Friday, 17 October 2025

Quartel da Graça

Graça (largo da) fica entre a calçada da Graça, caracol da Graça, travessas das Monicas, de S. Vicente, da Pereira, rua do Sol da Graça e travessa do Monte, freguezias de Santo Andre 93 a 136, Santa Engracia 1 a 52, S Vicente 53 a 92.
Foi fundada a egreja de Nossa Senhora da Graça no anno de 1147, a primeira vez e a segunda em 1291, sendo reedificada em 1526 е 1556. O convento serve de quartel para infanteria[Veloso: 1869]

Tudo o que a Graça oferece à vista é posterior ao Terramoto, a não ser o casco invisível de uma ou outra casa, fora da área central do Bairro, e a Convento, hoje [1938] Quartel, com sua Igreja. Os mouros, que seus arredores ocupavam antes da conquista cristã, chamavam a este sítio «Almafala» — recorda Norberto de Araújo — designação «de Graça» que data precisamente de 1305, nem mais ano nem menos ano. Continuou depois a ser subúrbio, estrada de comunicação desta parte da Cidade com os caminhos que levavam para as quintas e lugarejos do ocidente.

Largo da Graça |1949-03|
Stio do estrangulamento entre os seus terreiros superior e inferior. À dir. nota-se a igreja e convento e quartel da Graça e, ao fundo, observa-se a chamada Vila Sousa.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Dilecto — prossegue o distinto olisipógrafo —: vale a pena, mais do que noutro qualquer antigo Convento tornado casa militar, percorrer o edifício, apressadamente que seja, e no que nos for possível.
Em 1834, pela extinção das Ordens, instalou-se no edifício conventual o regimento de Infantaria 10, alguns anos mais tarde Infantaria 5, que foi a unidade grande detentora da casa, claustros e cerca dos Agostinhos. Em 1918, estiveram neste Quartel, episodicamente, Infantaria 32 (de Lagos) e Infantaria 30 (de Bragança); de 1919 a 1928 um esquadrão da Guarda Republicana sendo depois o edifício entregue a Caçadores 7, que hoje ocupa uma parte com uma companhia de adidos e duas companhias de reformados, havendo-se instalado noutra parte do casarão monástico a terceira companhia de Saúde.
O aspecto exterior do Quartel, ameado nas guarnições, e com o portal de tipo militar com legendas, muito sumidas, relativas a acções em combate de Infantaria 5, é de 1842.

Largo da Graça |1912|
À esq. nota-se o convento e quartel da Graça.
Postal ilustrado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, pp. 42-43, 1938.

Sunday, 6 December 2020

Rua da Graça

Todos os bairros ou sítios de Lisboa — recorda o ilustre Norberto de Araújo — têm o seu encanto especial, sobretudo para quem neles se a fez ou neles vive. Este da Graça é, com efeito, e sem devoção bairrista da nossa parte, um dos mais alegres e desafogados da Cidade. Populosa, animada, característica do Oriente de Lisboa, sem cair no pitoresco velho, nem, em verdade, oferecer particularidades olisiponenses ou apontamentos de artista — a Graça remonta aos primeiros tempos de Lisboa. [...]

Rua da Graça, 80 |195-|
Antiga Rua Direita da Graça, até 1889.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A Rua da Graça é uma linha recta que vem dos Quatro Caminhos, de saudosa memória alfacinha, e de que te falei, ao Largo da Graça, que data na actual feição de há cento e tal anos. Desta linha descem para sul e nascente várias serventias, como a Rua das Beatas, a Rua do Sol, a Travessa da Pereira, e a Rua da Verónica — todas antigas, e anteriores à Graça do século passado.

Rua da Graça, 80 |195-|
Antiga Rua Direita da Graça, até 1889.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 41-50, 1939.

Saturday, 5 March 2016

O Arco de Santo André, o Palácio dos Condes da Figueira e uma lenda

Estamos agora no local onde foi o Arco de Santo Andrérecorda-nos Norberto de Araújo, demolido em 1915 [5 de Junho 1913]², para dar passagem aos carros eléctricos, ou melhor: para a montagem dos fios aéreos. Era aqui a Porta de Santo André da «Cerca Nova» de D. Fernando; as exigências do trânsito converteram a Porta, certamente de reduzidas linhas, em Arco, e este acabou por se ir embora também.

