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Tuesday, 12 April 2016

Avenida da República, 49-49D

 Prémio Valmor de 1923

 

Com projecto do arqº Porfírio Pardal Monteiro, este edifício de habitação foi mandado construir por Luís Rau, um comerciante de ferro e carvão, no início dos anos 20 do século passado. Viu reconhecida a sua qualidade com a atribuição do Prémio Valmor de 1923

Avenida da República, 49-49D |1923|
Prémio Valmor de 1923

Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente
 
De grande verticalidade, por se encontrar implantado num lote estreito, desenvolve-se em sete pisos, onde os dois últimos são amansardados. Apresenta uma linguagem oitocentista patente na rica ornamentação da fachada, assim como na pesada volumetria da mesma, traduzida por um jogo de volumes que desenha um pórtico saliente e suspenso até ao primeiro piso, não possuindo qualquer apoio estrutural visível ao nível do piso térreo. Surge, ainda, pontuado por alguns traços da linguagem pombalina visíveis nas varandas corridas, que rasgam transversalmente a fachada principal. Como referência ao Prémio Valmor recebido, o imóvel exibe a seguinte legenda incisa num bloco de cantaria da fachada à direita da porta e sob uma das mísulas: «PRÉMIO VALMOR / MCMXXIII / ARQUITECTO / PARDAL MONTEIRO»

 
Avenida da República, 49-49D |191-|
Prémio Valmor de 1923
Joshua Benoliel in Lisboa de Antigamente
 
 
Avenida da República, 49-49D |c. 1952|
Prémio Valmor de 1923
Matos Sequeira, iin Lisboa de Antigamente

Friday, 14 July 2023

Avenida Duque de Loulé, 72-74

 Prémio Valmor de 1909
 
Construção em 1909, da autoria do arq.º Adolfo A. Marques da Silva para Fortunato Jorge Guimarães, 2ª Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909. Aqui funcionou o Auto-clube Médico Português. Demolido em 1965.

Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente
 
N.B. Instituído há um século, o Prémio Valmor surge na sequência de indicações deixadas no testamento do segundo e último visconde de Valmor, Fausto Queiroz Guedes, diplomata, político, membro do Partido Progressista, par do reino, governador civil de Lisboa e grande apreciador de belas artes.
Falecido em França em 1878, segundo o seu testamento, uma determinada quantia de dinheiro era doada à cidade de Lisboa de modo a criar-se um fundo. Este passaria a constituir um prémio a ser distribuído em partes iguais ao proprietário e ao arquitecto autor do projecto da mais bela casa ou prédio edificado.
Surge assim, com o nome do seu instituidor, o Prémio Valmor de Arquitectura.

Avenida Duque de Loulé, 72-74 
Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909

Sunday, 11 April 2021

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa

A Casa-Museu Anastácio Gonçalves (antiga casa-atelier de José Malhoa) situada na Avenida Cinco de Outubro, 6-8,  obteve o Prémio Valmor de 1905. Classificada Imóvel de Interesse Público pelo Dec. 28/82 de 26 de Fevereiro. Abre ao público em 1980.


Edifício projectado pelo arquitecto Norte Júnior em 1904, foi seu construtor Frederico Ribeiro, "o constructor da primeira casa de artista que fizesse em Lisboa". Dominado pela linguagem ecléctica em voga, sobressai, no entanto, o gosto pelo neo-românico. Edificada para residência e atelier do pintor José Malhoa, foi adquirida em 1932 pelo médico oftalmologista Dr. Anastácio Gonçalves (1889-1965), que a doou ao Estado, sendo mais tarde adaptada a casa-museu e recebendo obras de ampliação em 1996 sob projecto dos arquitectos Frederico e Pedro George, anexando uma moradia contígua também da autoria de Norte Júnior [vd. 2ª imagem]

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa, Prémio Valmor de 1905 [1905]
Para os autores da A Construção Moderna o edifício encontra-se “entre essas raras manifestações de arte que hão de servir de padrão de estimulo à Lisboa estética do futuro (...)”. [A Construção Moderna, ano VI, n.º 1, Fevereiro de 1905]
Avenida Cinco de Outubro com a Rua Pinheiro Chagas (esq.)
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Edifício com dois pisos e cave, sobressai o espaço correspondente ao ateliê, denunciado exteriormente por um janelão e uma clarabóia de iluminação zenital. Identificam-se três corpos: o central, avançando a fachada principal; sobre o lado esquerdo, um corpo recuado com escada e alpendre protegendo a porta de entrada; e, do lado direito, um núcleo praticamente autónomo pertencendo à zona da sala de jantar. Sublinhando a separação dos pisos, percorre o edifício um friso de azulejos em azul com elementos vegetalistas da autoria de Jorge Pinto, interpretações livres dos desenhos de Malhoa e António Ramalho, transpostos para pintura a fresco por Eloy Amaral. As esculturas das fachadas são de António Augusto Costa Mota.

