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Sunday, 20 May 2018

Chafariz de Andaluz: a "fonte dagoa dandalusos"

Desconhece-se a origem do nome do sítio. A mais simples — e. porventura,  a mais razoável — é-nos revelada por João Sousa Moura em Vestigios da lingua arabica em Portugal: ou lexicon etymologico das palavras, e nomes Portuguezes, que tem origem arabica (1789):
ANDALUZ طر اندل Andalus. Nome de hum bairro, e de hum chafariz nos arrabaldes de Lisboa, Fregue2ia de S. Sebastião da Pedreira. He appellido de hum homem natural da Andalusia, de quem o lugar tomou o nome: e vem a ser o lugar do Andaluz.


Passado o Viaduto acaba S. Sebastião, e começa Andaluz. O sítio do Andaluz — recorda-nos Norberto Araújo — é antiquíssimo, o avô de toda esta área, e a sua extensão oral foi muito vasta. Hoje está reduzido a um pequeno Largo, e — com o Largo das Palmeiras de permeio — à Rua do Andaluz, que leva à Praça José Fontana, antiga Cruz do Taboado.
Ora eis-nos defronte do famoso Chafariz de Andaluz [ou a “fonte dagoa dandalusos” (como era conhecida e designada em 1513), e da qual quis el-rei D. Manuel I trazer água para o Rossio], e que melhor diremos «Bica»  É o mais vetusto monumento — pobre monumento! — dêste género em tôda a Lisboa. A pedra da nau, de talhe bárbaro, interessantíssima, tem indiscutível valor arqueológico, e constitue um precioso elemento de estudo.

Chafariz de Andaluz [séc. XIX]
Largo de Andaluz; por trás do chafariz passa a Travessa de Lázaro Verde,
hoje Rua Actor Tasso
Fotografia anónima, in Lisboa de Antigamente

Na inscrição — que não nos é possível ler — vê-se a data de 1374 [vd. N.B.]. O Chafariz do Andaluz, no século XVI muito discutido em demandas para aproveitamento das suas águas, guarda a sua nascente num poço do quintal de um prédio, n.° 26, da Rua de S. Sebastião, onde hoje está instalado o Colégio Parisiense, prédio com quinta que pertenceu no século passado ao ministro do Bairro do Andaluz, João António Mayer; a quinta era no século XVIII de Francisco Garcia Lima, e fôra no principio do século XVI de D. Filipa Mendes. Certo é que desde 1524, pelo menos, a água estava municipalizada.
Há cêrca de vinte anos [c. 1919] a Junta de Freguesia tomou à sua conta a defesa do Chafariz, cuja água diziam. inquinada na passagem dos canos da nascente até ao tanque; a Câmara procedeu a vistorias, que se repetiram há pouco tempo.

Chafariz de Andaluz |entre 193- e 1947|
Largo de Andaluz
Observe-se o tubo de ferro perfurado para recolha da água e o suporte para recipientes.
Amaro de Almeida, 
in Lisboa de Antigamente

Pois a Bica do Andaluz — com seu tanque rectangular — é êste pouco que aqui vês. Na parede do fundo ostentam-se, como padrão, a pedra na qual se vê a nau, à esquerda, e a legenda indecifrável, à direita, e, por cima, um escudo com armas reais. Uma inscrição recentíssima diz: «Esta água é das galerias subterrâneas».

Chafariz de Andaluz |c. 1950|
Pedra de armas de D. Afonso IV sobre uma lápide bipartida, tendo, à esquerda, a nau vicentina das armas do brasão da Cidade e, à direita, a inscrição:
NA ERA DE 1374, O CONCELHO DE LISBOA MANDOU FAZER ESTA FONTE A SERVIÇO DE DEUS E DO NOSSO SENHOR REI DOM AFONSO POR GIL ESTEVES, TESOUREIRO DA DITA CIDADE, E AFONSO SOARES, ESCRIVÃO. A DEUS GRAÇAS
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Um tubo de ferro estende-se, desde há poucos anos [193-], da parede do fundo até à frente do tanque, facilitando por três orifícios [conseguimos contar cinco]  abertos nesse tubo para a colheita da água, que muitos crêem medicinal — o que não negamos.

Chafariz de Andaluz |entre 193- e 1947|
Largo de Andaluz

Pormenor do tubo de ferro instalado por volta de 1930 e os cinco orifícios para colheita da água.
Amaro de Almeida, in Lisboa de Antigamente

N.B. Inscrição gravada na lápide que mestre Araújo classifica como "indecifrável": «Na Era de 1374 o concelho de Lisboa mandou fazer esta fonte a serviço de Deus e do nosso Senhor Rei Dom Afonso por Gil Esteves, tesoureiro da dita cidade, e Afonso Soares, escrivão. A Deus graças»
Aquela data corresponde ao ano de 1336 da Era Cristã. A bica Funcionou até 1945, ano em que as suas águas foram desviadas para o esgoto por serem «provenientes de matéria orgânica». Chegou a alto estado de degradação, sendo restaurado em 1960.
____________________________________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 85-86, 1939,
Monumentos e edifícios notáveis do distrito de Lisboa, Volume 5, 1962.

