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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Estr. de Benfica que foi de Palhavã

Estr. de Benfica, ou de Palhavã, como se pode constatar na placa toponímica no muro do Parque José Maria Eugénio, hoje Fundação Calouste Gulbenkian na Rua Doutor Nicolau de Bettencourt, que era um troço da Estr. de Benfica, compreendido entre o Largo de S. Sebastião da Pedreira e a Praça de Espanha.

Estr. de Benfica, ou de Palhavã [1946]
Actual Rua Doutor Nicolau de Bettencourt, junto à Gulbenkian [Inundações de 1946]

Ferreira da Cunha,
in Lisboa de Antigamente
Estr. de Benfica, ou de Palhavã [1946]
Actual Rua Doutor Nicolau de Bettencourt; Av. António Augusto de Aguiar e Palácio Palhavã. Os muros do parque José Maria Eugénio [de Almeida] (dir.) que foram demolidos para prolongamento da Praça de Espanha.

Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

De acordo com a entrada BENFICA (Sítio de ), no Dicionário de História de Lisboa (Lisboa: Carlos Quintas & Associados - Consultores, Lda., 1994), « Benfica surge como aldeia desde o séc. XIII, em redor da igreja primitiva de N. S. do Amparo. Próximo do actual Sete Rios, instalaram-se em 1399 os dominicanos, nos paços reais doados pelo Rei D. João I. Havia, assim, como que dois pólos na freguesia de Benfica e, para distinguir a zona dos paços reais e depois do convento dominicano, esta vai surgir referida como Benfica-a-Nova, ou Benfica de Baixo. O crescente povoamento da região ao longo dos tempos deu origem ao aparecimento de novos lugares: Calhariz no séc. XIV, Cruz da Pedra no séc. XVI e, entre estes dois pontos da espinha dorsal que era a Estrada de Benfica, surgiram mais tarde outros núcleos». (cml-lisboa.pt)

Rua Doutor Nicolau de Bettencourt, antiga Estr. de Benfica, ou de Palhavã [1957]
À direita, o muro do parque da Fundação Calouste Gulbenkian; ao fundo, a Praça de Espanha.
Judah Benoliel,
in Lisboa de Antigamente

domingo, 5 de novembro de 2023

Chafariz de Benfica

Inaugurado em 1788, foram responsáveis pela obra Reinaldo Manuel dos Santos e Francisco António Ferreira Cangalhas, que o conceberam segundo o programa neoclássico. Chafariz de espaldar, insere-se num pano de parede côncavo com embasamento cal- cário com bancos. O corpo do chafariz apresenta-se enquadrado por duas portas de emolduramento simples, e pano de muro em cantaria de calcário dividido em três módulos.

Chafariz de Benfica |c. 1900|
Estr. de Benfica
Amplo chafariz implantado num recinto elíptico, pavimentado a calçada à portuguesa, aberto frontalmente composto pelo chafariz, ao centro, integrando arca de água, rodeado por dois panos laterais, curvos.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O central, mais alto, exibe tabela com o brasão de D. Maria I encimado por frontão. Adossado à zona inferior da fachada principal encontra-se o tanque com duas bicas. No alçado posterior observa-se a caixa cúbica do depósito, com cobertura piramidal.
Pela Resolução de 29 de Dezembro de 1779, e Alvará de 19 de Julho de 1786, se concederam os sobejos
para a Quinta do Desembargador Manuel Ignacio de Moura.

Chafariz de Benfica |1963|
Estr. de Benfica
Ao centro ostenta grande cartela rectangular, disposta na vertical, inferiormente formando arco de volta perfeita e, superiormente recortada para enquadrar brasão com as armas de D. Maria I, recortado e envolvido por motivos volutados e paquife, encimado por coroa. 
Armando Serôdio,  in Lisboa de Antigamente

N.B. Junto à extremidade da ala lateral direita, encontra-se um marco quilométrico tendo inscrito "LISBOA 8 Km". Na proximidade ergue-se a Igreja de Nossa Senhora do Amparo, com cruzeiro no adro.

