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Wednesday, 16 September 2015

Mercado de S. Bento

O mercado de S. Bento! Era bem curioso, a despeito da miséria que deixava transparecer nesses lugares de velharias. Foi sacrificado ao Palácio, como o foram já dois prédios do recanto do Largo. Era aqui a horta dos frades de S. Bento, ainda do século passado [XIX]. A designação de Largo de S. Bento datava do ano da inauguração do Mercado.

(ARAÚJO,  Norberto deo, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 33, 1939)


Mercado de São Bento, entrada S. [ant. 1938]
Praça de São Bento; Palácio de São Bento
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Mercado de São Bento, entrada N. |1908|
Praça de São Bento; Palácio de São Bento
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

A parte ocidental da cidade tinha também um mercado próprio, o Mercado de S. Bento, situado na Rua de S. Bento e inaugurado em 1 de Janeiro de 1881. O edifício foi construído em ferro, com projecto do arquitecto E. A. Bettencourt. Tinha 3 entradas, 29 tendas, cada uma com 22 lugares. Vendia hortaliça, frutos, aves, carnes, pescado, bebidas, e toda a espécie de víveres. Com o decorrer dos anos foi-se transformando em local de venda de ferro-velho, tal o seu concorrente de Santa Clara. Construído pela Companhia dos Mercados Edificações Urbanas, que teve o direito de o explorar por cinquenta anos no fim dos quais o entregou à Câmara. Foi demolido em Abril de 1938.

Mercado de São Bento, entrada N. |ant. 1938|
 Praça de São Bento; Palácio de São Bento
Ao fundo destaca-se o Arco de S. Bento, actualmente na Pç. de Espanha.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Mercado de São Bento, entrada poente |1908|
Praça de São Bento; Palácio de São Bento
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente
Mercado de São Bento, interior |1907|
Praça de São Bento; Palácio de São Bento
No mercado de São Bento até havia alfarrabistas, um exemplo disso era este homem na foto, conhecido como o mano João.

Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Mercado de São Bento, entrada Sul |c. 1938|
Praça de São Bento
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 17 May 2026

Desmontagem do Arco da Rua de São Bento

Construído em 1758, este arco estava integrado na Galeria da Esperança do Aqueduto das Águas Livres. Foi desmontado em 1938-39 em consequência das obras de remodelação do espaço em frente do Palácio de São Bento.
Esteve desmontado durante décadas, primeiro nos jardins do Palácio da Ajuda e depois na Praça Espanha, onde foi finalmente reconstruído em 1998.

 Desmontagem do Arco da Rua de São Bento |1938-12-15|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O Arco de S. Bento é de ordem dórica e conduzia a água para o chafariz da Esperança. É, tal como o das Amoreiras, seu gémeo, mas sem a imponência  deste que celebra, triunfalmente, a entrada das águas na cidade.

  Desmontagem do Arco da Rua de São Bento |1938-12-15|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

De acordo com o olisipógrafo Matos Sequeira a parte da moderna rua deste nome, desde o entroncamento dos Poiais até onde depois se ergueu o Arco, foi conhecida por diversos nomes até à sua inclusão no arruamento.
Em 1626, pela designação: defronte de São Bento-o-Novo; em 1639, volta de São Bento, ou defronte da horta; em 1650, simplesmente volta de São Bento; em 1656 e 1657, defronte da horta de São Bento; e, em 1668 e 1669, por frontaria da horta de São Bento ou só frontaria de São Bento. [Sequeira: 1917]

Desmontagem do Arco da Rua de São Bento |1939-02-16|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Desmontagem do Arco da Rua de São Bento |1939-03-26|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Tuesday, 26 April 2016

Arco de S. Bento (actualizado)

O Arco, de autor desconhecido (séc. XVIII/XIX), esteve neste local até ao final dos anos trinta do séc. XX (1938), altura em que, a remodelação do antigo Palácio das Cortes, actual Assembleia da República, implicou que as suas pedras fossem desmontadas e numeradas, tendo sido reconstruido na Praça de Espanha em 1998..

Arco de S. Bento, Rua de S. Bento [Início séc. XX]
Autor não identificado

De acordo com o olisipógrafo Norberto de Araújo «Era aqui a horta dos frades de S. Bento, ainda do século passado [séc. XIX]. A designação de Largo de S. Bento datava do ano da inauguração do Mercado. E o Arco? Desapareceu integralmente há meia dúzia de dias, e levou sete longos meses a deitar abaixo, sendo numeradas tôdas as pedras para uma projectada edificação, meramente decorativa. Talvez venha o Arco a ser reerguido neste Largo, que será ajardinado — tal um arco romano no meio de uma praça moderna de cidade velha. 

