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Friday, 17 July 2015

Rua Tomás Ribeiro

À esquerda a Rua Sousa Martins. À direita o antigo Matadouro Municipal de Lisboa, actual Portugal Telecom (PT) e, quase escondido pelo automóvel, o antigo chafariz da Rua Tomás Ribeiro. Ao fundo, por onde desce o eléctrico, a Avenida Fontes Pereira de Melo.

Rua Tomás Ribeiro [1960]
Matadouro Municipal de Lisboa
Filipe Romeiras, in Lisboa de Antigamente

Por edital da C.M.L. de 1907, a antiga Tv. do Sacramento (1857), que era a continuação da Rua da Cruz do Taboado, (actual Rua Gomes Freire), que começava na esquina da Rua do Chafariz de Andaluz e findava no Largo de São Sebastião da Pedreira, passou a denominar-se Rua Tomás Ribeiro. 
António Tomás Ribeiro (1831-1901), diplomata, poeta romântico e dramaturgo, foi ministro da Marinha (1878), da Justiça (1879), do Reino (1881) e das Obras Públicas. (cm-lisboa.pt)

Rua Tomás Ribeiro [1955]
Matadouro Municipal de Lisboa
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Monday, 2 May 2016

Rua Tomás Ribeiro, 4-6

 Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909

 

 «Tomemos pela Rua Tomaz Ribeiro (antiga do Sacramento), e que, como a das Picôas, foi anterior à urbanização do fim do século. Ainda, à esquerda, se lhe notam nalgumas pitorescas casas reminiscências do tempo velho.» 1

Este edifício — com projecto da autoria do arqº António do Couto Abreu, propriedade de João António Marques Sena —. foi premiado com 4º Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909. Demolido em 1954, ocupando agora o seu lugar um edifício de escritórios.

Rua Tomás Ribeiro, 4-6 |c. 1909|
Esquina da Rua Viriato
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Por edital da C.M.L. de 1907, a antiga Rua do Sacramento, que era a continuação da Estrada da Cruz do Tabuado, à esquerda indo da Rua Gomes Freire, que começava na esquina da Rua do Chafariz de Andaluz e findava no Largo de São Sebastião da Pedreira, passou a denominar-se Rua Tomás Ribeiro.
Este arruamento homenageia Tomás António Ribeiro (1831-1901), conselheiro do Partido Regenerador licenciado em Direito que foi parlamentar eleito por Tondela, onde nasceu; presidente das câmaras municipais de Tondela e do Sabugal; governador civil do Porto e de Bragança; ministro da Marinha (1878), da Justiça (1879), do Reino (1881) e das Obras Públicas; diplomata e ainda, poeta romântico e dramaturgo. (cm-lisboa.pt)
 
¹ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p.82, 1939.

Friday, 12 September 2025

Rua Tomás Ribeiro esquina com a Rua Filipe Folque

Tomemos pela Rua Tomaz Ribeiro (antiga do Sacramento), e que, como a das Picôas, foi anterior à urbanização do fim do século. Ainda, à esquerda, se lhe notam nalgumas pitorescas casas reminiscências do tempo velho.» [Araújo: XIV, 1939]

Por edital da C.M.L. de 1907, a antiga Rua do Sacramento, que era a continuação da Estr. da Cruz do Tabuado, indo da Rua Gomes Freire, que começava na esquina da Largo do Chafariz de Andaluz e findava no Largo de São Sebastião da Pedreira, passou a denominar-se Rua Tomás Ribeiro.
Filipe de Sousa Folque (1800-1874) foi um aristocrata, político, militar e matemático português. Topónimo atribuído em 1902.

Rua Tomás Ribeiro esquina com a Rua Filipe Folque |1961|
Na direcção de S. Sebastião da Pedreira
Augusto de Jesus 
Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 14 June 2015

Avenida Fontes Pereira de Melo com a Rua Tomás Ribeiro

Arruamento de 1900 que homenageia o chefe do partido Regenerador, António Maria Fontes Pereira de Melo (1819-1887), que presidiu ao Conselho de Ministros na década de 1876 e 1886, período que ficou conhecido como Fontismo.
Esta artéria que faz a ligação da Praça Marquês de Pombal à Praça Duque de Saldanha integra o Plano das Avenidas Novas, do eng.º Ressano Garcia, aprovado em 1888 na Câmara Municipal de Lisboa. Este projecto seguia as ideias urbanísticas do séc. XIX, aplicando os princípios higienistas de combate à insalubridade das densas vilas da industrialização, definindo um traço regular formado por quarteirões uniformes, numa sequência de eixos estruturantes articulados por rotundas.