Arco de Santo André, visto do trecho final da Costa do Castelo |ant. 1913|
Palácio dos Condes de Figueira, Antigo Largo de Santo André,
hoje Largo Rodrigues de Freitas; Calçada da Graça
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente
 
Sobre o Arco corria um Passadiço que ligava o edifício, hoje de esquina, ao Palácio dos Condes da Figueira, esse grande prédio que aí estás vendo, na esquina oposta para a Calçada da Graça, com seu portal nobre de estilo barroco seiscentista, a sua rijeza de aspecto, uma indiscutível austeridade arquitectónica exterior.

Arco de Santo André,  visto do trecho final da Costa do Castelo |ant. 1913|
Ao centro distingue‑se claramente a lápide glorificando a Imaculada Conceição da Nossa Senhora e que se encontra actualmente no Museu do Carmo.
Antigo Largo de Santo André, hoje Largo Rodrigues de Freitas; Calçada de Santo André
 À direita, casa senhorial que integra o Portal do 6º Passo da Procissão dos Passos da Graça mandado erigir em 1622.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Já agora devo dizer-te — prossegue o autorque este Palácio, antes de 1755, pertencia a Félix José Machado da Casa dos «Mendoças da Avé-Maria», e o brasão que ostenta o portal ainda é dos Mendoças. [A pedra de armas da família Mendoça, colocada na arquitrave, não será a peça originaladianta mais tarde, (1949) mestre Araújo]. Nos .Mendoças entroncaram os Figueiras, cujo primeiro Conde foi D. José Maria Rita Castelo Branco Correia e Cunha de Vasconcelos e Sousa, casado em primeiras núpcias com uma senhora do morgadio da Figueira, e em segundas, com uma senhora da família Mendoça. (...)
Este portal sacro, encostado ao cunhal do desaparecido Arco, de um vermelho de capa de confraria, foi o de um dos passos da procissão dos Passos da Graça, que endoidecia Lisboa da Mouraria ao Rossio e S. Roque. Esta procissão, que acabou pela República, e datava da Quaresma de 1587, teve origem numa lenda que...

Arco de Santo André e Palácio dos Condes de Figueira [1907]
Antigo Largo de Santo André, hoje Largo Rodrigues de Freitas;
Calçada de Santo André e Elevador da Graça.
Nota(s): O desaparecido Elevador da Graça, semelhante ao da Estrela-Camões, percorria
o trajecto Largo da Graça, Largo e Calçada de Santo André (contornando o Palácio Figueira),
Calçada dos Cavaleiros, Rua da Mouraria,
Carreirinha do Socorro e Rua Nova da Palma,
surgindo a maior dificuldade na transposição do velho Arco de Santo André.

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

   Mas escuta em um minuto, um minuto só, a lenda
Um peregrino foi certo dia bater à Casa dos Padres de S. Roque, a pedir pousada. Não o receberam. Foi depois bater ao Convento da Graça; ali foi acolhido. Entrou, mas quando foram por ele — sumira-se. Em seu lugar estava uma imagem do Santo Cristo. Houve uma demanda para se saber a qual das casas religiosas pertencia a imagem; ganharam os gracianos contra os jesuítas. Mas estes ficaram com o direito de possuir a imagem «um dia só», durante a roda do ano. Se demorasse mais um dia em S. Roque-a Graça perdia a posse. E assim em certa quinta-feira da Quaresma, à tarde, o Senhor dos Passos da Graça ia para S. Roque, e regressava na tarde de sexta-feira. 
Metia tropa e as Majestades. Iam devotos descalços — pés em sanguesob o andor, a cumprir promessas. Esta inocência piedosa acabou, por ordem real, em 1879; as promessas, porém, continuaram, e com elas a procissão lisboeta, uma das mais populares do século passado [séc. XIX].¹

Arco de Santo André  |1907|
Calçada de Santo André; Costa do Castelo (esq.)
Em cima nota-se a Igreja de Santa Cruz do Castelo.
Fotógrafo não identificado,
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, pp. 12-14, 1938.