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa, Prémio Valmor de 1905 [1908]
Moradia contígua à Casa-Museu Doutor Anastácio Gonçalves, também assinada por Norte Júnior, anexada ao edifício principal, em 1987; antiga Casa António Pinto da Fonseca Mota (1908). 
Rua Pinheiro Chagas, 2-6
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

O grande janelão de sacada, correspondente ao atelier, é encimado por frontão onde se exibe a inscrição «PRO ARTE». Sobressaem ainda dois vitrais na sala de jantar e na sala anexa ao atelier. Merece menção a serralharia artística com elementos arte nova, destacando-se o portão principal em forma de borboleta, com desenho do arquitecto e execução de Vicente Esteves.
As janelas que se abrem no vão do arco dessa fachada, com as pedras de peito das laterais de forma curva, sugerem que todo o conjunto está confinado a um círculo. O gradeamento das varandas, em ferro, segue a tendência Arte Nova.

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa, Prémio Valmor de 1905 [1908]
Núcleo praticamente autónomo, do lado direito,  pertencendo à zona da sala de jantar.
Avenida Cinco de Outubro, 6-8
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

N.B. A Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves é um espaço museológico da cidade de Lisboa onde se expõe o acervo reunido pelo médico coleccionador António Anastácio Gonçalves. O conjunto de cerca de 3.000 obras de arte compõe-se por três grandes núcleos: pintura portuguesa dos séculos XIX e XX, porcelana chinesa e mobiliário português e estrangeiro. Existem ainda importantes núcleos de ourivesaria civil e sacra, pintura europeia, escultura portuguesa, cerâmica europeia, têxteis, numismática, medalhística, vidros e relógios de bolso de fabrico suíço e francês. Para além das obras reunidas pelo coleccionador, a Casa-Museu encerra ainda um significativo espólio documental e um conjunto de desenhos, aguarelas e pequenos artefactos pertencentes ao espólio do pintor Silva Porto.

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa, Prémio Valmor de 1905 [191-]
Foi descrita em 1909 como uma “(...) casa artística, o ninho feliz de um grande e genial artista. (...) Quer se analyse em conjuncto, quer em detalhe, a casa do sr. Malhôa é uma casa artística em toda a accepção da palavra, e, considerada irreprehensível sob todos os pontos de vista”. [A Arquitectura Portuguesa, Lisboa, Fevereiro de 1909]
Avenida Cinco de Outubro com a Rua Pinheiro Chagas vendo-se a moradia contígua erguida em 1908 (esq.)
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ALMEIDA, Álvaro Duarte de, Portugal património: Lisboa, 2007.
ACCIAIUOLI, Margarida, Casas com escritos: uma história de habitação em Lisboa, 2015.

Sunday, 17 January 2016

Avenida da República, 36: Casa Branco Rodrigues

Palacete situado frente ao Palacete Valmor, propriedade de José Cândido Branco Rodrigues, da autoria do arqº Manuel Joaquim Norte Júnior, premiado com uma Menção Honrosa pelo júri do Prémio Valmor de 1908. Foi demolido nos anos 1949-1950, dando lugar a um prédio de habitação com 8 andares e lojas no piso térreo.