Arco de S. Bento, Rua de S. Bento [1910]
Proclamação da República na varanda do palácio de São Bento.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
 
E o Arco, afinal, pouco tinha de pergaminhos. Fazia parte da grande obra das Águas Livres, e conduzia a água para o Chafariz da Esperança, não exercendo, contudo, mais do que uma função decorativa desde há alguns anos. De ordem dórica, harmonioso de linhas, coroado por um frontão — o Arco de S. Bento fazia parte das curiosidades majestosas de Lisboa. Voltaremos a vê-lo?»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 33, 1930)

Arco de S. Bento, Rua de S. Bento [1937]
Desmantelamento do Arco de São Bento, fachada sul.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 20 November 2019

Mosteiro de S. Bento (da Saúde ou dos Negros)

Da actual Estrela  — recorda Norberto de Araújo — até ao fundo do que é S. Bento havia, em encosta, no século de quinhentos duas herdades ou grandes quintas contíguas: a de cima, propriedade de Luiz Henriques; a de baixo, de Antão Martines. 


Os frades beneditinos de Tibães já se tinham instalado em 1573 na quinta do Henriques, onde construíram um pequeno Convento, chamado mais tarde de Nossa Senhora da Estrêla ou da Estrelinha.
Como este fosse pequeno, os monges deitaram os olhos para as terras que desfrutavam só com os olhos, e suas não eram, as do Martines, e compraram-nas, por tal sinal por uma tuta e meia (1596). A essa quinta chamava o povo a Quinta (ou Casa) da Saúde, porque em 1569 e 1570, por ocasião de uma peste, aqui se instalara uma espécie de hospital de pestilentos.
É esta a razão por que ao grande Convento novo se chamou de S. Bento da Saúde¹

O antigo Mosteiro de S. Bento (da Saude ou dos Negros) já depois de convertido em Palácio das Cortes nos meados do século XIX [c. 1854]
Nota-se a Calçada das francesinhas (principio da actual Calçada da Estrela) entre as hortas dos frades (de S. Bento) e a das freiras (da Esperança), esta a sul. vê-se também o Mosteiro das Francesinhas à esquina do Caminho Novo ((hoje Rua de João das Regras).
Aguarela de Jan Lewicki, 
in Lisboa de Antigamente
Mosteiro de S. Bento [c. 1900]
Em primeiro plano pode ver-se o Arco de S. Bento.
José Artur Leitão Bárcia, in Lisboa de Antigamente

A origem do Palácio de S. Bento remonta a 1598, ano em que se iniciou a construção do convento beneditino na Quinta da Saúde. O arquitecto régio Baltasar Álvares foi o autor do projecto, continuado depois da sua morte por Frei Pedro Quaresma e por Frei João Turriano, e nunca concluído na totalidade dada a magnificência a que aspirava. Até 1833 o edifício pertenceu aos Frades Negros de Tibães e era conhecido por Convento de S. Bento da Saúde, sendo sua padroeira Nossa Senhora da Saúde cuja imagem existia no altar-mor da igreja conventual. 
O mosteiro foi submetido ao longo da sua história a constantes alterações arquitectónicas e acrescentos, na sequência de grandes incêndios e do terramoto de 1755, época em que ainda não tinham terminado as respectivas obras de acordo com o projecto inicial e nem estava concluída a capela–mor. Outras modificações resultaram de adaptações a novos gostos e novos estilos arquitectónicos e decorativos. 
O edifício do mosteiro, por ser demasiado vasto e em grande parte desocupado, teve a partir de então utilizações diversas tais como Arquivo da Torre do Tombo, a Patriarcal, hospedaria de bispos, “prisão”, Academia Militar, armazém dos despojos militares franceses e sepultura de muitos mortos, como o embaixador de Espanha. 

Perspectiva do Mosteiro de São Bento da Saúde (pormenor), cópia anónima do projecto de Baltasar Álvares [c. 1730-1750]
in Lisboa de Antigamente

No edifício restam, para além da matriz arquitectónica edificada no séc. XVII, o Refeitório dos Frades, com o pavimento original de mármore branco e negro e painéis de azulejos de c. 1770 com episódios da Vida de S. Bento, a igreja conventual com pavimento de mármore branco e rosa e actualmente Átrio do Palácio, o claustro ainda que reduzido e alterado na década de [19]30. A inacabada cripta do Marquês de Castel-Rodrigo situada sob a capela-mor da igreja sabe-se que ainda existe, embora permaneça por localizar.