Sunday, 6 August 2023

Chafariz do Largo de Andaluz

As aguas do Chafariz de Andaluz brotam no largo de Andaluz, do lado do norte do convento de Santa Joanna. São salobras e frias, marcando 22° quando a temperatura exterior é de 26°,5°. O snr. Agostinho Vicente Lourenço opina que, bem aproveitadas, estas aguas seriam uteis no tratamento de molestias cutaneas. [Otigão: 1875]

O Chafariz do Andaluz é apenas uma longa bacia rectangular, de pequena profundidade, com uma simples torneira de latão. Primitivamente era alimentado por nascente situada no logradouro de um prédio da Rua de São Sebastião da Pedreira. Encontra-se hoje escondido, no recanto formado pelo ângulo das Ruas de Santa Marta e do Actor Tasso, perto do Largo de Andaluz, à sombra de uma bela árvore. 

Chafariz do Largo de Andaluz |1965|
Em segundo plano, a Rua Actor Tasso (1909) antiga Travessa de Lázaro Verde.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente
Chafariz do Largo de Andaluz |1961|
Em segundo plano, a Rua Actor Tasso (1909) antiga Travessa de Lázaro Verde.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Apesar das apregoadas virtudes da sua água original e da longa idade que já conta, pois data de 1336 (Era de 1374), o Chafariz do Andaluz não chamaria a nossa atenção se não fora a existência, no seu espaldar, da pedra de armas de D. Afonso IV sobre uma lápide bipartida, tendo, à esquerda, a nau vicentina das armas do Brasão da Cidade e, à direita, a inscrição:
NA ERA DE 1374 (data corresponde ao ano de 1336 da Era Cristã), O CONCELHO DE LISBOA MANDOU FAZER ESTA FONTE A SERVIÇO DE DEUS E DO NOSSO SENHOR REI DOM AFONSO POR GIL ESTEVES, TESOUREIRO DA DITA CIDADE, E AFONSO SOARES, ESCRIVÃO. A DEUS GRAÇAS, segundo a leitura de Cordeiro de Sousa (M. A.).
(Monumentos e edifícios notáveis do distrito de Lisboa, Volume 5, 1962)

Chafariz do Largo de Andaluz |1939|
Destaque para Pedra de armas de D. Afonso IV sobre uma lápide bipartida, tendo, à esquerda, a nau vicentina das armas do brasão da Cidade e, à direita, a inscrição atrás referida.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Saturday, 27 August 2016

Rua de S. Sebastião da Pedreira: Viaduto de Andaluz

Ora eis-nos sob o viaduto da Avenida Fontes Pereira de Melo  — diz Norberto de Araújo . É, como vês, um túnel, ou arco de passagem com certo interêsse de construção. Começado a construir em 1898 concluiu-se em 1900: desenhou--o e executou-o o condutor de obras públicas, ao serviço da Câmara Municipal, Henrique Sabino dos Santos.
Passado o Viaduto acaba S. Sebastião, e começa Andaluz."1

Viaduto de Andaluz [190-]
 Rua de S. Sebastião da Pedreira, Largo de Andaluz
Chaves Cruz, in Lisboa de Antigamente

A Rua de S. Sebastião da Pedreira — tradicional estrada seiscentista — é um topónimo que advém do padroeiro do local, S. Sebastião.
D. João IV, no seu reinado, dedicou uma igreja no largo do mesmo nome a S. Sebastião da Pedreira, em 1652. Nesta freguesia, desde 1590 denominada de S. Sebastião da Pedreira, já existia uma pequena ermida de invocação ao santo que naquela sitio tinham construído os moradores da Rua das Arcas da freguesia de S. Nicolau, que tomaram o Santo como protector contra o mal da peste, prometendo ir lá todos os domingos com um sacerdote para celebrar missa, festejando o orago no seu dia — 20 de Janeiro — e fazendo procissão, que se realizou sempre até 1755.2

Viaduto de Andaluz [c. 1950]
 Rua de S. Sebastião da Pedreira; Avenida Fontes Pereira de Melo; Largo de Andaluz
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa», vol. XIV, p. 85, 1939.
2 cm-lisboa.pt.

Friday, 22 October 2021

Largo de Andaluz

Desconhece-se a origem do nome do sítio. A mais simples — e. porventura, a mais razoável — é-nos revelada por João Sousa Moura em Vestigios da lingua arabica em Portugal: ou lexicon etymologico das palavras, e nomes Portuguezes, que tem origem arabica (1789):
ANDALUZ طر اندل Andalus. Nome de hum bairro, e de hum chafariz nos arrabaldes de Lisboa, Fregue2ia de S. Sebastião da Pedreira. He appellido de hum homem natural da Andalusia, de quem o lugar tomou o nome: e vem a ser o lugar de Andaluz.
 