Avenida da República, 36  [post. 1908]
Esquina da Av. Visconde de Valmor, 27
Antiga Avenida Ressano Garcia (1910)
Paulo Guedes, 
in Lisboa de Antigamente

Diplomado pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, Manuel Joaquim Norte Júnior (1878-1962) é uma figura de enorme importância na construção da imagem arquitectónica de Lisboa e do país, contando com uma imensa produção edificada, dentro da qual vários Prémios Valmor. 
Arquitecto da Casa de Bragança, é também autor de vários projectos, entre os quais os da casa e atelier Malhoa, em Lisboa, o pavilhão D. Carlos no Buçaco, o Palace Hotel da Cúria, o Grande Hotel do Monte Estoril, o Hotel Paris no Estoril e o Palácio Fialho em Évora. A Sociedade a Voz do Operário em Lisboa e a Associação dos Empregados do Comércio em Lisboa, entre muitos outros edifícios e remodelações são também esboços deste importante arquitecto.
As suas obras desenvolveram-se por décadas - desde as de expressão Arte Nova às da fase Art Déco e Modernista – e o seu legado estende-se a outras cidades e vilas portuguesas, nomeadamente aos Açores, Azeitão, Bombarral, Buçaco, Cascais, Curia, Estarreja, Faro ou Sintra.

Avenida da República, 36 e 38 [post. 1908]
Esquina da Av. Visconde de Valmor 
Palacete Valmor, Prémio Valmor de 1906; à direita, palacete  Casa Branco Rodrigues Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1908.
Paulo Guedes, 
in Lisboa de Antigamente

Thursday, 17 March 2016

Avenida Álvares Cabral, 67-67D

Casa e Atelier da Família Cristino da Silva


Com projecto do arq-º  Cristino da Silva foi mandada construir por Maria Frimeta Cristino da Silva. Pela primeira vez, em 1944, o mesmo imóvel recebe em simultâneo os Prémios Valmor e Municipal de Arquitectura. Esta distinção teve por base um critério meramente "fachadista", que à data ainda se sobrepunha a todos os outros, tal como se pode verificar na Acta de Atribuição do Prémio Valmor de 29-12-1945:  "Feito um minucioso exame às fachadas correspondentes aos prédios (...), resolveu o Júri, por unanimidade, atribuir o Prémio Valmor à fachada do prédio situado na Av. Álvares Cabral, nº 67 a 67-D.".
 
Avenida Álvares Cabral, 67-67D [c. 1952]
Casa e Atelier da Família Cristino da Silva, Prémio Valmor de 1944
 Gustavo de Matos Sequeira, in Lisboa de Antigamente

Esta casa e atelier da família Cristino da Silva caracteriza-se por uma volumetria densa e pesada, para além de uma simplicidade decorativa. Mantém ainda hoje a sua função original. 

Avenida Álvares Cabral, 67-67D [1959]
Casa e Atelier da Família Cristino da Silva, Prémio Valmor de 1944
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Tuesday, 24 January 2017

Igreja de N. S. de Fátima

Quando foi construída, a Igreja de N. S. de Fátima suscitou «bastante polémica», levando à intervenção do então cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Gonçalves Cerejeira (1888-1977), em defesa dos arquitectos, dirigidos por Porfírio Pardal Monteiro, e dos artistas, entre os quais Almada Negreiros.


A Igreja de Nossa Senhora de Fátima, do orago de Nossa Senhora do Rosário, começou a ser construída em 1934 em terrenos adquiridos a particulares, principalmente à família Canas, pela «Sociedade Progresso de Portugal» depois da transacção pela qual o Banco de Portugal adquiriu em Junho de 1933 à arquiconfraria de S. Julião o edifício desta igreja, para ampliação das suas instalações, sendo então aquela Sociedade encarregada de erigir um novo templo, que perdeu o tradicional e tão justificado orago de S. Julião.

Igreja de N. S. de Fátima [c. 1938]
Prémio Valmor de 1938
Avenida Marquês de Tomar com a Avenida de Berna
Uma alta torre, lateral, faz como que sentinela à fábrica religiosa, no jeito arquitectónico de certas construções alemãs. (Araújo: 1939)
Fotógrafo desconhecido, in Lisboa de Antigamente

Primeiro templo católico construído em Lisboa após a proclamação da República. Inaugurada em 1938, com projecto do arq. Porfírio Pardal Monteiro, foi-lhe atribuído o Prémio Valmor desse ano. Classificada como Imóvel de Interesse Público, traduz uma linguagem claramente moderna, e é composta por ampla nave central e duas colaterais, abside envolvida por vitrais, pequeno nartex de entrada, baptistério em corpo exterior junto à entrada e capela mortuária. Conta com peças de grandes artistas plásticos da época, destacando-se os vitrais e mosaicos atribuídos a Almada Negreiros, as esculturas de Francisco Franco Leopoldo de Almeida, as pinturas de Lino António, entre outras. 