Chafariz de Benfica |1963|
Estr. de Benfica; ao fundo nota-se a Igreja de N. S. do Amparo
Chafariz com duas bicas circulares; tanque de planta rectangular, de ângulos
recortados e perfil galbado, com bordo achatado, tendo dois pilares e réguas metálicas
para apoio de vasilhame. 
Armando Serôdio,  in Lisboa de Antigamente

Nota(a): Em 1758, Benfica tinha 805 vizinhos e 3960 pessoas; todos os domingos do mês de Maio realizava-se, junto do Convento de São Domingos de Benfica, uma feira livre; tinha duas fontes, uma no Convento de São Domingos e outra na Quinta de Santo Eloy; Em 1778, a Junta das Águas Livres mandou construir um sistema de canalização para abastecer o futuro chafariz de Benfica.

Chafariz de Bemfica |s.d.|
Estr. de Benfica
Os panos laterais, em alvenaria rebocada e pintada, terminados em friso e com cobertura em meia cana, têm frontalmente embasamento com bancos adossados e dois portais de verga recta de acesso à casa de água.
Gravura, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ALMEIDA, Álvaro Duarte de, Portugal património, 2007.
VELOSO DE ANDRADE, José Sérgio , Memória sobre Chafarizes, Bicas, Fontes e Poços Públicos de Lisboa, Belém e muitos lugares do Termo., 1851.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Igreja Paroquial N. S. do Amparo, de Benfica

A igr. paroquial de Nossa Senhora do Amparo, de Benfica, é uma edificação do século passado [XIX], embora começada no meado do século XVIII. Com efeito por ocasião do Terramoto já se andava levantando «a igreja nova», cujos trabalhos realizados o cataclismo quase inteiramente destroçou. A edificação ficou então suspensa, não se cuidando da conclusão dos trabalhos senão em 1802, o que se compreende, pois os encargos eram cobertos por esmolas, as quais na segunda metade do século XVIII deviam ser muito escassas.

Igreja Paroquial Nossa Senhora do Amparo, de Benfica [1970]
Fica situada no fim da antiga Estr. de Benfica, em plano elevado e voltada a Poente.
João Brito Geraldes, in Lisboa de Antigamente

A paróquia é, pelo menos, seiscentista, pois consta. que existia em 1620, instalada em ermida ou igr. situada no local onde se ergueu o templo actual, a Sul da capela-mor, sobre o chamado «Adro da Igreja», e a qual se conservava de pé, como relíquia, ainda em 1868. Esse templo, se não outro mais antigo ainda, vinha pelo menos do final do século XIV, com a mesma invocação de Nossa Senhora do Amparo pois foi então doado ao mosteiro do Salvador, de Lisboa, pelo bispo do Porto D. João Esteves.

Igreja Paroquial Nossa Senhora do Amparo, de Benfica [195-]
Estr. de Benfica
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Em 1881 a igreja paroquial de Benfica foi objecto de largos restauros, e são dessa época as pinturas que· o templo ostenta. O território da freguesia de Benfica foi incorporado no da cidade de Lisboa em Julho de 1881, mas a parte para além da estrada da Circunvalação passou para o Concelho de Oeiras, em 1895 foi anexada à freguesia de Belas e em 1898 à de Carnaxide.

Igreja Paroquial Nossa Senhora do Amparo, de Benfica [195-]
Estr. de Benfica
Adro e Cruzeiro da Igreja de Benfica.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. À ilharga do templo, no antigo «Adro da Igreja», ergue-se um Cruzeiro, composto de cruz sobre coluna redonda de mármore, assente sobre uma base escultórica de pedra, com elementos simbólicos da Paixão e alegorias animais desgas­tadas pelo tempo, servido por dois degraus cir­culares; na base vê-se uma data (1911), corres­pondente a um restauro.
__________________________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, 1956.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Antigas Portas de Benfica

Seguindo a estr. de Benfica, vai-se ter às antigas portas fiscais e por aí é o caminho para a Amadora e Queluz. [Proença: 1924]
 
Os vários edifícios construídos ao longo da circunvalação da cidade destinavam-se a albergar unidades da Guarda Fiscal que cobravam o «Real da Água», isto é, impostos sobre o consumo de vários géneros alimentares que entravam e saíam dos limites físicos da cidade.