Avenida Fontes Pereira de Melo com a Rua Tomás Ribeiro,  1960
À direita, o muro do antigo Mercado 31 de Janeiro, antigo Matadouro Municipal.

Filipe Romeiras, in Lisboa de Antigamente
 
Neste plano, a Avenida Fontes Pereira de Melo constituía o elemento de ligação do conjunto das ruas adjacentes ao Parque da Liberdade (hoje Parque Eduardo VII) com o núcleo Picoas - Campo Grande. (cm-lisboa.pt)

Avenida Fontes Pereira de Melo com a Rua Tomás Ribeiro,  1961
Em 29 de Dezembro de 1959 é inaugurado novo sistema de transporte — o Metropolitano.
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Friday, 23 June 2017

Avenida Luís Bivar, 2-6

O Prémio Valmor em 1916 foi para o edifício de habitação na Rua Tomás Ribeiro, 58-60, mandado construir por D. Rita Isabel Ferreira de Matos e Dias, risco do arqº Miguel Nogueira Júnior.


Prédio de gaveto, com planta em forma de “L”, projecto da autoria de Miguel José Nogueira Júnior [vd. 2ª foto] datado de 1916 e agraciado com o Prémio Valmor do mesmo ano. O edifício apresenta quatro pisos em gaveto e o alçado principal orientado parcialmente a Oeste e a Sul. Implantado de forma a perfazer um dos extremos do quarteirão em que se integra, a fachada apresenta o ângulo de gaveto boleado, encimada  por remate em platibanda curva em reboco pintado e com frontão ornado por elementos vegetalistas (volutas de acanto) e com piso térreo com embasamento de cantaria de aparelho rusticado. Os vãos apresentam-se em ritmo regular, vãos em verga recta destacada por emolduramento. A Oeste a presença da porta principal está ladeada por pilastras e rematada por alpendre que se articula com varanda em cantaria da janela de sacada do primeiro piso. O paramento orientado a Oeste é animado por fenestrações de peito com guarda metálica, excepto no primeiro piso, que possui janelas de sacada com varanda comum. No nível do gaveto identifica-se uma estrutura tripartida, com piso térreo comercial, e os pisos superiores vazados por janelas de sacada com varandas assentes em mísulas e protegidas com guardas em ferro fundido, que acompanham a forma boleada e acentuam a mesma. Superiormente o edifício é rematado por platibanda.

Rua Tomás Ribeiro, 58-60 tornejando para Avenida Luís Bivar, 2-6  [c. 1952]
«Prémio Valmor em 1916»
Gustavo de Matos Sequeira, in Lisboa de Antigamente

Luís Frederico de Bívar Gomes da Costa (1827-1904), filiado no Partido Regenerador, começou por ser delegado do Ministério Público (1853) e, sucessivamente, juiz de Direito (1862), juiz do Tribunal da Relação de Lisboa (1882), do qual veio a ser presidente em 1894, e juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça (1900). Foi eleito Deputado em 1865 e presidente da Câmara dos Deputados entre 1882 e 1885. Toma assento na Câmara dos Dignos Pares em 1886. É nomeado Par do Reino com carácter vitalício em 1890. Ao longo da sua carreira política integrou mais de três dezenas de comissões parlamentares e, em 1902, foi designado Conselheiro de Estado.  [cm-lisboa.pt]

Rua Tomás Ribeiro, 58-60 tornejando para Avenida Luís Bivar, 2-6  [c. 1952]
«Prémio Valmor em 1916»

Wednesday, 7 March 2018

Igreja de S. Sebastião da Pedreira

Chegamos ao Largo de S. Sebastião da Pedreira — diz Norberto de Araújo —, em cujo topo já estivemos [vd. artigos anteriores] num dos passos anteriores da Peregrinação de hoje. Temos diante de nossos olhos a paroquial. 