Igreja de N. S. de Fátima [c. 1938]
Prémio Valmor de 1938
Avenida Marquês de Tomar e, à dir., a Avenida de Berna
No cunhal poente da fachada destaca-se, ao alto, a imagem de Nossa Senhora de Fátima,
quási em agulha, hierática, obra de estatuária mística de António Costa. (Araújo: 1939)
Garcia Nunes, in Lisboa de Antigamente
Igreja de N. S. de Fátima, Cabeceira [1956]
Prémio Valmor de 1938
Avenida de Berna
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

O baptistério é uma pequena jóia —  afirma o olisipógrafo Norberto de Araújo:
À nossa direita, prolongando-se, no exterior, fora do alinhamento regular do edifício, está o baptistério, magnífica sala, revestida de mosaicos de tipo romano de piscina (Almada Negreiros), mas impregnados de espírito religioso; o tecto solucionou-se em rotunda, e o ambiente adoça-se com vitrais verde-violeta (Almada Negreiros). A pia baptismal, ao centro, é encimada por uma estátua de S. João Baptista (Leopoldo de Almeida). Anota essa porta, boa obra de Serralharia de arte (Júlio Ferry).

Igreja de N. S. de Fátima, Batistério [1956]
São João Baptista, escultura em bronze de Leopoldo de Almeida (1898-1975);
grade de ferro de Almada Negreiros (1893-1970).
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, 1939.
idem, Inventário de Lisboa: Monumentos históricos, 1950.

Friday, 23 June 2017

Avenida Luís Bivar, 2-6

O Prémio Valmor em 1916 foi para o edifício de habitação na Rua Tomás Ribeiro, 58-60, mandado construir por D. Rita Isabel Ferreira de Matos e Dias, risco do arqº Miguel Nogueira Júnior.


Prédio de gaveto, com planta em forma de “L”, projecto da autoria de Miguel José Nogueira Júnior [vd. 2ª foto] datado de 1916 e agraciado com o Prémio Valmor do mesmo ano. O edifício apresenta quatro pisos em gaveto e o alçado principal orientado parcialmente a Oeste e a Sul. Implantado de forma a perfazer um dos extremos do quarteirão em que se integra, a fachada apresenta o ângulo de gaveto boleado, encimada  por remate em platibanda curva em reboco pintado e com frontão ornado por elementos vegetalistas (volutas de acanto) e com piso térreo com embasamento de cantaria de aparelho rusticado. Os vãos apresentam-se em ritmo regular, vãos em verga recta destacada por emolduramento. A Oeste a presença da porta principal está ladeada por pilastras e rematada por alpendre que se articula com varanda em cantaria da janela de sacada do primeiro piso. O paramento orientado a Oeste é animado por fenestrações de peito com guarda metálica, excepto no primeiro piso, que possui janelas de sacada com varanda comum. No nível do gaveto identifica-se uma estrutura tripartida, com piso térreo comercial, e os pisos superiores vazados por janelas de sacada com varandas assentes em mísulas e protegidas com guardas em ferro fundido, que acompanham a forma boleada e acentuam a mesma. Superiormente o edifício é rematado por platibanda.

Rua Tomás Ribeiro, 58-60 tornejando para Avenida Luís Bivar, 2-6  [c. 1952]
«Prémio Valmor em 1916»
Gustavo de Matos Sequeira, in Lisboa de Antigamente

Luís Frederico de Bívar Gomes da Costa (1827-1904), filiado no Partido Regenerador, começou por ser delegado do Ministério Público (1853) e, sucessivamente, juiz de Direito (1862), juiz do Tribunal da Relação de Lisboa (1882), do qual veio a ser presidente em 1894, e juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça (1900). Foi eleito Deputado em 1865 e presidente da Câmara dos Deputados entre 1882 e 1885. Toma assento na Câmara dos Dignos Pares em 1886. É nomeado Par do Reino com carácter vitalício em 1890. Ao longo da sua carreira política integrou mais de três dezenas de comissões parlamentares e, em 1902, foi designado Conselheiro de Estado.  [cm-lisboa.pt]

Rua Tomás Ribeiro, 58-60 tornejando para Avenida Luís Bivar, 2-6  [c. 1952]
«Prémio Valmor em 1916»

Sunday, 5 February 2017

Lis-Hotel, antiga Pensão Tivoli

Já agora olha êste prédio pequeno, contíguo pelo Sul, ao [cinema] Tivoli; é um «Prémio Valmor» de 1927, arquitecto Norte Júnior. O Hotel Tivoli, no n.° 179 180, de linhas modernas, também do risco de Norte Júnior, data de 1922, e foi fundado por José Francisco Cardoso e Dr. Joaquim Gonçalves Machaz.  