Os Castelinhos das Portas de Benfica [1970]
Estrada de Benfica/Estrada Militar
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

O nome «Real da Água» foi herdado dos impostos semelhantes que, no «Antigo Regime», eram cobrados com carácter extraordinário para fazer face a despesas de construção de aquedutos e chafarizes.
Foi esta uma das formas de financiamento da construção do Aqueduto Geral das Águas Livres e a sua cobrança prolongada em Lisboa, acabou por transformar este imposto temporário em permanente. O imposto eram particularmente pesado sobre as bebidas alcoólicas e, até à sua extinção em 1922, eram frequentes os episódios de contrabando de álcool nas barreiras da cidade.

Os Castelinhos das Portas de Benfica [1970]
Antigo posto da polícia de trânsito; Estrada de Benfica/Estrada Militar
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

O projecto, de autor desconhecido, data de 1886. Construidas em estilo neogótico, com ameias inspiradas nos castelos medievais, as Portas de Benfica foram recentemente requalificadas e reinseridas num arranjo paisagístico que conciliou a moderna rede viária com estes últimos sobreviventes dos antigos postos da Guarda Fiscal. (cm-amadora.pt)

Os Castelinhos das Portas de Benfica [1970]
Antigo osto da polícia de trânsito; Estrada de Benfica/Estrada Militar]
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

domingo, 19 de julho de 2026

Campos de Futebol de Antanho: Campo da Feiteira

A primeira grande surpresa de Afonso, ao chegar ao campo [da Feiteira] e ao ver as equipas no aquecimento, foi a de que nada parecia ter mudado. O Sport Lisboa e Benfica alinhava com o antigo equipamento do Grupo Sport Lisboa, camisolas vermelhas e calções brancos, e o próprio emblema da águia se mantinha ao peito, acrescentando-se-lhe agora uma roda de bicicleta, o símbolo do Bemfica. [SANTOS, 2004]

Campo da Feiteira |c. 1909|
Inaugurado em 1907, tinha capacidade para 8 mil espectadores, e o campo media 120 metros por 79.
Quinta da Feiteira junto à Estr. de Benfica, e nela: Chalet Ribeiro, Villa Ana (1890) e igr. de Benfica.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

O major Faria Leal, antigo dirigente do Sport Benfica (fund. 1906), revelaria mais tarde: «O futebol tomou logo de princípio enorme incremento e adquiriu-se, por arrendamento, na Quinta da Feiteira”, de que era proprietário o brasileiro comendador César José de Figueiredo, um campo. Este campo, hoje ocupado pelo grande bairro fronteiro à igreja de Benfica, e que foi arrendado por uma ridicularia, fora um extenso faval sulcado de regos, que foi convenientemente trabalhado à enxada pelos próprios sócios, para que pudesse ser adaptado ao jogo. O facto de sermos o primeiro clube que possuía campo próprio atraiu à nossa convivência os jogadores de outros clubes, principalmente os do Sport Lisboa (fund. 1904) que como todos eles, se treinavam e jogavam nos areais de Alcântara e Belém, ou no Largo da Luz. Desta convivência resultou, mais tarde, a união Sport Lisboa e Benfica (1908), que subsistiu até hoje.» [Dias: 2000]

Campo da Feiteira |entre 1907 e 1910|
O terreno na Quinta da Feiteira foi oficialmente adquirido pelo clube em 26 de Maio de 1907, e o campo foi inaugurado em 14 de Julho do mesmo ano.
Quinta da Feiteira junto à Estr. de Benfica vendo-se o Chalet Ribeiro e a Villa Ana. 
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B. Foi no seio de um grupo de antigos alunos da Real Casa Pia que surgiu a ideia de fundar um clube, o Grupo Sport Lisboa. Em 1904,  realizou-se uma reunião histórica nas instalações da Farmácia Franco, sita na velhinha Rua Direita de Belém.  Nela estiveram presentes dezoito elementos, entre eles, Cosme Damião, que contava apenas dezoito anos e era jogador da equipa, assumindo mais tarde o posto de capitão do grupo e um jogador importantíssimo, vindo a ser, no entanto, como dirigente que mais se destacou, mesmo nunca chegando a presidente. [C.F. Casa: 2013]