Largo de Andaluz |c. 1940|
Esquina com o Largo das Palmeiras; à dir. o Chafariz de Andaluz; Rua de Santa Marta e o arco do viaduto da Avenida Duque de Loulé.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente
Largo de Andaluz |c. 1949|
Esquina com o Largo das Palmeiras; Edifício foi Prémio Municipal de Arquitectura, 1949. Projecto dos arquitectos Dário Vieira e José Lima Franco.
Mário Novais, 
in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 28 March 2018

Palácio Sotto Mayor

Esta Avenida Fontes Pereira de Melo — já o tens notadoostenta propriedades de certo sentido aristocrático de arquitectura; lernbro-te [...] o grande Palácio do Dr. Cândido Sotto Mayor, filho, no n.° 14, construido em 1905, que ocupa um quarteirão entre esta Avenida, e as Ruas Martens Ferrão e Sousa Martins, e o Largo do Andaluz.¹


O Palácio Sotto Mayor foi edificado pelo banqueiro Cândido Sotto Mayor para lhe servir de residência nas Avenidas Novas. As obras iniciaram-se em 1900 com a demolição do solar oitocentista da família Mayer, que até então ocupava o local, e a construção de uma muralha de suporte do terreno sobre o Largo de Andaluz

Palácio Sotto Mayor [1966]
Avenida Fontes Pereira de Melo, 16; Largo de Andaluz, 13-13C; Rua Martens Ferrão, 1
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

A construção do palácio propriamente dito iniciou-se em 1902 e prolongou-se por quatro anos. Inicialmente projectada pelo arquitecto Ezequiel Bandeira, a obra viria a ser acompanhada pelo capitão de engenharia do exército Rodrigues Nogueira, que contou com a colaboração do arquitecto Correia Monção. Colaboraram ainda na obra vários outros artistas: os arquitectos João António Piloto (concepção da sala de jantar) e Evaristo Gomes (vestíbulo e sala de visitas); os pintores Domingos Pinto, Teixeira Bastos, Ribeiro Júnior e Ordonez; o escultor Jorge Neto e o entalhador António Pucche. 

Palácio Sotto Mayor [c. 1906]
Fachadas viradas ao Largo de Andaluz,
Avenida Fontes Pereira de Melo, 16; Largo de Andaluz, 13-13C; Rua Martens Ferrão, 1
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Em 1967 o edifício ficou devoluto e começou a entrar em ruína. Em 1989 foi adquirido por uma empresa imobiliária que encomendou um projecto de renovação. Passados vários anos de espera, e depois de um incêndio no interior, a Câmara Municipal de Lisboa e o IPPAR autorizaram a execução do projecto. Da autoria do arquitecto Gastão da Cunha Ferreira, o projecto de recuperação, que procurou não descaracterizar o casco exterior do imóvel, visou a sua reutilização como hotel, escritórios e lojas.
O palácio, que incluía anexos (cocheiras, casa de criados, lavadouro), insere-se num parque murado e gradeado onde outrora existia um jardim com um lago, estufa de vidro e gaiolas.²

Palácio Sotto Mayor [1967]
Perspectiva tomada da Rua Luciano Cordeiro
Avenida Fontes Pereira de Melo, 16; Largo de Andaluz, 13-13C; Rua Martens Ferrão, 1
 
Garcia Nunes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 81, 1939.
² Almeida e Duarte Belo – Portugal Património: Lisboa, Vol. VII, 2007.

Sunday, 7 February 2021

Quinta da Cruz do Tabuado

O sítio de Andaluz antiquíssimo, o avô de toda esta área — estrada que ia da Corredoira (que deu em Santo Antão) até Palhavã e até Alvalade — possui o padrão da Bica, trivialíssima, a marcar-lhe o passo semi-milenário da idade.
Hoje está reduzido a um pequeno Largo, e — com o Largo das Palmeiras de permeio — à Rua do Andaluz, que leva à Praça José Fontana, antiga Cruz do Taboado

Quinta da Cruz do Tabuado [1957]
Rua de Andaluz, 50-52
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente
 
A Rua de Andaluz, já guarnecida de prédios modernos, ou reedificados sobre antigos casarões setecentistas, mostra ainda reminiscências do tempo velho. Aqui temos, à esquerda, subindo, um antigo solar, n.° 50-52, da «Quinta da Cruz do Tabuado», dístico que permanece ainda, em ferro, na sobreporta que introduz num pátio, e que fazia parte do logradouro da Casa. Não sei de quem fosse nem há tempo para investigar; é hoje do Dr. Rui Ulrich. Tem o prédio, muito decadente, ainda certa expressão, com sua revestimenta de azulejos «de navio» no primeiro andar.