Neste sitio seiscentista existiu uma pequena Ermida de uma confraria de carpinteiros (caixeiros ou caixoteiros?) da Rua das Arcas, antiga Baixa; foi junto dela que em 1652 se construiu o templo de S. Sebastião da Pedreira, como paroquial, inaugurado em 1654.
Levava este templo um século quando sobreveio o Terramoto, que o poupou. Beneficiou de restauros várias vezes, uma das quais já neste século, mas sem que a sua estrutura primitiva fôsse sensivelmente alterada.

Igreja de São Sebastião da Pedreira [c. 1900]
Largo de São Sebastião da Pedreira; Rua Tomás Ribeiro
Panorâmica sobre os sítios da Pedreira e das Picoas; vê-se à esq. a Igreja de S. Sebastião da Pedreira e, em segundo plano, a antiga Estrada das Picoas — que partia do Rego e entroncava na Cruz do Tabuado (hoje Pç. José Fontana, à dir.).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Classificada como Imóvel de Interesse Público, traduz uma linguagem severa «estilo chão», cuja fachada, servida por escadaria dupla, lateral, para vencer o desnível do adro, surge rasgada por um portal emoldurado a cantaria, rematado por tímpano interrompido por um medalhão em baixo relevo com o emblema do santo padroeiro. Ladeada por duas torres sineiras [a torre sineira que se eleva à esquerda é mais recente [1976?], definidas por pilastras e cunhais de cantaria, é coroada por duplo frontão triangular.

Igreja de São Sebastião da Pedreira [1964]
Largo de São Sebastião da Pedreira; Rua Tomás Ribeiro
Ao findo, no quarteirão que esquina com a Avenida Luiz Bivar (já deste século) eleva-se  palacete do Dr. Egas Moniz. É em estilo português, do tipo do século XVIII.
Armando Maia Serôdio, in Lisboa de Antigamente

O interior, de nave única, revela uma decoração barroca dos sécs. XVII e XVIII, integrada no conceito da «arte total», destacando-se: as obras de talha branca e dourada; o património azulejar, nomeadamente o do início de Setecentos, alusivo a S. Sebastião; as telas pintadas, em 1740, com a iconografia do referido santo; a pintura em estuque do tecto da nave, datada do fim do séc. XIX, alusiva ao orago; e um retábulo da «Ceia» assinado por Cirilo Volkmar Machado, exposto na capela do Santíssimo Sacramento.

Igreja de São Sebastião da Pedreira [post. 1941]
Largo de São Sebastião da Pedreira; Rua Tomás Ribeiro
Vista do coro tirada da Capela-mor
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

N.B. Na igreja existem algumas imagens assinaláveis, tais a de Nossa Senhora da. Saúde, quinhentista, de roca, só exposta no dia da sua festa e que pertencia à primitiva ermida, e uma de Santa Rita de. Cassia (na antiga capela do Santíssimo) que fez parte do recheio do hospício desta invocação, pertencente aos frades agostinhos, e que existiu na rua de S. Sebastião da Pedreira. No chão da capela-mor, em sepultura rasa, existe o túmulo de D. João. Bermudes, patriarca da Etiópia, e que es teve primeiro depositado na primitiva ermida, da qual o prelado foi protector (morreu em 1570).
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 82, 1939.
idem, Inventario de Lisboa, Fasc. 11, 1956.
monumentos.pt.

Tuesday, 24 November 2015

Matadouro Municipal de Lisboa

E aí tens o velho Matadouro Municipal de Lisboa — recorda o ilustre Norberto de Araújo. O edifício foi erguido em 1863, do risco do arquitecto francês Pesarat, e ocupa uma área de mais de treze mil metros quadrados. Está hoje [1938] antiquado e condenado a desaparecer.

Já te disse que esta Praça José Fontana a assim chamada desde 1915 — foi designada. naturalmente, por Largo do Matadouro, e que nos séculos passados era a Cruz do Taboado, «eira» larga onde morria a Carreira dos Cavalos [actual Rua Gomes Freire], em pleno campo. 