Mandado edificar, a partir de 1922, com projecto do arq. Manuel Joaquim Norte Júnior, foi-lhe atribuído o Prémio Valmor de 1927. As qualidades que mais impressionaram o júri «[...] foram as condições do conjunto e do remate desse mimo arquitectónico, expresso pela sua fachada [...].» . A sua traça original viria a ser alterada na década de 30 do séc. XX, com a introdução de mais dois andares. Incluído na Zona da Avenida da Liberdade que se encontra Em Vias de Classificação, este imóvel traduz uma arquitectura civil comercial ecléctica, tendo sido ocupado inicialmente pela Pensão Tivoli e depois pelo Lis-Hotel.

Lis-Hotel, antiga Pensão Tivoli [post. 1927]
Prémio Valmor de 1927
Avenida da Liberdade, 180 
António Passaporte(?), in Lisboa de Antigamente

Actualmente resta apenas a fachada, integrada no Hotel NH Liberdade. Fachada essa, de estrutura marcadamente vertical, dividida em dois corpos, um rematado por frontão triangular com pináculos nos acrotérios e o outro rematado por platibanda em balaustrada. Evidencia-se o tratamento das cantarias, nomeadamente no remate da porta principal com ática triangular interrompida por composição escultórica de festões e medalhão central, assim como nos apontamentos em estuque como festões, dentados ou óvulos, sobretudo a inscrever os vãos, patentes em todo o pano murário.

Lis-Hotel, antiga Pensão Tivoli [ca. 1952]
Prémio Valmor de 1927
Avenida da Liberdade, 180 
Gustavo de Matos Sequeira, iin Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, 1939.

Friday, 6 January 2023

Avenida Duque de Loulé, 47

Prémio Valmor de 1919


Em 1919 o Prémio Valmor mais uma vez foi atribuído a uma moradia unifamiliar sita na Avenida Duque de Loulé, n.º 47 — tornejando para a Rua Bernardo Lima — que pertencia a Alfredo May de Oliveira com projecto do arqº Álvaro Machado.
Esta moradia possuía três pisos de linhas sóbrias e era uma obra de estrutura essencialmente urbana. Demolida em 1961 deu lugar a um edifício com sete andares e lojas.
(Archer, Maria, Revista municipal Lisboa, 1945)

Avenida Duque de Loulé, 47 | 1961|
Prémio Valmor de 1919
Augusto Fernandes. in Lisboa de Antigamente

Nota(s): A Rua Bernardo Lima situada na Freguesia de Coração de Jesus é um topónimo atribuído em 1903 e homenageia Silvestre Bernardo Lima (1824-1881), agrónomo e veterinário, lente de Zootecnia e de Higiene, no Instituto de Agronomia e Veterinária, durante 30 anos.
Desenvolveu intensa actividade pedagógica e científica sendo na época o maior especialista português em zootécnica para além de ter organizado o recenseamento geral dos gados em 1870.

Avenida Duque de Loulé, 47 | 1922|
Prémio Valmor de 1919
Fotógrafo não identificado. in Lisboa de Antigamente

Saturday, 20 February 2016

Rua Castilho, 64-66

O primeiro Prémio Valmor atribuído nesta década, em 1930, projecto do arquitecto Raul Lino da Silva (1879-1974) para Sacadura Cabral, que não viria a ocupá-la, tendo sido vendida nesse mesmo ano a Manuel Duarte. 

Rua Castilho, 64-66  |c. 1930|
Prémio Valmor de 1930A charmosa Rua Castilho, na placidez dos anos 40, o passeio central arborizado, as suas elegantes moradias com vista sobre o casario, destacando-se a estátua do Marquês de Pombal.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Esta moradia reflectia as preocupações do arquitecto com a temática da «casa portuguesa», sobre a qual se debruçou durante vários anos, traduzidos nas formas arquitectónicas portuguesas tradicionais, com jardim circundante e o uso de elementos característicos como o alpendre, os beirais, as cantarias e o azulejo.
 
