Monday, 4 January 2016

Palácio Marialva (Quinta Real da Praia)

Aí temos — diz Norberto de Raujo — , à esquina da Rua de Bartolomeu Dias e da Praça Dom Vasco da Gama [hoje «do Império»], e até há um mês [1939] dentro de um recinto circundado de muros a cair e de vedações provisórias, demolidos já, um edifício, precedido de um Pátio, pelo qual se entra por um portal antigo, armoriado, que se mantém de pé, por milagre.


O antigo palácio, ou casa de campo, da «Quinta Real da Praia», dito também «de Marialva» e, depois, «de Loulé» [onde é hoje o Centro Cultural de Belém], na Praça do Império em Belém, tornejando do lado Sul-Poente para a Rua Bartolomeu Dias, é uma fundação, de seu irreconhecível núcleo primitivo, do século XVI, transformada no século XVII. Pertenceu esta quinta ribeirinha a D. Manuel de Portugal, filho do l.º Conde Vimioso, poeta, amigo de Camões, e que morreu em 1606; este D. Manuel de Portugal foi também o possuidor (1669) da quinta que chegou aos Condes de Aveiras, adquirida por D. João V. De D. Mam1el passou a uma filha, D.  Joana, e  depois foi comprada por Rui da Silva, sogro do l.º Conde de S. Lourenço, Pedro da Silva, do qual transitou para sua filha D. Madalena, que casou com seu primo Martins Afonso de Melo, 2.° Conde de S. Lourenço, falecido em 1671. Era então chamada a  Quinta de S. Lourenço. A viúva do 5.º Conde, D. Rodrigo de Melo e Silva, vendeu esta quinta com casa nobre a D. João V, passando a propriedade a ser conhecida por «Quinta Real da Praia».

Palácio Marialva (Quinta Real da Praia) [1931]
Rua Bartolomeu Dias/Praça do Império

Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Depois do Terramoto o Rei D. José presenteou o seu amigo D. Pedro de Meneses, seu estribeiro-mor, e 4.º Marquês de Marialva, com esta agradável estância solarenga e quinteira, e deste fidalgo foi herdada por seu filho D. Diogo José, 6.º Marquês, casado com D. Margarida, filha do 8.º Duque de Cadaval, entrando a  seguir na posse do 6.º Marquês, D. Pedro José, falecido sem descendência, e transitando assim para uma filha do 5.º Marquês, D. Maria Margarida, que era Marquesa de Loulé.

Panorâmica sobre Belém, vê-se o palácio da Marialva, o mercado e a fábrica de gás de Belém [ant. 1949]
Eduardo Portugal, in AML

Nesta família se conservou, chegando a  José Pedro Folque, que foi quem em 1929 vendeu ao Estado toda a propriedade — então muito diferente do que fôra, já sem torreões, mas ainda com seu pátio orientado a Nascente — para ali se instalar a Faculdade de Letras, ideia posta de parte, passando a ocupar o palácio, em Fevereiro de 1929, o Liceu D. João de Castro, que pouco tempo ali demorou. Logo em Março instalou--se no velho palácio o Comissariado da Exposição do Mundo Português, sendo eliminado o pátio fidalgo, e  o edifício sujeito a obras sumárias no exterior. Em 1941 o edifício passou a sede da extinta comissão administrativa das obras da Praça do lmpério, e em 1946 instalou-se nele a comissão administrativa das obras da Universidade de Coimbra.
A casa nobre «da Praia» foi restaurada ou reedificada nos meados do século X\VII, e, depois, em 1727. Hoje [1939] é apenas uma sombra setecentista, com raros documentos de seiscentos.

N.B. Foi demolido em 1962.
 
Panorâmica sobre Belémtirada do mosteiro dos Jerónimos, vê-se o palácio da Marialva [1937]
Praça do Império  com a Rua Bartolomeu Dias
Eduardo Portugal, in AML

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, 1946.

5 comments:

  1. Nossa esse site e incrível, muitas informações
    incríveis, adorei, continue com esse incrível trabalho, vou ler o resto do site.

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  2. Boa tarde,
    Sigo este blog com interesse, e já me tem sido útil em diversas pesquisas. Obrigado por isso.
    Porém, seria desejável que as frases que aqui coloca, contextualizando as imagens, estivessem devidamente referenciadas.
    Por exemplo, em vários posts sobre Belém encontro frases retiradas da minha tese de mestrado ("Belém e a Exposição do Mundo Português - cidade, urbanidade e património urbano"), sem que o meu nome apareça citado.
    A minha tese está a ser publicada pela Livros Horizonte (colecção "Lisboa"), com lançamento previsto para daqui a algumas semanas.
    Se citasse devidamente o meu nome (e o dos outros autores em que se baseia), ficaria muito agradecido.
    Pedro Nobre

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    1. Gratos pelo apreço. Referenciamos, sempre que possível, a bibliografia e as fontes dos textos. Neste caso as informações foram recolhidas de "NÉU, João B. M., Em Volta da Torre de Belém, Pedrouços e Bom Sucesso, vol. II, 1998)". Cumps,

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  3. Boa noite,
    O Liceu D. João de Castro deve ter ido para o Palácio antes de 1939, pois o meu Pai, José Pedro Machado, frequentou-o. Ele nasceu em 1914.... E em 1940 estava a casar...
    Att,
    Rosa Machado

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    1. Tem razão, digitei erradamente "1939" em vez de "1929" - data correcta. Grato pelo reparo. Cumps,

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