Campo da Feiteira |1910-01-23|
Equipa do Sport Lisboa e Benfica, no campo da Feiteira. Cosme Damião é o capitão da equipa (com a bola). Jogo entre o Sport Lisboa e Benfica e o Clube de Carcavelos arbitrado por Eduardo Pinto Basto.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

domingo, 13 de setembro de 2015

Igreja de Benfica — ou de Nossa Senhora do Amparo

Antes da existência da actual Igreja de Benfica — ou de Nossa Senhora do Amparo — inaugurada em 1809, existiam duas outras igrejas, situadas sensivelmente no mesmo sítio, constituindo o lugar de culto da Paróquia de Benfica. As obras para a construção da Igreja iniciaram-se em Agosto de 1750, com um projecto do Mestre João Frederico Ludovice, arquitecto do Convento de Mafra. Os donativos para a realização desta obra foram reais e populares. 

 Igreja Paroquial Nossa Senhora do Amparo de Benfica |Início séc. XX|
Estrada de Benfica; Rua Ernesto Silva; ao fundo nota-se o Palácio Baldaya.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

A Igreja de Nossa Senhora do Amparo apresenta uma fachada de três corpos e uma torre. A planta é de uma só nave, possuindo quatro capelas laterais com telas de Pedro Alexandrino. O adro do lado nascente é enobrecido por um belo cruzeiro, que já lá estava no tempo da Igreja velha. 

Igreja Paroquial Nossa Senhora do Amparo de Benfica |c. 1940|
Estr. de Benfica
Eduardo Portuga, in Lisboa de Antigamente

O adro do lado poente, onde no princípio deste século XX se construiu um inestético coreto, cedeu parte do seu espaço, a norte e poente, para a construção do Centro Paroquial, entre 1959 e 1964.

Igreja de Nossa Senhora do Amparo, no século XIX, mais tarde denominada de igreja de Benfica
  
Desenho de Barbosa Lima e gravação em madeira de Coelho e Pedroso
in Arquivo Pitoresco, vol VI, 1863, p.105

domingo, 14 de julho de 2024

Estação de Benfica

É no fim do séc. XIX que é inaugurada a Linha de Sintra (1887) e consequentemente a Estação de Benfica. Apesar de trazer grandes vantagens à zona e proporcionar um maior e mais rápido desenvolvimento, uma linha férrea cria uma barreira muito marcante na cidade. Foi esse o caso da linha de Sintra. O bairro do Calhariz de Benfica ficou separado de Benfica pela linha do comboio, e isso criou grandes dificuldades no seu desenvolvimento. Foi a partir desta data que Benfica começou a crescer exponencialmente, mas por outro lado a zona do Calhariz ficou completamente “paralisada” com esta separação. É também com a instalação da linha férrea que é criada a “rua da estação” a actual Av. Gomes Pereira, que estabelece a ligação entre a estrada de Benfica e a estação ferroviária.
(José Santos Pereira, projecto urbano para a estação de Benfica, 2012)

Estação de Benfica |1964|
Estação ferroviária sita ao cimo da Avenida Gomes Pereira/R. da Venezuela; o vulgo apelidou-a de “Rua do Comboio”, “Rua da Estação”, “Rua do Cinema” ou “Rua da Fábrica”.
Garcia Nunes, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Clube de Futebol Benfica: Estádio Francisco Lázaro

O Clube Futebol Benfica é uma associação desportiva da cidade de Lisboa cuja origem remonta ao ano de 1895, com a designação Grupo Foot-ball Benfica.
A 23 de Março de 1933 — data assinalada como aniversário — dá-se a reorganização do Clube que, por força da Constituição da República Portuguesa então vigente, altera o seu nome para o actual Clube Futebol Benfica, através de um manifesto distribuído à população do Bairro de Benfica.

Clube de Futebol Benfica: Estádio Francisco Lázaro |1960|
Rua Olivério Serpa, 9; Igreja de Benfica (Nª Sª do Amparo)
João Goulart, in Lisboa de Antigamente
Clube de Futebol Benfica: Estádio Francisco Lázaro |1960|
Rua Olivério Serpa, 9
João Goulart, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Estr. de Benfica

Chalet do conselheiro Figueiredo sito no gaveto com a Rua Cláudio Nunes [vd. 2ª imagem] defronte ao Chafariz de Benfica; para poente, a cerca da 100 mt. do chalet — hoje demolido — fica a Igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica.