Rua Castilho, 64-66, traseiras |c. 1930|
Prémio Valmor de 1930
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Demolida em 1982, as cantarias, colunas e portões foram posteriormente utilizados na construção do «Pátio Alfacinha». Actualmente o espaço é ocupado por um parque de estacionamento. (cm-lisboa.pt)
 
Rua Castilho, 64-66, pátio |c. 1930|
Prémio Valmor de 1930
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 3 July 2019

Rua Alexandre Herculano, 25

Prémio Valmor em 1911


O Prémio Valmor, em 1911, foi atribuído a um edifício de habitação. Este situa-se no nº 25 da Rua Alexandre Herculano. O projecto é da autoria do arq. Miguel Ventura Terra (1866-1919) e o proprietário era António Tomás Quartim.

Rua Alexandre Herculano, 25 |c. 1911|
Prémio Valmor em 1911
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Considerado um excelente modelo de arquitectura urbana, este edifício apresentava um nobre estilo, incorporando diversos materiais e demonstrando uma notória influência parisiense.
Actualmente encontra-se em bom estado e funciona aqui uma Conservatória do Registo Civil.

Rua Alexandre Herculano, 25  |c. 1952|
Prémio Valmor em 1911
Gustavo de Matos Sequeira, in Lisboa de Antigamente

Tuesday, 2 February 2016

Casa Empis, Prémio Valmor de 1907

Moradia na Avenida Duque de Loulé, 73-77, propriedade de Ernesto Empis e arquitectura de António Couto de Abreu (1874-1946). Edificado em estilo Francisco I, inspirado na Renascença Francesa, lembrava o castelo de Blois e a casa de Diana de Poitiers. Foi o primeiro edifício premiado com Valmor a ser demolido, em 1954, ocupando actualmente o seu lugar um edifício de 7 andares. Em contrapartida, o «gaioleiro» na esquina em frente, ainda por lá continua. 

Casa Empis, Prémio Valmor de [1907]
Avenida Duque de Loulé com a Rua Luciano Cordeiro

José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente
Casa Empis, Prémio Valmor de [1907]
Avenida Duque de Loulé com a Rua Luciano Cordeiro

José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 15 January 2023

Sinagoga Shaaré Tikva (Portas da Esperança)

A sinagoga Shaaré Tikvá (“Portas da Esperança"), na Rua Alexandre Herculano, abrira em 1904 longe da vista pública, porque a Carta Constitucional proibia templos não-católicos. Desde Outubro de 1910, com a República laica, o gregarismo hebraico tendeu a aumentar, embora a aprovação dos estatutos da CIL , submetidos ao Parlamento em Junho de 1911, levasse quase um ano, até Maio de 1912. Vigorava já a Lei da Separação das Igrejas do Estado (1911) e proclamara-se a liberdade dos cultos. [Edeline: 2002]


Existiam em Lisboa, desde 1810, várias casas de oração, mas dificilmente reuniam as condições necessárias ao culto, pois situavam-se em modestos andares. Assim apesar das dificuldades ocasionadas pela falta de reconhecimento oficial, a Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) consegue comprar, em nome de particulares, um terreno para a construção de um edifício de raiz, próprio e condigno.

Sinagoga Shaaré Tikvá («Portas da Esperança», do hebraico) |c. 1903|
Primeiro templo não católico em Portugal continental desde 1497; Casa Ventura Terra, Prémio Valmor de 1903.
Rua Alexandre Herculano, 59
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

O projecto da sinagoga foi da autoria de um dos maiores arquitectos da época, Miguel Ventura Terra. Situada no n.º 59 da Rua Alexandre Herculano, teve de ser construída dentro de um quintal murado (contigua à Casa Ventura Terra, atelier do arquitecto), dado que não era permitida a construção com fachada para a via pública de um templo que não fosse de religião católica, então religião oficial do estado.

Sinagoga Shaaré Tikvá («Portas da Esperança», do hebraico) |c. 1903|
Primeiro templo não católico em Portugal continental desde 1497; Casa Ventura Terra, prémio Valmor de 1903.
Rua Alexandre Herculano, 59
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Lançada a Primeira Pedra em 1902, a Sinagoga Shaaré Tikvá é finalmente inaugurada em 1904, culminando um esforço de mais de 50 anos dos judeus de Lisboa.