Quinta da Cruz do Tabuado, portão [1957]
Rua de Andaluz, 50-52
Observa-se o dístico, em ferro, na sobreporta.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente
 
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, pp. 46, 1043.
ibid, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 99-100, 1939.

Friday, 12 March 2021

Avenida Duque de Loulé

Antiga Rua Duque de Loulé (1902) - Por delib. e edital da CML, respectivamente de 25 e 29/01/1917, foram desanexados da Rua de Andaluz e incorporados na Avenida Duque de Loulé, os prédios que, naquela rua tinham os nºs 131 a 139, 145 a 149 e 151 a 161.

Avenida Duque de Loulé, 8 [1964]
Estadista 1804-1875
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Em 1826Nuno José Severo de Mendonça Rolim de Moura Barreto, Duque de Loulé, foi nomeado Par do Reino.
Depois de, em Inglaterra, ter aderido ao Partido Liberal, regressa a Portugal onde, a partir de 1833, chefia vários ministérios (Negócios Estrangeiros, Marinha e Ultramar, Obras Públicas, Comércio e Indústria), acumulando a Presidência do Conselho com alguns desses cargos ministeriais.
Em 1859, foi nomeado Conselheiro de Estado efectivo e, entre 1870 e 1872, eleito Presidente da Câmara dos Pares. Enquanto parlamentar, as suas matérias de interesse centraram-se no estado da agricultura e das finanças do Reino. Aos direitos humanos também dedicou particular atenção, nomeadamente aquando da discussão da Lei da Liberdade de Imprensa.
A par da sua actividade política, o Duque de Loulé seguiu a carreira das armas como oficial do exército de cavalaria e, durante dez anos, foi grão-mestre da Confederação Maçónica Portuguesa. [parlamento.pt]

Avenida Duque de Loulé, 20, junto à Rua de Andaluz [194-]
Estadista 1804-1875
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Saturday, 12 March 2016

Instituto Agrícola e Chafariz da Cruz do Taboado

No antigo Largo da Cruz do Tabuado, hoje Praça José Fontana, confluem a Rua Gomes Freire (antiga Estrada da Cruz do Taboado/Carreira dos Cavallos), a Rua Engenheiro Vieira da Silva (antiga Estrada das Picoas), a Rua da Escola de Medicina Veterinária (antiga Tv. do Abarracamento da Cruz do Taboado), a Rua Tomás Ribeiro (antiga Tv. do Sacramento), e a Avenida Duque de Loulé (antiga Rua do Chafariz do Andaluz). Por ali existia também o já desaparecido «Chafariz da Cruz do Taboado» encostado ao troço da Galeria de Santana do Aqueduto das Aguas Livres. [v. Carta topográfica nº 12]

Instituto Agrícola, depois Escola de Medicina Veterinária [c. 1900]
Actual Rua Gomes Freire
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Foi pois, aqui, neste lugar da Cruz do Taboado — chãos da Real Quinta da Bemposta — no palácio fundado pela rainha D. Catarina, viúva de Carlos II de Inglaterra e filha de el-rei D. João IV. que o Instituto Agrícola e Escola Regional de Lisboa foi inaugurado em 1852, no reinado de D. Maria II, durante a Regeneração, dirigido por Fontes Pereira de Melo. No ano de 1864 verificou-se a junção do Instituto Agrícola de Lisboa com a Escola de Veterinária Militar (ao Salitre), que fora fundada pelo Governo do Rei D. Miguel em 1830, criando-se, deste modo, o Instituto Geral de Agricultura e Veterinária. Em Dezembro de 1910 o Instituto foi extinto, criando-se a Escola de Medicina Veterinária, que, em 1919, passou a designar-se Escola Superior de Medicina Veterinária.1
Em 2011 iniciou-se a demolição do edifício, dando lugar à nova sede da Polícia Judiciária.

Instituto Agrícola e o Chafariz da Cruz do Taboado [séc. XIX]
Colecção do Conde de Arnoso (recorte de fotografia estereoscópica), in LdA

Em baixo, Carta topográfica nº 12 referente à travessa do Abarracamento da Cruz do Taboado, aqueduto das Águas Livres, casa da Guarda, chafariz, largo do Chafariz do Andaluz, largo da Cruz do TabuadoChafariz da Cruz do Taboado, rua da Cruz do Taboado, Instituto Agrícola, estrada das Picoas, quartel da Guarda Municipal, travessa do Sacramento, rua de São Sebastião da Pedreira e tanque.