Estr. de Benfica [Início séc. XX]
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): esta fotografia não está identificada no arquivo

A Igreja de Benfica — ou de Nossa Senhora do Amparo — segundo projecto do arquitecto João Frederico Ludovice foi inaugurada em 1809.

A toponímia consagra Cláudio José Nunes, nascido e falecido em Lisboa, na freguesia de Benfica, que foi escritor e deputado, eleito em 1862 pelo Partido Progressista Histórico. Publicou «Verdades Amargas», um opúsculo de considerações políticas e o livro de poesia «Cenas Contemporâneas». [cm-lisboa.pt]

Estr. de Benfica [post. 1901] 
Chalet do conselheiro Figueiredo e Igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica

sábado, 13 de maio de 2017

Estádio do Sport Lisboa e Benfica (actualizado)

O dia 1 de Dezembro de 1954 é a data que assinala um dos maiores feitos da história benfiquista  — a inauguração do Estádio do Sport Lisboa e Benfica, popularmente conhecido por Estádio da Luz.


Havia nele a máxima tensão
Como um clássico ordenava a própria força
Sabia a contenção e era explosão
Não era só instinto era ciência
Magia e teoria já só prática
Havia nele a arte e a inteligência
Do puro e sua matemática
Buscava o golo mais que golo – só palavra
Abstracção ponto no espaço teorema
Despido do supérfluo rematava
E então não era golo – era poema.
("Eusébio"por Manuel Alegre)

A elaboração do projecto do "Novo Parque de Jogos" foi entregue ao arquitecto João Simões, antigo futebolista do Clube, nas categorias inferiores, entre 1925/26 e 1929/30, que teve a sabedoria de conceber um conjunto de recintos desportivos magnífico para o estádio principal e para os espaços desportivos envolventes, uma obra arquitectónica notável, que, apesar de concluída apenas 40 anos depois, seguiu as "linhas gerais" definidas em finais dos anos 40 por João Simões, o que enaltece a genialidade do projecto inicial.

Estádio da Luz [c. 1954]
Vista do campo de jogos. Benfica (S. Domingos) - terrenos à direita da Azinhaga da Fonte, que liga o Calhariz de Benfica ao Largo da Luz, em Carnide.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
Estádio da Luz [Onze horas do dia 1.º de Dezembro de 1954]
 A mítica abertura de portas do antigo Estádio do Sport Lisboa e Benfica.
Museu Benfica - Cosme Damião, in Lisboa de Antigamente

Finalmente, às 11 horas do dia 1 de Dezembro de 1954, o emocionado líder do Clube, e maior responsável pela passagem do sonho à realidade, Joaquim Ferreira Bogalho, abre simbolicamente uma das portas de acesso ao Estádio, inaugurando um dos mais belos recintos desportivos do mundo. O Recinto viria a acompanhar o futuro crescimento desportivo e associativo do Clube. Originalmente com "dois anéis", sem iluminação e isolado, seria mais tarde dotado de torres de iluminação (1958), de um 3º anel construído em duas fases (1960 e 1985, permitindo aumentar a sua lotação para 70 000 e 120.000 pessoas, respectivamente) e de inúmeras infra-estruturas desportivas à sua volta. A 04/01/1987, por ocasião da 15.ª jornada do Campeonato Nacional de 1986/87, frente ao FC Porto, o Estádio da Luz registaria a maior assistência de sempre: 135 000 pessoas!

Estádio da Luz [1962]
Perspectiva tomada da  2-ª Circular (em construção)
Já dotado de torres de iluminação (1958) e de um 3º anel (1.ª fase).

João Goulart, in Lisboa de Antigamente
Complexo do Estádio do Sport Lisboa e Benfica, mostrando os arredores e Segunda Circular  |c. 1965|
Postal ilustrado fotográfico

Bibliografia
(slbenfica.pt)

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Estr. de Benfica, 674: Vila Ana e Vila Ventura

Vila Ana e Vila Ventura são duas vilas (Chalets) centenárias mandadas construir por uma família portuguesa regressada do Brasil, situadas no nº 674 da Estr. de Benfica. Os seus projectos datam de 1890 e 1910, respectivamente.
São os últimos vestígios históricos e arquitectónicos (apelidado como “Casas do Brasileiro”) das casas apalaçadas e quintas que existiam na freguesia de Benfica. Ali viveu o General Spínola e o escritor Luiz Pacheco.