Sunday, 21 April 2024

Hotel Aviz (Palacete Silva Graça)

Já agora, anotemos o luxuoso Hotel Aviz, que se contém no quarteirão que segue para Sul — sugere o ilustre Norberto de Araújo.

Foi aqui o palacete que o director de «O Século», José Joaquim da Silva Graça, fez levantar em 1904 (desenhado para habitação pelo arq.º Ventura Terra), para sua moradia particular. Em 1919 José Rugeroni, genro de Silva Graça, adquiriu este palacete ao mesmo tempo que comprava «O Século»; em 1931 decidiu José Rugeroni converter o palacete, com seus jardins e anexos, num hotel de luxo.
O edifício foi então radicalmente transformado, segundo a orientação do seu proprietário, com o qual colaborou o arquitecto Vasco Regaleira
O Hotel, cujo levantamento só foi possível com o auxilio financeiro da Caixa Geral de Depósitos, foi inaugurado em 24 de Outubro de 1933.


Hotel Aviz (Palacete Silva Graça) |c. 1960|
Av. Cinco de Outubro com a Av. Fontes Pereira de Melo
Na fachada destaque para a enorme águia de asas abertas.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
Hotel Aviz (Palacete Silva Graça) |c. 1960|
 O palacete do antigo jornalista Silva Graça situava-se entre as ruas de Tomás Ribeiro,
Viriato, Latino Coelho e Avenida de Fontes Pereira de Melo.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

O Hotel está recamado de arte na construção e decoração de sentido histórico no seu ambiente; é possível que pareça pretensioso, mas resultou bem o risco, até pela solução de vários problemas, nos quais a intenção e o bom gosto se poderiam chocar.

Um «hall» vistoso introduz num salão «Renascença» — grande vestíbulo — no qual se vê, à direita, um fogão, tipo de lareira portuguesa, com ricas colunas de madeira lavrada, peça que adveio da Vila de Santo António, à Junqueira, que pertenceu aos Burnays; sobre ele se colocou um brasão da Casa de Aviz. Do lado oposta vê-se um belo armário « Renascença», exemplar seiscentista que estava no Convento das Trinas; anota aquela formosa porta monumental ao fundo, e a balaustrada de ferrageria portuguesa antiga, peça que pertenceu à capela do Convento de Sacavém. Evidentemente todos estes exemplares beneficiaram de restauro. As sobreportas ostentam as armas e as divisas dos infantes da Ínclita Geração.

Hotel Aviz (Palacete Silva Graça) |c. 1960|
 Vestíbulo no qual se vê, à direita, um fogão, tipo de lareira portuguesa e balaustrada de ferrageria portuguesa antiga.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
Hotel Aviz (Palacete Silva Graça) |c. 1960|
 Salão «Renascença».
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

A Sala de Leitura, com mobiliário de estilo alentejanos, o «bar», no qual se notam baixos relevos históricos de Diogo de Macedo, e um sentido original no mobiliário, os terraços decorados com azulejos de tipo hispano- -árabe - definem já o « carácter e a fisionomia do Hotel.
As dependências e quartos, no primeiro pavimento, designam-se por «Suites», ou melhor — por correntezas — , que tomaram os nomes dos reis e príncipes da Casa de Aviz: D. João I, D. Filipa de Lencastre, D. Duarte, D. Pedro «Regente», Infante D. Henrique, Infante Santo e Infante D. João. As guarnições interiores dos aposentos são ricas, como arte aplicada. 
A Sala de Jantar situa-se no primeiro pavimento, abrindo dos jardins; há que destacar nela um grande painel de azulejos (Leopoldo Batistini) que reproduz uma das tapeçarias portuguesas de Pastraña (Espanha), além de outras decorações artísticas, de sentido histórico e etnográfico.
 