N.B. Com o decreto real de D. Pedro IV, datado de Setembro de 1833, as duas Câmaras – Pares e Deputados – foram instaladas no edifício do Mosteiro de S. Bento que passou a designar-se Palácio das Cortes. O seu recheio foi nessa altura disperso e encontra-se actualmente em outras igrejas de Lisboa e em museus. Depois de um incêndio em 1895 ter destruído por completo o edifício, foi decidido reedificá-lo de raiz, com o objectivo de prosseguir a sua missão legislativa.

Palácio de S. Bento depois de convertido em Palácio das Cortes [1858]
Rua de S. Bento
Era um dos mais imponentes edifícios de Lisboa, apesar de nunca concluído, um mosteiro de grande prestígio a cujas cerimónias acorriam a corte e as grandes famílias da nobreza. A sua decadência tem início a partir do governo de Marquês de Pombal, e acentuada pelas Invasões Francesas e pelas Guerras Liberais culmina em 1834 ao serem extintas as ordens religiosas e as suas propriedades integradas nos bens do Estado.
Amédée de Lemaire-Ternante, 
in Lisboa de Antigamente
Mosteiro de S. Bento [ant. 1896]
Mosteiro de São Bento da Saúde (1598); Palácio das Cortes (1834); Congresso da República (1910); Assembleia da República
Largo de São Bento (antigo das Cortes); Rua de São Bento; Rua Correia de Garção; Calçada da Estrela
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 32-34, 1939.
SANTOS, Maria José Silva, O parlamento de Portugal, p. 75, 2002.
parlamento.pt.

Friday, 19 November 2021

Rua de S. Bento

O nome do sítio de São Bento data do séc. XVI em que o topónimo do local era feito por referência ao Convento de frades beneditinos que vieram de Tibães.
Segundo o olisipógrafo Norberto Araújo, em Peregrinações em Lisboa, da Rua dos Poços dos Negros até ao Largo passado o Arco de S. Bento, o topónimo Rua de S. Bento seria antigo. Dali para cima até ao Rato, considerava ser do séc. XVIII já que eram os Olivais de S. Bento e antes Rua Nova de Colónia
Segundo outro olisipógrafo, Luís Pastor de Macedo, em Lisboa de Lés-a-Lés, o troço superior da Rua de S. Bento poderia anteriormente ter sido designado como Rua de S. Bento às Trinas, por referência às Trinas do Rato.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 33, 1938-39)

Rua de S. Bento [1911]
O Arco de S. Bento, de autor desconhecido (séc. XVIII/XIX), esteve neste local até ao final dos anos trinta do séc. XX (1938), altura em que, a remodelação do antigo Palácio das Cortes, actual Assembleia da República, implicou que as suas pedras fossem desmontadas e numeradas, tendo sido reconstruído na Praça de Espanha.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Aquele terreno que existia murado em frente do velhinho Mosteiro de S. Bento da Saúde — depois sede do Parlamento — formava declive para a Rua de S. Bento, pois o edifício ficava no alto, imponentemente, tendo aos pés as ruelas e hortos. Terraplanou-se, construiu-se um muro de defesa e ficou um largo, onde as carruagens dos parlamentares esperavam a sua saída. Cavalos de seges e depois os das tipóias comiam as suas rações sob as árvores , os segeiros e cocheiros pugnavam entre si , enquanto lá dentro tronitroavam os representantes do povo.

Rua de S. Bento, Arco e Palácio de São Bento [1901-1908]
O arco, a escadaria e o paredão foram demolidos por ocasião das obras de terraplanagem e de remodelação do Palácio de São Bento em 1938-1939, dando lugar à configuração actual.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Saturday, 1 October 2016

Rua de São Bento

Vamos entrar na Rua de S. Bento, que bem corrida dá pelo menos dez tostões por dia


Isto dizia-se há cinquenta anos — escreve Norberto de Araújo em 1939 — acerca dos mendigos de profissão; tão comprida é a rua que, com método e paciência, um «pobre», começando cedo, e recolhendo um óbulo de de cinco réis em cada uma das duzentas portas onde batesse, ganhava a sua jorna. 
Pois não vamos percorrer esta extinta extensa artéria como o faziam os pedintes de há meio século, embora mesmo sem bater a porta alguma, muito ganhássemos em curiosidade satisfeita. 

Rua de São Bento, 181, esquina com a Rua de Santo Amaro, 1 [1908]
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A Travessa de Santa Quitéria (1759), tal como a Rua de Santo Amaro, as Travessas de Santa Gertrudes (hoje Rua de Teófilo Braga), de S. Plácido, de Santa Escolástica (hoje Rua dos Ferreiros [à Estrela]), de Santo Ildefonso (todas datando de 1763), e a Rua de S. Bernardo, trinta anos mais moderna do que as anteriores, foram talhadas na cêrca do Convento de S. Bento; os nomes, postos pelos frades, são os dos santos da sua Ordem.