Matadouro Municipal de Lisboa, Praça José Fontana |séc. XIX|
Ali - no sítio onde aqueles bois ruminam - virá a ser erguido, em 1909, o Lyceu Camões: à esq. do matadouro, corre a Rua Tomás Ribeiro, (antiga do Sacramento) e, do lado direito a actual Rua Engenheiro Vieira da Silva (antiga Estrada das Picoas).
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Matadouro Municipal de Lisboa, Praça José Fontana |séc. XIX|
Traseiras do matadouro, fachadas do N. e do O., viradas à actual Av. Fontes Pereira de Melo, no terreno onde descansam os dois homens.(pastores?); à dir- a Rua Tomás Ribeiro, (antiga do Sacramento).
Fotógrafo não identificado, Matadouro Municipal de Lisboa

O jardim data de há cêrca de 60 anos [c. 1880] e recebeu no ano passado [1938] o nome «de Henrique Lopes de Mendonça», escritor, poeta e dramaturgo, autor da letra do hino nacional «A Portuguesa», figura bem alfacinha, irradiante de talento e simpatia.

Matadouro Municipal de Lisboa, Praça José Fontana |ant. 1893|
Talho ambulante de tracção animal/transporte de carnes
Fotografia atribuída a Francesco Rocchini, in Lisboa de Antigamente
Matadouro Municipal de Lisboa, Praça José Fontana |ant. 1893|
Talho ambulante de tracção animal/transporte de carnes
Fotografia atribuída a Francesco Rocchini, n Lisboa de Antigamente
Matadouro Municipal de Lisboa, fachada principal [ant. 1955]
Praça José Fontana
Foi desactivado (demolido) em 30 de Abril de 1955.
Chaves Cruz, n Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, p. 57, 1938.

Wednesday, 12 April 2017

Monumento(s) a Sousa Martins

Eis-nos,  Dilecto, de novo na rua. Já agora contempla a estátua do professor e notável homem de letras, Dr. Sousa Martins, grande figura moral e cientifica de português. Êste monumento foi inaugurado em 1907, e é obra de Costa Mota. Antes, nêste lugar, havia sido elevado um outro, da autoria do escultor Aleixo Queirós Ribeiro, e que não resistiu às criticas demolidoras, acabando por ser apeado.


Em 1895, quatro anos depois de ter sido demolida a praça de touros, o planalto de Sant'Ana foi transformado num jardim, que se estende num hexágono irregular, entre o Largo do Mitelo e o Torel. Num dos extremos da praça, frente ao imponente edifício da antiga Escola Médico-Cirúrgica ergue-se o Monumento a Sousa Martins, de Costa Mota, tio, de 1907, na base do qual uma figura feminina, qual juventude estudiosa, como que escuta a lição do mestre. 

Primitivo Monumento a Sousa Martins concebido pelo escultor Aleixo Queirós Ribeiro [1907]
Campo os Mártires da Pátria, antigo Campo do Curral (séc. XVI); em segundo plano a antiga
Escola Médico-Cirúrgica em construção.
Artur Bárcia, in Lisboa de Antigamente

 
 
 Primitivo Monumento a Sousa Martins concebido pelo escultor Aleixo Queirós Ribeiro [1907]
Campo os Mártires da Pátria, antigo Campo do Curral (séc. XVI)
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente
(clicar para ampliar)




Esta obra veio substituir o primitivo monumento concebido pelo escultor Aleixo Queirós Ribeiro, muito criticado por representar o notável homem de letra sentado numa vulgar cadeira.
José Tomás de Sousa Martins (1843-1897), foi um distinto médico, cientista, investigador, professor e escritor da segunda metade do séc. XIX. A sua atitude humanista de não receber honorários dos mais desfavorecidos valeu-lhe o epíteto de «Pai dos Pobres», a ponto de ter sido alvo de verdadeiro culto popular, após o seu desaparecimento, culto esse, que ainda hoje se mantém.

Construção do Monumento a Sousa Martins concebido pelo escultor Costa Mota (tio) [c. 1907]
Campo os Mártires da Pátria, antigo Campo do Curral (séc. XVI)
Artur Bárcia, in Lisboa de Antigamente
Monumento a Sousa Martins concebido pelo escultor Costa Mota (tio) [post. 1907]
Campo os Mártires da Pátria, antigo Campo do Curral (séc. XVI)
Chaves Cruz, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, p. 34, 1938.

Sunday, 21 April 2024

Hotel Aviz (Palacete Silva Graça)

Já agora, anotemos o luxuoso Hotel Aviz, que se contém no quarteirão que segue para Sul — sugere o ilustre Norberto de Araújo.