Instituto Agrícola e Chafariz da Cruz do Taboado
 Levantamento topográfico de Lisboa sob a orientação de Filipe Folque, 1857
in Lisboa de Antigamente

1 Arquivo Pitoresco, vol V, p.49, 1863.

Wednesday, 30 December 2015

Convento de Santa Joana (Princesa)

Sobre este antigo convento, sito na Rua de Santa Marta, refere o olisipógrafo Norberto de Araújo o seguinte: 
Agora encontramos, à direita, um enorme casarão, em cujos baixos está instalada a esquadra da policia de Santa Marta (vd. 3º imagem), edifício que corresponde ao Convento de Santa Joana (Princesa), que bastante nomeada teve em Lisboa.  
No século XVII por estes sítios campeavam as casas e quintas de D. Álvaro de Castro, senhor do Paúl de Boquilobo, que em seu testamento deixara uma boa parte da propriedade destinada à construção de um hospício para Missionários da Índia. Fundou-se nela, porém, em Novembro de 1699, um convento de frades dominicanos. Meio século andado, poucos religiosos restavam em clausura, e, assim, e porque o Terramoto destruíra os conventos das dominicanas da Anunciada e da Rosa, estas religiosas vieram ocupar este convento «ao Andaluz», que pouco sofrera com o cataclismo, e que o Rei D. José fez restaurar.

Convento de Santa Joana (Princesa) [1927]
Rua de Santa Marta

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Extintas as ordens religiosas, o convento subsistiu até à morte da última freira; depois ficou ao abandono até que a Câmara Municipal e a Repartição respectiva do Ministério da Fazenda se entenderam (1884) para que a cerca fosse retalhada para urbanização, poupando-se o casarão, que foi aproveitado pelas Juntas de Paróquia vizinhas para serviços de assistência pública
Depois de 1910 começou a casa, bastante decrépita, a servir de arquivo de vários serviços públicos. Desde há anos estão nela instalados parte do Arquivo da Contabilidade Pública e do Arquivo Histórico do Ministério das Finanças, as Inspecções dos Fósforos e dos Tabacos, o Arquivo da Inspecção do Comércio Bancário, algumas repartições das Obras Públicas, vários serviços de beneficência da Misericórdia, a 16.ª esquadra da polícia (Santa Marta), e uma garagem da polícia de Lisboa.
Para muito deu o Convento de Santa Joana (Princesa de Portugal)
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 87, 1939)

Convento de Santa Joana (Princesa [1927]
Pátio e fachada principal da igreja.
Rua de Santa Marta
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente


E «para muito mais dará» — dizemos nós, parafraseando o insigne olisipógrafo Norberto de Araújo, senão vejamos:
O «Grupo Hoti» comprou ao Estado o Convento por 11,2 milhões de €uros e vai converter o edifício do século XVIII num hotel que deverá ter a marca Meliá.
O projecto no Convento de Santa Joana integra uma passagem pública entre as ruas Camilo Castelo Branco e Santa Marta, sendo a sua área total de 18,7 mil metros quadrados. É neste espaço que ainda funciona a PSP. «A parte virada para a Rua de Santa Marta é para reabilitar, e o objectivo é construir neste espaço 40 apartamentos, fundamentalmente para venda a compradores estrangeiros que queiram ter os serviços de apoio do hotel».»
A entrada principal do hotel — de 5*, «ou de 4* superior» — , será feita a partir da Rua Camilo Castelo Branco e deverá contar com 160 quartos, de acordo com o projectado. Segundo as previsões da Hoti, a obra deverá começar em 2015, para o hotel inaugurar em 2017.

Convento de Santa Joana (Princesa) [1961]
Rua de Santa Marta, esquadra da P.S.P.

Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Friday, 30 March 2018

Avenida Fontes Pereira de Melo: solar Mayer e Palácio Sotto Mayor

A Avenida Fontes Pereira de Melo integra-se no projecto de crescimento da Cidade para Norte, aprovado em 1888, plano intitulado: "Avenida das Picoas ao Campo Grande" da autoria do Engenheiro Ressano Garcia. As terraplanagens nas ruas Fontes Pereira de Melo e António Augusto de Aguiar, iniciam-se cerca de 1897. Em 1900, a canalização de água para esta zona da Cidade, está praticamente concluída. A partir de 1902 começaram a circular os primeiros carros eléctricos — aqui descendo a avenida pela direita. Refira-se que o sentido da circulação em Portugal passou a fazer-se pela direita em 1 de Junho de 1928.

Avenida Fontes Pereira de Melo [entre 1902 e 1905]
Junto ao viaduto sobre a Rua de S. Sebastião da Pedreira/Largo Andaluz. O viaduto da Avenida Fontes Pereira de Melo começou a construir-se em 1898 e concluiu-se em 1900. À direita, o solar oitocentista da família Mayer que ali existia, até c. 1900, altura em que começou a demolir-se, para construção do Palácio Sotto Mayor.
Alberto Carlos Lima, 
in Lisboa de Antigamente

O topónimo foi atribuído como Rua Fontes, por deliberação camarária de 31/12/1887 e Edital de 10/01/1888. Mais tarde, o Edital municipal de 11/12/1902 mudou-lhe a categoria para Avenida, já como Fontes Pereira de Melo.  Tributo a um dos principais políticos portugueses e várias vezes primeiro-ministro António Maria Fontes Pereira de Melo (1819-1887) — cuja dinâmica de desenvolvimento e políticas públicas ficou conhecida como «Fontismo». — deu um grande impulso à criação de estradas e caminhos de ferro e montou a primeira linha telegráfica do País, tendo criado então pela primeira vez o Ministério das Obras Públicas que ele próprio assumiu.