Rua de São Bento, 458 [c 1910]
Pátio do Gil — casa onde nasceu a 29 de Abril de 1810,
e viveu muitos anos, Alexandre Herculano; demolido na década de 1950.
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Esta Rua de S. Bento do nosso lado esquerdo [de quem desce] — recorda-nos Norberto de Araújo —, era cheia de pátios, muitos desaparecidos; (...) o Pátio do Gil, que se rasga no prédio nº 458, este que vês com sete varandas no primeiro andar, acusando velhice, e um arco com passadiço ao fundo do qual está o mísero pátio, com seus casebres, que fazem um todo com a propriedade fronteira à rua. Conforme atesta a lápide colocada, em 26 de Abril de 1910, sobre a verga da porta, aqui nasceu a 29 de Abril de 1810, e viveu muitos anos  Alexandre Herculano, em casa mais tarde transfigurada do velho jeito de setecentos. O Gil, que deu nome ao Pátio, foi um António Rodrigues Gil, mestre carpinteiro, tio-avô, por parte da mãe, do grande historiador, e que principiou por construir aqui umas pequenas casas em 1756, no prédio habitou também o Arquitecto Manuel Caetano de Sousa, irmão do avô materno de Herculano.

Rua de São Bento, 634 [ant. 1908]
O Music-Hall de S.Bento-Rato funcionou como recinto de variedades na primeira década
do século XX.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
 
Nesta extensa artériae já muito próximo do Largo do Rato — existiu até c. 1910(?) o Music-Hall de S.Bento-Rato. um recinto de variedades ou «Casino», como eram  denominados à época este tipo de casas de espectáculos. E como na realidade se trata de uma rua «tão comprida», voltaremos a palmilhá-la em futuras «Peregrinações», sempre na companhia do ilustre mestre Norberto de Araújo. Até lá.
____________________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 29-31, 1939.

Sunday, 1 October 2017

Igreja de S. Miguel

A Igreja bairrista de S. Miguel é das mais bonitas de Lisboa, rica de talhas, exemplar quási puro do estilo religioso decorativo de seiscentos, na sumptuária doirada que caracterizava a época.


A paroquial de S. Miguel — recorda-nos o ilustre Norberto de Araújo — existia já nos meados do século XVI (1551, pelo menos), mas devia ser muito mais antiga, pois uns cento e vinte anos depois estava de tal maneira ameaçando ruína que houve de ser reconstruída de alto abaixo, como se igreja nova fosse (1674).
Em alguns escritores aparece como existente já no século XIII, coeva de Santo Estêvão (1295), anterior pois à dc S. João da Praça. Nos seus primeiros ciclos de anos, S. Miguel de Alfama olhava o mar do alto da sua encosta, e não estaria envolta de tanto casario como no tempo da reedificação.
O Terramoto destruiu-a em parte, e o que escapou não oferecia segurança, pelo que se decidiu reedificá-la, sensivelmente como hoje se encontra.
 
Igreja de São Miguel  [1899]
Largo de São Miguel
Sobre a cimalha ao centro abre-se um nicho, encimado por frontão triangular
com aletas, o qual acolhe uma imagem de S. Miguel. A escadaria foi substituída em 1962.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

S. Miguel, freguesia bairrista por excelência, apresenta a sua paroquial com relativa imponência, para a modéstia do sítio. Duas torres, uma das quais hoje [1939] apenas é sineira, um alçado central no qual se ostenta num nicho uma escultura de S. Miguel, que não deve ser a primitiva pois o frontispício da velha igreja caiu em 1755; três portas, uma das quais, a principal, se destaca pela altura e guarnição, e ainda três janelas rasgadas no segundo entablamento, compõem o conjunto da frontaria, voltada a Sul.

Igreja de São Miguel, abside [1899]
Escadinhas de São Miguel
O edifício que se prolonga da Igreja a norte foi desanexado em 1911.
Machado & Souza, , in Lisboa de Antigamente