Como viste, o Hotel Aviz não está mal; este, e o Palace do Bussaco, constituem os dois únicos espécimes de hotel de luxo em Portugal.¹

Palacete Silva Graça depois Hotel Aviz  |c. 1905|
Perspectiva tirada do cruzamento da Av. Cinco de Outubro com a Rua Pinheiro Chagas na direcção da Av. Fontes Pereira de Melo. Do lado esq. nota-se o muro da Casa-Museu Doutor Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Palacete Silva Graça depois Hotel Aviz |c. 1908|
Perspectiva sobre os jardins do Palacete Silva Graça vendo-se a Av. Cinco de Outubro à dir. e a Rua Viriato à à esq...
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. O quarto número 72, com uma casa de banho extraordinária, ficou conhecido pelo Quarto Eva Perón; noutras épocas recebeu também Cecil B. DeMille. Além destes, passaram por lá Mastroianni, Sinatra, Ava Gardner, Maria Callas e outros. Calouste Gulbenkian viveu e morreu neste Hotel.
Durante a Grande Guerra também espiões alemães foram frequentemente instalados no Aviz, como o famoso Dusko Popov, e membros de famílias reais, como Humberto II de Itália, o futuro rei Juan Carlos de Espanha e o ex-rei da Roménia, Carol. Este último tinha abdicado do trono romeno sob pressão alemã, em 1940. Como estava sempre a ser seguido por membros da Gestapo durante a sua estadia no Aviz, nunca deixou o hotel antes de se mudar para a Casa Mar e Sol, no Estoril.
Hotel Aviz foi também o local do lendário jantar do duque de Windsor − antigo rei Eduardo VIII de Inglaterra − e da sua esposa Wallis Simpson. O jantar teve lugar a 30 de Julho de 1940, no dia anterior à sua partida a bordo do Excalibur para as Bahamas, onde lhe foi atribuído o cargo de governador por Winston Churchill. Os serviços secretos alemães planeavam raptar o duque, que simpatizava fortemente com a Alemanha nazi, nessa mesma noite. Mas os serviços secretos britânicos descobriram a Operação Willi e a trama nazi falhou.²
Demolido em 1962 erguem.se no seu lugar o “Edifício Aviz e o “Hotel Sheraton”.
_________________________________________________________________
Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 81-82, 1939.
² LANGENS, Joke, Lisboa em 10 Histórias, 2022.

Thursday, 4 August 2016

Largo da Graça: Regimento de Sapadores Bombeiros

Os mouros, que seus arredores ocupavam antes da conquista cristã, chamavam a este sítio «Almafala» — recorda Norberto de Araújo — e foi aqui que pousaram, para o cerco de Aschbouna — a Lisboa mourisca — as gentes portuguesas de Afonso Henriques. A designação «de Graça» data precisamente de 1305, nem mais ano nem menos ano.

Largo da Graça [1935]
Rua da Verónica; Regimento de Sapadores Bombeiros, 4ª Companhia, Quartel da Graça
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Aí temos o quartel n.º 5 dos Bombeiros. Foi construído em 1890-1891, ao tempo em que era Inspector dos Incêndios o Chefe Ferreira, o animador destas edificações municipais, e cuja obra está patente no Quartel da Avenida Presidente Wilson [hoje Av. D. Carlos]. Antes havia uma pequena estação, a «Bomba 15», no Largo da Graça, a oitenta passos do actual Quartel, onde está hoje [em 1939], n.º 44, uma pequena marcenaria.═
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, pp. 41-51, 1938)

Largo da Graça [1935]
Regimento de Sapadores Bombeiros, 4ª Companhia, Quartel da Graça; Rua da Voz do Operário
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Largo da Graça [1935]
Regimento de Sapadores Bombeiros, 4ª Companhia, Quartel da Graça
Casa esqueleto destinada aos treinos.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Monday, 1 February 2016

Rua da Graça

O nome deriva do antigo Convento de Nossa Senhora da Graça, começado a construir em 1271 naquele local, então conhecido por Almofala, que era um pequeno arrabalde mourisco extramuros quando as tropas de D. Afonso Henriques aí acamparam durante o cerco de Lisboa.
A Almofala mourisca tornou-se no bairro da Graça lisboeta repetida na Rua, Largo e demais topónimos que invocam o Convento de Nossa Senhora da Graça.  (cm-lisboa.pt)

Rua da Graça [1953]
Entrada do lado do Largo da Graça
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Eléctrico, carreira nº 10/11-GRAÇA (circulação). Esta carreira foi inaugurada em Julho de 1906, ligando o Rossio à Graça, via Rua do Ouro e Sé, com retorno por Sapadores e Anjos, sendo que a carreira 11 fazia o percurso inverso, chegando ao Rossio pela Rua Augusta.  Foi suprimida em 1984, por fusão com a carreira 28-B.
 