Avenida Fontes Pereira de Melo [1912]
O edifício, à esquerda, no gaveto com a Avenida António Augusto de Aguiar já não existe, assim com, a moradia do lado nascente da avenida. Os dois prédios de rendimento, ao fundo, na esquina com Rua Martens Ferrão, foram recentemente reabilitados. O que ainda vai conferindo alguma elegância à avenida desenhada pelo eng.º Ressano Garcia é o
imponente e sumptuoso Palácio Sotto Mayor, edificado em 1902/06, segundo o risco inicial do arq. Ezequiel Bandeira, com a colaboração do arq. Carlos Alberto Correia Monção. Já nem o eléctricoque ali se vê a descer avenida pela mão esquerdalá passa.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Monday, 2 May 2016

Rua Tomás Ribeiro, 4-6

 Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909

 

 «Tomemos pela Rua Tomaz Ribeiro (antiga do Sacramento), e que, como a das Picôas, foi anterior à urbanização do fim do século. Ainda, à esquerda, se lhe notam nalgumas pitorescas casas reminiscências do tempo velho.» 1

Este edifício — com projecto da autoria do arqº António do Couto Abreu, propriedade de João António Marques Sena —. foi premiado com 4º Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909. Demolido em 1954, ocupando agora o seu lugar um edifício de escritórios.

Rua Tomás Ribeiro, 4-6 |c. 1909|
Esquina da Rua Viriato
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Por edital da C.M.L. de 1907, a antiga Rua do Sacramento, que era a continuação da Estrada da Cruz do Tabuado, à esquerda indo da Rua Gomes Freire, que começava na esquina da Rua do Chafariz de Andaluz e findava no Largo de São Sebastião da Pedreira, passou a denominar-se Rua Tomás Ribeiro.
Este arruamento homenageia Tomás António Ribeiro (1831-1901), conselheiro do Partido Regenerador licenciado em Direito que foi parlamentar eleito por Tondela, onde nasceu; presidente das câmaras municipais de Tondela e do Sabugal; governador civil do Porto e de Bragança; ministro da Marinha (1878), da Justiça (1879), do Reino (1881) e das Obras Públicas; diplomata e ainda, poeta romântico e dramaturgo. (cm-lisboa.pt)
 
¹ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p.82, 1939.

Sunday, 3 September 2017

O Colyseo dos Recreios e o Elevador de S. Sebastião

O Colyseo dos Recreios  —  no dizer de Alfredo Mesquita  —  é a maior casa de espectáculos que se tem construído em Lisboa. Está situado na Rua das Portas de Santo Antão, próximo da Igreja de S. Luiz Rei de França [refere-se à Igreja de São Luís dos Franceses]. Para a realização do projecto do architeto Goulard, foi necessário fazer naquelles terrenos um desaterro de 16 metros de altura, construindo-se muralhas de suporte que têm 6 metros de espessura
O circo apresenta um grandioso aspecto, podendo comportar 8.000 pessoas, em 110 camarotes, 1.500 cadeiras, duas enormes galerias, um vasto promenoir, e uma muito espaçosa geral em toda a volta do circo. Cobre o edifício uma formidável cúpula de ferro, construída por Hein Lehmann, de Berlim. O palco é de amplas dimensões, e presta-se a ser explorado com peças de grande espectáculo. Em parte do edifício, á frente, está instalada a Sociedade de Geographia de Lisboa, com o seu muito interessante museu colonial e a sua grande sala de conferencias. A inauguração do Coliseo dos Recreios foi no dia 14 de Agosto de 1890, com a opera cómica de SuppéBoccacio, cantada por uma companhia italiana.

Coliseu dos Recreios [entre 1899 e 1901]
 Rua das Portas de Santo Antão
Nesta imagem são visíveis as «calhas» do antigo «Elevador de S. Sebastião».
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Hoje — prossegue o mesmo autor em 1903 —. a grande afluência do povo converge para o Colyseo dos Recreios. De inverno, são os cavallinhos, os acrobatas, os clowns, os animaes sábios, os palhaços excêntricos, as pantomimas, as cantoras de café-concerto, que constituem os atrativos d’aquelle circo. No verão, são as companhias italianas e hespanholas de opera e de zarzuela que lhe proporcionam as enchentes. O alfacinha teve sempre uma viva sympathia pelos circos de cavallinhos, e pelos theatros de canto.