Vejamos o templo interiormente.
É de uma única nave, com três capelas por banda, uma das quais, a extrema do lado direito, não existe armada, dela se conservando apenas o arco. Estas capelas são: pela direita a de S. Sebastião e logo a de N. Sr.ª das Dores, pois não existe a terceira; pela esquerda, as de Santo António, do Senhor Jesus das Almas, e a que foi do Santíssimo, hoje sem culto.
Nos topos, ao lado do arco da Capela-mor, temos dois altares, o de S. Coração de Jesus, do lado do Evangelho, e o de N. Sr.* da Conceição, da lado da Epístola.
O tecto é de masseira, com pinturas em quinze rectângulos, representando símbolos da Eucaristia.
Toda a Igreja é interiormente revestida de mármores; ricos os altares de talha, não há pedaço de parede que não esteja coberto de quadros, de grossas molduras douradas, mesmo nos intercolúnios, dando assim um conjunto semelhante, posto que menos rico, ao de Santa Catarina, no antigo Convento dos Paulistas.
Estas pinturas, quási todas de Bento Coelho da Silveira — assim anda escrito — têm indiscutível merecimento; representam passos da Bíblia.
Aos lados do arco da capela-mor, sobre os pequenos altares, vêem-se quadros representando os quadros representando os quatro doutores da Igreja, Santo Agostinho, Santo Ambrósio, S. Jerónimo e S. Gregório, dois de cada lado. Também no coro existem dois quadros de assuntos bíblicos. 

Igreja de São Miguel, nave, capela-mor  [1963]
Largo de São Miguel
O interior é de nave única, coberta por tecto de madeira, com pinturas de José Ferreira de Araújo. São de salientar as 16 telas, algumas atribuídas a Bento Coelho da Silveira e emolduradas com talha, e a capela-mor igualmente revestida de talha dourada barroca, estilo joanino.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

A capela-mor é exuberante de boa talha no altar, no qual, sobre o sacrário, se vê S. Miguel, e, aos lados, S. José e N. Sr.ª da Boa Viagem. O tecto é também de talha rica na qual se abrem cinco medalhões com pinturas [de José Ferreira de Araújo]. As paredes são almofadadas de mármore e o chão é também de pedra nobre. Nas paredes laterais desta capela ostentam-se enormes esculturas que representam os quatro evangelistas. Eis um conjunto que transcende da vulgaridade. [...]
O edifício que se prolonga da Igreja a norte [vd. 2ª imagem] foi desanexado em 1911, e nele estão instaladas a Cantina de S. Miguel e a Junta de Freguesia. 

Igreja de São Miguel, fachada lateral [1899]
Calçadinha (Beco) de São Miguel
Machado & Souza, , in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, pp. 55--57, 1939.

Sunday, 24 June 2018

Rua Correia Garção: o «Quarteirão dos padres Bentos»

Ocupando o espaço todo desse grande quarteirão, desde a moderna Rua Correia Garção [rasgada por volta de 1912] —  diz Norberto de Araújo — até à confluência dos Poiais, era a chamada «Frontaria de S. Bento», terrenos do Convento nos quais os frades nos meados do século XVII já haviam consentido a construção de casas, à margem do caminho rústico; eles próprios, depois do Terramoto (1760), fizeram erguer uma grande correnteza de prédios que foram a base dos que depois se reedificaram, e aí tens à vista. Eram as «Casas» ou «Quarteirão dos padres Bentos», representadas hoje por este enorme renque de quatro prédios contíguos, n.°” 53 a 107 [hoje n.°” 1 a 17], com 112 janelas, e o seu ar sólido de rendimento.¹

Rua Correia Garção |ant. 1938|
«Poeta Arcádico do século XVIII»
Perspectiva tomada da Rua das Francesinhas e, à direita a Calçada da Estrela; ao fundo, a Rua  de São Bento vendo-se o antigo Arco.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O topónimo Rua Correia Garção foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa através de Edital de 20/09/1912 ao arruamento que «liga a Calçada da Estrela com a Rua de S. Bento no ponto da muralha de suporte de terraplano do Parlamento».
Foi suprimida a legenda «Poeta Arcádico do século XVIII» por parecer da Comissão de Toponímia em 16/12/1946.

Rua Correia Garção |ant. 1938|
«Poeta Arcádico do século XVIII»
Ao fundo, Rua e o antigo Arco de São Bento; por esta altura estava em construção a escadaria do Palácio de S. Bento.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Poeta português do Neoclassicismo, de nome completo Pedro António Correia Garção (1724-1772), nasceu na Rua do Benformoso em Lisboa. Frequentou o curso de Direito da Universidade de Coimbra, não chegando, contudo, a terminá-lo. Em 1756, juntamente com Cruz e Silva, Teotónio Gomes de Carvalho e Manuel Nicolau Esteves Negrão, fundou a Arcádia Lusitana, utilizando como pseudónimo arcádico Coridon Erimanteu. Foi escrivão na Casa da Índia e dirigiu a Gazeta de Lisboa de 1760 a 1762. Em 1771 foi detido no Limoeiro (onde veio a falecer) por ordem do Marquês de Pombal, por razões não esclarecidas. É considerado um dos mais importantes poetas neoclássicos da literatura portuguesa.²

Rua Correia Garção |1938|
«Poeta Arcádico do século XVIII»
Perspectiva tomada do Palácio de S. Bento da «correnteza de prédios que foram a base dos que depois se reedificaram, e aí tens à vista. Eram as «Casas» ou «Quarteirão dos padres Bentos». [Araújo:1939] 
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 40, 1939.
² cm-lisboa.pt.