Rua da Graça [1953]
Junto ao n.º 66; os casebres à dir. foram entretanto demolidos para alargamento da via.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Sunday, 5 July 2026

Palácio Figueira (ou de Santo André)

O Palácio Figueira, a Santo André, de sólidos cunhais nas prumadas extremas das suas faces, mas que não atingem toda a altura do edifício, assinala-se pela sua primitiva fachada principal orientada a Sul, e pelo robusto portal que a domina, caracterizadamente seiscentista, constituindo no exterior um curioso monumento de fisionomia lisboeta.

Palácio Figueira, a Santo André, situado entre o alto da calçada desta denominação e o começo da Calçada da Graça, é uma construção pesada, acentuadamente seiscentista (c. 1563), na qual avulta o portal nobre da fachada principal.

Palácio dos Condes da Figueira, portal nobre seiscentista |193-|
Largo Rodrigues de Freitas antigo de Santo André e, ao fundo, o trecho final da Costa do Castelo. Neste local existiu, até 1913, o Arco de Santo André. 
Portal nobre da época da fundação, em cantaria e tipologia semelhantes às das fortalezas seiscentistas. Pedra de armas da família Mendoça, que parece não ser a primitiva, franchada, com legenda, dividida por dois ângulos do brasão, AVE MARIA. (Araújo: 1949)
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O seu núcleo fundamental remonta aos fins do século xv, e foi erigido por um fidalgo, João de Memdoça, cognominado «Cação», a quem D. João II, cerca de 1490, deu licença para que construísse casa junto à muralha da cerca e postigo de Santo André. A casa solarenga fora já reedificada, quasi desde os fundamentos, no meado do s4culo XVII, apenas com um andar, e em 1676, quando do casamento da senhora Mendoça com o 2.ª Montebelo, o palácio foi acrescido de um andar nobre, recebendo ainda ampliações e beneficias. É este o actual Palácio de Santo André, que pouco dano sofreu pelo Terramoto [...]
Em 1822, D. Maria Amália Machado de Mondoça casa-se com o 1º Conde da Figueira, D. José de Castelo Branco Correia e Cunha de Vasconcelos e Sousa. Assim, o Palácio dos Mendoças entra na Casa Figueira.

Palácio dos Condes da Figueira |194-|
Largo Rodrigues de Freitas antigo de Santo André com a Calçada da Graça
Fachada Poente, no começo da Calçada da Graça, com dois corpos distintos, sendo, o de baixo, com quatro janelas de sacada, correspondente ao edifício primitivo, e o que lhe fica contíguo, mais alto e avançado, e de uma feição diferente do palácio seiscentista, enobrecido por portal nobre, da fundação do edifício e actual acesso ao palácio) de tipo setecentista.
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Em 1913 foi demolido o pitoresco Arco de Santo André, da Cerca de D. Fernando, contiguo ao palácio, e que, superiormente, punha este em ligação com as casas da entrada da Costa do Castelo.==

Nota(s): O desaparecido Elevador da Graça, semelhante ao da Estrela-Camões, percorria o trajecto Largo da Graça, Largo e Calçada de Santo André (contornando o Palácio Figueira), Calçada dos Cavaleiros, Rua da Mouraria, Carreirinha do Socorro e Rua Nova da Palma, surgindo a maior dificuldade na transposição do velho Arco de Santo André.

Calçada da Graça |c. 191-|
Palácio Figueira, portal setecentista.
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Calçada da Graça — onde se encontra a Fachada Poente com seu portal setecentista deve o nome do antigo Convento de N. S. da Graça, começado a construir em 1271 no local conhecido por Almofala, que era um pequeno arrabalde mourisco extramuros quando as tropas de D. Afonso Henriques aí acamparam durante o cerco de Lisboa. A Almofala mourisca tornou-se no bairro da Graça lisboeta repetida na Rua, Largo e demais topónimos que invocam aquele convento.
____________________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, pp. 12-14, 1938.
idem, Inventario de Lisboa, Fasc. VI, 1949.