Estr. de Benfica, 674: Vila Ana e Vila Ventura |1968|
Vila Ana, cujo nome homenageia a mãe da promotora - D. Maria Gertrudes da Conceição Macedo de Barros, e Vila Ventura, cujo nome homenageia o pai daquela. 
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Alinhadas em espelho, dois andares de cinco janelas por piso, ladeadas cada uma por um torreão de quatro águas e outro de duas. Toques de gosto de quem construiu para servir ou fazer inveja a quem passa: os torreões têm janelas redondas, em óculo, e as telhas das cumeeiras são rematas por friso de elementos decorativos.

Campo de futebol da Quinta da Feiteira |1911-05-21|
Ao fundo, na Estr. de Benfica, vislumbram-se as Vilas Ana (1890) e Ventura (em construção). À dir. vê-se a igr. de Benfica.
Legenda no abandalhado amL «Equipa da Associação de Futebol de Lisboa que jogou com os estudantes de Bordéus e ganhou por 5-1»
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Sete Rios

Como poderia haver sete «rios», que percorressem a curta zona compreendida entre o Jardim Zoológico (Estrada de Benfica) e a linha férrea (Campolide-Rego) ? Que «rios» foram ou eram estes? ¹


Lisboa possui dois casos do emprego toponímico do mesmo número redondo «sete»: Sete Rios, local onde, ao menos na época pluviosa, convergem vários cursos de água, e Alto dos Sete Moinhos, local onde se ergueram diversos moinhos de vento, de que ainda restam as ruinas.²

Sete Rios |196-|
Desvio das linhas dos eléctricos devido às obras do Metropolitano em Sete Rios; Estr. de Benfica.
Judah Benoliel, 
in Lisboa de Antigamente

O lugar de Sete Rios surge então — recorda o Guia de Portugal de 1924 —, na confluência de duas estradas, uma para O., chamada hoje Rua de Campolide, que leva à estação deste nome, e outra para E., que constitui a travessa das Laranjeiras. [...] O troço da esq. leva ao Palácio Farrobo com frente ao  Chafariz das Laranjeiras.
Uma linha eléctrica liga a Rotunda [actual Praça do Marquês de Pombal] com Benfica passando pela Avenida de António Augusto de Aguiar, Palhavã, Sete Rios, Laranjeiras, Cruz da Pedra e S. Domingos de Benfica.³
 
Estr. de Benfica vista da Rua de Campolide) |196-|
Antes do desvio das linhas dos eléctricos devido às obras do Metropolitano.
Judah Benoliel[?], 
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ Ocidente: Revista portuguesa de cultura, vol. 57, p. 2, 1959.
² O número redondo «sete» na toponímia lisboeta. Papeis de José Maria António Nogueira in Anais das Bibliotecas, Museus e Arquivo Historico Municipais, p. 107, 1931.
³ Guia de Portugal, 1924.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

O Retiro do Caliça na Estr. dos Salgados

Nas hortas, havia sempre cães famintos, pedintes, hortelões e cavadores, e o indispensável cego da guitarra, acompanhado pela mulher da viola e outros músicos, que entoavam canções de guitarredo fácil e dedilhavam e esganiçavam o fado com um estilo especial e inconfundível, indo de mesa para mesa, onde o peixe fumegava e os canjirões do roxo ferviam.


Nos arrabaldes de Lisboa, pelo Arieiro, Campo Grande, Campolide, Xabregas e muitos outros sítios, eram inúmeros os retiros campestres, onde se comia, bebia, cantava e jogava o chinquilho em mangas de camisa. 
Desapareceram já quási todos, uns porque a urbanização da cidade os sacrificou, outros porque passou de moda ir ás hortas, o cego da guitarra eclipsou-se por ordem das autoridades e foi-se o ambiente alfacinha daquelas diversões. (...)
Havia, ainda, o José dos Caracois, no Arieiro; o Faustino e o Guerra, em Cabo Ruivo, donde se viam passar, lá em baixo, os tramways de Vila Franca e se comia um delicioso pudim fabricado pelas recolhidas de Cheias; o Ferro de Engomar, na estrada de Bemfica, bem como Bacalhau, o Charquinho, que foi do Paco, da rua das Gáveas; as Pedralvas; o Caliça, todos em azinhagas próximas;» [1]