Sunday, 29 January 2017

Palacete Vilhena

Vamos entrar na Rua de S. Bento, que bem corrida dá pelo menos dez tostões por dia. Isto dizia-se há cinqüenta anos àcêrca dos mendigos de profissão; tão comprida é a rua que, com método e paciência, um «pobre», começando cedo, e recolhendo um óbulo de de cinco réis em cada uma das duzentas portas onde batesse, ganhava a sua jorna.


O nome do sítio de São Bento data do séc. XVI em que o topónimo do local era feito por referência ao Convento de frades beneditinos que vieram de Tibães.
Segundo o olisipógrafo Norberto Araújo, em Peregrinações em Lisboa, da Rua dos Poços dos Negros até ao Largo passado o Arco de S. Bento, o topónimo Rua de S. Bento seria antigo. Dali para cima até ao Rato, considerava ser do séc. XVIII já que eram os Olivais de S. Bento e antes Rua Nova de Colónia
Segundo outro olisipógrafo, Luís Pastor de Macedo, em Lisboa de Lés-a-Lés, o troço superior da Rua de S. Bento poderia anteriormente ter sido designado como Rua de S. Bento às Trinas, por referência às Trinas do Rato.

Palacete Vilhena [1908]
Rua de S. Bento, 183-189
Ao fundo, a casa onde viveu a fadista Amália Rodrigues.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Ora, Dilecto, observa quão delicada é, em bom gosto português, a edificação urbana da esquina da Rua de Santo Amaro, lado norte, n.°* 183-185 189, com suas doze sacadas muito unidas, num único andar; o prédio, que foi restaurado da primitiva traça setecentista por Tertuliano Marques em 1933 (existia em 1763), pertenceu à família Leite Ribeiro Freire e no fim do século passado era do chefe político e académico Dr. Júlio de Vilhena, pertencendo hoje a seu filho Dr. Ernesto de Vilhena, que nele habita.
Esta antiga residência classificada como património do Município de Lisboa foi reabilitada em 2008 e transformada empreendimento residencial.
 
Palacete Vilhena [1968]
Rua de S. Bento, 183-189
Ao fundo, a casa onde viveu a fadista Amália Rodrigues.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 32), 1939.
cm-lisboa.pt.

Friday, 31 May 2019

Chafariz da Praça das Flores (ou do Monte Olivete)

Este era o chafariz n.º 11. Inicialmente situava-se perto do Arco de São Bento. O Arco foi demolido em 1838 e o chafariz, por sua vez, foi mudado para o início da Rua do Monte Olivete, junto à Praça das Flores. Foi mandado construir pela Direcção das Águas Livres em 12 de Junho de 1805.
Os seus sobejos eram repartidos por D. Genoveva Alexandrina e José Ramos da Fonseca. D. Genoveva tinha sido lesada com a destruição de algumas das suas propriedades  (entre a Rua do Arco a S. Mamede, e a a antiga Travessa do Pombal, hoje Rua da Imprensa Nacional) aquando da construção do Aqueduto para o Chafariz da Esperança  e não recebera indemnização, sendo a metade dos sobejos da água deste chafariz uma forma da a recompensar.

Chafariz da Praça das Flores ou do Monte Olivete [entre 1885 e 1910]
Largo Agostinho da Silva
Atrás, a Rua Prof. Branco Rodrigues
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Este chafariz não encosta à parede. Tem uma planta poligonal. É esquinado de pilastras encimadas de urnas. No seu lado frontal apresenta as armas reais da centúria de setecentos sobre molduras e requebros curvilíneos, rematado por um frontão em arco quebrado, semelhante a uma chaveta, e ladeado por 2 das pilastras, apresentando uma bacia de recepção de águas, ampla, que percorre toda a base frontal..
Em 1851, tinha duas bicas, duas companhias de aguadeiros, dois capatazes, sessenta e seis aguadeiros e um ligeiro.

Chafariz da Praça das Flores ou do Monte Olivete [c. 1941]
Largo Agostinho da Silva
Confluência da Rua Marcos Portugal, Praça das Flores e Rua do Monte Olivete
António Passaporte, iin Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ANDRADE, José Sérgio Veloso de - Memória sobre chafarizes, bicas, fontes, e poços públicos de Lisboa, Belém, e muitos logares do termo, 1851.