Friday, 30 July 2021

Rua dos Lagares que foi caminho da Carreirinha

O olisipógrafo Luís Pastor de Macedo na sua Lisboa de Lés a Lés, defende que uma azinhaga existente em 1510 perto do lagar de azeite de Pero Lopes do Carvalhal «tem todas as possibilidades de ser a antecessora da citada rua. (...) Com respeito ao caminho da Carreirinha, forma por que foi designada primitivamente a rua de que nos ocupamos ela reaparece em 1738, continuando depois a ser usada durante algumas dezenas de anos» e observa que «no século XVIII o nome de Carreirinha é aplicado ao mesmo tempo que se aplica os de rua da Graça, rua Nova da Graça, rua da Graça atrás dos Lagares e rua detrás dos Lagares, circunstância que pode levar a supor-se que a serventia estivesse talvez dividida em duas denominações, pelo menos.» para concluir que «Esta rua é a antiga Carreirinha, a rua do Lagar das Olarias dos meados do século XVI, e a actual rua dos Lagares.§
(MACEDO, Luís Pastor de, Lisboa De Lés-a-Lés, vol. III, 1940-1943)

Rua dos Lagares [c. 1900]
À esquerda, a Calçada do Monte e, à direita, o Largo das Olarias; ao fundo, a torre
sineira do Convento da Graça.

Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Por seu lado, Norberto de Araújo diz que «a Rua dos Lagares — que foi nos séculos velhos «Rua por trás dos Lagares» — , muito calma, a mais grave do sítio, e cujo lado direito, sobre o Largo das Olarias, acusa aspecto mais antigo. Encosta pelo lado oposto ao que foi a Cerca dos frades da Graça, e cujo terreno em parte ainda é pertença do Quartel da Graça, que herdou o Convento.§
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 33, 1938)

Rua dos Lagares, 14 [c. 1900]
Topónimo fixado na memória da cidade em data que se desconhece e por terem aí
existido uns lagares de azeite.

Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente


Sunday, 29 October 2023

Jardim Augusto Gil

Por volta de 1700 é que começou em definição urbana o Largo da Graça — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , dando foros ao sítio velho.
Aqui temos o Jardim, pequeno e inocente Jardim de namorados de quinze anos — , do qual desapareceram algumas boas espécies de acácias e lódãos que até há pouco nele existiam; foi construído sobre a encosta, para o que foi preciso levantar, em 1881-1882, a cortina gradeada que nele vemos.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 49, 1938)

Jardim Augusto Gil |c. 1952|
Largo da Graça
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

Localizado junto à Igreja e antigo Convento da Graça, é um jardim modesto, de pequenas dimensões, pontuado por algumas árvores e canteiros e uma estátua figurativa em bronze de autor desconhecido, de bronze, intitulada 'Mãe e Filho', que evoca a relação maternal. Possui ainda uma escadaria, alguns bancos que apelam ao descanso e instalações sanitárias e, na década de \960, uma Biblioteca Municipal ao ar livre. Próximo do Miradouro da Graça [actual Sofia de Mello Andresen] onde se pode apreciar uma das melhores vistas sobre a cidade de Lisboa.

Jardim Augusto Gil, Biblioteca Municipal |1961|
Largo da Graça
Armando Serôdioin Lisboa de Antigamente

Sunday, 16 September 2018

Ermida de Nossa Senhora da Glória (ao Cardal da Graça)

Havia dias em que, sem repousar, correndo pelas ruas, esbaforido, eu ia à missa das sete a Santana, e à missa das nove da Igreja de São José, e à missa do meio-dia na ermida da Oliveirinha — assim era o dia-a-dia de Teodorico Raposo – o protagonista e narrador de "A Relíquia" de Eça de Queiroz.
Descansava um instante a uma esquina, de ripanço debaixo do braço, chupando à pressa o cigarro; depois voava ao Santíssimo exposto na paroquial de Santa Engrácia, à devoção do terço no convento de Santa Joana, à bênção do Sacramento na capela de Nossa Senhora, às Picoas, à novena das Chagas de Cristo, na sua igreja, com música. Tomava então a tipóia do Pingalho, e ainda visitava, ao acaso, de fugida, os Mártires e São Domingos, a igreja do convento do Desagravo e a Igreja da Visitação das Salésias, a capela de Monserrate, às Amoreiras e a Glória ao Cardal da Graça, as Flamengas e as Albertas, a Pena, o Rato, a !
[QUEIROZ, Eça de, A Relíquia, 1887]