O Retiro do Caliça e o Cemitério de Benfica [c. 1904]
O antigo Retiro do Caliça situava-se na Estrada dos Salgados; em segundo plano, a Capela do Cemitério de Benfica,
junto à Estrada Militar
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

O Cemitério de Benfica foi mandado construir no ano de 1869, na sequência da extinção dos antigos cemitérios paroquiais de Benfica e Carnide.
No seu espaço, perto da capela, no lado direito de quem sobe a alameda de entrada, localiza-se o jazigo mais visitado de Lisboa, onde estão depositados os restos mortais do Padre Cruz, objecto da devoção lisboeta e nacional.

O Retiro do Caliça [c. 1904]
Estrada dos Salgados a Benfica
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia:
[1] FERNANDES, Eduardo (Esculápio), in Olisipo: boletim do Grupo «Amigos de Lisboa», 1942, n-º 17, pp. 40-41.

domingo, 13 de julho de 2025

Estr. de «Bemfica» que foi Estrada Real

Bemfica (estrada de) principia em sete Rios, indo de S. Sebastião da Pedreira e finda em Santo Antonio da Convalescença, freguezia de Bemfica. [Velloso: 1869]

Este topónimo está ligado à proximidade do Convento de São Domingos de Benfica. Esta localidade, onde viveu e morreu Frei Luís de Sousa (Manuel de Sousa Coutinho, este o seu nome antes de abraçar o sacerdócio), é descrita na sua História de S. Domingos cap. III do livro segundo. Leiamos isto do insigne clássico: «A huma piquena legua da cidade, pola estrada que corre para Cintra, (...) fica como escondido, e furtado a communicação da gente hum pequeno valle, que sendo naturalmente aprazível, por frescura de fontes e arvoredo, mereceo, ao que se póde crer, o nome que tem de Bemfica. (...) Na ladeira do monte maior, está situado o Convento, e d'ella se estende com sua cerca até hir beber no Rio».
Foi no Convento de São Domingos de Benfica que Frei Luís de Sousa professou como frade dominicano, em 1614. Este convento foi reconstruído no século XVII, parcialmente destruído pelo Terramoto de 1755 e extinto em 1834.

Estr. de «Bemfica» |1938|
Junto à Tv. S. Domingos de Benfica
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Estr. de «Bemfica» |1938|
Próximo do Calhariz
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente





























Bemfica, era sítio que, segundo Ramalho Ortigão: «Em nenhum outro lugar de Portugal, se exceptuarmos Sintra, se encontrarão reunidas em tão pequeno circuito, tão lindas, tão históricas, tão anedóticas, tão saudosas quintas. 
A antiga e amável povoação de Benfica, ainda que tão decaída hoje da alta importância que teve outrora no conceito, caprichoso e inconstante, da alta sociedade da capital, é ainda assim, no seu tanto, o recantinho suburbano de Lisboa que mais aproximada ideia nos sugere do que é para Roma o prestígio de Tivoli e de Frascati.» [Arte portuguesa, II, 1943]

Estr. de «Bemfica», 675 | 1961|
Boa parte do edificado já se encontra demolido.
Artur I. Bastos, in Lisboa de Antigamente
Estr. de «Bemfica», 542 |1971|
Próximo da Av. do Uruguai
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

“O break rodava na estrada de Bemfica: iam passando muros enramados de quintas, casarões tristonhos de vidraças quebradas, vendas com o seu masso de cigarro á porta dependurado de uma guita: e a menor arvore, qualquer bocado de relva com papoulas, um fugitivo longe da collina verde, encantavam Cruges. Ha que tempos elle não via o campo!” (Queiroz, Eça de, ln Os Maias, 1888)

Estr. de «Bemfica» |c. 1950|
Junto ao Calhariz no local onde os eléctricos faziam a inversão de marcha; antiga Estr. Real nº 82 (1889); alguns dos edifícios à direita ainda lá encontram.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Estr. de «Bemfica» |1961|
Esquina com a Avenida Grão-Vasco.
Augusto de Jesus Fernandes in Lisboa de Antigamente