Coliseu dos Recreios, fachada e interior [c. 1890]
 Rua das Portas de Santo Antão
  in Lisboa de Antigamente
Coliseu dos Recreios, cúpula de ferro [c. 1890]
 Rua das Portas de Santo Antão
  in Lisboa de Antigamente

Vem a-propósito lembrar que, episodicamente, correu aqui há quarenta anos [c. 1900] uma linha dupla de viação por cabo subterrâneo» — escreve Norberto de Araújo nas suas Peregrinações — referindo que «Lisboa conheceu ainda uma «Companhia de Viação Funicular» que montou uma única linha — o «Elevador de S. Sebastião» [vd. 1ª foto].
Esta linha dupla de viação por cabo subterrâneo saía do Largo de S. Domingos, junto à caixa do Teatro D. Maria II, e seguia por Santo Antão, S. José, Santa Marta, Largo do Andaluz, Rua de S. Sebastião, até às «portas» de S. Sebastião da Pedreira. Esta iniciativa teve, porém, a duração das rosas: inaugurada a carreira em 15 de Janeiro de 1899, a companhia abria falência em 1901.

Coliseu dos Recreios [1960]
 Rua das Portas de Santo Antão
Arnaldo Madureira, i
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
MESQUITA, Alfredo. Lisboa, p. 622, 1903.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 104, 1939.

Friday, 17 July 2015

Rua Tomás Ribeiro

À esquerda a Rua Sousa Martins. À direita o antigo Matadouro Municipal de Lisboa, actual Portugal Telecom (PT) e, quase escondido pelo automóvel, o antigo chafariz da Rua Tomás Ribeiro. Ao fundo, por onde desce o eléctrico, a Avenida Fontes Pereira de Melo.

Rua Tomás Ribeiro [1960]
Matadouro Municipal de Lisboa
Filipe Romeiras, in Lisboa de Antigamente

Por edital da C.M.L. de 1907, a antiga Tv. do Sacramento (1857), que era a continuação da Rua da Cruz do Taboado, (actual Rua Gomes Freire), que começava na esquina da Rua do Chafariz de Andaluz e findava no Largo de São Sebastião da Pedreira, passou a denominar-se Rua Tomás Ribeiro. 
António Tomás Ribeiro (1831-1901), diplomata, poeta romântico e dramaturgo, foi ministro da Marinha (1878), da Justiça (1879), do Reino (1881) e das Obras Públicas. (cm-lisboa.pt)

Rua Tomás Ribeiro [1955]
Matadouro Municipal de Lisboa
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 7 January 2018

A «Torrinha», a Vale de Pereiro

Também a «estampa antiga» do sítio do Parque [Eduardo VII] — recorda-nos o olisipógrafo Norberto de Araújo — foi desfigurada com o desaparecimento da «Torrinha», uma curiosa vivenda octogonal (Quinta da Torrinha, que deu nome à Estrada), situada um pouco acima do actual lago, e demolida em Abril de 1916.¹


Mereceu a Torrinha — com o seu andar «feito à romana», em forma de mirante — larga referência de Matos Sequeira em «Depois do Terramoto» onde o mestre olisipógrafo fixou algumas efemérides da dita casa «seguramente do século XVIII [1764?]», descrevendo-a como «a célebre Torrinha» que, «por tanto tempo, alindou com o seu ar um tanto ou quanto misterioso, aquele local.»
Esculápio em O Século  de 21 de Abril do ano último [1916] — prossegue o mesmo autor —, fez, como extremado amigo da cidade, o seguinte episódio ao pobre torreão setecentista do dr. José de Sousa Monteiro:
Vetusto monumento  de  fé republicana de outras eras, anda o camartelo municipal a derruí-la, para dar «seguimento ao parque Eduardo  VII,  que já se desenha «esplendoroso ao cimo da Avenida, coroando a rotunda «e o lugar onde, para as calendas gregas, se há-de erguer «a tão falada estátua ao Marquês de Pombal. O leitor amante das antiguidades de Lisboa que vá vê-la nos «seus derradeiros momentos, a célebre Torrinha onde se faziam dantes os comícios republicanos e onde os janízaros da municipal se fartaram de espadeirar o «povo e os propagandistas da ideia nova. Faz pena ver «a Torrinha a cair aos bocados, em holocausto ao progresso e ao aformoseamento da plástica citadina!

Dão-te a morte; coitadinha,
E tu morres fria e calma
Torrinha que eras  Torrinha,
Do teatro da minha alma.