Sinagoga Shaaré Tikvá («Portas da Esperança», do hebraico) |c. 1903|
Primeiro templo não católico em Portugal continental desde 1497; Casa Ventura Terra,
Prémio Valmor de 1903.
Rua Alexandre Herculano, 59
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Friday, 17 July 2026

Avenida 5 de Outubro, 207-215

Prémio Valmor de 1929


No ano de 1929 o Prémio Valmor foi para uma moradia uni-familiar pertencente a Félix Ribeiro Lopes e cujo projectista foi Pardal Monteiro. Esta moradia situa-se na Av. 5 de Outubro, 207-215, utilizava uma linguagem de formas Art Déco e foi considerado “um belo exemplar da arquitectura moderna, impondo-se pelo equilíbrio das suas proporções, pela harmonia da sua decoração”[patrimonio.pt]

Avenida 5 de Outubro, 207-215 |1964-12|
Prémio Valmor de 1929
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Friday, 25 November 2022

Palacete Vale Flor

Prémio Valmor de 1928


O Prémio Valmor de 1928 coube ao Palacete Vale Flor na Calçada de Santo Amaro, 83-85, projectado pelo arqº Pardal Monteiro sendo a Sociedade Agrícola Vale Flor sua proprietária. Era uma habitação isolada, de estrutura ainda bastante clássica. O júri recomendou a moradia com jardim como um “modelo de um género de construções que muito conviria desenvolver nas encostas de Lisboa, para interromper com manchas de verdura a monotonia do casario banal e para multiplicar os terraços de onde se possam desfrutar os incomparáveis panoramas da cidade”. Foi demolido em 1953.

Palacete Vale Flor |c. 1952|
Prémio Valmor de 1928
Calçada de Santo Amaro, 83-85
Sequeira, Gustavo de Matos,  in Lisboa de Antigamente 

Wednesday, 7 October 2015

Palacete Mendonça (actualizado)

Projectado entre 1900 e 1902 pelo arqº. Ventura Terra para Henrique José Monteiro de Mendonça, roceiro em S. Tomé, o edifício construído, de gramática ecléctica, ficou terminado em 1909, data em que foi galardoado com o Prémio Valmor, tendo sido posteriormente classificado como Imóvel de Interesse Público.  O júri destacou ainda a «loggia»1, afirmando mesmo que « (...) deveria ser mais amplamente adoptado no nosso pais (...)».

Trata-se de um edifício de planta rectangular, cuja fachada apresenta 3 corpos, um central avançado e dois laterais, aos quais estão adossados duas estruturas térreas, também de planta rectangular. O corpo central, de 3 pisos, caracteriza-se, ainda, pela escadaria de acesso e pelos 3 vãos, que no 2º andar definem uma galeria, com arcos em volta-perfeita, formando uma loggia suportada por pés direitos, traduzindo uma linguagem neo-renascentista, dando, tal como no 1º andar, para uma varanda corrida com balaustrada em pedra.

Palacete Mendonça, Prémio Valmor de 1909 [post. 1909]
Rua Marquês de Fronteira, 18-28
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

No interior merecem destaque o vestíbulo coberto por cúpula envidraçada, evidenciando uma certa monumentalidade e efeito cenográfico, a partir do qual se desenvolve a monumental escadaria de acesso ao piso nobre e a feição decorativa neo-rócocó patente nos espelhos e estuques do tecto e das paredes da Sala Luís XV. Exteriormente surge rodeado por um parque murado, cujo muro de pedra se encontra ornado por um gradeamento em ferro forjado evidenciando apontamentos Arte Nova. 

1 Loggia ou Lógia é um elemento arquitectónico aberto inteiramente ou em um dos lados — como uma galeria ou pórtico — coberto e, normalmente, sustentado por colunas e arcos.