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Campos de Futebol de Antanho: Campo de futebol das Salésias

Em 28 de Fevereiro de 1904, um grupo de 24 ex-alunos da Real Casa Pia de Lisboa, de onde se destacava a figura de Cosme Damião, cria, nas traseiras da Farmácia Franco, na zona de Belém, o Sport Lisboa com uma única secção, a de futebol. Nessa reunião histórica, ficaria definido que o recém-criado clube jogaria de vermelho e branco e que teria no emblema uma águia e o moto «E Pluribus Unum».

O primeiro campo de jogos foi na Quinta da Feiteira, mas os tempos eram difíceis. Devido a problemas financeiros, vários jogadores da primeira equipa abandonam o Benfica para o mais abastado Sporting, o que deu início a uma rivalidade que perdura até os dias de hoje e contribuiu para que em 1908, se desse a fusão do Sport Lisboa com o Grupo Sport Benfica, clube que tinha como prática o ciclismo, levando à origem do actual emblema (com a introdução da roda de bicicleta) e ao nome definitivo: Sport Lisboa e Benfica.

Terras do Desembargador, junto ao Convento das Freiras Salésias, em Belém [entre 1906 e 1907]
Jogo de futebol entre o Sport Lisboa (mais tarde SLB) e o CIF (Clube Internacional de Futebol)
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

As falhadas tentativas de reorganização do Club Lisbonense e do Grupo Estrela abriram caminho ao aparecimento no dia 8 de Dezembro de 1902 do Club Internacional de Foot-Ball, que foi o prolongamento natural do Grupo dos Pinto Basto e do Foot-Ball Club Swits.
O inicio da prática de futebol em Portugal está indelevelmente ligado ao CIF. As primeiras bolas de futebol trazidas para Portugal, os primeiros “grupos” (equipas) de praticantes, as primeiras regras oficiais do desporto, as primeiras ligas e associações de clubes resultaram de intervenção directa do CIF ou de membros fundadores e directores do Clube.

Campo de futebol das Salésias [1933]
O desfile de Infantaria durante os exercícios no campo das Salésias
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
DIAS, Marina Tavares, História do Futebol em Lisboa, 2000.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Chafariz das Águas Boas ou de Santo António da Convalescença

A rainha D. Maria I mandou, por provisão de 12 de Dezembro de 1791, os directores da Real Obra das Águas Livres estudarem as nascentes que pudessem vir a abastecer chafarizes nas estradas da Convalescença e das Laranjeiras. Os moradores da zona já várias vezes tinham pedido à Direcção da Real Obra a construção de chafarizes ou fontes nestes locais. O Chafariz das Laranjeiras foi edificado em menos de três anos após estes estudos, enquanto o Chafariz da Convalescença demorou mais tempo, somente foi concluído em 1817.

Chafariz das Águas Boas ou de Santo António da Convalescença  |1968|
Estr. de Benfica e Travessa das Águas Boas

Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Era abastecido com água do Aqueduto. O seu encanamento vinha desde São Domingos de Benfica encostado ao muro da Quinta da Senhora Infanta D. Isabel Maria. Este encanamento entupia-se muitas vezes por causa das raízes, por isso a Câmara, em 1849, ordenou a execução de um novo encanamento com 1846 palmos. Custou 18 961$423 réis, soma avultada para o tempo. Os seus sobejos eram para o Conde de Farrobo, filho do Barão Joaquim Pedro Quintela.  Na sua decoração ostenta as armas reais de D. João VI. Tem um só tanque com duas bicas. A atribuição da autoria da obra a José Theresio Micheloti (ou a Honorato José Correia de Macedo e Sá, seguindo planta elaborada por Micheloti) foi efectuada por Manuel Justino Pinheiro Maciel.
(ANDRADE, José Sérgio Veloso de - Memória sobre chafarizes, bicas, fontes, e poços públicos de Lisboa, Belém, e muitos logares do termo. Lisboa : Imprensa Silviana, 1851)

Chafariz das Águas Boas ou de Santo António da Convalescença |c. 1950|
Estr. de Benfica e Travessa das Águas Boas
 
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente
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