Foi aqui o palacete que o director de «O Século», José Joaquim da Silva Graça, fez levantar em 1904 (desenhado para habitação pelo arq.º Ventura Terra), para sua moradia particular. Em 1919 José Rugeroni, genro de Silva Graça, adquiriu este palacete ao mesmo tempo que comprava «O Século»; em 1931 decidiu José Rugeroni converter o palacete, com seus jardins e anexos, num hotel de luxo.
O edifício foi então radicalmente transformado, segundo a orientação do seu proprietário, com o qual colaborou o arquitecto Vasco Regaleira
O Hotel, cujo levantamento só foi possível com o auxilio financeiro da Caixa Geral de Depósitos, foi inaugurado em 24 de Outubro de 1933.


Hotel Aviz (Palacete Silva Graça) |c. 1960|
Av. Cinco de Outubro com a Av. Fontes Pereira de Melo
Na fachada destaque para a enorme águia de asas abertas.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
Hotel Aviz (Palacete Silva Graça) |c. 1960|
 O palacete do antigo jornalista Silva Graça situava-se entre as ruas de Tomás Ribeiro,
Viriato, Latino Coelho e Avenida de Fontes Pereira de Melo.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

O Hotel está recamado de arte na construção e decoração de sentido histórico no seu ambiente; é possível que pareça pretensioso, mas resultou bem o risco, até pela solução de vários problemas, nos quais a intenção e o bom gosto se poderiam chocar.

Um «hall» vistoso introduz num salão «Renascença» — grande vestíbulo — no qual se vê, à direita, um fogão, tipo de lareira portuguesa, com ricas colunas de madeira lavrada, peça que adveio da Vila de Santo António, à Junqueira, que pertenceu aos Burnays; sobre ele se colocou um brasão da Casa de Aviz. Do lado oposta vê-se um belo armário « Renascença», exemplar seiscentista que estava no Convento das Trinas; anota aquela formosa porta monumental ao fundo, e a balaustrada de ferrageria portuguesa antiga, peça que pertenceu à capela do Convento de Sacavém. Evidentemente todos estes exemplares beneficiaram de restauro. As sobreportas ostentam as armas e as divisas dos infantes da Ínclita Geração.

Hotel Aviz (Palacete Silva Graça) |c. 1960|
 Vestíbulo no qual se vê, à direita, um fogão, tipo de lareira portuguesa e balaustrada de ferrageria portuguesa antiga.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
Hotel Aviz (Palacete Silva Graça) |c. 1960|
 Salão «Renascença».
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

A Sala de Leitura, com mobiliário de estilo alentejanos, o «bar», no qual se notam baixos relevos históricos de Diogo de Macedo, e um sentido original no mobiliário, os terraços decorados com azulejos de tipo hispano- -árabe - definem já o « carácter e a fisionomia do Hotel.
As dependências e quartos, no primeiro pavimento, designam-se por «Suites», ou melhor — por correntezas — , que tomaram os nomes dos reis e príncipes da Casa de Aviz: D. João I, D. Filipa de Lencastre, D. Duarte, D. Pedro «Regente», Infante D. Henrique, Infante Santo e Infante D. João. As guarnições interiores dos aposentos são ricas, como arte aplicada. 
A Sala de Jantar situa-se no primeiro pavimento, abrindo dos jardins; há que destacar nela um grande painel de azulejos (Leopoldo Batistini) que reproduz uma das tapeçarias portuguesas de Pastraña (Espanha), além de outras decorações artísticas, de sentido histórico e etnográfico.
 
Como viste, o Hotel Aviz não está mal; este, e o Palace do Bussaco, constituem os dois únicos espécimes de hotel de luxo em Portugal.¹

Palacete Silva Graça depois Hotel Aviz  |c. 1905|
Perspectiva tirada do cruzamento da Av. Cinco de Outubro com a Rua Pinheiro Chagas na direcção da Av. Fontes Pereira de Melo. Do lado esq. nota-se o muro da Casa-Museu Doutor Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Palacete Silva Graça depois Hotel Aviz |c. 1908|
Perspectiva sobre os jardins do Palacete Silva Graça vendo-se a Av. Cinco de Outubro à dir. e a Rua Viriato à à esq...
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