Ermida de Nossa Senhora da Glória |c.1900|
Rua de Nossa Senhora da Glória (ao Cardal da Graça)
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Estamos agora defronte da Ermida de Nossa Senhora da Glória — diz o ilustre Norberto de Araújo. É esta Ermida posterior ao Terramoto, pois foi construída em 1757 pela Irmandade daquele orago. Nela esteve, naquele ano, instalada provisoriamente a paroquial de Santa Maria Maior (Sé Patriarcal). Interiormente, a Ermida é pobre, sem capelas no corpo da Igreja, que apresenta apenas um interessante tecto, em arco de cesto, pintado a claro escuro. Nos topos tem apenas dois altares: o de N. Sr.ª das Dores e o de N. Sr.ª de Fátima.

Ermida de Nossa Senhora da Glória |1944|
Rua de Nossa Senhora da Glória (ao Cardal da Graça)
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

A Capela-Mór [vd. 3ª foto] já tem que ver. Observa esses painéis laterais de azulejo, guarnecidos de florões policromos, de bons amarelos, e sobrepujados por legenda.
Nessas legendas-uma em cada lado da capela — se atesta, na da esquerda que em 1 de Novembro de 1755 descansou aqui um sacerdote que conduzia o Santíssimo, e o povo se prosternou ante a sagrada partícula, e na da direita que em 1 de Novembro de 1757 se transferiu para esta Ermida a Imagem de N. Sr.ª da Glória.

N.B. O painel representativo da Senhora da Glória era objecto de culto e de muita devoção da população local.

Ermida de Nossa Senhora da Glória, Capela-mor |c.1900|
O altar-mor está separado por um arco redondo e apresenta uma falsa abóbada de madeira
Rua de Nossa Senhora da Glória (ao Cardal da Graça)
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p+. 26-27, 1938.

Friday, 11 March 2016

Rua do Arco da Graça: Hospital de São José

Frei Agostinho de Santa Maria informa-nos: «No mesmo bayrro da Mouraria, mas para a parte do Occidente, em hua porta que fica mais assima do Jogo da Péla, caminho pelo Rocio de Sam Domingos para o Collegio da Companhia de Jesus, se vê collocada hua Imagem de nossa Senhora com o título da Graça, a qual se colocou sobre a mesma porta em dez de Janeiro do anno de 1657». [...]
(MACEDO, Luís Pastor de, Lisboa de Lés-a-Lés, Vol. I, 1941)

Rua do Arco da Graça |1903-03-08|
Junto à Tv. do Gaspar Trigo e da Cç. do Jogo da Pela
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Hospital Geral. Antigo Convento e Colégio jesuíta de Sto. Antão-o-Novo, classificado como Imóvel de Interesse Público, construído a partir de 1579 sob o risco de Baltazar Álvares. A Igreja foi edificada entre 1613-1653, segundo projecto de um discípulo de Terzi, à qual foi acrescentada, em 1696, a sacristia barroca, projectada por João Antunes

Rua do Arco da Graça [1966] 
Ao fundo, o
pórtico sul do Hospital de São José
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

A partir de 1770 instalou-se, no extinto convento/colégio, o Hospital de S. José, em substituição do Hospital Real de Todos-os-Santos, arruinado pelo terramoto. Sobreviveu a primitiva sacristia, hoje capela do hospital e classificada como Monumento Nacional, sendo de destacar o pórtico sul, encimado pelo brasão de D. José, que dá acesso a um pátio com estátuas dos Apóstolos pertencentes à igreja do extinto convento e os azulejos da escadaria do hospital.

Rua do Arco da Graça |1953|
Pórtico sul do Hospital de São José encimado pelo brasão de D. José; Rua José António Serrano.
Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente
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