Sunday, 2 July 2023

Exposição Lisboa Antiga

A exposição «Lisboa Antiga» — reconstituição em miniatura de um antigo bairro lisboeta anterior a 1755  — , é inaugurada a 4 de Junho de 1935 no contexto das Festas da Cidade, ocupando o terreno da Cerca do extinto Convento do Santo Crucifixo das Capuchinhas Francesas (Convento das Francesinhas).
Uma vez demolida essa efémera (mas bem sucedida) construção, o espaço manteve-se desocupado até ser inserido no plano de embelezamento da zona de protecção do Palácio da Assembleia Nacional que, no decorrer da década de 1940, se traduziu no arranjo da envolvente do edifício, por via da construção da monumental escadaria, e da execução de um jardim no terreno das Francesinhas, no qual o seu arquitecto, Luís Cristino da Silva, previu reedificar o Arco de São Bento, demolido em 1938. O Jardim é inaugurado em 1949, sem o arco (que é reconstruído na praça de Espanha em 1998).

Exposição Lisboa Antiga, vista de S.| 1935|
O Jardim das Francesinhas, ou Jardim Lisboa Antiga, fica no cruzamento da Calçada da Estrela, ao fundo junto à Assembleia da República , com a Rua das Francesinhas, à dir..
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Nos terrenos do antigo convento das Francesinhas, podia observar-se um trecho de Lisboa do século XVII, com os seus arruamentos típicos, o seu comércio e palácios, uma curiosa miniatura, evocação da época da capa e espada, com as rondas de alabardeiros e oficiais de chapéus emplumados. Ali se vêem representadas as suas estalagens e alquilés, sem lhe faltar o Pátio das Comédias, onde tanto sucesso fizeram os autos dos nossos escritores gongóricos.

Exposição Lisboa Antiga, vista d0 N.| 1935|
Em baixo nota-se a entrada do recinto feito pela Calçada da Estrela. Ao fundo à dir. vêem-se os prédios na curva da Rua Miguel Lupi; em último plano observa-se o antigo edifício do antigo Convento das Inglesinhas (ao Quelhas), actual ISEG.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 8 December 2024

Rua do Jardim, à Estrela

Do lado sul da Rua de Santo António, à Estrela, prolonga-se até uma extensão de cento e cinquenta metros o muro da antiga cerca do Convento de D. Maria I (hoje pavilhão do Hospital Militar e já demolidos para construção da Av. Infante Santo); do lado direito — diz Mestre Araújo, a quem vamos sempre seguindo — abrem-se a Travessa e a Rua do Jardim, cujos nomes derivam do Passeio da Estrela

Rua do Jardim à Estrela com o extinto Beco do Jardim |1902-01|
Ao fundo nota-se a Rua Santo António à Estrela e a cerca do antigo Convento do Santíssimo Coração de Jesus na Praça da Estrela.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Nesta área havia muitas casas foreiras à Irmandade de Santo Onofre — não sei de que igreja — e datadas do princípio do século passado: 1802, como esta Rua do Jardim, 1804 e 1805 como algumas mais adiante. Aí temos, passado o muro da cerca, um renque de prédios setecentistas, com suas empenas de bico — n.ꟹ 1 a 19 — , e um outro, cujas portas são ainda servidas por degrau , oferecendo o seu semblante típico em janelas de reixa — n.ꟹ 21 a 27.¹

Rua do Jardim à Estrela com a Rua Domingos Sequeira |1902-01|
R. Domingos Sequeira foi rasgada por volta de1896. À esq. nota-se um troço do ramal do Aqueduto das Águas Livres que abastecia o Convento da Estrela e chafarizes desta zona. Em 1897, foi demolido um arco do aqueduto que passava sobre a R.  de Santo António à Estrela.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente
Rua do Jardim à Estrela |1902-01|
Ao fundo nota-se a Rua Domingos Sequeira. No local onde se vê a frontaria e chaminé de uma fábrica (cerâmica?) virão a ser erguidas as escadinhas que ligam àquele arruamento  [vd. imagem abaixo].
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

A origem do topónimo radica nos frades beneditinos que dedicaram a sua igreja a N. S. da Estrela, ou da Estrelinha. Os frades chegaram a Lisboa no séc. XVI e fundaram o seu 1º convento – concluído em 1571 – onde hoje é a praça e o jardim. Quando passaram para o maior, abaixo, de São Bento da Saúde, o da Estrelinha ficou para ensino dos noviços. O terramoto destruiu parte. Em 1818 parte já era secretaria dos Hospitais Militares. Com a extinção das ordens religiosas em 1834, alargou o exército a ocupação pelo que em 1837 era Hospital Militar.