N.B. O quarto número 72, com uma casa de banho extraordinária, ficou conhecido pelo Quarto Eva Perón; noutras épocas recebeu também Cecil B. DeMille. Além destes, passaram por lá Mastroianni, Sinatra, Ava Gardner, Maria Callas e outros. Calouste Gulbenkian viveu e morreu neste Hotel.
Durante a Grande Guerra também espiões alemães foram frequentemente instalados no Aviz, como o famoso Dusko Popov, e membros de famílias reais, como Humberto II de Itália, o futuro rei Juan Carlos de Espanha e o ex-rei da Roménia, Carol. Este último tinha abdicado do trono romeno sob pressão alemã, em 1940. Como estava sempre a ser seguido por membros da Gestapo durante a sua estadia no Aviz, nunca deixou o hotel antes de se mudar para a Casa Mar e Sol, no Estoril.
Hotel Aviz foi também o local do lendário jantar do duque de Windsor − antigo rei Eduardo VIII de Inglaterra − e da sua esposa Wallis Simpson. O jantar teve lugar a 30 de Julho de 1940, no dia anterior à sua partida a bordo do Excalibur para as Bahamas, onde lhe foi atribuído o cargo de governador por Winston Churchill. Os serviços secretos alemães planeavam raptar o duque, que simpatizava fortemente com a Alemanha nazi, nessa mesma noite. Mas os serviços secretos britânicos descobriram a Operação Willi e a trama nazi falhou.²
Demolido em 1962 erguem.se no seu lugar o “Edifício Aviz e o “Hotel Sheraton”.
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Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 81-82, 1939.
² LANGENS, Joke, Lisboa em 10 Histórias, 2022.

Wednesday, 12 August 2015

Lyceu de Camões

Projectado em 1907, pelo arq.º Miguel Ventura Terra, foi construído de raiz na Praça José Fontana, entre 1908-1909, ano em que foi inaugurado sob a designação oficial de "Lyceu de Camões", tornando-se uma referência pioneira na arquitectura escolar à época, inaugurando em conjunto com outros liceus um modelo de liceu moderno em Lisboa. Este novo modelo de liceu trouxe uma arquitectura de utilidade pública, funcionalmente racionalista, muito técnica, desenvolvida numa linha decorativamente despojada e de volumetrias simples Tendo em conta a construção de um edifício essencialmente higiénico e confortável, bastante arejado e iluminado, o arquitecto projectou blocos rectangulares articulados, recorrendo aos novos materiais da época, o ferro e o tijolo, assim como a um esquema compositivo que primava pela ausência de corredores fechados, preferindo salas abertas para o pátio ou para galerias exteriores, favorecendo a existência de múltiplos espaços de recreio.

Lyceu de Camões  [c. 1909]
Praça José Fontana
Perspectiva tirada da Rua Tomás Ribeiro
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Estruturado em 2 pisos, o edifício apresenta planta rectangular e simétrica, segundo um esquema em tridente, inscrevendo-se num alongado rectângulo seccionado por outros 3, correspondentes a 3 alas paralelas entre si e perpendiculares à fachada principal, que possibilitam a formação de dois amplos espaços abertos, rectangulares, destinados a recreio. A distribuição das salas de aula é feita pelos corpos laterais encontrando-se os serviços administrativos, refeitórios e o ginásio instalados no corpo central. Em 1927 foram construídos 2 pavilhões nos eixos dos Pátios Sul e Norte, respectivamente destinados a Laboratórios de Física e de Química.

Lyceu de Camões  [c. 1909]
Praça José Fontana
Perspectiva tirada da Rua Gomes Freire
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Em 1972 foi inaugurado à entrada do liceu, por ocasião do IV Centenário da Publicação de "Os Lusíadas", o busto de Camões, encomendado ao escultor Fernando Fernandes, para homenagear o grande poeta português, que deu nome a este liceu. 
O Antigo Liceu Camões, actual Escola Secundária Camões, encontra-se Em Vias de Classificação.