Palacete Mendonça, Prémio Valmor de 1909, fachada posterior [c. 1909]
Rua Marquês de Fronteira, 18-28
Joshua Benoliel, 
 in Lisboa de Antigamente

N.B. Henrique José Monteiro de Mendonça foi um importante homem de negócios do final do século XIX e início do século XX em Portugal. Proprietário da Roça da Boa Entrada, na ilha de São Tomé, foi um dos pioneiros do ciclo do cacau, tendo promovido o desenvolvimento de metodologias inovadoras no seu cultivo e processo de secagem.
[MACEDO, Marta – Império de Cacau. In JERÓNIMO, Miguel Bandeira, coord. –  O império colonial em questão: sécs. XIX e XX. Lisboa: Edições 70, 2012. p. 289-316]

Vista panorâmica da zona de São Sebastião da Pedreira no local de construção do Palacete Henrique de Mendonça |1900-1902|
Rua Marquês de Fronteira, 18-28
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 4 September 2016

Avenida Almirante Reis, 2-2K

Em 1908, atribui-se pela primeira vez o Prémio Valmor a um edifício de rendimento cujo piso térreo era ocupado por estabelecimentos comerciais. Edifício de gaveto, com projecto de Arnaldo R. Adães Bermudes (1864-1948), propriedade de Guilherme Augusto Coelho, conforme legenda incisa numa pilastra da fachada principal.


Construído em 1908, segundo projecto do arq.º Arnaldo Adães Bermudes, trata-se de um edifício ecléctico, que congrega diversas correntes estilísticas, conforme foi usual nos meios mais académicos da viragem de século. O edifício termina, do lado sul, num corpo semicircular que define o gaveto voltado ao amplo espaço público formado pela ligação da Avenida Almirante Reis ao Largo do Intendente Pina Manique
Apresenta quatro pisos, separados por longas varandas nos registos inferiores, fazendo-se a animação dos alçados por panos alternadamente reentrantes e salientes nas faces principal e posterior. O piso térreo é ocupado por lojas que ocultam parcialmente a estrutura, arrancando dos arcos que definem as entradas principais os maciços que suportam os três panos salientes, que incluem silhares almofadados de gosto neoclássico. Os pisos superiores integram janelas de sacada, a maioria de vão recto, e as de mais cuidado tratamento a pleno centro ou de perfil abatido. 

Avenida Almirante Reis, 2-2K;  Largo do Intendente, 1-6 |c. 1908|
Antiga Avenida D. Amélia antes Avenida dos Anjos
 Prémio Valmor de 1908
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Ao nível dos segundo e terceiro andares existem varandas corridas protegidas por gradeamentos de ferro forjado, decorados ao estilo Arte Nova. No último registo, as varandas aplicam-se apenas às janelas dos panos salientes, sendo as restantes intercaladas por painéis de azulejos policromados, também Arte Nova, com motivos florais e animais. O coroamento inclui frontões de volutas cujos tímpanos são revestidos com azulejos Arte Nova, e segmentos de balaustrada simples. Sobre o corpo semicircular ergue-se uma cúpula de pendor neobarroco, assente sobre cachorrada e encimada por lanternim em forma de templete. 
Classificado Imóvel de Interesse Público pelo Dec. 28/82 de 26 de Fevereiro [de 1982].¹
Nota(s).: Actualmente (2016) tem projecto de reabilitação para reconversão em hotel.

Avenida Almirante Reis, 2-2K;  Largo do Intendente, 1-6 |c. 1930|
Antiga Avenida D. Amélia antes Avenida dos Anjos
 Prémio Valmor de 1908
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ˢALMEIDA, Álvaro Duarte de/BELO, Duarte, Portugal património: Lisboa, p. 199, 2007.

Friday, 10 December 2021

Rua Artilharia Um, 105

Prémio Valmor de 1949


Em 1949 o Prémio Valmor foi atribuído a um edifício de habitação com o piso térreo ocupado por estabelecimento comercial, situado na Rua Artilharia Um, 105, um projecto do arq.º João Simões para a Companhia de Seguros Sagres.
Modelo de referências da arquitectura do Estado Novo, cruzando modelos do século XVIII com a arquitectara tradicional portuguesa. Mantém a função original.

Rua de Artilharia Um, 105 [c. 1951]
Prémio Valmor de 1949
Firmino Marques da Costa, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Este arruamento, anteriormente designado por Rua José da Silva Carvalho, antes Rua de Entremuros (por deliberação camarária de 08/04/1897), com início na Rua São Filipe Néri e fim na Rua Marquês de Fronteira, abrange as Freguesias de São Mamede, São Sebastião da Pedreira e Campolide. 
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