Rua do Jardim à Estrela |1953|
Escadinhas construídas c. de 1915 e que ligam esta artéria à Rua Domingos Sequeira.
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p.-55, 1939.

Monday, 20 July 2015

Convento do Santo Crucifixo das Capuchinhas Francesas

Sobre a ruína do mosteiro do Santo Crucifixo paira ainda hoje a aza (sic) negra da fatalidade; e, daqui a pouco, razoirado o terreno, modificado o aspecto da rua, erguidos no seu local novos edifícios, ruirá também a própria lembrança das pobres freiras francesinhas. 
Paz às suas almas! [Sequeira: 1924]

Nesta historia verá Vossa Magestade hum edificio por todas as circunstancias Real, porque lhe deu princípio a Augustissima Rainha D. Maria Francisca Isabel de Saboya. [Barbosa: 17484]

O Convento do Santo Crucifixo das Capuchinhas Francesas, conhecido como das «Francesinhas» foi fundado em 1667 pela Rainha de Portugal Maria Francisca de Sabóia, esposa de D. Afonso VI e, em segundas núpcias, de D. Pedro II. Quando morreu, a rainha foi sepultada no convento que fundou. Em 1911, o corpo foi trasladado para o Mosteiro de São Vicente de Fora, dando-se então início à demolição do convento [vd. 3ª imagem].

Esquina da Calçada da Estrela e do Caminho Novo, hoje Rua das Francesinhas [1910]
Joshua Benoliel,
in Lisboa de Antigamente

A denominação de Capuchinhas Francesas ficou definitivamente associada ao Convento do Santo Crucifixo (denominação oficial do cenóbio) e adveio unicamente da origem das freiras fundadoras — quatro freiras clarissas que a tinham acompanhado de França D. Maria Francisca de Sabóia — , não constituindo qualquer ramo ou variação do instituto de religiosas denominado Capuchinhas, fundado em 1535 pela espanhola Maria Lorenza Longo, em Nápoles, ao qual pertenciam as monjas do convento.
O convento do Santo Crucifixo constitui um importante exemplo do que foi a arquitectura monástica no feminino, com as suas particulares exigências e necessidades. O conjunto formado pela parte edificada, cuja centralidade era marcada pelo claustro, a cerca conventual (com a sua importância no contacto com a natureza), a distinção funcional e predefinida entre os diferentes espaços e as relações entre eles (quer se destinem a meditação e oração, ao trabalho diário, ao lazer ou ao contacto com o exterior) fazem do espaço conventual uma unidade autónoma que se pretendia auto-suficiente.

Esquina da Calçada da Estrela e do Caminho Novo, hoje Rua das Francesinhas [1910]
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Na Igreja destacava-se segundo a descrição do autor anónimo, numa data em que ainda não estava concluída a capela-mor, um grande nicho sobre o arco triunfal:

[]  e sobre ele [arco] assenta hum nicho grande com columnas de talha dourada, e dentro do nicho se deyxa ver a fermosa imagem de um crucifixo, em estatura natural de um homem, e ao pé da cruz fazem assistência à sagrada imagem do Senhor, a de sua Mãy Sanctissima e do Discipulo amado e da penitente Magdalena. Esta imagem do Sancto Crucifixo dá o titulo ao mosteyro, que he o padroeyro da casa debayxo de cuja proteccção vivem as Religiosas, que à capella mor dam o titulo das Chagas de Christo
[História dos Mosteiros, Conventos e Casas Religiosas de Lisboa, 1972] 

Este nicho terá sido posteriormente fechado e as imagens colocadas em outro altar, possivelmente no compartimento que Matos Sequeira identificou como casa mortuária, no sobre claustro, e que possuía uma capela com essa invocação. O mesmo autor, refere-se à imagem de Cristo de grandes dimensões “ (…) um madeiro enorme, com a imagem do Crucificado”, na época, já retirado do seu local e colocado na sacristia junto à capela-mor. [Tição: 2007] 

Demolição do Convento das Francesinhas [1911]  
Em baixo, onde se vê o gradeamento, observa-se a Rua Miguel Lupi.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Nos jardins do Convento encontra-se actualmente o Instituto Superior de Economia e Gestão. Só em 1949 se desenhou o jardim na sua forma actual. Com uma homenagem à Família numa escultura de Leopoldo de Almeida que ornamenta um chafariz de 8 bicas. Posteriormente, foi inaugurado um monumento em homenagem a Bento de Jesus Caraça.
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