Lyceu de Camões  [c. 1930]
Praça José Fontana
Postal não circulado, in Lisboa de Antigamente

Friday, 27 February 2026

Mercado 31 de Janeiro que foi Matadouro Municipal, às Picôas

E aí tens o velho Matadouro Municipal de Lisboa, às Picôas — recorda o ilustre Norberto de Araújo. O edifício foi erguido em 1863, do risco do arquitecto francês Pezerat, e ocupa uma área de mais de treze mil metros quadrados. Está hoje [1938] antiquado e condenado a desaparecer. [Araújo: 1938]


Em sessão de 22 de Dezembro de i852 resolveu a Câmara mandar proceder á construção do actual Matadouro, para substituir o antigo [de S. Lázaro no Largo do Mastro], cujas péssimas condições higiénicas e imperfeita organização o condenavam por insalubre e prejudicial aos interesses da Camara e do comércio lícito. O engenheiro Pedro José Pezerat (1801-1872) foi encarregado de elaborar o projecto e orçamento para a edificação, que ficou situada na Cruz do Taboado, um dos pontos mais elevados da cidade. Constituído por diversos corpos, cujo conjunto tem a forma retangular, mede esse edifício por um dos lados 120 metros e pelo outro m metros, o que dá a superfície de 13.320 metros quadrados. [Pimentel: 1903]

Mercado 31 de Janeiro que foi Matadouro Municipal, às Picôas |1955|
Av. Fontes Pereira de Melo com s Rua Tomás Ribeiro
O mercado foi demolido na década 1950.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

sítio das Picoas que já surge referido nas «Memórias Paroquiais de Lisboa» de 1758, derivou do nome de uma quinta do morgado das Picoas — D. Nuno Freire de Andrade e Castro de Sousa Falcão —  do qual dependia uma Ermida (já demolida) na Rua das Picoas próximo da actual Av. Praia da Vitória.

Mercado 31 de Janeiro que foi Matadouro Municipal, às Picôas |1961|
Rua Engenheiro Vieira da Silva, Av. Fontes Pereira de Melo e Praça José Fontana; ao fundo vislumbra-se o famoso "prédio do anjo" com fachada sobre Praça do Duque de Saldanha.
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

N.B. Entre 1852 e 1872, a Repartição Técnica da Câmara Municipal de Lisboa foi liderada pelo engenheiro-arquitecto francês Pierre Joseph Pézerat, que começou a trabalhar na CML em 1852 e se destacou como figura central na organização urbana da capital no período pós-liberal, realizando importantes obras de infraestrutura na cidade.

Saturday, 12 March 2016

Instituto Agrícola e Chafariz da Cruz do Taboado

No antigo Largo da Cruz do Tabuado, hoje Praça José Fontana, confluem a Rua Gomes Freire (antiga Estrada da Cruz do Taboado/Carreira dos Cavallos), a Rua Engenheiro Vieira da Silva (antiga Estrada das Picoas), a Rua da Escola de Medicina Veterinária (antiga Tv. do Abarracamento da Cruz do Taboado), a Rua Tomás Ribeiro (antiga Tv. do Sacramento), e a Avenida Duque de Loulé (antiga Rua do Chafariz do Andaluz). Por ali existia também o já desaparecido «Chafariz da Cruz do Taboado» encostado ao troço da Galeria de Santana do Aqueduto das Aguas Livres. [v. Carta topográfica nº 12]

Instituto Agrícola, depois Escola de Medicina Veterinária [c. 1900]
Actual Rua Gomes Freire
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Foi pois, aqui, neste lugar da Cruz do Taboado — chãos da Real Quinta da Bemposta — no palácio fundado pela rainha D. Catarina, viúva de Carlos II de Inglaterra e filha de el-rei D. João IV. que o Instituto Agrícola e Escola Regional de Lisboa foi inaugurado em 1852, no reinado de D. Maria II, durante a Regeneração, dirigido por Fontes Pereira de Melo. No ano de 1864 verificou-se a junção do Instituto Agrícola de Lisboa com a Escola de Veterinária Militar (ao Salitre), que fora fundada pelo Governo do Rei D. Miguel em 1830, criando-se, deste modo, o Instituto Geral de Agricultura e Veterinária. Em Dezembro de 1910 o Instituto foi extinto, criando-se a Escola de Medicina Veterinária, que, em 1919, passou a designar-se Escola Superior de Medicina Veterinária.1
Em 2011 iniciou-se a demolição do edifício, dando lugar à nova sede da Polícia Judiciária.

Instituto Agrícola e o Chafariz da Cruz do Taboado [séc. XIX]
Colecção do Conde de Arnoso (recorte de fotografia estereoscópica), in LdA

Em baixo, Carta topográfica nº 12 referente à travessa do Abarracamento da Cruz do Taboado, aqueduto das Águas Livres, casa da Guarda, chafariz, largo do Chafariz de Andaluz, largo da Cruz do TabuadoChafariz da Cruz do Taboado, rua da Cruz do Taboado, Instituto Agrícola, estrada das Picoas, quartel da Guarda Municipal, travessa do Sacramento, rua de São Sebastião da Pedreira e tanque.