A Torrinha [1888]
Parque Eduardo VII, antigo Parque da Liberdade, antes Vale de Pereiro
Legenda da foto: «Exposição Pecuária Nacional em 1888»
Augusto Bobone,in Lisboa de Antigamente

Os lisboetas das gerações mais novas, quando olham para a vasta área ajardinada e arborizada do Parque Eduardo VII, com a sua grande tira de relva ao centro, a Estufa Fria e os trechos arborizados que circundam lagos com cisnes em torno dos quais as crianças brincam sob o olhar das mães ou das nurses, o Pavilhão dos Desportos e ainda a Avenida Sidónio Pais, flanqueada de prédios de luxo, dificilmente podem imaginar o conjunto rústico de quintas e terras de semeadura, olivais e velhos casarões de tipo arrabaldino que se estendiam entre a Rua de Artilharia Um e o caminho de Andaluz até São Sebastião da Pedreira.

A Torrinha, poente [1888]
Parque Eduardo VII, antigo Parque da Liberdade, antes Vale de Pereiro
Legenda da foto: «Exposição Pecuária Nacional em 1888»
Augusto Bobone, in Lisboa de Antigamente

Dentre essas casas edificadas nas várias quintarolas chamava as atenções a «Torrinha» não por grandiosa ou de magnificente porte ou estilo, mas pela particularidade de ter, como parte destacada, a flanco dumas casitas modestas uma torre octogonal, rasgada de janelas em dois pisos acima do rés-do-chão, coberta por um telhado em forma de pirâmide também octogonal e toda ela pintada de cor-de-rosa, constituindo um traço fisionómico muito característico de paisagem olisiponense.²

A Torrinha [entre 1885 e 1916]
Parque Eduardo VII, antigo Parque da Liberdade, antes Vale de Pereiro
Ao fundo à esq. vê-se a Cadeia Penitenciária de Lisboa
Fotógrafo não identificado, in Photographias de Lisboa, Marina Tavares Dias

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 48, 1939.
² Olisipo: boletim do Grupo "Amigos de Lisboa.", Volumes 21-23. 1958.

Friday, 8 November 2019

O Rossio Velho

No século da tomada de Lisboa confluíam ainda nêste sítio os dois braços de água dos vales do Andaluz e de Arroios-Mouraria, correndo ao Tejo em regueiro. [...]
No século XIV o arrabalde do Rossio  — «Ressio› se dizia — fazia [já] parte da cidade. Rossio de S. Domingos, Rossio de Santa Justa, logo Rossio de Valverde — estava feito o Rossio de Lisboa, cujas orlas de edificação a Câmara e o Rei por vezes disputavam. [...]

Praça D. Pedro IV |séc. XIX|
Venda ambulante de refrescos; carro Chora
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Do final de setecentos até hoje, o Rossio — na sua fisionomia pombalina — limitou-se a enfeitar-se, arruar-se, arrumar uma zona a poente, rever a sua orientação, construir um teatro, erguer um monumento, pôr de pé uma estação terminal de linha férrea, empedrar o chão, recortá-lo depois — usar do seu direito de capital, praça titular de Lisboa.

Praça D. Pedro IV |séc. XIX|
Venda ambulante de bolos; carro Chora
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, pp. 61-62, 1939.

Friday, 26 April 2024

Avenida da República, 87-97

As Avenidas Novas representam o desenvolvimento urbano que causou a expansão de Lisboa para norte em finais do século XIX e ao longo da primeira metade do século XX.
Pela designação de Avenidas Novas entende-se uma série de avenidas e ruas largas e arejadas que se recortam entre as antigas estradas do Arco do Cego e S. Sebastião da Pedreira, e ao N. do Parque Eduardo VII [antigo Vale do Pereiro ], Andaluz e Praça José Fontana [antigo Largo do Matadouro].
Em 1910 a maior parte dos arruamentos estava concluída, compondo uma malha ortogonal de ruas e avenidas largas com passeios e praças arborizadas segundo os mais modernos conceitos urbanísticos, naturalmente destinadas às classes sociais mais abastadas. 

Avenida da República, 87-97 |1965|
edifício localizado no número 93A-E situado no gaveto com a Av. António Serpa foi demolido.
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Este novo percurso de ascensão da cidade, vindo da Baixa e desembocando no Campo Grande, foi desde logo habitado pela burguesia emergente, que aí começou a construir os seus palacetes e prédios elegantes, tão típicos Lisboa do primeiro quartel do século XX.

Avenida da República, 95-97 |1959|
Antiga Av. Ressano Garcia (1910)
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): imagem corrigida (invertida 
no abandalhado amL).

É disto exemplo o prédio situado na Avenida da República, 97-97-C. Este imóvel (ao fundo e à dir. na 2ª imagem), bem como os dois imediatamente anteriores, estavam em vias de classificação como conjunto desde 11/12/1981. Um deles foi entretanto demolido, e a classificação dos dois prédios restantes passou a correr de forma individual, de acordo com as distintas características de cada um.
(IGESPAR, IP, 2011)

Avenida da República, 87-97 |1962|
John F Bromley, in Lisboa de Antigamente

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