Instituto Agrícola e Chafariz da Cruz do Taboado
 Levantamento topográfico de Lisboa sob a orientação de Filipe Folque, 1857
in Lisboa de Antigamente

1 Arquivo Pitoresco, vol V, p.49, 1863.

Sunday, 4 August 2024

Praça do Duque de Saldanha: Avenidas Novas

Com esta bela Praça do Duque de Saldanha, que data da última década do século passado [XIX], se deu testa à grande artéria mãe das Avenidas Novas, em correspondência paisagista com a Praça Mousinho de Albuquerque, que vimos já, no começo do Parque do Campo 28 de Maio (Campo Grande). 

Na praça em rotunda, estrela de cinco pontas — diz Norberto de Araújo, a quem vamos sempre seguindo — , confluem as Avenidas Fontes Pereira de. Melo, Casal Ribeiro e Praia da Vitória, estas duas já deste século- e da República e confluirá dentro de um ano a Rua António Enes, que se está prolongando já através de um talhão da da muito velha Rua das Picôas. Desaparecerá esse oitocentista Palácio, a sudoeste, que foi da Condessa de Camarido [depois Cine Teatro Monumental - 1ª imagem à esq.].¹

Praça Duque de Saldanha e Av. da República |194-|
À esq. nota-se o muro do Palácio Camarido demolido para dar lugar ao Cine Teatro Monumental
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

 

Avenida de Fontes Pereira de Melo termina na rotunda da Praça do Duque de Saldanha, cercada de heterogéneas edificações, e a meio da qual se ergue o monumento ao Duque de Saldanha. A pedra fundamental do monumento, cuja parte escultural é de Tomás Costa e a arquitectónica de Ventura Terra, foi lançada em 1904, tendo-se inaugurado em 1909. A estátua, que representa o marechal de pé, com a mão direita apontando na direcção do S., assenta sobre um pedestal dórico de base quadrangular flanqueado de colunas com capitéis canelados. À frente da estátua, na base, a figura alegórica da Vitória, de bronze, nas outras faces panóplias ornamentais pendem da boca de leões, tudo de bronze.²

Praça Duque de Saldanha e Av. Fontes Pereira de Melo |1952|
Em cartaz no Cine-Teatro Monumental o filme "A Paz Voltou à Cidade" com a participação de  Gary Cooper - no original "Dallas" - e a peça de teatro "Lisboa Nova" com a actriz Laura Alves, ambos estreados em 1952.
Amadeu Ferrari, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto d, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 79-80, 1939.
² PROENÇA, Raul, Guia de Portugal, Generalidades: Lisboa e arredores, Biblioteca Nacional, 1924.

Thursday, 12 May 2016

Praça do Duque de Saldanha

A Avenida de Fontes Pereira de Melo termina na rotunda da Praça do Duque de Saldanha, cercada de heterogéneas edificações, e a meio da qual se ergue o monumento ao Duque de Saldanha. A pedra fundamental do monumento, cuja parte escultural é de Tomás Costa e a arquitectónica de Ventura Terra, foi lançada em 1904, tendo-se inaugurado em 1909. [Araújo: 1939]

Praça do Duque de Saldanha |c. 1909|
Antiga Praça Mouzinho de Albuquerque, antes Rotunda das Picoas; Avenida da República
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A estátua, que representa o marechal de pé, com a mão direita apontando na direcção do S., assenta sobre um pedestal dórico de base quadrangular flanqueado de colunas com capitéis canelados. À frente da estátua, na base, a figura alegórica da Vitória, de bronze, nas outras faces panóplias ornamentais pendem da boca de leões, tudo de bronze.»
(in Guia de Portugal, coord. de Raul Proença, Generalidades: Lisboa e arredores, Biblioteca Nacional, imp. 1924. 1º vol., p. 434)

Praça do Duque de Saldanha |c. 1909|
Antiga Praça Mouzinho de Albuquerque, antes Rotunda das Picoas; à esq., a Avenida Casal Ribeiro; à dir., tornejando a Avenida Fontes Pereira de Melo, o edifício de habitação conhecido por «prédio do anjo».
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
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